A arte já não imita a vida

setembro 10, 2012

Ainda tenho na lembrança a primeira vez que ouvi ainda nos bancos escola-res, a seguinte frase: “a arte imita a vida”. Lá se vão longos anos, mas, agora, a arte já não imita mais a vida, não que ela não queira, não faz porque não pode. Retratar a vida e os Seres humanos do jeito que eles são como fizera outrora grandes escritores, passou a ser passível de punição, processo, indenização e sei lá mais o quê.

A sociedade, que aqui nunca foi igualitária, hoje está ainda mais repartida e é formada por minorias sensíveis e melindrosas, que se ofendem por todo e qualquer comentário ou comportamento de um personagem de ficção, como se a vida real, fosse um mar de rosas e vivêssemos em bolhas de vidros, livres de pessoas de caracteres duvidosos que nos possam destratar. Tudo passou a ser ofensivo, pejorativo, humilhante e degradante.

Se a arte sempre imitou a vida, como não conceber personagens de caráter duvidoso, que exalam preconceito por todos os poros? Pessoas que ofendem minorias, que agridem mulheres, violentam crianças, que assaltam, roubam, estupram, elas estão por todos os cantos. Impedir a arte de retratar essa faceta do Ser humano para proteger minorias, agride a essência da arte, que é e sempre foi, a de imitar a vida.

A vida é dura e a realidade é mesmo crua, sangra as nossas entranhas, fere nossa honra, indigna nossa personalidade, mas é essa a vida que se tem pra viver. Pessoas más são pessoas más e, pronto. Elas não têm, ética, ofendem, destratam, humilham, é assim na vida e essa vida precisa ser mostrada, não pode ser objeto de censura, de punição, ou de qualquer outra interpelação e em nome desta ou daquela minoria.

Não é impedindo a arte de mostrar o Ser humano com todas as suas imperfeições, que vamos exterminar os problemas que afligem os Seres humanos repartidos em suas minorias. Não é interpelando judicialmente uma obra literária de Monteiro Lobato, que vamos exterminar o preconceito racial. Não é patrulhando a liberdade de criação de um autor, que vamos exterminar todos os males dessa vida.

A arte, desde a Grécia Antiga, retratou e retrata o comportamento de uma sociedade e nela, habitam seres bons, seres maus, seres sem preconceitos, seres preconceituosos, seres de almas imaculadas e de almas sujas, seres violentos, seres sem escrúpulos. Não existem seres perfeitos, uma hora ou outra, todos nós nos colocamos de maneira preconceituosa sobre algum assunto, isso é fato. O Ser humano não enxerga o seu rabo.

Portanto, deixemos que a arte cumpra o seu papel, que é o de levar ao povo, o retrato de si mesmo, Nem tudo é belo, nem tudo é feio. É apenas a vida! Deixemos que a arte imite a vida e não queiramos que a arte mostre uma vida que não existe. Não precisamos de uma sociedade formada de vítimas, precisamos de uma sociedade que se respeite e lute por justiça, sem cercear o direito de um autor retratar a vida como ela é.

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Por que ensinar Teatro?

maio 16, 2012

Tenho amadurecido durante os últimos anos a idéia de como seria salutar, se fosse criada a disciplina “Teatro” nas escolas brasileiras, já até escrevi sobre isso há tempos atrás, mas como nos dias de hoje o que impera é um tal cinismo travestido de politicamente correto, penso que ensinar Teatro nas escolas poderia contribuir para desmascarar toda essa hipocrisia que nos cerca.

Vivemos fantasiando um mundo que não existe nem em contos de fadas, e este mundo é fruto dos comportamentos frustrados, inseguros, preconceituosos, egoístas e desrespeitosos de uma população que está muito mais preocupada no seu bem estar e usa do cinismo para deixar as coisas do jeito que menos a incomode. E onde o ensino do Teatro entra nisso? Justamente como um antídoto.

Temos que aproveitar a magia que envolve o Teatro para trazer a criança e o adolescente para este universo, pois além de incutir neles, a oportunidade de conhecimento da cultura e da história do mundo, podemos mostrar à eles, sem cinismo e sem hipocrisia, que uma população é formada de pessoas diferentes, que devem ser respeitadas e não enquadradas em modelos de comportamentos que julguemos ideal.

O Teatro, como a arte que imita a vida, é capaz de mostrar e ensinar a criança e ao adolescente, através dos dramas e do humor que são retratados em cena, que a vida ideal é muito diferente desta que o tal politicamente correto quer nos vender, ela passa pelo respeito ao semelhante e mostra com lentes garrafais que não há espaço para o preconceito, para discriminação e para falta de respeito, valores que a atual grade escolar não consegue passar.

Sei que alguns podem pensar que uma coisa não tem nada a ver com a outra, pois teatro é uma arte e não deve se prestar a este papel, mesmo assim vou discordar, pois a função de qualquer arte vai muito além de ser uma atividade criativa e o Teatro, pode sim, cumprir muito bem esse papel. Além do mais, mesmo que a disciplina nas escolas não revele nenhum grande talento, com certeza vai formar um público que vai saber respeitar o teatro como a grande arte que é.

Uma sociedade melhor passa pela educação, principalmente de suas crianças e fazer do Teatro, que é o lugar da democracia dos sentimentos e das emoções, um instrumento para levar às crianças e aos adolescentes, os verdadeiros valores de um cidadão e ainda oferecer à elas arte e cultura, não pode ser assim tão ruim, não é mesmo?

Portanto, à todos que ministram suas oficinas, ensinando a arte do Teatro às crianças e aos jovens, saibam que, mesmo que inconscientemente estão sendo responsáveis por formarem novos cidadãos, que com certeza, crescerão livres de preconceitos e com a mente aberta para entender que uma sociedade é feita de diferentes.


A criação artística na alça de mira

agosto 5, 2011

Há tempos atrás, a criação artística era a expressão exata daquilo que um artista pensava quando escrevia um texto, quanto rodava um filme, quando compunha uma música, quando dirigia uma cena, quando representava um papel, mas hoje em dia às coisas andam muito diferentes, a criação artística está na alça de mira.

Agora, antes mesmo de exercer a plenitude de sua criação artística, o artista precisa examinar minuciosamente todas as possibilidades da sua obra, analisar se tal coisa não vai ofender fulano, ou se tal comentário não vai expor sicrano, ou ainda se garantir que não há nada que venha a desagradar beltrano. Isto está ficando muito chato.

A arte está perdendo o seu poder de seduzir, de encantar, de emocionar, de contestar, de protestar, de se indignar, por conta de um pensamento mesquinho e reacionário, preocupado em usar a força da censura para inibir e cercear o que o artista tem de mais sagrado, a sua criação. Não consigo entender, que após anos de ditadura, ainda insistam em querer calar o pensamento.

É certo que há excessos que precisam ser reprimidos, mas a liberdade de criação deve ser respeitada e quem deve tomar essa decisão do que serve ou não serve é o povo. É óbvio também, que manifestações de ofensas e que denigram e exponham o ser humano no seu direito garantido na Constituição, devam ser punidas na forma da lei, mas na forma da lei e não com a força da tesoura da censura.

Podemos está perdendo o bonde da história e deixarmos de realizar a maior revolução cultural que esse país já presenciou, por conta de pensamentos ultrapassados e pontos de vistas equivocados, pois com a movimentação das camadas sociais, onde pessoas estão tendo um maior poder de compra e se mostrando consumidores contumazes, ao invés de se oferecer cultura de verdade, abre-se espaço para essa cultura descartável, mas que não fere os princípios da tradição, família e propriedade.

Tolher a criação artística usando como justificativa a preservação do que para alguns representa o que seja politicamente correto ou ainda querer induzir o que seria o melhor para tal idade ou para tal horário é caminhar na direção contrária do que realmente faz uma nação, o conhecimento, pois é ele que dá o poder de discernimento para que se escolha o que serve, o que não serve, o que agride, do que não agride.

Mas, ainda espero que o artista na grandiosidade de sua infinita capacidade de manifestar sua criação artística, consiga vencer os problemas das patrulhas, dos politicamente corretos, da censura e transmita ao povo cultura suficiente, para que este povo, que hoje tem seu direito de opinião subjugado, absorva cultura suficiente para dizer: Basta de Censura! Basta de Controles, Basta!


E a criança, como fica nesta história?

maio 27, 2011

Hoje não está nada fácil escrever um texto infantil, se já não bastasse toda a complexidade que é contar uma história para os pequenos, um outro problema vem contribuindo para essa dificuldade, a questão do politicamente correto. Mas, qual o politicamente correto? O meu, o seu, ou o da criança? Será que a criança não direito de enfrentar as situações adversas? Alguém perguntou para criança o que ela acha tudo isso?

Esse zelo exacerbado que chega às raias da neurose, está tornando o ofício de escrever histórias para crianças algo quase mecânico, pois nada pode. A inocência da criança que brinca com as situações que ela vivencia, está sendo fortemente vigiada. E, se já não bastasse toda a violência urbana que acabou empurrando as crianças para dentro das casas, querem decidir o que a criança pode ou não pode assistir.

A onda do “bom-mocismo” que tomou conta do país acabou extrapolando e tornando situações que outrora eram naturais, quase proibitivas. O que seria de Maurício de Souza se tivesse criado nos dias de hoje, “A Turma da Mônica”? Chamar um menino de “Cebolinha”, um outro de “Cascão” e uma menina de “Gorducha” e “Dentuça”, lhe decretaria o fracasso, jamais se tornaria o sucesso que é nos dias de hoje. Como tudo na vida, o excesso de preocupação, acabou criando um monstro, e querem que fechemos as crianças em redomas de vidros, distantes de todo e qualquer mal.

Será que tal atitude está fazendo bem para as crianças? Como elas poderão discernir o que é certo ou errado? E como elas vão saber se isso ou aquilo é certo ou não, se estão limitadas a aceitar apenas o que lhes é imposto como politicamente correto diante dos olhos de alguns? A sociedade está escrevendo um texto infantil com uma lição de moral no final. Algo muito ruim para criação do cidadão de amanhã.

Quando penso em escrever algum texto, contar alguma história infantil, sinto até um frio na espinha, pois sei que certamente enfrentarei muitos problemas, porque pra mim, criança é criança e tem de ser respeitada como um consumi-dor da minha literatura e do meu teatro e sempre falarei para ela, olhando nos olhos dela, e usando a sua linguagem. A única coisa que faço questão é de que a criança tenha a sua impressão sobre o que escrevi. Ela que vai dizer o que é certo ou errado, e não eu! Eu apenas lhe mostrei as situações.

Preocupações com a violência, com a educação, com as drogas e com tudo mais que cerca o universo infantil nos dias de hoje, eu também tenho, pois sou pai. Mas não posso querer esconder das minhas filhas, algo que a vida por certo lhes mostrará. E pintar o mundo de cor-de-rosa, querendo que só o bem faça parte, é utopia. A vida é feita do bem e do mal.

Por que será que os vilões fazem tanto sucesso? Porque os vilões é que tornam os heróis, exemplos para criançada. Impedir, esconder, disfarçar todo mal que há no mundo, não vai livrar a criança dos problemas. O melhor é deixar que os autores, usem a sua criatividade, abusem do lúdico e falem a língua da criança, colocando no papel, as situações comuns às crianças. Ou será que as crianças de hoje não tem mais apelidos?


Por onde anda a ousadia do artista?

maio 1, 2011

Os anos eram de chumbo, vivia-se uma ditadura violenta, a censura calava qualquer tentativa de manifestação contrária ao regime, mas apesar disso tudo, ainda havia quem pregasse a paz, o amor, buscasse a união em comunidade, e o artista, reunido em grupos, tinha a coragem de ousar, provocar, contestar e enfrentar àqueles que tentavam calá-lo. Por onde anda a ousadia do artista?

Hoje vivemos tempos de plena democracia, mas, uma ditadura velada, com uma censura tão ou mais ferrenha de que outrora, nos vigia com olhos de doberman e, além disso tudo, não existe mais respeito com as diferenças,  busca-se sempre o conflito ao invés da conciliação, e o indivíduo se tornou mais importante que a comunidade, vivendo por status e poder. Por onde anda a ousadia do artista?

Outrora o artista provocava a sociedade careta e covarde que se escondia por trás de uma ditadura, hoje, o artista se esconde dos caretas desta sociedade politicamente correta. Por onde anda a ousadia do artista? Até quando o artista vai agüentar calado que falsos moralistas determinem e calem a manifestação artística? Logo o artista, que sempre andou a frente de seu tempo, não pode entregar os pontos assim, tão calmamente.

Já está mais do que na hora de ousar, provocar, cutucar, tirar a máscara desta sociedade que prega uma coisa e nos porões de suas vidinhas medíocres, prega justamente o contrário. O artista precisa ser a voz, a força para desmascar essa hipocrisia que nos ronda. A criatividade do artista tem de ser a arma contra tudo isso que vivemos hoje em dia. Retomemos a provocação, a ousadia de enfrentar os “nãos” da sociedade e vomitemos sobre ela, todo o nosso amor pela vida.

Não é possível, que pessoas de almas vazias, preocupadas em tecnologia e no seu próprio bem estar, levantem bandeiras contra tudo aquilo que vai de encontro ao que eles não querem ver exposto. Não é possível, que pessoas de comportamento reacionário, preocupadas em ganhar dinheiro e no que deixarão de ganhar por certos comportamentos, venham interferir na criatividade do artista.

O artista sempre se posicionou contra a caretice social, contra os bons costumes de uma sociedade hipócrita, sempre andou na contramão do que seria o certo para a maioria, por que, de uma hora para outra, perdeu sua ousadia? Por que tanto medo de enfrentar os reacionários desta sociedade careta e covarde de hoje em dia? O artista pode mais do que eles, pois só o artista é capaz de mostrar exatamente como eles são.

Ou o artista sai de trás de suas trincheiras e volta a provocar, a ousar, a contestar, a cutucar e a incomodar de fato essa sociedade careta e covarde que se esconde atrás do chamado politicamente correto, ou vai ser apenas encarado como um passatempo e uma diversão para aliviar o estresse desses hipócritas após mais um dia de trabalho.


A indústria da pirataria

abril 15, 2011

Nos dias de hoje, tudo parece estar de ponta-cabeça, é como esses tempos modernos tivessem afetado as pessoas de uma tal forma, que alguns conceitos daquilo que se julgava certo ou errado, não fazem mais sentido. Vivemos tempos de, tudo quero, tudo posso e, nada será proibido. A filosofia de levar vantagem em tudo parece que grudou na pele feito tatuagem.

São tempos de enormes paradoxos. De um lado, o discurso do politicamente correto que se ocupa em vigiar a criação artística, do outro, a prática de comprar produtos piratas para levar vantagem financeira. E quem acaba pagando a conta? O artista. Que, ao mesmo tempo, que vê o que criação sendo vigiada de um lado, acaba vendo sua obra sendo pirateada de outro.

A indústria da pirataria corre livre aos olhos de todos. Em cada esquina de cada cidade, deste país, tem um artista tendo sua obra pirateada descaradamente, e ninguém faz nada! Volte e meia uma notícia de um combate aqui, de outro combate ali, mas nada eficiente, e sabem por quê? É simples: Quem discursa pregando o politicamente correto, escolhe nas bancas dos camelôs, os lançamentos piratas de CDs e DVDs que ás vezes ainda nem estão à venda.

Esses praticantes do politicamente correto fazem parte das pessoas que vivem num eterno paradoxo, pois não são capazes de por em prática aquilo que tanto pregam. O que eles deviam fazer era se ocuparem de combater de fato a pirataria das obras artísticas, os invés de ficar dando pitacos no que pode e no que não pode na criação do artista. Ou será que artista não tem direito de se locupletar com a sua obra?

Não haverá combate eficiente que ponha fim na indústria da pirataria, se o cidadão, dito comum, não mudar o seu conceito do que é certo ou errado. Se o preço está alto, se a obra é cara, a culpa não é do artista. Então, por que é ele que tem de sofrer na carne? A pirataria só é benéfica para um lado, o lado do crime, pois é ele que se alimenta cada vez que um artista é pirateado. Depois não adianta se por de politicamente correto e bradar contra isso.

A sociedade não pode virar ás costas para o artista dessa forma. A pirataria se combate pelas ações de cada cidadão, que renuncia a oportunidade de gastar menos, desestimulando a indústria do crime e fortalecendo a arte do país. É preciso que cada um tenha em mente, que a arte que lhes diverte é o ganha pão daquele que a exerce.

Antes de criticar uma obra artística e se comportar como vigilante do políticamente correto, coloque a mão na sua consciência e repense o quanto você não colabora para o engrandecimento da indústria da pirataria no país. Indústria pi-rata, todo cidadão tem sua parcela de culpa!


Quem sabe o que criança quer?

fevereiro 17, 2011

Adulto é mesmo presunçoso, pretensioso e se julga o dono da verdade, pois que lhes deu, ou dá o direito para dizer o que uma criança gosta ou não gosta de assistir no teatro? Quem lhes deu, o dá o direito de achar que esta ou aquela peça de teatro, ou que este ou aquele programa infantil de televisão, não serve para as crianças?

Em que lugar está escrito que criança não gosta de cenas de pastelão, de tombos e cacetadas? Existe alguma pesquisa feita com crianças afirmando isso? Eu, pelo menos, não conheço. Será que eles nunca viram como criança se diverte diante destas situações? Ou a simples recusa por tais situações reflete apenas uma visão presunçosa destes adultos?

Escrever para criança, não é fácil, e não há como negar isso, pois consiste justamente neste desafio, o de não ter a pretensão nenhuma de querer adivinhar o que uma criança quer ou não. É preciso pensar como criança, que curte a brincadeira sem se dá conta do que é certo ou errado. Agora me digam uma coisa: Que criança não ri até ficar com dor de barriga, quando vê uma outra criança se estatelando no chão?

Ou eu vivo em outro planeta, ou não reconheço mais o universo que vivo, onde minhas filhas se divertem com situações como estas. Aliás, aqui entre nós, qual o adulto que não racha o bico quando vê um outro igual, se estatelar no chão? Essa coisa de politicamente correto quer reinventar a criança, tanto, que até no Teatro Infantil, “estudiosos” condenam textos que tenham isso ou aquilo, ficam ditando regras do que é certo, ou errado, do que é bom ou mau. Quem tem de ter opinião sobre isso é a criança. Se o adulto gostar, muito que bem, senão, ombros pra ele.

Eu, quando vou escrever um texto infantil, tenho como público alvo, a criança e é a ela que tenho de conquistar, afinal de contas é sobre o universo dela que estou escrevendo. Jamais me preocupo qual vai ser a reação dos adultos e como eles vão receber o meu texto. Se a criança gostar, missão cumprida.

Tem um texto meu que ficou em cartaz anos atrás, que a crítica achava muito clichê, que alguns adultos não enxergavam nele algo construtivo, mas para surpresas destes adultos, as crianças que iam assistir ao espetáculo, suplicavam para que seus pais as levassem outras tantas vezes. Vê como é estranho o que é gostar, não é mesmo?

Por isso, e depois disso, não costumo dar ouvidos ao que os adultos falam sobre os meus textos infantis, ou sobre de como é que deve ser o texto infantil ideal. Para mim, o texto infantil ideal é o que a criança gosta, e não o que adulto quer. E ponto final.


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