Somos um país atrasado

dezembro 9, 2016

Quando eu era pequeno, a frase que mais ouvia era que o Brasil era o país do futuro, mas, meio século depois, é fácil constatar que, além de não ser o país de um futuro que nunca chega, o Brasil é um país atrasado em todos os aspectos, humanos, políticos, educacionais, mas sempre nos achamos a bola da vez, apoiados em uma arrogância bem maior que a da nossa vizinha Argentina, não conseguimos admitir que somos um país atrasado.

Começando pela questão humanitária, ficou claro o quanto estamos longe de conhecer o que seja solidariedade de fato, não o discurso eloquente que é professado aos quatro cantos, a solidariedade mostrada pelo povo colombiano diante de uma tragédia acontecido com um time rival futebolístico e de outro país, que só expôs as falácias de nossas atitudes. Somos todos solidários, até a página três do livro, jamais até o fim.

Se falarmos então em política, minha nossa! A coisa fica ainda mais feia! É só verificarmos o caos político que o país está mergulhado. Uma maquina governamental viciada que, só funciona com benesses e trocas de favores, capitaneada por velhos coronéis da primeira metade do século passado, que se acham superiores às leis, mesmo que para isso, façam conchavos e acertos para adequá-las conforme suas necessidades.

Já na questão educacional, bravatas, slogans, promessas, planos que não saem do papel e o que vemos é um retrato desbotado de um sistema educacional pautado em uma escola de anteontem, sendo comanda por pessoas com pensamentos de ontem e que, jamais, conseguirão atender aos anseios dos jovens de hoje. Cada vez a educação fica mais atrasada e sem perspectivas reais de mudanças.

E assim, podemos citar diversos outros setores da nossa sociedade, da economia, sustentabilidade, da pesquisa científica, saúde, assistência social, tudo mostra o quanto somos um país atrasado e, nesses novos tempos, ainda estamos sofrendo de uma grave síndrome de pensamentos retrógrados,  procurando em velhas teorias as soluções para os nossos problemas atuais, achando assim, estarmos conduzindo o país para o futuro.

É, tudo isso me deixa bastante frustrado, pois não tenho como vender às minhas filhas, um projeto de país do futuro para este em que estamos vivendo, quanto mais o tempo passa, nos aproximamos mais do passado e ficamos cada vez mais atrasado. Espero que essas velhas teorias, táticas e pensamentos, acabem por sucumbir aqueles que não enxergam o quanto estão atrasando o Brasil. Quem sabe assim, ainda consiga vender o sonho de um país do futuro para meus netos.


Quando a causa perde o efeito

maio 13, 2016

Não se pode negar que para se fazer justiça social, tem-se que defender as minorias que não gozam de privilégios e nem das oportunidades dos demais. Combater a opressão sobre os menos favorecidos através de organizações não governamentais, sempre foi o melhor caminho para travar diálogos com os donos do poder. Bom, isso foi até o PT chegar ao poder, pois, quando virou poder, esses “movimentos sociais” deixaram de ser o quê representavam.

As causas dos “movimentos sociais” perderam os efeitos ao servirem de escudo para os desmandos do governo de esquerda que tem colocado os menos favorecidos em dificuldades, principalmente nesses tempos de processo de impedimento da Presidente do país. Eles deixaram de serem organizações não governamentais que buscavam proteger às minorias e passaram a usá-las como massa de manobra para defender um governo que quebrou o país por conta de seus interesses.

E é neste momento de crise, em que os menos favorecidos estão sendo duramente castigados pela condução equivocada do governo que deixaram de ser “movimentos sociais” e viraram braços militantes de um partido que luta a todo custo para não deixar o poder. O que se pode pensar desses “movimentos sociais” que deviam defender o povo contra o massacre que estão sofrendo os menos favorecidos, mas preferem defender o opressor?

Por quais razões os “Sem Terras”, não estão reivindicando e lutando ao lado das pequenas propriedades de culturas familiares que estão endividadas pela atual política de juros exorbitantes? Por quais razões a Central Única dos Trabalhadores não está reivindicando e lutando ao lado dos mais de Dez Milhões de trabalhadores que perderam o emprego por conta da crise financeira? É, a causa desses “movimentos sociais”, realmente perdeu o efeito.

E não é de hoje que, boa parte da população, nutri, uma dose de desconfiança com a conduta desses “movimentos sociais”, a população nunca engoliu certas atitudes dos líderes desses movimentos, aliás, o que hoje nos parece bem claro, é que suas reais intenções nunca foram à luta pelas minorias e sim, a de usar a luta pelas minorias para criarem organizações ligadas a partidos de esquerda, servindo de escudos em tempos difíceis e, assim, se locupletarem.

O que realmente nos deixa triste e muito mais descrentes é que fica cada vez mais claro que inexiste alguém lutando de fato pelas minorias desfavorecidas nesses chamados “movimentos sociais”. O que há, é um assistencialismo barato, que iludi e enche de esperança as minorias, que sonham por tempos melhores e acredita, piamente, na boa fé desses “movimentos sociais”, que nem se dão conta que só são úteis, como massa de manobra.

É preciso repensar o país em todos os aspectos, pois o que temos hoje é um sistema viciado, impregnado até a alma e por todos os lados, por interesses pessoais, por dinheiro e por poder. E a mais pura verdade é que o país está muito longe de realizar uma justiça social de fato, pois, as minorias, ainda continuam sendo esmagadas pelos opressores, já que, até os “movimentos sociais” que se diziam lutar por elas, transformaram as suas causas sem efeito.


A crise de ética e a impunidade

março 27, 2015

Os gritos vindos das ruas deixam claros que a paciência da população contra a corrupção chegou ao limite do suportável. Ninguém mais aguenta ver e ouvir escândalos de desvios de dinheiro sendo desmentidos. É propina de um lado, desculpas esfarrapas do outro, recursos jurídicos, desfaçatez, descaramento e nada de uma punição concreta. Até presos condenados em outros escândalos, já gozam de liberdade, aumentando ainda mais a sensação de impunidade.

Por outro lado, nunca se viu uma crise de ética tão grande na população, pois a mesma população que saiu às ruas e gritou: “Abaixo a corrupção!” também é capaz de cometer pequenos atos de corrupção ou, até mesmo, de infrações à lei. Quantos ainda bebem e depois dirigem o próprio carro? Quantos roubam o sinal da TV a cabo? Quantos ainda cobram produtos piratas? Quantos, quando se é possível, sonegam informações para o imposto de renda? Quantos não forjam a demissão para receber o seguro desemprego?

Só que cada cidadão tem o discurso pronto na ponta da língua: “A polícia devia colocar todos esses políticos na cadeia, isso sim, pois, são eles quem roubam o nosso dinheiro, e tem mais, se não for dando um jeitinho aqui, um jeitinho ali, não tem condições de se viver, não!”. A incongruência entre o que pensa o cidadão e a forma de como ele age no seu dia a dia, deixa bem claro que é preciso muito mais do que simplesmente acabar com a impunidade.

A cultura de se levar vantagem em tudo, arraigada por anos,  e tão difundida entre a população, acabou criando uma certa elasticidade de caráter no cidadão, ao ponto dele tolerar até certos desvios de comportamento. Basta pegar o exemplo da última novela das nove da Rede Globo: O protagonista enriqueceu através do contrabando de pedras preciosas, tinha dinheiro fora do país, forjou a morte para fugir da prisão e, mesmo assim, houve comoção por sua morte no final.

Se levarmos em conta essa condescendência com o comportamento do personagem da novela e, somarmos os gritos das ruas pedindo punição aos corruptos, vemos uma fotografia bem nítida da incongruência que move a população brasileira nesse momento, pois, ao mesmo tempo em que ela se revolta contra a roubalheira descarada dos políticos, é capaz de praticar pequenos desvios cotidianos com a naturalidade de quem faz tudo dentro da lei.

Realmente estamos vivendo o velho dilema: Estamos mergulhados nessa crise de ética por falta da impunidade? Ou a impunidade acabou gerando uma crise de ética na população? O que ficou claro depois das manifestações é que estamos em uma encruzilhada, pois, como podemos pedir a punição para os políticos e seus comparsas, se não somos capazes de considerar as possíveis punições que estamos expostos pelas práticas dos nossos pequenos desvios?

Acredito que para realizarmos as mudanças que todos ansiamos, temos, necessariamente que rever nossos valores e conceitos e repensar nossa conduta pessoal, pois, só revendo nossos pontos de vistas sobre o certo e errado, é que poderemos ter discernimento para enfrentar certas situações pelas quais somos submetidos em nosso dia a dia e, quem sabe assim, ainda que a justiça insista em colaborar pela permanência da impunidade, possamos criar um novo país.


Um País dividido

março 13, 2015

Democracia, um governo do povo, pelo povo e para povo, pelo menos foi isso que aprendi nos bancos escolares, mas as circunstâncias e atitudes suspeitas e mal explicadas do governo e de seu partido, que preferem se colocar como os bons, os coitados e que, ao invés de reconhecerem suas culpas, bradam aos quatro ventos que estão sendo vítimas de golpe, de que a revolta não é do povo e sim da burguesia e da mídia, dividindo o país numa luta de classe.

Parece que o poder cegou os olhos do partido do governo, que antes, se vangloriava de ser o partido do povo, que conhecia as necessidades do povo, mas parece que já não consegue captar a insatisfação generalizada que se ouve pelas ruas, nos pontos de ônibus, nas filas dos bancos, na feira, nos corredores de hospitais, o desconforto e a revolta com os rumos do país não está apenas na classe média, média-alta, ou alta e nem é produto da mídia.

O partido que se intitula o partido das conquistas sociais, perdeu a mão e aquele que se dizia diferente, ficou pior, e já nem se dá conta de que não tem mais a unanimidade, nem mesmo entre os mais pobres do país, pois tantos foram os escândalos e desmandos, que fizeram que o povo das classes mais pobres (não o militante partidário) perdesse o encantamento pelo canto da sereia, ainda que os correligionários do partido ecoem os brados que a insatisfação seja só burguesa e da mídia.

O momento que deveria ser de busca de diálogos, de busca de soluções para governabilidade, tem sido de troca de acusações e de divisão do país pelo poder financeira das pessoas. É triste e preocupante quando não enxergamos no governo, no seu partido e nos seus militantes, a hombridade de reconhecer a insatisfação das ruas e ainda ouvir bravatas de que estão sofrendo tentativa de golpe, golpe de quem? O povo é quem foi golpeado!

E quanto mais o povo mostra a sua insatisfação, mais o partido e seus líderes colocam gasolina no fogareiro, insistem em tentar esconder aquilo que o povo já cansou de ver, e ao invés de acalmarem os ânimos, costurarem acordos para encontrar a governabilidade do país, fecham os olhos, tapam os ouvidos e gritam aos quatro ventos que a mídia é que está querendo jogar os pobres contra o governo, contra o partido, contra o país. A situação está aí, só não vê quem não quer ou fingi não querer ver.

Caminhamos por um caminho muito perigoso, pois o ódio nunca foi um bom conselheiro e, ânimos acirrados demais sempre provocam atitudes impensadas que gerarão sérios problemas futuros. Só o que não se pode é minimizar as queixas e as insatisfações do povo e os gritos vindos das ruas, pois, nos quatro cantos do país, em todas as classes sociais, não há unanimidade partidária, ao ponto de, um único partido, se achar onipotente e acima de contestações. Nenhum partido o é!

O que também parece não ter sido notado pelo governo e por alguns de seus aliados e eleitores é que a insatisfação não é apenas contra o governo, contra o partido e sua governante, a insatisfação é pela asfixia que o Estado tem aplicado no povo, demonstra uma revolta que, por muito, ficou contida e que, diante do quadro atual, está em ebulição. É preciso uma postura firme e honesta, que sinalize para uma nova direção, algo que acenda a luz no fim do túnel e não provoque mais revanchismo e retaliações.

A democracia é o governo do povo, pelo povo e para o povo e, ainda que seja apenas por um terço deste povo, o direito de demonstrar a insatisfação e de cobrar medidas que não estão indo ao encontro do que anseiam, é legítimo e deve ser respeitado. Democracia não é e, não pode ser, uma sobreposição de opiniões, nem um sufocar de vontades de um governo que há tempos deixou de ser popular. E do jeito que estão forçando uma divisão, não demora e serão tantos os cacos, que ficará impossível de se colar.


É muito blábláblá

setembro 26, 2014

Estamos aí à beira de mais uma eleição, a que todos julgavam ser a de um novo marco, um divisor de águas em nosso país. Muito se clamou por mudanças, muita algazarra foi feita, muita coisa foi destruída em nome dessa mudança, mas o que se vê e se ouve por aí é que continua o mesmo blábláblá de sempre. Uma passividade genuína de quem tem a certeza de que nada será diferente, amanhã. Pois não há como ser diferente.

Por mais que haja boa vontade e intenção de efetuar a tão sonhada mudança, ela não é possível diante da estrutura política do país, onde partidos são instituições organizadas para repartir interesses em comum, que raramente tem a ver com os interesses da população. As boas intenções que também habitam o inferno são nulas diante do quadro que se apresenta, mesmo que alguns tentem nos convencer de que ela é realmente possível.

E o que fica de fato é o mesmo blábláblá de sempre, em que o povo, de um lado, cobra mudança, se dispõe a mudar, acredita na mudança e do outro, os políticos que procuram acertar os velhos sorrisos, decorar as suas velhas e manjadas promessas e afirmar serem diferentes de tudo que está aí, só que no fundo, sabemos que quase nada saíra diferente do que já é de conhecimento de todos. Porque não se pode mudar nada tendo o velho como única opção.

Diante disso tudo sobra muito pouco para a população e o que fica mesmo é a profunda indignação e uma quase certeza de se sentir uma simples peça no jogo político, pois a vontade de fazer diferente passa muito longe dos anseios daqueles que se colocam a disposição para representar o povo. E quanto mais esse quadro se acentua, mais se perde o interesse pela luta, por algo mais justo para todos e a mudança fica ainda mais distante.

Somos reféns de uma democracia que não nos dá a verdadeira justiça, pois, enquanto as leis nos impedem de qualquer mudança, as mesmas não são capazes de impedir que aqueles que já demonstram ter apenas interesses pessoais em seus cargos eletivos, continuem se perpetuando no poder e fazendo as regras as quais somos submetidos e ainda repetem aos quatro ventos, o mesmo blábláblá de sempre.

Na verdade, enquanto as regras do jogo político forem feitas para privilegiar os conchavos, as mentiras, a imposição do medo, os ataques pessoais e os interesses políticos partidários em detrimento aos anseios e as necessidades da população, não haverá nenhum tipo de mudança, só restará apenas uma imensa sede de mudar que será, como sempre, saciada pelo eterno blábláblá da velha política.


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