Dramaturgo Santista em cinco cidades

agosto 10, 2016

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A Dramaturgia e a Encenação

abril 15, 2016

O dramaturgo é um contador de histórias e, como qualquer escritor, materializa suas ideias numa folha de papel, mas, só que as faz, usando a carpintaria cênica. Sob seu ponto de vista, ele narra a sua história em busca da resolução dos conflitos em que vivem as suas personagens. A ideia, o desenvolvimento e o ponto final do texto, são seus, do começo ao fim do papel, ali sua história é soberana e é, justamente, o interesse de alguém em tirar essa sua história do papel e levá-la aos palcos, que dará vida à sua criação.

Aprendi com o meu Mestre, amigo e professor de Dramaturgia Nelson Albissú, que quando o autor dá o ponto final no seu texto, ele já não lhe pertence mais, pois quem o lê, já o enxergará sobre outros tantos pontos de vistas que o autor nem pensou enquanto contava a sua história. Sei que não é nada fácil se desapegar daquelas vidas que você criou, dos conflitos que você solucionou, confesso que já sofri muito com isso, mas é um sofrimento em vão, pois toda história toca alguém de um jeito e cada um terá um ponto de vista sobre ela.

O dramaturgo como o autor da história é dono daquele ponto de vista, daquela narrativa que está no papel, acontece que, quando a história sai do papel, não é sempre que a carpintaria que o dramaturgo usou para contar os conflitos de suas personagens se encaixa no ponto de vista de seu diretor encenador, não se trata de fragilidade da dramaturgia, nem da interferência do diretor encenador e sim, divergências naturais sobre o ponto de vista entre a narrativa no papel e a materialização da história.

Depois que superei essa questão do apego sobre o que escrevo, comecei a entender melhor as necessidades de interferências no texto quando da sua encenação. Às vezes, a dinâmica que está no papel não funciona cenicamente, pois, quando escrevo, o faço sobre um ponto de vista de montagem que orienta a narrativa da minha história, mas não posso exigir do diretor encenador que ele veja a minha história, do mesmo ponto de visto que vi quando eu a escrevi. É preciso estar aberto para um outro olhar sobre a nossa obra.

É claro que não posso concordar que uma encenação rasgue a minha narrativa de ponta a ponta, ao ponto de transformá-la em outra história, mas acredito que todo o texto pode ser melhorado a luz de uma encenação que venha se somar às questões da narrativa que, por ventura, ficaram obscuras ou situações de conflitos que não se tornaram viáveis quando da sua montagem. Quando se respeita a estrutura da narrativa e se preserva o arco dramático do meu texto, o diretor encenador tem a liberdade de sua criação, pois é através de seu ponto de vista que a minha história sairá do papel.

Sei que esse não é um assunto fácil e para mais de um artigo, mas, como toda dramaturgia só se torna teatro quando o texto sai do papel e ganha os palcos pelas mãos de um diretor encenador, aprendi que, para ter as minhas histórias materializadas, preciso contar com a sensibilidade do diretor encenador e manter um diálogo aberto para aproximar, ao máximo, os nossos pontos de vista e, assim, tornar possível a encenação mais fiel da história que escrevi.

Mas, uma coisa deve ficar bem clara, se não houver um consenso entre autor e diretor encenador, para que a história seja preservada ao máximo, o melhor é que o diretor encenador escreva a sua própria história.


O sangue, o suor e a lágrima da criação

julho 24, 2012

Diante de uma folha em branco e do desafio de criar mais uma história, o escritor, dramaturgo ou roteirista tem muitas vezes de chorar lágrimas de sangue para conseguir contar uma bela história. Por mais domínio que se tenha da arte de conduzir uma narrativa, nunca é fácil criar, ainda mais quando as histórias parecem ter sido todas contadas.

A impressão que dá é que não se vai conseguir escrever uma única linha sequer, pois, não é apenas escrever palavras, é preciso contar uma história e esta história tem que ter algo que seja interessante de ser contado, algo que alguém queira ler ou ver e é aí que se derrama sangue, suor e lágrima para se criar uma obra literária.

E essa dificuldade fica ainda maior quando nos lançam o desafio de desenvolver uma história em cima de um tema pré-determinado, aí parece que as idéias fogem, nada parece fazer sentido e não há uma única história que tenha um conflito razoável sobre o tema, uma única pontinha que desencadeie uma ação dramática que valha a pena ser contada. E então, o sangue escorre, o suor escorre, a lágrima escorre…

Engana-se quem pensa ser tarefa simples escrever uma história. Tirar a idéia da cabeça e colocá-la no papel, muitas vezes leva, dias e noites de, escreve e apaga na tela do computador. Ver a peça encenada, o filme em cartaz, ou ler o livro publicado, faz parecer fácil a arte de contar histórias, mas transpor emoções para o papel é trabalho duro.

Só que é esse trabalho duro que lapida a arte de um escritor, é ele que faz possível, criar ações dramáticas que se desencadeiam num elo de outras ações dramáticas, em busca das resoluções dos conflitos que justificam as histórias contadas. É esse trabalho duro que faz o escritor, dramaturgo ou roteirista fugir dos clichês e trabalhar sua criatividade para sempre surpreender.

É claro que nem sempre se consegue escrever uma obra literária de grande qualidade, pois, por mais que se tenha derramado sangue, suor e lágrima, para criar uma história, não se foi suficientemente capaz de desenvolver ações dramáticas que fugissem do convencional para que fizesse dela mais que uma história comum com conflitos comuns.

Mas, é assim: trabalhando duro, misturando inspiração, com sangue, suor e lágrima, que se vai ao encontro da criatividade, para aí sim, ir em busca de escrever uma grande história. Se ela vai surpreender? Sempre se espera que sim. Mas, como vai se saber? O importante de tudo é desenvolver sua arte com verdade, independente de sua história vir a ser um sucesso ou não.


Escrever é tão simples…

abril 22, 2010

Ah… Escrever… Escrever é tão simples como fechar os olhos para dormir. É só se colocar em frente à tela branca do computador, que… puft!… a história aparece por completo. Tudo assim, como num passe de mágica! É o que acham certas pessoas. A visão que alguns têm sobre o texto e quem o escreve, principalmente que o faz para o teatro, é no mínimo turva, para não dizer cega mesmo.

É um desdém impressionante! Chega a dar raiva, raiva não, vontade de bater mesmo. Tratam o texto, como… Aliás, muitos nem consideram o texto. Para falar, sinceramente, muitos nem sabem o que estão fazendo no teatro, quanto mais o peso de um texto dentro de um espetáculo. Mas, escrever é tão simples, não é mesmo?

Sei que é uma minoria e que estão só de passagem pelo mundo do teatro, pois tem planos televisivos mais urgentes, mas confesso que muitas vezes dá vontade de falar um palavrão. Quando alguém trata o que você demorou dias para escrever, como se fosse nada, o reduzido a uma insignificância de fazer doer, dá vontade de perguntar o que essa pessoa está fazendo no teatro.

Tudo isso sem contar a dificuldade de receber os direitos autorais. Mas, se não sabem da importância do texto, como vão saber dos direitos autorais? Quem escreve, vive de brisa, se alimenta das palavras que coloca no papel, não precisa receber pelo seu trabalho. O dinheiro da bilheteria pode ser dividido pelo grupo, mas o dramaturgo não faz parte desse bolo. Dramaturgo não tem fome, não é?

Até quem escreve por amor, hobby, ou sei lá o que, precisa de um mínimo de reconhecimento, nem que seja um: “-Que bom o seu texto!”. Só que o que recebem é desdém, desrespeito e desvalorização. Tem gente que não tem noção, brincam de fazer teatro e pensam em fazer do texto o seu brinquedo mais original. Isso tudo, mediante a um: “-Empresta o texto, aí pra mim!”

Há de se rever os conceitos de como valorizar um texto. É preciso acabar com essa mania de copilar textos para transformá-los em cenas curtas. Se querem apresentar cenas curtas, usem textos curtos. Um texto só tem sentido quando lido e apresentado por completo. Remendar um texto que foi pensado de uma forma é um desserviço para o teatro e não acrescenta nada.

Que ao texto, seja dado o seu devido valor, pois, do mesmo modo que não é nada fácil interpretar, deve-se ter a consciência de que escrever um texto é algo muito mais complexo e que demanda bem mais transpiração do que inspiração. Escrever, apenas parece simples, mas não é!

Por isso, repensar essa coisa de achar que um texto é uma coisa simplista e quem o escreve não precisa receber por ele, já é um bom começo. Afinal de contas, dramaturgo, também, come, bebe, dorme e precisa ter dinheiro para ir ao teatro.  


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