O Teatro que resiste sem apoio

outubro 27, 2017

Longe das capitais, sem a presença de atores consagrados, longe do glamour, sem contar com recursos públicos e de incentivos fiscais, sem patrocínios e, muitas vezes, sem nenhuma valorização pelas pessoas, o Teatro resiste e persiste e, talvez esteja nesta resistência e nesta persistência, de gente que faz Teatro por amor à arte de representar, que o Teatro está mais vivo do que nunca e cada vez mais levando à arte em todos os cantos do país.

São essas pessoas que não vivem do Teatro, mas, vivem para o Teatro, que acabam sendo os verdadeiros responsáveis por não deixar que a chama do Teatro se apague, pois, mesmo com todas as dificuldades de se colocar uma peça em cartaz, esse pessoal põe as mãos na massa e faz das tripas, coração, para colocar o seu espetáculo nos palcos, às vezes em locais improvisados e sem as mínimas condições para que seja realizado dignamente.

Mas, o que realmente importa é a tentativa de manter viva a chama do Teatro e, o esforço dessas pessoas que, sem ter nenhum espaço na mídia e, muitas vezes, sendo duramente criticadas pela precariedade de suas produções, é que, apesar de tudo, levam um pouco de cultura para suas pequenas cidades, seja no palco do clube, no salão da igreja, nos pátios de escolas, nas salas de aula, sem produção grandiosa, muitas vezes com mais boa vontade do quê talento, mas, cumprem o seu papel.

Esses amadores do Teatro, que talvez nunca consigam o reconhecimento merecido pelos esforços que fazem para que a arte do Teatro não morra no seio da população, se satisfazem apenas com as parcas palmas da platéia, não se preocupam com a fama, com a reportagem na revista, se o Teatro está cheio, se a critica gosta ou não, ou que importa é o espetáculo em cena e nada mais. Eles fazem porque gostam e fazem porque querem.

Eu, particularmente, tenho uma dívida de gratidão eterna, com muitos desses amadores de Teatro, cavaleiros solitários que sustentam a arte do Teatro em cada canto do país, pois foi através de muitos deles que meus textos ganharam o mundo e chegaram até onde eu jamais sonharia. Foram eles, os primeiros a apostarem em minhas histórias e fizeram com que meus textos cumprissem o seu principal papel, serem encenados e vistos pelas pessoas.

Por isso, eu estou e sempre estarei à disposição para colaborar com essa luta árdua, que esses amadores de Teatro travam pelo mundo afora, que, mesmo sem ter as condições, glórias, os recursos e os incentivos do Grande Teatro das grandes capitais, estão sempre buscando levar ao público de suas cidades, um pouco de cultura e, ainda que não tenham o apoio e a presença de atores famosos em suas apresentações, resistem e mantém a chama viva.

É este Teatro que resiste sem apoio, Amador, Estudantil, que é feito na praça, que é feito na raça, que descobre talentos, que forma o público, que transforma vidas, que alimenta de sonhos quem já não tem quase nada para sonhar, que é feito por gente que ama o Teatro acima de tudo, o verdadeiro pilar que sustenta e faz com que a arte do Teatro não morra nos palcos profissionais dos grandes centros. Evoé para todos os amadores do Teatro! Evoé!

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O respeito pela interpretação

maio 27, 2016

Não há tempo, nas estradas dos palcos da vida, que assegure a qualquer ator, o direito de desdenhar de quaisquer personagens. Seja ele protagonista, ou um figurante com fala, o mínimo que a arte pede é uma interpretação honesta, ainda que lhe falte talento para isso. Entrar em cena, travestido de uma caricatura de interpretação, fazendo caras e bocas, e repetindo velhos trejeitos, chega a ser um afronte aos Deuses do Teatro.

Quando um ator recebe a missão de dar vida a uma personagem, cabe a ele transformar palavras escritas pelo dramaturgo, em ações que justifique a sua história e convença o público de seus conflitos. A arte do Teatro, é a da interpretação, não é a da caricatura, muito menos a da imitação; é tornar uma vida imaginária, em uma vida real, verossímil. Teatro não é, nunca foi e jamais será a arte do faz de conta.

O problema é que, o quê se vê, principalmente nas telenovelas, são alguns atores usando de caricaturas, imitações, do faz de conta, deixando a personagem inverossímil e sem conseguir conquistar empatia do público, pois não é possível se enxergar ali, uma interpretação que faça daquela personagem uma pessoa normal. Só técnica não sustenta uma interpretação, até porque, toda personagem tem uma alma a ser mostrada.

É certo que sempre vão dizer que em televisão é tudo muito rápido, principalmente em telenovelas, que não há espaço para criar, essas coisas todas que já estamos acostumados a ouvir. Mas, se há espaço para colocar em cena uma caricatura da personagem, porque não há espaço para interpretá-la? Entrar em cena no piloto automático e fazer o mais do menos, como se fosse um, cumprir tabela, acaba sendo um desrespeito a arte.

O bonito de se ver em cena, é a troca de grandes interpretações, quando os atores se dispõem a dar vida às suas personagens com as verdades que elas merecem. Quando o público não vê a dedicação do ator à sua personagem, é quase certo que aquele trabalho está fadado ao fracasso. Os atores que apoiam suas interpretações em caricaturas e ainda acham que fazem grande trabalho, de duas, uma: Ou se acham gênios, ou nunca souberam interpretar.

Ninguém precisa ser um grande ator, mesmo porque, isso é missão para poucos, mas, o mínimo que um ator deve fazer em cena, ainda que lhe falte talento para tanto, é ter respeito pela interpretação. O ator que se mostre em evolução, buscando elementos para uma boa interpretação, sempre será bem mais respeitado, do que aquele ator, que se acha um mestre na arte da interpretação, mas que só cria personagens caricatos.

Por isso, quem optar pelo Teatro, tem de ter em mente que viverá uma vida de estudos, principalmente da alma humana, pois, talvez, a sua próxima personagem possa exigir de você, um pedaço de cada pessoa que você cruzou pela sua vida e você terá que estar preparado para juntar tudo isso na sua interpretação, para fazer daquela personagem, alguém que valha conhecer e não, uma caricatura de gente.


A arte longe dos incentivos fiscais

maio 20, 2016

Sem querer entrar no mérito de quem tem razão, até porque a reivindicação daquilo que se acredita, é legítimo e deve ser manifestado plenamente em um regime democrático, o anúncio da extinção do Ministério da Cultura fez os artistas levantarem a voz, acabando assim por dividir opiniões, trazendo à superfície a questão do uso da renúncia fiscal para projetos artísticos. Mas distante disso tudo, a arte se faz presente sem o benefício desses e de tantos outros incentivos.

Lá, nos rincões do Brasil, onde fazer cultura é um ato de heroísmo, o artista quer é colocar a sua arte para o povo e não se prende apenas na possibilidade de conseguir ou não algum incentivo fiscal para custear o seu projeto, é preciso colocar a mão na massa para que o trabalho aconteça. O artista é o artesão de sua a arte e fazê-la, independe de ter ou não condições viáveis para isso, ás vezes, se faz sem nenhuma.

É assim, principalmente se formos falar nas artes cênicas. Quantos e quantos grupos amadores espalhados pelos quatro cantos do país são custeados por seus próprios integrantes? E quantos projetos são realizados em suas escolas, levando o Teatro aos jovens e incentivando a cultura? O artista faz a cultura acontecer, de uma forma ou de outra, uma pena que as coisas chegaram nesse pé, mas quem nunca teve a ajuda de incentivos, continuará se virando para levar a sua arte.

E não é porque o governo, através de uma canetada, decidiu que ter um órgão que represente a cultura não é mais prioridade para o país, que a cultura deixará de ser manifestada pelos seus artistas. É claro que tudo ficará um pouco mais complicado, mas, quando foi assim tão fácil? O artista continuará exercendo o seu ofício, pois o “fazer arte” está nele e não em nenhum órgão que lhe represente. Levar cultura ao povo é o que move o artista.

A arte, sempre habitou o senso comum como entretenimento e não como objeto de absorção do saber, agora, mais do que nunca, cabe a cada artista mostrar ao povo, como é duro o trabalho e a real importância da cultura, ainda que se esteja sem um órgão que a fomente, pois, independente disso, o povo, ainda que não saiba, necessita de arte e cultura para desenvolver a sua vida e tem que ter bem claro na mente que a arte é o que alimenta a alma do seu corpo cansado.

O que fica disso tudo é um sentimento de muita tristeza, pois, mais uma vez, a Cultura não recebeu do governo o respeito e a prioridade que merece.  Acerca de todas as nossas necessidades que poderiam ser supridas com outros cortes em gastos de outras pastas, se optou por cortar as despesas daquilo que não traria uma economia irrelevante às contas públicas. Uma economia porca que ajudou a piorar ainda mais aquilo que já estava ruim.

Mas, apesar de tudo, façamos a arte acontecer do jeito que sempre nos foi possível, sem recursos, sem apoios, sem a valorização devida e cumpramos a nossa missão de artista, que é levar a cultura para mais gente possível, pois a extinção de uma repartição não é o fim para quem sempre fez arte longe dos incentivos fiscais.


A intensidade é que faz a diferença

maio 13, 2011

Muitos atores clamam por oportunidades para demonstrarem os seus talentos, mas quase sempre se sentem frustrados ao saírem dos testes ou de ensaios. O que lhes acontece? A soberba por se achar auto-suficiente e perfeitamente capaz de encarar qualquer papel, desde que este seja de certo destaque, pode ter o atrapalhado? Pode sim! Mas, e se ele tem a humilde suficiente para reconhecer que está sempre aprendendo, o que lhe faltou?

Anos de estudos e preparo, talento nato, desprendimento e desenvoltura, talvez realmente não sejam suficientes para ganhar um papel, talvez o que lhes falte é uma coisa bem mais simples que possa parecer. Falta-lhes a intensidade. Aprendi que nas artes cênicas, tudo que está em cena tem importância e contribui para o desenvolvimento da história, mesmo que isso seja uma árvore e esta árvore seja eu.

Encarar com intensidade a cena, como se ela fosse a última cena da sua vida, mesmo que seja apenas a primeira, pode fazer a diferença na hora de se escolhido. A superficialidade que muitas vezes é dada ao personagem que se faz, deixa claro, que por mais talento, desenvoltura e desprendimento que a pessoa tenha, se ela não for intensa, será apenas mais uma querendo mostrar que pode ser artista.

Embora as artes cênicas seja a arte do faz-de-conta, um ator jamais pode brincar de faz-de-conta quando está em cena. Não importa qual o tamanho de seu papel, se tem ou não alguma fala, o que importa é que se ele está ali, dentro daquela história é porque ele tem importância para história. Nunca desdenhe das oportunidades, pois nas artes cênicas não existe papel pequeno.

Aquele que se sente inferiorizado, ou ainda se “acha” muito maior que o papel que lhes querem dar e não o aceita, precisa rever os seus conceitos sobre a arte que pratica. Precisa aprender que fazer o seu papel com intensidade o fará ser notado, e quem sabe assim, não tenha o seu talento reconhecido e, então, seja chamado para um outro papel de maior destaque numa outra história?

São através de chances pequenas, papéis de menores destaques nas histórias, que os grandes atores abocanham suas oportunidades, pois vivem cada chance com toda a intensidade, como se lhes fossem dada, a última oportunidade para mostrar que podem sim, serem artistas de verdade. Por isso, se você quer mesmo se ator ou atriz, prestem atenção nas chances que lhe são dadas e encare cada oportunidade com toda a sua intensidade.


O amador é quem faz o teatro

maio 7, 2011

Por mais que procurem não dar importância e, às vezes, até menosprezar o teatro feito de forma amadora, é preciso deixar claro que se comete a maior das injustiças, pois é justamente entre os amadores, que a arte de fazer de Teatro, respira e se revigora dia-a-dia. É no Teatro amador que a arte se preserva e onde se é capaz de ver brotar novos atores de verdade.

Porque é no teatro amador que se vive de fato, toda a dificuldade que se tem para colocar um espetáculo em cartaz, a necessidade de se custear a produção, de viabilizar a montagem, muitas vezes com recursos ínfimos e escassos e compartilhados pelos integrantes do grupo. E é no teatro amador que se aprende a abdicar da própria vida em favor da arte.

Não podemos renegar, diminuir, ou até mesmo desdenhar de quem faz teatro de uma forma amadora devemos sim, louvá-los, pois, todos eles, são desprendidos de quaisquer outros valores, e, levam muito mais em conta a coisa artística do que o lado financeiro, e, em nome do teatro, preocupam-se apenas em mostrar a grandeza na arte de interpretar, esperando apenas alguns sinceros aplausos.

Muito me entristece quando desqualificam e diminuem os esforços destes “dom-quixotes” do teatro, pois não leva-se em conta, nem mesmo a boa intenção de mostrar a arte do Teatro. É claro que muitos tem defeitos e mostram deficiência nas suas apresentações, mas, precisamos aprender a enxergar em cada uma dessas apresentações, a semente do teatro germinado, que, por certo, manterará viva a cultura teatral.

Seja na escola, na igreja, na associação de classe, a iniciativa de levar a arte do teatro para as pessoas, deve ser respeitada, pois, mesmo que não haja a mesma qualidade que se espera e que se encontra em produções de quem vive da arte do Teatro, a intenção de preservar a magia que a arte de interpretar desperta nas pessoas, precisa ser levada em conta.

Somente com a preservação do Teatro amador, onde se planta a semente do fazer teatral, que o Teatro sobreviverá. Quem achar que a má qualidade de quem produz teatro de forma amadora pode contribuir para a desvalorização da arte, pode estar comentando um grande equívoco, pois, que atire a primeira pedra, aquele que hoje é um artista famoso, que no início de sua carreira, não fez parte de um grupo amador.

O Teatro amador precisa ser respeitado e incentivado, ao invés de ser desqualificado e desprestigiado. Quem sabe, a contribuição dos que hoje já são unanimidades do meio teatral, não venha fortalecer e fazer com que o Teatro Amador continue sendo o grande celeiro de novos talentos do teatro nacional?


Ensaiar é preciso

fevereiro 3, 2011

Não é de hoje que ouço comentários de diretores e de alguns atores mais experientes, sobre a dificuldade que há de se reunir pessoas para montagem de um espetáculo teatral. Mas se tem tanto jovem querendo fazer teatro, por que tanta dificuldade? Estranho, não é mesmo? Só que esta, eu mesmo respondo: É que essa galerinha que chega ao teatro, quer logo de cara entrar em cena.

Ora! É preciso que eles saibam que a montagem de um espetáculo teatral não é tão simples assim. É certo que muitos, vindos de experiências em montagens escolares e, portanto, achando-se plenamente capacitados a assumir qualquer papel que lhes for designado, não aceitam qualquer coisa. Pura bobagem. O que precisa ficar claro é que tornar-se um ator e manter-se como tal, demanda tempo e estudo.

Eu até entendo a ansiedade dessa galerinha que quer ver aquilo que está escrito e decorado, ganhando corpo e se tornando um espetáculo, mas se ela não se dispor a ensaiar, o espetáculo não saí. E alguns, por pura preguiça, largam produções pela metade, por acharam um saco ficar ensaiando, ensaiando e ensaiando.

Só que ter o texto decorado na ponta da língua, ou fazer gracejos sobre um palco, ou ainda brincar de faz-de-conta, não é nada em termos de teatro. Antes de reunir condições para assumir a responsabilidade de interpretar qualquer papel, o aspirante precisa entender que é fundamental e necessário, ensaiar, ensaiar e ensaiar, quantas vezes forem necessárias. Às vezes, se leva mais tempo ensaiando, do que o tempo que as apresentações ficam em cartaz.

Aliás, a vida de um ator é ensaiar, se exercitar, ensaiar, estudar, ensaiar, interpretar e ensaiar. Uma roda vida sem fim que faz com que a cada dia, o ator apure mais e mais o seu talento, lapidando cotidianamente a sua arte de interpretar. Teatro não é uma arte que se faz de supetão. Não é apenas lendo e decorando o texto que se é capaz de interpretar.

Se vocês repararem bem nas “interpretações” de grandes figurões das artes cênicas que estão em cartaz nas várias novelas na atualidade, vão perceber o quanto a falta de ensaio faz falta. Nem mesmo a experiência de anos é capaz de sustentar uma boa interpretação. Como na TV é tudo rápido, sem tempo de ensaiar, é possível ver “interpretações”, se dá para chamar assim, que dão nos nervos.

Por isso, se você quer mesmo fazer teatro, mesmo que ainda não queira seguir carreira profissional, precisa ter a consciência de que se faz necessário muito ensaio antes de se colocar um espetáculo em cartaz. Não tenha tanta pressa em aprender, pois se você seguir a profissão, vai precisar fazer isso diuturnamente. E não interessa qual papel você for interpretar, seja o papel principal, ou apenas uma florzinha estática que compõe o cenário, vai precisar de ensaio, ensaio e ensaio.


A arte de se reinventar

outubro 8, 2010

Quantos e quantos de vocês já não se depararam com este dilema? Ainda com os olhos debruçados na primeira leitura do texto, entre as primeiras idéias sobre a nova montagem e até mesmo sem saber direito de que jeito colocar aquela história em cima de um palco, se você é ator de verdade, uma certeza se fez presente e você repetiu para sim mesmo: terei de me reinventar mais uma vez como ator.

É, meus amigos, para quem pensava que atuar era só está em cima do palco falando meia dúzia de palavras decoradas, eis mais um pequeno detalhe que faz uma tremenda diferença na vida de qualquer ator: a capacidade de se reinventar em cena. A reinvenção de uma interpretação é o diferencial que mostra a real capacidade que um ator tem para entregar sua vida a tantos e tantos papéis.

Pois está sobre um palco, dando vida a tantos personagens, é muito mais complexo do que se possa parecer. Vai muito além de ser alguém talentoso, ou de ser alguém deveras aplicado nas teorias e práticas da interpretação. Tudo isso junto e misturado com a criatividade é o que dá a capacidade para que um ator se reinvente sempre que decide dar vida a um personagem.

É assim, a vida do ator é uma eterna reinvenção e quanto maior a capacidade que o ator tem para se reinventar, mais admirado ele é. Pois não é fácil, principalmente para quem está há anos na profissão, dando vida a tantos personagens, interpretar um novo papel sem que este, de uma maneira ou de outra, lembre algo que o ator já fez em outro trabalho.

Só vale a pena levar adiante uma montagem, se o ator estiver disposto a se reinventar, tantas e tantas vezes forem necessárias. As mil facetas de um ator, seus infindáveis recursos de interpretação e sua enorme capacidade de se reinventar em cena, são como um verdadeiro colírio para o público sedento por um bom espetáculo.

Há tempos deixei para trás esta coisa de ser ator, pois além de não ter nenhum talento para o ofício, ter de me reinventar como ator a cada nova interpretação, me fez mudar de idéia e me ajudou a optar para apenas contar histórias e não mais interpretá-las. Ser ator é muito difícil, pois dar vida ao que o dramaturgo imaginou merece uma capacidade de se reinventar e isso, sempre julguei não ter.

Para mim, talvez por ser a minha real aptidão, bem mais simples do que me reinventar em cena, é me reinventar para contar sempre uma mesma história de uma forma diferente. Contribuir com um belo personagem para que o ator tenha a oportunidade de se reinventar, é o que me dá satisfação. Por isso, quando vejo a displicência de um ator diante de um papel, não entendo porque ele optou em fazer algo de tanta complexidade e que demanda tamanha dedicação.


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