A culpa é da Justiça

junho 16, 2017

A cada dia que passa, nossa sociedade se torna mais bárbara, mais cruel, com os instintos sempre à flor da pele, está sempre pronta para fazer justiça com as próprias mãos, e de quem é a culpa deste quadro? Da Justiça deste País. A cada golpe que a sociedade sofre, fica claro que é a impunidade que impera por esses lados, só que com isso, mais cresce na sociedade, a descrença nos órgãos de Justiça e a sede irracional por vingança.

Os dois pesos e as duas medidas que a Justiça tem em julgar os crimes, deixa transparecer de uma forma bem clara que o poder econômico tem grande influência nas decisões e que um mesmo crime tem tratamento e penas diferentes, dependendo de quem o cometeu. Essa situação, que é recorrente, vem minando as esperanças desta sociedade que está cada vez mais dividida, alimentando ainda mais o ódio de quem já perdeu o senso de justiça.

A sensação que não existe uma justiça realmente justa no País, tem feito muito mal para nossa sociedade, pois, intimações, julgamentos equivocados, solturas antecipadas, privilégios, relaxamentos de prisão, habeas corpus, recursos e mais recursos, ainda que todos esses artifícios estejam de acordo com as Leis que regem o País,  e a divulgação de crimes sem punições, vai sedimentando um sentimento de que o crime compensa e de que é só ter dinheiro, que tudo se resolve.

Essa sensação de impunidade é tão grande, que marginais já não se preocupam em procurar vítimas distraídas para cometerem seus crimes, é tudo à luz do dia, e com quem estiver no caminho, pois já é sabido entre eles, que se tiverem um pouco mais de sorte, sairão ilesos de suas investidas, ou, se forem menores de idades, o máximo que receberão como punição, serão alguns anos trancafiados em uma Casa de Custódia decadente.

E essa mistura de sensação de impunidade com justiça feita com as próprias mãos, tem produzido um ambiente perigoso, de ladrões destemidos e de justiceiros dispostos a caçar, julgar e condenar quem cometer algum ato contra a sociedade, e de quem é a culpa de tudo isso? Da Justiça! A Justiça tem deixado claro que o seu conceito do que seja justiça, é bem diferente do que quer e espera a nossa sociedade.

É preciso de uma vez por todas, mudar as Leis do País, mudar os Juízes do País, criar novamente uma atmosfera que deixe claro que sempre será feita a Justiça, doa a quem doer, caso o contrário, assistiremos muitas e muitas cenas de barbárie e de demonstração de justiça feita com as próprias mãos. Não adianta apelar para humanidade das pessoas, quando elas têm, ceifadas, a sua liberdade, a vida de um familiar e não consegue enxergar que haverá um mínimo de justiça a seu favor.

Os órgãos de Justiça de nosso País precisam prestar mais atenção no que vem acontecendo em nossa sociedade, pois enquanto quem roubar bilhões de reais responder pelos seus crimes em liberdade e quem roubar uma pacote de macarrão para matar a fome, ficar trancafiada até o dia de seu julgamento, com grandes possibilidades de condenação, a sociedade continuará produzindo pessoas que se acharão no direito de fazer a justiça pelas próprias mãos.


Por onde anda a justiça?

maio 26, 2017

Por onde anda a justiça que não enxerga as vilanias que sofrem as pessoas menos favorecidas, que são pisoteadas todos os dias e não têm a quem recorrer para reclamar de seus direitos e que, muitas vezes, são tratados como culpadas pelas situações que se encontram e pelas quais são submetidas sem opção de escolhas?

Por onde anda a justiça que privilegia os profissionais que usam de subterfúgios para fugirem das leis e dos pagamentos de impostos e não é capaz de atender os anseios daqueles que, com retidão e muita dificuldade, geram riqueza para impulsionar a roda da economia do país e são sempre os primeiros a pagar a conta?

Por onde anda a justiça que não defende as empresas que criam empregos, que pagam seus impostos, que abrem as fronteiras, geram riqueza e fazendo o país crescer e que prefere ficar ao lado de empresas que fazem o jogo sujo para conquistarem espaço e obterem lucros aviltantes de forma espúria, apenas para enriquecerem os seus donos?

Por onde anda a justiça que não enxerga os políticos que traíram o povo e venderam os seus mandatos para atender os seus interesses pessoais e de terceiros, e que estão envolvidos em toda e qualquer espécie de corrupção, fechando acordos, desviando dinheiro público, usando laranjas para esconderem suas jogadas ilegais?

Por onde anda a justiça que não faz nada contra os juízes que têm por obrigação cuidar com eficiência para que ela seja sempre feita e que não enxerga que o injustiçado é julgado como culpado e os poderosos são postos em liberdade e defendidos como grandes heróis, num acordo espúrio em que os culpados jamais terão culpa?

Por onde anda a justiça que não enxerga que o povo está cansado de ver tantos bandidos serem defendidos e desfilarem seus risos amarelos, impunemente, se vão-gloriando de seus maus feitos, fazendo com que o povo não mais acredite que a honestidade seja o melhor caminho para salvar esse nosso pais?

Por onde anda a justiça que está no discurso de algumas pessoas, mas que se perde em atos na defesa de bandidos tão corruptos quanto outros, que respondem processos, que estão indiciados em inquéritos, que receberam propinas, que desviaram dinheiro, que aparelharam o Estado, que fazem parte do mesmo grupo de ratos que assalto o país?

Por onde anda a justiça de algumas pessoas, que clamam por ela, mas perderam o nível aceitável de razão e querem resolver tudo de forma autoritária, compulsória, discriminatória, reacionária, querendo imputar à força um senso de justiça pessoal, sem se importar com as escolhas individuais de cada cidadão brasileiro?

Por onde a justiça? A dos homens, esta parece que não existe mais, agora, o que nos resta é acreditar na justiça divina.


O Santo

março 18, 2016

Luisinho nasceu pobre, como milhões de brasileiros nordestinos; como milhões de brasileiros nordestinos, também passou fome; teve uma infância sofrida, como milhões de brasileiros nordestinos; enfrentou a seca como milhões de brasileiros nordestinos e, como milhões de brasileiros nordestinos, veio com a família tentar a sorte no sul do país.

Luisinho logo conseguiu um emprego em uma fábrica na Capital, mas, um acidente que lhe custou a amputação de um dos dedos de sua mão, mudou o seu destino. Luisinho se afastou da linha da produção e se filiou ao sindicato de classe. Era o auge da ditadura e Luisinho madrugava para chegar à frente das fábricas para comandar as manifestações.

Luisinho, de pouco estudo, mas doutor nas filosofias da vida, foi conquistando seu espaço e, surgiu como uma liderança popular capaz de enfrentar os grandes coronéis da elite brasileira. Luisinho foi gostando, tentou uma, tentou duas, tentou três, até que na quarta tentativa, o povo resolver dar um crédito de confiança às propostas pregadas por Luisinho.

Luisinho se tornou o grande líder dos menos favorecidos, um exemplo a ser seguindo, o menino pobre nordestino, sem estudo, que passou fome na infância, que emergiu das classes populares para dar voz e poder para as classes populares. Luisinho governou e foi reeleito pelo povo, que o transformou em seu herói. Luisinho acreditou naquilo que se tornou.

Luisinho deixou o governo fazendo o seu sucessor, tinha certeza que o povo estava perpetuado no poder e, saiu de cena para dar vida a um outro Luisinho, talvez, ao verdadeiro Luisinho. Fascinado pelas facilidades que o dinheiro proporciona, Luisinho se viu na condição de levar uma vida de ostentação, financiada por favores de grandes empresários.

Luisinho sempre foi esperto, aprendeu com as raposas da política como agir e sabia que era preciso manter a fachada de homem do povo, sem recursos, sem patrimônio, o pobre nordestino que venceu na vida e não esqueceu dos seus. Luisinho tinha de manter sua vida boa e de seus familiares, longe dos holofotes, pois como clamar que o povo se volte contra a burguesia, sendo ele, agora, um membro desta mesma burguesia?

Luisinho fez a sua lição, direitinho! Criou um Instituto para receber doações, abriu uma empresa para justificar suas palestras, que muitos dizem não existir registros de nenhuma delas, e contou com a fidelidade de bons amigos, que, a custas de bons contratos com o governo de seu partido, blindaram a sua vida de homem rico e bem sucedido, e, assim, Luisinho pode desfilar sua áurea de homem do povo, de homem pobre.

Luisinho acreditava estar blindado e estar acima do bem e do mal, com o amparo do povo, tinha certeza que seu projeto de imagem de guerreiro do povo brasileiro, não seria desmantelado. Acontece que Luisinho abusou de sua desfaçatez e acabou causando a ira de parte do povo que o levou ao poder pela primeira vez. Luisinho se faz de vitima, se diz perseguido, e inflama o povo a sair às ruas pela honra de seu nome.

Luisinho está tendo sérios problemas com a justiça, mas se declara inocente, precisa que seu povo acredite nas mentiras verdadeiras ou verdades mentirosas, que ele sempre lhes contou. Luisinho é muito orgulhoso para admitir algum deslize, diria até arrogante além da conta. Luisinho, de forma duvidosa, conseguiu até um Ministério para se proteger das injustiças que ele diz sofrer.

Luisinho não está medindo esforços para continuar operando os seus “milagres” de ter vida de rico e imagem de pobre. Luisinho tem feito o possível e o impossível, para isso. Luisinho, acreditada piamente, na ajuda de parte do povo que tem certeza ele é um verdadeiro santo, mas, acontece que a outra parte do povo, tem certeza que ele não é. Aliás, Luisinho vem deixando bem claro que de santo, ele nunca teve nada! Luisinho deixou o país dividido. Que Deus abençoe o povo brasileiro!


A sede pelo poder

março 11, 2016

Às vezes, somos capazes de tomar atitudes impensadas, e que atire a primeira pedra quem nunca as tomou, mas aqueles que têm sede pelo poder são capazes de tomar, não só atitudes impensadas, são capazes de atos insanos; perdem a noção da sensatez, passam a agir por impulsos descontrolados, com medo de perder o poder conquistado e, incitam, incendeia, estimulam e até mesmo, ordenam um vale tudo contra quem tenta tirá-los do poder.

E é assim, bem no meio deste momento delicado que estamos passando no país, onde uma crise está arrasando a vida dos brasileiros, com desemprego, inflação, endividamento, falta de perspectiva, as forças políticas disputam com unhas e dentes o poder político do país e, ao invés de buscar a conciliação, o partido do governo, por conta de investigações contra o seu líder maior, convocam a militância para uma guerra.

Uma guerra contra quem? Como pode o partido que foi eleito carregando a bandeira de governo do povo, pelo bem do povo, que, na iminência de perder a governabilidade por atos irregulares e ao ter seu chefe supremo investigado por suspeita de atos criminosos, compactuar e patrocinar uma convocação de atos de guerrilhas contra o próprio povo? Ou o povo que o elegeu nunca fez de fato nenhuma importância para ele. Alguém os alertou e agora eles negam.

É, mas, não se pode cair na provocação, pois a sede de poder está fazendo com eles percam a lucidez, a ponto de buscar ficar na força, mesmo que agora clamem à militância que não entrem em conflito. Será que agora já não é tarde? Espero que não! Incitaram os seus militantes para uma guerra civil contra os próprios brasileiros, e não se deram conta o quanto esse ato podia fazer mal para país. A sede de poder que eles têm, quase sempre lhe tira a razão.

O pior disso tudo é que tentam convencer o povo, que tudo o que está acontecendo com eles, faz parte de um golpe articulado pela mídia para tirar o povo do poder. Mas, desde quando o povo esteve no poder? Desde quando eles estão preocupados com o povo? Há tempos que o povo deixou de ser importante para eles. Agora, quando a máscara da desfaçatez está caindo por terra, eles querem convencer o povo que estão sofrendo um golpe?

Ora, eles que nos façam-me um favor! O quê eles querem, aliás, sempre quiseram, é se perpetuar no poder, tanto que armaram um esquema criminoso usando empresas públicas para, assim, financiarem “ad eterno” os seus desmandos no poder. No fundo, bem lá no fundo, eles nunca quiseram manter no nosso país, uma Democracia de fato, só fazem isso como um jogo, por conveniência, pois, não conseguiram implantar sua perpetuação no poder, na marra.

Por isso, devemos ficar atentos e fortes, porque a sede de poder desse partido é insaciável, e eles não desistirão assim tão fácil, de implantar a sua tão sonhada perpetuação no poder, traçada, desde que seu chefe supremo ganhou o governo pela primeira vez, ainda mais agora, que estão vendo o seu plano sendo desestruturado e a possibilidade iminente de seu chefe supremo ir para prisão. Os movimentos sociais já articulam a militância para o enfrentamento.

Lutemos pela nossa Democracia, com a razão e com as armas da Justiça, sem ideologias partidárias, mas não caíamos em nenhuma provocação, porque eles já anunciaram que, se preciso for, derramarão sangue para não deixarem o governo e, todo mundo sabe muito bem que eles são capazes de tudo, desde os golpes mais baixos, como tentar subverter a ordem dos fatos, até aos atos mais extremos, como usar a violência da militância, contra o povo, só para não perderem o poder.


Germinando malfeitores e justiceiros

setembro 25, 2015

Parece mesmo que a emoção está vencendo a batalha contra a razão. A raiva, a ira, a vingança, a inveja, todos os sentimentos mesquinhos e nocivos que existem nos seres humanos germinaram e afloraram, de tal forma, que a maldade hoje se sente a vontade para imperar. O que estamos assistindo é um filme muito triste, onde a lei da sobrevivência virou dente por dente, olho por olho e nem damos conta, o quanto já estamos cegos e banguelas.

Não sei em que ponto da história, perdemos a nossa capacidade de enxergar o ser humano como ser humano, talvez no momento em que optamos para darmos mais valor às coisas do que às pessoas, ou no momento em que achamos que mais fundamental que tudo, fosse o “ter”, do “ser”. Armamos uma arapuca para nós mesmo e fomos, pouco a pouco, germinando justiceiros, dispostos a usar as próprias mãos para dar conta de nossas insatisfações.

É certo também que, no momento em que deixamos a impunidade imperar, o conceito de justiça foi jogado pela latrina e, como já não tínhamos mais o controle absoluto de nossas emoções, passamos a agir sem nenhuma civilidade. Criamos um ambiente degradante, de divisão de classes, de desrespeito às leis e, nos sentindo cada qual, injustiçado, por esse ou por aquele motivo, deixamos de dar ouvidos à nossa razão.

Assim, cada dia que passa, vemos atos e mais atos de violência, quase sempre gratuitas, onde uns tentam através de furtos, assaltos, roubos, agressões, saciarem os seus desejos impossibilitados por suas condições sociais e outros, a fim de defenderem suas conquistas, desprotegidos pela lei, sem acreditarem mais na justiça, acuados e amedrontados, acabam se enfrentam, fazendo que cada um busque fazer justiça, pelas próprias mãos.

Hoje já não estamos conseguindo lidar com o monstro que criamos para nós mesmos. Abdicamos de muitos valores e optamos para a superficialidade das coisas fúteis da vida e, abrimos mão das coisas que sempre foram mais importantes para o ser humano. Agora, já não sabemos mais o que fazer, não pensamos com racionalidade e perdemos a noção exata da questão de ética e cidadania. Não há mais ou certo ou errado e sim o que quero.

E quanto mais o tempo passa, mais nos tornamos seres irracionais, guiados por uma emoção mesquinha que, para realizar nossas vontades, nos torna capazes das maiores atrocidades contra o nosso semelhante. O conceito de humanidade já não faz mais parte de nossa civilização, pois nada mais nos comovem, pois somos frios o suficiente para tornar um momento fúnebre, uma desgraça alheia, em cliques nas redes sociais.

Passamos os últimos tempos plantando a segregação, germinando justiceiros e dando forma à uma sociedade que, para fazer justiça, se vale do olhos por olho, do dente por dente e agora, cegos e banguelas, já não vemos no que nos transformamos e nem podemos sorrir pelo que há de bom na vida. Só torço que, os poucos que ainda conseguem usar a razão em momentos de grandes emoções, sejam capazes de orientar a sociedade para um novo tempo.


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