A arte precisa ser independente

junho 30, 2017

A arte são os olhos que enxergam a vida como ela realmente é, com suas injustiças, seus preconceitos, suas pessoas tortas, a loucura de cada um, a hipocrisia que cada um esconde atrás da fotografia, a felicidade que cabe em um instante, a decepção de um coração partido, às partidas e chegadas, o amor, as vinganças, o bem e o mal, por isso, ela precisa ser independente, não tomar partido nunca. A arte não tem lado.

A arte não tem ideologia, não tem partido político, não é de esquerda, nem de direita, não pode ter o rabo preso, não pode fazer conchavos, nem se prestar a favores, não pode defender a tirania de um governante, mas nem tão pouco acusá-lo por um único ponto de vista, a arte não determina aquilo que é certo, nem aquilo que é errado, o que é para se gostar ou o que é para se odiar, a arte necessita da liberdade da palavra e das ações para provocar.

A arte precisa de um artista independente que use a sua arte acima de seus pontos de vistas ideológicos, religiosos e humanitários, a arte precisa que seu artista tenha a alma desnudada de preconceitos, para que ela seja totalmente livre e seja capaz de acusar, denunciar, vã gloriar, retalhar, reivindicar o lado torto da vida, o lado que a vida mostra todos os dias, mas que a correria do dia a dia não deixa que as pessoas comuns o enxergue.

A arte não é branca, nem preta, nem azul, nem vermelha, muito menos tem apenas as cores do arco-íris, a arte é multicolorida, multirracial, multipartidária, multiplicadora, a arte não pode ser dividida em pequenas minorias, precisa ser independente para que a maioria possa perceber que a vida não é um mar de rosas, que a vida tinge as ruas de vermelho sangue, mas também pode pintar o coração de vermelho amor.

A arte não pode nunca se prestar a pensamentos pré concebidos, nem tão pouco se prestar a panfletagens deste ou daquele governo, governante, ou partido político, a arte é o único instrumento que precisa ser livre para atingir o seu principal objetivo, que é mostrar a vida para quem não consegue ver, a arte não pertence a nenhum grupo, a arte é do artista, que não pode estar preso a ninguém, para que sua arte seja manifestada na plenitude.

A arte não pode fazer julgamentos, portanto, não condena e nem absolve, a arte não pode ser autoritária, nem condescendente, nem tão pouco ser uma doutrina, a arte não é o ponto final, muito pelo contrário, a arte é o começo de tudo, uma luz sobre a neblina que cega o ser humano, a arte deve ser livre para fazer pensar, rever conceitos, opiniões e até mesmo pontos de vista, a arte deve ser o que é: libertadora.

A arte é a verdadeira e única expressão capaz de mudar a situação em que vivemos, mas, para isso, cada artista, precisa colocar a sua arte acima de suas ideologias partidárias, suas convicções e suas opiniões, não se pode tomar partido, ainda que, como cidadão, cada qual tenha o legítimo direito de se manifestar sobre o que acha certo ou errado, só que a arte tem que falar a língua da independência para que cumpra o seu papel na sociedade.

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Por uma Escola que ensine a respeitar

julho 29, 2016

Longe de querer entrar na discussão sobre Escola sem partido, mesmo porque, para mim, uma escola não deve privilegiar nenhuma ideologia partidária, nem tão pouco, nenhuma doutrina religiosa, o que deveria estar em pauta é a fomentação de uma Escola que ensinasse a respeitar as opiniões distintas, as diversidades, as ideologias partidárias, as doutrinas religiosas, as classes sociais e, acima de tudo, a individualidade de cada ser humano.

A função da Escola não é a de defender essa ou aquela ideologia, muito menos ser de esquerda ou de direita, a função da Escola é abrir o horizonte de possibilidades e dar as ferramentas necessárias para que cada aluno seja capaz de formar o seu pensamento crítico a cerca de qualquer assunto, reunindo condições para desenvolver o discernimento e decidir de acordo com as convicções que ele formou sobre tudo o que lhe foi mostrado.

Não se forma um cidadão pleno, possuidor de seus direitos inabaláveis, capaz de lutar pelo acredita, ocultando informações ou situações e acontecimentos, pra dar a esse ou aquele, uma visão equivocada do que realmente aconteceu. Nenhuma escola, enquanto instituição responsável pela formação dos jovens, tem o direito de forjar fatos para que o conhecimento só atenda um lado da verdade, mesmo porque já é sabido que toda história tem três lados.

Enquanto o destino das Escolas, permanecer em níveis que busquem atender esse ou aquele lado da corda, continuaremos a muitos anos luz de ter uma população que reúna às condições suficientes para decidir os melhores caminhos a seguir. A Escola não é um lugar de uma única opinião, de um único ponto de vista, também não pode ser um lugar de uma única ideologia, ou de uma única doutrina. Uma Escola é e deve ser sempre plural.

E a questão está justamente aí, querer fazer da Escola um lugar monocórdio, que grite em uníssono o mesmo mantra, é caminhar para trás, é retroceder nos avanços conquistados por trabalhos árduos de grandes educadores. Enquanto este for o pensamento de quem pensa o que seja uma Escola, continuaremos formando uma massa de analfabetos funcionais, papagaios repetidores de velhas teorias ultrapassadas, que já se mostraram incapazes de fazer uma grande revolução na Educação como se deseja.

Por isso, já passou da hora de pensar a Escola como ela deve ser pensada, um lugar de conhecimento pleno, aberto a discussão, sem pender para este ou aquele lado. Acima de tudo, já passou da hora de fazer da Escola um espaço de se aprender a respeitar e não um lugar de se induzir o quê respeitar. E nenhuma ideologia partidária ou doutrina religiosa é dona do melhor caminho a se seguir. A Escola deve ser o espaço onde a liberdade de escolha e o respeito, sejam a maior bandeira.


O recado da sociedade

junho 5, 2015

Já faz tempo que a sociedade, de uma maneira geral, vem dando sinais de um comportamento conservador, reacionário e autoritário, tudo que se mostre transgressor, seja no conceito, na atitude, ou nas idéias, bate de frente com a insatisfação de uma boa parte da sociedade, que se sente incomodada e repudia com reações, muitas vezes descabidas, para que tem um olhar mais aberto para a evolução da humanidade.

Mas, o que teria dado errado com a conquista da liberdade conseguida a duras penas no final do século passado? Por que os filhos da revolução se mostram com um pensamento conservador diante de certas conquistas? Em que ponto da história se deixou para trás situações contrárias ao autoritarismo  e passou-se a achar normal idéias e ideais reacionários e pensamentos conservadores? Em curva da estrada a sociedade se desinteressou pela liberdade.

O recado que parte da sociedade vem dando nos últimos tempos é de que ela se saturou com tanta liberdade, parece até um contra-senso. A impressão que fica é de que a confusão gerada entre liberdade e libertinagem afogou os anseios da sociedade, e, foi tanta liberação de comportamento e de costume, que talvez a sociedade ainda não estivesse pronta para enfrentá-los. É como aquela máxima: “você tem a rua, mas prefere a segurança de seu quarto”.

Agora, parte da sociedade tem se mostrado contrária a qualquer movimento que tente colocar certa desordem na ordem daquilo que já foi um dia, e que hoje já não é mais. A defesa do tradicionalismo não consegue amparo neste novo mundo tecnológico e libertário em que vivemos e conflitos de interesses têm deixado a sociedade sem saber de que lado ficar e, tamanha confusão acaba gerando contradições até mesmo na defesa do próprio ser humano, que não sabe a favor de quem e do quê ficar.

A sociedade briga com si mesmo diante do espelho e está perdida diante de suas próprias contradições, não sabe mais discernir o que seja certo, ou errado, bem ou mal, justo e injusto, amor e ódio. Mergulhada em um abismo de preconceitos, a sociedade não consegue enxergar que a realidade mudou e, depois de experimentar o gosto de ser livre para expressar suas vontades, quer a todo custo cercear às vontades alheias.

É preciso urgentemente, que, principalmente a arte, saia do meio do conflito e da provocação para buscar as velhas e eficientes formas de espelhar essa sociedade, para que ela se enxergue diante do espelho da arte, e veja o quanto se tornou conservadora, reacionário, autoritária, preconceituosa e presa a uma realidade que hoje nem ela mesma vive. A maior conquista que uma sociedade pode ter é a liberdade e quando a gente a cerceia, ainda como forma de autoproteção, estamos nos prendendo cada dia mais.


Escravos da Nova Era

novembro 30, 2013

Ainda ecoa o som das chibatas nos quatro cantos do país e a ferida da escravidão ainda lateja em nossa sociedade. É possível vislumbrar aportando no cais, os navios negreiros que despejavam sobre o nosso chão, centenas de milhares de negros que seriam escravizados contra as suas vontades, que teriam seus direitos de escolhas cerceados e as suas liberdades restringidas à vontade de seus Senhores.

Só que, felizmente, esse tempo ficou para trás e a liberdade, mesmo que tenha trazido na bagagem, um enorme abismo social, deu a todos escravizados, o direito à liberdade. Agora, com o corpo livre, a alma podia voar em busca de novos sonhos. Mas, no meio do caminho, a repressão cerceou e calou a todos, indiscriminadamente e, mais uma vez, ainda que, sem sermos escravizados, perdemos nossa liberdade.

Muita água rolou debaixo dessa ponte e, depois de anos de luta, dores e lágrimas, conquistamos a tão almejada liberdade e, enfim, tínhamos adquirido, novamente, o nosso legítimo direito de ir e vir, de ser e ter, de dominar as rédeas de nossas vidas. Só que os Senhores do poder, sorrateiramente, tramavam nos salões da alta sociedade e, usando outra arma, escravizaram a todos, outra vez, só que de uma forma muito mais eficiente.

Se nos tempos da escravidão, a alma se debatia, clamando por liberdade enquanto o açoite da chibata castigava o corpo dos que não se deixavam escravizar. Também não foi diferente quando a repressão cerceou a liberdade e calou os que lutavam por um sonho de uma sociedade mais justa e igualitária. Mas, hoje em dia, quando a chibata bate no corpo, a alma regozija de prazer e nem damos conta que já nos tornamos escravos.

Hoje em dia bradamos aos quatro ventos que somos livres, que somos todos donos de nossas vontades, mas, não percebemos que estamos mais escravizados que aqueles negros que chegavam à centenas e aos milhares, no cais do porto e, mais presos do que aqueles jovens torturados que acreditavam em um país justo e igualitário. Nos tornamos, sem nem nos darmos conta e, até mesmo por satisfação, escravos do consumismo.

A alma, agora aprisionada em nosso ser, perdeu a briga para o materialismo e, sedentos por consumir, nos perdemos em promoções, em liquidações e, gastamos o que temos, para saciar uma sede que não nos sacia. Escravos do ter, nos tornamos pessoas materialistas, interesseiras, arrogantes e presunçosas. Jamais se imaginou que o povo seria escravizado e nem mesmo reclamasse de sua condição.

E assim, os Senhores, que hoje não são mais de Engenhos e sim da alta tecnologia, do Mercado, os Senhores do Capitalismo, vorazes manipuladores, que conspiram nos seus luxuosos salões, enriquecem cada vez mais, à custa dos escravos consumistas, que vão se endividando dia a dia, se nem perceberem que seus corpos padecem e suas almas adoecem, sem nem sentirem nas costas, as chibatadas da escravidão.


Esse tal do politicamente correto

novembro 11, 2010

Não sei quando isso começou, nem como e nem porque, o que me interessa é entender a razão e de quem foi a idéia de interferir deliberadamente nos rumos da criação de um escritor. Agora o escritor não tem mais a liberdade de criar, pois não pode isso, não pode aquilo, isso é prejudicial a isso, isso é prejudicial a aquilo. Tudo o que for mostrado, tem que ser de acordo com esse tal do politicamente correto.

Agora eu pergunto: Quem é politicamente correto? Será que ninguém nunca jogou papelzinho na rua pela janela do carro? Será que ninguém nunca passou o sinal vermelho, nem de madrugada? Será que ninguém mais fuma um cigarro, nem na sua casa? Será que ninguém mais fala palavrão, nem sozinho no banheiro? Será que não tem mais violência contra mulher e nem contra a criança? Nem assassinatos, assaltos, estupros e chacinas? Então por que o escritor não tem liberdade para retratar casos como esses?

Acredito que a baixa audiência das telenovelas é muito em função do reflexo do pensamento que prega a obediência à esse tal do politicamente correto. Ai eu pergunto novamente: Quem está enganando quem? Se a arte procura mostrar a realidade da vida através de histórias ficcionais, então por que não se pode mostrar o comportamento humano como de fato ele é? Ou os habitantes desta nossa República Tupiniquim são todos sujeitos acima de qualquer suspeita e cumpridores do politicamente correto? É claro que não!

Minha posição como autor é bem claro, não posso abrir mão de criar os meus personagens do jeito que eles tem de ser, sob pena de estar contribuindo para o fracasso da minha própria história. Só quem não sabe como se cria uma história, pode aceitar a interferência, mesmo que branca, desse tal politicamente correto, ainda por cima usando a desculpa que certos assuntos não podem ser tratados em certos horários por causa das crianças. Será que o pai ou mãe fumante se esconde no banheiro para que o filho menor não o veja fumando?

A vida não é cor de rosa e a formação do caráter de um ser humano passa por vitórias e derrotas, sucessos e fracassos, ilusões e desilusões, felicidades e tristezas e pelo que lhe faz bem e o que lhe faz mal. A mistura de todas essas experiências é que possibilita a formação de um cidadão conhecedor do que lhe serve ou não, mesmo porque, ninguém é obrigado a ser politicamente correto, cada qual é como é, por isso existe o livre arbítrio.

Muito da criação dos autores vem sofrendo prejuízos por conta desse tal do politicamente correto, pois muitos personagens sofrem cortes em suas características, comportamental e psicológica, por conta de não poder agir e pensar de acordo com o seu comportamento. Coisas que outrora eram naturais, visto se tratarem de características de um personagem, personagem estes que reflete as atitudes de um ser humano normal, hoje soam como ofensivas.

Querer culpar a falta de criatividade do autor por conta de insucessos nas suas histórias, entendo ser a maior injustiça que se comete hoje em dia. No meu ponto de vista, o maior culpado disso tudo, é esse tal de politicamente correto.


LIBERDADE!

outubro 25, 2008

DIZES QUE EU SOU LIVRE

MAS VIGIAS MEUS PASSOS.

DIZES QUE EU SOU LIVRE

MAS ME PRENDES EM TEUS BRAÇOS

DIZES QUE EU SOU LIVRE

MAS CONTROLAS O QUE FAÇO

DIZES QUE EU SOU LIVRE

MAS ME QUERES EM TEU LAÇO

 

QUE LIBERDADE É ESSA

QUE ACHAS QUE ME DÁ?

AMO-TE PORQUE TE AMO

NÃO PRECISAS ME APRISSIONAR

SOU LIVRE PORQUE TE QUERO COMIGO

POIS SE NÃO TE QUISESSE

ESTARIAS LIVRE PRA VOAR.

CONFIAS EM MEUS VÔOS SOLITÁRIOS

POIS SEMPRE RETORNAREI

PORQUE SOU LIVRE

PARA FICAR CONTIGO.


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