Meninos bandidos

julho 17, 2015

Ainda era madrugada quando Estela terminou de preparar o almoço que deixaria para os filhos comerem mais tarde. Separou um pouco de arroz, feijão e do molho do frango ensopado que fez de mistura (só tinham dois pedaços) e para deixar para os meninos sem, ela lambuzou o fundo da marmita e depois jogou o arroz e o feijão por cima. Abaixou e beijou a testa de cada um dos filhos que dormiam no colchão ao lado do seu. Saiu pé ante pé para não fazer barulho e não acordar os filhos.

Todo dia era uma viagem para Estela chegar ao trabalho. Primeiro pegava a van que passava no final da sua rua e chegava ao terminal, onde ela apanhava o ônibus que a levava até a estação do metrô. Depois de seis estações, Estela descia e andava oito quarteirões até chegar ao hospital em que trabalhava com ajudante de serviços gerais. Era uma jornada cansativa para quem acordava as quatro da manhã e chegava em casa só as dez da noite. Mas, Estela fazia isso para e pelos filhos.

Edgar e Edmar, dezessete e dezesseis anos, já não frequentam a escola desde os doze anos, a mãe coitada, nem desconfia, pois eles sempre lhe apresentavam boletins falsos, sempre com boas notas o que ainda a enchia de orgulho. Mal sabia ela da vida bandida dos filhos. Todo mundo nos arredores da casa de Estela tinha medo dos irmãos metralhas, era assim que eles eram conhecidos. Os dois tinham o mal no olhar e por medo o que eles pudessem fazer, Estela nunca soube por vizinhos da vida dos filhos.

Os irmãos acordam as onze da mãe, comiam a comida que a mão passou a madrugada fazendo e partiam para rua praticar seus crimes. Eram assaltos a pequenos comércios, assalto a jovens distraídos. Sempre usando de muita violência, os irmãos praticavam seus delitos, depois pegavam os produtos dos roubos, faziam dinheiro, compravam drogas, sempre muita, e passavam a tarde e noite, cheirando tudo. Quando Estela chegava, os dois já dormiam de tanto cheirarem pó.

Estela, coitada, fazia de tudo para dar uma vida digna para os filhos, mas eles não estavam nem aí para o duro que a mãe dava. Às vezes Edgar e Edmar ainda desdenhavam da vida sofrida e jogavam na cara da mãe que aquilo não era vida para eles. Diziam sempre que seriam poderosos e que teriam muito dinheiro e, que se a mãe quisesse, nem precisaria mais trabalhar. E, Estela, na sua imensa ingenuidade, sonhava: Dr. Edgar, advogado e Dr. Edmar, Médico.

Mas, a vida e suas voltas, reservaram uma surpresa nada agradável para Estela. Como ela fazia diariamente, acordou ainda de madrugada, preparou o almoço dos filhos, arrumou sua marmita, pegou suas conduções e chegou para mais um dia de trabalho. Na hora do seu almoço, esquentou sua marmita e foi comer no refeitório onde uma televisão ligada, mostrava a reportagem de um assalto com refém. Ela fez o sinal da cruz a agradeceu pelos filhos bons.

De repente, Estela passou os olhos na televisão e se deparou com Edgar com uma arma na mãe e Edmar com uma faca no pescoço de uma jovem. Aquilo não podia ser verdade, seus meninos, bandidos? Ela largou a comida e saiu em disparada até o local do assalto. Ela chorava e rezava, tremia e pedia explicação para Deus. Como que seus meninos estudiosos podiam estar naquela televisão fazendo aquela coisa horrível?

Estela chegou desesperada ao local, furou o cerco e gritava sem parar:

– Edgar! Edmar! O que aconteceu com vocês, meus filhos?

Edgar respondeu:

– Nós é bandido!

Estela não acreditou no que ouviu. Aquela confissão desmoronou seu mundo. De repente, um tiro. A polícia invadiu a farmácia. Outro tiro. Estela se ajoelhou e pediu perdão por ter deixado os filhos sozinhos para trabalhar. Só que Estela não tinha culpa dos seus meninos serem bandidos.


O Batuqueiro

março 7, 2014

Quem conhece uma comunidade de perto, por certo, sabe muito bem do costume de se colocar as cadeiras na porta de casa nas noites quentes e ficar ali sob a luz da lua, proseando e prosear era o passatempo preferido de Seu Dodô, um senhor negro, de rosto bem marcado, mãos calejadas e cabelos brancos feitos flocos de algodão, que, todas as noites, sentando num pequeno banquinho, não se cansava de contar histórias de outros carnavais.

Conversar com o Seu Dodô sempre era uma delícia, de uma memória privilegiada no alto dos seus mais de noventa anos, ele narrava detalhes riquíssimos sobre o que ela chamava de: “os bão tempo do carnaval”

– Naquela época é que se tinha carnaval de verdade, meu fio! Era o que não cansava de repetir Seu Dodô quando terminava de contar uma das tantas histórias que tinha de cor na memória.

E ele realmente podia falar do assunto com propriedade, pois, Seu Dodô, ou melhor, o “Lorde Brigadeiro”, tinha muitos carnavais. Mesmo que, às vezes, as histórias fossem repetidas, nunca eram contadas do mesmo jeito. Por conta da idade avançada, um detalhe aqui e outro ali, sempre acabava deixando as histórias com sabor de novidade.

Adorava quando ele contava do início das escolas de samba, onde o samba no pé e o batuque saído dos instrumentos eram os verdadeiros protagonistas.

– Num é como hoje, não, meu fio! A gente saia batucando e sambando pelas rua e o povo vinha tudo atrás de nós! E a polícia também! Ririririri!!!

E no final de cada história contada, Seu Dodô sempre deixava escapar um riso tímido que aos poucos se transformava numa enorme gargalhada gostosa, que quem estivesse passando, parava para escutar a prosa na hora. E toda a noite era assim, Seu Dodô sentado no velho banquinho e um amontoado de pessoas sentadas em sua volta para se deliciar com as peripécias do velho “Lorde Brigadeiro”. A lembrança das fugas da polícia que não deixava que ele e seus amigos batucassem nas esquinas até alta madrugada sempre o fazia rir.

– O carnaval tá diferente, cada ano que passa, parece que fica pió. Num se toca mais samba, não! Isso é samba só pras nega deles! É uma barulhada que inté dói os ouvido!

O ano passado, a comunidade mal teve carnaval, pois, Seu Dodô morreu bem no Domingo de carnaval, minutos antes de entrar na passarela para desfilar na sua escola do coração, a qual ajudou a fundar há mais de cinquenta anos. Todos os componentes saíram da avenida, direto para o velório do “Lorde Brigadeiro”, como uma procissão, ao som da marcação de velho surdo.

Neste carnaval resolvi passar em frente á casa de Seu Dodô e me bateu um aperto no peito, senti saudades das noites em que ficava ouvindo suas prosas e suas histórias sobre o carnaval e o samba. Cheguei até a ouvir suas largas gargalhadas. O velho batuqueiro deixou saudade em todos, mas a comunidade, este ano, o tornou enredo da escola, da sua escola. Lá de cima, com certeza, o “Lorde Brigadeiro” está bem mais feliz!

É, seu Dodô, o senhor sempre esteve certo! Não se fazem mais carnavais como os de outrora, além do mais, a violência, agora também veste a fantasia e sai às ruas disposta a acabar com a paz de quem quer apenas curtir os dias de folia. Acabaram-se as batalhas de confetes, os corsos, os blocos e as escolas de samba?… bem, essas, o senhor sabe muito bem como ficaram, não é mesmo?

Agora, o que fica, é a sorte de quem, como eu, pode levar para sempre na lembrança, as suas inesquecíveis histórias sobre os velhos carnavais e a sua imensa alegria para falar de samba.


A morte da lagarta

novembro 4, 2013

Oi, gente, tudo bem? Precisava contar isso pra vocês. Achei incrível! Não chega ser uma aventura, mas foi à maior surpresa. Eu e minha amiga Joana… a gente tá junto pra tudo. Dizem até que a gente parece irmãs. Então, como eu ia contando… Depois que eu e minha amiga acabamos de tomar nosso lanche, fomos até o jardim da nossa escola pra ver como tava a nossa hortinha.

“Olha só, Joana! Já tá nascendo a minha plantinha!”

“A minha também! Olha lá!”

Realmente as nossas plantinhas já estavam começando a nascer. Só que tinha um monte de papel de bala jogado no meio delas. Foi então que eu e a Joana começamos a tirar um por um pra poder jogar fora, de repente a Joana deu um grito:

“Eca!… Olha só aquela minhoca!”

“É mesmo! E tá subindo na minha plantinha. Sai daí, minhoca!”

A professora Carolina que já vinha chamar a gente pra voltar pra aula, achou estranho ver a gente falando e brigando com as plantinhas da nossa horta e veio falar com a gente.

“Ei, o quê está acontecendo aí, hein meninas?”

“É aquela minhoca, professora!”

“Ela tá querendo comer a minha plantinha!”

“Isso não é uma minhoca, meninas! Isso é uma lagarta!”

“Pra mim é a mesma coisa! Vou matar esse bicho nojento.”

Quando a Joana já ia saindo pra procurar alguma coisa que desse para matar aquela minhoca nojenta, a professora pediu pra gente se acalmar que ela ia explicar tudinho.

“Calma, Joana! Deixa eu explicar pra vocês!” Vocês não estão vendo que ela está ali parada?”

A professora tinha razão. Eu e a Joana ficamos olhando, olhando e olhando, mas aquela minhoca… não, lagarta, não saia do lugar.

“Viram só! Isso é uma lagarta e está em processo de transformação”

“Como assim?”

“Eu não entendi”

De repente, aquela lagarta foi mudando de forma, fazendo uma casca. Morreu sem ninguém fazer nada.

“Ainda bem que essa minhoca morreu!”

“Não é minhoca!”

“Minhoca, Lagarta, tudo nojenta! Vamos embora, Joana!”

“Esperem! Agora que a lagarta morreu é que vem a surpresa.”

Eu fiquei curiosa para ver a surpresa. A Joana na queria muito, mas acabou ficando, só porque eu pedi. Mas, vocês precisavam tá lá com a gente. Eu nunca tinha visto aquilo.

Aquela lagarta que entrou na horta, que depois morreu e virou uma casca mais nojenta ainda… Argh! Só de lembrar dá um nojo! Mas, aquele bichinho feio que queria comer nossas plantinhas, se transformou numa borboleta.

“Olha, a lagarta virou uma borboleta!”

“Que bonita!”

“Viram só que surpresa?”

Ver aquela borboleta nascer foi mais que uma aventura, foi uma coisa que nunca mais vou esquecer. Espero que vocês um dia também tenham sorte de ver o nascimento de uma borboleta!

Bom, vou ficando por aqui, que to cheia de lição de casa pra fazer. Outra hora eu volto pra contar mais uma das minhas aventuras.

Beijos.

Helena


Aonde começa a história?

março 1, 2013

Todo mundo tem uma história para contar e todo mundo gosta de ouvir uma boa história, mas aonde começa uma história? Uma história começa sempre de nossas observações, nossas experiências, de tudo que a gente viu e viveu. Mesmo que seja uma história inventada, em tudo que dela for contada, sempre haverá alguma coisa que a gente conhece.

A verdade é que toda história começa de uma grande fofoca, onde alguém que viu ou ouviu algum fato que lhe soou interessante, resolveu contar para um outro alguém, a sua versão da história. Contar histórias é o passatempo preferido do ser humano. Ainda que não se tenha ninguém para lê-las, sempre estaremos contando uma história.

Seja de fatos corriqueiros do nosso dia-a-dia, ou de algo escabroso que vimos ou ouvimos em nosso vai-vem de vida, seja um acidente presenciado, ou assalto noticiado, ou uma briga de casal, ou até os gritos do vizinho, tudo vira história, pois, contar histórias é a nossa principal maneira de se comunicar. Que nos dia aquele ditado popular: “quem conta um conto aumenta um ponto”

Contando histórias, rimos, gargalhamos, choramos, soluçamos, nos emocionamos e até nos comovemos com a vida do outro. Inventamos fatos, fingimos dores, sonhamos amores, semeamos esperanças, enganamos a morte, enfeitamos a vida, curamos as feridas, lembramos da infância, da vida sofrida, da vida futura e tem gente que conta até história da lua.

Uma história começa dentro de cada um e cada qual faz dela o que bem quer. Tem gente que não conta, faz segredo, registra tudo em um diário secreto, mas pobre dela, mal sabe que um dia vai virar história: “A menina e suas histórias”, ou “Um diário secreto e seus segredos”. Não adianta tentar esconder a sua história, pois, o seu viver se encarregará de contá-la, tim-tim por tim-tim.

Por isso, quem escreve e vive de contar histórias, sabe que uma nova história começa a todo o momento, no espiar de canto de olho de uma conversa alheia, no cumprimento de um encontro casual, naquilo que os olhos veem, que o coração sente, ou até mesmo no que a boca tanto quer falar, mas a ocasião não permite. É só piscar o olho que temos uma história para contar.

Agora, já quanto a escrever uma história… bem… isso já é uma outra história!


A arte de contar histórias

janeiro 16, 2013

Contar histórias é algo que seduz qualquer pessoa. Há que conte histórias através de livros, através de roteiros, através de peças de teatro, há os contadores de “causos”, os contadores de histórias, os que contem histórias por canções, por poesias, contar histórias é uma arte que nunca morrerá. Mais de mil anos se passaram e outros tantos passarão e sempre haverá alguém para contar uma história.

Uma história de amor, uma história de violência, uma história triste, uma história alegre, uma história real, uma história inventada, uma história que nos seduz, uma história que não nos interesse; uma história para as crianças, uma história de aventuras. Não importa o conteúdo da história, pois cada contador, da sua maneira, com o seu olhar, com o que acredita a fará parecer a mais original.

Contar histórias é convidar alguém a entrar em um mundo desconhecido ou em mundo por demais conhecido, um mundo encantador, que nos cause aflição ou encantamento, que nos faça sonhar ou nos cause medo, que nos faça viajar para uma vida diferente da nossa, melhor ou pior, que nos mostre o amor ou a guerra. Contar histórias é dar asas para alma, fazê-la voar para além dos limites do nosso olhar.

Ah, e quando se é capaz de se escrever uma história? Criar novos universos, pessoas, cidades, situações, conflitos, amores, inimigos e saber que alguém vai ler, encenar, filmar, convidar a viajar pela nossa criação. Ah, isso não tem preço para quem gosta de contar histórias! Todo escritor é um grande contador de histórias, mesmo que o faça somente através do papel.

O problema é que existem alguns jovens que precisam entender que mesmo que todos possam contar histórias, é preciso saber que para contar histórias através de romances, peças de teatro, roteiros de filmes ou de televisão, não basta gostar de contar histórias, tem de aprender o jeito de como contar essas histórias. Caso o contrário é melhor contá-las através da fala.

Vejo muita gente interessada em escrever novelas e se preocupam apenas em escrever sinopses. Sinopses nunca serão histórias. Sinopses serão apenas planos de histórias que temos para contar. É preciso saber que para ser um contador de história através do papel deve-se, antes de qualquer coisa, gostar de ler e de escrever. E, acima de tudo, buscar aprender como é que se faz, senão nunca será um verdadeiro contador de histórias.

Então respondam: Quem não gosta de contar uma história? Portanto é preciso ter a consciência que há caminhos a serem percorridos, técnicas a serem apuradas, experiências a serem experimentadas, histórias a serem lidas, romances a serem vividos, dores a serem sentidas e muita vida a ser vivida para poder ter muitas histórias para contar, porque a arte de contar histórias, essa nunca morrerá!


Criatividade: A alma do negócio!

maio 20, 2010

Não é de hoje que se escreve para contar histórias, sejam elas através de livros, crônicas, contos, textos teatrais e até mesmo através de roteiros. E todas elas já foram contadas e recontadas de mil e uma maneiras, muitas vezes em exaustão, mas a todo dia sempre aparece alguém disposto a contar as mesmas histórias. E o que a faz a ser diferente? A sua criatividade!

As situações dramáticas são todas conhecidas e, exaustivamente exploradas, não há mais novidades, isso é claro e sabido, o que faz a diferença é a forma pela qual o escritor trabalha para contá-las. E a criatividade que ele emprega para contar a história que vai fazê-la única e especial, isto é, a verdadeira alma do negócio.

Por mais que conheçam as técnicas e os diversos modos de contar uma história, e que fique claro aqui que saber tudo isso é primordial e de extrema importância, que conheçam todos os segredos de arquitetar uma narrativa, que conheçam todas as situações dramáticas, só há uma maneira de contar, a sua criatividade e é ela que lhe fará ser diferente.

A sua criatividade é a sua assinatura em tudo aquilo que você escreve. É o que vai fazer a diferença e lhe destacar perante aos outros escritores, fazendo com que a sua história, mesmo com um tema batido, conquiste o leitor. Sem a criatividade, o que se obtém, é a mesmice de sempre, vide o que vem acontecendo com as novelas.

O problema é, quando por segurança ou até mesmo por preguiça ou ainda medo de arriscar, o escritor opta por utilizar apenas as técnicas de narrativas para contar a sua história, fazendo-se valer de uma fórmula de sucesso, tal e qual às novelas. Pegam-se os ingredientes, como se contar uma história fosse preparar um bolo e servem para o público a mesma história contada da mesma maneira.

Uma história contada com a criatividade, jamais será uma história igual a outra. Usando a sua criatividade, a mesma história que fez Romeu e Julieta morrerem por amor, pode ser contada sobre um outro ponto de vista, talvez por ângulo que só você viu e que pode torná-la uma história de sucesso.

Ousar é a palavra irmã da criatividade, quando um escritor subverte o lugar comum, ou até mesmo brinca com os clichês, com certeza terá uma boa possibilidade de contar uma bela história, mesmo que ela já tenha sido exaustivamente contada. Portanto, mais do que uma boa idéia, a criatividade com a qual você pretende contar a sua história, é que é a alma do negócio.


O RESGATE DAS ARARAS AZUIS

novembro 29, 2008

Oi gente, to aqui de novo no blog do tio Paulo. Sabe o que é? É que ontem aconteceu uma coisa muito incrível comigo, precisava contar pra vocês. Vocês não vão nem acreditar. Eu que sou eu não acredito até agora! Mas vou contar tudinho!

 

Eu tenho uma amiga, a Joana, a gente mora no mesmo prédio. Acho que ainda não falei dela pra vocês ou falei? Acho que não! Mas então falo agora. A Joana, a minha amiga, ela tem oito anos, é meio tímida, sabem! Eu até chamei ela pra vir aqui contar a história comigo, mas ela ficou cheia de vergonha. Não faz mal, conto eu!

 

Foi assim… A minha amiga Joana, tem um cachorrinho, o Ted, ele é yorkshire bem bravinho. Quem põe a mão na boca dele, leva logo uma mordida. E a mordida dói pra caraca!… Então, a Joana passou em casa e me chamou:

 

“Helena, vamos levar o Ted lá embaixo pra passear?”

 

Só que a gente não pode sair do prédio sozinha. Acho que vocês sabem como é que é, não é mesmo? Acontece que quando a gente chegou lá embaixo, o Ted escapou da mão da Joana e saiu correndo pra fora do prédio.

 

“Seguro o Ted, Severino!” Disse a Joana pro porteiro do nosso prédio, Mas não deu tempo, o Ted passou por debaixo das pernas do Severino e se mandou pra rua.

 

“Vamos atrás dele, Joana! Corre!”

 

“Severino, avisa a nossa mãe que a gente foi atrás do Ted que fugiu pra rua!”

 

E saímos correndo pela calçada atrás do Ted. Ainda bem que o nosso bairro não é muito movimentado, a Joana tava morrendo de medo que algum carro atropelas-se o Ted. Mas, foi só a gente virar a esquina da nossa rua, que vimos o Ted tentando entrar numa casa velha lá no final da outra rua. Pelo menos ele estava a salvo.

 

“Olha o Ted, Joana!”

 

“Vem cá, Ted, vem!” Chamou a Joana, mas o Ted não saiu do lugar.

 

O Ted tava fuçando o portão da casa. De repente, um homem muito grande e forte, abriu o portão da casa, pegou o Ted e levou ele pra dentro.

 

“Ei moço, esse cachorro é meu!” Gritou a Joana, quase chorando.

 

“Fica calma, Joana, a gente vai lá, bate na porta e pede pro homem devolver o seu cachorro!”

Mas, a Joana já estava chorando de nervosa. Coitada! A gente tinha que dar um jeito nisso. Aquele homem não podia pegar o Ted assim! Ele tem dona, oras!

 

“A gente vai pegar ele de volta, viu Joana! Não precisa chorar.”

 

Então a gente foi até a porta da casa do homem, olhamos, olhamos e como não achamos a campainha, batemos palmas um monte de vezes. No mesmo tempo que a gente batia palmas e chamava pelo homem, a gente ouvia o Ted latir.

 

“E agora, Helena, o homem pegou o meu Ted e não quer devolver!”

 

“Já que ele não abre, vamos pular o muro!”

 

“Mas, o muro é muito alto!”

 

Nunca vi menina mais medrosa! Mas a gente não podia deixar o Ted lá. E ele nem era do homem! A Joana estava muito triste, não parava de chorar, então, ele se sentou na frente do portão e quando encostou a cabeça, o portão abriu sozinho.

 

“Olha, só Joana, o portão abriu! Vem, vamos entrar!”

 

“Ted! Vem Ted!” A Joana queria entrar correndo e chamando pelo Ted, tive que segurar ela pelo braço e colocar a mão na boca para que ela não gritasse.”

 

“Fala baixo! Vamos pegar o Ted sem o homem ver a gente!”

 

“Mas, a gente nem sabe onde ele tá!”!

 

Foi aí que tive a uma idéia! Eu fui na frente e a Joana foi atrás. Demos a volta até chegar no quintal atrás da casa e quando chegamos no quintal, vocês não vão acreditar…

 

“Olha isso, Helena!”

 

“Ta cheio de animais ameaçados de extinção! Olha isso, Joana!”

 

A gente já tinha visto o Ted amarrado no pé de uma mesa velha, mas, de repente, a gente ouviu uma voz grossa vindo de dentro do banheiro lá de dentro da casa. Só deu tempo de desamarrar o Ted, passar a mão numa gaiola que tinha duas araras-azuis e sair correndo! Nem olhamos pra trás!

 

Mas, onde já se viu! Será que o homem nem sabia que arara azul está em extinção? Foi uma pena que não deu tempo de pegar os outros animais!

 

Bem, foi isso que aconteceu! Eu ainda nem acredito! Mas pelo menos o Ted está são e salvo na casa da minha amiga Joana.

Agora preciso ir, o tio Paulo ta querendo escrever um artigo aqui no blog. Ah! Antes que vocês me perguntem, meu pai levou as araras-azuis lá pro zoológico. E sabem do que mais? Vi o homem grande e forte aparecer na televisão. Meu pai falou que ele foi preso. Também, bem feito! Quem mandou pegar o Ted!…

 

Tchauzinho pra vocês! Qualquer hora eu volta, ta?


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