O Amor caiu do céu

junho 22, 2018

Oi gente, hoje vou contar pra vocês uma aventura apaixonante. Vocês podem até achar que estou inventando isso, mas a Joana, o Paulinho e a Talita estão aí de prova pra dizer que tudo isso aconteceu de verdade. Vou contar pra vocês como tudo começou:

Eu, a Joana, o Paulinho e a Talita marcamos de fazer um piquenique lá no terreno do seu Zé da farmácia, eu e a Joana chegamos primeiro e abrimos a toalha bem embaixo da caramboleira, que é a maior árvore que tem no terreno do seu Zé, quando de repente: – Tibum! Caiu alguma coisa do céu do outro lado da árvore. Vocês não imaginam o que foi que caiu.

– Um anjo, Joana!

– Um anjo caiu do céu, Helena!

Eu a Joana corremos pra ajudá-lo. Ele ainda está meio tonto, tentou voar de novo, mas não conseguiu. Tinha quebrando uma de suas asas.

– Droga, quebrou a minha asa! E agora?

Eu olhei pra Joana, a Joana olhou pra mim.

– Você é um anjo de verdade! Falamos a duas juntas.

– Sou o Eros, o anjo do amor!

– Eros? Perguntou a Joana.

– Cúpido! Você é o cúpido?

Tinha visto num livro na escola sobre as lendas gregas que Eros era o nome do cúpido. Aquele que fica atirando flechas pra todo mundo ficar apaixonado um pelo o outro. E não era que era ele mesmo? O amor tinha caindo do céu, bem ali no meio do nosso piquenique e tinha quebrado uma das asas.

– Será que vocês podem me ajudar a consertar a minha asa? Tenho muito amor para distribuir pelo mundo e não posso ficar aqui parado muito tempo.

Eu olhei para a Joana, a Joana olhou pra mim.

– Eu não acredito! Falamos as duas juntas.

– Vocês podem ou não podem me ajudar a consertar a minha asa?

Como a gente não ia ajudar o amor? Então foi que lembrei que a avó da Joana podia fazer uma asa novinha para o Eros com as penas das galinhas que ela tinha lá no galinheiro da casa dela. Saímos as duas voando no terreno e fomos direto para a casa da avó da Joana. Pedimos para que o cúpido ficasse escondido para que mais ninguém o visse por ali.

Só que quando a gente saiu, o Paulinho chegou e viu em cima da toalha, a cesta com as flechas do cúpido que ele se esqueceu de pegar. E o quê fez o Paulinho? Saiu atirando aquelas flechas para o ar, até que uma acertou de cheio, bem no peito da Talita que vinha chegando para o nosso piquenique.

Quando voltamos com a nova asa do cúpido, encontramos a Talita correndo atrás do Paulinho em volta da árvore.

– Vem cá, Paulinho, me dá um beijo!

– Sai pra lá, Talita!

– Eu amo você! Vem, meu cabelinho de molinha!

– Para com isso, Talita.

Logo pensamos que o cúpido tinha aprontado alguma coisa.

– Seu anjo, pode sair do esconderijo agora! Gritei, chamando por ele.

O Eros saiu de trás de uns caixotes que tinham no fundo do terreno já avisando que não tinha nada a ver com aquilo.

– Eu não fiz nada! Foi ele que pegou as minhas flechas e começou a atirar para todos os lados e acabou acertando aquela menina. A Talita estava lá, com aquela cara de boba, olhando para o Paulinho e suspirando. Argh!!

– Seu cúpido, conseguimos arrumar a sua asa, agora você já pode espalhar o amor pelo mundo e deixar a gente fazer o nosso piquenique. Só que antes de ir embora, faz um favor de desfazer esse feitiço, porque não vai dar pra aguentar a Talita desse jeito, toda apaixonada pelo Paulinho!

Enquanto eu e a Joana conversávamos com o anjo, a Talita pegou o Paulinho distraído e o agarrou, e depois começou abraçar, beijar, o Paulinho tentava se soltar, mas não conseguia, quanto mais ele tentava se soltar, mais a Talita o agarrava.

– Olha só aquilo, Helena?

– Pode deixar que vou dar um jeito nisso.

Foi então que o anjo colocou a asa feita com penas de galinha pela avó de Joana, pelou sua cesta de flechas, subiu em cima da caramboleira e espalhou um pózinho sobre a cabeça de Talita e depois saiu voando, todo alegre.

– Ei, porque você tá me agarrando, Paulinho? Perguntou a Talita.

– Eu não! Era você que estava me agarrando, Talita!

A Talita se soltou de Paulinho e o empurrou com tanta força que ele caiu em cima da cesta do piquenique, espalhando todas as nossas coisas no chão. No final, nem acabamos fazendo piquenique nenhum, pois a Talita foi embora cheia de raiva do Paulinho, sem saber que tudo aquilo só aconteceu porque o Amor caiu do céu!

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A criação em tempos do politicamente correto

abril 7, 2018

Escrever nunca foi uma tarefa fácil e, apesar de todas as dificuldades inerentes à criação de uma história, o escritor, hoje em dia, ainda tem de conviver com a patrulha do politicamente correto. As pessoas criaram um planeta cor de rosa e querem escondê-lo dentro de um vidro para que nenhum sentimento mal e mesquinho os atinja. Ora, mas como se pode combater e denunciar as ideias e os comportamentos de pessoas preconceituosas, se não se pode falar delas?

Toda história conta a vida de uma pessoa e essa pessoa tem virtudes e defeitos como qualquer pessoa que vive no mundo real, mas como colocar uma lente de aumento sobre os defeitos da personagem, se não se pode dar ênfase ao mau-caratismo da personagem? Não dá para falar de qualquer assunto sem abordar todas as suas vertentes, perde-se a verossimilhança, pois não existem somente idéias e pensamentos bons.

É claro que se deve tomar cuidado com a abordagem dos assuntos, mas como falar de racismo sem abordar o racista? Como falar o estupro sem abordar o estuprador? Como falar da corrupção sem abordar o corrupto? Como falar de assédio sem abordar quem pratico o assédio? Como falar de homofobia sem abordar o homofóbico? Quando se quer contar uma história, precisamos desnudar a alma e o pensamento dessas personagens, sem pena, nem dó.

Agora, por conta desse tal “politicamente correto”, tudo se tornou ofensivo, propagador da violência e da falta de direitos humanos, quase nada pode ser falado e escrito, ainda que seja de uma maneira séria, como denúncia e ou demonstração da face obscura das pessoas, porque sempre haverá um grupo ofendido com esta ou com aquela personagem, com esta ou com aquela ação, que acusando o autor de algum preconceito.

Eu, sinceramente, não sei o quê estas pessoas querem da vida, cobram para que sejamos uma sociedade mais respeitosa, que aceite e conviva pacificamente e educadamente com todas as diferenças, mas vivem a patrulhar para que nada manchem o seu mundo cor de rosa. Há pessoas más, que nunca aceitaram certos comportamentos e se os escritores não puderem mostrar através das suas personagens, pessoas assim, como combatê-las?

A verdade é que esse tal de “politicamente correto” tem feito muito mal para a criação, tem podado ideias no seu nascedouro, tem inibido certas histórias, tem criado uma dificuldade ainda maior para quem escreve, mas, a verdade é que não se pode deixar se abater por nenhuma patrulha ideológica, pois as histórias contadas e comportamentos precisam ser denunciados para que se possa saber como enfrentar o inimigo real.


Meninos bandidos

julho 17, 2015

Ainda era madrugada quando Estela terminou de preparar o almoço que deixaria para os filhos comerem mais tarde. Separou um pouco de arroz, feijão e do molho do frango ensopado que fez de mistura (só tinham dois pedaços) e para deixar para os meninos sem, ela lambuzou o fundo da marmita e depois jogou o arroz e o feijão por cima. Abaixou e beijou a testa de cada um dos filhos que dormiam no colchão ao lado do seu. Saiu pé ante pé para não fazer barulho e não acordar os filhos.

Todo dia era uma viagem para Estela chegar ao trabalho. Primeiro pegava a van que passava no final da sua rua e chegava ao terminal, onde ela apanhava o ônibus que a levava até a estação do metrô. Depois de seis estações, Estela descia e andava oito quarteirões até chegar ao hospital em que trabalhava com ajudante de serviços gerais. Era uma jornada cansativa para quem acordava as quatro da manhã e chegava em casa só as dez da noite. Mas, Estela fazia isso para e pelos filhos.

Edgar e Edmar, dezessete e dezesseis anos, já não frequentam a escola desde os doze anos, a mãe coitada, nem desconfia, pois eles sempre lhe apresentavam boletins falsos, sempre com boas notas o que ainda a enchia de orgulho. Mal sabia ela da vida bandida dos filhos. Todo mundo nos arredores da casa de Estela tinha medo dos irmãos metralhas, era assim que eles eram conhecidos. Os dois tinham o mal no olhar e por medo o que eles pudessem fazer, Estela nunca soube por vizinhos da vida dos filhos.

Os irmãos acordam as onze da mãe, comiam a comida que a mão passou a madrugada fazendo e partiam para rua praticar seus crimes. Eram assaltos a pequenos comércios, assalto a jovens distraídos. Sempre usando de muita violência, os irmãos praticavam seus delitos, depois pegavam os produtos dos roubos, faziam dinheiro, compravam drogas, sempre muita, e passavam a tarde e noite, cheirando tudo. Quando Estela chegava, os dois já dormiam de tanto cheirarem pó.

Estela, coitada, fazia de tudo para dar uma vida digna para os filhos, mas eles não estavam nem aí para o duro que a mãe dava. Às vezes Edgar e Edmar ainda desdenhavam da vida sofrida e jogavam na cara da mãe que aquilo não era vida para eles. Diziam sempre que seriam poderosos e que teriam muito dinheiro e, que se a mãe quisesse, nem precisaria mais trabalhar. E, Estela, na sua imensa ingenuidade, sonhava: Dr. Edgar, advogado e Dr. Edmar, Médico.

Mas, a vida e suas voltas, reservaram uma surpresa nada agradável para Estela. Como ela fazia diariamente, acordou ainda de madrugada, preparou o almoço dos filhos, arrumou sua marmita, pegou suas conduções e chegou para mais um dia de trabalho. Na hora do seu almoço, esquentou sua marmita e foi comer no refeitório onde uma televisão ligada, mostrava a reportagem de um assalto com refém. Ela fez o sinal da cruz a agradeceu pelos filhos bons.

De repente, Estela passou os olhos na televisão e se deparou com Edgar com uma arma na mãe e Edmar com uma faca no pescoço de uma jovem. Aquilo não podia ser verdade, seus meninos, bandidos? Ela largou a comida e saiu em disparada até o local do assalto. Ela chorava e rezava, tremia e pedia explicação para Deus. Como que seus meninos estudiosos podiam estar naquela televisão fazendo aquela coisa horrível?

Estela chegou desesperada ao local, furou o cerco e gritava sem parar:

– Edgar! Edmar! O que aconteceu com vocês, meus filhos?

Edgar respondeu:

– Nós é bandido!

Estela não acreditou no que ouviu. Aquela confissão desmoronou seu mundo. De repente, um tiro. A polícia invadiu a farmácia. Outro tiro. Estela se ajoelhou e pediu perdão por ter deixado os filhos sozinhos para trabalhar. Só que Estela não tinha culpa dos seus meninos serem bandidos.


O Batuqueiro

março 7, 2014

Quem conhece uma comunidade de perto, por certo, sabe muito bem do costume de se colocar as cadeiras na porta de casa nas noites quentes e ficar ali sob a luz da lua, proseando e prosear era o passatempo preferido de Seu Dodô, um senhor negro, de rosto bem marcado, mãos calejadas e cabelos brancos feitos flocos de algodão, que, todas as noites, sentando num pequeno banquinho, não se cansava de contar histórias de outros carnavais.

Conversar com o Seu Dodô sempre era uma delícia, de uma memória privilegiada no alto dos seus mais de noventa anos, ele narrava detalhes riquíssimos sobre o que ela chamava de: “os bão tempo do carnaval”

– Naquela época é que se tinha carnaval de verdade, meu fio! Era o que não cansava de repetir Seu Dodô quando terminava de contar uma das tantas histórias que tinha de cor na memória.

E ele realmente podia falar do assunto com propriedade, pois, Seu Dodô, ou melhor, o “Lorde Brigadeiro”, tinha muitos carnavais. Mesmo que, às vezes, as histórias fossem repetidas, nunca eram contadas do mesmo jeito. Por conta da idade avançada, um detalhe aqui e outro ali, sempre acabava deixando as histórias com sabor de novidade.

Adorava quando ele contava do início das escolas de samba, onde o samba no pé e o batuque saído dos instrumentos eram os verdadeiros protagonistas.

– Num é como hoje, não, meu fio! A gente saia batucando e sambando pelas rua e o povo vinha tudo atrás de nós! E a polícia também! Ririririri!!!

E no final de cada história contada, Seu Dodô sempre deixava escapar um riso tímido que aos poucos se transformava numa enorme gargalhada gostosa, que quem estivesse passando, parava para escutar a prosa na hora. E toda a noite era assim, Seu Dodô sentado no velho banquinho e um amontoado de pessoas sentadas em sua volta para se deliciar com as peripécias do velho “Lorde Brigadeiro”. A lembrança das fugas da polícia que não deixava que ele e seus amigos batucassem nas esquinas até alta madrugada sempre o fazia rir.

– O carnaval tá diferente, cada ano que passa, parece que fica pió. Num se toca mais samba, não! Isso é samba só pras nega deles! É uma barulhada que inté dói os ouvido!

O ano passado, a comunidade mal teve carnaval, pois, Seu Dodô morreu bem no Domingo de carnaval, minutos antes de entrar na passarela para desfilar na sua escola do coração, a qual ajudou a fundar há mais de cinquenta anos. Todos os componentes saíram da avenida, direto para o velório do “Lorde Brigadeiro”, como uma procissão, ao som da marcação de velho surdo.

Neste carnaval resolvi passar em frente á casa de Seu Dodô e me bateu um aperto no peito, senti saudades das noites em que ficava ouvindo suas prosas e suas histórias sobre o carnaval e o samba. Cheguei até a ouvir suas largas gargalhadas. O velho batuqueiro deixou saudade em todos, mas a comunidade, este ano, o tornou enredo da escola, da sua escola. Lá de cima, com certeza, o “Lorde Brigadeiro” está bem mais feliz!

É, seu Dodô, o senhor sempre esteve certo! Não se fazem mais carnavais como os de outrora, além do mais, a violência, agora também veste a fantasia e sai às ruas disposta a acabar com a paz de quem quer apenas curtir os dias de folia. Acabaram-se as batalhas de confetes, os corsos, os blocos e as escolas de samba?… bem, essas, o senhor sabe muito bem como ficaram, não é mesmo?

Agora, o que fica, é a sorte de quem, como eu, pode levar para sempre na lembrança, as suas inesquecíveis histórias sobre os velhos carnavais e a sua imensa alegria para falar de samba.


A morte da lagarta

novembro 4, 2013

Oi, gente, tudo bem? Precisava contar isso pra vocês. Achei incrível! Não chega ser uma aventura, mas foi à maior surpresa. Eu e minha amiga Joana… a gente tá junto pra tudo. Dizem até que a gente parece irmãs. Então, como eu ia contando… Depois que eu e minha amiga acabamos de tomar nosso lanche, fomos até o jardim da nossa escola pra ver como tava a nossa hortinha.

“Olha só, Joana! Já tá nascendo a minha plantinha!”

“A minha também! Olha lá!”

Realmente as nossas plantinhas já estavam começando a nascer. Só que tinha um monte de papel de bala jogado no meio delas. Foi então que eu e a Joana começamos a tirar um por um pra poder jogar fora, de repente a Joana deu um grito:

“Eca!… Olha só aquela minhoca!”

“É mesmo! E tá subindo na minha plantinha. Sai daí, minhoca!”

A professora Carolina que já vinha chamar a gente pra voltar pra aula, achou estranho ver a gente falando e brigando com as plantinhas da nossa horta e veio falar com a gente.

“Ei, o quê está acontecendo aí, hein meninas?”

“É aquela minhoca, professora!”

“Ela tá querendo comer a minha plantinha!”

“Isso não é uma minhoca, meninas! Isso é uma lagarta!”

“Pra mim é a mesma coisa! Vou matar esse bicho nojento.”

Quando a Joana já ia saindo pra procurar alguma coisa que desse para matar aquela minhoca nojenta, a professora pediu pra gente se acalmar que ela ia explicar tudinho.

“Calma, Joana! Deixa eu explicar pra vocês!” Vocês não estão vendo que ela está ali parada?”

A professora tinha razão. Eu e a Joana ficamos olhando, olhando e olhando, mas aquela minhoca… não, lagarta, não saia do lugar.

“Viram só! Isso é uma lagarta e está em processo de transformação”

“Como assim?”

“Eu não entendi”

De repente, aquela lagarta foi mudando de forma, fazendo uma casca. Morreu sem ninguém fazer nada.

“Ainda bem que essa minhoca morreu!”

“Não é minhoca!”

“Minhoca, Lagarta, tudo nojenta! Vamos embora, Joana!”

“Esperem! Agora que a lagarta morreu é que vem a surpresa.”

Eu fiquei curiosa para ver a surpresa. A Joana na queria muito, mas acabou ficando, só porque eu pedi. Mas, vocês precisavam tá lá com a gente. Eu nunca tinha visto aquilo.

Aquela lagarta que entrou na horta, que depois morreu e virou uma casca mais nojenta ainda… Argh! Só de lembrar dá um nojo! Mas, aquele bichinho feio que queria comer nossas plantinhas, se transformou numa borboleta.

“Olha, a lagarta virou uma borboleta!”

“Que bonita!”

“Viram só que surpresa?”

Ver aquela borboleta nascer foi mais que uma aventura, foi uma coisa que nunca mais vou esquecer. Espero que vocês um dia também tenham sorte de ver o nascimento de uma borboleta!

Bom, vou ficando por aqui, que to cheia de lição de casa pra fazer. Outra hora eu volto pra contar mais uma das minhas aventuras.

Beijos.

Helena


Aonde começa a história?

março 1, 2013

Todo mundo tem uma história para contar e todo mundo gosta de ouvir uma boa história, mas aonde começa uma história? Uma história começa sempre de nossas observações, nossas experiências, de tudo que a gente viu e viveu. Mesmo que seja uma história inventada, em tudo que dela for contada, sempre haverá alguma coisa que a gente conhece.

A verdade é que toda história começa de uma grande fofoca, onde alguém que viu ou ouviu algum fato que lhe soou interessante, resolveu contar para um outro alguém, a sua versão da história. Contar histórias é o passatempo preferido do ser humano. Ainda que não se tenha ninguém para lê-las, sempre estaremos contando uma história.

Seja de fatos corriqueiros do nosso dia-a-dia, ou de algo escabroso que vimos ou ouvimos em nosso vai-vem de vida, seja um acidente presenciado, ou assalto noticiado, ou uma briga de casal, ou até os gritos do vizinho, tudo vira história, pois, contar histórias é a nossa principal maneira de se comunicar. Que nos dia aquele ditado popular: “quem conta um conto aumenta um ponto”

Contando histórias, rimos, gargalhamos, choramos, soluçamos, nos emocionamos e até nos comovemos com a vida do outro. Inventamos fatos, fingimos dores, sonhamos amores, semeamos esperanças, enganamos a morte, enfeitamos a vida, curamos as feridas, lembramos da infância, da vida sofrida, da vida futura e tem gente que conta até história da lua.

Uma história começa dentro de cada um e cada qual faz dela o que bem quer. Tem gente que não conta, faz segredo, registra tudo em um diário secreto, mas pobre dela, mal sabe que um dia vai virar história: “A menina e suas histórias”, ou “Um diário secreto e seus segredos”. Não adianta tentar esconder a sua história, pois, o seu viver se encarregará de contá-la, tim-tim por tim-tim.

Por isso, quem escreve e vive de contar histórias, sabe que uma nova história começa a todo o momento, no espiar de canto de olho de uma conversa alheia, no cumprimento de um encontro casual, naquilo que os olhos veem, que o coração sente, ou até mesmo no que a boca tanto quer falar, mas a ocasião não permite. É só piscar o olho que temos uma história para contar.

Agora, já quanto a escrever uma história… bem… isso já é uma outra história!


A arte de contar histórias

janeiro 16, 2013

Contar histórias é algo que seduz qualquer pessoa. Há que conte histórias através de livros, através de roteiros, através de peças de teatro, há os contadores de “causos”, os contadores de histórias, os que contem histórias por canções, por poesias, contar histórias é uma arte que nunca morrerá. Mais de mil anos se passaram e outros tantos passarão e sempre haverá alguém para contar uma história.

Uma história de amor, uma história de violência, uma história triste, uma história alegre, uma história real, uma história inventada, uma história que nos seduz, uma história que não nos interesse; uma história para as crianças, uma história de aventuras. Não importa o conteúdo da história, pois cada contador, da sua maneira, com o seu olhar, com o que acredita a fará parecer a mais original.

Contar histórias é convidar alguém a entrar em um mundo desconhecido ou em mundo por demais conhecido, um mundo encantador, que nos cause aflição ou encantamento, que nos faça sonhar ou nos cause medo, que nos faça viajar para uma vida diferente da nossa, melhor ou pior, que nos mostre o amor ou a guerra. Contar histórias é dar asas para alma, fazê-la voar para além dos limites do nosso olhar.

Ah, e quando se é capaz de se escrever uma história? Criar novos universos, pessoas, cidades, situações, conflitos, amores, inimigos e saber que alguém vai ler, encenar, filmar, convidar a viajar pela nossa criação. Ah, isso não tem preço para quem gosta de contar histórias! Todo escritor é um grande contador de histórias, mesmo que o faça somente através do papel.

O problema é que existem alguns jovens que precisam entender que mesmo que todos possam contar histórias, é preciso saber que para contar histórias através de romances, peças de teatro, roteiros de filmes ou de televisão, não basta gostar de contar histórias, tem de aprender o jeito de como contar essas histórias. Caso o contrário é melhor contá-las através da fala.

Vejo muita gente interessada em escrever novelas e se preocupam apenas em escrever sinopses. Sinopses nunca serão histórias. Sinopses serão apenas planos de histórias que temos para contar. É preciso saber que para ser um contador de história através do papel deve-se, antes de qualquer coisa, gostar de ler e de escrever. E, acima de tudo, buscar aprender como é que se faz, senão nunca será um verdadeiro contador de histórias.

Então respondam: Quem não gosta de contar uma história? Portanto é preciso ter a consciência que há caminhos a serem percorridos, técnicas a serem apuradas, experiências a serem experimentadas, histórias a serem lidas, romances a serem vividos, dores a serem sentidas e muita vida a ser vivida para poder ter muitas histórias para contar, porque a arte de contar histórias, essa nunca morrerá!


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