O poder encantador da natureza

julho 21, 2017

Quem se atreveria, em plena viagem de férias, acordar antes das cinco horas da manhã e embarcar em um micro-ônibus, em que mal cabiam as pernas entre os bancos, sem banheiro, para percorrer um trajeto de mais de cinco horas de viagem, contando só o percurso de ida, atravessando, do litoral até o fim do sertão nordestino alagoano, apenas para visitar uma beleza natural? Eu fiz isso. E como é encantador o poder da natureza.

Ainda sonolento entrei no micro-ônibus numa escuridão só, me ajeitei no banco, guardei os braços encostados ao corpo para não incomodar minha esposa que viajava ao meu lado, encolhi o máximo que pude as pernas, para que elas não ficassem roçando no encosto no banco da frente, recostei minha cabeça no encosto do banco e puxei uma soneca, pois a viagem seria longa e eu nem sabia se valeria à pena. Mas como valeu.

Já próximo ao destino final da viagem, a natureza já nos brindaria com seu belo cartão de visita, até o sertão estava verde, como há tempos não se via por aquelas bandas, os mandacarus em flor, serviam de “guardrail” para a estrada pequena de mão dupla e logo nos foi possível avistar as águas do São Francisco com toda a sua imensidão. Até mesmo a intervenção do homem, que instalou ali uma hidro elétrica, deixou tudo ainda mais bonito.

Mas, o melhor de tudo ainda estava por vir, àquela altura já não mais me arrependera de madrugar em plenas férias para fazer um passeio tão longo, o poder encantador da natureza já tinha me tomado, os olhos riam mais do que os lábios, admirando tudo o que estava em minha volta. Confesso que fui surpreendido, não esperava tamanha beleza encravada entre o sertão sergipano e o alagoano. Mas fui, e como fui!

E não fui só eu, mas, algumas centenas de pessoas, que também acordaram antes do sol nascer, em plenas férias, estavam ansiosas para poder visitar aquele lugar. Mas, aquilo que já me parecia ser tão lindo, ganhou ares de maravilhoso, quando embarcamos todos em um catamarã, que atracou em uma das encostas de um grande lago, que se formou quando o Rio São Francisco fora represado pela construção da hidro elétrica. E tudo se revelou.

Aos poucos, o catamarã foi se afastando da margem e adentrando nas águas tranquilas do rio, que na verdade, mais parecia um mar de tão grande, e o quê já havia se tornado maravilhoso se tornou encantador, quando o barco começou a cortar as águas de forma sinuosa, desvendando de uma vez por todas, os “cânions” do Rio São Francisco, com aqueles imensos paredões, desenhados por conta e obra da natureza, tudo aquilo simplesmente me calou.

Ainda estava ali, embasbacado com toda aquela beleza natural, que nem mais me importei de ter levantado tão cedo, nem mesmo me preocupei como o cansaço que viria por ter de viajar novamente, com as pernas encolhidas, em um micro-ônibus sem banheiro, por mais de cinco horas. Ainda bem que concordei com a minha esposa em fazer aquele passeio, senão, jamais ter conhecido, assim de perto, o poder encantador da natureza.


A máquina do tempo

julho 7, 2017

Essa é mais uma aventura daquelas, vocês nem vão acreditar! Aposto que ainda vai ter um monte de gente que vai achar que eu estou mentido, só que a Joana e o Paulinho podem confirmar tudinho pra vocês. Foi assim ó:

Teve um fim de semana que eu, a Joana e o Paulinho fomos visitar o avô da Joana, seu Nestor, ele é muito legal, está sempre inventando uma porção de coisas esquisitas, parece até um cientista. Na casa dele tem um chuveiro que desliga sozinho quando a gente sai para se secar, tem um vaso que rega as plantas, sozinho, quando a gente vai lá na casa dele é sempre a maior diversão.

Só que naquele dia, a gente viveu uma aventura de verdade! O seu Nestor estava montado uma máquina esquisita, era uma geladeira vazia por dentro, não tinha nem prateleiras, tinha uma porta de vidro e dentro da geladeira tinha uns botões igual aos de um elevador, Seu Nestor entrava e saía, digitava os botões, saía, depois entrava de novo. E a gente ali, na maior curiosidade.

– Vô, que é isso?

– Uma máquina do tempo, Joana!

– Não acredito!

– Verdade?

Seu Nestor entrou na geladeira e começou a digitar novamente os botões.

– Vocês querem viajar comigo?

– E não é perigoso, vô?

– Deixa de ser medrosa, Joana!

– Eu quero! Vai ser a maior aventura.

Todo mundo entrou naquela geladeira, tava tão apertado que nem dava para respirar direito.

– Tá apertado aqui!

– Não pisa no meu pé, Paulinho!

– Estão todos preparados?

Então, seu Nestor digitou novamente os botões e, de repente, começou acender e apagar a luz de dentro da geladeira, fazer um barulho, muita fumaça e puft. Quando a gente abriu a geladeira, não estava mais na casa do avô da Joana.

– Onde a gente ta, vô?

– Se meus cálculos deram certo, estamos no passado, minha filha! No passado!

– Não acredito!

É, a gente devia estar mesmo no passado, pois tinha um monte de gente vestida com umas roupas engraçadas. Vocês não acreditam, a gente tinha mesmo viajado para passado. Fomos parar no ano de mil, novecentos e sessenta. Eu vi a data em algum lugar, não lembro agora aonde foi.

– Agora chegou a hora de acertar as contas com você, Rubão!

– Quem é esse Rubão, vô?

– A pessoa que roubou meu invento e não deixou que eu me tornasse um grande cientista.

– Não acredito!

– Agora vamos! Precisamos chegar ao laboratório antes que ele pegue o meu invento e me passe para trás.

Saímos correndo pelas ruas que estavam vazias, parecia até feriado de tão pouco carro que a gente via. Corremos, coremos e chegamos a uma escola. Devia ser a escola que o avô da Joana estudava. Agora era só achar o laboratório. Foi aí que a gente viu o avô da Joana mais novo, conversando com a avó da Joana mais nova. Seu Nestor ficou paralisado. A gente chamava e ele não ouvia.

Então, eu olhei para o Paulinho, que o olhou para Joana e, código decifrado, achar o laboratório e ajudar o seu Nestor, agora era tarefa nossa. A gente se separou, eu e a Joana fomos por um lado e o Paulinho foi para o outro. Andamos por toda aquela escola, que era grande, viu? Até que encontramos uma sala. Quando entramos, era o auditório onde seriam apresentadas às experiências e não deixaram mais a gente sair. Agora era torcer para que o Paulinho tenha conseguido.

Não demorou muito, subiu no palco uma mulher, com a roupa da minha avó, com os óculos na minha avó, eu e a Joana começamos a dar risada, rimos tão alto que a mulher até brigou com a gente como fosse a nossa diretora e mandou a gente ficar quieta. Nisso, chega o Paulinho e se senta do nosso lado.

– Pronto, já resolvi o problema.

– O que você fez, hein, Paulinho?

– Não vai prejudicar o meu avô, né?

– Espera que vocês vão ver.

Começou a demonstração das invenções, umas bem legais, outras, um fracasso. Aí a mulher chamou o Rubens para fazer a apresentação de seu projeto, bem na hora que o avô da Joana entrou na sala. Quando o Rubens foi ligar um botão, tudo explodiu e a cara dele ficou toda preta. Olhamos para o Paulinho e demos a maior risada. Seu Nestor ficou contente.

– Vamos crianças, temos que voltar, o tempo está acabando. Agora que a invenção do Rubão deu errada, posso voltar tranquilo.

– Eu preciso ir ao banheiro, encontro vocês na geladeira.

– Não vai demorar, hein Helena?

– É rapidinho!

– Só temos dez minutos, se não voltarmos, ficaremos presos aqui no passado para sempre.

Mas eu ainda tinha uma última coisa para fazer, o seu Nestor precisava ser um cientista famoso. Ele iria ficar bem feliz da vida. Então, tive uma ideia, escrevi uma carta com a data em que o seu Nestor iria inventar a máquina do tempo no futuro e entreguei no correio para ser enviada para uma rede de televisão. Tinha certeza que isso daria certo. Vi isso num filme.

E quase não deu tempo para eu chegar, a Joana me puxou para dentro da máquina do tempo bem na hora que o seu Nestor já apertava os botões programando a nossa volta. De repente, começou acender e apagar a luz de dentro da geladeira, fazer um barulho, muita fumaça e puft. Quando a gente abriu a geladeira, estava de novo na casa do avô da Joana.

Quando a gente saiu, tinha um monte de jornalista, um monte de rede de televisão esperando o seu Nestor. Todos queriam uma entrevista com o grande inventor que tinha acabado de inventar a máquina do tempo. A Joana olhou pra mim, o Paulinho olhou pra mim e o seu Nestor saiu feliz da vida em direção aos repórteres.

– O que você fez, hein Helena?

– Eu só dei uma forcinha!

E foi assim que o avô da Joana se tornou um grande cientista famoso, como ele sempre quis.


O TEMPO

junho 23, 2017

Queremos dominar o tempo

Ser o seu senhor supremo

Dizer em que tempo tudo acontece

Dizer em que tempo se merece

Queremos no nosso tempo

Queremos tudo no agora

Como o tempo fosse à nossa hora

Queremos tudo sem demora

Reclamamos se o tempo passa

E nos deixa no mesmo lugar

Como o tempo nos impedisse de andar

Como o tempo fosse sempre o culpado

Culpamos o tempo por tudo

Queremos parar o tempo

Eternizá-lo apenas em um momento

Mas o tempo é pensamento

Ele nunca para

Não para por nada

Nem que todo o mundo queira

Nem por qualquer besteira

Nem mesmo por nossa vontade

O tempo nos traz a idade

E com ela toda a sabedoria

O tempo é o melhor conselheiro

Talvez só encontre a felicidade

Aquele que o entenda primeiro.


Vida malvada

maio 19, 2017

A vida nunca foi fácil, mas para algumas pessoas a vida sempre foi mais difícil de que para outras. Getúlia chegou a cidade de São Paulo para trabalhar como empregada doméstica na casa dos patrões de seu tio, o motorista da casa. Menina ainda chegou cheia de timidez e recato, tinha medo até de abrir a boca. Com o tempo ela foi se soltando e já se mostrava feliz e agradecida por ter fugido da seca nordestina que levou embora quatro de seus irmãos.

Só que o destino, como sempre cheio de armadilhas que não conhecemos, virou a vida de Getúlia de cabeça para baixo, em um acidente automobilístico, ela perdeu de uma só vez o tio, os patrões e o emprego e se viu sozinha no meio daquela desgraça toda que, só não foi maior, porque àquela altura, Getúlia já namorava com Otávio, que a acolheu e a consolou nas horas mais difíceis que passou.

Otávio trabalhava como zelador em um edifício vizinho da casa em que Getúlia trabalhava, de conversa em conversa foram se conhecendo e acabaram por namorar e no momento de maior desespero e desesperança de Getúlia, Otávio a pediu em casamento e os dois foram morar no pequeno apartamento que Otávio morava na cobertura do edifício em que trabalhava. A vida começava a sorrir novamente para Getúlia.

Mas, Getúlia veio para essa vida para sofrer, nada era tranquilo na vida da coitada, que até já vivia uma vida feliz com Otávio, já tinha conseguido trabalho, (fazia algumas faxinas nos apartamentos do edifício em que morava) tudo aquilo já deixava Getúlia olhar para vida com olhos de felicidade, até que seu marido Otávio é demitido. E naquela hora ficaram os dois ali, sem trabalho, sem moradia, sem dinheiro, sem esperança.

Otávio não se desesperou como Getúlia e tratou logo de tomar as rédeas da situação, com o pouco dinheiro que recebeu e as poucas faxinas que Getúlia ainda conseguia fazer, arrumou um quartinho para alugar e lá se foram os dois tentar arrumar a vida novamente. Como a situação do país piorou, Getúlia foi perdendo uma a uma as suas faxinas e Otávio, esse já estava há mais de um ano sem conseguir trabalho. Pronto, sem dinheiro, acabaram por ser despejados.

Ali, outra vez na rua, perdidos, Getúlia e Otávio só tinham um ao outro para atravessar aquele vendaval. Mais uma vez sem esperanças e com a certeza de não conseguir nenhum trabalho na cidade, Otávio foi com a mulher Getúlia se juntar ao Movimento dos Sem Terra na tentativa de conseguir um pedacinho de chão para recomeçar a vida. No assentamento, apesar de muita pobreza, aos poucos as coisas foram se encaixando, ainda que não tivessem empregos, nem salários, as doações que recebiam e um canto para dormir já bastavam.

Foram anos e anos caminhando por esse país afora, na esperança de encontrar um lugar para fincar pé. Otávio persistia, Getúlia ainda mantinha a fé e no meio daquilo tudo, Getúlia acabou ficando grávida. Um sopro de felicidade no meio daquela vida sofrida, pois uma criança sempre traz o prenúncio de boas novas. Otávio tratou de se chegar mais perto dos chefes do movimento, na tentativa de agilizar a possibilidade de encontrarem logo um pedacinho de terra para ficarem em paz.

Como a vida de Getúlia nunca foi realmente fácil, uma nova reviravolta a deixou de vez sem esperança. Justo naquela hora que estava tudo resolvido pelo líder do movimento, na nova invasão, Otávio e Getúlia iriam ganhar seu pedaço de chão e deixariam de vez o movimento para trás. Começariam uma vida nova, pai, mãe, filho e um pedaço de terra para serem feliz.

Mas, quis o destino, que bem na hora da invasão, Getúlia entrasse em trabalho de parto e viesse a parir o filho, sozinha, e, na naquele momento sublime de felicidade em que vivia, no instante em que a vida parecia querer lhe fazer feliz, ela, com o filho nos braços, vê o marido Otávio voltar cambaleante para cair aos seus pés, ferido de morte.


Rei Amigo!?

abril 20, 2017

Havia um reino não muito distante, em que as belezas naturais encantavam, seu povo era alegre e festeiro e que era governado por um Rei Fanfarrão, que gostava de contar vantagens, falar bravatas, tomar umas cachaças e fazia questão de demonstrar que, como nascera plebeu, mantinha-se como um plebeu, mesmo apesar da posição que ocupava. Uma parte do povo sempre torceu o nariz para ele, mas a maior o idolatrava. Era o Rei Amigo!

Um dia, o Rei saiu do poder, pois naquele lugar os Reis não eram eternos, mas, popular com nenhum outro, conseguiu colocar em seu lugar, uma companheira de batalhas. No começo, ainda que ressabiado, o povo a acolheu e ela governava com certa paz. Só que surgiram boatos e conversas nos corredores dos porões do palácio do envolvimento do antigo Rei em atos ilícitos, de que o Rei não passava de um bom vivant e que cobrava benesses de apoiadores do governo.

O clima ficou muito tenso naquele reino e o então Grão Vizir, até aquele momento aliado da companheira do antigo Rei, tratou de tirá-la do poder e assumir o posto de Rei, na tentativa de abafar os escândalos que respingavam em todos daquele governo. O reino ficou abalado e o povo dividido, uma parte apostava que o antigo Rei era o chefe daquela roubalheira, já a outra parte, o apoiava, incondicionalmente. A prisão dos investidores do reino, trouxer à tona, toda farsa.

E a toda hora chegavam mais informações de quanto aquele reino estava empesteado de corrupção em todos os seus poderes. Com as denúncias e as prisões dos responsáveis pela empresa que financiava as falcatruas, o cerco foi se fechando em torno do antigo Rei e todos os companheiros que formaram os seus governos. O Rei amigo havia se tornado o inimigo número um de uma boa parte do povo daquele reino.

Mas, fanfarrão como ele só, o antigo Rei se esquivava das acusações de envolvimento de enriquecimento ilícito e de comandar a corrupção daquele reino, argumentando que entrou no poder sem nada e saiu sem nada; que a casa em que habitava, era de um amigo, a estância em que buscava refúgio, era de um amigo, o chatô à beira mar, era de um amigo e, com isso, o velho Rei tentava iludir o povo, uns tinha a certeza absoluta de sua culpa, enquanto outros não duvidavam das palavras de seu Rei.

O tempo foi passando e os juízes daquele reino conseguiram fazer com que os empresários corruptos que compraram o reino, resolvessem abrir a boca e entregar provas do esquema de corrupção, em troca do abrandamento de suas penas. Entre as provas e os testemunhos, surgiu uma lista com alcunhas que escondiam os seus verdadeiros donos e uma delas, em especial, cuja denominação era amigo, era apontada como a usada para identificar o antigo Rei.

Era mesmo um fanfarrão aquele Rei, usava a própria alcunha com a qual era chamado pelos seus parceiros de corrupção, para se safar das acusações de crimes e da pena de não poder jamais retornar ao poder daquele reino. Uma parte do povo não tinha mais dúvidas que o antigo Rei não passava de um larápio da pior espécie, um enganador que se dizia plebeu, mas que enriqueceu de forma ilegal, mas, uma outra parte acreditava que tudo não passava de uma perseguição desleal contra aquele que fora o maior Rei daquele lugar.

Mas, a única certeza que todos tinham naquele lugar, que o antigo Rei era de fato o amigo, para uns, um velho amigo do peito, mas para a maioria, um verdadeiro amigo da onça.


O Amor e a Paz

abril 13, 2017

A raiva e o ódio uniram forças

E de tanto infernizarem

Contaminaram as almas para guerra

E agora, sobre a Terra

Só se vê violência

Nem mesmo a inocência da criança

É capaz de sair ilesa

E assim, sem defesa

Agarramo-nos em oração

Espero que nada nos aconteça

Torcendo para que a esperança

Em uma nova alvorada, amanheça

Sob as bênçãos do amor e da paz


EM NOME DO PAI

março 17, 2017

EM NOME DO PAI, DO FILHO

DO ESPÍRITO SANTO ATEU

DE UM LADO TEM UM ÁRABE

DO OUTRO UM JUDEU

A TERRA É SANTA

A GUERRA E TANTA

A FÉ É DEMAIS

MAS QUEM TEM RAZÃO?

QUEM VAI ENXUGAR

AS LÁGRIMAS DE SANGUE

DA MÃE QUE CHORA

AO VER SEU FILHO EXPLODIR

EM NOME DO PAI?

EM NOME DE DEUS?

EM NOME DE ALÁ?

EM NOME DE ALGUÉM?

 

SEJA LÁ QUAL FOR

ALÁ, BUDA OU MAOMÉ

DEUS PAI, MESSIAS, OXALÁ

A VIDA VALE MAIS QUE A FÉ

QUE MANDA MATAR

OS FILHOS DA TERRA SANTA

EM NOME DO PAI!

EM NOME DE DEUS!

EM NOME DE ALÁ1

EM NOME DE ALGUÉM!

MAS QUEM TEM RAZÃO?

QUEM VAI SE IMPORTAR

COM AS LÁGRIMAS DE SANGUE

DAS MÃES QUE CHORAM

PELA TELA DA TELEVISÃO?


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