VIVER É ASSIM

julho 13, 2018

A corda é bamba

E nos faz sambar

Nesse balanço

A gente caminha

Às vezes, desespero

Ás vezes, calmaria

A fé como farol

Orienta os passos

Que incertos,

Cheios de medo

Nos fazem recuar

Mas é preciso ir

Enfrentar os problemas

Resolver os dilemas,

Nem sempre são fáceis

Se quer fugir

Ignorar tudo

Para não sofrer

Mas, sofrer é preciso

Aprender também

E ainda que corda balance

Parecendo que vamos cair

Não podemos recuar

É preciso coragem

É preciso paciência

É preciso equilíbrio

Pois viver é assim

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O Amor caiu do céu

junho 22, 2018

Oi gente, hoje vou contar pra vocês uma aventura apaixonante. Vocês podem até achar que estou inventando isso, mas a Joana, o Paulinho e a Talita estão aí de prova pra dizer que tudo isso aconteceu de verdade. Vou contar pra vocês como tudo começou:

Eu, a Joana, o Paulinho e a Talita marcamos de fazer um piquenique lá no terreno do seu Zé da farmácia, eu e a Joana chegamos primeiro e abrimos a toalha bem embaixo da caramboleira, que é a maior árvore que tem no terreno do seu Zé, quando de repente: – Tibum! Caiu alguma coisa do céu do outro lado da árvore. Vocês não imaginam o que foi que caiu.

– Um anjo, Joana!

– Um anjo caiu do céu, Helena!

Eu a Joana corremos pra ajudá-lo. Ele ainda está meio tonto, tentou voar de novo, mas não conseguiu. Tinha quebrando uma de suas asas.

– Droga, quebrou a minha asa! E agora?

Eu olhei pra Joana, a Joana olhou pra mim.

– Você é um anjo de verdade! Falamos a duas juntas.

– Sou o Eros, o anjo do amor!

– Eros? Perguntou a Joana.

– Cúpido! Você é o cúpido?

Tinha visto num livro na escola sobre as lendas gregas que Eros era o nome do cúpido. Aquele que fica atirando flechas pra todo mundo ficar apaixonado um pelo o outro. E não era que era ele mesmo? O amor tinha caindo do céu, bem ali no meio do nosso piquenique e tinha quebrado uma das asas.

– Será que vocês podem me ajudar a consertar a minha asa? Tenho muito amor para distribuir pelo mundo e não posso ficar aqui parado muito tempo.

Eu olhei para a Joana, a Joana olhou pra mim.

– Eu não acredito! Falamos as duas juntas.

– Vocês podem ou não podem me ajudar a consertar a minha asa?

Como a gente não ia ajudar o amor? Então foi que lembrei que a avó da Joana podia fazer uma asa novinha para o Eros com as penas das galinhas que ela tinha lá no galinheiro da casa dela. Saímos as duas voando no terreno e fomos direto para a casa da avó da Joana. Pedimos para que o cúpido ficasse escondido para que mais ninguém o visse por ali.

Só que quando a gente saiu, o Paulinho chegou e viu em cima da toalha, a cesta com as flechas do cúpido que ele se esqueceu de pegar. E o quê fez o Paulinho? Saiu atirando aquelas flechas para o ar, até que uma acertou de cheio, bem no peito da Talita que vinha chegando para o nosso piquenique.

Quando voltamos com a nova asa do cúpido, encontramos a Talita correndo atrás do Paulinho em volta da árvore.

– Vem cá, Paulinho, me dá um beijo!

– Sai pra lá, Talita!

– Eu amo você! Vem, meu cabelinho de molinha!

– Para com isso, Talita.

Logo pensamos que o cúpido tinha aprontado alguma coisa.

– Seu anjo, pode sair do esconderijo agora! Gritei, chamando por ele.

O Eros saiu de trás de uns caixotes que tinham no fundo do terreno já avisando que não tinha nada a ver com aquilo.

– Eu não fiz nada! Foi ele que pegou as minhas flechas e começou a atirar para todos os lados e acabou acertando aquela menina. A Talita estava lá, com aquela cara de boba, olhando para o Paulinho e suspirando. Argh!!

– Seu cúpido, conseguimos arrumar a sua asa, agora você já pode espalhar o amor pelo mundo e deixar a gente fazer o nosso piquenique. Só que antes de ir embora, faz um favor de desfazer esse feitiço, porque não vai dar pra aguentar a Talita desse jeito, toda apaixonada pelo Paulinho!

Enquanto eu e a Joana conversávamos com o anjo, a Talita pegou o Paulinho distraído e o agarrou, e depois começou abraçar, beijar, o Paulinho tentava se soltar, mas não conseguia, quanto mais ele tentava se soltar, mais a Talita o agarrava.

– Olha só aquilo, Helena?

– Pode deixar que vou dar um jeito nisso.

Foi então que o anjo colocou a asa feita com penas de galinha pela avó de Joana, pelou sua cesta de flechas, subiu em cima da caramboleira e espalhou um pózinho sobre a cabeça de Talita e depois saiu voando, todo alegre.

– Ei, porque você tá me agarrando, Paulinho? Perguntou a Talita.

– Eu não! Era você que estava me agarrando, Talita!

A Talita se soltou de Paulinho e o empurrou com tanta força que ele caiu em cima da cesta do piquenique, espalhando todas as nossas coisas no chão. No final, nem acabamos fazendo piquenique nenhum, pois a Talita foi embora cheia de raiva do Paulinho, sem saber que tudo aquilo só aconteceu porque o Amor caiu do céu!


PASSAGEIROS

junho 8, 2018

Na vida, tudo passa

Passa a dor do desamor

Passa a vontade de chorar

Passa a sede

Passa a fome

Passa a mentira

Passa a verdade

Passa a desgraça

Passa o momento de graça

Passa a tristeza

Passa a melancolia

Passa a dor de quem se foi

Passa a falta de sorte

Passa também a sorte

Passa o sucesso

Passa o fracasso

Passa a falta de vontade

Passa a coragem

Passa o medo

Passa o problema

Passa a solução do dilema

Passa o quê se viveu

Passa o quê não se quis viver

Passa o quê foi perdido

Passa o quê era amor

Passa quem já foi amigo

Passa o desejo

Passa o lamento

Passa o constrangimento

Passa a arrogância

Passa a generosidade

Passa o quê se perdeu

Passa o quê se ganhou

Passa o quê era para vida inteira

Passa tudo de qualquer maneira

Passa o quê se fez de mau

Passa o quê se fez de bom

Passa a alegria

Passa a felicidade

Passa um dia de sol

Passa um dia de chuva

Passa o calor

Passa o frio

Passa a tempestade

Passa toda bonança

Passa, tudo na vida passa

E um dia, todos nós passaremos

Pois somos passageiros

Estamos de passagem

Ainda que alguns duvidem

Que a vida seja só uma viagem!


Quando não se tem o quê comemorar

maio 11, 2018

Azeitona deve ter um pouco mais de oito anos, está sempre circulando pela porta do supermercado atrás de arranjar um trocadinho ajudando senhoras a levar e guardar suas compras em seus carros. Volta e meia o gerente do mercado coloca o neguinho pra correr por achar que ele perturba demais os clientes, mas Azeitona sempre volta. Volta porque não tem para aonde ir, ele vive e dorme nas redondezas daquele mercado.

Azeitona não sabe ler, nunca frequentou a escola, mas é muito esperto, aprendeu a contar sozinho, lei da sobrevivência, precisa saber quanto de dinheiro fatura, para saber o quanto pode gastar para comer. Azeitona é um menino bom, embora olhos preconceituosos sempre o olham torto quando ele se aproxima para oferecer a sua ajuda. Não reclama quando não consegue, aprendeu que na vida sempre recebe mais não do quê sim.

Azeitona também aprendeu logo cedo a não se misturar com os outros meninos de rua, sabe que eles nunca serão seus amigos, sofreu desde cedo a dor do assédio de outros meninos no orfanato em foi deixado ainda bebê e de onde fugiu por não aguentar mais tanto sofrimento. Na rua também sofre, de fome, de frio, de solidão, mas ele acha que assim é melhor. Não sabe que não é. Ele acha que, só por eu sempre aparece uma alma para lhe dar alguma coisa, tudo sempre fica bem.

Azeitona tem um sorriso largo, contagiante, que sai daquela boca grande, de dentes amarelados, alguns não sabem de onde vem tamanha felicidade de quem não tem nada, nem ninguém. Azeitona é apenas um menino que ainda não perdeu a inocência de criança, que se distrai olhando as figuras coloridas dos folhetos do supermercado e que brinca de carrinho com uma garrafa pet, puxada por um barbante pelo estacionamento. Azeitona ainda sabe pouco da vida.

Azeitona só fica triste mesmo, é em datas comemorativas, às vezes, nesses dias, ele até não aparece pelo supermercado, mesmo sabendo que podia faturar um bom dinheirinho. Azeitona ainda chora em noites escuras e em dias felizes, pois sabe que não ganhará presentes, não ganhará abraços, não ganhará nada. Mas, o quê mais Azeitona sente falta, é de não ter mãe, aliás, de nem saber se ela morreu, ou se ela apenas não quis ficar com ele. Azeitona às vezes até pede para poder chamar algumas senhoras de mãe.

Azeitona só não gosta mesmo, é do Dia das Mães, nesse dia ele se transforma, o menino alegre e risonho, dá passagem ao menino que inveja às crianças que abraçam felizes as suas mães, que lhes dão presentes… Chega até a odiar as senhoras que ele chama de mãe no supermercado, só por elas terem seus próprios filhos. Azeitona sofre. Somente essa dor é maior que a dor dos assédios sofrido no orfanato. Azeitona não sabe como aguenta tanta dor dentro o peito, só aprendeu que depois que o outro dia chega, tudo passa, todo ano é assim e ele sabe que nunca terá o quê comemorar.


A DOR DA GUERRA

abril 20, 2018

A dor da guerra

Corta o coração da gente

Atinge só o inocente

Devasta toda cidade

 

A dor da guerra

Causa a mutilação

Só traz a destruição

Acaba com a felicidade

 

A dor da guerra

Atinge o fundo da alma

Deixando só trauma

Por onde ela passa

 

A dor da guerra

Nunca terá cura

É feito noite escura

Sem lua, sem graça

 

A dor da guerra

É o fim da flor

É um ataque ao amor

Por poder e vaidade

 

A dor da guerra

São lágrimas no rosto

Um amargo gosto

Esperando por piedade

 

A dor da guerra

Deixa órfã a criança

Põe um fim na esperança

Não deixa mais nada

 

A dor da guerra

É vida interrompida

Cicatriz e ferida

É o fim da estrada

 

A dor da guerra

É pra toda eternidade

Só deixa uma saudade

Que nunca acaba.


Eu te perdoo

março 30, 2018

Eu te perdoo

Por discordar das minhas opiniões

Por não aceitar as minhas escolhas

Por achar que estou errado

Por querer impor os seus gostos,

O seu jeito e os seus gestos

Por querer impor as suas vontades,

As suas verdades, os seus pensamentos

Eu te perdoo

Por não admitir-se equivocado

Por achar inocente, um culpado

Por preferir acreditar em mentiras

Por querer impor seus pontos de vistas,

Suas convicções e sua ideologia

Por querer que aceite as suas certezas

E suas ideias ultrapassadas

Eu te perdoo

Por essa sua cegueira

Por essa sua cabeça dura

Por toda essa ilusão

Por se recusar a negar

Que aquele seu grande herói

Sempre foi um grande vilão.



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