A paz que não temos

maio 5, 2017

Lá se vai ao longe, o tempo em que a paz se fazia presente entre nós, já não se pode mais ter a calmaria de uma rede a balançar no final de uma tarde preguiçosa, sem nem se preocupar com o amanhã, pois, a violência que ainda ontem apenas nos espreitava em esquinas mal iluminadas de noites escuras, hoje já nos ataca em plena luz do dia, sem medo das conseqüências, sem piedade da nossa alma, sem se importar se destroçará uma família, sem dó!

Lá se vai ao longe, o tempo das cadeiras nas calçadas em noites abafadas de tantos verões, ninguém tem mais coragem de se debruçar sobre o muro, apenas para ver o movimento do vai e vem das pessoas, pois todos passam apressados a passos largos em direção às suas casas, com o medo estampado no rosto e o coração palpitando dentro do peito, pedindo proteção a todos os santos para que nenhuma bala perdida lhe cruze o caminho.

Lá se vai ao longe, o tempo de crianças brincando inocente pelas ruas até a chegada da noite, já não há mais vidraças quebradas por bolas chutadas em peladas de pernas de pau, não há mais pega-pega, não há mais esconde-esconde, o que há ainda, é polícia e ladrão, só que não mais a brincadeira inocente de outra, agora a caçada real e violenta, uma guerra urbana que aumenta a cada dia e que parece não ter fim.

Lá se vai ao longe, já quase não se vê a paz, hoje a intolerância travestiu o ser humano e passou a dar as cartas pelos quatro cantos do mundo, não há um único lugar seguro, não há espaço nem mesmo para esperança, pois o ódio invadiu os corações de pessoas que não se importam com a vida, nem mesmo as próprias, pois são capazes de explodirem pelos ares com artefatos bélicos enrolados no próprio corpo, arrastando quem tiver no caminho.

Lá se vai ao longe, o tempo em que se podia viver sem que o medo levanta-se conosco todas as manhãs e nos acompanhasse por todo dia, até nos trazer de voltar para o nosso lar, para que assistamos em nossas TVs, a violência encurralando a paz em plena luz do dia, tingindo as ruas de sangue, matando pouco a pouco a esperança, nos fazendo querer desligar do mundo real para encontrar em um canto qualquer, nem que seja um pouquinho da paz.

Lá se vai ao longe a paz, e parece ir cada vez mais longe, tão longe que cada vez fica mais difícil correr para alcançá-la, pois quanto mais nos trancamos atrás das grades das nossas prisões, mais a violência aumenta o seu tamanho, se agiganta, de tal forma, que nos falta coragem de arriscarmos as nossas vidas com medo da morte por um assalto a mão armada, por um seqüestro relâmpago, por um estupro, por uma bala perdida e cada dia ficamos mais sem saída, mais sem vida, mais longe da paz.


A difícil tarefa de subir a nossa escada

março 3, 2017

Às vezes, penso que não vou conseguir, na cabeça, um turbilhão de pensamentos positivos e negativos, se digladiam em uma luta feroz; os olhos buscam o fim da escada, mas só vejo degraus e mais degraus para serem subidos; o corpo, mais envelhecido, já dá sinais que a tarefa está cada vez mais difícil. Mas, aquilo que alimenta o coração, ainda continua a despejar o combustível que me faz resistir ao cansaço e seguir o meu caminho.

É preciso prosseguir, até porque, ninguém conhece os mistérios da vida e, talvez, uma escada tão grande, seja necessária para oxigenar as buscas efêmeras que nos desviam daquilo que realmente nos trouxe aqui. Muitas vezes, nos perdemos por querer o objetivo como troféu, como um prêmio por nossa persistência, quando, na verdade, o alcance dos objetivos é a consequência de todo o esforço usado na subida de nossa escada.

Muitas vezes sonhamos em ter asas para chegar mais rápido no pico mais alto que queremos alcançar, outras tantas, buscamos subir as escadas, correndo, ou pulando vários degraus de uma só vez, pensando em atingir os nossos objetivos e, enfim, poder descansar da caminhada difícil. Mas, como querer descansar se o quê se quer só vai realmente começar de fato, quando chegarmos ao nosso objetivo?

Não foram poucas às vezes que sai correndo escada acima, pulando vários degraus, no afã de chegar mais rápido, mas isso me resultou em vários tombos que, com certeza, atrasaram ainda mais a minha escalada. Muitos me falaram para subir com calma, que de nada adiantava a pressa, mas para mim, o mais importante era me livrar logo da minha escada. Hoje sei que de nada adiantou a minha pressa.

Perdi muita coisa na minha escala, pois tive que parar minha subida para tratar dos meus hematomas e até recuperar o fôlego para retomar a caminhada, foram dias e noites de muito sentimento de culpa. Aos poucos, entendi que devagar também se vai ao longe e reaprendi que só se sobe degrau por degrau. Agora tenho certeza que voltei firme a minha subida e sei que estou cada vez mais perto do quero para mim.

Assim, apesar da dificuldade da subida, sei que não há problema nenhum fazer paradas estratégicas e até mesmo descer uns degraus para ganhar novo impulso, pois, o mais importante é continuar a minha subida, pacientemente, deixando que os mistérios da vida sem encarreguem de abreviar ou não a minha subida em direção aos meus objetivos. Sei que tem dias que o cansaço vai tentar me impedir, mas a convicção daquilo que está no coração, me empurra para cima, todos os dias.


Confiando no Tempo

janeiro 6, 2017

Toda vez que um ano vira, são promessas feitas, expectativas de coisas melhores, pensamento de mudanças, a gente aspira alcançar cada um dos objetivos que não foram alcançados no ano que passou, mas, este ano decidi que não vou deixar a ansiedade conduzir meus passos atrás de um futuro que ainda não se fez, vou apenas respirar fundo todas as manhãs e confiar no Tempo, talvez assim as coisas aconteçam sem eu nem esperar.

É como bem sabemos, tudo acontece no seu devido tempo, só que insistimos em carregar nossas mentes de expectativas, querendo que a vida nos leve para onde desejamos, e, por mais que tenhamos nas mãos as rédeas do nosso destino, nem sempre conseguimos chegar perto daquilo que tanto queremos, pois, somente o Tempo é capaz de nos levar até lá. Com o Tempo, tudo se encaixa de um jeito que jamais conseguiríamos.

É claro que devemos planejar nossos passos, mapear nossa jornada, mas de nada adianta espernearmos feito criança mimada, pois só teremos nas mãos aquilo que almejamos, no Tempo certo. Não somos tão poderosos quanto imaginamos para fazer que tudo aconteça no nosso tempo, as coisas tendem a fluir com mais naturalidade quando apenas colocamos o pé na estrada e aproveitamos a paisagem.

Perdemos dias inteiros, ansiosos com resultados que não existem ainda, isso, tanto para o bem, quanto para mal, às vezes, perdemos noites inteiras de sono, buscando soluções para problemas que ainda não aconteceram e que talvez, nem aconteçam, ao invés de repousarmos a mente para que ela esteja leve e livre para decidir quanto chegar o Tempo certo das coisas. A ansiedade atrapalha muito mais a nossa viagem do que a espera pelo tempo que nos traga o quê queremos.

O Tempo passa e não adianta perdê-lo com insatisfações, com frustrações, com ilusões, por isso, aquilo que mais desejo neste ano que começa, é poder ter a sabedoria de aprender a confiar no Tempo, só ele nos traz as mudanças que almejamos, nunca cedo demais, nunca tarde demais, na hora exata em que estamos realmente preparados para recebê-las. Às vezes queremos tanto mudar, e repetimos que não mudamos porque não temos tempo.

Portanto, pé na estrada, fé no que virá, esperança renovada e paciência para esperar o Tempo certo das coisas, até porque Saturno estará à frente de tudo. Portanto, é hora de me preparar, refazer rotas, planejar estratégias e viver a vida do jeito que ela me levar, pois, se tudo é mesmo uma questão de tempo, então não há o porquê descarregar minhas energias em coisas vãs, nem tão pouco deixar a ansiedade tomar a frente, agora é hora de seguir a vida confiando no Tempo.


Se aquela bola tivesse entrado

dezembro 2, 2016

Ah, se aquela bola tivesse entrado…

Talvez houvesse uma grande frustração em toda a equipe, em toda aquela cidade, em toda aquela torcida que encheu o estádio. Um misto de tristeza com decepção. Mas a vida continuaria…

Ah, se aquela bola tivesse entrado…

Talvez aquele tivesse sido apenas mais um jogo, mais uma partida perdida como tantas outras, pois ganhar e perder faz parte do jogo. Mas a vida continuaria…

Ah, se aquela bola tivesse entrado…

Talvez muitos daqueles jogadores fossem considerados guerreiros, ainda que tivessem críticas dos jornalistas esportivos pela derrota, pois é assim, futebol é passional. Mas a vida continuaria…

Ah, se aquela bola tivesse entrado…

Talvez os jogadores estivessem comemorando a boa fase, ainda que a derrota pudesse ter adiado planos grandiosos, pois nem todos os sonhos são possíveis na hora em que se quer. Mas a vida continuaria…

Ah, se aquela bola tivesse entrado…

Talvez uma cidade, um país, um continente, o mundo inteiro, não tivesse acordado com uma notícia tão triste, pois não haveria viagem, não haveria avião, um acidente que interrompeu tudo. Mas a vida continuaria…

Ah, se aquela bola tivesse entrado…

Talvez não soubéssemos o quanto o ser humano ainda pode ser, sim, solidário, como é possível, sim, doar amor a quem teve a alma dilacerada por uma tragédia.  Mas a vida continuaria…

Ah, se aquela bola tivesse entrado…

Talvez não sofrêssemos tanto, não ficássemos tão tristes, mas também não conheceríamos um sofrimento tão grande que acometeu todo mundo, e nem descobrisse que ainda é possível acalentar a dor de quem ficou sem chão, quem perdeu tudo. Mas a vida continuaria…

Ah, se aquela bola tivesse entrado.

Talvez não conhecêssemos a generosidade de um time estrangeiro, de uma cidade estrangeira, de um país estrangeiro, de um povo estrangeiro, que chorou a dor dos nossos como se fossem deles. Uma demonstração plena de amor. Mas a vida continuaria…

Ah, se aquela bola tivesse entrado…

Talvez as coisas continuassem as mesmas, um futebol violento, um mundo de fronteiras hostis, mas aquela bola não entrou e mudou tudo, foram-se jogadores, jornalistas, pessoas normais, nasceram heróis. E apesar de toda a dor desta grande perda que corta e sangra o coração de todos, vimos que ainda há esperança na humanidade. Pois, a vida continua…


E o novo se fez

setembro 2, 2016

Naquele dia tudo já foi diferente, ainda que o inverno marcasse o calendário, o sol nasceu soberano irradiando sua luz sobre tudo, pelas ruas já era possível notar sorrisos largos, a alegria apareceu, enfim, foi jogada para longe a tristeza dos dias nublados, chuvosos e frios que nos castigava, ainda que não fosse primavera, flores já brotavam nos vasos sobre os beirais das janelas e até o ar já parecia estar mais leve e perfumado.

A esperança parece que voltou a dar o ar da graça e já era possível perceber a fé sendo renovada e as pessoas acreditando em dias melhores, ainda que a tarefa fosse árdua, já se apostava que as dificuldades haviam ficado para trás, com tudo mais que havia ficado envelhecido e que emperra a vida. A sensação de alívio era facilmente notada em cada respiração que, outrora era ofegante e, era só olhar para ver de novo, as cabeças erguidas.

Diferente de um dia de ressaca, aquele dia amanheceu feliz e leve, mesmo que sentíssemos os passos firmes que cortavam as ruas, a caminhada era tranquila, até para quem tinha uma certa pressa de recuperar o tempo perdido, ou ainda de salvar o que já se achava sem salvação. Os carros, ainda que apressados como nos outros dias, pareciam evitar o caos para não atrapalhar aquilo que já tinha sido atrapalhado demais.

Aquele dia solar e alegre já deixava claro que havia uma festa, que não se fazia necessária comemorar, cada qual sentia em si a felicidade que amanheceu junto com aquele dia que trouxe os sopros de um novo tempo, um tempo de mudança, um tempo de reconstrução, um tempo de resgate, um tempo sem medo e sem receio, um tempo de fazer diferente, um tempo de corrigir o que estava errado, um tempo para fazer a vida valer à pena.

É certo que nem todos estavam sorrindo naquele dia de libertação, há os que não gostam do novo, são tristes, pessimistas e sempre vão apostar em dias chuvosos, diria até que eles apostam em dias de temporais, daqueles que quando vem, quase sempre são devastadores, mas para quem já teve a vida forjada por mentiras travestidas de verdade, não teme temporais, pois é certo que o novo sempre vem, com já dizia a canção.

Mas o dia estava lindo e radiante como há tempos no se via naquele lugar, as pessoas se saudavam com a felicidade de quem recebeu o novo de braços abertos e com a certeza de que daquele dia em diante, a vida voltaria ao normal. Ainda que houvesse um falatório que as ruas seriam cobertas de vermelho para manchar de sangue os rumos de um novo tempo, naquele dia, só havia espaço para dar boas vindas ao novo e tudo de bom que ele sempre nos traz.

E ao fim daquele dia de sol de verão, com flores de primavera em pleno inverno, em que tal e qual o outono se foi possível trocar todas as folhas velhas da vida daquele lugar, a noite se fez presente com uma lua nova, atestando que a partir daquele dia, mesmo que nem sempre fosse possível viver só dias de sol, ficou claro que naquele lugar, não mais se viveriam só dias de chuvas, pois, para alegria de todos, o novo se fez.

 


A Herança

abril 22, 2016

A Dona Realidade nunca foi de luxo, muito pelo contrário, a simplicidade lhe fazia feliz. Trabalhadora, não tinha Tempo ruim que lhe impedisse de criar os filhos, Sonho e Esperança. Acreditava em Deus e que a vida sempre podia ser um pouco melhor e duvidava sempre que a Dona Política se aproximava lhe prometendo mundos e fundos. Dona Realidade acreditava no Trabalho, não em Promessa.

E sempre foi assim, com muito Trabalho que Dona Realidade alimentou o Sonho e a Esperança, também sempre apostou que Dona Educação podia operar milagres e transformar tudo para melhor. Nunca se viu Dona Realidade reclamar da Sorte, muito pelo contrário, só a ouviam pedir que a Dona Morte não lhe viesse buscar, antes de ver o Sonho e a Esperança com uma vida diferente a que ela vivia.

Mas, a Dona Política sempre atravessava a vida de Dona Realidade e, para proteger o Sonho e a Esperança, ela se via obrigada a acreditar nas promessas de um mundo melhor. Mas, como Dona Realidade podia acreditar na Dona Política, se ela a achava uma promíscua que se prestava a diferentes interesses dos vários Partidos Políticos que a cortejavam apenas para se darem bem na vida?

Dona Realidade acreditava, era no Trabalho e na Fé, para continuar alimentando o Sonho e a Esperança e não na tal Dona Política. Mas, um dia, a Dona Política apareceu de braços dados com um Partido Político, que conhecia muito bem a Dona Realidade e mostrou que era possível dar uma vida melhor para o Sonho e para a Esperança. Dona Realidade resolveu apostar nas palavras daquele Partido Político.

No começo, Dona Realidade viu que a vida começava a mudar de fato, o Sonho e a Esperança não passavam mais fome, cresceram e ganharam um mundo onde tudo lhes era permitido. Só que, como tudo que é bom, dura pouco, Dona Realidade se viu traída por aquele Partido Político que, tal como os outros, quis apenas usar a Dona Política para ter só Poder. Mostrou que pouco lhe importava a vida da Dona Realidade.

Dona Realidade chorou pelos filhos Sonho e Esperança, que foram destroçados por uma enorme ilusão. Dona Realidade adoeceu, mal consegue se levantar da cama, já não tem mais a força de antes para fazer do Trabalho o seu alento, aliás, o desemprego lhe bateu a porta e até a Fé que sempre foi a sua companheira da vida toda, lhe abandonou. Dona Realidade agora está só e muito triste.

Hoje, Dona Realidade vive desiludida, cabisbaixa, está em uma situação bem pior do que antes, não se lembra de ter vivido tão mal assim. A saúde, que nunca foi boa, piorou ainda mais, o Sonho, morreu a pouco mais de um ano e a Esperança, foi embora logo depois, deixando-lhe de Herança, a Decepção, que não acredita mais que a Dona Política, muito menos que qualquer outro Partido Político, possa fazer alguma coisa para melhorar a vida da Dona Realidade.


A dor, o tempo e a esperança

outubro 23, 2015

Ah, a dor da perda… Quando ela nos chega sem aviso, dilacera o coração, deixa nossa alma em frangalhos e, não existe nada, nem ninguém, nem gesto ou palavra que consiga abrandá-la enquanto ela está ali latente, queimando no peito, doendo, doendo e doendo. A dor espreme o coração com tanta força, que parece que tudo ficará em mil pedaços, mas no fundo já sabemos que está! A dor transforma em caquinhos tudo o que parecia ser inquebrável.

Não somos criados para perder, nada! E quando tudo que mais amamos se vai num golpe da morte, nosso mundo perde o sentido, não vemos mais razão para nada, não sobra espaço para nada, só para dor, que dói sem dar dó. Nosso pensamento, atordoado, alimenta ainda mais a dor, pois, fomos criados para o apego e, desapegar das pessoas pelas quais cultivamos amor, carinho e com as quais dividimos alegrias e tristezas, é inaceitável e nos faz perder o chão.

Todo mundo já passou por isso um dia e quem nunca passou, ainda conhecerá um dia, o quanto dói essa dor. E passam dias, passam noites, semanas, meses, anos e, sem nem sabermos bem o porquê, aquela dor que nos fez em mil pedaços, que nos desestruturou, nos tirou do chão, vai se transformando em algo menos dolorido, vai passando a ser uma pontada e quando nos damos conta, sentimos apenas uma forte fisgada que fez da dor uma imensa saudade.

Foi o tempo, que de mansinho, sem fazer alarde, foi colocando compressas na nossa ferida, colando os caquinhos do nosso coração, afagando nossa alma, cuidando de tudo, pacientemente, com a certeza plena que só ele tem, de quem um dia, tudo doerá muito menos e que tudo virará uma grande saudade. E de repente, diante dos nossos olhos, a dor que parecia incurável, insuportável, dá lugar a outros sentimentos, mostrando um novo sentido para vida.

Assim, surgi à esperança de novos tempos, que vem aos poucos, sem nem bem percebermos e a nossa vida enxerga que ainda há espaço para outras felicidades, que o quê ruiu na hora da perda, de alguma forma pode ser reconstruído, nunca substituído, mas ser renovado, recomeçado. Podemos e devemos continuar, pois, ainda que sofrida e com todas as marcas da dor, temos a nossa vida para viver, e devemos fazê-lo com toda a nossa intensidade, pois temos outras tantas pessoas que nos rodeiam, que nos amam e que nutrem esperanças por nós.

A dor, bem, essa, vez e outra aparecerá para nos colocar de novo no chão, dilacerar nosso coração, flagelar a nossa alma, pois são tantos os nossos apegos, tantos amores pelos quais não queremos nos desfazer, mas, na vida, fugir dessa dor é inevitável. E vamos sangrar várias vezes, até que o tempo, pacientemente, deixe apenas as cicatrizes de saudade e a esperança apareça novamente mostrando um caminho livre para recomeçarmos, até o dia em que seremos nós, o motivo dessa imensa dor.


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