Qual o futuro das escolas de samba?

fevereiro 9, 2018

Mais um carnaval, mas, parece que se está ficando mais distante de tudo o quê representou a criação da primeira escola de samba, o universo que contribuiu para que tudo aquilo acontecesse em tempos tão longínquos, parece não ser o mesmo em que negros tocavam tambor e entoavam seu canto de luta. Ainda que as grandes escolas de samba cariocas mostrem que ainda são fortes, tudo parece estar longe da função cultural e social do tempo de suas criações.

Uma escola de samba representava muito mais que os minutos de desfile na passarela do samba, do que o close na modelo sarada que exibe seus dotes na frente da bateria, do que os cinco minutos de fama alcançados a cada ano, em um canal de televisão; representava a força de um povo que vivia à margem da sociedade e tinha na escola de samba o lugar certo parar ser quem realmente era. As escolas de samba eram a voz e a força de suas comunidades e sempre foram mais do que um carnaval.

Só que o tempo foi passando e as escolas de sambas foram ficando cada vez maiores no Rio de Janeiro e se tornaram parte de um grande espetáculo para entreter turistas no feriado de carnaval, com isso, o desfile acabou se tornando maior do que a importância cultural que representa cada escola de samba, deixando à mostra o distanciamento do valor e da importância que tem cada comunidade dentro do contexto de uma escola de samba. O espetáculo é o que basta.

Se transferirmos esta realidade para nossa cidade de Santos, a situação fica ainda mais latente, pois, no afã de tentar preservar nossas escolas de samba, transferiu-se o desfile para uma semana antes do feriado de carnaval, sonhando ainda com a possibilidade de voltarmos a ser o segundo desfile de escolas de samba do país. Mas o quê isso importa? Por que a importância com o espetáculo se o que há é um distanciamento entre escolas e comunidades?

Não sou estudioso no assunto e nem fiz ou tenho em mãos, pesquisas que mostrem de forma mais abrangente toda a realidade desse quadro, falo por opinião, falo por que vejo reportagens sobre o assunto, falo pela paixão por este universo, falo porque sempre entendi o quanto uma escola de samba foi e é importante para uma comunidade e de quanto à criação de uma escola de samba contribuiu para solidificar os costumes e a religião do povo negro.

Está certo que o carnaval não acabará se, por acaso, um dia, não existirem mais escolas de sambas, até mesmo porque, muitas pessoas nunca deram importância, muitas até preferem brincar o seu carnaval, nas bandas, nos blocos, outros sempre preferiram pular, feito pipocas, atrás dos trios elétricos, mas torço que as escolas de sambas resistam e que tudo isso seja apenas uma má impressão e as escolas de sambas e suas comunidades voltem a se completar.

Por hora, fico apenas triste em ver que as novas gerações não se interessam e nem são incentivadas a conhecer a fundo, a importância cultural e social do que foi a criação de uma escola de samba, fico triste porque comunidades e escolas de samba estão cada vez mais distantes de suas histórias, fico triste por todo o desdém com as escolas de samba. Não tenho a pele preta, mas, consigo ouvir o lamento que sai de um tambor e o som que tenho ouvido nos últimos anos, é um som de socorro, é um som de quem agoniza perto da morte.

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O problema é a falta de gestão

janeiro 19, 2018

Todo ano é a mesma ladainha, muitos governantes ameaçam e, outros, até cumprem as suas ameaças, deixando de realizar o carnaval em suas cidades. Puro golpe de demagogia barata para tentar limpar a barra suja com a população pelo mau uso do dinheiro público, pois, na verdade, o que falta na maioria das prefeituras, nem sempre é dinheiro, é gestão. Gerir, como se deve, o dinheiro público é que é o xis da questão.

Ora, se cada Secretaria Municipal tem um orçamento para dar conta de suas atribuições e de seus afazeres, o assunto carnaval não deveria dar tanto pano pra manga. Pois, se há uma administração que saiba aplicar a verdadeira gestão do dinheiro público, não pode ser concebível que falte dinheiro para realização do carnaval, pois, se carnaval é um evento que acontece todos os anos, como não constar na pasta da Secretaria de Cultura da Cidade, uma verba destinada para a realização do evento?

Mas, esses velhos políticos, com suas velhas táticas políticas, que cheiram a naftalina de tão ultrapassadas, esbravejam aos quatro cantos, que falta dinheiro, que o país está em crise, que aumentou a inadimplência, que teve queda na arrecadação e sei lá mais o quê, tudo isso para justificar o corte de verbas ou, até mesmo o cancelamento dos eventos carnavalescos e conseguem, ainda, convencer parte da população com essas desculpas.

É preciso que a população pare de fechar os olhos para as ações dos prefeitos demagogos, que ainda acham que um bom discurso é capaz de sustentar uma boa desculpa para a falta de suas competências em administrar o dinheiro público. Carnaval é cultura, sim senhor! É um evento anual que faz parte da tradição e ajuda a firmar as raízes culturais do nosso país, a sua não realização com a desculpa de falta de dinheiro, é um desfavor à população.

Ainda que muitos não gostem, por vários motivos, que não cabem comentá-los por aqui, o fato é que todas as cidades têm obrigação em realizar os festejos carnavalescos, quando os prefeitos dessas cidades não o fazem, ou tentam de alguma forma, persuadir a população com a desculpa de que o carnaval não é importante, o que é importante é a saúde, a educação, deixam claro o quanto incompetentes são na gestão do dinheiro público de suas cidades.

É uma pena, que ano após ano, os maus gestores do dinheiro público que ocupam cargos de prefeitos, usam o carnaval para limpar barra de suas más administrações com suas populações, o pior, é ver, que, ano após ano, a maioria da população acaba dando razão às desculpas esfarrapadas de seus prefeitos. Cancelar o carnaval não vai resolver o problema de nenhuma cidade, vai apenas criar uma cortina de fumaça para iludir a população.

Senhor Prefeito, aproveite o carnaval para mostrar à sua população o quanto vossa excelência é um bom gestor do dinheiro público, mostre a todos, que no orçamento do seu município, existe uma verba provisionada dentro da pasta da Secretaria Municipal de Cultura para realização dos festejos carnavalescos e que ela será destinada conforme determina a Lei e pare de jogar a culpa na falta de dinheiro, ao invés de admitir a sua incompetência na gestão.


O Carnaval não é só uma festa

fevereiro 24, 2017

Todo ano é mesma celeuma, ficam pedindo para cancelar o carnaval como se o Carnaval fosse o principal motivo pelos desmandos governamentais que cortam o país de norte a sul e leste a oeste. As pessoas precisam compreender que o carnaval não é só uma festa em que alguns enchem a cara, outros colocam suas fantasias e outros tantos liberam os seus bichos, Carnaval é uma manifestação popular que nos dá identidade perante o Mundo.

Agora essa sociedade hipócrita em que vivemos, com gente vazia, interessada em criar polêmicas nas redes sociais para alcançar seus cinco minutos de glória, fica fazendo patrulha e querendo que todos pensem e ajam como uma unanimidade que não existe. Tudo agora é ofensivo a este ou a aquele, ao ponto absurdo de tentarem apagar do consciente coletivo, marchinhas carnavalescas que embalaram a vida do país.

Outras, menos avisadas, querem tomar pra si o direito do uso do turbante e insultam com um discurso reacionário, como elas fossem às únicas herdeiras desta vestimenta. Em primeiro lugar, estas pessoas precisam estudar um pouco mais sobre cultura de um povo e até conhecer a origem do turbante para reivindicar o uso somente por uma etnia ou religião. E desde quando o uso do turbante foi desrespeitoso, se já foram tantos Sultões pelos salões?

Todo mundo tem direito de não gostar do Carnaval, de não concordaram com as manifestações que tomam conta do País por quatro dias, mas não tem o direito de querer impedir que ele aconteça. Carnaval é uma manifestação mundial, que no Brasil ganhou proporções enormes, ao ponto de formar um dos traços mais marcantes da nossa cultura e isso, não se acaba por voltando de uma minoria ofendida.

Se as pessoas, ao invés de criticarem o Carnaval, com o já manjado discurso viciado de desperdício de dinheiro e de tempo, procurassem saber um pouco mais sobre esse evento que movimenta a economia do país, gerando milhares de empregos formais e informais, talvez passassem a compreender que a culpa não foi, não é e nunca será do Carnaval, talvez, o que passamos seja culpa desta própria sociedade hipócrita que emergiu à superfície neste século XXI.

Por isso, se você acha que é um absurdo ouvir marchinhas carnavalescas com conteúdos ofensivos às minorias; se você acha um acinte o uso do turbante como fantasia, se você acha que o Carnaval não lhe acrescenta nada na vida, não participe desta manifestação popular, faça o seu retiro, busque o seu isolamento, mas não tente convencer a população que o melhor para o país é não ter mais carnaval.

Ainda que o Carnaval não tenha mais a força que já teve em outros tempos, e que muitos tentam desvirtuá-lo, transformá-lo em uma festa de “pegação” e bebedeira, ele não acabará por vontade de uma minoria que se diz defensora da verdadeira família brasileira, ou por conta desta ou daquela minoria que se sente ofendida por esta ou aquela marchinha, pois o Carnaval está no sangue do brasileiro, mesmo que uns poucos digam que não.


Deixa a minha Escola passar

fevereiro 5, 2016

Deixa a minha Escola passar, porque hoje já não se precisa mais usar de malícia, nem de malandragem, para escapar de polícia por entre becos e vielas nas madrugadas mal iluminadas, nem tão pouco buscar abrigo seguro no colo da mãe de santo de nenhum Terreiro de Candomblé, para poder ficar, até o raiar do dia, dançando e batucando sob as bênçãos dos orixás.

Deixa a minha Escola passar, porque hoje já não se precisa ter vergonha de descer o morro, nem de circular para além das ruelas estreitas de qualquer comunidade, se escondendo em bares boêmios mal frequentados, nem tão pouco é preciso que o ritmo da batucada e dos belos versos de nossas canções, seja entregue a mercê da sorte para quem não entende a melodia.

Deixa a minha Escola passar, porque hoje o suor que corre pelo rosto e os gritos que ecoam pela avenida, não são mais de lamento, muito menos de dores dos tantos açoites que marcaram a alma para sempre, pois, hoje não é mais preciso esconder, nem disfarçar a alegria, já que é permitido compartilhar a felicidade do ritmo da batucada com quiser ouvir.

Deixa a minha Escola passar, porque hoje o ritmo já virou Patrimônio Cultural do país e todos já sabem que caiu no gosto do povo, ou de pelo menos, para parte dele; já quebrou a barreira da divisão de classe, pois, há tempos, coloca, lado a lado, na mesma avenida, brancos e negros, patrões e empregados, ricos e pobres, héteros e homossexuais, embaixo da mesma fantasia, dançando e cantada ao som da mesma batucada até o raiar do dia.

Deixa a minha Escola passar, porque hoje já se tem a liberdade de exaltar a história de um povo que foi subserviente a ponto de viver escravizado e, que embora ainda sinta as duras consequências ancestrais, se veste de alegria em todo fevereiro, para colocar na avenida um pouco de sua história, dos seus mitos, dos seus ritos e de suas crenças.

Deixa a minha Escola passar, porque hoje é dia deixar toda a tristeza, guardada no fundo de uma gaveta, no canto de todo barraco, e deixar todos os problemas para serem revolvidos depois da quarta-feira, pois, o que importa agora, é que a felicidade pede passagem, e vem para acalentar a alma sofrida pelas dores da vida que ainda castiga sem perdão.

Deixa a minha Escola passar, não porque é carnaval, mas porque o que se quer é festejar a alegria de poder dançar e cantar, exalando a força da negritude que corre nas veias, sem querer mais nada, nem tão pouco incomodar aqueles que não compartilham da importância cultural de ver um povo que ainda sangra as dores do preconceito, desfilar as suas fantasias na esperança de um mundo menos preconceituoso.

Deixa a minha Escola passar…


A morte do Rei Momo

novembro 19, 2015

Quem vê João agora, não diz que um dia a alegria foi sua grande companheira e com ela, ele desfilava simpatia e felicidade de viver. Hoje, sentando em sua cadeira de rodas, após sofrer um acidente vascular cerebral que lhe deixou algumas sequelas, como a perda dos movimentos das pernas e a dificuldade da fala. João, solitário, passa os dias olhando o infinito pela janela. Há tempos ninguém vem lhe fazer uma visita, logo ele que era tão popular, principalmente no carnaval, sim, por anos, João foi Rei Momo da folia.

Como saber o quê seus os olhos buscam no infinito? Quantas recordações ainda hão de povoar sua mente desde o tempo em que era o dono da folia? Por certo, muitas, pois as lágrimas que, volta e meia, escorrem desobedientes pelo seu rosto, entregam que a tristeza tomou o seu olhar que, todos os dias, procura encontrar algo no infinito, quem sabe a sua antiga alegria. João vive esquecido, só deve ter mesmo as suas lembranças de um tempo, em que o tempo, fez questão de enterrar.

João era auxiliar de enfermagem, cuidar das pessoas também era sua grande alegria, só não era maior que sua paixão pelo carnaval, tanto que, em todos os hospitais em que trabalhava, as suas férias, eram tiradas, sempre, de acordo com o calendário do carnaval, e isso já era acertado no dia de sua contratação. Na época da folia, nada de doentes e nem de hospitais, o que ele queria era desfilar pelas ruas e passarelas, a sua alegria e seu samba no pé desengonçado, que lhe dava ainda mais simpatia.

E como João era admirado! Batizado no mundo do samba com o nome de “Lord Doutor”, por andar sempre de branco, não apenas pela sua profissão de auxiliar de enfermagem, mas também por conta de sua crença nos orixás, o Rei Momo João tinha amigos em todas as escolas de samba e na época do carnaval era matéria de capa em todos os jornais e revistas da cidade. Quantas e quantas reportagens; quantas e quantas fotos; quantos e quantos abraços e sorrisos; tantos carnavais. Talvez, seja um pouco disso tudo, que os olhos de João buscam no infinito.

No fundo, João buscava aceitar tudo que lhe tinha acontecido, logo ele que era cercado pela alegria, que era querido, que cuidava das pessoas, que não podia ver ninguém triste, se ver ali, inválido, solitário, adoecido, esquecido, tendo que viver buscando na memória sua boas recordações para vencer cada novo dia, não era nada fácil, nem mesmo quando as batidas dos surdos e tamborins passavam embaixo de sua janela, João desviava o seu olhar do infinito. Nada restou de tantos carnavais.

O fato é que o Rei Momo morreu, e com sua morte, os seus amigos sumiram, a sua fama acabou, nem mesmo nos carnavais, João recebe qualquer visita, às vezes, ouve falar de seu nome em alguma reportagem da televisão, volta e meia alguém se lembra de seu nome, uns até perguntam notícias sobre ele, outros ainda afirmam com a certeza absoluta que ele já morreu. Descartado como retalhos de cetim esquecido no fundo do barracão, João sofre a dor do abandono e do esquecimento. João está morto.


Samba, suor e amor

fevereiro 20, 2015

Todo ano é assim, aliás, desde que se entende por gente, é desse jeito, quando se aproxima o carnaval, Pinguim deixa a sua vida de lado e passa a dedicar os seus dias, à Escola de Samba Simpatia do Parque, sua grande paixão. É do trabalho para quadra, da quadra para o trabalho, do trabalho para o barracão, do barracão para quadra, numa maratona alucinante, para que tudo esteja pronto até o dia do desfile de sua agremiação.

Pinguim abdica de tudo quando chega o carnaval, apenas para ver na avenida, sua escola brilhar; uma dedicação de fazer inveja até mesmo a alguns componentes da própria agremiação. Pinguim não faz parte da diretoria, não toca nenhum instrumento, não é destaque, patrono, celebridade, não é nada. Nada, não! Pinguim é um operário que transforma sua vida pelo samba, e dá o seu suor pelo amor que sente pela escola.

E não precisa que ninguém peça, assim que a diretoria começa a colocar em prática a construção do enredo escolhido, Pinguim se coloca a inteira disposição para fazer qualquer coisa. Nesses tempos, Pinguim se transforma em tudo, é cozinheiro, ajudante de cortador de isopor, de serralheiro, de carpinteiro, costureiro, vigia, aonde tiver precisando de mão de obra, lá está Pinguim. E tudo, sem nenhuma remuneração, mesmo porque não há verba na escola para isso.

Mas o dinheiro nunca foi problema para Pinguim, ele está ali por amor, interessado apenas em ver sua escola bonita na avenida. Não dá o duro que dá, pensando em ganhar dinheiro algum, isso ele recebe trabalhando. É assim que ele responde àqueles que o chamam de trouxa. Nunca entenderão o que é amar uma agremiação! Nunca entenderão o quanto cada gota de suor derramada o deixa feliz. Nunca entenderão o que representa o samba na vida de Pinguim.

As noites mal dormidas em meio a retalhos de cetim, a pedaços de isopor, a materiais reciclados; as olheiras, as mãos sujas de cola, sangue e purpurina não chegam a ser problema e, quanto mais perto do carnaval, quanto maior o cansaço, maior é a dedicação e a felicidade de Pinguim. A correria acelera sua adrenalina e ele acaba passando vários dias, virado. Não se deixa abater e não para enquanto não vê tudo pronto.

E quando chega o carnaval, com a escola pronta na avenida e a bateria aquecendo toda a comunidade antes do desfile, nem assim o cansaço vence Pinguim, ele veste sua fantasia, estampa o seu rosto com um largo sorriso e caí no samba cheio de empolgação. Cantando o samba na ponta da língua, desfilando pela passarela toda a sua felicidade, agora, já não lhe importa se a escola será ou não, campeã, o que lhe interessa é que mais um ano, a sua escola foi bonita para avenida e ele contribuiu para isso tudo.


Quatros dias de felicidade!?

fevereiro 13, 2015

Ah, a alegria já estampa o rosto das pessoas pelas ruas, já é possível notar que o quê importa a partir de agora é exalar felicidade, esquecer a vida, os problemas, as dificuldades, e se deixar tele-transportar por um estado de pura excitação e descomprometimento. A partir de agora o que vale é só folia, vivemos quatro dias como se tudo fosse acabar como cinzas de uma quarta-feira. Mas, precisamos mesmo só de quatro dias para felicidade?

Por que se faz necessário aguardar que quatro dias, às vezes em fevereiro, às vezes em março, cheguem, para que coloquemos para fora, toda a vontade de ser feliz? Por que nos faltam motivos para sermos felizes nos outros trezentos e sessenta e um dias de um ano inteiro? Somente o carnaval tem o passaporte que nos permite manifestar, descaradamente e efusivamente, toda a nossa sede de felicidade?

A festa que se espalha pelos quatro cantos do país tem a marca da felicidade, tudo o quê as pessoas querem é não pensar em nada, a não ser, em serem felizes, nem que seja através de um beijo roubado; travestidos, fantasiados, mascarados, solitários ou bem acompanhados; na avenida, nas ruas, nos salões, nos blocos, nas escolas de sambas, atrás do trio ou na pipoca, e assim, durante quatro dias, a alegria é quem manda.

Mas, por que se necessita do carnaval para curtir a vida, deixar os problemas para depois, estampar um sorriso no rosto e sair pelas ruas atrás de ser feliz? Não seria bem melhor se conseguíssemos, ao levantar de nossa cama, nos vestir de uma alegria carnavalesca e sair de casa disposto a conquistar a felicidade diariamente? Qual a desculpa que o carnaval tem para conceder às pessoas, o direto inadiável para serem felizes?

Ainda que alguns torçam o nariz, talvez desdenhando o desprendimento que outros tantos têm, em se jogarem na folia sem medo de serem felizes, o que não se pode negar é que, mesmo que seja por apenas quatro dias de um ano inteiro, o propósito de uma felicidade plena que essas pessoas buscam nesses dias, com certeza, deve alimentar o espírito de cada um pelo resto do ano e ajudá-los a enfrentar seus problemas cotidianos e as dificuldades da vida.

Já que é tão difícil manter o estado de felicidade durante um ano inteiro, restam àqueles que têm a capacidade de se deixar levar pela alegria de viver, ainda que seja por quatro dias, saírem atrás do quê lhes faça feliz. E, aos outros tantos que acham tudo isso uma grande bobagem, talvez seja uma grande oportunidade de aproveitar os mesmos quatro dias para poderem encontrar durante um ano inteiro, momentos em que possam desfrutar de uma felicidade plena, tal e qual a que se vive no carnaval.


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