EM NOME DO PAI

março 17, 2017

EM NOME DO PAI, DO FILHO

DO ESPÍRITO SANTO ATEU

DE UM LADO TEM UM ÁRABE

DO OUTRO UM JUDEU

A TERRA É SANTA

A GUERRA E TANTA

A FÉ É DEMAIS

MAS QUEM TEM RAZÃO?

QUEM VAI ENXUGAR

AS LÁGRIMAS DE SANGUE

DA MÃE QUE CHORA

AO VER SEU FILHO EXPLODIR

EM NOME DO PAI?

EM NOME DE DEUS?

EM NOME DE ALÁ?

EM NOME DE ALGUÉM?

 

SEJA LÁ QUAL FOR

ALÁ, BUDA OU MAOMÉ

DEUS PAI, MESSIAS, OXALÁ

A VIDA VALE MAIS QUE A FÉ

QUE MANDA MATAR

OS FILHOS DA TERRA SANTA

EM NOME DO PAI!

EM NOME DE DEUS!

EM NOME DE ALÁ1

EM NOME DE ALGUÉM!

MAS QUEM TEM RAZÃO?

QUEM VAI SE IMPORTAR

COM AS LÁGRIMAS DE SANGUE

DAS MÃES QUE CHORAM

PELA TELA DA TELEVISÃO?


O discurso evangélico-suicida

julho 10, 2015

O que sempre caracterizou o Brasil como o éden, a terra prometida, foi a característica natural de seu povo de conviver pacificamente com as pessoas de quaisquer credos, raças e nacionalidades. Qualquer estrangeiro que vive tempos de guerra em seus países, escolhe nosso país para se refugiarem, pois aqui eles têm a certeza que poderão reconstruir suas vidas e terão seus hábitos, costumes e crenças, devidamente respeitados.

Acontece que as coisas parecem estar tomando um novo rumo por aqui e, o que então seria um país laico na sua essência, está sobre uma grande ameaça, pois um novo neopentecostal cristão ortodoxo fundamentalista, vem articulando nos porões das religiões evangélico-cristãs um movimento radical contra a liberdade do povo brasileiro e dos estrangeiros que chegam por aqui , querendo, em nome de um Deus, ditar regras comportamentais.

E todo esse fascismo travestido de defesa da verdadeira família é, na verdade, uma grande ameaça a paz que sempre reinou em nosso país, principalmente no que tange as opções religiosas de cada brasileiro. Não há legitimidade na atitude desses apedeutas para incentivar, provocar e disseminar o ódio por, de uma hora para outra, não mais concordar com os hábitos e os costumes arraigados na construção da personalidade do nosso povo.

O que parece ficar claro é que esse movimento em defesa de Deus e da família, que esses senhores travestidos de pastores e homens de cristo vêem tentando disseminar entre os seus rebanhos, e forçando que seja estendido a todo país, tem um único objetivo: o poder. Diante de tanta desfaçatez, como não duvidar de quem esses senhores se preocupam apenas em explorar a fé de seus crentes para depois se locupletarem com o dízimo suado dado por seus seguidores?

A religião é uma opção individual, cada um crê naquilo que lhe convém e que está de acordo com o que acredita ser o correto para sua vida, não podemos deixar que, como em outros países, façam do nosso, um lugar onde não se tenha liberdade de se cultuar o santo e o Deus que se quer, pois quando isso acontece, acabamos por criar territórios de guerras, como já estamos tão acostumados de ver pelos quatro cantos desse mundo.

O que esses homens, ditos de Deus estão querendo fazer é um crime contra a nossa maior riqueza: que é a de ser um país formado por um povo misturado, vindo de todos os lugares do mundo, que traz na bagagem seus costumes e suas crenças e consegue, muitas vezes depois de tanto sofrimento, recuperar a alegria e ainda descobrir a felicidade de poder conviver pacificamente com pessoas tão diferentes. O que esses homens escondem, vai muito além do discurso, é quase uma tentativa de extermínio de um povo de paz.


A busca pela unanimidade burra

junho 26, 2015

Já disse um dia, Nelson Rodrigues: “toda unanimidade é burra!” E é mesmo! Nos tempos atuais o que mais vemos é uma disputa estúpida por uma unanimidade que nunca será alcançada. Quem quer ser unanimidade, não quer que o outro pense e quando o outro pensa, longe estará a possibilidade de uma unanimidade em quaisquer que sejam as circunstâncias. É uma questão de opinião própria de quem tem a capacidade de discernimento.

O momento atual do país escancara esse desejo por uma unanimidade a todo custo e sobre diversos temas que envolvem nossas vidas e, a retórica de lado a lado está perdendo a luta pela intolerância, aonde, o lado que não aceita a opinião contrária, parte para agressão descabida e gratuita. Nada e, nenhum assunto, terá algum dia, a unanimidade e, não há vontade maior de ninguém que faça aquele que pensa, discordar da opinião alheia.

A busca pela unanimidade é burra, pois, deixa claro, a tentativa egoísta de se sobrepor ao outro, querendo convencê-lo de que o melhor a fazer é seguir sua forma de ver e viver a vida, suas atitudes, seus pensamentos, suas opiniões, seus argumentos, suas convicções, sua ética, sua fé, sua religião, seu Deus, seu partido, seu time de futebol, seu facebook, seu twitter… Querem, na verdade, cordeirinhos. Cada cidadão é livre para exercer o seu pensamento.

A graça da vida está nesse multiculturalismo que nos faz sermos diferentes uns dos outros e que nos faz seguir, por livre e espontânea vontade, aqueles com quem convergimos e discordar daqueles de quem divergimos, mas, até mesmo diante desse quadro, não existe uma unanimidade plena, pois, sempre se diverge e converge conforme a capacidade de discernimento que temos para lidar com esse ou aquele assunto.

Parece até que está virando moda essa busca desenfreada pela unanimidade, pois, o que tem de gente querendo seguidores e simpatizantes que façam coro às suas opiniões, não está brincadeira! Se a pessoa não é a favor da família, é pervertido, se é contra a causa gay, é homofóbico, se é a favor, também é gay, se é contra o governo, é coxinha, se é a favor, faz parte da esquerda caviar, ninguém respeita mais a opinião do outro.

Pois, está aí a única coisa que deveria ser unanimidade: o respeito. Chega dessa corrida para buscar a unanimidade sobre aquilo que você acredita, a luta tem de ser pela busca desenfreada pelo respeito à vida alheia, às opiniões alheias, às atitudes alheias, a discordância faz parte do crescimento do ser humano e quem continua cegamente acreditando que as coisas só melhorarão quando houve unanimidade sobre todos os assuntos, será apenas um tolo.


Guerras não trazem a paz

agosto 1, 2014

Aprendi a duras penas que devo sempre me colocar no lugar do outro, portanto não vou tomar partido nem por esse, nem por aquele, mesmo porque já sentia na pele que não se consegue a paz alguma, fazendo guerras. Por vezes, a minha intolerância desencadeou conflitos desnecessários, ferindo sempre aqueles que não tinham nada a ver com as minhas desavenças. Sei que não é um processo fácil, por isso todo dia procuro praticar a tolerância.

É claro que, ás vezes, cruzamos o caminho daqueles que buscam a guerra a qualquer custo, estão sempre provocativos e preocupados, única e exclusiva-mente com suas cercanias. São quase sempre surdos para o quê lhes falam e cegos para o quê lhes mostram, nada os move de suas posições, pois mudar de opinião sobre esse ou aquele assunto sempre estará fora de questão. Espalham rastilhos de pólvora por onde passam.

Não estão preocupados com o pensamento alheio, muito menos com os problemas que podem causar, nada e nem ninguém é mais importante do que os seus interesses e, para isso, estão sempre armados e preparados para usar de violência para conquistarem o que desejam, ou ainda, não deixarem que lhes tomem o que julgam ser de suas propriedades. Não mede conseqüências, são inconsequentes, vis e podem até se tornarem sanguinários.

Quando nos colocamos no lugar daqueles que tem suas vidas transformadas de uma hora para outra, por atos e práticas de guerra, a tristeza faz com que enxerguemos a paz muito além do alcance dos nossos olhos. Vemos vítimas indefesas sofrendo com ataques intolerantes daqueles que estão preocupados, com suas razões e seus motivos, ainda que ambos não tenham razão, nem motivo algum, pois, os Senhores da Guerra não tem uma coisa, nem outra.

E quando nós ampliamos nosso comportamento intolerante e irredutível e nos transportamos para o centro de um conflito maior, podemos perceber o mal que se faz a tanta gente quando ao invés da paz preferimos a guerra, quando ao invés do diálogo, buscamos notar que causamos só destruição e acabamos, invariavelmente fazendo muitas e muitas vítimas inocentes.

Por isso, enquanto o homem achar que precisa se utilizar de guerras para fazer valer sua opinião, usar da violência para conquistar seus territórios, e não aceitar o diálogo como argumento para contrapor uma outra posição, veremos surgir, muitas e muitas vítimas inocentes, que terem suas vidas transformadas sem jamais reconquistarem de volta a paz que existia antes. Depois das guerras só o que fica é a dor do sofrimento.

Não importa o tamanho da guerra que você provoque, se contra uma outra pessoa, ou contra uma outra nação, você nunca terá razão, pois na guerra, os seus motivos e argumentos se perderão pelo rastro da dor e do sofrimento que você espalhará. Quando buscamos dentro de nós os esforços para sermos mais tolerantes, damos os primeiros passos para compreender que nenhuma guerra é capaz de trazer a paz.


O individualismo gerou a intolerância

junho 6, 2014

Houve um tempo em que as pessoas viviam realmente em sociedade, quando a preocupação com o bem-estar do outro era mesmo verdadeira e a vida parecia sim ter valor, mas com o passar dos tempos, não sei se pela correria do dia a dia, se pelo estresse, se por status, por poder, ou sei lá o quê, as pessoas foram se afastando cada vez mais umas das outras e se preocupando cada vez menos com o outro.

A vida passou a ser individual demais, agora é cada um por isso e Deus salve quem puder, as relações estão cada vez mais superficiais e cada qual muito mais preocupado com o seu próprio umbigo. Vivemos em uma sociedade individualista e esse individualismo tem gerado sintomas de muita intolerância. Tudo aquilo que aborrece o indivíduo passa ser motivo para um descontrole desmedido e desproporcional. Mata-se por um piscar de olhos.

Mais e mais, o lado exterior, ganha espaço na formação nesse novo indivíduo que habita essa sociedade em dissolução e é nítida a busca pela ostentação, pela felicidade aparente, pelas coisas fúteis da vida, deixando claro o quanto esse novo indivíduo está impaciente, intolerante, antissocial e capaz de atrocidades quando tem contrariada, às suas vontades. Não lhe faz bem viver com aqueles que discordam de seus atos, modos, ideias e ideais.

E o que vemos nos noticiários todos os dias, senão reportagens sobre crimes banais, por motivos fúteis, cometidos por pessoas comuns, contrariadas em suas individualidades? Esse novo indivíduo não aceita conselhos, não aceita outros pontos de vistas, não aceita ver outro indivíduo melhor do que ele, ainda que esse melhor seja apenas uma vida feliz, junto à pessoas felizes, em pequenas sociedades onde essas pessoas ainda se preocupem umas com as outras e buscam viver em paz.

Aonde vai se parar com isso? Não sei, mas está cada vez mais preocupante viver, pois se corre o risco iminente de se encontrar um desses indivíduos intolerantes, que já perdeu a noção do que seja amor ao próximo, do que seja compaixão, que já não dê mais nenhum valor à sua própria vida, e acabe despejando a sua individualidade intolerante em cima do primeiro que cruzar o seu caminho. E esse risco está cada vez mais frequente.

Uma pena que depois de tanta evolução tecnológica, de tantas descobertas da ciência, em que viver ganhou mais longevidade, esse novo indivíduo tenha preferido deixar de conviver em sociedade, preocupando-se apenas com a sua paz individual, com o que rodeia o seu umbigo, e tenha se tornado tão intolerante, ao ponto de ser capaz de trocar a sua própria liberdade para tirar a vida daquele que invadiu a sua individualidade, e sem nenhum remorso.

É preciso que os indivíduos que vivam em pequenos clãs sociais busquem de uma forma mais contundente, a integração entre si, a fim de fortalecer a convivência em sociedade, quem sabe assim, seja possível combater de uma vez por todas essa intolerância individual que vem se instalando dia após dia à nossa volta, ou veremos, cada vez mais, a possibilidade de sermos nós, as próximas vítimas de mais um crime banal por qualquer motivo fútil.


%d blogueiros gostam disto: