Qual a dificuldade de se pagar direitos autorais?

agosto 5, 2016

É impressionante, mas volta e meia é preciso voltar nesse assunto. Qual a dificuldade de se pagar os direitos autorais para o autor que escreveu o texto? Realmente eu até busco entender que nem sempre o espetáculo tem fins lucrativos e, que muitas vezes é preciso que todos coloquem a mão no bolso para realizar a produção, que a vontade de levar o espetáculo aos palcos é maior que as possibilidades, mas, por que os direitos autorais não figuram como um custo para realização da produção?

Se o principal produto que fará com que o espetáculo aconteça, é o texto, no mínimo, o custo para obtenção de sua liberação deveria ser a primeira coisa a ser pensada para se começar uma produção. Como começar a produção de um espetáculo sem saber se o autor liberará o texto? Existem outros fatores que vão muito além da simples liberação do texto pelo autor, sem o pagamento dos direitos autorais. Às vezes o autor está impossibilitado de fazê-lo por ter firmado outro compromisso com quem pensou o texto como parte do processo.

Eu sei o quanto é penoso levar o Teatro até a população, muito mais para quem está longe dos grandes centros, sem possibilidades de captação de recursos, sem apoio nenhum para gerir a cultura local. Nem sempre é possível obter condições suficientes para se colocar o espetáculo em boas condições para uma apresentação digna, até por isso, não me furto, em vez e outra, liberar a utilização dos meus textos, principalmente para os grupos amadores, sem o pagamento dos meus direitos autorais.

Muitas dessas produções são estudantis, realizadas em salas de aulas e que buscam usar o meu texto como instrumento pedagógico, na formação de público e, portanto, entendo que a liberação em troca da divulgação de meu nome, seja uma maneira de contribuir para a formação desses estudantes. Mas, cada caso é um caso, e é só o autor quem decide se o texto será ou não liberado do pagamento dos direitos autorais. Por isso, não adianta fazer a produção antes de solicitar a liberação, pois pode ser que ela não aconteça.

Quem pretende trabalhar com o Teatro, produzir espetáculos, deve ter a consciência da obrigação de se remunerar o autor do texto, pois se há espaço nas planilhas de custos para o pagamento, do cenógrafo, do figurinista, do iluminador, da trilha sonora, do Teatro, por que não há espaço para os direitos autorais? Um espetáculo é um processo coletivo, em que todos tem sua função, tanto na produção, quanto na apresentação e o autor do texto precisa ser valorizado dentro de todo esse processo.

Entendo toda a dificuldade que é produzir um espetáculo de teatro e, mais ainda, gerar dele, lucro suficiente para conseguir sobreviver, mas, tal como o ator e o diretor que precisam viver do espetáculo, o autor, que despendeu dias e noites para escrever aquele texto e fazer dele o seu ganha pão, também necessita que seu trabalho seja devidamente remunerado. Portanto, quando pensar em montar um espetáculo, coloque em suas planilhas, o pagamento dos direitos autorais, porque o autor não vive só da divulgação do seu nome.

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E AÍ, SEU GÊNIO?

junho 12, 2012

Em cena, um homem de meia idade, sentado no proscênio, tem uma corda amarrada no pescoço.

HOMEM – Não adianta! Não adianta!… Coragem, homem! Pula logo e acaba com essa vida miserável! Coragem!

O HOMEM SE LEVANTA, ANDA PELA CENA ATRÁS DE ALGO PARA AMAR-RAR A CORDA E TROPEÇA EM UMA GARRAFA.

HOMEM – Droga! É tanto lixo nesta droga de cidade que nem pra se matar um homem pode!

O HOMEM PEGA A GARRAFA.

HOMEM – Olha só isso: uma garrafa!

O HOMEM SACODE A GARRAFA.

HOMEM – Droga! Tá vazia! Bem que podia tá cheia! Assim eu aproveitava e tomava mais um pouco de coragem!

O HOMEM JOGA A GARRAFA, UMA NUVEM DE FUMAÇA ENCHE A CENA.

HOMEM – Que isso?

DA FUMAÇA, SURGE UM HOMEM VESTIDO DE GÊNIO.

GÊNIO – Obrigado por me libertar da garrafa, agora, o amigo tem direito a fazer três pedidos.

HOMEM – O quê?:

GÊNIO – Três pedidos! Qualé, tu nunca ouvi falar nas histórias de gênios?

HOMEM – Isso é uma alucinação! Deve ser efeito de tanto remédio e tanta bebida que misturei arrumando coragem pra me matar!

GÊNIO – E aí, mané? Vai ficar aí parado ou vai fazer logo os seus pedidos?

HOMEM – Quer dizer que você é um gênio?

GÊNIO – Um legítimo representante da classe dos gênios das lâmpadas mara-vilhosas! Taqui o meu cartão!

O HOMEM PEGA O CARTÃO QUE O GÊNIO LHE ENTREGA.

HOMEM – (LENDO O CARTÃO) Adamastor, o gênio! Trago o seu amor em três horas, tiro olho gordo, faço banho de descarrego, faço amarração, simpatia pra tudo de ruim na sua vida! Faça agora mesmo o seu pedido! Aliás, três pedidos!

GÊNIO – É isso! Serviço garantido! Pode pedir!

O HOMEM TIRA A CORDA DO PESCOÇO E A JOGA NO CHÃO.

HOMEM – Então tá certo! Quer dizer que posso pedir o que quiser?

GÊNIO – Pode!

HOMEM – Então, vamos lá!

GÊNIO – Mas pense bem, pois pedido feito é pedido atendido!

HOMEM – É qualquer coisa mesmo?

GÊNIO – Qualquer coisa! Aliás, três coisas! Tu tem direito a três desejos!

O HOMEM ANDA PELA CENA, PENSATIVO.

GÊNIO – Como que é? Eu não tenho o dia todo!

HOMEM – Calma aí! São só três pedidos, não posso errar!

O HOMEM CONTINUA ANDANDO. O GÊNIO PEGA A CORDA E COLOCA NO SEU PESCOÇO.

HOMEM – Seu gênio, posso pedir qualquer coisa?

GÊNIO – Já não falei que pode?

HOMEM – Então vou fazer o primeiro pedido.

GÊNIO – Manda!

HOMEM – Eu quero que você me dê coragem!

GÊNIO – É pra já!

O GÊNIO BATE PALMAS E DÁ UM ASSOPRO EM DIREÇÃO AO HOMEM.

GÊNIO – Pronto! Agora tu é o cabra mais macho desta terra!

HOMEM – Já to me sentido bem corajoso!

GÊNIO – Então, agora manda outro!

O HOMEM ANDA DE NOVO PELA CENA.

HOMEM – Um outro pedido… um outro pedido… Já sei!

GÊNIO – Vê se capricha, hein?

HOMEM – Eu quero ter muita força!

GÊNIO – É pra já!

O GÊNIO BATE PALMAS E DÁ UM ASSOPRO EM DIREÇÃO AO HOMEM.

GÊNIO – Agora você é o homem mais forte do mundo!

O HOMEM FAZ POSE DE FORTÃO. MOSTRA OS BÍCIPS.

HOMEM – É, já estou me sentido bem mais forte!

GÊNIO – Agora vê se capricha, porque é teu último pedido.

HOMEM – Deixa eu pensar!

O HOMEM ANDA PELA CENA.

GÊNIO – E aí, como é que é? Qual o seu terceiro pedido?

O HOMEM SE COLOCA NA FRENTE NO GÊNIO, LHE ARRANCA A CORDA DO PESCOÇO E LHE ACERTA UM SOCO. O GÊNIO DESABA, DESA-CORDADO.  O HOMEM PEGA A CORDA, A COLOCA EM SEU PESCOÇO E SE COLOCA EM PÉ NO PROSCÊNIO.

HOMEM – Eu não consigo nem concretizar um desejo, aí vem um maluco dizendo que é um gênio e me diz que vai me realizar três pedidos? Será que nem me matar em paz eu posso?

O GÊNIO SE LEVANTA.

GÊNIO – Teu desejo é uma ordem!

O GÊNIO BATE PALMAS E DÁ UM ASSOPRO EM DIREÇÃO DO HOMEM. A MÃO DO HOMEM GRUDA NA CORDA E ELE VAI APERTANDO A CORDA, MAIS, MAIS E MAIS.

HOMEM – (Quase sem ar) Socorro!!.. E aí, seu gênio, não vai me ajudar?

GÊNIO – Não posso fazer mais nada, o Mané aí já fez os três pedidos!

HOMEM – (Já de joelhos) Socorro!… Eu vou morrer!! Me ajuda!!

GÊNIO – Pediu, o Gênio realizou!

O HOMEM FAZ MÍMICAS PEDINDO QUE O GÊNIO LHE AJUDE, VAI TENTANDO SOLTAR A CORDA DO PESCOÇO.

GÊNIO – Agora preciso ir. Bye, bye… Manézão!

O GÊNIO BATE PALMAS, UMA NUVEM DE FUMAÇA ENCHE A CENA. O HOMEM CAI ESTIRADO NO CHÃO. BLACK-OUT.

FIM


Por que se faz plágio?

março 25, 2011

Por que se faz plágio? Incompetência? Ignorância? Para ter um momento de fama? Ou por pura sem-vergonhice mesmo? O que leva alguém a copiar, manipular e usurpar a obra alheia para seu bel prazer? E os grupos que se prestam a compartilhar obras plagiadas, o que pensar deles? Talvez a certeza da impunidade contribua para isso, talvez!

Hoje em dia, se faz plágio de tudo, é de poesia, de artigos, de partes de livros, de textos de teatro, até de notícias existem quem tome os créditos para si. Não vai demorar muito e logo veremos alguns espertalhões fazendo plágio de bulas de remédios, se é que já não existe. Pra quê? Por quê? Será que não seria muito mais inteligente contatar o autor da obra? Tudo é tão simples, com tantas redes sociais não seria uma tarefa assim tão difícil.

Pois me digam: Qual o autor que não gostaria de ver seu texto publicado, sua peça encenada, seu filme rodado, sua opinião divulgada, sua música tocada? Até onde eu sei, nenhum autor escreve para deixar seus textos no fundo de uma gaveta ou escondido num canto de seu HD, embora eu já tenha feito isso. Mas isso é assunto para outro dia.

Pessoas que se utilizam do artifício do plágio para se colocar no mundo das artes, acabam ficando pelo caminho, quiçá na primeira esquina, pois plagiar uma obra é como querer copiar uma alma, e isso, por mais que se tente, não se consegue. É fácil copiar palavras, ás vezes, até trocá-las, mas copiar o que elas significam, jamais!

Quem pensa que fazendo plágio vai conquistar algum respeito, duvido que sim. Podem manipular, copiar, refazer, e até ganhar dinheiro com a obra alheia, mas nada disso vai apagar a marca pessoal de quem escreveu aquela obra, porque elas estarão lá, feito digitais.

Lamento profundamente com quem pensa que agindo assim, consegue ou conseguirá enganar alguém, engana-se a si mesmo, pois tudo o fará crer que se é o maior entre os maiores, mas que na realidade, não passará de um simples boçal. Escrever é talento, é trabalho, é construir com palavras o que cada alma tem a dizer, e não há plágio capaz disso.

O máximo que um plágio pode alcançar é um processo de indenização e manchas que macularão para sempre, a carreira de quem um dia pensou em ser um grande escritor.


É TEMPO DE COPA

junho 9, 2010

CENÁRIO: SALA DE UMA CASA.

UM HOMEM ESTÁ SENTADO NO SOFÁ EM FRENTE A UM TELEVISOR. VESTE UMA CAMISA DA SELEÇÃO BRASILEIRA DE FUTEBOL. TORCE COMO UM LOUCO.

Homem          – Vai!… Vira, vira!… Isso!… Na direita!… Na direita!… Não, seu perna de pau!…

ELE ROE AS UNHAS, COÇA A CABEÇA. ENTRA SUA MULHER.

Mulher            – Preciso falar com você.

Homem          – (SEM TIRAR OS OLHOS DA TV) Fala!

Mulher            – É sério!

Homem          – Pode falar!

Mulher            – Será que você pode olhar pra mim?

O HOMEM OLHA, MAS LOGO DESVIA O OLHAR PARA TV.

Homem          – Vai!… vai!… toca na esquerda!… Beleza!…. (PARA MULHER) Você não vai falar?

Mulher            – A gente precisa ter uma conversa complicada.

Homem          – Discutir a relação? Agora, não!

Mulher            – Tudo bem! Depois não vai falar que não quis te contar.

A MULHER SAI.

Homem          – (SEM TIRAR OS OLHOS DA TV) Contar o quê? Cruza!… Isso… Agora! Agora!… Gooooooollllllllll!!!

O HOMEM VAI ATÉ A VARANDA.

Homem          – Ééééééé… do Brasiiiiiillllll!!! É gol!

O HOMEM SE SENTA NOVAMENTE NO SOFÁ.

Homem          – (PARA MULHER) Quando você vier pra cá, traz outra cerveja?

Mulher            – (EM OFF) Se quiser, levanta esse rabo daí e pega!

Homem          – Você não disse que quer falar comigo? Então, traz uma cerveja que a gente conversa.

Mulher            – (EM OFF) Você vai desligar a televisão?

Homem          – Claro que não!

Mulher            – (EM OFF) Essa vai ser a última vez!

O HOMEM REPETE O GESTO DE ROER AS UNHAS E COÇAR A CABEÇA. SE DESPERA.

Homem          – Não!… Pega ele, pega!… Não deixa!… Putz… Gol dos “home”! (PARA A MULHER) Ce não vai trazer a cerveja?

Mulher            – Agora espera que eu tô ocupada!

Homem          – Você também, hein? Quando entra em crise é fogo!

Mulher            – (EM OFF) Essa vai ser a última cerveja que pego pra você!

Homem          – Vamos lá!… Vamos que dá pra fazer mais um!

A MULHER ENTRA EM CENA, ARRUMADA. TRAZ UMA MALA E UMA CERVEJA.

Mulher            – (ENTREGANDO A GARRAFA) Toma!

O HOMEM PEGA A CERVEJA E NEM OLHA PARA MULHER.

Homem          – Obrigado!…

Mulher            – To indo embora!

Homem          – Deixa o jogo acabar! Vai… vira esse jogo!

Mulher            – É pra sempre!

Homem          – Como assim… pra sempre?

Mulher            – Eu quero me separar de você!

Homem          – Deixa acabar o jogo que a gente resolve isso.

Mulher            – Já to decidida!

O HOMEM OLHA PARA MULHER.

Homem          – Onde você vai arrumada desse jeito?

Mulher            – Já te disse!

Homem          – Não faz isso! Não agora!

Mulher            – Cansei!

O HOMEM VOLTA OOLHAR PARA TELEVISÃO!

Homem          – É goooollllllll!

O HOMEM ABRAÇA A MULHER E A SACODE, LEVANTANDO-A DO CHÃO.

Homem          – (AINDA SEGURANDA A MULHER) É gol!… É do Brasil!

A MULHER SE DESVENCILHA.

Mulher            – Agora chega!

OUVE-SE O SOM INSISTENTE DE UMA BUZINA DE CARRO.

Homem          – Quem é esse corno que ta buzinando na hora do jogo?

Mulher            – É o que eu tinha pra te falar, mas o jogo é mais importante!

Homem          – Que alguém vinha te buscar na hora do jogo?

Mulher            – Não! Que eu tenho outra pessoa.

Homem          – Se não gosta de futebol, não é homem!

Mulher            – Taí a diferença! Ele gosta de mulher e é mais homem que você!

Homem          – (SEM TIRAR OS OLHOS DA TV) Não dou até amanhã pra você voltar e me pedir perdão!

Mulher            – Então fica aí, bem sentadinho esperando, ta?

A MULHER PEGA A MALA. TOCA A BUZINA NOVAMENTE.

Homem          – Só que não vai ter volta, viu?

Mulher            – Bom jogo pra você… Depois pede pra uns desses pernas de pau pegar outra cerveja pra você!

O HOMEM OLHA PRA MULHER E VOLTA OS OLHOS PARA TV.

Homem          – Vai acabar!… Calma, calma!… Toca a bola.

Mulher            – Não acredito que estive casada tanto tempo com um corno!

A MULHER PEGA A MALA E SAI.

Homem          – Acabou!… É… Campeão!…. É… Campeão!… Mulher! Traz mais uma cerveja para comemorar!

– FIM –


Sem conflito, não tem história

abril 29, 2010

Por melhor que seja a idéia que alguém tenha para escrever uma história e contá-la através de uma narrativa dramática, uma coisa é certa: sem conflito não se tem história dramática. Seja ele um conflito interior, um conflito exterior ou contra um terceiro. A ação dramática se desenvolve pelo conflito, qualquer coisa fora disso é apenas a narração de um fato.

Não basta uma boa história para contar se não existir uma boa razão. Alguma coisa deve estar em erro para justificar ser contada. É fundamental que a personagem esteja em uma situação desconfortável e disposto a provocar uma mudança, pois é essa situação desconfortável que vai provocar o conflito que vai desencadear a busca pela mudança.

Portanto, o conflito é a mola mestre e o fio condutor da história, e toda a ação dramática a ser desenvolvida dever convergir ou vir da necessidade de resolver o conflito em que a personagem está. Assim, tudo o que não levar a dissolução do conflito é descartável e totalmente desnecessário.

Tendo claro esse ponto de que o conflito é o principal dentro de uma história, podemos analisar se temos ou não uma boa história para transformar em um texto de teatro. Qualquer coisa fora disso, não é teatro, é apenas a narração de algum fato com ou sem relevância.

Muitos textos, tem até uma boa história, tem bons personagens, mas acaba se tornando frágeis pelo fato de não possuírem conflitos que os sustentem. E ter o conflito bem delineado dentro da história, faz com os atores entendam seus personagens e contem melhor a história. Com a dramaticidade que um texto teatral deve ter.

A melhor coisa que se tem a fazer quando se pensa em escrever um texto para teatro é achar dentro da história que se quer contar, a situação que colocou sua personagem em desacordo com a história, os motivos que a levaram a tal situação e as formas pelas quais se pode encontrar para ela seja resolvida.  


Escrever é tão simples…

abril 22, 2010

Ah… Escrever… Escrever é tão simples como fechar os olhos para dormir. É só se colocar em frente à tela branca do computador, que… puft!… a história aparece por completo. Tudo assim, como num passe de mágica! É o que acham certas pessoas. A visão que alguns têm sobre o texto e quem o escreve, principalmente que o faz para o teatro, é no mínimo turva, para não dizer cega mesmo.

É um desdém impressionante! Chega a dar raiva, raiva não, vontade de bater mesmo. Tratam o texto, como… Aliás, muitos nem consideram o texto. Para falar, sinceramente, muitos nem sabem o que estão fazendo no teatro, quanto mais o peso de um texto dentro de um espetáculo. Mas, escrever é tão simples, não é mesmo?

Sei que é uma minoria e que estão só de passagem pelo mundo do teatro, pois tem planos televisivos mais urgentes, mas confesso que muitas vezes dá vontade de falar um palavrão. Quando alguém trata o que você demorou dias para escrever, como se fosse nada, o reduzido a uma insignificância de fazer doer, dá vontade de perguntar o que essa pessoa está fazendo no teatro.

Tudo isso sem contar a dificuldade de receber os direitos autorais. Mas, se não sabem da importância do texto, como vão saber dos direitos autorais? Quem escreve, vive de brisa, se alimenta das palavras que coloca no papel, não precisa receber pelo seu trabalho. O dinheiro da bilheteria pode ser dividido pelo grupo, mas o dramaturgo não faz parte desse bolo. Dramaturgo não tem fome, não é?

Até quem escreve por amor, hobby, ou sei lá o que, precisa de um mínimo de reconhecimento, nem que seja um: “-Que bom o seu texto!”. Só que o que recebem é desdém, desrespeito e desvalorização. Tem gente que não tem noção, brincam de fazer teatro e pensam em fazer do texto o seu brinquedo mais original. Isso tudo, mediante a um: “-Empresta o texto, aí pra mim!”

Há de se rever os conceitos de como valorizar um texto. É preciso acabar com essa mania de copilar textos para transformá-los em cenas curtas. Se querem apresentar cenas curtas, usem textos curtos. Um texto só tem sentido quando lido e apresentado por completo. Remendar um texto que foi pensado de uma forma é um desserviço para o teatro e não acrescenta nada.

Que ao texto, seja dado o seu devido valor, pois, do mesmo modo que não é nada fácil interpretar, deve-se ter a consciência de que escrever um texto é algo muito mais complexo e que demanda bem mais transpiração do que inspiração. Escrever, apenas parece simples, mas não é!

Por isso, repensar essa coisa de achar que um texto é uma coisa simplista e quem o escreve não precisa receber por ele, já é um bom começo. Afinal de contas, dramaturgo, também, come, bebe, dorme e precisa ter dinheiro para ir ao teatro.  


Qual o valor de uma adaptação?

abril 9, 2010

Não é de hoje que obras literárias são adaptadas. Todas as formas de escritas acabam se servindo de idéias originais para depois adaptá-las ao seu formato. Seja um livro que é adaptado para roteiro de cinema, ou um texto de teatro que adaptado para TV e vice-versa, mesmo porque, adaptar é ajustar uma coisa a outra; amoldar; apropriar, portanto, adaptação tem sim o seu valor.

É claro que a primeira reação de quem tem a obra adaptada, ás vezes até mesmo esquartejada, transformada ao ponto de ser quase irreconhecível, é de trucidar, é de fazer picadinho de quem se atreveu usurpar sua tão planejada e gerida idéia, mas, passada a raiva, se dá conta que uma hora ou outra, também bebeu na fonte da adaptação.

Que atire a primeira pedra quem não se serviu de histórias clássicas e se arriscou no mundo das letras seguindo os caminhos das adaptações? Não vejo vergonha alguma, nem demérito nenhum em quem faz ou já fez uso desse exercício. Está aí: um exercício. A adaptação de uma obra original é antes de tudo um grande exercício de escrita, principalmente para os iniciantes.

Servindo-se de histórias consagradas, os aprendizes de escritores vão tendo contato com as ferramentas que o autor usou para colocar sua idéia no papel. Como ele descreveu e criou seus personagens, como ele desenvolveu o conflito e o solucionou, etc. Tentar reescrever do seu ponto de vista adaptando a história sobre um outro prisma é sempre enriquecedor.

O que se tem há lamentar é que muitos aproveitadores, servindo-se da má fé e da desonestidade, transformam obras originais e outras obras, servindo do artifício de adaptação para desfilarem e posarem de autores. Uma pena. Que Deus lhes ilumine o caminho para que não sofram do mesmo mal que causam.

Escrever é um exercício contínuo e a adaptação de histórias originais acaba sendo uma ferramenta primorosa para a evolução do escritor. Não obstante tudo isso, a adaptação vai seguir sendo vista com olhos tortos por muita gente. Mas, se ela, ás vezes não chega a ter um grande valor artístico, tem seu valor no auxílio de quem quer levar adiante o ofício de escritor.

E só uma certeza nos fica, sempre hão de existir novas histórias originais e suas incansáveis adaptações, com ou sem valor artístico. O que se há de fazer? Adapte-se!


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