A Bruxa do fim da rua

fevereiro 10, 2017

Sabe gente, é muito triste ficar velha. Andei pensando e acho que não quero ficar velha não! Não é porque eu sou uma criança que não posso pensar nisso. Posso sim! Ainda mais depois que o descobri uma história com uma pessoa bem velhinha. Vou contar tudo pra vocês.

No fim da rua da casa da Joana, tem um casarão. Bem grande mesmo! Ele é cheio de mato, tem os portões enferrujados, nem dá pra ver quem mora lá dentro. Só é bom porque tem uma árvore de acerola que cai pro lado da calçada e dá pra gente pegar umas de vez em quando. A Joana não gosta de acerola, mas, eu? Adoro!

Os meninos falam que lá é casa de uma Bruxa. O Paulinho mesmo já confirmou.

– Cuidado, porque lá mora uma Bruxa!

– Mora nada, Paulinho!

– Não sei não, Helena. Mas eu tenho medo de entrar naquela casa.

– É verdade! Um dia entrei lá para pegar a bola que caiu no quintal e vi dois olhos me olhando pelo vidro quebrado da janela. Sai correndo.

– Logo você, Paulinho! O corajoso!

– Com Bruxa eu não brinco não!

– Quer saber? Eu vou lá visitar essa Bruxa!

– Não faz isso, Helena!

– Deixa ela, Joana! Quero ver essa branquela sair da casa da Bruxa, mais branca ainda.

Não dei bola pro que o Paulinho falou e fui decidida a conversar com a tal Bruxa do fim da rua. Paulinho e a Joana foram juntos comigo.

No portão, eles não quiseram entrar. Abri o portão bem devagar, mas não adiantou, fez um barulho igual aqueles que fazem quando abre uma porta nos filmes de Terror. Tava com medo, mas entrei.

Fui andando bem devagar, olhava para todos os lados, o meu medo aumentava. Vi dois olhos me olhando pelo vidro quebrado da janela. Tomei mais coragem e cheguei até a varanda.

– Sai daí, Helena! A Bruxa vai te pegar!

– Volta, Helena!

O Paulinho e a Joana ficavam me chamando de fora do portão, mas eu precisava ver se ali morava mesmo uma Bruxa.

– Será que a porta está aberta?

Coloquei a mão na maçaneta e abri a porta bem devagar.

– Quem está aí? Uma voz bem fininha falou.

– É a Helena. Você é mesmo uma Bruxa?

De repente veio de dentro da cozinha da, uma velhinha, com um lenço na cabeça, um avental amarrado na cintura, óculos e deu um grande sorriso pra mim.

– Oi, Helena, seja bem-vinda!

– A senhora não é uma Bruxa?

– Sabe que eu não sei. Acho que sou sim.

– Então é melhor eu ir embora.

– Não, Helena. Fica!

– É que eu…

– Não tenha medo. Não sou nenhuma Bruxa. Foi só uma brincadeira.

Sentei no sofá e logo vieram uns três gatos pulando em cima de mim, mas a velhinha expulsou todo. Naquela hora eu já estava com muito medo.

– Espera um pouquinho que eu já volto.

Assim que a velhinha entrou, eu levante e comecei a andar devagar para fugir o mais rápido de lá. Quando cheguei na porta…

– Não vai, Helena! Faz companhia pra mim. Sou tão sozinha!

Então voltei ao sofá, com medo, juro! A velhinha passava a mão nos meus cabelos, me fazia carinho. Começou a me contar que ela tinha dois filhos, tinha quatro netos, mas que eles nunca vinham fazer uma visita para ela. Ela era muito triste. Coitada! Eu morro de saudade da minha avó que morreu. Será que os netos dela não sentem saudades dela?

Só sei que fiz muito bem em entrar naquele casarão. Dona Arminda, fez café com bolinho de chuva, com a minha avó fazia pra mim quando ia a casa dela. Passei a tarde toda ouvindo um monte de histórias legais que ela me contou.

Quando vi, já estava noite.

– Preciso ir, Dona Arminda! Obrigada pelo lanchinho!

– Você volta?

– Com certeza.

Ainda corri e dei um abraço bem apertado nela.

Quando saí, o Paulinho e a Joana ainda estavam me esperando no portão.

– Caramba, Helena! Como você demorou?

– Pensei que a Bruxa tinha te comido!

– Foi quase, Paulinho! Ainda bem que eu consegui fugir do caldeirão.

Fechei o portão e quando olhei para dentro, vi dois olhos sorrindo para mim pelo vidro da janela.

É, acho que ganhei uma nova avó! Ganhei, sim! Falando nisso, faz um tempão que não visitar a Dona Arminda. Quem sabe a Joana e o Paulinho não queiram ir comigo desta vez?

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Viagem ao centro da Terra

outubro 28, 2016

Oi, pessoal! Hoje eu tenho uma aventura demais pra contar pra vocês. E, presta atenção ó! Não é mentira minha, não, viu? Aconteceu de verdade. A Joana está até de prova, porque ela estava junto comigo o tempo todo. Foi assim…

Sabe o seu Zé? É, aquele que é dono da farmácia e tem um terreno vazio bem do lado da farmácia dele? Eu e a Joana estamos sempre lá. Seu Zé fez um espaço bem legal para leitura embaixo das árvores e a gente pode ficar por lá, sossegada, que ninguém vai lá pra encher a nossa paciência.

Depois daquela vez que eu, a Joana, o Paulinho e a Thalita estávamos fazendo um acampamento lá no terreno e apareceu uns meninos por lá e deu aquela confusão, seu Zé tratou de fazer um muro bem alto e colocou um portão de ferro com cadeado, só entra se ele abrir.

Então, teve uma vez que eu e a Joana estávamos lá no terreno do seu Zé da farmácia, embaixo da árvore, lendo os nossos livros, sossegadas… A Joana levou até o Ted junto. Ele gosta de ficar correndo por lá e a Joana sabe que não tem nenhum perigo do Ted sair de lá de dentro quando se fecha o portão.

Só que naquele dia, o Ted estava muito chato.

– Pô, Joana, fala pro Ted parar de latir. Não consigo ler meu livro!

– Ele tá feliz, Helena!

– Tá é irritante, isso sim!

– Daqui a pouco ele para.

E nada do Ted parar. Ele corria pra lá, pra cá, latia, latia, latia sem parar. Ia até o fundo do terreno, cheira o muro do fundo, latia, latia e voltava para Joana.

– Assim não vai dá, Joana!

– Deve ter alguma coisa lá.

– Que coisa?

– Não sei!

A gente então deixou os nossos livros no chão e fomos atrás do Ted lá no muro do fundo. A gente olhava e não tinha nada só um monte de folhas que tinham caído da árvore e seu Zé encostou no canto do muro.

– Olha aí, não tem nada!

– Que foi, Ted?

O Ted olhava pra Joana, latia, olhava para o monte de folha e latia.

– Tem alguma coisa aí nesse monte, Helena!

E não é que tinha! A gente começou a tirar as folhas e, de repente, surgiu um buraco enorme, não deu tempo nem da gente se segurar, começamos a cair dentro do buraco. Só que o buraco não tinha fundo. A gente foi caindo, caindo, caindo, já nem dava mais para escutar o Ted latir. Parecia que a gente tinha entrado num túnel. De repente, a gente caiu. Eu de um lado e a Joana do outro.

Quando a gente se levantou, tinha um menino japonês olhando pra gente. Ele falava uma língua engraçada, apontava pra gente, e dava risada.

– Aonde a gente foi parar, Joana?

– Sei lá, Joana!

– Será que a gente foi parar no Japão?

– Serão que aquele buraco era…

Pronto! A Joana desmaiou. Eu fiquei ali, com aquele japonês me olhando e dando risada e a Joana desmaiada no chão.

De repete caiu do lado da Joana, uma menina da cor do Paulinho, de cabelos de molinhas, que também não falava nada que eu entendia.

– Acorda, Joana! Acorda!

A Joana abriu os olhos.

– Acorda, Joana. Acho que a gente caiu no centro da Terra!

Aquele buraco só podia ter levado a gente até o centro da Terra. O lugar exato onde todos os continentes se encontram. Tinha o japonês, tinha a africana, tinha a gente, que somos da América…

– Meu Deus! Que incrível!

– E agora, Helena, como a gente vai sair daqui?

– Sei lá!

Eu até tentei falar com outros dois, mas não adiantava perguntar, ninguém falava a nossa língua e nem nós as deles. O Japonês só dava risada, a africana, ficava cantando e dançando e a Joana cada vez mais desesperada. Aí eu comecei a ficar também! Como a gente ia voltar para casa?

A gente achou uma árvore e se sentou. A Joana, daquele jeito… Mas, a gente precisava pensar em alguma coisa. Foi aí que eu senti um negócio cutucando a minha cabeça.

– Uma corda! Olha, Joana, uma corda!

Não perdemos tempo! Eu e a Joana amarramos aquela corda nas nossas barrigas e de repente, a gente começou a subir, subir, subir… A gente já olhava pra baixo e não via, nem o japonês e nem a africana. Tudo foi ficando bem escuro.

– Olha, Helena, escuta!

– É o Ted!! Ted!… Ted!…

Não demorou muito, a gente começou ver de novo a luz e a ouvir o Ted latir, bem alto e sem parar. Seu Zé puxou a gente para fora do buraco.

– Obrigado, seu Zé!

– Achei que não ia voltar nunca mais!

A Joana correu logo para abraçar o Ted e eu dei um abraço bem forte no seu Zé. Nunca foi tão bom ouvir o Ted latindo de novo. Pensei que nunca mais ia voltar para minha casa.

Só que seu Zé pediu pra gente guardar segredo. Ele não queria que todo mundo ficasse sabendo que dentro do terreno dele, ficava a passagem que levava a gente para o centro da Terra.

Eu fechei a minha boca e não contei isso pra ninguém! Vê se vocês não vão espalhar isso por aí, hein? É segredo!


O mistério da biblioteca

abril 8, 2016

Oi, gente, hoje tenho uma aventura muito diferente pra contar, acho até que tem gente que não vai acreditar. Mas aconteceu, mesmo! Foi de verdade!  A Joana está aí para provar que eu não to inventando nada. Vou contar tudo pra vocês.

Eu tava muito mal em Matemática, então, a Joana, que é muito fera em Matemática, se ofereceu pra me ajudar a entender os exercícios. Tinha coisa que não entrava na minha cabeça. A professora explicava, explicava, quando eu achava que tinha entendido tudo, vinha à prova e, eu… nota baixa! Minha mãe tava muito preocupada, e eu também!

– Matemática é exercício, Helena, você vai aprender a fazer. Depois, é só praticar!

– Falando assim, até parece fácil.

– É fácil sim!

– Duvido.

Depois da aula, eu e a Joana marcamos de ficar uma hora na biblioteca para ela me explicar os exercícios de Matemática. A Tereza, que ficava na biblioteca, deixou a gente ficar sozinha lá enquanto ela saiu pra almoçar.

– Presta atenção, Helena!

– Olha só, Joana! Cada livro desse deve ter um monte de aventura legal!

– Só que hoje é dia de Matemática, lembra?

– Deixa eu dar só uma olhadinha.

Nem esperei a resposta da Joana, e sai lendo os nomes dos livros na estante. Só que quando puxei um livro para ler, descobri uma coisa muita estranha.

– Olha isso, Joana!

– O quê, Helena?

– O livro!

– O que é que tem?

– As letras sumiram!

– O quê?

Verdade! O livro tava lá, mas dentro, não tinha nada escrito. Comecei a olhar um por um, e nada! Todos os livros estavam em branco. Alguém tinha roubado as letras dos livros. Mas quem?

A Joana deixou os exercícios de Matemática pra me ajudar a encontrar as letras dos livros. A gente não acreditava naquilo. Não podia ser possível, as palavras escritas nos livros, sumirem assim, de um hora para outra! De uma hora para outra era o fim de todas as histórias, não podia!

Tentei sair da biblioteca, mas a porta estava trancada.

– E agora, Joana? Fecharam a porta!

– Não acredito que a Tereza deixou a gente aqui trancada!

A Joana começou a chamar as inspetoras, mas ninguém aparecia.

– Não adianta, Joana, ninguém escuta!

– Então deixa isso pra lá, Helena, vamos estudar Matemática, quando a Tereza chegar a gente conta pra ela.

– Nada disso! Não sossego enquanto não resolver esse mistério.

Tinha que ter alguma explicação, mas qual? Não dá para apagar as palavras dos livros com uma borracha, alguém fez alguma coisa.

– Helena, você acha que tem alguém aqui?

– Já vai começar, Joana?

– É sério! Pode ser perigoso!

Comecei a procurar por toda a biblioteca, a Joana, mesmo com medo, também começou a procurar, mas a biblioteca não era assim tão grande que desse para alguém se esconder tão escondido assim.

De repente eu ouvi um assobio.

– Ouviu, Joana?

– Ouvi! De onde veio?

– Acho que veio de debaixo na mesa da Tereza.

– Eu não vou lá!

Claro que a Joana não foi. Ela é a minha melhor amiga, mas como é medrosa, viu? Mas, eu fui, bem devagarzinho e não acreditei quando eu me abaixei para ver quem tinha assobiado e vi quem estava escondido dentro do cesto de lixo.

– Pequeno Polegar?

– Quem, Helena?

Era o pequeno polegar! Ele mesmo, em carne e osso e miniatura!

– O que você está fazendo fora da sua história?

– Eu tive que fugir do meu livro para buscar ajuda.

– Ajuda pra quê? Disse a Joana.

– Estão roubando as palavras dos livros! Disse o Pequeno Polegar.

É, parecia que alguém não queria que mais ninguém lesse mais nada. Alguém não queria mais palavras no mundo. Foi então que o Pequeno Polegar contou porque fugiu do livro e porque ele fugiu.

Vocês não vão acreditar! Mas foi verdade, juro pela minha mãe! Mas sabe quem sumiu com as palavras dos livros? Os números! É! O 1, o 2, o 3, o 4, o 5, o 6, o 7, o 8 e o 9, saíram dos livros de Matemática e resolveram sumir com as letras dos livros, porque as pessoas gostavam mais das palavras do que deles.

– E onde estão esses números de uma figa?

– Não sei! A última vez que os vi, eles estavam indo para o lado da estante das poesias.

– Deixa que eu vou falar com eles. Disse a Joana.

Se tinha alguém melhor para falar com os números, era a Joana. Não tinha, na escola, ninguém que soubesse mais Matemática do que ela. Não sei o que ela falou para os números, ela nunca me contou isso, mas, não demorou muito e todas as palavras começaram a aparecer nos livros. Não deu nem tempo de me despedir do Pequeno Polegar.

– Pô, Joana, os números gostam mesmo de você, hein?

– É porque eu também gosto muito deles, Helena!

Eu vou confessar uma coisa. Prefiro muito mais as letras, do quê os números, ainda mais depois de tudo o que eles fizeram com as letras. Tudo inveja!

Eu não sei se vocês gostam de Matemática, mas, eu acho que vai ser mesmo muito difícil que um dia eu saiba Matemática assim como a Joana sabe. Acho que nunca!

Mas, tomara que mais gente goste dos números, assim, eles não vão tentar roubar, outra vez, as palavras de livro nenhum!


Meu amigo Curumim

janeiro 22, 2016

Hoje me lembrei de uma aventura bem legal que tivemos, eu, a Joana e o Paulinho. Mas essa foi uma aventura de verdade. Nós ajudamos um indiozinho a salvar os bichos da floresta das mãos de uns caçadores bem malvados. Vou contar direitinho como tudo aconteceu.

Eu, meu pai, minha mãe, a Joana e o Paulinho fomos passar o fim de semana no sítio de um a amigo do meu pai. Era um lugar bem no meio do mato. Não tinha luz. A noite, a luz vinha de um negócio chamado lampião que fica pendurado nas paredes. Todo lugar tinha um daquele para clarear, porque era muito escuro.

A primeira noite foi muito chato, meu pai e os amigos jogando carta, minha mão lendo deitada da rede e eu, a Joana e Paulinho, sem ter o quê fazer. O amigo do meu pai contava um monte de história, dizia que tinha até onça que andava pelo meio daqueles matos e que tinha uma aldeia de índios que morava em uma tribo depois do rio que cortava o sítio dele.

– Então, meninas: Vamos visitar os índios amanhã? Disse o Paulinho.
– Vamos!
– Não é perigoso, Helena? E se a gente ver uma onça, Paulinho?
– Deixar de ser medrosa, Joana. Disse o Paulinho.

Aquilo ali está bem chato e não tinha como não concordar com o Paulinho. Se a gente não fizesse nada, aquele fim de semana seria um tédio.

Um olhou para o outro e saímos correndo para dormir. A gente precisava acordar antes de todo mundo para ninguém ver a gente, senão, duvido que a minha mãe ia deixar a gente ir ver os índios.

No dia seguinte saímos bem devagarzinho para que ninguém escutasse a gente.

– Vou levar esse facão, disse o Paulinho.
– E você sabe usar isso? Falei isso?
– Acho melhor a gente não ir sozinho.
– Se você não quiser, pode ficar, Joana?
– Vamos, Joana, vai ser legal!

Saímos pelos fundos da casa, atravessamos o galinheiro e escorregamos um barranco para chegar até o rio que passava no fundo do sítio. Só que enfrentamos o primeiro problema. Não tinha ponte para atravessar o rio. O Paulinho tentou achar uns pedaços de galhos para fazer uma ponte, mas só achava galhos pequeninhos.

De repente eu escutei um assobio. Olhei para o Paulinho, olhei para a Joana. Eles também tinham ouvidos, mas não vimos ninguém. A Joana, medroso como ela é, já queria voltar pra casa. Não demorou muito e, um assobio de novo. Foi então que a Joana viu do outro lado do rio, um indiozinho.

– Ei, como a gente faz para atravessar o rio? Perguntou o Paulinho

O indiozinho ficava dando risada pra gente.

– Ei, como a gente faz para atravessar o rio? Perguntou de novo o Paulinho.
– A gente quer atravessar. Falei para ele.

Ele riu de novo e sumiu no meio do mato.

– Acho melhor a gente voltar pra casa. Disse a Joana.
– Também to achando melhor, Paulinho.
– Que nada! Vamos atrás daquele indiozinho.

A gente queria, mas como a gente ia atravessar para o outro lado do rio? Foi quando a gente viu o indizinho em uma canoa. Ele tinha vindo buscar a gente.
Subimos na canoa na mesma hora que a gente viu dois homens do outro lado do rio, preparando uma armadilha para pegar algum bicho.

Eu ia até gritar, mas o Paulinho colocou a mão na minha boca e o indiozinho fez sinal de silêncio. Ele levou a canoa bem devagar para o outro lado para que os homens não vissem a gente.

A gente desceu e logo vimos os dois homens numa barraca e um monte de bicho presos em gaiolas. Tinha passarinho, tinha coruja, tinha tatu, tinha até uma tartaruga, que o indiozinho falou que era um jabuti. Aqueles homens estão caçando os bichos da floresta.

– Vocês ajuda Curumim? Homem branco roubando bicho da floresta. Disse o indiozinho.

Curumim falou o que a gente precisava ouvir. Paulinho pegou o estilingue que tinha no bolso e atacou uma pedra da cabeça de um dos homens. O indiozinho começou a fazer o som de um monte de bicho para distrair os homens, aí, eu e a Joana fomos até as gaiolas e soltamos todos os bichos.

Só que os homens viram a gente e começaram a dar um monte de tiro para cima. O indiozinho se escondeu no mato e o Paulinho atrás de uma árvore. Eu e a Joana, bem… Aqueles homens malvados pegaram a gente. Amarraram uma de costa para outro e saíram atrás do Paulinho e do indiozinho.

A Joana já tava chorando, quando o indiozinho saiu do mato com dois índios grandões e soltaram a gente. Só então o Paulinho saiu da árvore. Diz que é cheio de coragem, mas e mais medroso que a Joana.

Como a gente conseguiu ajudar o indiozinho a soltar os bichos da gaiola, os índios grandões ficaram muito felizes com a gente, nos levaram para conhecer a aldeia onde eles moravam, deram um monte de colar pra gente e depois ainda levaram a gente pro sitio do amigo do meu pai.

Foi muito legal conhecer um indiozinho, ajudar ele a soltar os bichos das gaiolas e ainda conhecer uma aldeia de verdade. Os homens? A gente não viu mais, mas espero que os índios grandões tenham dado uma boa lição neles.

Sabe de uma coisa? Faz tempo que meu pai não vai para o sítio do amigo dele. Acho que vou pedir para ele me levar de novo. Quem sabe não encontro de novo o meu amigo Curumim?


A Sereia do Rio

novembro 6, 2015

Quando eu me lembro dessa história, fico toda arrepiada, foi a primeira vez que eu senti medo de verdade. O que era para ser uma grande aventura, acabou sendo um grande susto. Vou contar tudo pra vocês.

Não sei se vocês se lembram do meu primo, o João e o Antônio! Aqueles que são donos do Chicão. Que moram lá no interior! Então, foi por causa deles e com um deles, que quase acontece a maior desgraceira!

Nas últimas férias, fui passar uns dias na casa deles e saímos para andar pelas matas perto do sítio deles. Eu não queria, mesmo porque dá última vez que fui à floresta com eles, dei de cara com o Saci, depois com o Curupira. Nem imaginava o que eu ia encontrar por lá.

– E aí, Helena, vamos caçar Saci? Disse meu primo João.

– Eu não! Nem inventa essa brincadeira que eu volto correndo pra casa da tia.

– Para de botar medo na prima! Me defendeu o  primo Antônio.

– Brincadeira, Helena! Disse o João.

Aí eu tive uma ideia: – Que tal a gente ir até o rio?

De primeira, o primo João gostou da ideia, mas o primo Antonio não achou uma boa ideia.

– A gente só fica na beirinha, a gente não entra. Disse eu a ele.

Antonio não queria, mas João conseguiu o convencer. Então fomos nós lá para o rio. Só que a gente tinha que atravessar um bambuzal enorme pra chegar lá. E eu, morrendo de medo de que aparecesse um Saci, mas não podia mostrar pr’os primos que eu tava com medo. Atravessei o bambuzal todo rezando.

O primo Antonio, não tava feliz, não sabia porque ele não queria ir para o rio.

– Que foi, Antonio. Por que você não quer ir pr’o rio?

– É por nada, não, Helena!

– Já sei! O Antonio está com medo de encontrar a sereia do rio!

– Nada disso!

Eu nunca tinha escutado que no rio tinha sereia. A única sereia que eu conhecia era a que vivia no mar que nem conta a história da pequena sereia.

– Sereia do Rio? Perguntei.

– É, Helena! A Iara mãe d’água! Disso Antonio

– Ah! Essa eu já ouvi falar. Não vai dizer que aqui também tem Iara?

– Vou pegar e dar um nó nos cabelos daquela sereia, podem apostar. Disse o primo João.

– Você sabe que a gente não pode mexer com ela! Retrucou o Antonio.

E parece que eu disse uma palavra mágica. Assim que acabei de falar da Iara, comecei a ouvir uma música tão bonita, mas, tão bonita, que não ouvia mais nada que estava na floresta, só aquela música. Nem os cantos dos passarinhos, das folhas que a gente pisava, nem na correnteza do rio. Foi aí que o primo deu enorme grito no meu ouvido que eu quase fiquei surda.

– Que isso, Antonio? Quer me deixar surda?

– Fecha os ouvidos com a mão. Você não pode ouvir essa música.

– Por quê?

– Fecha que eu to mandado!

Não discuti com o Antonio e tratei logo de tapar os meus ouvidos com a mão, ele também tinha feito o mesmo, mas o primo João… Bem…

– Cadê o João, Antonio?

– Ah não! Corre Helena!

E saímos correndo em direção ao rio, assim que deu um clarão, eu vi, era de verdade! Tava lá, sentada na pedra, penteando os cabelos e cantando aquela música.

– Não ouve, Helena! É a sereia do rio!

Nisso, eu olhei por rio e vi o primo João dentro na água, foi entrando, entrando, até a água cobrir ele todo. Logo depois, a sereia pulou da pedra para dentro da água e o primo Antonio pulou atrás. Comecei a ficar com muito medo.

O tempo tava passando e nada dos primos. Comecei a pensar que eles tinham se afogado.

– Ai, meu Deus! E agora? Socorro!! Alguém ajuda!

Ninguém me respondeu. Só os passarinhos que ficaram todos agitados; começou uma cantoria misturada, que deu até dor de cabeça. De repente eu vejo o primo Antonio arrastando o primo João para fora do rio.

– Ajuda, Helena! Vai chamar o pai!

Saí correndo pra casa dos tios para buscar ajuda, tava morrendo de medo que o João tivesse morrido. Cheguei que nem conseguia falar e mesmo sem entender direito, o tio correu lá pra beira do rio.

O que aconteceu? A sereia do rio encantou o primo João com seu canto e tava levando ele para morar com ela no fundo do rio, se não fosse o primo Antônio, aquela aventura que nem aconteceu, ia terminar na maior desgraça.

Essa foi mais uma das minhas férias inesquecíveis no sitio dos primos. Tem horas que eles parecem pior que o Paulinho, viu?


O Tesouro do Pirata

setembro 4, 2015

Oi, gente! Outro dia eu fui à praia bem legal com a mãe do Paulinho; ficava em uma ilha. A praia era quase deserta. Fui eu, a Joana, o Paulinho, a mãe dele, o tio dele e uns amigos deles. Tivemos até de atravessar o mar em um barquinho pra chegar à praia da ilha no outro lado. Mas, como sempre, o Paulinho acabou colocando eu e a Joana na maior confusão. Vou contar tudo pra vocês. E não pensem que foi tudo mentira. Não foi, não, viu?

Assim que chegamos à praia fiquei assustada, não tinha ido à praia tão cheia. O tio da Paulinho e os amigos dele começaram a montar uma barraca pra gente ficar. A mãe do Paulinho cuidava de arrumar as coisas pra gente comer e beber, porque perto da nossa barraca não tinha nenhum restaurante, só uma barraca que vendia algumas coisas, poucas, mas tinha salgadinho e refrigerante. Menos mal. Paulinho foi logo dar um mergulho, enquanto eu e a Joana começamos a montar nosso castelinho.

A gente está se divertindo muito naquele dia. Fizemos até uma amizade com uma outra menina que também estava na praia. A Isabel. Ela nos ajudou a fazer um castelo bem grande, que o engraçadinho do Paulinho, como sempre, tratou de destruir com aquela sua bola. A gente quis matar o Paulinho. É sempre assim, toda vez que a gente vai da praia e faz um castelo, o Paulinho tem prazer de desmanchar tudo. A Isabel ficou muito brava com o Paulinho.

Como ficou sem graça na frente da Isabel, Paulinho resolveu pedir desculpa e nos chamou para dar uma volta na ilha.

– Onde vocês pensam que vão, hein? Disse a mãe de Paulinho.

– Vou só levar as meninas até as pedras, mãe.

– Nada de pular de cima das pedras, viu, Paulinho? Avisou o tio de Paulinho.

– Só vou mostrar um negócio para as meninas e já voltamos.

O Paulinho foi na frente, enquanto eu, a Joana e a Isabel fomos atrás. Lá na final da praia, tinha umas pedras bem grandes, e entre elas tinha um caminho que levava para uma outra praia. Quando atravessamos as pedras e chegamos na outra praia, não acreditamos no que vimos.

– Um navio pirata! Falou espantada a Isabel.

Eu logo pensei:  Lá vem confusão pela frente.

– Eu não vou entrar naquele navio de jeito nenhum.

– Está com medo, Helena?

– Se a Helena não for, eu também não vou. Disse a Joana.

O quê que aquele navio pirata velho, estava fazendo no meio da areia daquela praia? Não estava gostando nada daquilo.

– Esse navio já está aí faz tempo, Helena!  O meu tio me trouxe aqui uma vez pra me mostrar.

– Eu já vi. Agora a gente já pode voltar. Vamos voltar, meninas?

Eu não queria ficar ali, alguma coisa me dizia que não ia acabar bem. Mas o Paulinho convenceu a gente para dar uma olhadinha dentro no navio e depois voltar.

– Vamos? Só uma espiadinha! Quem sabe a gente não acha um tesouro?

Mesmo achando que não ia acabar bem aquela história, lá fomos nós atrás do Paulinho entrar naquele velho navio, caindo aos pedaços, sujo e cheio de bichos. O Paulinho entrou primeiro, depois a Joana, a Isabel e eu, que fiquei por último. Quando acabamos de entrar, a porta se fechou atrás da gente.

Quando olhamos para trás, um velho com um lenço amarrado na cabeça, com uma roupa rasgada, uma perna de pau, um papagaio velho pendurado no seu ombro, deu uma enorme gargalhada mostrando seus dentes de ouro. Eu e as meninas corremos pra trás do Paulinho, que tremia.

– O que vocês querem aqui no meu navio?

Ficamos todos mudos. A gente tava morrendo de medo para falar alguma coisa.

– Estão atrás do meu tesouro, né?

– Não, não, seu pirata! Disse o Paulinho tremendo.

O velho pirata tirou uma espada detrás da calça e a apontou para o Paulinho. O Paulinho, coitado, de marronzinho, ficou branco! O pirata deu uma outra gargalhada. Assustadora! A Isabel já estava até chorando. A Joana tentava acalmar ela e eu, tava muda feito estátua. O velho pirata ameaçava o Paulinho com a espada, enquanto Paulinho tremia todo.

– Nunca nenhuma criança ousou entrar no meu navio.

– A gente não sabia que o senhor estava aqui, seu pirata. Disse o Paulinho.

– Seu pirata, o senhor desculpa a gente. A gente não queria fazer nada. A gente precisa ir. Eu tentei convencer o pirata.

– É seu, pirata! Deixa a gente ir. A minha mãe teve ta preocupada com a gente. Disse Paulinho, mesmo com medo.

O velho pirata se sentou numa velha poltrona ao lado da porta da saída, pegou do lado dela uma garrafa, bebeu de uma vez só e depois deu outra gargalhada assustadora.

– Agora vocês são meus prisioneiros. E fiquem quietos, porque eu vou dar o meu cochilo. Quando eu acordar eu vejo o que faço com vocês!

Quando o pirata falou isso, a gente se apavorou. A Isabel que já estava mais calma, caiu no choro novamente e desta vez, eu e a Joana também. Paulinho tentava acalmar a gente. Não demorou muito e o velho pirata já roncava que nem um porco.

– Quero ver como você vai tirar a gente daqui, Paulinho? Eu sabia que a gente ia entrar numa confusão.

– Calma, Helena. Eu vou dar um jeito.

O velho pirata jogou sobre o seu corpo um cobertor velho e dormiu, mas colocou sua perna de pau atravessando a porta de saída. A gente não tinha como sair daquele jeito.

– Paulinho, você precisa tirar a gente daqui. Disse a Joana.

– Minha mãe deve tá preocupada. Disse a Isabel.

– Calma, meninas! Deixa eu pensar.

Foi quando eu vi uma corda jogada no chão no navio.

– Uma corda!

– Vamos amarrar o pirata na cadeira! Disse o Paulinho.

Com cuidado, a gente foi enrolando o velho pirata na velha poltrona. A Joana e a Isabel tiraram a perna de pau do pirata. Pronto. A porta da saída estava livre e o pirata dormia amarrado. Abrimos a porta com cuidado. A Isabel saiu logo correndo. A Joana foi logo atrás. O Paulinho se enfiou na minha frente e me deixou por último. Quando eu ia sair, a mão do pirata agarrou meu braço.

– Socorro! Socorro!!

– Calma, menina! Quero dar um presente pela coragem de vocês.

Ele soltou o meu braço, tirou do seu pescoço uma corrente de outro e colocou no meu. Tirou dos bolsos umas moedas de ouro e colocou na minha.

– Essas são para os seus amigos!

Sai correndo sem nem olhar pra trás, até me ralei toda para atravessar o caminho daquelas pedras. Quando cheguei do outro lado, não tinha ninguém me esperando. Olhei e já estava todo mundo desarmando a barraca.

– Corre, Helena! A gente precisa ir embora. Gritou a mãe do Paulinho.

Entrei no barco e não falei com ninguém. Também, bem feito pra eles. Eles me deixaram sozinha, problema deles. Fiquei com todo o tesouro do pirata.

Quando cheguei, mostrei para o meu pai e para minha mãe o tesouro que tinha ganhado do pirata.

Meu pai e minha mãe caíram na gargalhada. Parecia até a gargalhada o velho pirata.

– O que foi?

Meu pai foi até o quarto deles e voltou com uma caixinha. Quando ele abriu, lá tinha uma corrente igual a que eu ganhei do pirata e um montão de moedas iguais as minhas.

– Daqui, Helena. Daqui o seu tesouro pra guardar junto com o nosso.

Depois de levar o maior susto, o meu pai pegou o meu tesouro e guardou dentro da caixa dele e me contou que aquele navio, aquele pirata é tudo encenação para divertir que vai passear naquela ilha. Até hoje o Paulinho fala daquele pirata!


O pequeno Etezinho

junho 19, 2015

Sabe aquelas coisas que a gente não acredita? Que acha tudo uma invenção? Vocês podem até não acreditar, mas essa aventura que eu vivi com a minha amiga Joana, foi a mais pura verdade. Vou contar como tudo aconteceu.

Naquela noite estava tendo festa no salão de festas do meu prédio e todos meus amigos estavam lá. A festa estava muito legal. A gente já tinha brincado de tudo, mas foi quando a gente foi brincar de esconde-esconde que tudo aconteceu. Até hoje eu na consigo esquecer aquela noite.

– Vamos, Joana!

– Ali, Helena, vamos se esconder ali atrás.

– Boa, Joana! Ninguém vai achar a gente ali.

Enquanto o Paulinho contava, eu e a Joana fomos se esconder atrás de um mantinho no jardim, no fundo do salão de festa.

– Aqui ninguém vai achar a gente, Joana!

– E aí a gente sai e salva todo mundo!

De repente eu olhei para o lado e vi um prato colorido, brilhante.

– Olha aquilo, Joana!

– Melhor não mexer, Helena!

– Tá brilhando!

Quando eu fui colocar a mão, sai detrás daquele prato, um negócio, parecia um homenzinho vestindo uma roupa de guarda, fazendo um barulho esquisito. A Joana achava que era um duende, eu achava que era um vaga-lume. De repente ele começou a repetir o que a gente falava.

– Quem é você?

– “Você”.

– Helena, vamos sair daqui.

– “Daqui.!

– Será que é um ET?

– “ET.”

– Eu to com medo, Helena.

– “Helena”

Quando a Joana ameaçou sair correndo, aquela coisa tirou uma arma da sua roupa de guarda e apontou para a Joana e… puff!! A Joana sumiu!

– O que você fez com a minha amiga?

– “Amiga.”

E puff… Depois não me lembro de mais nada, quando acordei, estava numa sala branca, grande, dentro de um vidro, cheio de fios ligados em minha. Olhei para o lado e a Joana também estava lá, dentro de um outro vidro cheia de fios ligados nela.

– Joana!

– Helena!

– Socorro!! Tirem a gente daqui!

Enquanto a gente se debatia tentando se soltar, um monte de homenzinho vestido de guarda olhava para gente dentro do vidro. Eles conversavam, mas a gente não entendia nada.

– Que aconteceu, Joana?

– Acho que a gente foi raptada por ETs.

– A gente precisa sair daqui.

– Mas como, Helena!

A gente precisava sair dali, mas como se a gente não sabia nem como tinha chegado ali. Fui tentar falar com o homenzinho.

– Seu homenzinho, a gente precisa ir embora.

– “Embora.”

– Minha mãe vai brigar comigo.

– “Comigo.”

De repente todo o vidro começou a piscar, parecia que a gente estava dentro de uma luz. Acendia e apagava, acendia e apagava. A gente só ouvia aqueles homenzinhos fazendo um barulho, falando de um jeito que a gente não entendia nada e tudo apagou de vez.

Quando eu e a Joana acordamos, estávamos deitadas do lado do matinho, com todo mundo olhando pra gente.

– Cadê eles, Joana!

– O que aconteceu, Helena?

– Os ETs pegaram a gente.

– É verdade!!

É claro que ninguém acreditou na gente e ainda por cima, ficaram rindo da nossa cara. Mas eu ainda vi quando aquele prato colorido saiu detrás do matinho e sumiu no céu.

– Olha lá, Joana!

– É ele, Helena! É ele!!

E foi assim que eu e a Joana fomos raptadas pelo homenzinho de roupa de guarda e levadas para um outro planeta que a gente nunca soube onde ficava e nem porque ele escolheu levar a gente pra lá.

Nunca mais a gente viu aquele homenzinho. Sabe que lembrando disto agora, fiquei até com saudade dele.


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