A arte de contar histórias

janeiro 16, 2013

Contar histórias é algo que seduz qualquer pessoa. Há que conte histórias através de livros, através de roteiros, através de peças de teatro, há os contadores de “causos”, os contadores de histórias, os que contem histórias por canções, por poesias, contar histórias é uma arte que nunca morrerá. Mais de mil anos se passaram e outros tantos passarão e sempre haverá alguém para contar uma história.

Uma história de amor, uma história de violência, uma história triste, uma história alegre, uma história real, uma história inventada, uma história que nos seduz, uma história que não nos interesse; uma história para as crianças, uma história de aventuras. Não importa o conteúdo da história, pois cada contador, da sua maneira, com o seu olhar, com o que acredita a fará parecer a mais original.

Contar histórias é convidar alguém a entrar em um mundo desconhecido ou em mundo por demais conhecido, um mundo encantador, que nos cause aflição ou encantamento, que nos faça sonhar ou nos cause medo, que nos faça viajar para uma vida diferente da nossa, melhor ou pior, que nos mostre o amor ou a guerra. Contar histórias é dar asas para alma, fazê-la voar para além dos limites do nosso olhar.

Ah, e quando se é capaz de se escrever uma história? Criar novos universos, pessoas, cidades, situações, conflitos, amores, inimigos e saber que alguém vai ler, encenar, filmar, convidar a viajar pela nossa criação. Ah, isso não tem preço para quem gosta de contar histórias! Todo escritor é um grande contador de histórias, mesmo que o faça somente através do papel.

O problema é que existem alguns jovens que precisam entender que mesmo que todos possam contar histórias, é preciso saber que para contar histórias através de romances, peças de teatro, roteiros de filmes ou de televisão, não basta gostar de contar histórias, tem de aprender o jeito de como contar essas histórias. Caso o contrário é melhor contá-las através da fala.

Vejo muita gente interessada em escrever novelas e se preocupam apenas em escrever sinopses. Sinopses nunca serão histórias. Sinopses serão apenas planos de histórias que temos para contar. É preciso saber que para ser um contador de história através do papel deve-se, antes de qualquer coisa, gostar de ler e de escrever. E, acima de tudo, buscar aprender como é que se faz, senão nunca será um verdadeiro contador de histórias.

Então respondam: Quem não gosta de contar uma história? Portanto é preciso ter a consciência que há caminhos a serem percorridos, técnicas a serem apuradas, experiências a serem experimentadas, histórias a serem lidas, romances a serem vividos, dores a serem sentidas e muita vida a ser vivida para poder ter muitas histórias para contar, porque a arte de contar histórias, essa nunca morrerá!

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O sangue, o suor e a lágrima da criação

julho 24, 2012

Diante de uma folha em branco e do desafio de criar mais uma história, o escritor, dramaturgo ou roteirista tem muitas vezes de chorar lágrimas de sangue para conseguir contar uma bela história. Por mais domínio que se tenha da arte de conduzir uma narrativa, nunca é fácil criar, ainda mais quando as histórias parecem ter sido todas contadas.

A impressão que dá é que não se vai conseguir escrever uma única linha sequer, pois, não é apenas escrever palavras, é preciso contar uma história e esta história tem que ter algo que seja interessante de ser contado, algo que alguém queira ler ou ver e é aí que se derrama sangue, suor e lágrima para se criar uma obra literária.

E essa dificuldade fica ainda maior quando nos lançam o desafio de desenvolver uma história em cima de um tema pré-determinado, aí parece que as idéias fogem, nada parece fazer sentido e não há uma única história que tenha um conflito razoável sobre o tema, uma única pontinha que desencadeie uma ação dramática que valha a pena ser contada. E então, o sangue escorre, o suor escorre, a lágrima escorre…

Engana-se quem pensa ser tarefa simples escrever uma história. Tirar a idéia da cabeça e colocá-la no papel, muitas vezes leva, dias e noites de, escreve e apaga na tela do computador. Ver a peça encenada, o filme em cartaz, ou ler o livro publicado, faz parecer fácil a arte de contar histórias, mas transpor emoções para o papel é trabalho duro.

Só que é esse trabalho duro que lapida a arte de um escritor, é ele que faz possível, criar ações dramáticas que se desencadeiam num elo de outras ações dramáticas, em busca das resoluções dos conflitos que justificam as histórias contadas. É esse trabalho duro que faz o escritor, dramaturgo ou roteirista fugir dos clichês e trabalhar sua criatividade para sempre surpreender.

É claro que nem sempre se consegue escrever uma obra literária de grande qualidade, pois, por mais que se tenha derramado sangue, suor e lágrima, para criar uma história, não se foi suficientemente capaz de desenvolver ações dramáticas que fugissem do convencional para que fizesse dela mais que uma história comum com conflitos comuns.

Mas, é assim: trabalhando duro, misturando inspiração, com sangue, suor e lágrima, que se vai ao encontro da criatividade, para aí sim, ir em busca de escrever uma grande história. Se ela vai surpreender? Sempre se espera que sim. Mas, como vai se saber? O importante de tudo é desenvolver sua arte com verdade, independente de sua história vir a ser um sucesso ou não.


Viver da palavra

maio 8, 2012

Volta e meia vejo discussões sobre como furar o funil dos autores das novelas de televisão e são na maioria das vezes, discussões acaloradas, pedindo oportunidades, mas o funil é muito estreito e não há como não admitir, as oportunidades estão sendo dadas, questionar os critérios não me parece salutar, pois se pressupõe que os que as têm, não são capazes, só que temos visto que não é verdade, vide as novelas que estão no ar.

Talvez o grande problema dessas discussões esteja no âmago da questão: o querer escrever! Acredito que os que pleiteiam uma oportunidade para se tornarem escritores de novela, sejam pessoas que vivam da palavra, pois para quem vive da palavra, poder alcançar esse degrau é poder fazer chegar a mais pessoas, as idéias que eles só conseguem levar a uma minoria que admiram o seu trabalho.

Quem vive da palavra, a faz através da literatura, através do cinema, através do teatro e pode sim, fazer na televisão, ou não. Tornar-se um escritor de nove-la pode ser apenas um complemento para quem vive da palavra e, para muitos que vivem da palavra, chegar lá nem é projeto de vida. Quem trabalha com a escrita, precisa trabalhar com a escrita através do leque que o viver da palavra proporciona.

Para muitos que escrevem, poder participar da equipe de colaboradores de uma novela, pode ser o supra-sumo da carreira, e sei de muitos que se realizam assim e, por quê? Porque o que interessa à eles, não é ser escritor de novelas, pois isso eles já são de fato, é ter a certeza de que estão vivendo da palavra e, assim, ainda têm a oportunidade de transitarem por outras áreas da escrita, aumentando ainda mais, a satisfação pela opção de viver da palavra.

A idéia de fama e reconhecimento faz com que muitos confundam o ofício de escrever, com o “glamour” de ser autor de novelas, no ar, depois de editada, pode até parecer fácil, todo mundo sempre acaba achando um defeito aqui, outro ali, e se julga capaz de fazer diferente, de outra forma, ou até melhor, mas o fato real é que para ter a oportunidade de assinar uma novela só sua, é preciso ter mostrada que é capaz de viver da palavra.

Como no futebol, muitos talentos ficam no caminho por vários motivos que não cabe aqui enumerá-los, mas o fato é que quem pleiteia uma chance de escrever uma novela, deve se ater ao projeto de viver da palavra. Eu já fiz a minha opção, não sei se um dia terei a oportunidade de me juntar ao menos a um grupo de colaboradores de algum autor de novela, mas há tempos decidi que mudaria a minha vida para poder viver da palavra.


Da teoria à prática

março 16, 2012

Pode até parecer fácil, mas a distância entre a teoria e a prática é imensa, principalmente em se tratando do ofício de escritor. Seja uma peça de teatro, um roteiro de cinema ou até mesmo uma novela, tanto a teoria, quanto a prática, ás vezes nos parecem insuficientes e uma não vive sem a outra. Mas, não é difícil encontrar aqueles que, mesmo sem ter a prática e muito menos a teoria, se julgam capazes de realizar quaisquer dessas empreitadas.

Não bastasse a insolência de se arriscarem num campo desconhecido, sim, desconhecido, pois não é porque se vê muito algo, que se tem condições de encará-lo, esses jovens ansiosos ainda se julgam capazes de criticar quem levou anos para assimilar a teoria e anos a fio praticando o exercício da escrita. Querer nem sempre é poder.

Eu até entendo que ás vezes a vontade se sobrepõe á realidade, e acabamos colocando a carroça na frente dos bois, mas não adianta, não tem talento que resista a falta de teoria e de conhecimento, principalmente quando falamos da arte de escrever histórias. Uma hora ou outra, uma das duas vai fazer falta, ou as duas, especialmente se o sonho de escrever virar realidade. Na prática a teoria é outra.

O caminho da escrita, à primeira vista, sempre parece um mar de rosas, mas podem apostar, é tão duro quanto qualquer outra atividade, digo mais, é até mais duro, pois não é tarefa simples a de agradar pessoas com as nossas histórias. As nossas histórias são boas para nós; isso é o que sempre achamos, mas e a opinião dos outros? Não é fácil ouvir que o que fazemos não serve pra nada.

Vocês podem até dizer que pouco importa a opinião dos outros, mas uma hora vai importar, pois quem escreve, escreve para falar a alguém, porque senão, qual a razão de tanto esforço? A tarefa é árdua e não pensem que são capazes de fazer melhor de quem tem anos e anos de estrada, mesmo porque, há outros percalços no caminho de quem escreve e gostar de escrever nem sempre é poder fazer. Escrever não é brincadeira.

Espero que muitos que estejam se iniciando no ofício de escrever, possam se tornar grandes escritores, grandes dramaturgos, grandes novelistas, ou até mesmo, grandes críticos de arte, pois até para criticar quem escreve, tem de saber como é que se faz, mas falar sobre a crítica de arte vai ficar para outro dia.

Portanto, muito mais do que dar asas a imaginação e ter vontade voraz de se tornar um grande escritor é preciso frear a ânsia do fazer de qualquer jeito e de achar que se é capaz. É preciso ter a consciência do aprender, a fim de reunir teoria suficiente para poder colocá-las em prática. Só assim vocês conhecerão a verdadeira distância que há entre a teoria e prática.


Adaptar para exercitar

novembro 18, 2011

Ás vezes, quando a inspiração não dá o ar da graça e a página em branco na tela do computador se faz assustadora e, por mais que se tente, as histórias originais que dão tanto gosto de criar, insistem em não serem contadas, eu lanço mão de uma das lições que aprendi quando freqüentava um curso de dramaturgia: fazer a adaptação de um conto.

Sim, uma boa adaptação de um bom conto é um exercício ideal para praticar a escrita enquanto nossas histórias originais insistem em nos abandonar e também é uma ótima ferramenta para quem ainda tateia e escreve suas primeiras linhas em busca de contar as suas histórias. A adaptação sempre nos auxilia, principalmente, na prática de outros formatos, seja teatro ou cinema.

A prática da dramaturgia, como muitos já devem ter ouvido, é um exercício contínuo e a adaptação de um conto vem de encontro ao exercício desta prática, pois, em cada conto, é possível encontrar todos os elementos que uma boa história necessita e que todos que escrevem, precisam conhecer e ter o domínio sobre eles. Analisar, esmiuçar e dessecar um conto e transpô-lo para um outro formato vai, com certeza, estimular ainda mais a criatividade.

Adaptar a obra de um outro autor não pode ser encarado como uma coisa menor e sem valor, acho até que muito pelo contrário, pois, transformar as linhas de um conto, narrado seja na primeira ou na terceira pessoa, em um texto para teatro ou um roteiro cinematográfico é dar movimento e ação àquela história que estava estática e só ganhava movimento na imaginação de seu leitor.

É claro que quando se faz a adaptação de um conto, não se tem a pretensão de fazê-lo melhor, apenas usar a história já contada e adaptá-la para uma outra linguagem como o teatro, cinema ou televisão. A adaptação, como já disse mais acima, nada mais é do que um grande exercício que nos ajuda a superar certos momentos de falta de inspiração e nos ensina a entender melhor os caminhos da escrita.

Nem sempre uma história original nos dá o ar da graça, não é mesmo? Nem sempre a imaginação se faz presente, mas para quem pratica o exercício da escrita diariamente, a qualquer tempo pode sacar das folhas de um velho livro, um belo conto, explorar a sua criatividade e transformá-lo, dando à ele um novo olhar, uma nova emoção, quem sabe até, um novo final.

Portanto, quem ainda não experimentou e está querendo praticar a escrita da dramaturgia, aconselho ler, esmiuçar, dessecar e adaptar um conto. Explore a história, encontre os conflitos, analise as personagens e dê um outro ponto de vista para o enredo, você não vai fazer uma história original, mas com toda certeza vai ter praticado um belo exercício.


O que faz um texto bom ou ruim?

setembro 3, 2011

Até algum tempo atrás eu não tinha a mínima idéia se alguém acharia o que escrevo bom ou ruim, mas como escrever sempre foi o que eu mais gostei de fazer, eu não me preocupava com isso e continuei. Só que resolvi tirar meus textos do fundo da gaveta e colocá-los a disposição de quem quiser ler. Assim pude ter a exata noção se o que eu estava fazendo tinha ou não algum valor.

Confesso que no primeiro momento, colocar meus textos para apreciação de outras pessoas, me causou grande apreensão, mas tive sorte, sempre encontrei pelo meu caminho, pessoas que me mostraram o que eu precisava e, que ainda preciso em meus textos, para melhorá-los e quais caminhos seguir. E em uma coisa todos foram unânimes, recomendaram-me que eu praticasse a escrita, pois assim aumentaria a possibilidade de ter um texto bom.

E como escrever é uma arte artesanal, eles estavam certos, quanto mais se pratica, mas se ganha habilidade para escrever. Mas só essa habilidade me pareceu pouco para distinguir um texto de bom ou ruim, precisava de outras ferramentas. Foi aí que resolvi freqüentar oficinas de dramaturgia, de roteiros, presenciais e on line, li muito mais do que já lia e busquei conhecimento. Dito e feito, escrever se tornou, muito mais prazeroso.

Outra coisa também vem contribuindo para que eu siga a minha trilha pelos caminhos das letras em busca de um bom texto: disciplina. Reservar-me em meu canto e trabalhar artesanalmente cada frase, cada palavra, fazer e refazer quantas vezes eu achar que deva, até que meu texto expresse a verdade que eu queira passar. Sei que nem sempre eu consigo, mas como escrever é um eterno aprendizado, sei que ainda posso chegar lá.

Hoje, já não fico mais tão apreensivo se vão achar ou não, os meus textos bons, ou ruins, ou sei lá o quê, o que sei é que a minha busca por um texto melhor vai ser eterna, e isso, os meus bons conselheiros também me alertaram. Diziam eles: escreva usando todas as técnicas que você adquirir, use toda a criatividade que você tiver e trabalhe suas palavras da melhor forma para contar a sua história, se o texto for bom, os leitores vão dizer.

Depois de tanto tempo escrevendo, o que posso falar sobre o que seja um texto bom ou um texto ruim, é que não consegui encontrar uma receita para isso, pois se escrevemos de forma rebuscada demais, uns nos acham muito chatos, outros nos adoram; se usamos um vocabulário mais coloquial, os acadêmicos nos renegam, mas outros não; se usamos mão dos clichês, uns dizem que apenas requentamos fórmulas batidas, mas outros nem ligam.

E o que o escritor tem a fazer? Praticar, praticar e encontrar seus leitores, sem nunca deixar de buscar incansavelmente, a produção de um texto cada vez melhor, pois só assim, é que conseguirá atingir mais e mais leitores que atestarão o quanto o seu texto é bom. E é isso que busco!


Aprender é um exercício contínuo

julho 28, 2011

Quanto mais a gente aprende, mais temos a certeza de que ainda há muito para se aprender. E como é bom quando a gente tem a noção exata de quanto ainda temos que aprender. Por mais bagagem que se tenha adquirido durante a nossa vida, aprender é um exercício diário e para mim que escrevo o aprender é sempre estimulante e, acima de tudo, de fundamental importância para o desenvolvimento de minha atividade.

Poder mergulhar de cabeça em algo que me dará mais conhecimento e mais habilidade, só vem a contribuir para a melhoria do meu trabalho. E se escrever é um exercício diário, e de fato o é, sempre que sou pego de sobressalto por algo pelo qual tinha certeza que dominava, mas que na verdade não dominava quanto deveria dominar, tenho a exata dimensão que além de exercitar minha escrita, preciso praticar a humildade de reconhecer que aprender é um exercicio contínuo.

A certeza da necessidade de que ainda há algo para aprender serve como um freio para a prepotência e para arrogância que nos toma de surpresa quando na nossa soberba, achamos que sabemos muito mais do que na verdade sabemos. E é isso que nos obrigamos a prosseguir na caminhada do aprender, pois se a escrita é nosso ofício, aprender é a nossa lição. E quem achar que não, deve colocar as barbas de molho.

Não é porque se atingiu um patamar de respeitabilidade que se deve abrir mão do aprendizado, muito pelo contrário, pois quando se torna uma referência, ou se tem o trabalho consagrado, premiado e elogiado, a cobrança por resultados e a exigência pela excelência se torna proporcional e a falta de conhecimento ou de habilidade necessária é capaz de colocar todo prestígio a perder. Portanto, quanto mais bem sucedido, maior a necessidade de se aprender.

Não devemos nos envergonhar de estar sempre aprendendo, pois a humildade de reconhecer nossa imensa ignorância nos faz sábio o suficiente para saber que para escrever, precisamos saber e para saber, precisamos aprender e para aprender, precisamos aceitar que não sabemos nada. Aqueles que desfilam a soberba e se acham tão bons a ponto de não precisarem aprender, uma hora ou outra, vão saber que sabem muito menos que achavam que sa-biam.

Escrever é um exercício diário e aprender um exercício contínuo, só assim, admitindo a necessidade de que um complementa o outro, podemos nos qualificar e fazer do nosso trabalho algo que justifique que alguém nos prestigie. Negligenciar o aprendizado por se achar suficiente capaz naquilo que faz é correr o risco de saber que não se é aquilo que sempre se achou que era. Nunca é suficiente o que se aprende e sempre será muito pouco.

 


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