Quando o país dará importância à Educação?

novembro 24, 2017

Não pode ser admissível, em um país que quer ser uma grande potência mundial que, em pleno século XXI, metade das crianças em idade de aprendizagem, ainda não saiba ler, escrever e contar, pelo menos é isso que mostra uma recente pesquisa divulgada pelo próprio Ministério da Educação. Tal quadro deixa claro o quanto a desigualdade social ainda nos deixará distantes de sermos um país justo.

Por mais que os esforços de docentes e educadores para melhor esse quadro latente de analfabetismo no Brasil, o que fica cada vez mais claro é que não existe e nunca existiu um projeto para a Educação do país, um projeto apartidário, que pensasse a Educação como a verdadeira alavanca para diminuição da desigualdade social e da melhoria da vida das pessoas como um todo. O que fazer pela Educação de verdade?

Países como o Japão e a Coréia do Sul, já deram exemplos práticos de que, quando o país dá importância à Educação, o país se transforma, mas, parece que investir de fato em Educação, não parece ser a prioridade para os políticos brasileiros, afinal de contas, como barganhar votos, se não tiver um projeto ilusório para a Educação? É lastimável que a demagogia política seja maior que a necessidade de transformar o país!

A Educação não pode e não deve ser prioridade deste ou daquele partido político, pois, assim, nunca deixará de ser uma promessa de campanha, já passou da hora de se discutir a Educação para além das plataformas partidárias, não podemos ver o tempo passar e assistirmos, inertes, esse quadro de analfabetismo no país que não diminui nunca. Ou se investe de fato em Educação, ou jamais diminuiremos a desigualdade social.

Quantos docentes e Educadores nadam contra a maré, neste mar de um país que não leva a Educação como prioridade número um? Existem grandes ideias e grandes projetos, que se perdem em meio às promessas políticas, ou que são jogadas fora, após esta ou aquela administração, apenas por terem sido criados pelos adversários políticos. E quem sofre? Quem sofre é o povo que vê, ano após ano, o quadro de analfabetismo crescer.

Quando o país dará a importância para a Educação? Até quanto ainda assistiremos pesquisas mostrando o alto grau de analfabetismo em nossas crianças? Quanto tempo ainda demorará, para que os políticos entendam que Educação não é plataforma de um partido? Até quando assistiremos docentes e Educadores nadando contra a maré? Quando chegará o dia que a Educação derrotará de vez a barreira da desigualdade social. Quando a Educação será, de fato, a nossa bandeira?

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Os pais que não sabem dizer não

julho 28, 2017

Um recente caso gerado pela celeuma entre duas mulheres por conta de um brinquedo deixou bem claro uma situação que vem se tornando cada vez mais corriqueira nos tempos atuais e expôs a olhos nus, a dificuldade que os pais de hoje em dia tem em dizer não aos seus filhos, escancarando o quanto se está criando uma geração mimada e despreparada, que não aceita perder e quer ter tudo, até aquilo que não pode ter.

Já é ponto pacífico entre aqueles que estudam o comportamento humano que saber dizer não, faz parte da educação da criança, pois ela precisa conhecer limites e aprender que não se pode ter tudo na vida e que se quer conquistar alguma coisa, se faz necessário que haja algum esforço próprio para conseguir. Os pais não podem aceitar, passivamente, um bate pé do seu filho, seguido de lágrimas de crocodilo e de pronto, fazerem às suas vontades.

A criança precisa reconhecer nos pais, a autoridade, não um objeto fácil para realizar as suas chantagens e assim, satisfazerem as suas vontades a toda hora. Para alguns pais, parece que dizer não aos filhos é o fim do mundo, muitos até acabam passando por situações vexatórias diante de espaços públicos com os escândalos feitos pelos filhos quando não tem suas vontades satisfeitas naquele instante.

Os pais precisam parar de se colocarem como refém dos próprios filhos, pois, amar não é sempre dizer sim, a criança precisa saber que tem hora que pode e hora que não pode, que aquilo não pertence a ela e que ela precisa respeitar o outro. O quê esses pais pensam que a vida vai entregar aos seus filhos? Dizer sempre sim para os filhos expõe a fragilidade desses pais em educarem os seus filhos para a vida.

Todo pai é uma farol na vida de seu filho, é a luz que o guia por novos caminhos desconhecidos, que ele descobre todos os dias, ele está conhecendo a vida, o perder e ganhar precisa ser ensinado, mostrado e explicado, não é fazendo sempre às suas vontades, que o filho vai aprender o que deve ou não ser feito, muito pelo contrário, assim, o filho vai achar que todos têm à obrigação de satisfazerem às suas vontades sempre que ele queira.

A vida está cada vez mais complicada e competitiva, precisamos preparar nossos filhos para encarar os problemas de verdade e não criar cidadãos fracos, covardes, mimados, que se não conseguem o que querem, dão chiliques e fazem chantagens. Não tenha medo de dizer não ao seu filho, quando ele crescer, vai lhe agradecer por todos os não que você deu a ele. Não tenha medo, dizer não, não vai matar o seu filho e não é nenhum pecado.


Quem será a criança de amanhã?

outubro 12, 2013

Era uma vez, em um reino muito, muito distante, onde, um montão de criança, passava os dias de pés descalços, pulando amarelinha, empinando papagaios, rodando seus piões, brincando de gosta desse, pulando mãe na mula, jogando rouba bandeira, garrafão, enfim, desfilando a inocência e a alegria de ser criança, só que hoje em dia esse reino ficou ainda mais distante.

Já faz um bom tempo que a criança não é mais a mesma e as brincadeiras de  outrora foram ficando cada vez mais e mais esquecidas e hoje, moram em algum canto perdido de nossas memórias, até parece que quanto mais o tempo passa, mais esquecidas elas ficam. Há tempos a criança perdeu o interesse pela simples emoção de uma brincadeira comum.

Mas a culpa é nossa, e não podemos nos redimir desse fardo, pois em nome de outras tantas preocupações da vida moderna, cerceamos o direito de uma criança experimentar as mesmas emoções que sentimos e lhe ofertamos outras diversões, que elas, na doce pura inocência de ser criança, encontraram sentido e se contentaram em brincar dentro das quatro paredes de seus quartos.

E o que podemos perceber é que cada dia que passa, mais e mais crianças deixam de ser criança antes da hora, bonecas são postas de lado, carrinhos agora enfeitam as mesas que sustentam os vídeos games, os interesses por assuntos da vida adulta se mostram cada vez mais presente e o que havia de mais sério e importante para criança, que era brincar, não faz mais sentido.

É certo que a criança de hoje é bem diferente da criança que habitava aquele reino muito, muito distante, ficaram mais maliciosas, muito mais manhosas, mais ardilosas e hoje dominam com maestria seus pais, que se mostram cada vez mais reféns de seus gostos e vontades. Aquela criança inocente que passava horas e horas, preocupada apenas com a sua brincadeira, não existe mais. E como será a criança de amanhã?

Está certo que a evolução de nossa espécie é inexorável e jamais seremos os mesmos, portanto, a criança de hoje, jamais será tal e qual a criança que habitava aquele reino muito, muito distante, seus saberes são outros, seus desenvolvimentos também, mas mostrar à elas, a delícia de se sentir inocente e de conhecer a magia de se fantasiar sobre algo através de uma simples brincadeira, esta, precisa ser preservada.

Ainda dá tempo de resgatarmos a essência do que é ser criança nas crianças de hoje, pois a coisa que uma criança mais gosta de fazer é brincar e brincar não precisa de brinquedo caro, de nenhuma tecnologia, não precisa de computador, de vídeo game, não precisa de nenhuma tecnologia, basta deixar que a criança seja criança, para que amanhã ela continue sendo o que é, uma criança.


A ESPERANÇA

abril 13, 2013

A esperança

Habita os olhos da criança

Que entra na dança

Sem nem bem saber

Qual é a brincadeira

E de forma faceira

Toma o coração do desavisado

Que enredado pelo brilho

De uma curiosidade infinita

Se perde numa doce viagem

 

A esperança

Habita o sorriso da criança

Que nunca se cansa

Da alegria de viver

E faz da vida brincadeira

Que nem mesmo a certeira

Convicção do letrado

Encobre aquele brilho

De uma felicidade infinita

Que nos enche de coragem

 

A esperança não tem cor

Ela não é branca, nem preta,

Nem verde, nem amarela

Ela é toda uma aquarela

Que só quem tem alma de criança

É capaz de saber pintar.


Por que ensinar Teatro?

maio 16, 2012

Tenho amadurecido durante os últimos anos a idéia de como seria salutar, se fosse criada a disciplina “Teatro” nas escolas brasileiras, já até escrevi sobre isso há tempos atrás, mas como nos dias de hoje o que impera é um tal cinismo travestido de politicamente correto, penso que ensinar Teatro nas escolas poderia contribuir para desmascarar toda essa hipocrisia que nos cerca.

Vivemos fantasiando um mundo que não existe nem em contos de fadas, e este mundo é fruto dos comportamentos frustrados, inseguros, preconceituosos, egoístas e desrespeitosos de uma população que está muito mais preocupada no seu bem estar e usa do cinismo para deixar as coisas do jeito que menos a incomode. E onde o ensino do Teatro entra nisso? Justamente como um antídoto.

Temos que aproveitar a magia que envolve o Teatro para trazer a criança e o adolescente para este universo, pois além de incutir neles, a oportunidade de conhecimento da cultura e da história do mundo, podemos mostrar à eles, sem cinismo e sem hipocrisia, que uma população é formada de pessoas diferentes, que devem ser respeitadas e não enquadradas em modelos de comportamentos que julguemos ideal.

O Teatro, como a arte que imita a vida, é capaz de mostrar e ensinar a criança e ao adolescente, através dos dramas e do humor que são retratados em cena, que a vida ideal é muito diferente desta que o tal politicamente correto quer nos vender, ela passa pelo respeito ao semelhante e mostra com lentes garrafais que não há espaço para o preconceito, para discriminação e para falta de respeito, valores que a atual grade escolar não consegue passar.

Sei que alguns podem pensar que uma coisa não tem nada a ver com a outra, pois teatro é uma arte e não deve se prestar a este papel, mesmo assim vou discordar, pois a função de qualquer arte vai muito além de ser uma atividade criativa e o Teatro, pode sim, cumprir muito bem esse papel. Além do mais, mesmo que a disciplina nas escolas não revele nenhum grande talento, com certeza vai formar um público que vai saber respeitar o teatro como a grande arte que é.

Uma sociedade melhor passa pela educação, principalmente de suas crianças e fazer do Teatro, que é o lugar da democracia dos sentimentos e das emoções, um instrumento para levar às crianças e aos adolescentes, os verdadeiros valores de um cidadão e ainda oferecer à elas arte e cultura, não pode ser assim tão ruim, não é mesmo?

Portanto, à todos que ministram suas oficinas, ensinando a arte do Teatro às crianças e aos jovens, saibam que, mesmo que inconscientemente estão sendo responsáveis por formarem novos cidadãos, que com certeza, crescerão livres de preconceitos e com a mente aberta para entender que uma sociedade é feita de diferentes.


Quem sabe o que criança quer?

fevereiro 17, 2011

Adulto é mesmo presunçoso, pretensioso e se julga o dono da verdade, pois que lhes deu, ou dá o direito para dizer o que uma criança gosta ou não gosta de assistir no teatro? Quem lhes deu, o dá o direito de achar que esta ou aquela peça de teatro, ou que este ou aquele programa infantil de televisão, não serve para as crianças?

Em que lugar está escrito que criança não gosta de cenas de pastelão, de tombos e cacetadas? Existe alguma pesquisa feita com crianças afirmando isso? Eu, pelo menos, não conheço. Será que eles nunca viram como criança se diverte diante destas situações? Ou a simples recusa por tais situações reflete apenas uma visão presunçosa destes adultos?

Escrever para criança, não é fácil, e não há como negar isso, pois consiste justamente neste desafio, o de não ter a pretensão nenhuma de querer adivinhar o que uma criança quer ou não. É preciso pensar como criança, que curte a brincadeira sem se dá conta do que é certo ou errado. Agora me digam uma coisa: Que criança não ri até ficar com dor de barriga, quando vê uma outra criança se estatelando no chão?

Ou eu vivo em outro planeta, ou não reconheço mais o universo que vivo, onde minhas filhas se divertem com situações como estas. Aliás, aqui entre nós, qual o adulto que não racha o bico quando vê um outro igual, se estatelar no chão? Essa coisa de politicamente correto quer reinventar a criança, tanto, que até no Teatro Infantil, “estudiosos” condenam textos que tenham isso ou aquilo, ficam ditando regras do que é certo, ou errado, do que é bom ou mau. Quem tem de ter opinião sobre isso é a criança. Se o adulto gostar, muito que bem, senão, ombros pra ele.

Eu, quando vou escrever um texto infantil, tenho como público alvo, a criança e é a ela que tenho de conquistar, afinal de contas é sobre o universo dela que estou escrevendo. Jamais me preocupo qual vai ser a reação dos adultos e como eles vão receber o meu texto. Se a criança gostar, missão cumprida.

Tem um texto meu que ficou em cartaz anos atrás, que a crítica achava muito clichê, que alguns adultos não enxergavam nele algo construtivo, mas para surpresas destes adultos, as crianças que iam assistir ao espetáculo, suplicavam para que seus pais as levassem outras tantas vezes. Vê como é estranho o que é gostar, não é mesmo?

Por isso, e depois disso, não costumo dar ouvidos ao que os adultos falam sobre os meus textos infantis, ou sobre de como é que deve ser o texto infantil ideal. Para mim, o texto infantil ideal é o que a criança gosta, e não o que adulto quer. E ponto final.


Todo ano é tudo igual. Até quando?

dezembro 5, 2010

Eu já estou quase jogando a toalha e estou seriamente pensando em não ir mais assistir às famosas apresentações culturais que as diversas artes preparam para contemplar seus alunos e agradar os respectivos pais no encerramento de mais um ano dos seus respectivos cursos. Nada contra as apresentações, nem contra os alunos, muitos menos contra os artistas que preparam as tais apresentações. O problema está na platéia.

Todo ano é tudo igual, tenho a impressão que não fui assistir um evento cultural e sim uma partida de futebol, no jogo que decide o campeonato, pois é só as crianças e jovens ganharem o palco, para um enxurrada de assobios, apupos, gritarias histéricas tomar o teatro de uma tal forma, que é impossível se entender alguma coisa, até mesmo analisar até que ponto as crianças e jovens evoluíram em seus respectivos cursos.

Eu juro que até me preparo psicologicamente para ir aos eventos, mas, a cada ano que passa, os pais, tios, avôs e avós, se superam. Infelizmente, eles não percebem, o quanto esses seus comportamentos, prejudicam os seus filhos. Eu procuro até entender a excitação, misturado a um misto de alegria e orgulho em ver os seus filhos no palco, mas não consigo entender tanto frenesi. É muito pra minha cabeça.

Talvez, muitos de vocês, podem me achar um chato, e dizerem que essas apresentações têm uma conotação festiva e serve muito mais para incentivar os alunos do que apurar se alguém tem ou não talento. Mas, cá comigo, você sai de casa com a maior boa vontade, enfrenta todo aquele empurra para entrar no teatro e ainda tem que passar o tempo todo ouvindo gritos e assobios no seu ouvido? É o fim!

Acho que os professores dos cursos, quando da preparação dos espetáculos do final do ano, podiam alertar aos alunos, para que eles avisassem os seus parentes, para que eles mantivessem um mínimo de respeito com o próximo, pois existem pais, que querem prestigiar os seus filhos, mas com a civilidade que o evento merece. Ninguém é obrigado a compactuar com tanta falta de educação.

Bem, felizmente as apresentações em que tinha que ir esse ano, já aconteceram e não mais precisarei presenciar outra vez, tanta descompostura e muito menos aturar uma mãe histérica, gritando no meu ouvido palavras de incentivos, como se o filho estivesse participando de uma prova de natação. Espero imensamente que o ano que vem, nada seja assim tão igual.


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