Quem será a criança de amanhã?

outubro 12, 2013

Era uma vez, em um reino muito, muito distante, onde, um montão de criança, passava os dias de pés descalços, pulando amarelinha, empinando papagaios, rodando seus piões, brincando de gosta desse, pulando mãe na mula, jogando rouba bandeira, garrafão, enfim, desfilando a inocência e a alegria de ser criança, só que hoje em dia esse reino ficou ainda mais distante.

Já faz um bom tempo que a criança não é mais a mesma e as brincadeiras de  outrora foram ficando cada vez mais e mais esquecidas e hoje, moram em algum canto perdido de nossas memórias, até parece que quanto mais o tempo passa, mais esquecidas elas ficam. Há tempos a criança perdeu o interesse pela simples emoção de uma brincadeira comum.

Mas a culpa é nossa, e não podemos nos redimir desse fardo, pois em nome de outras tantas preocupações da vida moderna, cerceamos o direito de uma criança experimentar as mesmas emoções que sentimos e lhe ofertamos outras diversões, que elas, na doce pura inocência de ser criança, encontraram sentido e se contentaram em brincar dentro das quatro paredes de seus quartos.

E o que podemos perceber é que cada dia que passa, mais e mais crianças deixam de ser criança antes da hora, bonecas são postas de lado, carrinhos agora enfeitam as mesas que sustentam os vídeos games, os interesses por assuntos da vida adulta se mostram cada vez mais presente e o que havia de mais sério e importante para criança, que era brincar, não faz mais sentido.

É certo que a criança de hoje é bem diferente da criança que habitava aquele reino muito, muito distante, ficaram mais maliciosas, muito mais manhosas, mais ardilosas e hoje dominam com maestria seus pais, que se mostram cada vez mais reféns de seus gostos e vontades. Aquela criança inocente que passava horas e horas, preocupada apenas com a sua brincadeira, não existe mais. E como será a criança de amanhã?

Está certo que a evolução de nossa espécie é inexorável e jamais seremos os mesmos, portanto, a criança de hoje, jamais será tal e qual a criança que habitava aquele reino muito, muito distante, seus saberes são outros, seus desenvolvimentos também, mas mostrar à elas, a delícia de se sentir inocente e de conhecer a magia de se fantasiar sobre algo através de uma simples brincadeira, esta, precisa ser preservada.

Ainda dá tempo de resgatarmos a essência do que é ser criança nas crianças de hoje, pois a coisa que uma criança mais gosta de fazer é brincar e brincar não precisa de brinquedo caro, de nenhuma tecnologia, não precisa de computador, de vídeo game, não precisa de nenhuma tecnologia, basta deixar que a criança seja criança, para que amanhã ela continue sendo o que é, uma criança.


A ESPERANÇA

abril 13, 2013

A esperança

Habita os olhos da criança

Que entra na dança

Sem nem bem saber

Qual é a brincadeira

E de forma faceira

Toma o coração do desavisado

Que enredado pelo brilho

De uma curiosidade infinita

Se perde numa doce viagem

 

A esperança

Habita o sorriso da criança

Que nunca se cansa

Da alegria de viver

E faz da vida brincadeira

Que nem mesmo a certeira

Convicção do letrado

Encobre aquele brilho

De uma felicidade infinita

Que nos enche de coragem

 

A esperança não tem cor

Ela não é branca, nem preta,

Nem verde, nem amarela

Ela é toda uma aquarela

Que só quem tem alma de criança

É capaz de saber pintar.


Por que ensinar Teatro?

maio 16, 2012

Tenho amadurecido durante os últimos anos a idéia de como seria salutar, se fosse criada a disciplina “Teatro” nas escolas brasileiras, já até escrevi sobre isso há tempos atrás, mas como nos dias de hoje o que impera é um tal cinismo travestido de politicamente correto, penso que ensinar Teatro nas escolas poderia contribuir para desmascarar toda essa hipocrisia que nos cerca.

Vivemos fantasiando um mundo que não existe nem em contos de fadas, e este mundo é fruto dos comportamentos frustrados, inseguros, preconceituosos, egoístas e desrespeitosos de uma população que está muito mais preocupada no seu bem estar e usa do cinismo para deixar as coisas do jeito que menos a incomode. E onde o ensino do Teatro entra nisso? Justamente como um antídoto.

Temos que aproveitar a magia que envolve o Teatro para trazer a criança e o adolescente para este universo, pois além de incutir neles, a oportunidade de conhecimento da cultura e da história do mundo, podemos mostrar à eles, sem cinismo e sem hipocrisia, que uma população é formada de pessoas diferentes, que devem ser respeitadas e não enquadradas em modelos de comportamentos que julguemos ideal.

O Teatro, como a arte que imita a vida, é capaz de mostrar e ensinar a criança e ao adolescente, através dos dramas e do humor que são retratados em cena, que a vida ideal é muito diferente desta que o tal politicamente correto quer nos vender, ela passa pelo respeito ao semelhante e mostra com lentes garrafais que não há espaço para o preconceito, para discriminação e para falta de respeito, valores que a atual grade escolar não consegue passar.

Sei que alguns podem pensar que uma coisa não tem nada a ver com a outra, pois teatro é uma arte e não deve se prestar a este papel, mesmo assim vou discordar, pois a função de qualquer arte vai muito além de ser uma atividade criativa e o Teatro, pode sim, cumprir muito bem esse papel. Além do mais, mesmo que a disciplina nas escolas não revele nenhum grande talento, com certeza vai formar um público que vai saber respeitar o teatro como a grande arte que é.

Uma sociedade melhor passa pela educação, principalmente de suas crianças e fazer do Teatro, que é o lugar da democracia dos sentimentos e das emoções, um instrumento para levar às crianças e aos adolescentes, os verdadeiros valores de um cidadão e ainda oferecer à elas arte e cultura, não pode ser assim tão ruim, não é mesmo?

Portanto, à todos que ministram suas oficinas, ensinando a arte do Teatro às crianças e aos jovens, saibam que, mesmo que inconscientemente estão sendo responsáveis por formarem novos cidadãos, que com certeza, crescerão livres de preconceitos e com a mente aberta para entender que uma sociedade é feita de diferentes.


Quem sabe o que criança quer?

fevereiro 17, 2011

Adulto é mesmo presunçoso, pretensioso e se julga o dono da verdade, pois que lhes deu, ou dá o direito para dizer o que uma criança gosta ou não gosta de assistir no teatro? Quem lhes deu, o dá o direito de achar que esta ou aquela peça de teatro, ou que este ou aquele programa infantil de televisão, não serve para as crianças?

Em que lugar está escrito que criança não gosta de cenas de pastelão, de tombos e cacetadas? Existe alguma pesquisa feita com crianças afirmando isso? Eu, pelo menos, não conheço. Será que eles nunca viram como criança se diverte diante destas situações? Ou a simples recusa por tais situações reflete apenas uma visão presunçosa destes adultos?

Escrever para criança, não é fácil, e não há como negar isso, pois consiste justamente neste desafio, o de não ter a pretensão nenhuma de querer adivinhar o que uma criança quer ou não. É preciso pensar como criança, que curte a brincadeira sem se dá conta do que é certo ou errado. Agora me digam uma coisa: Que criança não ri até ficar com dor de barriga, quando vê uma outra criança se estatelando no chão?

Ou eu vivo em outro planeta, ou não reconheço mais o universo que vivo, onde minhas filhas se divertem com situações como estas. Aliás, aqui entre nós, qual o adulto que não racha o bico quando vê um outro igual, se estatelar no chão? Essa coisa de politicamente correto quer reinventar a criança, tanto, que até no Teatro Infantil, “estudiosos” condenam textos que tenham isso ou aquilo, ficam ditando regras do que é certo, ou errado, do que é bom ou mau. Quem tem de ter opinião sobre isso é a criança. Se o adulto gostar, muito que bem, senão, ombros pra ele.

Eu, quando vou escrever um texto infantil, tenho como público alvo, a criança e é a ela que tenho de conquistar, afinal de contas é sobre o universo dela que estou escrevendo. Jamais me preocupo qual vai ser a reação dos adultos e como eles vão receber o meu texto. Se a criança gostar, missão cumprida.

Tem um texto meu que ficou em cartaz anos atrás, que a crítica achava muito clichê, que alguns adultos não enxergavam nele algo construtivo, mas para surpresas destes adultos, as crianças que iam assistir ao espetáculo, suplicavam para que seus pais as levassem outras tantas vezes. Vê como é estranho o que é gostar, não é mesmo?

Por isso, e depois disso, não costumo dar ouvidos ao que os adultos falam sobre os meus textos infantis, ou sobre de como é que deve ser o texto infantil ideal. Para mim, o texto infantil ideal é o que a criança gosta, e não o que adulto quer. E ponto final.


Todo ano é tudo igual. Até quando?

dezembro 5, 2010

Eu já estou quase jogando a toalha e estou seriamente pensando em não ir mais assistir às famosas apresentações culturais que as diversas artes preparam para contemplar seus alunos e agradar os respectivos pais no encerramento de mais um ano dos seus respectivos cursos. Nada contra as apresentações, nem contra os alunos, muitos menos contra os artistas que preparam as tais apresentações. O problema está na platéia.

Todo ano é tudo igual, tenho a impressão que não fui assistir um evento cultural e sim uma partida de futebol, no jogo que decide o campeonato, pois é só as crianças e jovens ganharem o palco, para um enxurrada de assobios, apupos, gritarias histéricas tomar o teatro de uma tal forma, que é impossível se entender alguma coisa, até mesmo analisar até que ponto as crianças e jovens evoluíram em seus respectivos cursos.

Eu juro que até me preparo psicologicamente para ir aos eventos, mas, a cada ano que passa, os pais, tios, avôs e avós, se superam. Infelizmente, eles não percebem, o quanto esses seus comportamentos, prejudicam os seus filhos. Eu procuro até entender a excitação, misturado a um misto de alegria e orgulho em ver os seus filhos no palco, mas não consigo entender tanto frenesi. É muito pra minha cabeça.

Talvez, muitos de vocês, podem me achar um chato, e dizerem que essas apresentações têm uma conotação festiva e serve muito mais para incentivar os alunos do que apurar se alguém tem ou não talento. Mas, cá comigo, você sai de casa com a maior boa vontade, enfrenta todo aquele empurra para entrar no teatro e ainda tem que passar o tempo todo ouvindo gritos e assobios no seu ouvido? É o fim!

Acho que os professores dos cursos, quando da preparação dos espetáculos do final do ano, podiam alertar aos alunos, para que eles avisassem os seus parentes, para que eles mantivessem um mínimo de respeito com o próximo, pois existem pais, que querem prestigiar os seus filhos, mas com a civilidade que o evento merece. Ninguém é obrigado a compactuar com tanta falta de educação.

Bem, felizmente as apresentações em que tinha que ir esse ano, já aconteceram e não mais precisarei presenciar outra vez, tanta descompostura e muito menos aturar uma mãe histérica, gritando no meu ouvido palavras de incentivos, como se o filho estivesse participando de uma prova de natação. Espero imensamente que o ano que vem, nada seja assim tão igual.


Quem quer faz de conta?

novembro 25, 2010

Está cada vez mais difícil convencer as crianças, que cheias de informação e mergulhadas num oceano de tecnologia, se distanciam mais e mais das brincadeiras de faz de conta. Hoje entretê-las com a magia de uma história não é tarefa das mais fáceis. Antenadas nas novidades tecnológicas, são poucas às que se deixam seduzir por um pouco de fantasia. Mas no fundo, toda criança, ainda que sozinha em seu quarto, brinca de casinha, conversa com a boneca, e se menino, pilota velozmente o seu carrinho.

Mas a criança de hoje em dia, gosta ou não gosta do faz de conta? Hoje e sempre. Criança que é criança, sempre vai viajar na fantasia de uma bela história. Talvez, a maneira de se colocar, ou de transmitir o seu faz de conta, é que seja o grande problema, principalmente em alguns espetáculos infantis, que ainda insistem em tratar criança como um ser não pensante e, ao invés de levar magia e fantasia, as aborrecem, que incomodadas em suas cadeiras, não param quietas e não viajam no faz de conta.

Fazer a realidade parecer uma fantasia e usar elementos de conhecimento da criança, devem ser levados em consideração na hora de escrever uma história, e a construção de uma história que estimule a perspicácia da criança, ou que a coloque em posição de igualdade com a personagem, pode facilitar a aceitação e o seu embarque no seu faz de conta. Essa brincadeira com o imaginário deve sempre ser estimulada.

Mesmo que a criança se mostre reticente quanto a se envolver no faz de conta, ás vezes por conta de outras crianças, ou por querer se mostrar mais crescida do que já é, atores e atrizes precisam usar de todo os seus talentos para chamar a atenção da criança e fazê-la se envolver na magia e na fantasia. Quem faz de conta que interpreta, não consegue convencer a criança de como é bom brincar de faz de conta.

Mais e mais fica claro que tratar criança de qualquer jeito, não faz sucesso e nem dá ibope. Criança quer se sentir importante e, de fato, ela é importante. E quando você consegue trazer a criança para viajar no mundo da magia, da fan-tasia, do faz de conta, você encontra a verdadeira pureza do que é ser criança, tanto, que até você se esquece de seus padrões de comportamento e também embarca de corpo e alma na brincadeira.

Então, se você quer saber quem quer faz de conta? Eu lhe digo: Toda criança quer faz de conta, mesmo que muitas sempre insistam em não querer. E quem faz de conta que criança não dá importância às brincadeiras de faz de conta, nem imagina o que está perdendo. Pois, mesmo com toda informação e toda a dificuldade em convencer uma criança a embarcar numa boa e velha viagem do faz de conta, quem tenta, saberá o quanto esse esforço, vale a pena.


É brincando que se aprende

novembro 3, 2009

Pode parecer que não, mas a maneira descompromissada com que o teatro é levado aos jovens em cursos livres de teatro em várias escolas, onde o clima de brincadeira de imitação é predominante, já que o intuito é passar cultura de uma forma lúdica, deixa marcas profundas em alguns jovens.

Nada pejorativo quando digo: “brincadeira de imitação”, apenas a constatação de que é brincando que se aprende tudo nesta vida. E a forma com que os jovens tomam contato com “fazer teatral” nestes cursos livres, faz com que o teatro faça parte na vida de cada um, ou pelo menos de alguns que se identificam com o “fazer teatral”.

A “peçinha” apresentada no final de ano na escola, mesmo tendo apenas um caráter festivo, com certeza, para alguns, é algo da maior importância, pois desperta neles, a vontade de continuar a trilhar os caminhos de um palco de teatro. A brincadeira ensinou para alguns, como o teatro é maravilhoso.

E já contaminados pelo bichinho do teatro, já não se satisfazem com os espetáculos de final de ano, querem festivais estudantis, mostras de cenas curtas, querem dividir o que aprenderam. E o que começou de brincadeira, já passou a ter um sentido na vida nestes jovens.

Pena que são poucas as escolas que oferecem aos seus alunos a oportunidade de experimentar as maravilhas do “fazer teatral”. Nem todos entendem o quanto é importante incluir cultura na formação dos jovens. A cultura, tal como o esporte, transforma a vida de um jovem.

Mas, como nem tudo na vida é perfeito, resta-nos lamentar com os que não tem essa visão e parabenizar todos àqueles que, ás vezes com muita dificuldade e enfrentando enormes obstáculos, procuram levar um pouco de teatro aos jovens por este país afora.

Pois, brincando é que se aprende e aprendendo que se é capaz de transformar o mundo. E assim, de maneira despretensiosa vai se brincando de ensinar teatro e trazendo cada vez mais jovens para engrandecer o movimento teatral.


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