A criação em tempos do politicamente correto

abril 7, 2018

Escrever nunca foi uma tarefa fácil e, apesar de todas as dificuldades inerentes à criação de uma história, o escritor, hoje em dia, ainda tem de conviver com a patrulha do politicamente correto. As pessoas criaram um planeta cor de rosa e querem escondê-lo dentro de um vidro para que nenhum sentimento mal e mesquinho os atinja. Ora, mas como se pode combater e denunciar as ideias e os comportamentos de pessoas preconceituosas, se não se pode falar delas?

Toda história conta a vida de uma pessoa e essa pessoa tem virtudes e defeitos como qualquer pessoa que vive no mundo real, mas como colocar uma lente de aumento sobre os defeitos da personagem, se não se pode dar ênfase ao mau-caratismo da personagem? Não dá para falar de qualquer assunto sem abordar todas as suas vertentes, perde-se a verossimilhança, pois não existem somente idéias e pensamentos bons.

É claro que se deve tomar cuidado com a abordagem dos assuntos, mas como falar de racismo sem abordar o racista? Como falar o estupro sem abordar o estuprador? Como falar da corrupção sem abordar o corrupto? Como falar de assédio sem abordar quem pratico o assédio? Como falar de homofobia sem abordar o homofóbico? Quando se quer contar uma história, precisamos desnudar a alma e o pensamento dessas personagens, sem pena, nem dó.

Agora, por conta desse tal “politicamente correto”, tudo se tornou ofensivo, propagador da violência e da falta de direitos humanos, quase nada pode ser falado e escrito, ainda que seja de uma maneira séria, como denúncia e ou demonstração da face obscura das pessoas, porque sempre haverá um grupo ofendido com esta ou com aquela personagem, com esta ou com aquela ação, que acusando o autor de algum preconceito.

Eu, sinceramente, não sei o quê estas pessoas querem da vida, cobram para que sejamos uma sociedade mais respeitosa, que aceite e conviva pacificamente e educadamente com todas as diferenças, mas vivem a patrulhar para que nada manchem o seu mundo cor de rosa. Há pessoas más, que nunca aceitaram certos comportamentos e se os escritores não puderem mostrar através das suas personagens, pessoas assim, como combatê-las?

A verdade é que esse tal de “politicamente correto” tem feito muito mal para a criação, tem podado ideias no seu nascedouro, tem inibido certas histórias, tem criado uma dificuldade ainda maior para quem escreve, mas, a verdade é que não se pode deixar se abater por nenhuma patrulha ideológica, pois as histórias contadas e comportamentos precisam ser denunciados para que se possa saber como enfrentar o inimigo real.

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A dureza e a delícia de escrever

dezembro 1, 2017

Nesta semana terminei mais um módulo de uma oficina de Dramaturgia, uma oficina na acepção da palavra, pois, depois de prepararmos os textos para serem apresentados, ficou bem claro para todos que participamos, o quanto ainda temos que quebrar pedras até conseguirmos chegar à melhor forma possível para contarmos nossas histórias. Eis a verdadeira representação de que, para criarmos, precisamos de 1% de inspiração e 99% de transpiração.

Não dá para, simplesmente, agruparmos as nossas ideias, organizarmos diálogos de palavras soltas e colocarmos nas bocas das personagens para acharmos que temos um texto pronto para Teatro. Uma ideia é muito pouco para termos uma boa dramaturgia, há de se garimpar sentimentos, se esmiuçar anseios e desejos e ouvir o quê cada personagem tem a nos contar sobre si e sobra a sua história, até chegarmos ao ponto final do nosso texto.

Pode até parecer fácil quando estamos sentados, confortavelmente, em uma cadeira, assistindo a um espetáculo teatral, ver aqueles personagens conversando entre si, narrando suas aventuras e desventuras, nos comovendo, ou nos frustrando, não temos a dimensão exata de quão trabalhoso foi arquitetar aquele texto desde a sua ideia até o seu ponto final, muitas pessoas nem imaginam a dureza do prélio que o autor trava para preencher a folha em branco com sua história.

Mas é aí que reside a beleza da opção pela escrita, pois não é por que se sabe bem a língua, que se têm várias ideias na cabeça, que se tem talento para escrever, que a estrada ficará mais fácil, escrever é exercício diário, é abrir mão de companhias, é fazer do tempo um amigo para aproveitá-lo a qualquer instante, é estar disposto a frequentar a solidão de uma noite para buscar e rebuscar a palavra perfeita, o diálogo exato, a intenção precisa de cada frase.

Escrever não pode ser um ato da pressa, nem da ansiedade, escrever não pode ser só uma vontade, um capricho, escrever nunca será apenas uma inspiração, há de se transpirar até a própria exaustão. Para exercer o ofício de escritor se faz necessário quebrar muitas e muitas pedras, fazer e refazer a mesma história, sem se cansar, nem desistir, escrever é aprender que o melhor texto só nascerá depois de muito suor e de muita dedicação.

Quem pensa que escrever é trabalho que não cansa, trabalho que se pode executar sem se causar nenhum estresse, ou é um simples hobby, fica desde já convidado a frequentar qualquer uma oficina literária, seja para escrever um livro, um roteiro, ou uma peça de teatro, talvez, assim, seja possível conhecer e sentir na pele, a dureza e a delícia que é se debruçar sobre as palavras para escrever um belo texto ainda que quebrando muitas e muitas pedras.


UM SOPRO DE ESPERANÇA

julho 25, 2014

Naquele dia ele amanheceu disposto, confiante e acreditando que seu pesadelo chegaria ao fim de uma vez por todas. Depois de noites e noites em claro, foi convencido pelos médicos de que precisaria descansar um pouco, pois a jornada ainda lhe seria árdua e ele teria de estar forte para enfrentar o que ainda viria. Sentindo-se renovado, partiu para o hospital com a esperança de receber boas notícias, ou pelo menos informações de que nada tivesse piorando de uma noite para a outra.

Chegou sorridente, cumprimentando todos, na recepção, nas enfermarias, nos corredores, por onde ele passou, um aceno, um sorriso, uma palavra de esperança, ele já era familiar dentro daquele hospital, pois a quatro meses ininterruptos frequentava aqueles corredores frios. Desde o dia em que sua esposa, grávida de cinco meses, deu entrada na emergência depois de ser alvejada por um tiro disparado por um menor que lhe levou o celular.

No dia do ocorrido, havia combinado com a esposa de que a encontraria para comprarem juntos, o enxoval do seu meninão. Desde o momento em que recebeu a notícia pelo médico da ultrassonografia de que viria um menino, a vida ganhou outro sentido e ele era só felicidade, contava os dias para poder trocar os primeiros toques de bola com o seu pequeno. Era o primeiro filho do casal e a gravidez fortaleceu ainda mais o amor entre os dois.

Ainda no escritório, ele recebeu uma ligação no celular, era um bombeiro:

            – Senhor Augusto?

            – Sim

            – É que aconteceu um acidente com sua esposa.

            – O quê?

            – O senhor precisa ficar calmo.

            – Minha esposa! Meu filho!

            – Ela foi levada para a Santa Casa, seria bom que o senhor fosse até lá.

Augusto largou tudo do jeito que estava e saiu desesperado pelas ruas, chorava, gritava, tremia, chegou até ao estacionamento, entrou no carro, mas não conseguia sair do lugar. Ligava a partida e o carro morria. Suas pernas bambeavam sobre os pedais, sua cabeça girava e ele pedia para que nada de ruim tivesse acontecido a sua mulher e ao seu filho. Respirou fundo, segurou com fé o santo pendurado no retrovisor e saiu.

Invadiu a recepção do hospital em desespero, chamava pela esposa, gritava, pedia ajuda, alguns enfermeiros chegaram e o levaram para dentro, lá ele foi recebido por um médico que lhe contou a gravidade do fato.

            – Os dois correm risco de morte.

            – Diz que é mentira, doutor!

            – Infelizmente não é. Estamos fazendo tudo o que podemos e o que não podemos para salvá-los.

            – Eles vão sobreviver, não vão, doutor?

            – É pelo que estamos lutando. Agora precisamos que o senhor mantenha a calma.

            – Minha mulher! Meu filho!

Augusto, enlouquecido, derrubou um armário com medicamentos e o médico foi obrigado a lhe aplicar um sedativo e deixá-lo em repouso para que se acalmasse.

Foram meses muito difíceis para ele, não se sabe se por milagre, a esposa e o filho de Augusto conseguiram se salvar. Ela foi deixada em coma induzida para que fosse completada a gestação, pois havia o risco muito grande de, ao realizar o parto, tanto ela, como o bebê, não resistirem.

Quando chegou até a UTI naquele dia, viu uma correria fora do normal em volta de sua esposa, sabia que nada estava bem. Desesperado, batia no vidro para que alguém lhe dissesse o que estava acontecendo, até que uma das enfermeiras saiu para tentar acalmá-lo.

            – Calma, seu Augusto!

            – O que está acontecendo?

            – Está tudo bem.

            – Como está tudo bem? Está cheio de gente em volta de minha esposa.

            – Preciso que o senhor se acalme. Está tudo bem.

            – Mas, minha mulher… meu filho…

            – Agora eu preciso entrar para ajudar a sua esposa e o seu filho.

            – Ajuda ela, ajuda!

A enfermeira entrou na UTI e Augusto, aflito, parecia que queria atravessar o vidro para ver o que estava acontecendo do outro lado. A correria não lhe parecia normal. A aflição e o nervosismo de Augusto só aumentavam, ele rezava, pedia, implorava para que tudo ficasse bem. Justamente naquele dia que ele havia chegado tão confiante.

De repente abriu-se um clarão e uma enfermeira apareceu com o bebê no colo e o mostrou a Augusto, que riu e deixou cair uma lágrima de seus olhos vermelhos. Depois de tanto tempo andando de mãos dadas com a morte, um sopro de vida para lhe trazer esperança. Naquele momento, a angústia, o medo da perda, o desespero, deu lugar a um instante de felicidade.

Mas, a luta de Augusto só estava começando, sua esposa ainda estava em coma e lutava bravamente para sobreviver, enquanto seu filho ainda necessitava de cuidados especiais para evitar sequelas do grave acidente.

A briga entre a vida e a morte não parou naquele dia, apenas deu uma trégua para que Augusto pudesse renovar suas forças e não desistisse de acreditar que um dia a sua vida voltaria ao normal.


O sangue, o suor e a lágrima da criação

julho 24, 2012

Diante de uma folha em branco e do desafio de criar mais uma história, o escritor, dramaturgo ou roteirista tem muitas vezes de chorar lágrimas de sangue para conseguir contar uma bela história. Por mais domínio que se tenha da arte de conduzir uma narrativa, nunca é fácil criar, ainda mais quando as histórias parecem ter sido todas contadas.

A impressão que dá é que não se vai conseguir escrever uma única linha sequer, pois, não é apenas escrever palavras, é preciso contar uma história e esta história tem que ter algo que seja interessante de ser contado, algo que alguém queira ler ou ver e é aí que se derrama sangue, suor e lágrima para se criar uma obra literária.

E essa dificuldade fica ainda maior quando nos lançam o desafio de desenvolver uma história em cima de um tema pré-determinado, aí parece que as idéias fogem, nada parece fazer sentido e não há uma única história que tenha um conflito razoável sobre o tema, uma única pontinha que desencadeie uma ação dramática que valha a pena ser contada. E então, o sangue escorre, o suor escorre, a lágrima escorre…

Engana-se quem pensa ser tarefa simples escrever uma história. Tirar a idéia da cabeça e colocá-la no papel, muitas vezes leva, dias e noites de, escreve e apaga na tela do computador. Ver a peça encenada, o filme em cartaz, ou ler o livro publicado, faz parecer fácil a arte de contar histórias, mas transpor emoções para o papel é trabalho duro.

Só que é esse trabalho duro que lapida a arte de um escritor, é ele que faz possível, criar ações dramáticas que se desencadeiam num elo de outras ações dramáticas, em busca das resoluções dos conflitos que justificam as histórias contadas. É esse trabalho duro que faz o escritor, dramaturgo ou roteirista fugir dos clichês e trabalhar sua criatividade para sempre surpreender.

É claro que nem sempre se consegue escrever uma obra literária de grande qualidade, pois, por mais que se tenha derramado sangue, suor e lágrima, para criar uma história, não se foi suficientemente capaz de desenvolver ações dramáticas que fugissem do convencional para que fizesse dela mais que uma história comum com conflitos comuns.

Mas, é assim: trabalhando duro, misturando inspiração, com sangue, suor e lágrima, que se vai ao encontro da criatividade, para aí sim, ir em busca de escrever uma grande história. Se ela vai surpreender? Sempre se espera que sim. Mas, como vai se saber? O importante de tudo é desenvolver sua arte com verdade, independente de sua história vir a ser um sucesso ou não.


Da teoria à prática

março 16, 2012

Pode até parecer fácil, mas a distância entre a teoria e a prática é imensa, principalmente em se tratando do ofício de escritor. Seja uma peça de teatro, um roteiro de cinema ou até mesmo uma novela, tanto a teoria, quanto a prática, ás vezes nos parecem insuficientes e uma não vive sem a outra. Mas, não é difícil encontrar aqueles que, mesmo sem ter a prática e muito menos a teoria, se julgam capazes de realizar quaisquer dessas empreitadas.

Não bastasse a insolência de se arriscarem num campo desconhecido, sim, desconhecido, pois não é porque se vê muito algo, que se tem condições de encará-lo, esses jovens ansiosos ainda se julgam capazes de criticar quem levou anos para assimilar a teoria e anos a fio praticando o exercício da escrita. Querer nem sempre é poder.

Eu até entendo que ás vezes a vontade se sobrepõe á realidade, e acabamos colocando a carroça na frente dos bois, mas não adianta, não tem talento que resista a falta de teoria e de conhecimento, principalmente quando falamos da arte de escrever histórias. Uma hora ou outra, uma das duas vai fazer falta, ou as duas, especialmente se o sonho de escrever virar realidade. Na prática a teoria é outra.

O caminho da escrita, à primeira vista, sempre parece um mar de rosas, mas podem apostar, é tão duro quanto qualquer outra atividade, digo mais, é até mais duro, pois não é tarefa simples a de agradar pessoas com as nossas histórias. As nossas histórias são boas para nós; isso é o que sempre achamos, mas e a opinião dos outros? Não é fácil ouvir que o que fazemos não serve pra nada.

Vocês podem até dizer que pouco importa a opinião dos outros, mas uma hora vai importar, pois quem escreve, escreve para falar a alguém, porque senão, qual a razão de tanto esforço? A tarefa é árdua e não pensem que são capazes de fazer melhor de quem tem anos e anos de estrada, mesmo porque, há outros percalços no caminho de quem escreve e gostar de escrever nem sempre é poder fazer. Escrever não é brincadeira.

Espero que muitos que estejam se iniciando no ofício de escrever, possam se tornar grandes escritores, grandes dramaturgos, grandes novelistas, ou até mesmo, grandes críticos de arte, pois até para criticar quem escreve, tem de saber como é que se faz, mas falar sobre a crítica de arte vai ficar para outro dia.

Portanto, muito mais do que dar asas a imaginação e ter vontade voraz de se tornar um grande escritor é preciso frear a ânsia do fazer de qualquer jeito e de achar que se é capaz. É preciso ter a consciência do aprender, a fim de reunir teoria suficiente para poder colocá-las em prática. Só assim vocês conhecerão a verdadeira distância que há entre a teoria e prática.


O que faz um texto bom ou ruim?

setembro 3, 2011

Até algum tempo atrás eu não tinha a mínima idéia se alguém acharia o que escrevo bom ou ruim, mas como escrever sempre foi o que eu mais gostei de fazer, eu não me preocupava com isso e continuei. Só que resolvi tirar meus textos do fundo da gaveta e colocá-los a disposição de quem quiser ler. Assim pude ter a exata noção se o que eu estava fazendo tinha ou não algum valor.

Confesso que no primeiro momento, colocar meus textos para apreciação de outras pessoas, me causou grande apreensão, mas tive sorte, sempre encontrei pelo meu caminho, pessoas que me mostraram o que eu precisava e, que ainda preciso em meus textos, para melhorá-los e quais caminhos seguir. E em uma coisa todos foram unânimes, recomendaram-me que eu praticasse a escrita, pois assim aumentaria a possibilidade de ter um texto bom.

E como escrever é uma arte artesanal, eles estavam certos, quanto mais se pratica, mas se ganha habilidade para escrever. Mas só essa habilidade me pareceu pouco para distinguir um texto de bom ou ruim, precisava de outras ferramentas. Foi aí que resolvi freqüentar oficinas de dramaturgia, de roteiros, presenciais e on line, li muito mais do que já lia e busquei conhecimento. Dito e feito, escrever se tornou, muito mais prazeroso.

Outra coisa também vem contribuindo para que eu siga a minha trilha pelos caminhos das letras em busca de um bom texto: disciplina. Reservar-me em meu canto e trabalhar artesanalmente cada frase, cada palavra, fazer e refazer quantas vezes eu achar que deva, até que meu texto expresse a verdade que eu queira passar. Sei que nem sempre eu consigo, mas como escrever é um eterno aprendizado, sei que ainda posso chegar lá.

Hoje, já não fico mais tão apreensivo se vão achar ou não, os meus textos bons, ou ruins, ou sei lá o quê, o que sei é que a minha busca por um texto melhor vai ser eterna, e isso, os meus bons conselheiros também me alertaram. Diziam eles: escreva usando todas as técnicas que você adquirir, use toda a criatividade que você tiver e trabalhe suas palavras da melhor forma para contar a sua história, se o texto for bom, os leitores vão dizer.

Depois de tanto tempo escrevendo, o que posso falar sobre o que seja um texto bom ou um texto ruim, é que não consegui encontrar uma receita para isso, pois se escrevemos de forma rebuscada demais, uns nos acham muito chatos, outros nos adoram; se usamos um vocabulário mais coloquial, os acadêmicos nos renegam, mas outros não; se usamos mão dos clichês, uns dizem que apenas requentamos fórmulas batidas, mas outros nem ligam.

E o que o escritor tem a fazer? Praticar, praticar e encontrar seus leitores, sem nunca deixar de buscar incansavelmente, a produção de um texto cada vez melhor, pois só assim, é que conseguirá atingir mais e mais leitores que atestarão o quanto o seu texto é bom. E é isso que busco!


E se for clichê?… Paciência!

fevereiro 25, 2011

De uns tempos pra cá sempre que eu penso em escrever alguma nova história, um bichinho fica me azucrinando no ouvido: – Cuidado para não ser clichê? – Olha lá, acho que isso é clichê?– Nossa! Isso está muito clichê! Mas como não ser clichê? Não sei se esse bichinho azucrina os ouvidos de meus colegas militantes da escrita, mas só sei que de tanto ele me azucrinar os ouvidos, resolvi escrever este artigo. Dizem que quando a gente fala do problema, mais fácil fica para resolvê-lo, não é mesmo?

Então, para começar, vou logo atacando o eixo do meu problema: eu não consigo entender muito bem, qual o problema de ser ou não ser clichê. Se o público se identificar com o que eu escrevo, se a história, mesmo mostrando um lugar comum já trilhado outras tantas vezes, seduzir as pessoas, que mal tem? Por acaso o óbvio é um caminho proibido?

Dizem que usar o que outros tantos já usaram é falta de criatividade, deixa o seu texto mais pobre, não acrescenta nada, e blábláblá, blábláblá, mas agora me expliquem uma coisa: Quer coisa mais clichê de que uma novela? E qual o problema? A estrutura melodramática das novelas acaba levando para algumas situações clichês, não há como fugir. E só por isso, seus atores são menores, ou piores? E por que apesar de ser clichê, o povo vê?

Vejam só quantos questionamentos esse bichinho que fica me azucrinando as idéias não consegue me responder? Acho que tudo isso passa pela questão do gosto pessoal de cada um. Se eu gosto do jeito que o autor conta a sua história, mesmo que ele trilhe caminhos já conhecidos, eu vou prestigiá-lo. E se ele usa a sua criatividade para, mesmo se utilizando de clichês, contar a sua história? É, realmente não devo dar muito ouvidos para esse bichinho, viu?

O engraçado, é que quando comecei a escrever, nem dava bola para esse tipo de preocupação, aliás, nem ligava, ou melhor, nem pensava nisso, escrevia a minha história, do jeito que eu achava que ela deveria ser e pronto. Por que agora vou me incomodar com isso? Será que por ter a certeza que só as gavetas leriam as minhas histórias, esse bichinho não me dava o ar da sua graça? Ai, ai, ai, ai, ai! Pode ser isso! Será?

É, parece que vou ter que aprender a conviver com esse bichinho que azucrina os meus ouvidos, ou melhor, aprender a ignorá-lo, pois diante de tantos questionamentos, dúvidas e exemplos de que ser clichê na verdade não quer dizer que o seu texto seja ruim ou bom, vou optar em permanecer fiel ao meu estilo de escrever. E se um dia, assim por um acaso, uma hora ou outro, eu for clichê, paciência!


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