A segregação da sociedade

fevereiro 19, 2016

Já faz tempo que as coisas mudaram na vida das pessoas e nas sociedades em que elas vivem e está cada vez mais nítida, a sensação de que estamos passando por um grande processo devastador de degradação social. O que vemos nos dias de hoje, são pessoas, cada vez mais fechadas em seus clãs, em suas convicções, buscando o isolamento pessoal em prol de uma rede social fria, egoísta e artificial.

O que se vê, mais e mais, é uma sociedade sendo recortada em minorias em todos os sentidos, e o pior, vemos, a cada dia, um enfrentamento de forças, muitas vezes desproporcionais e desnecessárias, entre essas tantas minorias. Estamos fatiando a sociedade em mil pedaços e não estamos percebemos o quanto estamos destruindo o conceito de viver em uma sociedade plena, com suas desigualdades e suas diferenças.

Não sei em que ponto da nossa história, perdemos o conceito de sociedade, talvez não tenha sido um ponto específico da história, talvez, nós mesmos fomos nos perdendo aos poucos, ao passar dos anos. Mas, o que se vê cada vez mais claro, é essa segregação. Estamos nos separando. Cada qual descobre os seus iguais e se afastam dos demais. A sociedade, como um todo, parece não fazer mais sentido.

E se cada um de nós prestarmos bem atenção em tudo o quê nos cerca, nos caminhos pelos quais estamos conduzindo a nossa vida, também notará que, como outrora, ao invés de buscarmos o apoio total de uma sociedade, estamos preferindo buscar apoio em nossas minorias e darmos de ombros para quem não comunga com nosso jeito, nossas opiniões, nossas escolhas. Parece que não nos interessa mais viver em uma sociedade plural.

Do jeito que as coisas estão caminhando, maior será essa segregação e, quanto maior essa segregação, mais difícil será o convívio entre as pessoas, pois, hoje todo mundo quer ter razão, todo mundo se acha o certo, todo mundo se acha o exemplo, todo mundo se acha e, na verdade, estamos todos perdidos. Na tentativa de lutar pelo que acreditamos, pelo que somos, pelo que pensamos, optamos por nos separar em minorias.

É preciso que, urgentemente, encontremos o caminho da conciliação, que nos penitenciemos enquanto seres racionais que somos, sobre os efeitos de nos dividirmos cada vez mais em minorias, pois, assim, fica mais difícil para transformarmos a sociedade que tanto buscamos: pacífica, justa, igualitária. Não parece ser saudável que vivamos cada dia, mais segregados, lutando uns contra os outros, quando podemos nos unir por uma mesma luta.

A sociedade que precisamos não pode ser feita e fatiada por tantas minorias da maneira que estamos vivendo hoje em dia. A sociedade que precisamos não pode ser formadas por seres egoístas, egocêntricos e donos de todas as verdades. A sociedade que precisamos não pode ser feita de segregações de nenhuma espécie. A sociedade que precisamos, precisa ser, de alguma forma, diferente de tudo que a estamos transformando.

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Se mostrar feliz é fundamental

janeiro 29, 2016

Muito se diz sobre o excesso de felicidade que algumas pessoas fazem questão de mostrar nas redes sociais, algo que deixa outras tantas pessoas, incomodadas. Mas por que a exposição da felicidade das pessoas gera tanta irritação? É claro que ninguém é feliz todo tempo, como também ninguém é infeliz o tempo todo, mas, mostrar-se feliz, pode ser apenas a forma que essas pessoas encontraram para driblar os seus problemas diários.

Ninguém suporta acordar, levantar e passar o dia, a noite, a semana e os fins de semana, remoendo os seus problemas, carregando no rosto uma fisionomia taciturna, muito menos destilar o seu mau humor aos quatro cantos o tempo todo. Mostrar-se feliz em algum momento, ainda que seja o instante congelado de “selfie”, pode fazer a diferença no dia das pessoas, tanto da que se expôs, quanto a que viu a foto de felicidade.

A vida é feita de tanto sofrimento, ninguém está livre disso, e todo mundo sabe, porém, algumas pessoas parecem ter encontrado uma maneira de fugir da dor diária do sofrimento, ainda que seja para se enganar. Mas, ao ver-se exalando felicidade em um momento que ela eternizou, talvez faça que essas pessoas se deem conta que, apesar de sofrimento, tem momentos da vida que é bom de mais ser e se sentir feliz.

Não entendo o porquê de tanta indignação com a demonstração da felicidade alheia postada em redes sociais. Todo mundo sabe que a vida não é assim, mas nem por isso aquela felicidade exposta seja falsa. Talvez, por saber que a vida não é esse mar de rosas que transborda nas redes sociais, que algumas pessoas, possam ter encontrado uma maneira mais leve de viver. Será que ao invés de criticar a exposição da felicidade, não valha mais a pena pensar: “poxa, eu também posso eternizar meus momentos felizes!”

É claro que tem aquelas pessoas que não estão preocupadas em se sentirem e se mostrarem felizes, elas querem mais, querem ostentar, se exibirem e passar uma imagem que não são, mas, essas, coitadas, não estão driblando os seus sofrimentos, estão plantando em si, a solidão. Mostrar felicidade faz bem, para quem mostra e para quem vê, eu aposto nisso! Com tanta dificuldade, é preciso encontrar, diariamente, maneiras para enfrentar a vida e por que se mostrar feliz não pode ser uma delas?

O que precisamos fazer é tentar enxergar nas profundezas desse mar de rosas que transborda nas redes sociais, aqueles momentos, verdadeiramente, felizes, daquelas pessoas que estão, através de um instante de alegria, mostrando que é possível sim, lutar contra o sofrimento diário que é viver e que ninguém é feliz todo dia, mas em algum momento, se é. Portanto, não precisamos torcer nossos narizes para isso, porque se mostrar feliz é fundamental!


O grande golpe

setembro 5, 2014

Orlando já não sabia mais o que fazia para sair do buraco que tinha se metido, as dívidas eram os fantasmas que lhe atormentavam dia e noite, noite e dia, andava desanimado, sem esperanças, até sua esposa já estava reclamando da sua falta de disposição para tórridas noites de amor. Como Orlando teria cabeça para pensar em prazeres se estava atolado em dívidas e em problemas que lhe pareciam sem solução?

Saía todo dia para trabalhar carregado de esperanças, mas conforme o dia passava, os seus problemas apareciam e Orlando cada vez mais se desesperava. Conversava com os seus botões e chegou até em cometer a bobagem de tirar a própria vida, mas achou melhor não, a mulher não merecia se aborrecer com mais esse seu problema. Então aconteceu o grande milagre, aquele que seria a solução de todos os seus problemas.

Perto de ir embora e tentar esquecer mais um dia penoso, Orlando foi chamado à sala de seu chefe. Pensou com seus botões: – Só falta essa agora, ser demitido! Mas Orlando respirou fundo e se encheu de esperanças que podia ser o tal aumento aguardado. Foi melhor do que isso. Seu chefe soube de suas dificuldades e resolveu dar uma oportunidade para que Orlando resolvesse de vez todos os seus problemas.

Ainda ressabiado, Orlando adentrou a sala do chefe e de imediato o chefe lhe fez sentar e começou a descrever a situação em que Orlando se encontrava. Orlando foi ficando cada vez mais vermelho e cada vez mais envergonhado, não sabia que sua situação era tão explícita assim. É que Orlando tem um grande defeito, fala da vida para todo mundo, seja dos momentos ruins ou dos bons, lá está o Orlando postando seu estado nas redes sociais.

Então seu chefe lhe fez a proposta. Orlando se assustou, relutou, fez menção de não aceitar, mas a oportunidade de resolver os seus problemas e mudar de vez a sua vida estava ali, em suas mãos. Tudo bem que a coisa não era lícita, mas Orlando pensou com os seus botões: – Está cheio de gente se dando bem assim, por que não posso fazer? Orlando estava decidido, era uma única vez, um único tiro certeiro e, adeus dívidas, adeus problemas, adeus vida miserável.

Com tudo combinado, Orlando foi ao encontro de sua grande virada, suava frio, aquela sensação de estar fazendo alguma bobagem lhe atormentava a cabeça. Mas ele se sentia sem saída e não podia deixar passar essa chance. Em poucos minutos tudo foi resolvido. Sem ninguém perceber, Orlando cometeu o grande golpe. Trocou uma mala cheia de dólares falsos, por outra cheia de dólares verdinhos, verdinhos.

Orlando correu para casa, era só felicidade, nunca tinha visto tanto dinheiro junto, chamou a mulher, os filhos, abriu a mala e fez cair uma chuva de dólares pela sala. E fez foto pra lá, fez foto pra cá, a mulher lhe beijava, a casa de Orlando virou uma festa só. No meio de toda aquela alegria, Orlando postou uma foto com a mulher e os filhos naquele mar de dólares com os seguintes dizeres: – Agora, uma nova vida! Obrigado, ao meu chefe Heitor Pacheco e aos parceiros Ricardo Feitosa, Margarida Nunes e Jorge Peixoto.

Orlando, aliviado, foi dormir com a consciência tranquila, nunca mais teria problemas. Mas, antes mesmo de amanhecer o dia, a polícia federal invadiu sua casa. Orlando, assustado, ainda de cuecas, e sem entender direito o que estava lhe acontecendo, acabou preso em flagrante. Na manhã seguinte, Orlando estava em todos os jornais ao lado do chefe e dos parceiros com a seguinte manchete: “Após foto nas redes sociais, polícia prende quadrilha de falsificadores”.


A Sociedade do eu sozinho

setembro 28, 2013

Quanto mais evoluímos em alguns aspectos de nossa vida urbana, mais regredimos em outras, pois é impressionante a capacidade que o ser humano tem mostrado de não conseguir viver em sociedade. Se, por um lado, compartilhamos até mesmo os nossos desejos mais íntimos nas redes sociais, por outro, nos fechamos em casulos egoístas e nos preocupamos apenas com o nosso próprio umbigo.

Vivemos uma vida de aparências, pautadas em ações politicamente corretas, fingindo demonstrar nossa preocupação com a vida alheia, pura hipocrisia! Pois, da vida alheia só nos interessa saber o quanto eles se dão mal e quanto eles não atrapalham nossos planos. E isso fica claro e é visto a olhos nus, todos os dias, basta observar o comportamento das pessoas no trânsito, é fácil perceber o quanto nos tornamos individualistas.

Talvez esse consumismo exacerbado imposto pela ditadura do “Ter” venha ser o maior responsável pela transformação comportamental e que tem gerado o aparecimento dessa Sociedade do eu sozinho, onde cada ser tem como objetivo de vida, apenas conquistar a sua satisfação material e obter o poder de causar a inveja alheia, mesmo que para isso sejam obrigados a passar por cima de seus semelhantes.

E os seres humanos cada vez mais estressados, endividados, amargurados e visivelmente solitários, vilipendiam e mascaram as suas vidas com gotas de felicidades descartáveis, estampam no rosto sorrisos amarelos, e permeiam seus conhecimentos com aprendizados inúteis, com culturas fúteis e fingem se comoverem com a desgraça alheia. Mas, no fundo, o ser humano pouco se importa com o outro.

Cada dia que passa, demonstramos a falta de capacidade de nos relacionarmos, de trocar gestos de carinho, de usar de cortesia, não praticarmos a cidadania, não respeitarmos os direitos de outros, pois, tudo que é do outro, não nos interessa. Saímos até nas ruas apenas para reivindicar os direitos que nos satisfaçam, mas, só que no meio disso tudo, nos perdemos na hora de fazer o que há de mais simples na vida.

E assim, a nossa Sociedade do eu sozinho vai demonstrando que a vida não é mais importante, pois se alguém ou alguma coisa nos contraria, somos capazes de dar cabo à vida alheia, sem dó, nem piedade, e, a solidão coletiva em que vivemos, nos tornou agressivos, violentos, egoístas, individualistas e pequenos. Ás vezes, a felicidade alheia nos incomoda tanto, que gastamos o nosso tempo tendo destrui-la.

Tudo isso me preocupa, pois, o sentido de estar vivo, parece-me que perdeu o seu rumo e, se não fizermos nada para mudar isso, esse isolamento coletivo tornará o nosso convívio, insuportável. Baixemos as guardas, levantemos a cabeça, olhemos ao nosso redor, pois na vida, nada se faz sozinho. Levemos para as ruas enfim, toda essa nossa vida declarada nas redes sociais e busquemos o verdadeiro valor de viver em Sociedade.


As redes socias e as artes

maio 20, 2011

Como ficar alheio ao forte crescimento das redes sociais? Hoje em dia não tem quem não conheça alguém que não faça parte de pelo menos uma das redes sociais existentes. O conceito de se relacionar nos dias de hoje, passa necessariamente por uma dessas redes sociais e, muito do que acontece fisicamente na vida das pessoas, tem ou teve o seu início, em uma delas.

Estar fora de uma dessas redes é como ser um peixe fora d’água, e isso parece ser um fato consumado, pois o poder de alcance que tem essas redes sociais é enorme e quem tem algo a oferecer, não pode deixar de explorá-las, por isso, que as artes fizeram dessas redes o seu maior veículo de divulgação, promoção, troca de experiências e rede de contatos.

Desde os primeiros passos das ferramentas da internet que possibilitavam a divulgação de seu talento por meio de redes sociais, que os músicos se lançaram na rede e expuseram sua arte, levando o seu “som” até o seu público-alvo. E quantos músicos não se tornaram sucesso tendo as redes sociais como grande aliada?

Hoje já é possível bem mais do que disponibilizar músicas para serem baixadas pela rede. Hoje é possível disponibilizar além das músicas, o show, a peça de teatro, o filme, e até mesmo se alto promover, mostrando ao mundo, todo o seu talento. O artista nunca teve tantas formas de demonstrar a sua arte, como tem hoje em dia.

Muito embora ainda haja quem torça o nariz para toda a exposição que muitos fazem por todas essas redes, a facilidade que elas trouxeram às artes, é imensurável. Tanto que foi graças á essas tantas redes sociais que fiz os meus textos conhecidos em todo país e no exterior, tendo vários deles montados em várias cidades do país, além de Portugal e República de Cabo Verde.

Hoje, as redes sociais, tem uma grande importância para mim, pois permite que eu mostre às pessoas um pouco do que faço. É através delas que divulgo o meu trabalho de dramaturgo, roteirista e escritor, que disponibilizo os meus textos para “downloads”, que coloco os meus artigos e pensamentos ao julgamento das pessoas e que estreito laços com outros profissionais, trocando conhecimento e experiências.

Do início do século, aonde meus textos não iam além das minhas gavetas, até os dias de hoje, muita coisa mudou em mim, na minha forma de escrever, na forma de divulgar o meu trabalho e muito disso, devo ás redes sócias. Então, quem quiser conhecer um pouco mais do meu trabalho, pode acessar o meu blog https://psacaldassy.wordpress.com, ou me adicionar no “orkut”, ou no ‘facebook’, ou ainda, para aqueles que quiserem, me seguir no ‘twitter’.


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