O Amor e a Paz

abril 13, 2017

A raiva e o ódio uniram forças

E de tanto infernizarem

Contaminaram as almas para guerra

E agora, sobre a Terra

Só se vê violência

Nem mesmo a inocência da criança

É capaz de sair ilesa

E assim, sem defesa

Agarramo-nos em oração

Espero que nada nos aconteça

Torcendo para que a esperança

Em uma nova alvorada, amanheça

Sob as bênçãos do amor e da paz


O amor riscado a faca

fevereiro 17, 2017

Romeu, o filho caçula de Dona Ernestina era a última esperança de conquista de uma vida melhor, deixou sua cidade, Cafundó dos Judas, no agreste nordestino, para tentar a sorte no Sudeste. Tímido, se espantou quando desceu do ônibus na rodoviária e não demorou muito para conhecer como é viver em uma cidade grande. Romeu teve sua mala levada sem nem ver por quem.

Romeu está determinado e isso não lhe foi empecilho, saiu a caça de uma emprego e um lugar para ficar, conseguiu na construção de um enorme Shopping Center que estava sendo erguido bem em frente da Favela do Mangue. Teve sorte, pois na obra tinha alojamento e ele teve um lugar para ficar.

Romeu trabalha de sol a sol, era pau para toda obra e logo o Mestre de obra da construção, lhe elevou da condição de servente, para condição de pedreiro. Com isso, o dinheiro aumentou e Romeu se animou ainda mais em trabalhar sem parar. Tinha vindo com um único objetivo, enriquecer para dar uma velhice confortável para sua mãe.

Mas, a vida tem suas surpresas e ainda que a gente saiba direitinho aquilo que se quer, não conseguimos colocar em prática do jeito que a gente planejou. A vida tem seus mistérios e nunca saberemos o que nos vai acontecer enquanto estivermos por aqui. E os planos de Romeu começaram a mudar de rumo.

Julieta era a filha mais velha de Dona Umbelinda, que criava os cinco filhos com as diárias das faxinas que fazia nos escritórios comerciais da redondeza, fazia de todo para fazer de Julieta uma doutora. Provocante e maliciosa, mal sabia a mãe que sua filha era a alegria dos homens da favela. Gostava de funk e já era conhecida como Julieta Maçaneta.

Julieta gostava daquilo, gostava de se entregar para os homens e de tudo que aquilo lhe proporcionava, muito presentinhos caros, muita bebida importada, muita ostentação. Sua mãe estranhava tanta roupa nova, tanto perfume caro, mas Julieta lhe contava que era presente que ela ganhava de seus fãs nos bailes funks que se apresentava.

Julieta ganhou logo fama e sua disposição para o sexo e ostentação, chegou logo aos ouvidos do “Patrão” da favela, que fez dele a sua favorita. Deixou de se deitar com qualquer, mas, por outro lado viu o luxo entrar de vez na sua vida. Julieta tinha o que queria com o “Patrão”.

Mas, a vida tem suas surpresas, não é mesmo? Parece que o nosso destino já está traçado e mesmo que a gente se perca no meio do caminho, a vida se encarrega de nos colocar novamente no trilho, ainda que a gente não saiba até onde a estrada vai nos levar. E a vida de Julieta começou a mudar de rumo.

Em um dos raros momentos em que se permitia uma distração, Romeu resolveu ir até o baile funk da Favela do Mangue em frente à obra que trabalhava. Pediu logo uma garrafa de uísque e ficou com os olhos vidrados naquela mulher com jeito de menina que rebola e descia até o chão, provocante. E, o mais excitante é que aquela mulher descia e rebolava olhando para ele. Julieta sabia seduzir.

Passado mais de uma semana e Julieta não conseguia tirar da sua cabeça a imagem daquele homem que seus olhos grudaram no último baile funk. Julieta ficou estranha, começou a evitar as investidas do “Patrão” que, para se satisfazer, começou a lhe estuprar noite sim, noite não. Julieta só chorava.

Romeu quase sofreu um acidente na obra, imaginando aquela mulher com jeito de menina, rebolando para ele, nua, em sua cama. Decidiu ir à favela atrás daquela menina mulher que não sai de sua cabeça. Quando chegou à frente da entrada da favela, não conseguiu entrar, a polícia estava invadindo, muito tiroteio, muita correria, e ele preferiu voltar para obra.

A vida então deu uma mão para Romeu e Julieta. Ao entrar na favela, a polícia matou o “patrão”, com isso, Julieta pode se livrar das ameaças e dos estupros que estava sofrendo e voltou para casa de sua mãe. Voltou decidida a mudar de vida e falou para sua mãe que voltaria estudar. Que felicidade, Dona Umbelinda sentiu naquele momento.

Romeu não acreditou quando viu aquela mulher com jeito de menina em frente à oba esperando o ônibus, esqueceu a timidez e o trabalho e foi ao seu encontro. Não foi precisou nenhuma palavra, os dois se beijaram ali mesmo e à noite, Julieta já estava na cama de Romeu. Romeu viveu uma noite de sonhos.

Os dois não desgrudavam mais, dia e noite, noite e dia, Romeu e Julieta juntos. Ela estudando de verdade, ele trabalhando mais ainda, já faziam planos de casar e ter um monte de filhos. Julieta deixou o funk e apagava o seu fogo em noites quentes com Romeu. Romeu era uma felicidade só, Julieta, então, nunca se sentiu tão feliz. Romeu lhe cobria de presentes e mimos.

Só que o quê está destinado a nós, chega até nós de qualquer maneira. E em uma noite de festa para comemorar o fim da construção do Shopping, as vidas de Romeu e Julieta encontraram o seu destino. Muita bebida e não demorou muito para Julieta, de pileque, dançar maliciosamente provocante, um funk, deixando os homens da obra todos excitados. Romeu tentou impedir Julieta, que não lhe deu ouvido. Romeu, desiludido, caiu na bebedeira.

A festa rolava, Romeu bebia e Julieta, no alojamento, transava com cada um daqueles homens. Já amanhecia quando o último homem deixou o alojamento. Julieta, exausta, nua, dormia de cansada. Romeu entrou no alojamento, tirou da bainha uma faca e cravou no peito de Julieta, depois ainda cortou os bicos de seus seios, riscou o seu rosto e rasgou sua vagina.

Romeu deitou-se ao lado de Julieta e dormiu.


A primeira namorada

outubro 7, 2016

Naquele dia resolvi não ir almoçar em casa, pois tinha um trabalho urgente para terminar no escritório. Combinei comigo mesmo que assim que terminasse, descia para comer alguma coisa. Concentrado, tinha uma história para contar e um prazo para entregá-la e coloquei minhas mãos à obra.

De repente uma gritaria invadiu a sala pela janela do oitavo andar vinda da rua, não dei importância, pois era costumeiro ouvir gritos dos viciados em crack que perambulavam pelos arredores do prédio em que trabalho. De manhã, de tarde e até a hora de deixar o trabalho, homens e mulheres ficam embaixo das marquises das lojas, fumando seus cachimbos.

A gritaria continuava e eu ali, tentando me concentrar para terminar aquele texto, uma tarefa árdua naquela altura, e que o estômago também já se manifestava.

– Mas, vamos lá! Concentração. Concentração.

Levantei, dei aquela espreguiçada, virei o pescoço para um lado, virei o pescoço para outro, na tentativa de relaxar, fui até a janela verificar a gritaria e vi uma multidão que circulava dois homens e uma mulher que discutiam no meio da rua. Um dos homens ameaçava matar o casal com uma faca e a multidão gritava urros de incentivos.

– Que absurdo!

Tomei um copo d’água e voltei a me concentrar no que eu tinha que fazer e, enfim, consegui dar um ponto final no texto. Foi no exato momento que um grito de dor vindo da rua, entrou pela minha janela. Corri até a janela e ainda vi um dos homens virando a esquina, enquanto o outro segurava a mulher que havia sido esfaqueada.

Quando cheguei embaixo, algumas pessoas ainda lamentavam o ocorrido, me aproximei tão curioso quanto os demais que circulavam aquele casal e que assistiam ao homem pedir por socorro.

Olhei no rosto daquela mulher que sangrava, os olhos me fitaram me pedindo perdão. Mas, porque uma mulher viciada em crack, à beira da morte, precisava que a perdoasse? Encarei-a, olho no olho, e realmente ela me parecia ser familiar.

– Não pode ser!

Eu ali, inerte diante daqueles olhos que me fitavam, com o pensamento perdido em algum lugar, buscando na memória, até que me vieram às primeiras imagens. Lembrei! Não, não podia acreditar que ela tivesse um destino tão cruel.

Aqueles olhos que me pediam perdão eram daquela criatura doce que sentava ao meu lado na sala de aula, que me ensinava matemática, física e química, aquela que um dia tive coragem de lhe roubar um beijo, mal sabia eu, que era isso que ela esperava tanto de mim. A minha primeira namorada!

A cada imagem que vinha na minha cabeça, uma lágrima escorria pelo meu rosto, um aperto no peito exprimia o coração, dos olhos dela, escorriam lágrimas que desaguavam no sangue que ensopava seu peito. Eu ali, incrédulo, vendo a minha primeira namorada virar atração do meio dia.

Abri caminho, me ajoelhe diante dela, segurei sua mão, ela me olhou, nunca, ninguém apertou tão forte a minha mão.

– Fica calma! Vou te ajudar!

Não deu tempo nem de pegar o telefone, sua mão desgrudou da minha, seus olhos me fitaram pela última vez e ela se foi.

A multidão se dissipou assim que o resgate encostou. Eu ainda fiquei ali por mais alguns minutos, até o resgate constatar a sua morte. Fiz uma oração silenciosa e pedi que sua alma descansasse em paz.


As lições de todo dia

setembro 23, 2016

Já ouvimos milhares de vezes que a vida é um piscar, sabemos que ela é fugaz e que não vamos durar para sempre aqui por essas bandas, ainda que alguns acreditem em reencarnação, essa vida que vivemos, essa imagem que temos, as amizades que fazemos, os amores que cultivamos, as famílias que formamos, tudo isso, uma hora vai chegar ao fim, isso é um fato indiscutível, mas todos os dias aprendemos uma lição sobre isso.

Ainda que tenhamos a consciência da essência da vida, continuamos tendo uma certa dificuldade de absorção daquilo que realmente seria o necessário para viver por essas bandas e perdemos um tempo precioso com coisas pequenas, diante de uma imensidão de coisas que podemos realizar para nós, para o outro e com o outro, para que nossa vida valha realmente à pena. A simplicidade de viver ainda causa muito estranheza.

Nascemos sabendo que morreremos um dia, não sabemos se em uma manhã de verão de um sol escaldante, em uma tarde cinzenta de um inverno frio, se em uma noite sem estrelas, se daqui a um minuto, se daqui a dez, vinte, ou trinta anos, mas morreremos e, sempre que uma vida chega ao fim, é de supetão, de forma inesperada, sem dizer adeus, sem terminar os compromissos, sem um último abraço, um último beijo É finito, e pronto!

Mesmo sabendo disso tudo, acordamos apressados, estressados, cansados, mal humorados, irritados, infelizes, desgostosos, desesperançados com a vida. Julgamos, recriminados, brigamos, insultamos, ignoramos, humilhamos, provocamos, estouramos, destratamos as pessoas que mais nos amam. Estamos na vida para semear o amor, até sabemos disso, mas, ainda assim, não somos capazes de semearmos e nos encantarmos com a felicidade alheia.

Só quando acontece alguma tragédia, algo que nos comove, algo que nos faz pensar que podia ser conosco, é que nos vem à tona um turbilhão de sentimentos e de sensações, que nos faz repensar a vida, nossos atos, nossas atitudes, nosso modo de encarar a vida aqui por essas bandas, padecemos por uns dias, do sofrimento de saber que, de uma hora para a outra, podemos também ir, sem aviso, sem esperar.

E de nada terá adiantado, a nossa empáfia, a nossa soberba, as nossas atitudes impensadas, as nossas inimizades, os nossos desafetos e tudo de mal que semeamos. Por isso, é sempre tempo de abaixar as guardas e semear o amor e a alegria de viver. É bem melhor semear uma boa lembrança, uma gota de saudade que ficará nos olhos de alguém, um aperto que ficará no coração de alguém, um sorriso que ficará na memória de alguém, pois não sabemos por quanto tempo ficaremos por aqui. Todo dia a dor da morte chega para alguém.

É certo que muitos só se preocupam com a roda viva da vida e, logo, já não sofrerão mais com aquele dor da morte e perderão de novo o sentido de viver e, em pouco tempo, já se acharão novamente super heróis de uma vida que vai durar para sempre e se acharão maiores e melhores, buscarão as guerras, destilarão o ódio, o orgulho e dispensarão a mão do amor, aliás, todos nós. Até que a vida venha, mais uma vez, e nos ensine as lições que ela nos ensina todos os dias e não conseguimos aprender.


AMOR DE POLÍTICO

agosto 14, 2015

CENÁRIO: UM QUARTO

EM CENA UMA MULHER ESTÁ DEITADA NA CAMA DE CASAL DE CAMISOLA. ENTRA O HOMEM DE TERNO. VAI SE DESPINDO.

Mulher           – Boa noite, Agenor!

Homem          – Boa noite, meu amor!

Mulher           – Preciso conversar com você.

Homem          – Se for problemas, nem me venha!

Mulher           – É importante!

Homem          – Hoje a coisa ferveu lá na Câmara. Prenderam o Aderbal, não demora muito vão chegar em mim.

Mulher           – Eu preciso te contar uma coisa.

Homem          – É, minha querida, o cerco está se fechando!

Mulher           – Você precisa saber por mim!

O HOMEM FICA SÓ DE CUECA E CAMISETA, SE DEITA AO LADO DA MULHER.

Homem          – Não está fácil ser Deputado, viu?

Mulher           – Eu te trai!

SILÊNCIO

Mulher           – Agora você pode me ouvir?

Homem          – Você não está falando sério, está?

Mulher           – Estou!

Homem          – Puta que o pariu…

O HOMEM SE LEVANTA DA CAMA.

Homem          – Quem é o canalha?

A MULHER SE LEVANTA.

Mulher           – Sabe aquele Deputado?

Homem          – Mas Deputado não presta mesmo! Que Deputado?

Mulher           – Aquele da oposição.

Homem          – Da oposição?

Mulher           – Aquele bonitão, de cabelos grisalhos, saradão!

Homem          – Ô, Dolores, você acha que fico reparando em homem?

Mulher          – Aquele Deputado que vive metendo o pau em ti! Então, ele meteu o pau em mim!

Homem          – Não acredito.

Mulher           – Aconteceu.

Homem          – Assim você me derruba. E você cobrou algum?

Mulher           – Como assim?

Homem          – Faz a sacanagem e nem pra levar uma grana do cara?

Mulher           – Eu não sou prostituta!

Homem        – Não é mesmo! Porque se fosse teria levado uma grana. Você não tem idéia da grana que essas mulheres ganham desses Deputados por aí!.

Mulher           – Não estou acreditando, Agenor.

Homem         – Você sabe que a coisa está toda complicada lá em Brasília, não rola nem mais uma comissãozinha de um contratinho… Você tem a chance de faturar um pixulé e dá pro cara de graça? Como que vai ficar minha cara?

Mulher           – Como ia adivinhar que você não ia ligar?

Homem          – Quem disse que eu não ia ligar?

Mulher           – Você acabou de falar.

Homem          – Era uma compensação pelo chifre, né, Dolores?

Mulher           – Eu que foi no impulso!

Homem          – E como é que eu fico agora?

Mulher           – Desculpa, meu amor! Eu to muito arrependida. Não Sei onde eu estava com a cabeça.E olha que aquele Deputado nem é nada disso!

Homem          – Tá certo, Dolores, tá certo!

Mulher           – E quer saber? Ele nem é nada disso que a mulherada fala, viu?

Homem         – Tudo bem, passou! Deixa que amanhã eu vou dor um jeito de consertar isso.

Mulher           – Não vai fazer nenhuma besteira.

Homem          – Você tentar cobrar o que é meu.

Mulher           – Então você me perdoa?

Homem          – Não devia! Não devia! Você foi muito amadora, não gosto disso! Aqui em Brasília nada é de graça, nada!

O HOMEM DA BITOCA NA MULHER E SE DEITA NA CAMA.

Homem          – Agora deixa eu dormir que amanhã o dia vai ser bem difícil.

A MULHER SE DEITA E FAZ UM CARINHO NO HOMEM.

Mulher           – Eu te amo, viu? Deputado Garanhão!!

Homem          – Para com isso, Dolores!

Mulher           – Você me perdoou mesmo?

Homem          – Te perdoei, Dolores! Já não disse?

Mulher           – Nenhuma raivinha?

Homem          – Deixa eu dormir, Dolores!

O HOMEM VIRA DE COSTAS PARA MULHER.

Mulher           – Olha aí, você ainda está zangado comigo sim!

Homem          – Amanhã isso passa! Mas vê se dá próxima vez cobra um pixulé! Depois não quero saber de ninguém reclamando pra mim que acabou o caviar hein?

O HOMEM APAGA A LUZ DO ABAJUR.

– Fim –


O que fica é o amor

maio 15, 2015

Sabe uma pessoa que nunca havia passava perrengues com dinheiro? Esse alguém era o Jura. Para Jurandyr, dinheiro era somente o que ele ganhava fazendo bicos para poder sobreviver. Nos dias em que estava com dinheiro, pagava rodada de cerveja pra todo mundo no bar, nos dias que estava sem uma moeda no bolso, vendia o almoço para poder comprar a janta. Assim, Jura se sentia feliz, pois, sua camaradagem sempre o livrava de certas dificuldades.

Sorriso largo sempre no rosto, malemolência no andar e uma simplicidade de viver a vida, essa era a marca registrada de Jura. Nunca se aborrecia quando não tinha dinheiro e, quando a coisa apertava, também não se furtava de executar qualquer trabalho. Para Jura, a vida era muito simples, as pessoas que complicavam tudo, querendo sempre conquistar aquilo que não podiam e não tinham condições. Dizia que era tudo olho grande.

Aquela noite, depois de trabalhar a semana toda como servente de pedreiro enchendo laje, Jura pegou o dinheiro da semana, comprou uma “beca’ nova, encheu os bolsos e saiu para curtir o samba. Cerveja pra todo mundo, como era de costume quando estava com dinheiro no bolso e muita alegria. A noite prometia. E tudo ficou ainda melhor quando ele avistou Nêga Lia. Uma Deusa de Ébano! O coração dele disparou, era a primeira vez que uma nêga lhe tirara do prumo. Tinha certeza que ficaria com ela para sempre.

Cheio de atitude, Jura chegou junto à Nêga Lia e, papo vem, papo vai, rolou. Jura foi correspondido. E os dois acabaram passando uma linda noite de amor. Ali, o malandro Jura, teve a certeza que tinha arriado os quatro pneus pela nêga. Foi o começo da transformação daquela vida simples e descompromis-sada que Jura levava. A partir daquela noite, tudo ganhou outro sentido na vida de Jurandyr, agora, cuidar de Nêga Lia, sua Deusa de Ébano era o seu com-promisso de vida.

A paixão que arrebatou os dois naquela feliz noite de samba mudou realmente Jura, aliás, Jurandyr, que, pela primeira vez na vida arrumou um emprego fixo e deixou o quartinho de pensão para alugar uma casinha e levar a sua Nêga Léa para morar junto com ele. Ainda que ela nunca lhe cobrasse nada, o peso da responsabilidade fez Jurandyr abandonar aquela vida descompromissada que vivia e formar de fato uma família com Nêga Lia. E ele se sentia feliz com isso, ainda mais agora que sua deusa lhe daria uma princesa.

Aquela vida quase irresponsável de antes já não fazia mais sentindo para Jurandyr, e ele sentia que sua família precisava de mais e não se furtou a isso. Buscou um emprego melhor, financiou uma casa maior, adquiriu seu primeiro carro zero e fez pela primeira vez um empréstimo no banco para cobrir as despesas que o seu salário já não dava mais conta. Mas, a falta de habilidade em lidar com dinheiro fez Jura ir se enrolando cada vez mais, até sofrer uma síncope nervosa que quase matou Nêga Lia de susto.

Depois do susto, Jurandyr entendeu que o tal olho gordo que ele tanto criticava nas pessoas podia ser muito bem a falta de habilidade em lidar com dinheiro que, enfim, ele reconhece que tinha também e percebeu que, às vezes, a vida toma outra direção, outras coisas ganham importância, outras ganham outro sentido, outras levam para outras situações, que levam a outra e a outra, que, não significa, necessariamente, que a pessoa teve ou tem olho grande e, sim, que não teve habilidade para transformar sonhos em realidade.

Hoje, Jura está organizando a vida, pagando os empréstimos que contraiu e recuperando a velha forma, pois, depois de tudo que viveu, ele aprendeu e entendeu que o dinheiro não suporta nenhum tipo de desaforo, que não se deve ganhar e gastar tudo na mesma hora, nem muito menos gastar mais do que pode ganhar. Há de se encontrar o equilíbrio entre a simplicidade de levar a vida e aquilo que de fato nos faz feliz.

E para quem pensa que Jurandyr, aliás, Jura, não é feliz como antes, engana-se. Ele e sua Nêga Lia vivem sim, muito felizes, pois, apesar de tudo que viveu na vida, naquela noite de samba, existia mesmo um amor de verdade e que durou uma vida inteira. E já prometeu a Nêga Lia que, assim que as coisas melhorarem e, com o devido planejamento, os dois viajarão em uma nova lua de mel, pois, o amor deles, merece.


O Vírus

fevereiro 28, 2014

O mundo anda em polvorosa por conta da descoberta de um novo vírus, aliás, dizem se tratar de um vírus antigo que agora sofreu uma mutação muito poderosa e que vem se espalhando pelos quatro cantos do continente. Os cientistas ainda não sabem muita coisa sobre ele, mas estudos preliminares dão conta que esse vírus é algo muito forte que pode causar uma verdadeira epidemia mundial.

Até mesmo as informações sobre os seus primeiros sintomas ainda causam controvérsias entre os pesquisadores. Na Universidade de Havard nos Estados Unidos, alguns estudos mostram que o vírus é altamente contagioso e sua transmissão se dá através do contato entre as pessoas, seja através de um beijo, um abraço, ou até mesmo um simples gesto de carinho, outros, porém, dizem que pode ocorrer a contaminação, mesmo sem nenhum contato.

As autoridades ainda procuram fazer mistério sobre a existência do tal vírus e evitam a todo custo sua divulgação, temendo que a população entre em pânico e a sua transmissão se torne algo fora de controle. Mas, algumas notícias já dão conta que muitas pessoas pelo mundo inteiro contraíram a forma leve do vírus, podendo desenvolver a forma mais forte, o que aumentaria o risco até mesmo de uma pandemia.

No Brasil, pesquisadores da USP e da UNICAMP tem se reunido quase que diariamente para estudar o caso, pois em algumas regiões brasileiras, o vírus vem se proliferando de uma forma muito veloz, quase que sem controle, o que vem tirando o sono das autoridades governamentais e até mesmo alguns segmentos da sociedade civil, pois, ninguém ainda sabe direito como lidar no caso de um contagio em massa e todos temem pela economia nacional.

O fato é que ainda não existe uma vacina capaz de combater de forma eficaz esse vírus, e o que os primeiros estudos apontam até agora é que ele é capaz de causar sintomas que alteram principalmente o comportamento das pessoas. Alguns relatos dão conta que a pessoa contaminada pelo vírus fica quase que irreconhecível. Mas é preciso acalmar a população, pois não há nada que demonstre que o vírus, embora seja altamente contagioso, cause risco de vida.

No entanto, a maior preocupação que recaí sobre esse vírus é a de uma pandemia mundial, que pode a vir afetar as relações exteriores das grandes potencias mundiais que vivem em conflito, bem como interferir nos desentendimentos das nações e dos povos que vivem se matando por territórios, ou por convicções religiosas, ou por afirmação de poder, ou ainda com aqueles que cometem atos de barbárie contra os menos favorecidos

O certo é que alguns pesquisadores acreditam na possibilidade desse vírus já estar vivendo encubado em todas as pessoas, ou até mesmo que toda criança já possa vir a nascer, contaminada. Eles estudam também, se houve algum tipo de transmutação genética que mascarou os sintomas, pois, experiências atestam que alguns adultos, contaminados, procuram disfarçar os sintomas e não assumem o contágio, enquanto outros acabam se rebelando.

A verdade é que todos tentam esconder da população que o vírus do amor pode se alastrar e acabar de vez com as guerras, com os conflitos religiosos, com as discórdias, com a violência, porém, há muita coisa em jogo, por isso, os grandes Chefes de Estado e alguns setores da sociedade, fazem de tudo para não deixar que o vírus do amor alcance um grau de pandemia mundial, pois isso seria terrível para todos os negócios desse mundo capitalista.


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