Quando a dramaturgia ganha a cena

março 16, 2018

A dramaturgia nunca nasce de um texto pronto, primeiro tem-se a ideia e uma folha de papel em branco para se desenvolver uma história. Durante um bom tempo se exercita a arte de quebrar pedras atrás da frase perfeita, da palavra perfeita e, assim, depois de muito mais transpiração do que inspiração, o texto vai ganhando forma, até, finalmente ficar pronto para ser levado à cena.

Ontem dei o ponto final em mais um texto, que nasceu de uma ideia e de uma folha de papel em branco, só que este, em especial, foi desenvolvido em uma oficina de dramaturgia, sob a orientação de Samir Yazbek, um dos grandes dramaturgos deste nosso tempo, que emprestou sua generosidade e nos acompanhou, passo a passo, até o ponto final de nossos textos.

Terra Vermelha então deixou de ser apenas dramaturgia e ganhou a cena através de uma leitura dramática realizado no Sesc Santos, um ponto final em um texto que demandou muita transpiração e muito quebrar de pedras até chegar ao seu resultado final, e que ontem foi apresentado ao público pelos atores Marcia Bourbom, Ernani Fraga e Fabiano Santos e Alexandre Maradei.

Posso dizer que estou bem feliz com o resultado deste meu novo texto, um dos mais difíceis que já escrevi. Uma história que foi costurada sobre o pano de fundo de uma ocupação de terra, mas que fala da vida sofrida de uma gente que vive de esperança, mas que nunca é ouvida, que ninguém sabe das suas dores, das suas dificuldades e dos seus dramas.

Agora, é ficar na torcida para que Terra Vermelha deixe de ser uma quase cena e se transforme em um espetáculo teatral, coroando assim, essa minha mais nova dramaturgia, pois, enquanto ela não sair de vez do papel, será apenas literatura. Que Terra Vermelha vire logo teatro e ganhe os palcos contando essa história de dor e sofrimento de um povo que vive uma vida de gado.

Mais uma vez, quero manifestar a minha gratidão ao Sesc Santos por oportunizar esse encontro, ao Samir Yazbek por nos orientar tão generosamente e a todos os colegas da oficina que me ajudaram a colocar um ponto final em mais uma de minhas histórias. E que esta oficina tenha sido para todos, apenas o início de uma nova trajetória para que se sejam escritas novas dramaturgia. Parabéns a todos por essa peque vitória!

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A dureza e a delícia de escrever

dezembro 1, 2017

Nesta semana terminei mais um módulo de uma oficina de Dramaturgia, uma oficina na acepção da palavra, pois, depois de prepararmos os textos para serem apresentados, ficou bem claro para todos que participamos, o quanto ainda temos que quebrar pedras até conseguirmos chegar à melhor forma possível para contarmos nossas histórias. Eis a verdadeira representação de que, para criarmos, precisamos de 1% de inspiração e 99% de transpiração.

Não dá para, simplesmente, agruparmos as nossas ideias, organizarmos diálogos de palavras soltas e colocarmos nas bocas das personagens para acharmos que temos um texto pronto para Teatro. Uma ideia é muito pouco para termos uma boa dramaturgia, há de se garimpar sentimentos, se esmiuçar anseios e desejos e ouvir o quê cada personagem tem a nos contar sobre si e sobra a sua história, até chegarmos ao ponto final do nosso texto.

Pode até parecer fácil quando estamos sentados, confortavelmente, em uma cadeira, assistindo a um espetáculo teatral, ver aqueles personagens conversando entre si, narrando suas aventuras e desventuras, nos comovendo, ou nos frustrando, não temos a dimensão exata de quão trabalhoso foi arquitetar aquele texto desde a sua ideia até o seu ponto final, muitas pessoas nem imaginam a dureza do prélio que o autor trava para preencher a folha em branco com sua história.

Mas é aí que reside a beleza da opção pela escrita, pois não é por que se sabe bem a língua, que se têm várias ideias na cabeça, que se tem talento para escrever, que a estrada ficará mais fácil, escrever é exercício diário, é abrir mão de companhias, é fazer do tempo um amigo para aproveitá-lo a qualquer instante, é estar disposto a frequentar a solidão de uma noite para buscar e rebuscar a palavra perfeita, o diálogo exato, a intenção precisa de cada frase.

Escrever não pode ser um ato da pressa, nem da ansiedade, escrever não pode ser só uma vontade, um capricho, escrever nunca será apenas uma inspiração, há de se transpirar até a própria exaustão. Para exercer o ofício de escritor se faz necessário quebrar muitas e muitas pedras, fazer e refazer a mesma história, sem se cansar, nem desistir, escrever é aprender que o melhor texto só nascerá depois de muito suor e de muita dedicação.

Quem pensa que escrever é trabalho que não cansa, trabalho que se pode executar sem se causar nenhum estresse, ou é um simples hobby, fica desde já convidado a frequentar qualquer uma oficina literária, seja para escrever um livro, um roteiro, ou uma peça de teatro, talvez, assim, seja possível conhecer e sentir na pele, a dureza e a delícia que é se debruçar sobre as palavras para escrever um belo texto ainda que quebrando muitas e muitas pedras.


Promessas de casamento

setembro 8, 2017

CENÁRIO: Uma Igreja

Abrem–se as cortinas, no palco, ao centro, um padre, em um dos cantos, o noivo (ansioso). Toca a marcha nupcial. A noiva entra com um vestido branco. Caminha em direção ao noivo. Os dois se colocam em frente ao padre.

Padre – Queridos irmãos, estamos aqui reunidos pela vontade de Deus, para realizarmos o enlace matrimonial deste jovem casal: Giovanna e Gustavo. Agora, pergunto a você, Giovanna e a você, Gustavo, vocês prometem ser fiel na alegria e na tristeza, na saúde e na doença, se amando e se respeitando até que a morte os separe?

Giovanna – Não!

Gustavo – Giovanna!?

Padre – Minha filha!

Giovanna – Escuta aqui, seu padre! Essa conversa tá muito démodé! É sempre o mesmo discurso. O mesmo texto batido de todo casamento! Comigo. Não! No meu casamento eu quero outra coisa!

Gustavo – Que isso, Giovanna?

Padre – Mas, minha filha!

Giovanna – Agora, seu padre, você faça o favor de prestar atenção:

Gustavo – Você bebeu, Giovanna?

Padre – Olha aqui, minha filha: vamos andar logo com isso que ainda tenho mais três casamentos depois do seu.

Giovanna – Agora, Gustavo, repete comigo: Prometo não deixar a paixão fazer de mim uma pessoa controladora, e sim respeitar a individualidade da minha amada, lembrando sempre que ela não me pertence e que está ao meu lado por livre e espontânea vontade.

Gustavo – O que está acontecendo com você, Giovanna?

Giovanna – Vai, seu padre, pode anotar tudinho aí.

O PADRE SE SERVE DE VINHO E BEBE NUM GOLE SÓ.

Giovanna – Prometo saber ser amigo e ser amante, sabendo exatamente quando devo entrar em cena sem que isso me transforme numa pessoa de dupla identidade ou numa pessoa menos romântica.

Gustavo – Não acredito. Você deve ter bebido alguma coisa, Giovana!

Padre – Meu, filho, você quer fazer o favor de controlar a sua noiva?

GUSTAVO SACODE GIOVANNA.

Padre – Sem violência, meu filho!

Giovanna – Prometo sentir prazer de estar com a pessoa que você escolheu e ser feliz ao lado dela pelo simples fato dela ser a pessoa que melhor conhece você e, portanto, a mais bem preparada para lhe ajudar, assim como você a ela. Promete se deixar conhecer.

GUSTAVO SOLTA GIOVANNA.

Gustavo – Tudo bem, Giovanna, se você quer assim, vamos fazer assim, não é seu Padre?

Padre – Eu só quero que isso acabe logo, senão, eu dou um jeito de acabar com isso.

Giovanna – Então, repete comigo, Gustavo: Promete fazer da passagem dos anos uma via de amadurecimento e não uma via de cobranças por sonhos idealizados que não chegaram a se concretizar?

Gustavo – Prometo!

Giovanna – Promete que seguirá sendo uma pessoa gentil, carinhosa e educada, que não usará a rotina como desculpa para sua falta de humor?

Gustavo – Prometo!

Giovanna – Promete que fará sexo sem pudores, que fará filhos por amor e por vontade, e não porque é o que esperam de você? E que os educará para serem independentes e bem informados sobre a realidade que os aguarda?

Gustavo – Prometo!

Padre – Será que eu posso continuar?

Giovanna – Está acabando, seu padre. Promete que não falará mal da pessoa com quem casou só para arrancar risadas dos outros?

Gustavo – Agora tá bom, Giovanna! Já deu!

Padre – Então, como eu ia dizendo…

Giovanna – Calma, seu padre! Tem mais uma: Promete que a palavra liberdade seguirá tendo a mesma importância que sempre teve na sua vida, que você saberá responsabilizar-se por si mesmo sem ficar escravizado pelo outro e que saberá lidar com sua própria solidão, que casamento algum elimina?

Gustavo – Prometo!

Giovanna – Promete que será o mesmo que era minutos antes de entrar na igreja?

Gustavo – Prometo tudo que você quiser, Giovanna. Agora deixa o padre terminar que eu to fritando dentro desta roupa.

Giovanna – Então, agora pode finalizar, seu padre!

Padre – Eu os declaro, marido e mulher. Pode beijar a noiva, meu filho, antes que ela comece de novo.

GUSTAVO BEIJA GIOVANNA.

– FIM –

 


A criação na dramaturgia

junho 2, 2017

Há tempos não me via tão entusiasmado com a beleza da criação artística na dramaturgia, com o tempo ficamos tão mecânicos que escrevemos mais pela nossa prática de escrita do que pela beleza da criação de uma história para contar. Mas, felizmente, a vida nos leva por alguns caminhos maravilhosos e, em um deles, acabei encontrando à Oficina de Dramaturgia dada pelo premiadíssimo e generosíssimo dramaturgo, Samir Yazbek. Sorte a minha!

Cheguei disposto a reciclar meus conhecimentos e reavivar a minha escrita na dramaturgia e fui novamente capturado pelo fascinante mundo da criação, de onde eu talvez, tivesse me afastando em algum momento que não sei bem qual foi, pois, a prática já via atropelado os momentos mágicos da criação. Bendita hora em que eu aceitei o desafio de rebuscar uma nova construção na minha dramaturgia. Bendita hora!

De novo ali, mergulhado no imaginário de meus pensamentos, reaprendendo os caminhos de se chegar ao fim de uma história, como nunca antes houvera me aventurado. Passo a passo, com toda a beleza que existe na criação artística, fui desenterrando personagens há tempos esquecidos em um pequeno bloco de anotações e reavivando as belezas daqueles personagens que havia abandonado, talvez por não encontrar lugar para eles na minha prática.

Mas, ainda bem que pude recuperar o instante mágico da criação, que é muito mais do que um lampejo de ideia, ou um arremedo de pensamentos alinhados em um enredo qualquer, é estar disposto a esmiuçar as entranhas, os desejos, as vontades, os sonhos de alguém, ou de alguns, é contar uma história com começo, meio e fim, cheia de conflitos, reviravoltas e resoluções. É retratar no papel uma história que deve e precisa ser vista.

Durante todo o tempo de duração da Oficina, pude mergulhar de novo, sem medo, no universo da criação artística, sem pressa de dar um ponto final em uma história, apenas para poder entregar mais um trabalho e, fui, calmamente desenhando cena por cena, alinhavadas por ações que se completam até que tudo deságue no desenlace que reflita toda a jornada daqueles personagens que eu desenterrei de meu bloquinho de anotações.

Agora, passado o entusiasmo da Oficina, cá estou, ainda em estágio de criação, buscando conhecer intimamente os meus personagens e suas verdadeiras histórias, pois, quando se escrever dramaturgia, escreve-se uma história que vai além do papel. Como disse o Samir: “a dramaturgia é uma história que o dramaturgo escreve para ser lida e para ser vista”. Sagrado seja esse momento da criação artística! Sagrado seja!


O FAZEDOR DE PIPAS

maio 12, 2017

CENÁRIO: UMA GARAGEM

AO ABRIR AS CORTINAS, VEMOS NO FUNDO DO PALCO, VÁRIAS PIPAS PENDURADAS EM UM VARAL. NO CENTRO DO PALCO, UMA BANCADA, ONDE UM SENHOR FAZ PIPAS. ENTRA UM JOVEM, DE CABEÇA BAIXA, DIGITANDO AO CELULAR.

Neto – Oi, Vô, tudo bom?

Avô   – (LEVANTANDO OS OLHOS) Oi, meu neto! Você não sai desse celular, hein?

O JOVEM DÁ UMA RISADA, ACABA DE DIGITAR E LEVANTA OS OLHOS.

Neto – Caracá, vô! Quanta pipa!! Tu tá vendendo pipa agora, vô?

Avô  – (SEM PARAR O QUÊ ESTÁ FAZENDO) Claro que não! Elas todas são pra você! Fiz cada uma delas para você!

Neto  – Pra mim?

Avô   – É, mas você não veio mais aqui!

Neto  – É que agora tenho outras paradas. Sabe como é, né vô?

Avô   – Eu sei, meu neto! Menino é igual a uma pipa, quando cresce, tem de voar!

O JOVEM MEXE EM CADA UMA DAS PIPAS PENDURADAS NO VARAL.

Neto – Lembra, vô, como eu ficava vidrado vendo tu fazendo as pipas? Nunca consegui fazer uma, né? Só estragava tudo!

Avô   – Não quer tentar de novo?

Neto – Eu não! Não tenho como competidor com o maior fazedor de pipas do mundo.

Avô   – Todo mundo sabe fazer uma pipa!

Neto  – Pode até saber, mas ninguém é melhor do que meu avô.

O JOVEM VAI ATÉ A BANCADA E ABRAÇA O AVÔ, QUE SEM PARAR O QUÊ ESTÁ FAZENDO, APENAS SORRI.

Neto – Caracá, vô, ver essas pipas todas pendradas me deu uma saudade! Lembra quando tu me levava para soltar pipas? Nunca esqueci disso! Era muito bom!

Avô   – E você acha que eu esqueci?

O AVÔ TERMINA A PIPA E A MOSTRA PARA O NETO.

Avô  – E então, ficou bonita esta?

Neto – Ficou! Todas são lindas! Queria saber fazer pipas como você, vô!

O AVÔ VAI ATÉ O FUNDO DO PALCO E A PENDURA JUNTO COM AS OUTRAS NO VARAL

Neto – Vô, me deu uma vontade de soltar pipa. Posso pegar uma?

Avô  – A que você quiser! Elas são tuas, meu neto!

O JOVEM ESCOLHE UMA DAS PIPAS E A RETIRADA DO VARAL.

Neto – Vou levar essa. Vamos comigo, vô? Não sei se ainda sei soltar uma pipa!!

Avô  – Claro, meu neto! Tenho certeza que você ainda sabe!

Neto – Eu já disse que te amo, vô?

Avô  – Já me disse sim! Logo quando chegou! Não lembra? Depois eu é que sou velho!!

Neto – Então vamos, vô! Vamos voar!!

O JOVEM SAI DE CENA FAZENDO QUE EMPINA A PIPA.

Avô  – E a linha, meu neto? Tem de levar a linha, senão a pipa não voa!

O AVÔ SAI DE CENA LEVANDO O CARRETEL DE LINHA. LUZ CAI EM RESISTÊNCIA. FECHAM-SE AS CORTINAS .

                                                                                                                            – FIM –


O ATAQUE ALIENÍGENA

março 24, 2017

CENÁRIO: UMA PRAÇA

SENTADO EM UM BANCO, UM HOMEM MEXE EM UM CELULAR. ENTRAM EM CENA DOIS MARCIANOS, PORTANDO UMA ARMA ESQUISITA. UM DE CADA LADO.

Marciano1     – Não se mexa!

Marciano2     – Se você se mexer, vou congelar você!

O HOMEM SE LEVANTA DO BANCO

Homem       – Calma aí, rapaziada! Sem violência!

Marciano1   – Largue essa arma!

Homem       – Pô, chefia, não é arma, não! Acabe de pegá essa parada agora. Não é de última geração. Tava tentando desbloquear. Mas pega aí!

Marciano 2    – Não faça nenhum movimento!

O HOMEM SE SENTA NO BANCO. OS MARCIANOS SE APROXIMAM. UM DE CADA LADO.

Homem          – Fantasia da hora, hein?

Marciano1     – Não estamos fantasiados.

Marciano2     – Nós somos marcianos e vamos conquistar esse lugar.

Marciano 1    – Me leve até o seu líder!

Marciano 2    – Vamos! Ande logo!

Homem          – Olha só, rapaziada, eu não tenho essa parada de líder, não! Eu trabalho por conta própria mesmo!

Marciano 1    – Como você não tem um líder?

O HOMEM SE LEVANTA DO BANCO.

Homem          – Ó, até fiz parte de uma quadrilha aí, mas o chefe caiu em cana e a rapaziada se separou. Sabe como é, né, chefia? A gente tem que garantir o leitinho das crianças.

Marciano 2    – (PARA MARCIANO 1) Acho que ele não está entendendo o que estamos falando.

Marciano1     – Mas aprendemos tudo!

Marciano2     – De repente eles falam algum dialeto que não aprendemos.

Marciano 1    – Você está entendendo?

Homem          – Total, rapaziada! Vocês são os marcianos, pá! Querem conquistar, pá!…

OS MARCIANOS APONTAM AS ARMAS PARA O HOMEM.

Marciano 1    – Então nos leve até o seu líder!

Marciano 2    – Vamos! Não temos o dia todo!

Homem          – Então, rapaziada, não vou poder ajudar vocês. Já falei que não tenho mais essa parada de líder, não!

O MARCIANO 1 AMEAÇA ATIRAR.

Homem          – Calma aí, chefia! Sem violência! Sem violência!

Marciano 2    – Queremos falar com o seu líder agora!

Homem          – O Zarolha tá preso… Deixa eu vê como posso ajudar vocês…

O HOMEM SE SENTA NO BANCO. OS MARCIANOS CONVERSAM ENTRE SI.

Marciano 1    – Não é possível que este lugar não tenha um líder.

Marciano 2    – Mas nós vimos que cada país neste planeta, tem um líder.

Marciano 1    – Como é que eles chamam o líder deles aqui, mesmo?

Marciano 2    – Acho que é… Sem dentes!

Marciano 1    – Não! É… Ao dente!

O HOMEM SE LEVANTA.

Marciano2     – Escrevente!

Homem          – Olha aqui, rapaziada!

Marciano 1    – Presidente!

Marciano 2    – Isso mesmo! Presidente!

Homem          – Ô, seu dois esquisitos, dá pra olhá pra mim?

Marciano 1    – Nos leve agora até o seu líder Presidente!

Homem          – Presidente?

Marciano 2    – Isso! O presidente deste país!

Marciano 1    – Ele não é seu líder?

Homem          – Ih, rapaziada isso eu não sei, viu?

Marciano 1    – Como não sabe?

Marciano 2    – Ele não é seu líder?

Homem          – Rapaziada, aqui tá uma confusão danada, viu? Tem gente que acha que é, mas a maioria acha que não é. Tem gente que fala que tem uma história de golpe na parada. Não sei, não! Aí é com vocês, mano!

Marciano 1    – (PARA MARCIANO 2) Que maravilha!

Marciano2     – Então vai ser mais fácil que a gente achava.

Marciano1     – Vamos dominar esse país!

Marciano2     – Esse país agora é nosso!

Homem          – Ih, mano, chegaram atrasados, rapaziada! Os americano já domina aqui! Ó, e um tempão, viu?

Marciano1     – Quem são esses americanos.

Marciano2     – De que planeta?

Homem          – Ih, eles moram lá nos Estaites!

Marciano2     – Estaites?

Homem          – Outro país!

Marciano1     – E quer dizer que eles já invadiram esse país?

Homem          – Ih, rapaziada, eles dominam quase o mundo todo.

Marciano2     – Dominam o mundo?

Homem          – Os cara são poderoso! Mexeu com eles, eles logo faz guerra.

OS DOIS MARCIANOS SE SENTAM NO BANCO E LARGAM SUAS ARMAS.

OS MARCIANOS CONVERSAM ENTRE SI.

Marciano1     – O que você acha?

Marciano2     – Acho que esse país aqui não vale nada.

Marciano1     – Então, vamos atacar os americanos?

Marciano2     – Vamos atacar os americanos!

O HOMEM VAI POR TRÁS DO BANCO E PEGA AS ARMAS DOS MARCIANOS.

Homem          – Perdeu, rapaziada! Quietinho senão eu atiro!

OS DOIS MARCIANOS SE LEVANTAM DO BANCO.

Marciano1     – Cuidado com isso, rapaz!

Marciano2     – Você não sabe usar isso!

Homem          – Vamô Pará de caô e me leva logo até o líder de vocês.

OS TRÊS VÃO SAINDO DE CENA COM O HOMEM APONTANDO AS ARMAR PARA OS MARCIANOS.

Homem          – Agora quero vê quem não vai me respeitá! Vou roubá agora noutro planeta! Ah, moleque!… Andando!… Andando!…

OS TRÊS SAEM DE CENA. FECHAM-SE AS CORTINAS.

– FIM –

 


O início de tudo

novembro 11, 2016

Hoje não tem publicação sobre pontos de vistas político, discussões sobre o rumo da Educação, nem exercícios de dramaturgia, não tem mensagens de otimismo, sobre filosofias de vida, nem tão pouco contos ou poesias, nem mesmo alguma aventura da pequena Helena, porque hoje o assunto é: comemoração e gratidão, pois, há exatos dez anos, pela primeira vez, um texto meu deixou o fundo de minha gaveta e ganhou os palcos.

Eu que, há dez anos, apenas alimentava o sonho de ver um texto meu montado, acabei sendo surpreendido com o contato de uma Companhia de Teatro de São Paulo, pedindo a autorização para levar aos palcos o meu texto “Galo, Galinho, Galão. Agora já tenho esporão!”, que havia sido garimpado em um site que disponibiliza textos clássicos e de jovens desconhecidos. A Companhia, que fazia sua estreia nos palcos, resolveu apostar em um texto de um desconhecido. Foi o início de tudo.

Por isso, antes de qualquer coisa, preciso manifestar aqui, minha eterna gratidão à Juliana Camargo, diretora e atriz da Companhia Cia. Teatro dos Quatro, por me dar a primeira oportunidade. É claro que não posso me esquecer de agradecer também, ao Luiz Picazzio, ao Felipe Silze e o Marco Bressan, que junto com a Juliana, formavam o elenco, bem como ao produtor Alessandro Leite, aos figurinos e cenários de Newton Lima e a trilha sonora de Rafael Altro.

Eu que dois meses antes já havia sido surpreendido pela premiação em um Concurso Nacional de Dramaturgia, com outros dois textos meus, um na Categoria Adulta e outro na Categoria Infantil, com a chegada do meu primeiro texto aos palcos, comecei a acreditar, de fato, que o sonho poderia virar, sim, realidade e que era possível ver meus textos fora da gaveta, ou das páginas do livro de dramaturgia editado com os meus textos premiados no Concurso.

Infelizmente a Cia. de Teatro dos Quatro não prosseguiu após Juliana se tornar mãe. Só que pra mim, ela será eterna. Com certeza, todos eles não devem ter ideia o quanto foram importantes para minha carreira como dramaturgo. Portanto, escrevo essas poucas palavras, com o sentimento eterno de gratidão, pela oportunidade e aposta, em um desconhecido, que sem fazer parte de nenhum grupo teatral e morar longe das capitais, nutria apenas o sonho de ser, um dia, reconhecido com dramaturgo.

Muita coisa passou depois daquele 11 de Novembro de 2.006, quando, muito emocionado, assisti a estréia do meu texto, outras tantas pessoas cruzaram o meu caminho e acreditaram em meu trabalho, e eu, que antes sonhava em ter meu texto encenado, acabei por ver vários deles viajando por todo o Brasil, de Norte a Sul, de Leste a Oeste e ainda assisti algo inimaginável no início de tudo, meus textos aportando em terras portuguesas e em país africanos que falam a nossa língua. Tornei-me sim, um Dramaturgo.

E hoje, uma década depois, não posso também me furtar de estender os meus mais sinceros agradecimentos, aos grupos e companhias de teatro, profissionais, amadores e estudantis que apostaram e apostam em meus textos, nestes longos dez anos escrevendo para Teatro. Saibam que, todos vocês, foram tão ou mais importantes nesta minha trajetória de dramaturgo, por isso, para não esquecer de ninguém, quero que todos saibam que em meu blog tem um cantinho agradecendo cada um de vocês.

Mas, antes de encerrar essas poucas palavras, não posso deixar de prestar a minha eterna gratidão a uma pessoa muito especial, que apostou nos meus textos desde sempre, que sempre me incentivou, que sempre que pôde me abriu portas, que sempre fez questão de divulgar meu trabalho e que, sem a sua generosidade, jamais teria ido tão longe. Por isso, minha eterna gratidão, ao meu professor, amigo e Mestre inspirador: Nelson Albissú.


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