A importância do lúdico

setembro 30, 2016

Ultimamente temos levado uma vida encharcada de realismo e de realidade, onde o quê mais importa é o concreto, tanto o cinzento que nos rodeia, como aquilo que nos é palpável e visível. Queremos sempre a lógica das coisas, o racional, aquilo que nos faz sentido e não nos cause ilusões, com isso, nos tornamos pessoas carrancudas, incapazes de admitir a possibilidade que a vida é muito mais mágica do que lógica.

Enchemos nossas horas de compromissos e, o pior, temos feito o mesmo com nossas crianças, que, em muitos casos, precisam até de uma agenda para anotar os intermináveis cursos que são obrigadas a fazer, durante os intervalos de suas aulas escolares. Fechamos o cerco de tal forma que não sobra espaço algum para aquilo que não seja compromisso. Estamos, involuntariamente, roubando o lúdico de nossas crianças.

É certo que a vida é muito mais que uma ilusão, que um sonho inatingível, que ela nos cobra responsabilidades, mas, talvez seja a falta do lúdico que esteja nos impedindo de enfrentar certas situações que somos confrontados no nosso dia a dia. Tudo tem quer ser levado a sério e precisa ser assim, pois a vida não é uma brincadeira de criança. Mas, como ficam as brincadeiras de crianças se não deixamos que elas a brinquem em seus cotidianos?

Não se consegue viver uma vida saudável se nos recusarmos a abrir espaços para aquilo que não seja sério. A vida já é feito de muita dor e tristeza para nos privarmos de alguns momentos mágicos e lúdicos que possam suavizar a nossa jornada. A melhor receita para encarar a dura realidade é afastar-se dela por alguns segundos. Quando o copo está muito cheio de problemas, com certeza ele transbordará.

Agora, se é por demais saudável, alguns minutos lúdicos na vida de qualquer adulto, imaginem para a vida de uma criança, que enxerga na brincadeira, na mágica, no lúdico, as coisas mais interessantes de sua vida? Estimular a imaginação da criança deve ser prioridade, e não entupir a agenda do dia com compromissos que nem nós somos capazes de dar conta. A criança precisa aprender a mágica para lidar com a lógica.

E o adulto, não precisa ter vergonha de desfrutar do lúdico, de encontrar em cada dia onde a lógica cega, não deixando ver qual a melhor decisão a tomar, um instante de mágica para encarar os seus desafios, pois a vida pode se tornar ainda mais difícil, cansativa, desestimulante, desinteressante, se nós tivermos que usar sempre nossa energia para lidar com a realidade através da lógica. O lúdico é sim importante, pois não nos deixa esquecer que a vida é feita de mágica.


A Família abandonou a Educação

outubro 5, 2013

Muito tem se discutido sobre os rumos da educação escolar, apontam vários fatores que poderiam responder como possíveis responsáveis pelo fracasso do ensino regular, mas talvez um ponto muito importante dentro dessa engrenagem esteja sendo por demais, desconsiderado: A Família. A impressão que fica é que a Família abandonou a Educação.

E quando falo da Educação, não estou falando daquela ensinada nas escolas, mas sim daquela que deve ser ensinada em casa, pelos pais ou responsáveis pela criação da criança, daquela que procura passar os valores de ética e cidadania, daquela que prepara a criança para a vida adulta, daquela que molda o caráter da criança, pois é justamente essa que vejo sendo relegada.                    

Parece-me que os pais ou responsáveis tem se omitido muito de suas respon-sabiidades e as transferindo para a Escola, deixando a cargo dos professores, funções e tarefas que deveriam ser executadas exclusivamente por eles e o que vemos, são crianças que não cumprem regras, sem limites, desrespeitosas e com uma visão distorcida de valores básicos do que seja ética e cidadania.

O conceito básico de educação é ensinar, instruir, orientar, mas o que tenho notado é que esse conceito tem se mostrado distorcido, pois muitos pais têm demonstrado um comportamento permissivo, de super proteção e muito condescendentes para com as atitudes de seus filhos que, ao invés de contribuir para formação de uma criança sabedora de suas obrigações, tem gerado crianças com fortes desvios de comportamento.

É certo que muitos ainda continuarão se eximindo de suas responsabilidades e continuarão a transferi-las, principalmente às Escolas e aos professores, outros até darão a desculpa de que trabalham demais e precisam suprir as suas ausências com atitudes permissivas e com excesso de proteção, mas enquanto a Família não reconhecer as suas obrigações na criação das crianças, o que veremos é uma escola cada vez mais decadente.

Não adianta nada reclamar dos problemas nas escolas, das ineficiências dos professores, da qualidade do ensino, disso e daquilo, se dentro de casa, a educação de uma criança não se mostrar primordial para a Família, pois, pior do que qualquer excesso na intenção de educar é a omissão da responsabilidade que é criar um filho. Educação não é apenas ensinar uma criança a ler e escrever, é formar um cidadão e, parte disso, é responsabilidade da Família.


A noite do Lobisomem

julho 20, 2013

Essa história eu não vou esquecer nunca, só de me lembrar já fico toda arrepiada. Tudo começou assim: A mãe do Paulinho convidou todo mundo para ir na festa junina que ela ia fazer lá na casa dela, a mãe dele até conversou com a minha mãe pra deixar eu ir com a mãe da Joana. Minha mãe não queria deixar, mas eu insisti tanto, que ela acabou deixando. Mas eu devia ter ouvido a minha mãe e ficado em casa, isso sim!

Chegamos na casa do Paulinho e tava a maior bagunça, os tios, as tias, os amigos da mãe do Paulinho, todo mundo vestido com roupa de caipira. Pensei comigo: – Que mico! A Joana até queria que a gente viesse vestida de caipira, mas eu logo tirei isso da cabeça dela.

Tinha tanta comida, que parecia que a mãe do Paulinho tinha convidado a cidade toda. Era milho, paçoca, pinhão, amendoim, bolo de fubá, tinha até caldo verde. Os adultos tomavam quentão e vinho quente e dançavam quadrilha que nem a gente na escola.

Na frente da casa do Paulinho tinha uma fogueira enorme, onde o tio dele assava batata doce numa panela velha. Eu, o Paulinho e a Joana ficamos brincando na rua de estalinho e de pega pega. Uma coisa que eu também não esqueço, é tava um frio de congelar!

No meio na noite, os tios  e  as  tias do Paulinho, começaram a contar uma história sobre um lobisomem que todo ano vinha participar da festa. Pensei comigo: – Só pode ser um dos tios do Paulinho que se fantasia de Lobisomem para assustar a gente. Eu não dei bola praquela história e chamei o Paulinho e a Joana pra soltar estalinho lá fora, mas que nada, o Paulinho queria era saber das histórias do Lobisomem.

Aquela conversa já tava ficando muito chato e como nem a Joana e nem o Paulinho queriam sair dali, fui sozinha lá pra rua, sentei na calçada e fiquei olhando a Lua. Era uma Lua cheia, tão grande, que parecia uma bola de tão redonda. De repente comecei a escutar um cachorro chorando, olhava pros lados, mas não tinha nada e cada vez aumentava mais e eu fui ficando com medo.

– Meu Deus, e agora? Será que essa história de Lobisomem é verdade mesmo?

Levantei da calçada e corri para entrar na casa do Paulinho, só que quando eu saí, bati o portão de raiva e ele acabou trancando. Toquei a campainha, bati palmas, mas ninguém me ouvia. Meu medo foi aumentando, aumentando, que comecei a gritar. Foi aí que apareceu um homem e abriu o portão pra mim. Eu nem olhei, saí em disparada pra dentro da casa.

Fui logo pedi pra mãe da Joana que eu queria ir embora, mas como estava todo mundo se divertindo com as histórias do Lobisomem, ninguém me deu bola. Sentei numa cadeira e fiquei sozinha.

Então, o homem que abriu a porta pra mim se sentou do meu lado e começou a conversar comigo.

– Que foi? Você está triste por quê?

– Eu só tô com sono!

– Você não gosta de histórias de Lobisomem?

– Não sei! Não! Sim! Eu só quero embora!

– Não dá bola pra isso não!  São só histórias! Vai brincar com as crianças lá fora, disse ele.

Como vi que não tinha jeito da mãe da Joana querer ir embora mesmo, fui brincar com uns amigos do Paulinho na frente da casa. Não demorou muito e a Joana e o Paulinho apareceram pra brincar também.

– Puxa vida! Ainda bem que vocês vieram!

– A gente tava escutando as histórias do Lobisomem!

– Não quero saber!

– Que foi, Helena, tá com medo? Disse a Joana.

– Que medo o quê! É que tô achando a festa chata.

– É por causa do Lobisomem! É sim! Disse o Paulinho já querendo me botar medo.

– Que Lobisomem o quê? Lobisomem não existe! É tudo história pra enganar criança boba que nem vocês?

De repente ouvi um choro de cachorro bem forte no meu ouvido! Era mas ou menos assim: – Auuuuuu! Auuuuuu!

Fiquei parada como uma estátua. O Paulinho, a Joana e as outras crianças, saíram todas correndo de medo! Eu ainda vi uma mão peluda no meu ombro e depois não me lembro de mais nada, quando acordei estava deitada no sofá da sala do Paulinho sendo olhada para todo mundo.

Nunca mais me esqueci daquela mão peluda de Lobisomem no meu ombro e daquele: – Auuuuuu!… no meu ouvido. Só de lembrar, fico toda arrepiada!

E quem duvida que Lobisomem existe é porque nunca foi numa festa junina na casa do Paulinho!  


E a criança, como fica nesta história?

maio 27, 2011

Hoje não está nada fácil escrever um texto infantil, se já não bastasse toda a complexidade que é contar uma história para os pequenos, um outro problema vem contribuindo para essa dificuldade, a questão do politicamente correto. Mas, qual o politicamente correto? O meu, o seu, ou o da criança? Será que a criança não direito de enfrentar as situações adversas? Alguém perguntou para criança o que ela acha tudo isso?

Esse zelo exacerbado que chega às raias da neurose, está tornando o ofício de escrever histórias para crianças algo quase mecânico, pois nada pode. A inocência da criança que brinca com as situações que ela vivencia, está sendo fortemente vigiada. E, se já não bastasse toda a violência urbana que acabou empurrando as crianças para dentro das casas, querem decidir o que a criança pode ou não pode assistir.

A onda do “bom-mocismo” que tomou conta do país acabou extrapolando e tornando situações que outrora eram naturais, quase proibitivas. O que seria de Maurício de Souza se tivesse criado nos dias de hoje, “A Turma da Mônica”? Chamar um menino de “Cebolinha”, um outro de “Cascão” e uma menina de “Gorducha” e “Dentuça”, lhe decretaria o fracasso, jamais se tornaria o sucesso que é nos dias de hoje. Como tudo na vida, o excesso de preocupação, acabou criando um monstro, e querem que fechemos as crianças em redomas de vidros, distantes de todo e qualquer mal.

Será que tal atitude está fazendo bem para as crianças? Como elas poderão discernir o que é certo ou errado? E como elas vão saber se isso ou aquilo é certo ou não, se estão limitadas a aceitar apenas o que lhes é imposto como politicamente correto diante dos olhos de alguns? A sociedade está escrevendo um texto infantil com uma lição de moral no final. Algo muito ruim para criação do cidadão de amanhã.

Quando penso em escrever algum texto, contar alguma história infantil, sinto até um frio na espinha, pois sei que certamente enfrentarei muitos problemas, porque pra mim, criança é criança e tem de ser respeitada como um consumi-dor da minha literatura e do meu teatro e sempre falarei para ela, olhando nos olhos dela, e usando a sua linguagem. A única coisa que faço questão é de que a criança tenha a sua impressão sobre o que escrevi. Ela que vai dizer o que é certo ou errado, e não eu! Eu apenas lhe mostrei as situações.

Preocupações com a violência, com a educação, com as drogas e com tudo mais que cerca o universo infantil nos dias de hoje, eu também tenho, pois sou pai. Mas não posso querer esconder das minhas filhas, algo que a vida por certo lhes mostrará. E pintar o mundo de cor-de-rosa, querendo que só o bem faça parte, é utopia. A vida é feita do bem e do mal.

Por que será que os vilões fazem tanto sucesso? Porque os vilões é que tornam os heróis, exemplos para criançada. Impedir, esconder, disfarçar todo mal que há no mundo, não vai livrar a criança dos problemas. O melhor é deixar que os autores, usem a sua criatividade, abusem do lúdico e falem a língua da criança, colocando no papel, as situações comuns às crianças. Ou será que as crianças de hoje não tem mais apelidos?


A importância do texto infantil

outubro 18, 2009

Muito mais do que conter e contar fábulas, um texto infantil para teatro, tem uma função ainda pouco explorada, ou pelo menos, não se vê muita divulgação de sua utilização para esse fim: o de servir como um forte instrumento de apoio pedagógico, auxiliando na educação da criança.

Enfatizar apenas o lado lúdico que o teatro, com toda sua magia, é capaz de passar, é muito pouco para um texto infantil de teatro. Ele pode ser muito melhor explorado, do que ser apenas uma parte de um espetáculo infantil oferecido à criança como passeios em datas festivas.

Utilizar o texto infantil de teatro na sala de aula, servindo-se de suas histórias para trabalhar de maneira mais lúdica, assuntos por vezes difíceis de lidar, até mesmo pela complexidade do tema, a princípio pode parecer que não, mas é sim, um diferencial para a educação infantil.

A pedagogia precisa se ater a esse detalhe, pois o teatro como arte pura e o seu texto infantil utilizados como instrumentos multiplicadores de idéias e, acima de tudo, como facilitadores para trabalhar ações e sentimentos, só tem a acrescentar na melhoria da educação, seja ela de forma informal, ou de forma didática.

Mais e mais fica claro, que não bastam apenas os métodos ortodoxos de educação para ensinar a criança dos dias de hoje, e cada vez mais é preciso se buscar um diferencial para estimular a criança á aprender. E a utilização do texto infantil de um espetáculo teatral caminha neste sentido.

É claro que não é sempre que se pode se utilizar de textos infantis, mesmo porque, ainda são raros, ou de pouco conhecimento, textos que possam servir de fato, como apoio pedagógico. E também, não se deve incorrer no mesmo erro de outrora, forçando a criança a ler vários textos infantis, assim como se fez, e se faz com a literatura, pois assim, corre-se o risco de se obter o efeito contrário.

O texto infantil se faz importante quando ele é usado na medida certa entre o que é lúdico e o que é didático, servindo de estimulo, instigando a investigação, apoiando a pedagogia no dia-a-dia e trazendo para sala de aula, a magia existente no teatro de uma forma natural, para que todos possam usufruir de cada pedacinho da história.


A iniciação teatral

junho 27, 2009

É sempre muito louvável todas as tentativas e iniciativas de iniciar as crianças nas artes cênicas. Muitos e muitos colégios pelo país afora incluem como atividades extracurriculares, aulas de teatro, desde os seus pequeninos até a turma do ensino médio, só que tem um porém. Aliás, como sempre, em tudo tem um porém.

Há de se ter muito cuidado quando se propõe incluir aulas de teatro para crianças, pois, como tudo nessa vida, existe os muitos aproveitadores que se perfazem e se dizem conhecedores das artes cênicas, mas na verdade, não passam de picaretas, interessados sabe lá em quê!

É óbvio que não se espera que as crianças saiam desses cursos, com habilidades suficientes para brilharem sobre um palco, se espera apenas, que lhe sejam dadas informações suficientes para que elas saibam discernir sobre a arte e não distorcer o sentido das coisas.

E esse cuidado também deve ser tomado nos muitos cursos livres de teatro espalhados pelo país, pois, hoje em dia, muitos e muitos pais levam seus filhos para esses cursos, pensando em torná-los astros das novelas das nove, por isso, a responsabilidade por essa iniciação é muito grande.

Não temos como afastar esses aproveitadores, pois, como em todas as áreas, existem os maus e os bons profissionais. O que podemos fazer, enquanto pessoas interessadas em iniciar crianças no mundo das artes cênicas, é nos dedicar ao máximo para passar os ensinamentos necessários para que elas possam se tornar, no mínimo, grandes apreciadoras de espetáculos, sabendo a noção exata entre o bom e o mau teatro.

Então, que mais e mais crianças sejam iniciadas nas artes cênicas, pois, por certo, no futuro, teremos, quem sabe, alguns atores excelentes, mas com certeza, teremos um público altamente crítico e conhecedor do que vê em cena.

E tenham certeza que vale muito à pena toda a dedicação para iniciar as crianças nas artes cênicas, mesmo tendo o caminho atrapalhado por certos aproveitadores, interessados apenas em faturar em cima da ilusão de pais afoitos em fazer de seus filhos, astros da televisão.


Criança merece respeito

maio 16, 2009

Não é de hoje que ouço comentários que dão conta do desrespeito que alguns atores tem com as crianças. Existem espetáculos infantis que demonstram não se importarem em nenhum instante com a presença da criança na platéia. Talvez seja uma coisa até intuitiva, feita sem se perceber, mas é aí que reside o problema.

Muitos atores não tomam o devido cuidado, principalmente com gestos e com a inclusão de cacos em alguns espetáculos infantis. A inserção de gírias e de um palavreado não condizente com o público infantil que está assistindo o espetáculo pode colocar abaixo algo que tinha tudo para ser um sucesso.

Na apresentação de um espetáculo infantil, muito mais do que tentar fazer caras e bocas para conquistar a criança, há de prestar a atenção com o texto. Respeitar ao máximo o que autor quis passar com a história é muito mais importante. Seguir o texto na íntegra, por si só, pode ser o sucesso do espetáculo.

Há de se tentar sempre buscar a excelência quando o assunto é criança, ela merece ser respeitada. Não adianta cenários bonitos, figurinos luxuosos, um texto bem escolhido e com uma história adequada ao público infantil, se na hora da apresentação o ator em cena descamba para a interpretação de cacos e gírias atuais, apenas para fazer graça com a criança.

Na maioria das vezes, quando os atores enchem os espetáculos infantis de cacos e gírias da moda, acaba atingindo somente os pais, que desarmado de censo crítico, se deixam levar pelas “palhaçadas” e caem na gargalhada. Só que nem sempre se consegue atingir a criança, que às vezes, apenas ri porque o pai está rindo e a mensagem proposta, acaba ficando pelo caminho.

Espetáculo infantil não é, nunca foi e nunca será o objeto de experimento para atores. Quem pensa desta maneira, está redondamente equivocado, pois Teatro Infantil tem que, antes de mais nada, respeitar a criança como criança, pois ela, somente ela, é o público que se quer atingir.

Será assim, buscando a excelência e seguindo o caminho da seriedade, que se fortalecerá o Teatro Infantil e que se tornará possível transformá-lo em um produto sem contra-indicações para uma criança.


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