A morte da lagarta

novembro 4, 2013

Oi, gente, tudo bem? Precisava contar isso pra vocês. Achei incrível! Não chega ser uma aventura, mas foi à maior surpresa. Eu e minha amiga Joana… a gente tá junto pra tudo. Dizem até que a gente parece irmãs. Então, como eu ia contando… Depois que eu e minha amiga acabamos de tomar nosso lanche, fomos até o jardim da nossa escola pra ver como tava a nossa hortinha.

“Olha só, Joana! Já tá nascendo a minha plantinha!”

“A minha também! Olha lá!”

Realmente as nossas plantinhas já estavam começando a nascer. Só que tinha um monte de papel de bala jogado no meio delas. Foi então que eu e a Joana começamos a tirar um por um pra poder jogar fora, de repente a Joana deu um grito:

“Eca!… Olha só aquela minhoca!”

“É mesmo! E tá subindo na minha plantinha. Sai daí, minhoca!”

A professora Carolina que já vinha chamar a gente pra voltar pra aula, achou estranho ver a gente falando e brigando com as plantinhas da nossa horta e veio falar com a gente.

“Ei, o quê está acontecendo aí, hein meninas?”

“É aquela minhoca, professora!”

“Ela tá querendo comer a minha plantinha!”

“Isso não é uma minhoca, meninas! Isso é uma lagarta!”

“Pra mim é a mesma coisa! Vou matar esse bicho nojento.”

Quando a Joana já ia saindo pra procurar alguma coisa que desse para matar aquela minhoca nojenta, a professora pediu pra gente se acalmar que ela ia explicar tudinho.

“Calma, Joana! Deixa eu explicar pra vocês!” Vocês não estão vendo que ela está ali parada?”

A professora tinha razão. Eu e a Joana ficamos olhando, olhando e olhando, mas aquela minhoca… não, lagarta, não saia do lugar.

“Viram só! Isso é uma lagarta e está em processo de transformação”

“Como assim?”

“Eu não entendi”

De repente, aquela lagarta foi mudando de forma, fazendo uma casca. Morreu sem ninguém fazer nada.

“Ainda bem que essa minhoca morreu!”

“Não é minhoca!”

“Minhoca, Lagarta, tudo nojenta! Vamos embora, Joana!”

“Esperem! Agora que a lagarta morreu é que vem a surpresa.”

Eu fiquei curiosa para ver a surpresa. A Joana na queria muito, mas acabou ficando, só porque eu pedi. Mas, vocês precisavam tá lá com a gente. Eu nunca tinha visto aquilo.

Aquela lagarta que entrou na horta, que depois morreu e virou uma casca mais nojenta ainda… Argh! Só de lembrar dá um nojo! Mas, aquele bichinho feio que queria comer nossas plantinhas, se transformou numa borboleta.

“Olha, a lagarta virou uma borboleta!”

“Que bonita!”

“Viram só que surpresa?”

Ver aquela borboleta nascer foi mais que uma aventura, foi uma coisa que nunca mais vou esquecer. Espero que vocês um dia também tenham sorte de ver o nascimento de uma borboleta!

Bom, vou ficando por aqui, que to cheia de lição de casa pra fazer. Outra hora eu volto pra contar mais uma das minhas aventuras.

Beijos.

Helena


A noite do Lobisomem

julho 20, 2013

Essa história eu não vou esquecer nunca, só de me lembrar já fico toda arrepiada. Tudo começou assim: A mãe do Paulinho convidou todo mundo para ir na festa junina que ela ia fazer lá na casa dela, a mãe dele até conversou com a minha mãe pra deixar eu ir com a mãe da Joana. Minha mãe não queria deixar, mas eu insisti tanto, que ela acabou deixando. Mas eu devia ter ouvido a minha mãe e ficado em casa, isso sim!

Chegamos na casa do Paulinho e tava a maior bagunça, os tios, as tias, os amigos da mãe do Paulinho, todo mundo vestido com roupa de caipira. Pensei comigo: – Que mico! A Joana até queria que a gente viesse vestida de caipira, mas eu logo tirei isso da cabeça dela.

Tinha tanta comida, que parecia que a mãe do Paulinho tinha convidado a cidade toda. Era milho, paçoca, pinhão, amendoim, bolo de fubá, tinha até caldo verde. Os adultos tomavam quentão e vinho quente e dançavam quadrilha que nem a gente na escola.

Na frente da casa do Paulinho tinha uma fogueira enorme, onde o tio dele assava batata doce numa panela velha. Eu, o Paulinho e a Joana ficamos brincando na rua de estalinho e de pega pega. Uma coisa que eu também não esqueço, é tava um frio de congelar!

No meio na noite, os tios  e  as  tias do Paulinho, começaram a contar uma história sobre um lobisomem que todo ano vinha participar da festa. Pensei comigo: – Só pode ser um dos tios do Paulinho que se fantasia de Lobisomem para assustar a gente. Eu não dei bola praquela história e chamei o Paulinho e a Joana pra soltar estalinho lá fora, mas que nada, o Paulinho queria era saber das histórias do Lobisomem.

Aquela conversa já tava ficando muito chato e como nem a Joana e nem o Paulinho queriam sair dali, fui sozinha lá pra rua, sentei na calçada e fiquei olhando a Lua. Era uma Lua cheia, tão grande, que parecia uma bola de tão redonda. De repente comecei a escutar um cachorro chorando, olhava pros lados, mas não tinha nada e cada vez aumentava mais e eu fui ficando com medo.

– Meu Deus, e agora? Será que essa história de Lobisomem é verdade mesmo?

Levantei da calçada e corri para entrar na casa do Paulinho, só que quando eu saí, bati o portão de raiva e ele acabou trancando. Toquei a campainha, bati palmas, mas ninguém me ouvia. Meu medo foi aumentando, aumentando, que comecei a gritar. Foi aí que apareceu um homem e abriu o portão pra mim. Eu nem olhei, saí em disparada pra dentro da casa.

Fui logo pedi pra mãe da Joana que eu queria ir embora, mas como estava todo mundo se divertindo com as histórias do Lobisomem, ninguém me deu bola. Sentei numa cadeira e fiquei sozinha.

Então, o homem que abriu a porta pra mim se sentou do meu lado e começou a conversar comigo.

– Que foi? Você está triste por quê?

– Eu só tô com sono!

– Você não gosta de histórias de Lobisomem?

– Não sei! Não! Sim! Eu só quero embora!

– Não dá bola pra isso não!  São só histórias! Vai brincar com as crianças lá fora, disse ele.

Como vi que não tinha jeito da mãe da Joana querer ir embora mesmo, fui brincar com uns amigos do Paulinho na frente da casa. Não demorou muito e a Joana e o Paulinho apareceram pra brincar também.

– Puxa vida! Ainda bem que vocês vieram!

– A gente tava escutando as histórias do Lobisomem!

– Não quero saber!

– Que foi, Helena, tá com medo? Disse a Joana.

– Que medo o quê! É que tô achando a festa chata.

– É por causa do Lobisomem! É sim! Disse o Paulinho já querendo me botar medo.

– Que Lobisomem o quê? Lobisomem não existe! É tudo história pra enganar criança boba que nem vocês?

De repente ouvi um choro de cachorro bem forte no meu ouvido! Era mas ou menos assim: – Auuuuuu! Auuuuuu!

Fiquei parada como uma estátua. O Paulinho, a Joana e as outras crianças, saíram todas correndo de medo! Eu ainda vi uma mão peluda no meu ombro e depois não me lembro de mais nada, quando acordei estava deitada no sofá da sala do Paulinho sendo olhada para todo mundo.

Nunca mais me esqueci daquela mão peluda de Lobisomem no meu ombro e daquele: – Auuuuuu!… no meu ouvido. Só de lembrar, fico toda arrepiada!

E quem duvida que Lobisomem existe é porque nunca foi numa festa junina na casa do Paulinho!  


CONCURSO CULTURAL

maio 2, 2009

CONCURSO CULTURAL

“SUA HISTÓRIA NO MEU LIVRO”

 

REGULAMENTO

 

            O Concurso Cultural “Sua história no meu livro” é uma iniciativa do Escritor Paulo Sacaldassy e do blog “Poucas Palavras”, com o intuito de premiar seis histórias contadas por crianças para serem publicadas no livro “As aventuras de Helena” de autoria do escritor.

 

A INSCRIÇÃO

 

O concurso é voltado para todas as crianças brasileiras, com idade entre 07 (sete) e 10 (dez) anos e poderá ser feita a partir do dia 02 de Maio de 2.009 até 31 de Agosto de 2.009.

 

Cada criança só poderá participar com uma história que deve narrar uma aventura passada por ela.

 

A inscrição é gratuita e se caracteriza pelo recebimento da obra (dentro das condições exigidas) através do e-mail: psacaldassy@gmail.com

 

A inscrição poderá ser efetuada através do correio, devendo a criança enviar sua história para o seguinte endereço:

 

Concurso Cultural

“Sua história no meu livro”

Caixa Postal nº 11

CEP 11010-970

 

As inscrições efetuadas através do correio só serão aceitas se forem postadas até a data limite citada neste regulamento, valendo para isso, a data do carimbo da agência do correio.

 

Ao fazer a inscrição, a criança e seu responsável estão concordando com o regulamento, que inclui também a autorização do Anexo I abaixo.

 

COMISSÃO JULGADORA

 

Caberá ao Escritor Paulo Sacaldassy e a equipe do blog “Poucas Palavras”, a analise e escolha das histórias vencedoras, sendo a decisão soberana.

 

A SELEÇÃO

 

Serão escolhidas 06 (seis) histórias, sendo 03 (três) escritas por meninos e 03 (três) escritas por meninas.

 

A PREMIAÇÃO

 

As 06 (seis) histórias escolhidas ganharão uma versão contada pela personagem Helena e farão parte do livro “As aventuras de Helena”.

 

Cada uma das crianças vencedoras ganhará um exemplar do livro e terão seus nomes incluídos como autores das histórias.

 

CONDIÇÕES GERAIS

 

As histórias deverão ser escritas em língua portuguesa, sendo aceito o uso de termos estrangeiros.

 

As histórias devem ser inéditas, ou seja, não tenham sido publicadas em livros, revistas ou qualquer outro impresso, bem como em sites e blogs da internet.

 

A história deverá ser digitada, salva em formato “DOC”, fonte Times New Roman, tamanho 12, espaço simples e no máximo com duas folhas, ou ser escrita em folha de papel almaço com a caligrafia da própria criança.

 

Junto com a inscrição, deverá ser enviada a ficha de inscrição preenchida conforme modelo abaixo. A ausência dos dados do responsável implicará na desclassificação do concorrente.

 

É de responsabilidade da criança e de seu responsável, a observância de toda e qualquer questão relativa a direitos autorais, assim como plágio.

 

O resultado do concurso será divulgado no blog https://psacaldassy.wordpress.com, após 30 (trinta) dias do encerramento das inscrições, podendo ser prorrogada a critério dos organizadores.

 

As histórias recebidas serão destruídas após o resultado do concurso.

 

Às crianças vencedoras e seus respectivos responsáveis, não caberá nenhuma indenização ou pagamento de qualquer espécie por conta da publicação da história.

 

Cabe a criança e seu responsável, a plena aceitação deste regulamento e seus anexos, não cabendo qualquer recurso.

 

 

 

FICHA DE INSCRIÇÃO

 

Nome completo:

Data de nascimento:

Nome do Pai:

Nome da Mãe:

Rua:
CEP:
Telefone:
E-Mail:
Título da obra:


Declaro que a história _______________________________ com a qual participo no Concurso Cultural “Sua história em meu livro” é de minha autoria, inédita e nunca foi premiada.

 

 

 

ANEXO I

  

 

AUTORIZAÇÃO DE DIREITOS AUTORAIS

E DE USO DE IMAGEM

                                                                                

 

 

                        Através deste instrumento, os responsáveis pela criança que se inscreveu no Concurso Cultural “Sua história no meu livro”, devidamente qualificados através da ficha de inscrição, autorizam gratuitamente a PAULO SACALDASSY e ao blog “Poucas Palavras”, o uso total do conteúdo da história criada por seu (sua) filho (a) também identificado (a) através da ficha de inscrição, para ser publicado no livro “As aventuras de Helena”, bem como a utilização de seu nome e de sua imagem nos livros publicados e em todos os materiais de divulgação do mesmo, para circulação em todo o território brasileiro, e demais países onde o livro vier a ser lançado, sem limite de números de exemplares e de edições. Assegurando a PAULO SACALDASSY, todos os direitos de plena utilização da referida história por tempo indeterminado e dando plena, geral e irrestrita quitação para nada mais reivindicar quanto a esta autorização seja a que título for.


Depois dizem que criança é birrenta!

março 28, 2009

Oi, gente! Tá cada vez mais difícil entrar no blog do tio Paulo, viu? Eu peço, peço, peço, mas ele não me deixa. Agora, aproveitei que ele está escrevendo um texto e entrei aqui para contar uma história pra vocês. Não é bem uma aventura como as outras. É uma história muito triste. Na verdade é sobre uma briga que eu vi na televisão. Uma briga, não! Uma guerra!

 

Eu tava brincando com as minhas bonecas, bem no meio da sala, quando o meu pai chegou.

 

“Helena, vê se não faz barulho que eu quero ver o jornal!”

 

Eu nem tava fazendo barulho. E continuei com a minha brincadeira.

 

“Agora a gente vai jantar, viu, Dona Helena?”

 

Minha mãe queria que a gente jantasse logo, pois ela queria ver a novela. Era assim todo dia. Meu pai via o jornal e minha mãe via novela.

 

“Deixa eu ver só essa reportagem!” Disse o pai de Helena.

 

“Eu não consigo entender tanto ódio desse povo!” Retrucou a mãe de Helena.

 

Aquela conversa do meu pai com a minha mãe chamou minha atenção, então, resolvi parar de brincar e não tirei mais os olhos da televisão.

 

“Senta, vamos ver isso!” Disse o pai de Helena a sua mãe.

 

“Eu já não agüento mais assistir tanto absurdo!” Respondeu a mãe de Helena.

 

Enquanto meu pai e minha mão conversavam, eu fiquei ali olhando o moço do jornal da televisão, falando que um povo que morava num lugar chamado Israel, estava brigando com um pessoal que morava num lugar chamado Palestinha. Não! Palestina.

 

“Depois, se a comida ficar fria, não quero nem saber!… Vem comer, Helena!”

 

Eu fiz um sinal com a mão pedindo para minha mãe esperar, pois uma coisa eu não estava entendendo muito bem. O moço do jornal disse que eles estavam brigando num lugar chamado de Terra Santa. Mas, como pode ser santa, se um vive jogando bomba na terra do outro?

 

“A professora disse que todos nós somos filhos de Deus, será que eles não são?”

 

Eu não conseguia entender. Aquelas bombas matando crianças nas duas terras, não era uma coisa boa de fazer.

 

“Olha só isso!… Que absurdo!” Disse o pai de Helena, indignado.

 

“Eles que se matem!” Disse a mãe de Helena, lá da cozinha.

 

Minha mãe estava morrendo de raiva. Acho que ela também não gostava de ver um jogando bomba no outro.

 

“Pai, posso fazer uma pergunta?”

 

“Fala, Helena”.

 

“Eles estão brigando desse jeito porque eles acham que cada um é que é dono da terra de Jesus?”

 

“Mais ou menos. Deixa eu ver a televisão, Helena!”

 

“Mas, Jesus não está no céu?”

 

“Está, minha filha, está!”

 

Aí eu parei de ver a televisão. Não conseguia entender a briga mesmo. Ainda mais quando o moço falou que aquela briga não tinha dia pra acabar.

 

“Manhêêêê!!! To com fome!”

 

Larguei minhas bonecas no meio da sala e sai correndo pra jantar. E tem mais, pra mim, tá todo mundo errado. Onde já se viu, se todo mundo é filho de Deus, não pode um povo ficar brigando com o outro por caso da terra de Jesus. Se a terra é de Jesus, tem de ser de tudo mundo.

 

Ai, esses adultos não tem jeito, depois dizem que criança que é birrenta!

 

Bom, foi mais ou menos isso que entendi na televisão. Agora já vou ficando por aqui. Um beijo para todos vocês. Ah, espero não demorar muito para voltar aqui no blog do tio Paulo. Tchaaaaaaauuuuuuu!!!!


UMA VIAGEM SEM SAIR DO LUGAR

fevereiro 6, 2009

Oi gente, quanto tempo, né?  Mas, não tinha jeito, o tio Paulo não deixava eu mexer na internet dele, muito menos entrar no blog. Tio Paulo anda cheio de trabalho, graças à Deus, né? Eu bem que tentei outras vezes, mas não tinha jeito, Tio Paulo tava usando o computador dia e noite, noite e dia. Eu até perguntava pra ele:

 

“Tio, você não fica cansado de tanto escrever?”

 

 

Ele só deu uma risada e disse que estava fazendo o que gostava.

 

Hoje, eu aproveitei que ele disse que ia tomar banho e jantar, e vim rapidinho aqui no blog dele. Vou ter que ser rápida,  senão, ele vai me dar a maior bronca!

 

Quero contar uma história pra vocês. Vocês não vão acreditar! Sabe, não sei se falei pra vocês, eu moro na cidade de Santos, aqui tem uma praia enorme. Mas, o que eu não sabia, era que a minha cidade tinha tanta coisa legal.

 

Nessas férias, fiz uma viagem sem sair do lugar. Foi uma aventura inesquecível. Mas, antes, fiz birra, disse que não ia.

 

“Quero fazer uma viagem de verdade!”

 

“Você vai gostar do passeio!” disse a minha mãe.

 

Pra começar, eu, o meu pai e a minha mãe, andamos de Bonde. Eu nunca tinha andado de bonde. Não sei muito bem explicar o que é um bonde, pois ele não é trem, mas anda em trilhos, não é ônibus, mas o moço explicou que todo mundo andava nele pra trabalhar. O que o posso dizer é que ele é muito legal. Ele anda bem devagarzinho, é todo aberto, a gente vai vendo a rua, as pessoas. Devia ser bom quando tinha bonde.

 

“Eu ainda cheguei a ver o bonde.” Disse meu pai.

 

Foi nesse passei de bonde que aprendi um monte de coisa. Tanta coisa que acho que nem vai dar pra contar tudo porque o tio Paulo já saiu do banho e já começou jantar.

 

Bem, mas foi tentar contar as coisas que eu conseguir lembrar. No bonde, tinha um moço, como é mesmo o nome? Guia… guia… Ah, não sei! O guia lá. Sempre que o bonde parava, ele falava alguma coisa.

 

“Estamos agora em frente a Casa da Frontaria Azulejada”

 

Eu olhava, olhava, mas não entendia por que uma casa sem telhado e sem portas, toda cheia de azulejo velho, era tão importante!

 

“Essa Casa data do século XIX e é toda revestida de azulejos portugeses, azuis e amarelos, todos feitos a mão.”

 

Depois ele parou numa igreja. Na verdade, achei ela um pouco velha.

 

“Agora estamos em frente a Igreja de Santo Antônio do Valongo. Ela foi construída em 1640”…

 

Puxa vida! Viu isso, pai?

 

É, filha! Vai prestando atenção que você vai aprender mais aqui do que no colégio”

 

O bonde continuou a sua viagem, bem devagarzinho, foi passando pelos velhos armazéns do porto, as casas antigas. Naquela altura, eu já estava achando tudo uma grande aventura.

 

De repente, a gente parou num lugar que parecia uma igreja, mas não era. Era a bolsa do café.

 

“Bolsa do café?” Não entendí

 

“Aqui, nesse prédio, funcionou a famosa Bolsa de Café de Santos, onde eram comercializadas a sacas de café no início do século XX. Todo café passava por aqui. Hoje isso ainda acontece, mas a forma de comercialização é outra.”

 

Enquanto o moço ia explicando, eu ficava olhando tudo. Não achava que tinha tanta coisa interessante pra se fazer sem sair da minha cidade.

 

O bonde seguiu lentamente e sem que eu percebesse ele parou de vez.

 

“Já acabou, pai? Que pena!”

 

“Viu só quanta coisa legal?” Disse minha mãe.

 

“Eu quero mais! Eu quero mais”

 

“Agora vamos andar pelas ruas. Você vai ver quanta coisa legal ainda tem por aqui” Disse meu pai.

 

E meu pai foi me mostrando tudo. O prédio da Prefeitura também é muito bonito. Parece um palácio!

 

Passei pelo um Teatro enorme, O Teatro Coliseu. Meu pai falou  que tudo que era artista importante, já passou por lá. Que agora ele está novinho, porque foi reformado. E ficou bem bonito.

Mas, o que eu achei mais legal, foi saber que fica aqui na minha cidade, a Fonte do Itororó! Não conhece? Daquela música…

 

“Eu fui no Itororó

Beber água e não achei,

Achei a bela Helena

Que no Itororó deixei” Cantou pra mim, a minha mãe.

 

E pra finalizar a nossa viagem, subimos de bondinho, o Monte Serrat. Lá fica a igreja da padroeira da cidade. E tem uma coisa que eu adorei. Lá, a gente pode ver a cidade toda. É tão bonito!

 

Bem, agora preciso ir, tio Paulo já passou por aqui e já ordenou que eu saia. E não quero que o tio Paulo brigue comigo.

 

Ah, espero que na cidade de vocês, tenha tanta coisa legal pra fazer que nem na minha.

 

To indo. Um beijão pra todo mundo! Espero que o tio Paulo não demore muito pra me deixe voltar por aqui.


AMIZADE NÃO TEM COR

dezembro 19, 2008

Oi, gente! Tava morrendo de saudades de vocês! Sabem o que aconteceu? Não! Eu não fiquei doente, não! É que o tio Paulo mudou e foi aquela correria. Ele teve que desligar o computador e com a mudança, acabou ficando sem a Internet um tempão! E aí eu não tinha como entrar no blog dele pra falar com vocês. Mas agora já está tudo resolvido e eu vou poder contar uma coisa super legal que aconteceu comigo! Foi uma aventura e tanto. Como sempre, né?

 

Eu e a minha amiga Joana fomos com os pais dela a praia. Até aí, nenhuma novidade, não é mesmo? Nenhuma novidade porque eu ainda não contei pra vocês que a Joana levou junto o primo dela, o Paulinho.

 

“Pô, Joana, porque você disse que esse menino vinha?”

“Ele veio passar as férias na minha casa.”

“Que saco!”

 

Pra falar a verdade, eu e o Paulinho nunca conversamos. Eu achava que por ele ser um menino, marronzinho, de cabelo de molinha, não tinha nada a ver comigo, só que depois desse passeio na praia… Vou contar tudo pra vocês!

 

Então, eu, a Joana e o primo dela chegamos na praia. Nós duas corremos logo para entrar na água. Já o Paulinho, ficou na areia jogando bola.

 

“Não vão pr’o fundo!” Gritou a mãe da Joana.

“Pode deixar! Vamos brincar de fazer castelinho na areia, Helena?”

“A última que chegar na areia, vai virar uma sereia!”

 

Chegamos na areia onde a mãe de Joana estava, nos jogamos no chão e começamos a cavar, cavar e cavar na areia para podermos fazer nosso castelinho.

 

“Vou buscar um pouco de água.” Disse a Joana. E foi correndo até a beira d’água para encher o baldinho.

 

Eu fiquei na areia fazendo um monte de montinho. Tava preparando o terreno para que a gente pudesse fazer um castelo enorme. Só que aquele bobo do primo da Joana, o Paulinho, ficava chutando a bola dele bem em cima dos montinhos, e desmanchava todos.

 

“Dá pra você parar?… Menino bobo!”

“Eu to jogando bola, você não ta vendo?”

“Poxa , Paulinho, pára de ficar chutando a bola nos nossos montinhos!” Disse a Joana, que já tinha voltado trazendo o baldinho cheio de água.

 

A mãe da Joana até pedia pro Paulinho ir brincar longe da gente, mas ele ficava ali, de propósito, chutando a bola em cima nos nossos montinhos.

 

“Quer saber de uma coisa? Não quero saber mais de ficar fazendo castelinho. Vou brincar na água!” E saí correndo.

“Helena, espera!” Disse a Joana, já vindo atrás de mim!

 

Eu nem dei bola. Nem olhei pra trás. Tava morrendo de raiva daquele primo bobo da Joana.

 

“O que é que esse menino marronzinho tinha que vir pra estragar nosso passeio!”

“Helena, não vai pro fundo heim?” Gritou a mãe da Joana lá da areia. Mas eu também nem dei bola. E entrei na água.

 

Comecei a brincar de pular as ondas.

 

“Uma… Duas… Três… Quatro…”

 

Só que de repente, alguma coisa mordeu meu pé e acabei caindo. As ondas começaram a passar por cima de mim. Não conseguia levantar.

 

“Socorro!… Socorro!”

 

Parecia que estava me afogando. Bebi um monte de água. Tentava levantar e não conseguia.

 

“Socorro!…

 

Eu já estava ficando sem ar. Foi aí que senti que alguém me puxou de dentro da água. Não via nada. Meus olhos estavam muito vermelhos. Quando eu consegui abrir os olhos, vi que o Paulinho me carregava pelos braços até a areia. E olha que ele não é muito maior do que eu, não!

 

“Pronto, Helena, agora já passou!”

“Que susto, heim Helena!”

“Quase você mata todo mundo do coração, viu Helena?” Disse a mãe de Joana. Ela ficou muita brava comigo.

 

E tudo isso aconteceu porque eu estava morrendo de raiva do Paulinho. E logo ele foi lá na água e me salvou.

 

“Obrigada, Paulinho! Me desculpa!… Você aceita ser meu amigo?”

“Claro, Helena! Eu sempre considerei você minha amiga!”

“Então, vamos todos brincar de fazer castelos de areia?”

“Só que agora quem vai pegar água vai ser o Paulinho!”

 

E foi a partir dessa aventura que me tornei amiga de verdade do Paulinho. Sabem, ele é menino, marronzinho, de cabelo de molinha e de vez em quando é muito bobo, mas eu sei que ele gosta de mim, pois ele me salvou, não é mesmo? Agora, ele vai ser meu amigo pra sempre! Que nem é a Joana.

 

Apesar de tudo, foi super legal descobrir que ganhei um novo amigo. Pra falar a verdade, acho que não gostava do Paulinho, porque ele é marrozinho, mas o que importa mesmo é saber que amizade não tem cor. E o Paulinho mostrou que gosta de mim, mesmo eu sendo assim uma branquela! Espero que vocês fiquem amigos do Paulinho também!

 

Bem, agora preciso ir, pois como falei pra vocês, o tio Paulo mudou e ta aqui do meu lado dizendo que precisa usar o blog. Ele me disse que faz um tempão que não consegue entrar do blog dele.

 

Então, tchauzinho pessoal! Assim que der, eu volto, ta? Beijos!

 


O RESGATE DAS ARARAS AZUIS

novembro 29, 2008

Oi gente, to aqui de novo no blog do tio Paulo. Sabe o que é? É que ontem aconteceu uma coisa muito incrível comigo, precisava contar pra vocês. Vocês não vão nem acreditar. Eu que sou eu não acredito até agora! Mas vou contar tudinho!

 

Eu tenho uma amiga, a Joana, a gente mora no mesmo prédio. Acho que ainda não falei dela pra vocês ou falei? Acho que não! Mas então falo agora. A Joana, a minha amiga, ela tem oito anos, é meio tímida, sabem! Eu até chamei ela pra vir aqui contar a história comigo, mas ela ficou cheia de vergonha. Não faz mal, conto eu!

 

Foi assim… A minha amiga Joana, tem um cachorrinho, o Ted, ele é yorkshire bem bravinho. Quem põe a mão na boca dele, leva logo uma mordida. E a mordida dói pra caraca!… Então, a Joana passou em casa e me chamou:

 

“Helena, vamos levar o Ted lá embaixo pra passear?”

 

Só que a gente não pode sair do prédio sozinha. Acho que vocês sabem como é que é, não é mesmo? Acontece que quando a gente chegou lá embaixo, o Ted escapou da mão da Joana e saiu correndo pra fora do prédio.

 

“Seguro o Ted, Severino!” Disse a Joana pro porteiro do nosso prédio, Mas não deu tempo, o Ted passou por debaixo das pernas do Severino e se mandou pra rua.

 

“Vamos atrás dele, Joana! Corre!”

 

“Severino, avisa a nossa mãe que a gente foi atrás do Ted que fugiu pra rua!”

 

E saímos correndo pela calçada atrás do Ted. Ainda bem que o nosso bairro não é muito movimentado, a Joana tava morrendo de medo que algum carro atropelas-se o Ted. Mas, foi só a gente virar a esquina da nossa rua, que vimos o Ted tentando entrar numa casa velha lá no final da outra rua. Pelo menos ele estava a salvo.

 

“Olha o Ted, Joana!”

 

“Vem cá, Ted, vem!” Chamou a Joana, mas o Ted não saiu do lugar.

 

O Ted tava fuçando o portão da casa. De repente, um homem muito grande e forte, abriu o portão da casa, pegou o Ted e levou ele pra dentro.

 

“Ei moço, esse cachorro é meu!” Gritou a Joana, quase chorando.

 

“Fica calma, Joana, a gente vai lá, bate na porta e pede pro homem devolver o seu cachorro!”

Mas, a Joana já estava chorando de nervosa. Coitada! A gente tinha que dar um jeito nisso. Aquele homem não podia pegar o Ted assim! Ele tem dona, oras!

 

“A gente vai pegar ele de volta, viu Joana! Não precisa chorar.”

 

Então a gente foi até a porta da casa do homem, olhamos, olhamos e como não achamos a campainha, batemos palmas um monte de vezes. No mesmo tempo que a gente batia palmas e chamava pelo homem, a gente ouvia o Ted latir.

 

“E agora, Helena, o homem pegou o meu Ted e não quer devolver!”

 

“Já que ele não abre, vamos pular o muro!”

 

“Mas, o muro é muito alto!”

 

Nunca vi menina mais medrosa! Mas a gente não podia deixar o Ted lá. E ele nem era do homem! A Joana estava muito triste, não parava de chorar, então, ele se sentou na frente do portão e quando encostou a cabeça, o portão abriu sozinho.

 

“Olha, só Joana, o portão abriu! Vem, vamos entrar!”

 

“Ted! Vem Ted!” A Joana queria entrar correndo e chamando pelo Ted, tive que segurar ela pelo braço e colocar a mão na boca para que ela não gritasse.”

 

“Fala baixo! Vamos pegar o Ted sem o homem ver a gente!”

 

“Mas, a gente nem sabe onde ele tá!”!

 

Foi aí que tive a uma idéia! Eu fui na frente e a Joana foi atrás. Demos a volta até chegar no quintal atrás da casa e quando chegamos no quintal, vocês não vão acreditar…

 

“Olha isso, Helena!”

 

“Ta cheio de animais ameaçados de extinção! Olha isso, Joana!”

 

A gente já tinha visto o Ted amarrado no pé de uma mesa velha, mas, de repente, a gente ouviu uma voz grossa vindo de dentro do banheiro lá de dentro da casa. Só deu tempo de desamarrar o Ted, passar a mão numa gaiola que tinha duas araras-azuis e sair correndo! Nem olhamos pra trás!

 

Mas, onde já se viu! Será que o homem nem sabia que arara azul está em extinção? Foi uma pena que não deu tempo de pegar os outros animais!

 

Bem, foi isso que aconteceu! Eu ainda nem acredito! Mas pelo menos o Ted está são e salvo na casa da minha amiga Joana.

Agora preciso ir, o tio Paulo ta querendo escrever um artigo aqui no blog. Ah! Antes que vocês me perguntem, meu pai levou as araras-azuis lá pro zoológico. E sabem do que mais? Vi o homem grande e forte aparecer na televisão. Meu pai falou que ele foi preso. Também, bem feito! Quem mandou pegar o Ted!…

 

Tchauzinho pra vocês! Qualquer hora eu volta, ta?


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