O Amor e a Paz

abril 13, 2017

A raiva e o ódio uniram forças

E de tanto infernizarem

Contaminaram as almas para guerra

E agora, sobre a Terra

Só se vê violência

Nem mesmo a inocência da criança

É capaz de sair ilesa

E assim, sem defesa

Agarramo-nos em oração

Espero que nada nos aconteça

Torcendo para que a esperança

Em uma nova alvorada, amanheça

Sob as bênçãos do amor e da paz


A difícil tarefa de subir a nossa escada

março 3, 2017

Às vezes, penso que não vou conseguir, na cabeça, um turbilhão de pensamentos positivos e negativos, se digladiam em uma luta feroz; os olhos buscam o fim da escada, mas só vejo degraus e mais degraus para serem subidos; o corpo, mais envelhecido, já dá sinais que a tarefa está cada vez mais difícil. Mas, aquilo que alimenta o coração, ainda continua a despejar o combustível que me faz resistir ao cansaço e seguir o meu caminho.

É preciso prosseguir, até porque, ninguém conhece os mistérios da vida e, talvez, uma escada tão grande, seja necessária para oxigenar as buscas efêmeras que nos desviam daquilo que realmente nos trouxe aqui. Muitas vezes, nos perdemos por querer o objetivo como troféu, como um prêmio por nossa persistência, quando, na verdade, o alcance dos objetivos é a consequência de todo o esforço usado na subida de nossa escada.

Muitas vezes sonhamos em ter asas para chegar mais rápido no pico mais alto que queremos alcançar, outras tantas, buscamos subir as escadas, correndo, ou pulando vários degraus de uma só vez, pensando em atingir os nossos objetivos e, enfim, poder descansar da caminhada difícil. Mas, como querer descansar se o quê se quer só vai realmente começar de fato, quando chegarmos ao nosso objetivo?

Não foram poucas às vezes que sai correndo escada acima, pulando vários degraus, no afã de chegar mais rápido, mas isso me resultou em vários tombos que, com certeza, atrasaram ainda mais a minha escalada. Muitos me falaram para subir com calma, que de nada adiantava a pressa, mas para mim, o mais importante era me livrar logo da minha escada. Hoje sei que de nada adiantou a minha pressa.

Perdi muita coisa na minha escala, pois tive que parar minha subida para tratar dos meus hematomas e até recuperar o fôlego para retomar a caminhada, foram dias e noites de muito sentimento de culpa. Aos poucos, entendi que devagar também se vai ao longe e reaprendi que só se sobe degrau por degrau. Agora tenho certeza que voltei firme a minha subida e sei que estou cada vez mais perto do quero para mim.

Assim, apesar da dificuldade da subida, sei que não há problema nenhum fazer paradas estratégicas e até mesmo descer uns degraus para ganhar novo impulso, pois, o mais importante é continuar a minha subida, pacientemente, deixando que os mistérios da vida sem encarreguem de abreviar ou não a minha subida em direção aos meus objetivos. Sei que tem dias que o cansaço vai tentar me impedir, mas a convicção daquilo que está no coração, me empurra para cima, todos os dias.


Amanhã eu faço

janeiro 20, 2017

Amanhã eu faço diferente,

Vou ter mais coragem,

Vou sair na minha zona de conforto

Vou arriscar tudo pelo sonho

 

Amanhã eu faço diferente

Vou dizer o quanto amo

Vou buscar ter tolerância

Vou encontrar tempo pra tudo

 

Amanhã eu faço diferente

Vou pedir todas as desculpas

Vou mostrar arrependimentos

Vou agradecer por tudo

 

Amanhã eu faço diferente

Vou mudar meu comportamento

Vou jogar o que não me serve

Vou tratar de cuidar do que me faz feliz

 

Amanhã eu faço diferente

Amanhã vai ser como sonhei

Amanhã sempre passa

E eu nada faço nada

Mas, amanhã eu vou fazer tudo,

Sem falta!


Confiando no Tempo

janeiro 6, 2017

Toda vez que um ano vira, são promessas feitas, expectativas de coisas melhores, pensamento de mudanças, a gente aspira alcançar cada um dos objetivos que não foram alcançados no ano que passou, mas, este ano decidi que não vou deixar a ansiedade conduzir meus passos atrás de um futuro que ainda não se fez, vou apenas respirar fundo todas as manhãs e confiar no Tempo, talvez assim as coisas aconteçam sem eu nem esperar.

É como bem sabemos, tudo acontece no seu devido tempo, só que insistimos em carregar nossas mentes de expectativas, querendo que a vida nos leve para onde desejamos, e, por mais que tenhamos nas mãos as rédeas do nosso destino, nem sempre conseguimos chegar perto daquilo que tanto queremos, pois, somente o Tempo é capaz de nos levar até lá. Com o Tempo, tudo se encaixa de um jeito que jamais conseguiríamos.

É claro que devemos planejar nossos passos, mapear nossa jornada, mas de nada adianta espernearmos feito criança mimada, pois só teremos nas mãos aquilo que almejamos, no Tempo certo. Não somos tão poderosos quanto imaginamos para fazer que tudo aconteça no nosso tempo, as coisas tendem a fluir com mais naturalidade quando apenas colocamos o pé na estrada e aproveitamos a paisagem.

Perdemos dias inteiros, ansiosos com resultados que não existem ainda, isso, tanto para o bem, quanto para mal, às vezes, perdemos noites inteiras de sono, buscando soluções para problemas que ainda não aconteceram e que talvez, nem aconteçam, ao invés de repousarmos a mente para que ela esteja leve e livre para decidir quanto chegar o Tempo certo das coisas. A ansiedade atrapalha muito mais a nossa viagem do que a espera pelo tempo que nos traga o quê queremos.

O Tempo passa e não adianta perdê-lo com insatisfações, com frustrações, com ilusões, por isso, aquilo que mais desejo neste ano que começa, é poder ter a sabedoria de aprender a confiar no Tempo, só ele nos traz as mudanças que almejamos, nunca cedo demais, nunca tarde demais, na hora exata em que estamos realmente preparados para recebê-las. Às vezes queremos tanto mudar, e repetimos que não mudamos porque não temos tempo.

Portanto, pé na estrada, fé no que virá, esperança renovada e paciência para esperar o Tempo certo das coisas, até porque Saturno estará à frente de tudo. Portanto, é hora de me preparar, refazer rotas, planejar estratégias e viver a vida do jeito que ela me levar, pois, se tudo é mesmo uma questão de tempo, então não há o porquê descarregar minhas energias em coisas vãs, nem tão pouco deixar a ansiedade tomar a frente, agora é hora de seguir a vida confiando no Tempo.


Um ano de aprendizado

dezembro 16, 2016

Chegamos ao fim de mais um ano, um ano complicado, difícil de ultrapassar, mas tem comigo que, pelo menos para mim, tenho este ano como ano de grande aprendizado. Um ano que fez aprender que a paciência é a estrada que deve ser seguida e que os ventos sempre vão soprar, às vezes nos empurrando para frente, às vezes nos obrigando a vencer sua força contrária e que não adianta simplesmente querer, pois a vida é quem sabe o que quer.

Foi um ano em que enxerguei a possibilidade de corrigir os meus erros, muito embora, pouca coisa eu pude acertar de fato até agora, ao menos consegui ajustar as velas do meu barco e o coloquei de novo na velha rota da qual me perdi há tempos atrás e que, por desrespeitar a força da natureza, o quase fiz naufragar. Ainda bem que está dando para remendar! Sei que tudo que está ficando, um dia vi virar história para contar.

Com tempos difíceis, a gente aprende mais, isso tive a certeza. Pude aprender a calcular as rotas, a planejar viagens, a realizar pequenos sonhos e a valorizar a grandiosidade das pequenas vitórias. Descobri que estar sozinho nem sempre significa estar na solidão, muito pelo contrário, foi na solidão de algumas noites que encontrei várias vezes aquele que sou de verdade, aquele que eu fui um dia e aquele que ainda posso ser.

Nunca é vazio quanto nos encontramos dentro de nós mesmos depois de uma grande tempestade que vira a nossa vida de ponta à cabeça, mas é muito mais saudável que se possa supor. Reler, rever, relembrar, reaprender a tirar proveito de tudo que deu errado, pois, se tem algo que tem que ser aproveitado ao máximo, são os nossos erros. São eles que nos trazem a consciência de como pode ser diferente e ainda melhor.

Até mesmo toda essa a confusão que está instaurada em nossas vidas, que nos deixa sem saber direito o quê vai acontecer com o país e como tudo isso vai afetar nossas vidas dia após dia, tudo isso, serviu para acentuar ainda mais o aprendizado, enxergar pessoas, discursos, pensamentos, opiniões, pesar prós e contras e ter a certeza de buscar o caminho no meio entre o céu e o inferno que estão colocando o país.

Como sempre foi um ano que também trouxe tristezas, um grave acidente de avião que comoveu a todos e, principalmente a partida do meu Mestre Nelson Albissú. Mas, mesmo com toda a tristeza da perda sempre é possível tirar grandes ensinamentos, e foi mais outra grande oportunidade de aprender como enxergar melhor o outro, a vida, o que é importante, o que se descarta e ter a certeza que nada do quê temos é maior daquilo que a gente pode ser.

Que eu tenha a chance de colocar em prática no próximo ano, todas as lições que aprendi neste duro ano que está por se encerrar. Que eu já tenha caminhado o bastante para encontrar o que tanto almejo, mas, que, se por acaso, o meu aprendizado ainda não tenha sido suficiente para isso, que eu possa ter a paciência para continuar aprendendo e buscando me tornar uma pessoa melhor a cada dia.


Se aquela bola tivesse entrado

dezembro 2, 2016

Ah, se aquela bola tivesse entrado…

Talvez houvesse uma grande frustração em toda a equipe, em toda aquela cidade, em toda aquela torcida que encheu o estádio. Um misto de tristeza com decepção. Mas a vida continuaria…

Ah, se aquela bola tivesse entrado…

Talvez aquele tivesse sido apenas mais um jogo, mais uma partida perdida como tantas outras, pois ganhar e perder faz parte do jogo. Mas a vida continuaria…

Ah, se aquela bola tivesse entrado…

Talvez muitos daqueles jogadores fossem considerados guerreiros, ainda que tivessem críticas dos jornalistas esportivos pela derrota, pois é assim, futebol é passional. Mas a vida continuaria…

Ah, se aquela bola tivesse entrado…

Talvez os jogadores estivessem comemorando a boa fase, ainda que a derrota pudesse ter adiado planos grandiosos, pois nem todos os sonhos são possíveis na hora em que se quer. Mas a vida continuaria…

Ah, se aquela bola tivesse entrado…

Talvez uma cidade, um país, um continente, o mundo inteiro, não tivesse acordado com uma notícia tão triste, pois não haveria viagem, não haveria avião, um acidente que interrompeu tudo. Mas a vida continuaria…

Ah, se aquela bola tivesse entrado…

Talvez não soubéssemos o quanto o ser humano ainda pode ser, sim, solidário, como é possível, sim, doar amor a quem teve a alma dilacerada por uma tragédia.  Mas a vida continuaria…

Ah, se aquela bola tivesse entrado…

Talvez não sofrêssemos tanto, não ficássemos tão tristes, mas também não conheceríamos um sofrimento tão grande que acometeu todo mundo, e nem descobrisse que ainda é possível acalentar a dor de quem ficou sem chão, quem perdeu tudo. Mas a vida continuaria…

Ah, se aquela bola tivesse entrado.

Talvez não conhecêssemos a generosidade de um time estrangeiro, de uma cidade estrangeira, de um país estrangeiro, de um povo estrangeiro, que chorou a dor dos nossos como se fossem deles. Uma demonstração plena de amor. Mas a vida continuaria…

Ah, se aquela bola tivesse entrado…

Talvez as coisas continuassem as mesmas, um futebol violento, um mundo de fronteiras hostis, mas aquela bola não entrou e mudou tudo, foram-se jogadores, jornalistas, pessoas normais, nasceram heróis. E apesar de toda a dor desta grande perda que corta e sangra o coração de todos, vimos que ainda há esperança na humanidade. Pois, a vida continua…


A importância do lúdico

setembro 30, 2016

Ultimamente temos levado uma vida encharcada de realismo e de realidade, onde o quê mais importa é o concreto, tanto o cinzento que nos rodeia, como aquilo que nos é palpável e visível. Queremos sempre a lógica das coisas, o racional, aquilo que nos faz sentido e não nos cause ilusões, com isso, nos tornamos pessoas carrancudas, incapazes de admitir a possibilidade que a vida é muito mais mágica do que lógica.

Enchemos nossas horas de compromissos e, o pior, temos feito o mesmo com nossas crianças, que, em muitos casos, precisam até de uma agenda para anotar os intermináveis cursos que são obrigadas a fazer, durante os intervalos de suas aulas escolares. Fechamos o cerco de tal forma que não sobra espaço algum para aquilo que não seja compromisso. Estamos, involuntariamente, roubando o lúdico de nossas crianças.

É certo que a vida é muito mais que uma ilusão, que um sonho inatingível, que ela nos cobra responsabilidades, mas, talvez seja a falta do lúdico que esteja nos impedindo de enfrentar certas situações que somos confrontados no nosso dia a dia. Tudo tem quer ser levado a sério e precisa ser assim, pois a vida não é uma brincadeira de criança. Mas, como ficam as brincadeiras de crianças se não deixamos que elas a brinquem em seus cotidianos?

Não se consegue viver uma vida saudável se nos recusarmos a abrir espaços para aquilo que não seja sério. A vida já é feito de muita dor e tristeza para nos privarmos de alguns momentos mágicos e lúdicos que possam suavizar a nossa jornada. A melhor receita para encarar a dura realidade é afastar-se dela por alguns segundos. Quando o copo está muito cheio de problemas, com certeza ele transbordará.

Agora, se é por demais saudável, alguns minutos lúdicos na vida de qualquer adulto, imaginem para a vida de uma criança, que enxerga na brincadeira, na mágica, no lúdico, as coisas mais interessantes de sua vida? Estimular a imaginação da criança deve ser prioridade, e não entupir a agenda do dia com compromissos que nem nós somos capazes de dar conta. A criança precisa aprender a mágica para lidar com a lógica.

E o adulto, não precisa ter vergonha de desfrutar do lúdico, de encontrar em cada dia onde a lógica cega, não deixando ver qual a melhor decisão a tomar, um instante de mágica para encarar os seus desafios, pois a vida pode se tornar ainda mais difícil, cansativa, desestimulante, desinteressante, se nós tivermos que usar sempre nossa energia para lidar com a realidade através da lógica. O lúdico é sim importante, pois não nos deixa esquecer que a vida é feita de mágica.


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