O quê nos move?

fevereiro 2, 2018

Dia após dia partimos para vida em busca de algo melhor, alguns em busca do emprego que foi perdido em tempos difíceis, outros atrás do garantir o pão nosso de cada dia, outros correm atrás de um amor inesquecível, outros correm atrás de ficarem ricos, outros apenas deixam a vida seguir o seu curso, outros esperam por uma surpresa que lhes mude a vida, mas, uma mesma coisa nos move diariamente: o sonho!

O sonho é o combustível que empurra a vida para frente e faz com que todos os dias, busquemos algo que nos complete, algo que faça a nossa vida diferente, levantamos todos os dias com a esperança renovada e com a plena certeza que o dia nos trará o que tanto sonhamos. Muitas vezes voltamos para casa de mãos vazias, corações apertados, uma frustração que parecer ser interminável, pensamos que não conseguiremos passar por tudo de novo.

Mas lá estamos nós, prontos e apostos para, no próximo dia, sairmos correndo atrás de tudo aquilo que queremos, às vezes com mais vontade do que ontem, ainda que tenhamos sofrido com a desilusão de mais um dia sem conseguirmos realizar o que queríamos. E assim vamos nós, dia a dia, vivendo e enfrentando as dificuldades que aparecem em nossos caminhos, buscando alcançar aquilo que nos faça feliz. Só o sonho de se conquistar algo melhor, tem o poder de nos empurrar para frente.

É triste quando se ouve de alguém, que não há mais sonhos a conquistar, que estão passando pela vida, apenas esperando a morte chegar. Enquanto estamos vivos, somos sim, movidos por sonhos, o simples querer acordar mais um dia, é um sonho a conquistar. O sonho que impulsiona a vida não é um sonho apenas material, de ter mais posses, de não ter dificuldades, é de poder viver mais um dia em paz e feliz.

É claro que a vida não é fácil, que às vezes até parece que estamos dentro de um pesadelo que não tem fim, em que tudo só vai de mal a pior, que parece não haver luz no fim do túnel, às vezes parece-nos melhor que a morte vem nos buscar, mas, só uma coisa pode nos tirar desse turbilhão de dificuldades: o sonho! O sonho é o quê nos faz correr atrás de transformarmos a nossa vida e sairmos do buraco em que caímos.

Quando desistimos de sonhar, somos devorados pelas dificuldades da vida e não temos forças para sair do labirinto em que entramos. O sonho é que nos empurrar de volta à realidade, o que nos dá forças para prosseguirmos com a nossa caminha, que nunca é fácil, por isso, não se deve ter vergonha de sonhar, pois quem sonha, tem sempre um combustível renovado que impulsiona a vida a ser cada vez melhor. Sonhemos todos!

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A felicidade está na liberdade

janeiro 5, 2018

Buscamos tanto a felicidade e nem percebemos o quanto estamos todos presos e amarrados em obrigações que sufocam nossa alma de responsabilidades e que não nos deixam seguir a nossa caminhada com mais leveza. Enchemos nossas vidas de coisas que achamos que vão nos fazer felizes, mas, na verdade, na maioria das vezes, tornamos a nossa própria vida, um fardo difícil de carregar e não estamos, nem livres e nem felizes.

A simplicidade da vida se perde diante da necessidade imposta pela sociedade que nos faz cada vez mais consumista, em que “ter” é mais relevante do que “ser” e, vamos nos enredando para podermos fazer parte desta sociedade sem nem bem perceber e fingimos sermos felizes, em rostos e festas alegres postadas em redes sociais, mas, são poucos que realmente estão livres das armadilhas que, uma hora ou outra, acabamos caindo.

Como podemos ser realmente felizes se estamos presos em coisas que nos fazem tristes, que nos deixam melancólicos e perdidos diante da vida? Ninguém é realmente livre quando, para se feliz, precisa atender as expectativas e seguir a vida de agrados alheios. Como pode haver felicidade quando a liberdade só dura até a próxima esquina? É certo que a liberdade é uma escolha e ser feliz também, mas tem hora que não se acha o caminho.

Às vezes, buscamos um trabalho que nos possa dar a liberdade para buscarmos a nossa felicidade, felicidade esta, de acordo com os novos padrões da sociedade, ter uma boa condição financeira, ter o melhor celular, o melhor carro, beber a melhor bebida, ir às melhores festas, e, quando paramos para ver até onde a vida nos levou com essa liberdade de ser feliz, estão presos e quase sem saída.

A vida que vai de encontro com o quê a sociedade de hoje dia quer, parece sim, ser o caminho mais seguro para à felicidade e para à liberdade. É preciso aprender a lição de que menos é mais, mais tranquilidade, mais paz, mais tempo para viver, mais alegria, mais felicidade e mais liberdade. Quanto mais tempo a gente leva para encontrar a saída desta prisão que estamos e nem percebemos, menos felizes e menos livres seremos.

Que as energias que emanam deste novo ano, possam ser as verdadeiras conselheiras e que nos conduzam para fora desta prisão em que nos encontramos e, que cada vez, achamos o melhor lugar de se estar. Que a necessidade de viver uma vida em paz consigo mesmo, seja bem maior que a necessidade de viver de acordo com os padrões da sociedade atual, quem sabe assim, fique mais fácil encontrar a felicidade que só a liberdade traz.


O ódio venceu

novembro 3, 2017

Ainda na cama, deu para ouvir aquele grito seco, mas de desespero, que entoou por toda a cidade, espantei-me, mas preferi aproveitar alguns poucos segundos de sono antes de me levantar. Depois de passado o minuto de preguiça, com o celular na mão, uma enxurrada de mensagens me informavam que algo de muito sério estava acontecendo. Sai sem nem mesmo tomar meu café, não por curiosidade, mas porque custava acreditar nas notícias que me chegavam pelas redes sociais.

Nas ruas, muito engarrafamento, as pessoas caminhavam apressadas pelas, de cara fechada, ninguém falava com ninguém, todos rumavam para uma mesma direção, marchavam em silêncio. Não demorou muito e avistei a praça, que já se enchia de gente tentando saber o que tinha acontecido de fato, um empurra-empurra, mal se conseguia enxergar direito, tamanho o tumulto. E entre cotovelas, juntei-me aos que queriam saber se tudo que circulava pelas redes sociais era mesmo verdadeiro, ou apenas mais um novo factóide.

A imprensa estava toda por lá, tinha até helicóptero sobrevoando a praça, a polícia procurava a todo custo isolar a área, mas a aglomeração encurtava cada vez mais o cerco, tentando chegar ao centro da praça. Era preciso saber se aquilo era mesmo verdade. De repente se formou um grande tumulto. A polícia lançou mão de gases lacrimogêneos e tentou afastar a população na base da força, muitos se revoltaram e houve revide com pedras e xingamentos.

Não demorou muito para aquele lugar virar uma verdadeira praça de guerra, pessoas atacando pessoas, polícias atacando pessoas, pessoas atacando polícias, muita correria, quebradeira e muita destruição. A maioria que estava ali parecia que havia se esquecido do motivo que os levaram até aquela praça, todos estavam ali para saber se o quê circulava pelas redes sociais era mesmo verdade, mas a violência foi tamanha e tão generalizada, que ficou claro que o quê levou alguns até ali, havia sido apenas  uma mera curiosidade.

Na certa, muitos não estavam preocupados com a notícia de fato, queriam mesmo tirar algumas “selfies” para postarem em seus perfis e ganhar não sei quantas curtidas. Diante daquele misto de festa com passeata regada a hostilidades e violência descabidas, comecei a achar que a notícia era mesmo verdadeira, pois aquilo tudo que se transformou aquela aglomeração, deixava bem claro que, infelizmente, o que circulou mais cedo pelas redes sociais, era a mais pura verdade.

Depois que toda aquela confusão se desfez, a praça ficou quase vazia, apenas algumas pessoas permaneceram por lá para terem a certeza de que nada mais teria jeito. Sem aquela aglomeração, foi fácil ver estirado no chão, bem no meio da praça, em volta de uma poça de sangue, o Amor; algumas pessoas ao avistarem caído, se ajoelharam ao seu redor, cada um rezou na sua religião, algumas pessoas que traziam flores nas mãos, as deixaram a sua volta, choravam um choro contido. Deixei a praça com uma dor no peito, um tristeza nos olhos e a certeza de que o ódio venceu.


Por que estamos destilando tanto ódio?

outubro 6, 2017

Parece que de uns tempos para cá uma nuvem negra estacionou sobre o país, deixando o tempo fechado entre os brasileiros, que se dividiram em duas correntes e vivem destilando entre si, um ódio quase mortal. Estão todos sempre com a razão, intolerantes, com os ânimos acirrados e com duas pedras nas mãos, dispostos a atirá-las a qualquer instante em qualquer um que discorde de seus pontos de vistas. Por que estamos destilando tanto ódio?

É claro que o rumo tomado pela situação política tem contribuído e muito para que tudo isso chegasse ao ponto que está hoje, existe uma acirrada briga de ideologias políticas de extremos radicais que está contaminando todo mundo e quem toma partido em algum assunto, defendendo o ponto de vista desde ou daquele lado, acaba sendo atacado e hostilizado pelo lado que acha ter o ponto de vista correto. Na há mais diálogos, só ofensas.

Talvez o problema esteja ligado à situação emocional em que está vivendo o brasileiro, pois, se analisarmos profundamente, existem vários fatores que estão contribuindo para o desequilíbrio das pessoas, uma grande parcela da população está desempregada, outra grande parcela está endividada, outra parte da população, vive as duas situações, sem contar a enorme constatação de injustiça que paira sobre nós, tudo isso tira qualquer um do prumo.

Quando tudo parece perdido, depositamos todas as nossas fichas em algumas situações e, no nosso caso, queremos ver os políticos presos e, quando a nossa expectativa não é satisfeita, em virtude do momento em que vivemos, acabamos destilando nosso ódio contra aquilo que nos contraria. Aproveito para fazer aqui a mea-culpa, pois, em alguns momentos me deixei envolver pelo clima de guerra, fazendo pré julgamentos de uma forma emocional. Há de buscar sempre a racionalidade em qualquer assunto.

Mas, voltando: como o rumo da política nos levou a divisão do país tal e qual um disputa futebolística, é claro que a torcida de cada time, jamais vai concordar com a opinião da torcida alheia e, como no futebol, sempre há os torcedores mais exaltados, que, por talvez, estarem passando por uma daquelas situações citadas acima, como: desemprego, endividamento, injustiça, querem resolver a situação através da briga, destilando o seu ódio represado, sobre o outro. E é nisso que se transformou o país, numa briga de torcidas.

Penso que toda essa insatisfação pessoal que o brasileiro está vivendo, também contribui para exaltar os ânimos e transformar pequenas discussões em uma destilação de ódio sem fim. É claro que a situação do país ajuda, e muito, a aumentar o estresse das pessoas, pois, estamos vivendo no limite de nossas paciências, quem tem mais controle sobre si, acaba resolvendo melhor esta ou aquela situação, mas quem tem pavio curto, usa qualquer coisa para destilar seu ódio, às vezes buscando apenas, aliviar o próprio estresse.

Se somarmos a este esgotamento emocional que as pessoas estão vivendo, o crescente fanatismo religioso, o preconceito latente e a imensa intolerância, têm-se um quadro que demonstra bem os possíveis motivos de tanto ódio e de como nossa sociedade está doente, pois, até parece que a destilação do ódio se tornou o alimento de nossas almas, vistos os diários apedrejamentos coletivos e às constantes provocações de poder direita/esquerda/direita. Estamos vivendo uma insanidade inimaginável!

É preciso, urgentemente, que retomemos a razão e não mais deixemos que a emoção seja a nossa porta voz, para, em primeiro lugar, pararmos de enxergar a política de uma maneira futebolística e retomarmos os diálogos, buscando os pontos em que existam convergências e não mais destilarmos todo o nosso ódio sobre as nossas divergências. Na força, sempre haverá um lado que sofrerá mais do que o outro, ou paramos de medir força, ou tudo isso ainda acabará muito mal. Mas respeito e mais amor, por favor!


REFUGIADO

setembro 29, 2017

Já não tenho nada
Só minhas lembranças…
A bagunça em meu quarto
O velho porta retrato
A goteira pingando
A janela aberta
Um quintal pra correr
Minha casa…
Meu refúgio…
Não tenho nada
As paredes no chão
O telhado no chão
Os sonhos no chão
Bombas, bombas…
Hoje só tenho o relento
Um lamento
Uma vida de tormento
Perdi meu pai
Perdi minha mãe
Perdi minha casa
Perdi minha infância
Não tenho nada
Nem mesmo um refúgio


A paz que não temos

maio 5, 2017

Lá se vai ao longe, o tempo em que a paz se fazia presente entre nós, já não se pode mais ter a calmaria de uma rede a balançar no final de uma tarde preguiçosa, sem nem se preocupar com o amanhã, pois, a violência que ainda ontem apenas nos espreitava em esquinas mal iluminadas de noites escuras, hoje já nos ataca em plena luz do dia, sem medo das conseqüências, sem piedade da nossa alma, sem se importar se destroçará uma família, sem dó!

Lá se vai ao longe, o tempo das cadeiras nas calçadas em noites abafadas de tantos verões, ninguém tem mais coragem de se debruçar sobre o muro, apenas para ver o movimento do vai e vem das pessoas, pois todos passam apressados a passos largos em direção às suas casas, com o medo estampado no rosto e o coração palpitando dentro do peito, pedindo proteção a todos os santos para que nenhuma bala perdida lhe cruze o caminho.

Lá se vai ao longe, o tempo de crianças brincando inocente pelas ruas até a chegada da noite, já não há mais vidraças quebradas por bolas chutadas em peladas de pernas de pau, não há mais pega-pega, não há mais esconde-esconde, o que há ainda, é polícia e ladrão, só que não mais a brincadeira inocente de outra, agora a caçada real e violenta, uma guerra urbana que aumenta a cada dia e que parece não ter fim.

Lá se vai ao longe, já quase não se vê a paz, hoje a intolerância travestiu o ser humano e passou a dar as cartas pelos quatro cantos do mundo, não há um único lugar seguro, não há espaço nem mesmo para esperança, pois o ódio invadiu os corações de pessoas que não se importam com a vida, nem mesmo as próprias, pois são capazes de explodirem pelos ares com artefatos bélicos enrolados no próprio corpo, arrastando quem tiver no caminho.

Lá se vai ao longe, o tempo em que se podia viver sem que o medo levanta-se conosco todas as manhãs e nos acompanhasse por todo dia, até nos trazer de voltar para o nosso lar, para que assistamos em nossas TVs, a violência encurralando a paz em plena luz do dia, tingindo as ruas de sangue, matando pouco a pouco a esperança, nos fazendo querer desligar do mundo real para encontrar em um canto qualquer, nem que seja um pouquinho da paz.

Lá se vai ao longe a paz, e parece ir cada vez mais longe, tão longe que cada vez fica mais difícil correr para alcançá-la, pois quanto mais nos trancamos atrás das grades das nossas prisões, mais a violência aumenta o seu tamanho, se agiganta, de tal forma, que nos falta coragem de arriscarmos as nossas vidas com medo da morte por um assalto a mão armada, por um seqüestro relâmpago, por um estupro, por uma bala perdida e cada dia ficamos mais sem saída, mais sem vida, mais longe da paz.


O Amor e a Paz

abril 13, 2017

A raiva e o ódio uniram forças

E de tanto infernizarem

Contaminaram as almas para guerra

E agora, sobre a Terra

Só se vê violência

Nem mesmo a inocência da criança

É capaz de sair ilesa

E assim, sem defesa

Agarramo-nos em oração

Espero que nada nos aconteça

Torcendo para que a esperança

Em uma nova alvorada, amanheça

Sob as bênçãos do amor e da paz


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