Teatro Infantil ou Animação de Festas?

janeiro 27, 2017

Pegando carona na crítica contundente que o crítico Dib Carneiro fez sobre um espetáculo infantil que está em cartaz na cidade do Rio de Janeiro, penso que chegamos a um momento oportuno para refletirmos, de verdade, a questão do Teatro Infantil e a sua relação limítrofe com uma animação de festa. O quê queremos de fato, Teatro Infantil ou Animação de Festas?

É óbvio que uma crítica desfavorável ao nosso trabalho, machuca tanto quanto um punhal cravado em nosso peito, ainda mais quando a crítica escancara os nossos defeitos aos olhos de todos. Mas, além de nos machucar profundamente, a crítica deve servir para que reflitamos sobre aquilo que estamos fazendo e, com isso, tentarmos melhorar o que não está bom.

Ainda que estejamos convictos daquilo que estamos fazendo, é preciso procurar entender as razões pelas quais o nosso trabalho não agradou, é claro também, que uma única crítica desfavorável não pode definir e nem carimbar a falta de excelência do nosso trabalho, mas deve sempre nos fazer refletir sobre as nossas convicções a cerca do que estamos fazendo.

Acontece que não é de hoje que existem montagens de espetáculos infantis equivocadas, em que, ao assistirmos, temos a nítida impressão que estamos vendo uma animação de festa em coma de um palco. Essa confusão entre ser personagem de um espetáculo de Teatro Infantil ou Animador que quer conquistar a criança a qualquer custo, que sempre põe tudo a perder.

Talvez já tenha passado da hora de se discutir o fazer teatral infantil, de separar o joio do trigo, para que o Teatro Infantil passe a ser encarado com mais respeito e possa alcançar um nível maior no conceito das pessoas, com mais profissionalismo e honestidade sobre aquilo que se está fazendo, caso contrário, assistir Teatro Infantil continuará sendo tratado, como uma pecinha.

O Teatro Infantil precisa ser encarado como um produto de entretenimento e deve ser entregue à criança, com honestidade e profissionalismo, ainda que seja feito de forma amador, respeitando a criança como uma consumidora de arte, a fim de que se possa, de fato, transmitir a mensagem que se almeja passar, críticas, sempre vão acontecer, fazer parte do processo, o que nos resta, agora, é que cada qual reflita o seu fazer teatral infantil.


Desenhos da TV no teatro, vê se pode?

novembro 24, 2011

Antes de mais nada, quero deixar bem claro que sou e sempre fui fã de desenhos animados, aliás, eles também contribuíram na minha decisão por escrever. Quando criança, não perdia um, e hoje, mesmo sendo mais difícil, por conta dos compromissos, sempre que posso, dou um jeito de dar uma espiada em alguns dos meus desenhos favoritos, mas sempre gostei de assisti-los ali, na tela da TV, acontece que hoje em dia, resolveram levar alguns deles para os palcos do Teatro.

Desenhos da TV, é da TV, não tem nada a ver com teatro, teatro é outra coisa. Mas a cobiça, travestida de desculpa mercadológica e que no fundo não passa de ação oportunista, faz com que muitos produtores estejam produzindo espetáculos de teatro com personagens de desenhos que fazem sucesso na TV. Puros espetáculos caça-níqueis e que não acrescentam nada para a difusão e popularização do Teatro. São entretenimentos, e só!

Levar desenhos que as crianças assistem incansavelmente por horas e horas, confortavelmente em seus sofás para o palco do teatro, só tem um fim: o financeiro. É a busca do lucro fácil e a certeza de casa cheia, nada mais, esse é o intuito dessas produções. Já os espetáculos de teatro infantil de muitos grupos, mal conseguem espaços para suas apresentações e quando conseguem, quase não tem público.

Ver espetáculos apoiados em desenhos da TV ocupando espaço de grupos de Teatro que lutam para levar a arte do Teatro até a primeira infância, definitivamente não me agrada. Não é uma disputa justo, e muito menos limpa. Perde-se um tempo precioso oferecendo o quê? Nada! E cultura que é bom fica relegada a alguns poucos bem aventurados, enquanto as raposas embolsam os lucros fáceis.

É claro que é legítimo o direito de se produzir espetáculos calcados em personagens de desenhos animados da TV e cada um é livre para buscar a melhor maneira de como faturar o seu quinhão no mundo do entretenimento, mas uma coisa é líquida e certa, a dramaturgia infantil, definitivamente, não precisa dos desenhos da TV. Como diz o povo: cada um no seu quadrado. Desenhos, na TV e teatro infantil, no Teatro.

Eu sei que não há nada o que se possa fazer, apenas protestar e demonstrar o meu enorme desapontamento com aqueles que buscam lucrar com espetáculos baseados em desenhos animados da TV, que nada tem a ver com a história do teatro infantil no Brasil e no Mundo. O Teatro Infantil é um celeiro de ótimos dramaturgos, com histórias maravilhosas e encantadoras, capazes de seduzir qualquer criança sem a ajuda de nenhum dos desenhos da TV.

Agora, preciso terminar este artigo, pois senão perco o episódio do meu desenho favorito que já está quase para começar. E como não é todo dia que tenho tempo pra isso, vou ficando por aqui, pois desenho de verdade eu gosto de assistir na TV. Ah, antes que eu me esqueça, quero afirmar que no Teatro eu gosto mesmo é de ver uma peça de verdade.


Ratimbum! volta à São Paulo

abril 3, 2011

Estreia dia 16/04 – Quero ser Ben 10 em Ratimbum! Pararatimbum!

O texto de Paulo Sacaldassy entrará novamente em cartaz na cidade de São Paulo, agora numa bela montagem da Cia.Coxia Xiou de Teatro, sob o título de “Quero ser Ben 10 em Ratimbum! Pararatimbum!’ O espetáculos promete conquistar a garotada.

O texto, é um infantil que fala do imaginário onde duas crianças são dominadas pela TV, deixando de brincar com o soldadinho e a boneca de pano e vão tentar salvar o palhaço de ser hipnotizado pela TV Papão. 

Elenco: Anna Carolina, Everson Olliver, Irene Rangel, Kellyca Apoema, Reginaldo Visconde e Vinicius Parada Direção: Cia Coxia Xiou Texto: Paulo Sacaldassy
Local: Teatro Plínio Marcos – Shopping Pompéia Nobre – 2º Piso Rua Clélia, nº 33 – Pompéia – Tel. 11-3864-3129 Data: 16-04-2011 – Horário: Sábado às 16:00h Valor: R$ 20,00 inteira, de 04 à 12 anos R$ 10,00 e meia entrada Duração: 50 minutos Classificação: Livre

O CRAVO E A ROSA

agosto 25, 2010

CENÁRIO: UM JARDIM

ABREM-SE AS CORTINAS, A ROSA ESTÁ EM CENA. LINDA, VERMELHA. QUASE UMA PRINCESA.

ROSA            – Bom dia, dia! Bom dia, Sol! Que lindo dia para encontrar um belo namorado. Tomara que aquele Lírio lindo passe por aqui hoje! Tenho certeza que hoje ele vai me notar, pois estou mais bonita do que os outros dias. E se ele olhar pra mim… Aaaaaaiiii… acho que vou desmaiar de emoção!

ENTRA EM CENA O CRAVO. SIMPLES, SEM GRAÇA, UM CAIPIRA. TRAZ UM VIOLÃO.

CRAVO         – Bão dia, minha princesa!

ROSA            – Estava um bom dia… Até você aparecer por aqui.

CRAVO         – Mas, ocê tá uma belezura hoje, hein?

ROSA            – Você não tem outro lugar pra ir não?

CRAVO         – Que lugar desse jardim todo eu vô achá uma Rosa mais linda que ocê?

ROSA            – Larga do meu pé, chulé!

CRAVO         – Só largo do seu pé quando ocê aceitá namorá com eu?

ROSA            – Não é: namorar com eu! É namorar comigo!

CRAVO         – Inton, ocê aceita?

ROSA            – Claro que não! Já falei que não quero nada com você. Se você quiser, posso até ser sua amiga. Mas, só!

CRAVO         – Fiz até uma moda pr’ocê. Iscuita só!

CRAVO DEDILHA UM ACORDO SERTANEJO NO VIOLÃO.

ROSA            – Pode parar, pode parar, pode parar! Eu odeio a sua cantoria. Agora me dá licença que está quase na hora do meu futuro namorado passar por aqui.

CRAVO         – Mas, o seu namorado já táqui. Oia só!

FAZ POSE DE FORTÃO E ESBOÇA UM OLHAR SEDUTOR.

CRAVO         – Não sou uma beleza?

ROSA            – Você é um chato, isso sim! Agora vai procurar a Margarida, vai! Quem sabe ela não te dá bola? Pois o meu negócio é com o Lírio! Ele sim, é lindo, elegante, perfumado.

CRAVO         – Ih, tá me chamando de fedido?

O CRAVO SE CHEIRA. FAZ MENÇÃO DE SE SENTIR FEDIDO.

ROSA            – (RINDO) Viu só! Até você não agüenta o seu cheiro.

CRAVO         – Oia aqui, sua… sua… Qué sabê de uma coisa? Eu num quero mais sabe de ocê. E fica aí mesmo esperando aquele almofadinha do Lírio, fica!

ROSA            – Fico mesmo, ta?

CRAVO         – Vai ficá esperando e vai até cansá!

ROSA            – Quem disse que eu vou cansar?

CRAVO         – Quem disse que o Lírio vai te bola?

ROSA            – Eu sou a Rosa, a mais bela do jardim!

CRAVO         – Seu eu fosse ocê, aceitava logo namorá com eu!

ROSA            – Já falei que não é com eu! É comigo! É comigo! E o Lírio, vai sim querer namorar comigo, ta?

CRAVO         – Intão ta bão! Quero vê quando ocê ficá véia, feia, murcha, sozinha e toda despetalada? Aí, nem adianta vim me procurá, viu?

ROSA            – Seu horroroso. Eu é que nunca vou namorar com você! Você é um grosso! Fora daqui!

A ROSA ATIRA UM VASO EM CRAVO. ELE TENTA SE PROTEGER E DEIXA O VIOLÃO NO CHÃO. O CRAVO SE ESCONDE E FICA OBSERVANDO ROSA.

ROSA            – Esse Cravo é um insuportável! O pior é que ele não larga do meu pé! Eu vou lhe mostrar uma coisa. Volta aqui!

ROSA VAI ATÉ O CENTRO DO PALCO E PROCURA POR CRAVO.

ROSA            – Cravo, cadê você! Seu sem graça! Aparece. Agora!

ROSA PÁRA NO CENTRO DO PALCO, OLHA E NÃO VÊ NINGUÉM.

ROSA            – Será? Será que o Cravo tem razão? Será que o Lírio não vai querer namorar comigo? E eu vou ficar sozinha? Não! Não posso ficar sozinha! Velha, feia, murcha e despetalada? Aí que medo! Ei, Cravo, volta aqui. Você está certo! Não quero mais saber de esperar o Lírio. Eu aceito namorar com você!

A ROSA VOLTA A PROCURA POR CRAVO.

ROSA            – (CHOROSA) Cravo! Cravo! Cadê você?

O CRAVO SAI DO ESCONDERIJO COM UM LENÇO SUJO DE VERMELHO AMARRADO NA CABEÇA.

CRAVO         – Ai! Ai minha cabeça!

ROSA            – O que aconteceu?

CRAVO         – Ocê num alembra? O vaso que ocê jogou ni mim?

ROSA            – Desculpa, Cravo. Não queria te machucar!

CRAVO         – Mas, machucô!

ROSA            – Deixa eu ver isso!

CRAVO         – Não! Meio ocê nem mexe!

ROSA            – Então vamos fazer as pazes!

CRAVO         – Tá bem! Eu aceito suas desculpas!

ROSA            – Você gosta mesmo de mim?

CRAVO         – Craro que gosto! Ocê sabe que sim. Mas se ocê prefere o Lírio, ocê precisava sabê que vai ficá véia, feia, murcha, despetalada e sozinha pra sempre!

ROSA AMEAÇA BATER EM CRAVO.

CRAVO         – Ai!… Tô vendo tudo escuro! Acho que vô desm…

O CRAVO DESABA NO CHÃO, DESMAIADO.

ROSA            – (DESESPERADA) Ai, Desculpa! Eu não ia fazer nada em você! Socorro! Eu aceito até namorar com você! Alguém me ajude, por favor! Será  que eu matei o Cravo? Agora que estou perdida mesmo. Vou ficar velha, feia, murcha, sozinha, despetalada e passar o resto da minha vida na cadeia.

A ROSA CORRE PELO PALCO. O CRAVO LEVANTA A CABEÇA E RI DO DESESPERO DA ROSA. ELA VOLTA ATÉ ELE E ELE SE DEITA DE NOVO.

ROSA            – (CHORANDO) Cravo! Meu amigo Cravinho! Fala com a sua Rosa! Eu pensei melhor. Eu aceito namorar com você. Me dá um sinal.

ROSA SE AJOELHA E APOIA A CABEÇA DE CRAVO EM SEUS BRAÇOS. O CRAVO ABRE O OLHO E DÁ UM GEMIDO.

ROSA            – Cravo! Você está bem?

CRAVO         – Quem é ocê?

ROSA            – Sou eu! A sua Rosa. Lembra?

CRAVO         – Que Rosa?

ROSA            – A sua namorada!

CRAVO         – Eu num tenho namorada.

ROSA            – Agora tem! Eu aceito namorar com você!

O CRAVO DÁ UM PULO E FICA DE PÉ.

CRAVO         – Jura? Sabia que ocê gostava de eu!

ROSA            – Não é gostava de eu! É, gostava de mim! E você não passa de um mentiroso! Eu vou acabar com você! Onde já se viu enganar  os  outros. Eu

toda preocupada e você aí, fingindo! Seu grosso!

ROSA AMEAÇA BATER NO CRAVO.

CRAVO         – Ai, minha cabeça!

ROSA            – (COM RAIVA) Como você pôde fazer isso comigo? Assim que você gosta de mim? Eu não quero mais saber de você. Nunca mais! Nem que eu fique velha, feia, murcha, toda despetalada e sozinha!

ROSA DÁ UM EMPURRÃO NO CRAVO

ROSA            – E sai da minha frente!

ROSA SAI DE CENA FURIOSA.

CRAVO         – Espera por mim, minha belezura! Num faz assim com eu! Eu gosto de ocê de verdade! Foi só uma brincadeira! Eu sabia que ocê gosta de eu! Eu sabia!

O CRAVO SAI ATRÁS DE ROSA. ENQUANTO ELE SAI, TOCA A MÚSICA: O CRAVO E A ROSA.   

APAGAM-SE AS LUZES. FECHAM-AS CORTINAS.              

– FIM –


A hora do Teatro Infantil

março 4, 2010

Quando se trata de teatro, todos os holofotes são direcionados para os textos de conteúdo adulto, raramente um espetáculo infantil consegue espaço parecido. A não ser as mega-produções estreladas por atores famosos que de vez em quando se dedicam a realizar algo para esse segmento e, quase sempre, remontagens de clássicos.

Acontece, que sempre que um grupo se forma, a primeira coisa que fazem é montar um espetáculo infantil. Por que será? Será que pelo fato de não ter os holofotes voltados para sua direção, pensa-se em fazer um trabalho menos compromissado? Ou de fato se tem a preocupação de sedimentar o segmento do Teatro Infantil?

A idéia que passa quando se assiste a maioria dos espetáculos infantis é de que não se leva tão a sério o Teatro Infantil. A impressão é que o teatro feito para as crianças não requer maior esforço da interpretação, fazem certas caras e bocas, e pronto. Muitos até revestem o espetáculo com cenários e figurinos coloridos e só. Mas no palco, brincam de fazer teatro.

Será que não é por conta dessa coisa descompromissada que alguns empre-gam na apresentação de um espetáculo infantil que contribui para o distanciamento entre o tratamento dado para um produção adulto e outra voltada para o público infantil? Com tanto gente fazendo teatro infantil, seja de forma amadora ou profissional, o espaço teria que está sendo dividido. Ou será que o Teatro Infantil é alvo de preconceito puro e simples?

Já passa da hora de fazer valer a importância de um espetáculo infantil. O teatro infantil não pode ser só a “peçinha” que é montada na escola. Não pode receber um tratamento menor. É no teatro infantil que habita a essência da magia do faz de conta, que conta e encanta e serve de estimulo para a formação de novos atores e de um novo público.

A seriedade deve ser levada a fundo quando se predispõe a produzir e apresentar um espetáculo infantil, tão ou mais, de que quando se pensa em montar algo para o público adulto. Só assim, mostrando e demonstrando o quanto um texto infantil contribui para o engrandecimento de uma criança e de quão é importante o Teatro Infantil para o segmento das artes cênicas, é que se afastará de vez o preconceito que assombra o gênero.

O Teatro Infantil está longe de ser apenas uma brincadeira de faz de conta. Cabe então, a todos que enxergam o teatro infantil com algo de grande relevância dentro das artes cênicas, fazer com que chegue a hora em que este gênero seja divulgado e respeitado como arte.


Recreio de Férias

janeiro 28, 2010

RATIMBUM! PARARATIMBUM! FOI A ATRAÇÃO NO RECREIO DE FÉRIAS DA ESTAÇÃO CIÊNCIA DA UNIVERSIDADE DE SÃO PAULO.

Durante a semana de 19 a 22 de Janeiro de 2.010, a equipe de monitores da Estação Ciência recebeu os grupos que estão participando do programa Recreio de Férias.

O projeto, que realizou sua 19ª edição, foi realizado pela Secretaria Municipal de Educação de São Paulo e ofereceu uma programação especial aos alunos da rede de ensino, que aproveitaram o período das férias para conhecer museus, equipamentos de lazer e diversas atrações culturais, esportivas e educacionais.

Na Estação, além de conhecer as exposições, a garotada participou ainda de oficinas especiais e assistiu a uma peça teatral, RATIMBUM! PARARATIMBUM! de Paulo Sacaldassy, tudo desenvolvido pela equipe educativa de monitores.

                        


“Ratimbum! Pararatimbum!”

dezembro 13, 2009

“Ratimbum! Pararatimbum!” é escolhido o melhor espetáculo Mogiano, no V Festival Nacional de Espetáculos Infantis de Mogi das Cruzes/SP.

http://www.moginews.com.br/materia.aspx?id=50266


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