A impunidade que mata sem parar

julho 13, 2017

A cada amanhecer somos acordados por uma notícia de alguém que perdeu a vida por conta da violência, o quê deveria ser motivo de indignação, já parece não comover tanto, alguns corações desesperançados por dias melhores. Estamos vivendo uma guerra civil, silenciosa, que é alimentada, diariamente, pela impunidade que não faz frente à criminalidade, fazendo com que bandidos não temam praticar os seus atos ilícitos, ainda que seja sob a luz do dia.

É muito triste ler notícias de famílias despedaçadas pelas ações de bandidos, que têm se mostrado cada vez mais cruéis e impiedosos com suas vítimas, não há mais, nestes criminosos, o sentido de humanidade, não é nem possível usar-se da literatura para tentar humanizar o caráter desses meliantes, que só se interessam em cometer seus crimes, não lhes importam mais, nem mesmo as próprias vidas e a impunidade reforça esse comportamento todos os dias.

Talvez não seja nem mais possível jogar a culpa nas desigualdades sociais, pois o que vemos hoje é uma geração de bandidos perversos, sanguinários e que estão cada vez mais audaciosos, não há o que lhes impeça de cometer os seus crimes e esta situação vai se acentuando dia após dia, pois a certeza da impunidade lhes garante a coragem e a ousadia necessárias para atacar qualquer pessoa, em qualquer lugar e a qualquer hora.

Hoje quando saímos de casa temos que pedir em oração, que nossas vidas estejam protegidas pelas bênçãos de Jesus, Alá, Oxalá, Buda, Maomé, todos os santos e orixás, anjos e querubins e sei lá mais quem, pois a lei dos homens já não nos protege mais, estamos todos à mercê da sorte pedindo para não atravessar o caminho de uma bala perdida lançada nos confrontos diários entre polícia e bandido, que disputam para ver quem manda mais.

Parece que estamos ficando cada vez mais sem saída, pois, se tentarmos olhar, ainda que piedosamente, para alguns Juízes, políticos e policiais, que, em tese, seriam os mais indicados para nos defender no meio desta guerra, veremos a corrupção e a criminalidade impregnada em  suas veias, da mesma forma que correm nas veias dos bandidos, que, encorajados pelas bênçãos de uma impunidade plena, geral e irrestrita, faz do cidadão comum, sua próxima vítima.

Aonde iremos parar? Quantas lágrimas ainda teremos que derramar? Quantas famílias terão de serem desfeitas? Quantas pessoas ainda terão de perder a vida? Até quando viveremos essa guerra violenta e cruel que não poupa nem mesmo alguém que ainda nem nasceu? Até quando sairemos de casa sem saber se voltaremos? Enquanto todas essas perguntas ficam sem respostas, a impunidade vai matando cada vez mais. Por hora só podemos pedir para que nada de mal nos aconteça e que Deus nos guarde e nos proteja.


A arte precisa ser independente

junho 30, 2017

A arte são os olhos que enxergam a vida como ela realmente é, com suas injustiças, seus preconceitos, suas pessoas tortas, a loucura de cada um, a hipocrisia que cada um esconde atrás da fotografia, a felicidade que cabe em um instante, a decepção de um coração partido, às partidas e chegadas, o amor, as vinganças, o bem e o mal, por isso, ela precisa ser independente, não tomar partido nunca. A arte não tem lado.

A arte não tem ideologia, não tem partido político, não é de esquerda, nem de direita, não pode ter o rabo preso, não pode fazer conchavos, nem se prestar a favores, não pode defender a tirania de um governante, mas nem tão pouco acusá-lo por um único ponto de vista, a arte não determina aquilo que é certo, nem aquilo que é errado, o que é para se gostar ou o que é para se odiar, a arte necessita da liberdade da palavra e das ações para provocar.

A arte precisa de um artista independente que use a sua arte acima de seus pontos de vistas ideológicos, religiosos e humanitários, a arte precisa que seu artista tenha a alma desnudada de preconceitos, para que ela seja totalmente livre e seja capaz de acusar, denunciar, vã gloriar, retalhar, reivindicar o lado torto da vida, o lado que a vida mostra todos os dias, mas que a correria do dia a dia não deixa que as pessoas comuns o enxergue.

A arte não é branca, nem preta, nem azul, nem vermelha, muito menos tem apenas as cores do arco-íris, a arte é multicolorida, multirracial, multipartidária, multiplicadora, a arte não pode ser dividida em pequenas minorias, precisa ser independente para que a maioria possa perceber que a vida não é um mar de rosas, que a vida tinge as ruas de vermelho sangue, mas também pode pintar o coração de vermelho amor.

A arte não pode nunca se prestar a pensamentos pré concebidos, nem tão pouco se prestar a panfletagens deste ou daquele governo, governante, ou partido político, a arte é o único instrumento que precisa ser livre para atingir o seu principal objetivo, que é mostrar a vida para quem não consegue ver, a arte não pertence a nenhum grupo, a arte é do artista, que não pode estar preso a ninguém, para que sua arte seja manifestada na plenitude.

A arte não pode fazer julgamentos, portanto, não condena e nem absolve, a arte não pode ser autoritária, nem condescendente, nem tão pouco ser uma doutrina, a arte não é o ponto final, muito pelo contrário, a arte é o começo de tudo, uma luz sobre a neblina que cega o ser humano, a arte deve ser livre para fazer pensar, rever conceitos, opiniões e até mesmo pontos de vista, a arte deve ser o que é: libertadora.

A arte é a verdadeira e única expressão capaz de mudar a situação em que vivemos, mas, para isso, cada artista, precisa colocar a sua arte acima de suas ideologias partidárias, suas convicções e suas opiniões, não se pode tomar partido, ainda que, como cidadão, cada qual tenha o legítimo direito de se manifestar sobre o que acha certo ou errado, só que a arte tem que falar a língua da independência para que cumpra o seu papel na sociedade.


A culpa é da Justiça

junho 16, 2017

A cada dia que passa, nossa sociedade se torna mais bárbara, mais cruel, com os instintos sempre à flor da pele, está sempre pronta para fazer justiça com as próprias mãos, e de quem é a culpa deste quadro? Da Justiça deste País. A cada golpe que a sociedade sofre, fica claro que é a impunidade que impera por esses lados, só que com isso, mais cresce na sociedade, a descrença nos órgãos de Justiça e a sede irracional por vingança.

Os dois pesos e as duas medidas que a Justiça tem em julgar os crimes, deixa transparecer de uma forma bem clara que o poder econômico tem grande influência nas decisões e que um mesmo crime tem tratamento e penas diferentes, dependendo de quem o cometeu. Essa situação, que é recorrente, vem minando as esperanças desta sociedade que está cada vez mais dividida, alimentando ainda mais o ódio de quem já perdeu o senso de justiça.

A sensação que não existe uma justiça realmente justa no País, tem feito muito mal para nossa sociedade, pois, intimações, julgamentos equivocados, solturas antecipadas, privilégios, relaxamentos de prisão, habeas corpus, recursos e mais recursos, ainda que todos esses artifícios estejam de acordo com as Leis que regem o País,  e a divulgação de crimes sem punições, vai sedimentando um sentimento de que o crime compensa e de que é só ter dinheiro, que tudo se resolve.

Essa sensação de impunidade é tão grande, que marginais já não se preocupam em procurar vítimas distraídas para cometerem seus crimes, é tudo à luz do dia, e com quem estiver no caminho, pois já é sabido entre eles, que se tiverem um pouco mais de sorte, sairão ilesos de suas investidas, ou, se forem menores de idades, o máximo que receberão como punição, serão alguns anos trancafiados em uma Casa de Custódia decadente.

E essa mistura de sensação de impunidade com justiça feita com as próprias mãos, tem produzido um ambiente perigoso, de ladrões destemidos e de justiceiros dispostos a caçar, julgar e condenar quem cometer algum ato contra a sociedade, e de quem é a culpa de tudo isso? Da Justiça! A Justiça tem deixado claro que o seu conceito do que seja justiça, é bem diferente do que quer e espera a nossa sociedade.

É preciso de uma vez por todas, mudar as Leis do País, mudar os Juízes do País, criar novamente uma atmosfera que deixe claro que sempre será feita a Justiça, doa a quem doer, caso o contrário, assistiremos muitas e muitas cenas de barbárie e de demonstração de justiça feita com as próprias mãos. Não adianta apelar para humanidade das pessoas, quando elas têm, ceifadas, a sua liberdade, a vida de um familiar e não consegue enxergar que haverá um mínimo de justiça a seu favor.

Os órgãos de Justiça de nosso País precisam prestar mais atenção no que vem acontecendo em nossa sociedade, pois enquanto quem roubar bilhões de reais responder pelos seus crimes em liberdade e quem roubar uma pacote de macarrão para matar a fome, ficar trancafiada até o dia de seu julgamento, com grandes possibilidades de condenação, a sociedade continuará produzindo pessoas que se acharão no direito de fazer a justiça pelas próprias mãos.


Quando o dever de passar valores já deu errado

junho 9, 2017

Já houve um tempo, não muito distante deste em que vivemos hoje, que uma frase era emblemática: “O trabalho dignifica o homem!” Qual trabalho? Qualquer um! O digno para sociedade daqueles tempos era que a pessoa tivesse um trabalho honesto, isso já o dignificava como um grande homem, mas, com a polêmica dos estudantes de duas escolas particulares, ficou claro que, para parte da sociedade, só alguns trabalham dignificam o homem.

É, em algum momento da história da nossa sociedade, a tarefa de repassar o que são valores, para as futuras gerações, se perdeu no caminho, talvez no caminho em que a sociedade preferiu seguir, o caminho em que ter poder, posição social, dinheiro, glamour, se tornou mais importante do que ter um emprego digno que gere condições necessárias e suficientes para que o homem possa cuidar de sua família e viver sua vida.

Não acho que a importância dada à meritocracia seja algo responsável para essa situação de desmerecimento de algumas profissões, até porque, querer crescer em qualquer profissão por mérito, é bem mais gratificante do que subir à custa de apadrinhamentos; um auxiliar de limpezas pode por mérito alcançar a condição de porteiro e este a condição de zelador, assim como um office boy poder galgar o cargo de diretor de uma empresa. Isso tudo é digno.

O mérito está ligado a quanto você se dedica para crescer profissionalmente, e não a apadrinhamentos, oportunidades aparecem para todos, pois, afinal, quem não quer vencer na vida? Agora, o problema que aconteceu com os estudantes, tem a ver com o repasse de valores, do que seja digno e honesto, do que seja ético e moral, a profissão que você ocupa, o trabalho que você executa nada tem a ver com o ser humano que você é, ou que vai se tornar.

Qualificar esta ou aquela profissão como a que coloca alguém na esteira do sucesso, é sinal de uma sociedade perdida na sua essência, pois já se vê mais capaz de passar para suas futuras gerações, a honestidade, a dignidade, a simplicidade e a necessidade que cada profissão tem para que esta sociedade funcione como um grupo, em que todos têm seus deveres e seus direitos e que, cada um, tem o seu devido valor, para que todos possam ser felizes.

Mas, também, todos nós temos culpa deste cenário, fazemos parte desta mesma sociedade que está doente, todos estamos, pois também contribuímos para que esta sociedade se tornasse individualista, mesquinha, frívola, interesseira, uma sociedade onde temos que mostrar o quanto temos, para que outros nos invejem o quanto somos felizes. O momento é de consciência e não apenas de indignação, ou busquemos repassar os verdadeiros valores de ser um Ser humano, ou sofreremos juntos do mesmo mal, e sabe-se lá por quanto tempo.


A criação na dramaturgia

junho 2, 2017

Há tempos não me via tão entusiasmado com a beleza da criação artística na dramaturgia, com o tempo ficamos tão mecânicos que escrevemos mais pela nossa prática de escrita do que pela beleza da criação de uma história para contar. Mas, felizmente, a vida nos leva por alguns caminhos maravilhosos e, em um deles, acabei encontrando à Oficina de Dramaturgia dada pelo premiadíssimo e generosíssimo dramaturgo, Samir Yazbek. Sorte a minha!

Cheguei disposto a reciclar meus conhecimentos e reavivar a minha escrita na dramaturgia e fui novamente capturado pelo fascinante mundo da criação, de onde eu talvez, tivesse me afastando em algum momento que não sei bem qual foi, pois, a prática já via atropelado os momentos mágicos da criação. Bendita hora em que eu aceitei o desafio de rebuscar uma nova construção na minha dramaturgia. Bendita hora!

De novo ali, mergulhado no imaginário de meus pensamentos, reaprendendo os caminhos de se chegar ao fim de uma história, como nunca antes houvera me aventurado. Passo a passo, com toda a beleza que existe na criação artística, fui desenterrando personagens há tempos esquecidos em um pequeno bloco de anotações e reavivando as belezas daqueles personagens que havia abandonado, talvez por não encontrar lugar para eles na minha prática.

Mas, ainda bem que pude recuperar o instante mágico da criação, que é muito mais do que um lampejo de ideia, ou um arremedo de pensamentos alinhados em um enredo qualquer, é estar disposto a esmiuçar as entranhas, os desejos, as vontades, os sonhos de alguém, ou de alguns, é contar uma história com começo, meio e fim, cheia de conflitos, reviravoltas e resoluções. É retratar no papel uma história que deve e precisa ser vista.

Durante todo o tempo de duração da Oficina, pude mergulhar de novo, sem medo, no universo da criação artística, sem pressa de dar um ponto final em uma história, apenas para poder entregar mais um trabalho e, fui, calmamente desenhando cena por cena, alinhavadas por ações que se completam até que tudo deságue no desenlace que reflita toda a jornada daqueles personagens que eu desenterrei de meu bloquinho de anotações.

Agora, passado o entusiasmo da Oficina, cá estou, ainda em estágio de criação, buscando conhecer intimamente os meus personagens e suas verdadeiras histórias, pois, quando se escrever dramaturgia, escreve-se uma história que vai além do papel. Como disse o Samir: “a dramaturgia é uma história que o dramaturgo escreve para ser lida e para ser vista”. Sagrado seja esse momento da criação artística! Sagrado seja!


Por onde anda a justiça?

maio 26, 2017

Por onde anda a justiça que não enxerga as vilanias que sofrem as pessoas menos favorecidas, que são pisoteadas todos os dias e não têm a quem recorrer para reclamar de seus direitos e que, muitas vezes, são tratados como culpadas pelas situações que se encontram e pelas quais são submetidas sem opção de escolhas?

Por onde anda a justiça que privilegia os profissionais que usam de subterfúgios para fugirem das leis e dos pagamentos de impostos e não é capaz de atender os anseios daqueles que, com retidão e muita dificuldade, geram riqueza para impulsionar a roda da economia do país e são sempre os primeiros a pagar a conta?

Por onde anda a justiça que não defende as empresas que criam empregos, que pagam seus impostos, que abrem as fronteiras, geram riqueza e fazendo o país crescer e que prefere ficar ao lado de empresas que fazem o jogo sujo para conquistarem espaço e obterem lucros aviltantes de forma espúria, apenas para enriquecerem os seus donos?

Por onde anda a justiça que não enxerga os políticos que traíram o povo e venderam os seus mandatos para atender os seus interesses pessoais e de terceiros, e que estão envolvidos em toda e qualquer espécie de corrupção, fechando acordos, desviando dinheiro público, usando laranjas para esconderem suas jogadas ilegais?

Por onde anda a justiça que não faz nada contra os juízes que têm por obrigação cuidar com eficiência para que ela seja sempre feita e que não enxerga que o injustiçado é julgado como culpado e os poderosos são postos em liberdade e defendidos como grandes heróis, num acordo espúrio em que os culpados jamais terão culpa?

Por onde anda a justiça que não enxerga que o povo está cansado de ver tantos bandidos serem defendidos e desfilarem seus risos amarelos, impunemente, se vão-gloriando de seus maus feitos, fazendo com que o povo não mais acredite que a honestidade seja o melhor caminho para salvar esse nosso pais?

Por onde anda a justiça que está no discurso de algumas pessoas, mas que se perde em atos na defesa de bandidos tão corruptos quanto outros, que respondem processos, que estão indiciados em inquéritos, que receberam propinas, que desviaram dinheiro, que aparelharam o Estado, que fazem parte do mesmo grupo de ratos que assalto o país?

Por onde anda a justiça de algumas pessoas, que clamam por ela, mas perderam o nível aceitável de razão e querem resolver tudo de forma autoritária, compulsória, discriminatória, reacionária, querendo imputar à força um senso de justiça pessoal, sem se importar com as escolhas individuais de cada cidadão brasileiro?

Por onde a justiça? A dos homens, esta parece que não existe mais, agora, o que nos resta é acreditar na justiça divina.


A paz que não temos

maio 5, 2017

Lá se vai ao longe, o tempo em que a paz se fazia presente entre nós, já não se pode mais ter a calmaria de uma rede a balançar no final de uma tarde preguiçosa, sem nem se preocupar com o amanhã, pois, a violência que ainda ontem apenas nos espreitava em esquinas mal iluminadas de noites escuras, hoje já nos ataca em plena luz do dia, sem medo das conseqüências, sem piedade da nossa alma, sem se importar se destroçará uma família, sem dó!

Lá se vai ao longe, o tempo das cadeiras nas calçadas em noites abafadas de tantos verões, ninguém tem mais coragem de se debruçar sobre o muro, apenas para ver o movimento do vai e vem das pessoas, pois todos passam apressados a passos largos em direção às suas casas, com o medo estampado no rosto e o coração palpitando dentro do peito, pedindo proteção a todos os santos para que nenhuma bala perdida lhe cruze o caminho.

Lá se vai ao longe, o tempo de crianças brincando inocente pelas ruas até a chegada da noite, já não há mais vidraças quebradas por bolas chutadas em peladas de pernas de pau, não há mais pega-pega, não há mais esconde-esconde, o que há ainda, é polícia e ladrão, só que não mais a brincadeira inocente de outra, agora a caçada real e violenta, uma guerra urbana que aumenta a cada dia e que parece não ter fim.

Lá se vai ao longe, já quase não se vê a paz, hoje a intolerância travestiu o ser humano e passou a dar as cartas pelos quatro cantos do mundo, não há um único lugar seguro, não há espaço nem mesmo para esperança, pois o ódio invadiu os corações de pessoas que não se importam com a vida, nem mesmo as próprias, pois são capazes de explodirem pelos ares com artefatos bélicos enrolados no próprio corpo, arrastando quem tiver no caminho.

Lá se vai ao longe, o tempo em que se podia viver sem que o medo levanta-se conosco todas as manhãs e nos acompanhasse por todo dia, até nos trazer de voltar para o nosso lar, para que assistamos em nossas TVs, a violência encurralando a paz em plena luz do dia, tingindo as ruas de sangue, matando pouco a pouco a esperança, nos fazendo querer desligar do mundo real para encontrar em um canto qualquer, nem que seja um pouquinho da paz.

Lá se vai ao longe a paz, e parece ir cada vez mais longe, tão longe que cada vez fica mais difícil correr para alcançá-la, pois quanto mais nos trancamos atrás das grades das nossas prisões, mais a violência aumenta o seu tamanho, se agiganta, de tal forma, que nos falta coragem de arriscarmos as nossas vidas com medo da morte por um assalto a mão armada, por um seqüestro relâmpago, por um estupro, por uma bala perdida e cada dia ficamos mais sem saída, mais sem vida, mais longe da paz.


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