Envelhescência

julho 6, 2018

Confesso que a primeira vez que ouvi o termo envelhescência, achei engraçado, meio pejorativo, soou como um sarro contra quem não quer aceitar a ideia de que a idade está chegando, mas, analisando friamente, nada mais adequado para definir quem já, há muitos, deixou de ser adolescente e está quase chegando à chamada terceira idade. Eu já passei dos cinqüenta, mas não me considero velho, portanto sou um envelhescente.

Porque chega uma hora que não tem como esconder, o corpo já vai dando os primeiros sinais de desgaste, as primeiras rugas aparecem, os cabelos vão embranquecendo e é preciso reencontrar a vontade de dar outro rumo na vida, pois a cabeça ainda está a mil, só que não podemos começar a nos comportar como quem já envelheceu e nem mesmo podemos querer sermos jovens para sempre. Estamos no meio do caminho.

E é nessa hora que, pela primeira vez, nos damos conta que temos mais passado do quê futuro para viver. Mas, quanto futuro ainda teremos? Nesse momento paramos para repensar o quê deixamos de fazer na fase adulta em que nos preocupávamos apenas em trabalhar, ganhar dinheiro, fazer um pé de meia, não havia tempo para mais nada, trabalho, ganhar dinheiro e só. De repente, a idade chega, mal conseguimos ganhar dinheiro e nem bem vivemos.

Só que sempre dá tempo para fazer o não pudemos ou não quisemos fazer na vida adulta, a nossa velhice ainda não chegou, estamos na envelhescência, temos muito para aproveitar da vida, só que agora, mas maduros e cientes de que nem tudo vale o risco, mas sempre se pode experimentar uma nova sensação. Houve um tempo que se dizia que a vida começava aos quarenta, mas hoje, aos cinqüenta, mal entramos na envelhescência.

E isso é bom, pois a vida ganha um outro sentido, perdemos um pouco da pressa de antes, diminuímos os passos para poder aproveitar tudo aquilo que deixamos escapar. Ainda podemos e devemos aproveitar que o corpo ainda não enrijeceu totalmente e que na cabeça, mil idéias ainda borbulham, para viver. Por que não realizar os sonhos que deixamos escapar enquanto achávamos que vivíamos? Ainda temos um futuro.

Não precisamos nos comportar como quem ainda não cresceu, nem querer perpetuar nossa juventude, nem buscarmos nenhum rejuvenescimento, as marcas do tempo contam um pouco de nossa vida, o tempo passou, isso é fato, mas, por outro lado, nos deu muitas histórias para contar, não precisa haver melancolia, nem querer voltar o tempo, nosso tempo é agora, já vivemos mais de meio século, mas hoje, ainda nos falta muito para envelhecer, por isso, o que temos a fazer, é curtir, sem medos e receios, a nossa envelhescência.

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O quê nos move?

fevereiro 2, 2018

Dia após dia partimos para vida em busca de algo melhor, alguns em busca do emprego que foi perdido em tempos difíceis, outros atrás do garantir o pão nosso de cada dia, outros correm atrás de um amor inesquecível, outros correm atrás de ficarem ricos, outros apenas deixam a vida seguir o seu curso, outros esperam por uma surpresa que lhes mude a vida, mas, uma mesma coisa nos move diariamente: o sonho!

O sonho é o combustível que empurra a vida para frente e faz com que todos os dias, busquemos algo que nos complete, algo que faça a nossa vida diferente, levantamos todos os dias com a esperança renovada e com a plena certeza que o dia nos trará o que tanto sonhamos. Muitas vezes voltamos para casa de mãos vazias, corações apertados, uma frustração que parecer ser interminável, pensamos que não conseguiremos passar por tudo de novo.

Mas lá estamos nós, prontos e apostos para, no próximo dia, sairmos correndo atrás de tudo aquilo que queremos, às vezes com mais vontade do que ontem, ainda que tenhamos sofrido com a desilusão de mais um dia sem conseguirmos realizar o que queríamos. E assim vamos nós, dia a dia, vivendo e enfrentando as dificuldades que aparecem em nossos caminhos, buscando alcançar aquilo que nos faça feliz. Só o sonho de se conquistar algo melhor, tem o poder de nos empurrar para frente.

É triste quando se ouve de alguém, que não há mais sonhos a conquistar, que estão passando pela vida, apenas esperando a morte chegar. Enquanto estamos vivos, somos sim, movidos por sonhos, o simples querer acordar mais um dia, é um sonho a conquistar. O sonho que impulsiona a vida não é um sonho apenas material, de ter mais posses, de não ter dificuldades, é de poder viver mais um dia em paz e feliz.

É claro que a vida não é fácil, que às vezes até parece que estamos dentro de um pesadelo que não tem fim, em que tudo só vai de mal a pior, que parece não haver luz no fim do túnel, às vezes parece-nos melhor que a morte vem nos buscar, mas, só uma coisa pode nos tirar desse turbilhão de dificuldades: o sonho! O sonho é o quê nos faz correr atrás de transformarmos a nossa vida e sairmos do buraco em que caímos.

Quando desistimos de sonhar, somos devorados pelas dificuldades da vida e não temos forças para sair do labirinto em que entramos. O sonho é que nos empurrar de volta à realidade, o que nos dá forças para prosseguirmos com a nossa caminha, que nunca é fácil, por isso, não se deve ter vergonha de sonhar, pois quem sonha, tem sempre um combustível renovado que impulsiona a vida a ser cada vez melhor. Sonhemos todos!


Viver é uma viagem

janeiro 12, 2018

Ainda que alguns possam discordar, viver é uma grande viagem que começa com o nosso nascimento e termina com a nossa morte, mas, saber se a vida valerá à pena, depende muito de como vamos encarar essa nossa jornada, pois, como toda viagem, nem tudo é uma maravilha, às vezes, nossas escolhas atrapalham o caminho e faz tudo parecer que nada valerá à pena. Só que a culpa nunca é da viagem, é sempre do viajante.

Há quem acredite que estamos aqui para realizar uma única viagem, eu me recuso a aceitar essa ideia. Como seria possível passar por essa grande viagem uma única vez? Uma vida inteira é muito pouco para aproveitar e absorver tudo de bom que essa viagem pode nos proporcionar, até porque, por desconhecer o percurso, perdemos muita coisa no meu do caminho e deixamos de aproveitar essa grande viagem que é viver.

Às vezes, a viagem é alegre, feita sobre uma estrada silenciosa, com um sol a pino deixando tudo mais colorido, flores a nossa volta, nada é cansativo, toda paisagem é uma pintura que encanta os olhos, encontramos pessoas pelo caminho que fazem a viagem ser ainda mais prazerosa e seguimos firme, sem se preocupar com nada, nem mesmo até onde vamos chegar, somente aproveitando o feliz instante que a vida nos proporciona.

Outrora, a viagem é triste, feita sobre uma estrada esburacada e sinuosa, em uma noite escura e chuvosa, com uma paisagem morta margeando nosso caminho, que até parece longo de mais, tudo é muito cansativo, não há nada de bonito para olhar, até as pessoas que cruzamos na estrada, estão mais dispostas a sabotar a nossa jornada, mas, apesar disso tudo, não podemos parar, precisamos chegar até um lugar seguro, nem que seja só para descansar.

Nem sempre boa, nem sempre ruim, assim é a vida, uma grande viagem, às vezes fácil de seguir, outrora tão difícil que se pensa em desistir no meio do caminho, e é nessa hora de grande dificuldade de viagens tristes pela vida, que precisamos ter o equilíbrio para entender que amanhã podemos ter a chance de fazermos um caminho melhor, uma viagem mais leve e alegre, pois nem todo viagem é para sempre triste e a procura por uma melhor viagem tem que ser sempre constante.

Tem uns que desistem da viagem por acharem não terem a coragem para suportar os caminhos de uma estrada tão dura, tem aqueles que só seguem a viagem não se importando com os momentos bons ou momentos ruis, apenas aguardando que ela acabe e tem aqueles que, ainda que façam viagens ruins, sempre vão buscar um jeito de encontrar beleza e satisfação ainda que a viagem não lhe seja assim tão favorável.

Eu ainda estou viajando em uma estrada esburacada e sinuosa, uma viagem difícil, mas já consigo ver os primeiros raios de Sol despontando no horizonte, já é possível ver, ao meu redor, algumas flores começando a desabrochar, o tempo está ficando mais limpo, e as pessoas que estão ao meu lado nesta jornada, fazem valer tudo valer à pena, por isso, vou seguindo, procurando agradecer, por ainda ter a oportunidade de poder viajar pela vida.


A felicidade está na liberdade

janeiro 5, 2018

Buscamos tanto a felicidade e nem percebemos o quanto estamos todos presos e amarrados em obrigações que sufocam nossa alma de responsabilidades e que não nos deixam seguir a nossa caminhada com mais leveza. Enchemos nossas vidas de coisas que achamos que vão nos fazer felizes, mas, na verdade, na maioria das vezes, tornamos a nossa própria vida, um fardo difícil de carregar e não estamos, nem livres e nem felizes.

A simplicidade da vida se perde diante da necessidade imposta pela sociedade que nos faz cada vez mais consumista, em que “ter” é mais relevante do que “ser” e, vamos nos enredando para podermos fazer parte desta sociedade sem nem bem perceber e fingimos sermos felizes, em rostos e festas alegres postadas em redes sociais, mas, são poucos que realmente estão livres das armadilhas que, uma hora ou outra, acabamos caindo.

Como podemos ser realmente felizes se estamos presos em coisas que nos fazem tristes, que nos deixam melancólicos e perdidos diante da vida? Ninguém é realmente livre quando, para se feliz, precisa atender as expectativas e seguir a vida de agrados alheios. Como pode haver felicidade quando a liberdade só dura até a próxima esquina? É certo que a liberdade é uma escolha e ser feliz também, mas tem hora que não se acha o caminho.

Às vezes, buscamos um trabalho que nos possa dar a liberdade para buscarmos a nossa felicidade, felicidade esta, de acordo com os novos padrões da sociedade, ter uma boa condição financeira, ter o melhor celular, o melhor carro, beber a melhor bebida, ir às melhores festas, e, quando paramos para ver até onde a vida nos levou com essa liberdade de ser feliz, estão presos e quase sem saída.

A vida que vai de encontro com o quê a sociedade de hoje dia quer, parece sim, ser o caminho mais seguro para à felicidade e para à liberdade. É preciso aprender a lição de que menos é mais, mais tranquilidade, mais paz, mais tempo para viver, mais alegria, mais felicidade e mais liberdade. Quanto mais tempo a gente leva para encontrar a saída desta prisão que estamos e nem percebemos, menos felizes e menos livres seremos.

Que as energias que emanam deste novo ano, possam ser as verdadeiras conselheiras e que nos conduzam para fora desta prisão em que nos encontramos e, que cada vez, achamos o melhor lugar de se estar. Que a necessidade de viver uma vida em paz consigo mesmo, seja bem maior que a necessidade de viver de acordo com os padrões da sociedade atual, quem sabe assim, fique mais fácil encontrar a felicidade que só a liberdade traz.


A tristeza que ninguém quer mostrar

outubro 20, 2017

Ah, como seria lindo se a vida fosse igual às páginas das redes sociais, com um sol sempre nos dando bom dia feliz e com um sorriso largo. Ah, como seria incrível se a vida fosse igual às fotos publicadas nas redes sociais, de festas alegres, com pessoas divertidas, exalando felicidade pelas telas. Ah, como seria ideal se a vida fosse o mar de rosas que inunda as redes sociais com mensagens positivas que nos empurram para enfrentar a vida de cabeça erguida. Mas, não é. Não é mesmo?

Quanta tristeza há por detrás de um sorriso alegre nas fotos publicadas nas redes sociais? Quanta dor e sofrimento escondidos em um bom dia feliz? Quanta dificuldade de vida há por detrás de mensagens de otimismo? Quanto nos custa bancar uma felicidade artificial? Se a vida é uma eterna busca da felicidade, não podemos estar a todo o momento, felizes. Todo mundo em algum momento é triste, mas, todo mundo prefere esconder a sua tristeza nas publicações das redes sociais.

E o quê nós vemos hoje de verdade? Relacionamentos superficiais, frustrações mal resolvidas, vidas paralelas de gente que pensamos conhecer muito bem. Tanto, que volta e meia somos surpreendidos com tragédias cometidas por pessoas que jamais imaginaríamos que elas fossem capazes, tamanha união, amor e felicidade estampada em publicações nas redes sociais. As redes sociais nos deram a opção de esconder a nossa vida, mas a tristeza verdadeira não sai de nós e, por isso, tantas vezes a verdade vem à tona.

É claro que cada qual se comporta e se defende da vida como pode, mas o fato é que essa busca desenfreada por uma vida de felicidade plena tem nos feito muito mal como seres humanos, não sabemos mais como lidar com opiniões contrárias as nossas, perdemos a medida do diálogo, vivemos mais tempo na vida de mentira que criamos nas redes sociais, do quê buscando o real motivo de viver e de como encontrar o caminho para que a vida seja mais alegre do que era antes.

Estamos ansiosos por um futuro que não chega nunca, e criamos expectativas que se tornam cada vez mais inatingíveis. Estamos conectados a todo tempo, na mesma medida que estamos só. A solidão nos assola cada vez mais. Buscamos falar incansavelmente pelas redes sociais com medo que ninguém mais nos ouça. Necessitamos sempre estarmos alegres, pois, a tristeza que está sempre à espreita, nos apavora e tememos encará-la de frente todos os dias ao amanhecer.

Assim, vamos vendo o tempo passar cada vez mais rápido, estamos cada vez mais distante de um abraço apertado, de um ombro para chorar, de um colo, de um ouvido que escute a nossa dor, não temos mais espaços para as tristezas da vida, mas, estamos tristes, os olhos das pessoas nas ruas, nos dizem isso, basta olhar bem dentro de cada um. Penso que nos faria um bem enorme mostrar um pouco de nossa tristeza, talvez, os momentos felizes nos deixariam, realmente felizes e não seriam apenas fotos com muitas curtidas.


O que temos deveria nos bastar

agosto 25, 2017

Às vezes, se é muito ingrato com a vida que se tem, esbravejamos ao menor sinal de termos a nossa vida jogada para fora da nossa zona de conforto, nunca estamos plenamente satisfeitos. Se o dia amanhece ensolarado e quente, já é motivo para esbravejarmos com a vida, se ele amanhece chuvoso e friorento, pronto, lá estamos nós, destilando o nosso descontentamento com a vida, se aparece um problema pela frente, a vida não presta, se não conseguimos o quê queremos, a vida não nos trata bem. Nada nos basta.

E não há ninguém que possa se colocar à margem dessa situação e dizer que nunca reclamou da vida, todo mundo, em algum momento, esbravejou com a vida que tem. Eu já fiz isso tantas vezes! E se não controlo os pensamentos, volta e meia me pego no meio da insatisfação, achando que podia ter uma vida melhor, aliás, quem não quer? Mas depois de algum tempo se aprende que é preciso, em primeiro lugar, estar satisfeito com o quê se tem, para, depois, poder buscar aquilo que ainda lhe faz falta. Talvez seja apenas viver a vida.

Na vida, todo mundo tem algum tipo de problema que lhe causa ou causará um desequilíbrio, a ponto de, no momento de raiva, provocar um profundo descontentamento com a vida que se leva. Por que isso acontece comigo? A minha vida é uma droga! Por pior que seja o problema, não é só na sua vida que está o problema, pois, tenha certeza, sempre haverá alguém com um problema mais grave que o seu. E é está nossa infinita incapacidade de aceitar os problemas da vida, que nos faz achar que temos pouco, quando, na verdade, temos sempre o suficiente.

Talvez a nossa incapacidade de se colocar no lugar do outro nos momentos difíceis da vida, também contribua para que mostremos a insatisfação com a vida que temos. Queremos, todos, ter a vida boa do outro, que na verdade, nem sabemos se ela é realmente boa. Quantos problemas estão escondidos atrás de um sorriso? Quanta gente leva uma vida de aparência, demonstrando uma coisa que não é? Vivendo uma vida que não vive? Precisamos primeiro cuidar do nosso jardim, antes de admirar o jardim do vizinho.

Reclamos por isso e por aquilo e não somos capazes de imaginar o quão duro dever ser a vida de quem luta por uma doença, sua ou de alguém tão querido, que quer apenas ficar ou vê-lo vivo para desfrutar da vida, simplesmente, sem cobranças. É isso, nos cobramos de mais por uma vida que imaginamos e vivemos de menos a vida que temos. A dor, a dificuldade financeira, a doença fazem parte da vida de todo mundo, uma hora ou outra, alguma coisa nos afligirá e nada adiantará esbravejarmos, só desnudaremos nossa ingratidão.

É um exercício diário, difícil, corpo e mente, pois, às vezes, parece que o mundo vai ruir e não vamos conseguir deixar nossa vida de pé, e, nesta hora, não tem como não esbravejar com a vida, mas tem que ser um jogar para fora, para, logo em seguida, olharmos ao nosso redor e praticarmos, mesmo que em silêncio, a gratidão, pelo nosso trabalho, pela nossa casa, pelas nossas roupas, pela nossa família, pela nossa oportunidade diária de recomeçar e correr atrás do que não está do nosso agrado. Viver não é uma tarefa fácil e não estamos por aqui a passeio.


As lições de todo dia

setembro 23, 2016

Já ouvimos milhares de vezes que a vida é um piscar, sabemos que ela é fugaz e que não vamos durar para sempre aqui por essas bandas, ainda que alguns acreditem em reencarnação, essa vida que vivemos, essa imagem que temos, as amizades que fazemos, os amores que cultivamos, as famílias que formamos, tudo isso, uma hora vai chegar ao fim, isso é um fato indiscutível, mas todos os dias aprendemos uma lição sobre isso.

Ainda que tenhamos a consciência da essência da vida, continuamos tendo uma certa dificuldade de absorção daquilo que realmente seria o necessário para viver por essas bandas e perdemos um tempo precioso com coisas pequenas, diante de uma imensidão de coisas que podemos realizar para nós, para o outro e com o outro, para que nossa vida valha realmente à pena. A simplicidade de viver ainda causa muito estranheza.

Nascemos sabendo que morreremos um dia, não sabemos se em uma manhã de verão de um sol escaldante, em uma tarde cinzenta de um inverno frio, se em uma noite sem estrelas, se daqui a um minuto, se daqui a dez, vinte, ou trinta anos, mas morreremos e, sempre que uma vida chega ao fim, é de supetão, de forma inesperada, sem dizer adeus, sem terminar os compromissos, sem um último abraço, um último beijo É finito, e pronto!

Mesmo sabendo disso tudo, acordamos apressados, estressados, cansados, mal humorados, irritados, infelizes, desgostosos, desesperançados com a vida. Julgamos, recriminados, brigamos, insultamos, ignoramos, humilhamos, provocamos, estouramos, destratamos as pessoas que mais nos amam. Estamos na vida para semear o amor, até sabemos disso, mas, ainda assim, não somos capazes de semearmos e nos encantarmos com a felicidade alheia.

Só quando acontece alguma tragédia, algo que nos comove, algo que nos faz pensar que podia ser conosco, é que nos vem à tona um turbilhão de sentimentos e de sensações, que nos faz repensar a vida, nossos atos, nossas atitudes, nosso modo de encarar a vida aqui por essas bandas, padecemos por uns dias, do sofrimento de saber que, de uma hora para a outra, podemos também ir, sem aviso, sem esperar.

E de nada terá adiantado, a nossa empáfia, a nossa soberba, as nossas atitudes impensadas, as nossas inimizades, os nossos desafetos e tudo de mal que semeamos. Por isso, é sempre tempo de abaixar as guardas e semear o amor e a alegria de viver. É bem melhor semear uma boa lembrança, uma gota de saudade que ficará nos olhos de alguém, um aperto que ficará no coração de alguém, um sorriso que ficará na memória de alguém, pois não sabemos por quanto tempo ficaremos por aqui. Todo dia a dor da morte chega para alguém.

É certo que muitos só se preocupam com a roda viva da vida e, logo, já não sofrerão mais com aquele dor da morte e perderão de novo o sentido de viver e, em pouco tempo, já se acharão novamente super heróis de uma vida que vai durar para sempre e se acharão maiores e melhores, buscarão as guerras, destilarão o ódio, o orgulho e dispensarão a mão do amor, aliás, todos nós. Até que a vida venha, mais uma vez, e nos ensine as lições que ela nos ensina todos os dias e não conseguimos aprender.


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