VIVER É ASSIM

julho 13, 2018

A corda é bamba

E nos faz sambar

Nesse balanço

A gente caminha

Às vezes, desespero

Ás vezes, calmaria

A fé como farol

Orienta os passos

Que incertos,

Cheios de medo

Nos fazem recuar

Mas é preciso ir

Enfrentar os problemas

Resolver os dilemas,

Nem sempre são fáceis

Se quer fugir

Ignorar tudo

Para não sofrer

Mas, sofrer é preciso

Aprender também

E ainda que corda balance

Parecendo que vamos cair

Não podemos recuar

É preciso coragem

É preciso paciência

É preciso equilíbrio

Pois viver é assim

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Envelhescência

julho 6, 2018

Confesso que a primeira vez que ouvi o termo envelhescência, achei engraçado, meio pejorativo, soou como um sarro contra quem não quer aceitar a ideia de que a idade está chegando, mas, analisando friamente, nada mais adequado para definir quem já, há muitos, deixou de ser adolescente e está quase chegando à chamada terceira idade. Eu já passei dos cinqüenta, mas não me considero velho, portanto sou um envelhescente.

Porque chega uma hora que não tem como esconder, o corpo já vai dando os primeiros sinais de desgaste, as primeiras rugas aparecem, os cabelos vão embranquecendo e é preciso reencontrar a vontade de dar outro rumo na vida, pois a cabeça ainda está a mil, só que não podemos começar a nos comportar como quem já envelheceu e nem mesmo podemos querer sermos jovens para sempre. Estamos no meio do caminho.

E é nessa hora que, pela primeira vez, nos damos conta que temos mais passado do quê futuro para viver. Mas, quanto futuro ainda teremos? Nesse momento paramos para repensar o quê deixamos de fazer na fase adulta em que nos preocupávamos apenas em trabalhar, ganhar dinheiro, fazer um pé de meia, não havia tempo para mais nada, trabalho, ganhar dinheiro e só. De repente, a idade chega, mal conseguimos ganhar dinheiro e nem bem vivemos.

Só que sempre dá tempo para fazer o não pudemos ou não quisemos fazer na vida adulta, a nossa velhice ainda não chegou, estamos na envelhescência, temos muito para aproveitar da vida, só que agora, mas maduros e cientes de que nem tudo vale o risco, mas sempre se pode experimentar uma nova sensação. Houve um tempo que se dizia que a vida começava aos quarenta, mas hoje, aos cinqüenta, mal entramos na envelhescência.

E isso é bom, pois a vida ganha um outro sentido, perdemos um pouco da pressa de antes, diminuímos os passos para poder aproveitar tudo aquilo que deixamos escapar. Ainda podemos e devemos aproveitar que o corpo ainda não enrijeceu totalmente e que na cabeça, mil idéias ainda borbulham, para viver. Por que não realizar os sonhos que deixamos escapar enquanto achávamos que vivíamos? Ainda temos um futuro.

Não precisamos nos comportar como quem ainda não cresceu, nem querer perpetuar nossa juventude, nem buscarmos nenhum rejuvenescimento, as marcas do tempo contam um pouco de nossa vida, o tempo passou, isso é fato, mas, por outro lado, nos deu muitas histórias para contar, não precisa haver melancolia, nem querer voltar o tempo, nosso tempo é agora, já vivemos mais de meio século, mas hoje, ainda nos falta muito para envelhecer, por isso, o que temos a fazer, é curtir, sem medos e receios, a nossa envelhescência.


Só o talento não basta

junho 29, 2018

Tudo pode parecer mais fácil quando se tem o talento para fazer alguma coisa, mas, só o talento não basta para que alguém alcance o sucesso naquilo que tanto almeja. Talvez, nunca lhe surja uma oportunidade real para que você tenha o seu talento reconhecido ou descoberto, principalmente quando se pensa que, só porque se tem talento, às portas irão se abrir com muito mais facilidade. Ledo engano!

O talento talvez seja apenas, o tempero especial do seu prato, que, sozinho, nunca alimentará ninguém, somente a sua própria vaidade que, por achar que só porque tem talento, já tem o suficiente para estar no topo da montanha. Talento é uma habilidade nata que precisa e deve ser desenvolvida para que se possa alcançar à sua plenitude, caso contrário, se perderá no emaranhando de obstáculos que encontramos pelo caminho.

Às vezes, contrariados, e entorpecidos por nossa vaidade, chegamos a desdenhar o talento de alguém que alcançou um posto acima de nós, reclamos da vida, da sorte, da falta de reconhecimento e criticamos o outro por nos acharmos superiores, mas, ficamos sentados em nosso talento, esperando que a sorte, algum dia, nos encontre. Talento sem persistência, sem paciência, sem preparação, sem estudo, é nada!

E quando temos o nosso talento reconhecido, é que de fato começa a nossa dura jornada, pois seremos cobrados ininterruptamente para mostrarmos o quanto de fato somos talentosos para ocupar essa ou aquela posição. Quanto mais talento, maior a obrigação de aperfeiçoamento, maior a dedicação, maior a cobrança para construir algo surpreendente. Ter talento demanda muita disciplina e humildade para chegar.

Quando nos abraçamos apenas em nosso talento, invariavelmente não chegamos a lugar nenhum, só o talento é muito pouco, é quase nada. A sorte, às vezes encontra com o talento em uma esquina, mas se não houver a pré-disposição de se desenvolver, a sorte o abandonará na próxima esquina, sem remorso. Às vezes, desenvolver a habilidade pode fazer alguém superar o talento do outro, a vida é cheia de exemplos deste tipo.

Talento sem persistência, dedicação, disciplina, aprendizagem, humildade, não passa de uma habilidade nata que nasce com cada um, pois é certo que todo mundo tem um talento para fazer alguma coisa, mas, se você achar que só porque é uma pessoa talentosa, alcançará com mais facilidade os seus objetivos, se prepare para sofrer com grandes decepções e para conviver, diariamente com a ilusão.


O Amor caiu do céu

junho 22, 2018

Oi gente, hoje vou contar pra vocês uma aventura apaixonante. Vocês podem até achar que estou inventando isso, mas a Joana, o Paulinho e a Talita estão aí de prova pra dizer que tudo isso aconteceu de verdade. Vou contar pra vocês como tudo começou:

Eu, a Joana, o Paulinho e a Talita marcamos de fazer um piquenique lá no terreno do seu Zé da farmácia, eu e a Joana chegamos primeiro e abrimos a toalha bem embaixo da caramboleira, que é a maior árvore que tem no terreno do seu Zé, quando de repente: – Tibum! Caiu alguma coisa do céu do outro lado da árvore. Vocês não imaginam o que foi que caiu.

– Um anjo, Joana!

– Um anjo caiu do céu, Helena!

Eu a Joana corremos pra ajudá-lo. Ele ainda está meio tonto, tentou voar de novo, mas não conseguiu. Tinha quebrando uma de suas asas.

– Droga, quebrou a minha asa! E agora?

Eu olhei pra Joana, a Joana olhou pra mim.

– Você é um anjo de verdade! Falamos a duas juntas.

– Sou o Eros, o anjo do amor!

– Eros? Perguntou a Joana.

– Cúpido! Você é o cúpido?

Tinha visto num livro na escola sobre as lendas gregas que Eros era o nome do cúpido. Aquele que fica atirando flechas pra todo mundo ficar apaixonado um pelo o outro. E não era que era ele mesmo? O amor tinha caindo do céu, bem ali no meio do nosso piquenique e tinha quebrado uma das asas.

– Será que vocês podem me ajudar a consertar a minha asa? Tenho muito amor para distribuir pelo mundo e não posso ficar aqui parado muito tempo.

Eu olhei para a Joana, a Joana olhou pra mim.

– Eu não acredito! Falamos as duas juntas.

– Vocês podem ou não podem me ajudar a consertar a minha asa?

Como a gente não ia ajudar o amor? Então foi que lembrei que a avó da Joana podia fazer uma asa novinha para o Eros com as penas das galinhas que ela tinha lá no galinheiro da casa dela. Saímos as duas voando no terreno e fomos direto para a casa da avó da Joana. Pedimos para que o cúpido ficasse escondido para que mais ninguém o visse por ali.

Só que quando a gente saiu, o Paulinho chegou e viu em cima da toalha, a cesta com as flechas do cúpido que ele se esqueceu de pegar. E o quê fez o Paulinho? Saiu atirando aquelas flechas para o ar, até que uma acertou de cheio, bem no peito da Talita que vinha chegando para o nosso piquenique.

Quando voltamos com a nova asa do cúpido, encontramos a Talita correndo atrás do Paulinho em volta da árvore.

– Vem cá, Paulinho, me dá um beijo!

– Sai pra lá, Talita!

– Eu amo você! Vem, meu cabelinho de molinha!

– Para com isso, Talita.

Logo pensamos que o cúpido tinha aprontado alguma coisa.

– Seu anjo, pode sair do esconderijo agora! Gritei, chamando por ele.

O Eros saiu de trás de uns caixotes que tinham no fundo do terreno já avisando que não tinha nada a ver com aquilo.

– Eu não fiz nada! Foi ele que pegou as minhas flechas e começou a atirar para todos os lados e acabou acertando aquela menina. A Talita estava lá, com aquela cara de boba, olhando para o Paulinho e suspirando. Argh!!

– Seu cúpido, conseguimos arrumar a sua asa, agora você já pode espalhar o amor pelo mundo e deixar a gente fazer o nosso piquenique. Só que antes de ir embora, faz um favor de desfazer esse feitiço, porque não vai dar pra aguentar a Talita desse jeito, toda apaixonada pelo Paulinho!

Enquanto eu e a Joana conversávamos com o anjo, a Talita pegou o Paulinho distraído e o agarrou, e depois começou abraçar, beijar, o Paulinho tentava se soltar, mas não conseguia, quanto mais ele tentava se soltar, mais a Talita o agarrava.

– Olha só aquilo, Helena?

– Pode deixar que vou dar um jeito nisso.

Foi então que o anjo colocou a asa feita com penas de galinha pela avó de Joana, pelou sua cesta de flechas, subiu em cima da caramboleira e espalhou um pózinho sobre a cabeça de Talita e depois saiu voando, todo alegre.

– Ei, porque você tá me agarrando, Paulinho? Perguntou a Talita.

– Eu não! Era você que estava me agarrando, Talita!

A Talita se soltou de Paulinho e o empurrou com tanta força que ele caiu em cima da cesta do piquenique, espalhando todas as nossas coisas no chão. No final, nem acabamos fazendo piquenique nenhum, pois a Talita foi embora cheia de raiva do Paulinho, sem saber que tudo aquilo só aconteceu porque o Amor caiu do céu!


Um amor de quatro estações

junho 15, 2018

ROTEIRO DE CURTA METRAGEM

“UM AMOR EM QUATRO ESTAÇÕES”

AUTOR

PAULO SACALDASSY

CENA 1 – SALÃO DE VELÓRIO – INT. DIA.

NO SALÃO, UMA GRANDE CORBELHA COM OS DIZERES: “EU NUNCA TE ESQUECEREI, MEU AMOR! – LUCIANA”. LUCIANA, VESTIDA DE PRETO E ÓCULOS ESCUROS ESTÁ AO LADO DO CAIXÃO DO MARIDO, AMPARADA POR DUAS AMIGAS. ALGUMAS PESSOAS CONVERSAM, ALGUNS RIEM DISCRETAMENTE. LUCIANA CHORA.

LUCIANA

     E Agora? O que eu vou passar da minha vida?

AMIGA 1

     Não pensa nisso agora.

LUCIANA

     Uma vida inteira ao lado dele. Meu amor!

AMIGA 2

     Você precisa ser forte.

AMIGA 1

     O tempo cura.

LUCIANA

     Acho que essa dor nunca vai passar.

O HOMEM SE APROXIMA PARA FECHAR O CAIXÃO. LUCIANA SE DESESPERA E É AMPARADA PELAS AMIGAS. AS PESSOAS ENTRAM NO SALÃO. TODOS REZAM. LUCIANA SE DEITA SOBRE O CAIXÃO.

CENA 2 – RUAS DA CIDADE – EXT. DIA.

SOB UMA CHUVA FINA, DE UM DIA CINZENTO, O CORTEJO LEVANDO O CORPO ARAVESSA A CIDADE ATÉ CHEGAR AO CEMITÉRIO.

CENA 3 – CEMITÉRIO – INT. DIA.

AO LADO DO CARRINHO QUE LEVA O MARIDO, COM A MÃO SOBRE O CAIXÃO, LUCIANA, AMPARADA PELAS AMIGAS, CHORA.

LUCIANA

     Eu te amo, meu amor! Você foi a melhor coisa que me aconteceu! E nunca vou te esquecer.

O CARRINHO COM O CAIXÃO CHEGA NA LÁPIDE. O CAIXÃO É ENTERRADO. LUCIANA JOGA PÉTALAS DE FLORES SOBRE O CAIXÃO. A LÁPIDE É FECHADA. LUCIANA DEIXA O LOCAL AMPARADA PELAS AMIGAS.

LUCIANA

     Agora fiquei só! Sem meu marido, seus os filhos que a gente não pode ter. Sozinha!

AMIGA 1

     A gente vai cuidar de você!

AMIGA 2

     Com o tempo essa dor passa. Você vai ver!

LUCIANA

     Mas dói de mais!

AMIGA 1

     Vai pra casa de praia, descansa um pouco. Vai ser bom pra você.

AMIGA 2

     Se você quiser, vou contigo.

LUCIANA

     Acho que é isso que vou fazer. Preciso sangrar sozinha.

AS TRÊS SEGUEM DE BRAÇOS DADOS ATÉ A SAÍDA DO CEMITÉRIO.

CENA 4 – PRAIA DE UM VILAREJO – EXT. DIA.

RICARDO GUARDA SUAS REDES, SUAS TARRAFAS E SEUS PUÇAS NA PEQUENA EMBARCAÇÃO, A EMPURRA MAR ADENTRO, LIGA O MOTOR, ENTRA E PARTE ATÉ SE PERDER NO HORIZONTE.

CENA 5 – CASA DE PRAIA DE LUCIANA – EXT/INT. DIA.

LUCIANA, VESTIDA DE PRETO, ABRE A PORTA DA FRENTE DA CASA E ENTRA. NO QUARTO, COLOCA A MALA E A BOLSA SOBRE UMA POLTRONA. ABRE AS JANELAS E SE JOGA NA CAMA. ABRAÇA UMAS ALMOFADAS E CHORA.

CENA 6 – BEIRA DO MAR – EXT. DIA.

LUCIANA, COM UMA SAÍDA DE PRAIA ESTÁ NA BEIRA DO MAR. RICARDO CHEGA COM O SEU BARCO. OS DOIS SE OLHAM. LUCIANA ABAIXA A CABEÇA.

RICARDO

     Sube do ocorrido cum seu marido, meus sentimentos!

LUCIANA

Obrigado!

RICARDO

     A senhora que peixe? Tá fresquinho!

LUCIANA

     Hoje não!

RICARDO

     Então tá certo! Quarqué coisa, a sinhora me chama.

RICARDO EMPURRA O BARCO PARA A AREIA. LUCIANA REPARA NOS SEUS MÚSCULOS. RICARDO SORRI PARA LUCIANA. ELA ABAIXA A CABEÇA E ANDA EM DIREÇÃO A ÁGUA.

CENA 7 – VARANDA DA CASA DE PRAIA – EXT. DIA/NOITE.

PASSAGEM DE TEMPO MOSTRANDO AS QUATRO ESTAÇÕES DO ANO. DIA E NOITE. LUCIANA NA VARANDA, ENTRANDO E SAINDO DA CASA. LUCIANA CHORANDO, FELIZ, TRISTE. RICARDO ENTRANDO E VOLTANDO DO MAR. RICARDO OLHANDO LUCIANA, LUCIANA OLHANDO RICARDO. RICARDO TRAZENDO PEIXE PARA LUCIANA. LUCIANA OFERECENDO BOLO PARA RICARDO. RICARDO LHE ENTREGA UMA FLOR. LUCIANA TRISTE. RICARDO ACENANDO AO ENTRAR NO MAR. LUCIANA CHORANDO.

CENA 8 –PRAIA/MAR – EXT. DIA.

LUCIANA ESTÁ MUITO TRISTE, ENTRA NO MAR E AI CADA VEZ MAIS PARA O FUNDO. UMA ONDA A DERRUBA. LUCIANA SE DEBATE EM DESESPERO. RICARDO SE APROXIMA COM O BARCO E SE JOGA NA ÁGUA. RICARDO CARREGA LUCIANA PELOS BRAÇOS ATÉ A AREIA. ELA FAZ RESPIRAÇÃO BOCA A BOCA. LUCIANA ACORDA. RICARDO LHE FAZ CARINHOS NO ROSTO.

CENA 9 – QUARTO DE LUCIANA – INT. NOITE.

NA CAMA, LUCIANA E RICARDO FAZEM AMOR. LUCIANA ESTÁ TOTALMENTE ENTREGUE E FELIZ. DEITA-SE SOBRE O PEITO DE RICARDO APÓS A TRANSA. ELE LHE FAZ CARINHOS.

LUCIANA

     Eu achei que nunca mais seria feliz.

RICARDO

     Eu também!

LUCIANA

     A solidão quase acabou comigo.

RICARDO

     Só não morri por que tinha o mar.

LUCIANA

     Agora você tem a mim e eu tenho você.

LUCIANA SOBE EM CIMA DE RICARDO E COMEÇA A BEIJÁ-LO.

CENA 10 – PRAIA/MAR – EXT.DIA.

LUCIANA, FELIZ, ENTRA NO BARCO DE RICARDO. ELE EMPURRA O BARCO MAR ADENTRO, LIGA O MOTOR E SOBE. LUCIANA DEITA-SE SOBRE AS PERNAS DE RICARDO. O BARCO VAI SE AFASTANDO ATÉ SE PERDER NO HORIZONTE.

– FIM –


PASSAGEIROS

junho 8, 2018

Na vida, tudo passa

Passa a dor do desamor

Passa a vontade de chorar

Passa a sede

Passa a fome

Passa a mentira

Passa a verdade

Passa a desgraça

Passa o momento de graça

Passa a tristeza

Passa a melancolia

Passa a dor de quem se foi

Passa a falta de sorte

Passa também a sorte

Passa o sucesso

Passa o fracasso

Passa a falta de vontade

Passa a coragem

Passa o medo

Passa o problema

Passa a solução do dilema

Passa o quê se viveu

Passa o quê não se quis viver

Passa o quê foi perdido

Passa o quê era amor

Passa quem já foi amigo

Passa o desejo

Passa o lamento

Passa o constrangimento

Passa a arrogância

Passa a generosidade

Passa o quê se perdeu

Passa o quê se ganhou

Passa o quê era para vida inteira

Passa tudo de qualquer maneira

Passa o quê se fez de mau

Passa o quê se fez de bom

Passa a alegria

Passa a felicidade

Passa um dia de sol

Passa um dia de chuva

Passa o calor

Passa o frio

Passa a tempestade

Passa toda bonança

Passa, tudo na vida passa

E um dia, todos nós passaremos

Pois somos passageiros

Estamos de passagem

Ainda que alguns duvidem

Que a vida seja só uma viagem!


Um povo perdido

junho 1, 2018

Está cada vez mais claro o quanto o brasileiro está perdido em meio ao caos que se instalou no país, ninguém mais sabe ao certo para que direção seguir, quem apoiar, o quê pensar, são tantos pedidos insólitos, reivindicações descabidas, posicionamentos sem sentidos, uns querem uma coisa, outros querem outra completamente diferente, a impressão é que, ao ser tirado de sua zona de conforto, o povo se descontrolou e se perdeu.  

Hoje um mar de contradições habita a cabeça de um povo que se desequilibrou por conta dos desmandos e das injustiças cometidas pela classe política e, cada qual julga ter a sua própria solução para que sua vida volte ao normal. As conversas estão cruzadas, as idéias estão cruzadas, os caminhos estão cruzados e o povo passa o dia e a noite batendo cabeça sem saber de onde achar, de novo, o seu caminho para uma convivência sadia com o outro.

O povo clama por mudança, mudança de atitude, mudança dos políticos, mudança da justiça, pede mais ética e mais cidadania, mas ao mesmo tempo, não se furta de se reunir em bandos para saquear lojas e supermercados, para adquirir produtos clandestinamente, de aumentar os preços das coisas, de pagar mais caro pelo preço das coisas, de apoiar uma manifestação e rechaçar uma outra, tem um discurso diferente da prática e que vemos é muita confusão.

O que tudo tem mostrado é que não há mais uma sociedade, não há mais uma unidade de um mesmo povo lutando por um só ideal, por um país único, o que há são pequenos clãs que buscam, isoladamente, saciar suas necessidades mais urgentes, ainda que falte tudo para o seu vizinho. O povo está cada vez mais solitário em meio à multidão que está querendo ir às ruas, sem saber direito o quê pedir, só quer que alguma coisa muda, mais não pensa em mudar.

Quanto tempo ainda aguentaremos esse desencontro de vontades que tomou conta do país? Não dá para saber ao certo o que o povo está querendo, até porque, cada qual tem a sua própria solução e a sua própria opinião para esse momento em que vivemos. A verdade é que ainda há muito sangue nos olhos e muito ódio sendo destilado, com culpas jogadas de lado a lado e para todos os lados, que pode ser que demore muito até que tudo volte ao seu lugar.

Enquanto isso, o quê se vê, é um povo perdido, sem saber como retomar, de novo, ao caminho que lhe leve de volta para a sua velha zona de conforto, aonde possa desfrutar da tranquilidade de uma vida pacata, sem solavancos, sem nada que atrapalhe a sua rotina e sem mais nenhum problema que lhe incomode, mas que continua a vociferar palavras de ordem contra o governo, contra os privilégios dos políticos, contra a carestia das coisas, contra a vida que leva, contra o outro, contra o país…


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