E o futuro escorre pelas mãos

agosto 11, 2017

Estamos vivendo um caos nos últimos tempos, tempos tenebrosos, em que o ego tomou conta do poder e passou a dar as cartas no país. A vaidade e a ganância deram as mãos e dividiram o Brasil, fomentando o ódio e a desgraça, não há, em nenhum dos dois lados, nada, definitivamente, nada, que indique uma saída para a crise em que estamos mergulhados, apenas um jogo de acusações e ofensas pessoais, que, às vezes, chega a beirar ao fascismo.

São jogos de palavras sujas, de lado a lado, que empurram cada vez mais o povo contra o povo, cada qual tentando mostrar que a sua fatia de poder é melhor que a fatia do poder do outro lado, mas, as duas fatias de poder estão putrificadas e exalando o mau cheiro da sujeira que emergiu da lama em que o país está mergulhado. Não há santos, são todos anjos caídos, tentando, a qualquer custo, escapar do inferno em que eles próprios nos meteram.

E o pior, é que fica uma parte do povo, de lado a lado, defendendo os pobres diabos que não têm mais o que nos oferecer de bom, consumiram tudo que havia de melhor do brasileiro, que era a sua esperança no futuro e, agora, o futuro nos escorre pelas mãos. O que essa gente que está na política quer, é apenas livrar a própria alma do purgatório, só que com isso, vai dividindo mais e mais o país, que vai afundando em um buraco que parece não ter mais fim.

Enquanto isso, o tempo passa, velozmente, e ninguém, de um lado ou do outro lado, surge com uma proposta honesta e verdadeira, para resgatar o país deste mar de lama que está enfiado, são discursos demagogos, envelhecidos, com promessas de um herói populista decadente, que já foram desnudados, quando as máscaras de todos caíram, revelando que os egocêntricos que estão na política, querem apenas, a honra e a glória de si mesmo, jamais o bem popular.

De nada adianta o povo cair nas armadilhas que ambos os lados, criam, para tentar nos prender, pois, o que está aí e o que já esteve aí, deram mostrar suficientes de que nunca houve um projeto de governo para o país, e sim, um projeto de se manter no controle, manipular dados e informações, iludir, enganar, se locupletar e, depois, jogar a culpa no bandido adversário, sendo que, o quê nos foi revelado é que somos e sempre fomos, governados por bandidos.

Tudo o que nos aconteceu e que vem nos acontecendo nos últimos anos, precisa ter nos servido de lição de alguma forma, para que possamos, já calejados e vacinados, construir um país melhor, e esta construção passa, primeiramente, por uma renovação completa dos quadros políticos, jogando foram os velhos coronéis, o velho populismo barato, a velha demagogia e os velhos regimes de poder viciados e decadentes que fomentam apenas a desordem do país.

É chegada a hora, do povo, que foi e está sendo insuflado a ter ódio um do outro, deixar de defender este ou aquele lado como sendo o melhor e sim, exigir de quem quer que seja, um projeto real e verdadeiro, que resgate a esperança e tire de vez o país deste lamaçal, hoje, pouco importa se este projeto virá mais a esquerda, mais a direita, ou mais ao centro, o que importa é que ele venha logo, pois o tempo está passando e o futuro está escorrendo pelas mãos.

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Esses políticos não representam o povo

abril 7, 2017

Viver, por si só, já é um ato político e ainda que cada cidadão diga não se interessar por política, ele faz política no seu dia a dia. Agora, dizer que a culpa do que estamos passando com o atual quadro político é culpa do povo, não me parece ser a melhor interpretação. Dizer que o povo não sabe votar é discurso simplista de política partidária derrotada, pois, como culpar o povo que é obrigado a votar e a escolher pessoas que não lhe representam?

Há tempos que esse sistema político que vivemos já não é capaz de produzir representantes do povo, até porque, os políticos que se elegem, estão muito mais interessados em cuidar de suas prioridades, fizeram da política uma profissão, e têm feito de tudo para legislar em causa própria para preservar as suas regalias, além de se locupletarem dos recursos governamentais e transformarem a político em negociatas criminosas.

Agora vejo muitas pessoas, raivosas, com as veias do pescoço empoladas, defendendo este e aquele partido político, este e aquele político, não há a quem defender. Os políticos, todos, sem exceção, já deram motivos suficientes para que ninguém coloque sua mão no fogo por eles, ainda mais sair em defesa deste ou daquele partido, a defesa que eles fazem é para manter seus privilégios e nada mais, o povo é só a parte que os possibilitam a isso.

Todo esse quadro afastou ainda mais o povo da política, que hoje, descrente das intenções de quaisquer políticos, visto que, se viu traído pela última esperança que tinha sobre políticos fazerem política para o povo e não para si, o povo vive uma contradição de comportamento, foi o que apontou uma recente pesquisa realizada pela Fundação Perseu Abramo, mostrando, por exemplo, que ele tem opinião própria e não acredita mais em cartilhas políticas.

Talvez, o que de mais relevante essa pesquisa aponte, além das contradições de pensamento do povo é o quanto os políticos e às políticas, se afastaram da periferia e dos mais desprotegidos. De tanto os políticos cuidarem apenas de seus interesses, o povo foi aprendendo a viver sem a ajuda que os políticos vendem em época de eleição, ao ponto de muitos não os acharem importantes, ainda que muitos reconheçam os benefícios das políticas públicas.

O fato é que não há políticos a se defender e a grande maioria da população já se deu conta disso. De nada adianta marchar a lado do político A ou do político B, como se eles fossem a salvação de tudo, porque não são, nem tão pouco acusar que tudo isso é culpa de uma parte do povo, pois, quem faz essa acusação está se enganando, ou não quer dar o braço a torcer que aquilo que tanto acreditou se corrompeu perante o sistema político atual.

O momento mostra que, mais do que reivindicar a permanência dos direitos, de pedir a saída do Presidente, o mais importante é lutar para que haja uma reforma política, que reduza os partidos políticos e proíba a reeleição em quaisquer níveis de candidatura, bem como a nova candidatura de quem já foi eleito, pois, se continuarmos com o mesmo sistema eleitoral, em que somos obrigados a eleger esses políticos que não nos representam, nada mudará.


A maioria silenciosa

novembro 25, 2016

Hoje o discurso político está dividido em uma briga ideológica entre uma esquerda radical e uma extrema direita, que se acusam mutuamente de propagarem o que ambas tem de semelhante entre si: o desejo por uma ditadura, muito embora os dois lados neguem esse desejo. Só, que está briga entre as duas pontas extremas do regime político, está afastando o discurso da vida real do cidadão, que, desnorteado, tem procurando um discurso mais conservador, a fim de proteger as suas conquistas reais.

As últimas eleições municipais deixaram claro, que existe uma maioria silenciosa, que deu um recado de que algo está muito errado nos discursos políticos, tanto que, na maioria das cidades, os votos nulos, brancos e as abstenções, ultrapassaram a quantidade de votos dos segundos colocados. É preciso encontrar um novo jeito de fazer política, pois a maioria silenciosa deixou explícita que o que tem sido mostrado, não tem nada que a represente. Pouco importa se é direita, ou se é esquerda, nada serve.

Os tempos são outros, as necessidades das pessoas são outras, a maneira de encarar a vida também é outra, mas parece que os radicais de lado a lado estão com os olhos vendados e insistem nos discursos e táticas de ontem para conquistar o cidadão de hoje. Ficam os dois lados extremos discutindo sobre um mundo ideal, que não tem olhos para enxergar que o povo está mais interessado no seu mundo real.

Uma coisa está bem nítida aos olhos mais observadores, as esquerdas estão demonstrando o quanto se afastaram de suas bases, pois, ainda não foram capazes de captar as necessidades e os anseios da maioria da população pobre, que, deste modo, vem sendo seduzida por um discurso, mais moderado, porém, mais conservador à direita, que prega alguns valores, que esta maioria silenciosa entende como necessária e mais eficiente para preservar suas conquistas.

É certo que é preciso lutar para preservar as conquistas da última década, bem como, estar vigilante na defesa dos direitos humanos e na luta constante contra o preconceito racial, a homofobia, a violência contra a mulher, a intolerância religiosa, bem como buscar sempre uma justiça social, mas, o comportamento da sociedade hoje é outro, o poder de compra conquistado, fez desta sociedade, escrava do capitalismo e na hora de pesar entre si e o outro, por certo, vão escolher por aquilo que protegerá mais o seu lado.

Não há como não enxergar que o mundo hoje é individualista, egoísta e, cada qual, quer primeiro o seu bem estar e de sua família, não perder suas conquistas, muito menos abrir mão de seu conforto e de sua independência. As relações humanas são outras, até mesmo a questão de classe social. Não existe mais essa coisa de rico e o pobre com o conceito de antes, o pobre quer ter dinheiro para curtir o melhor da vida, fazer seu churrasco, tomar sua cerveja, não para ficar rico.

E a esquerda ainda não entendeu que o velho modelo do socialismo do século passado, não serve mais para o povo de hoje, muito menos a questão patrão e empregado, pois, não somos mais um país industrial, somos um país agrícola e de pequenos negócios, tanto, que em muitas comunidades, onde seus moradores ficaram desempregados, ao invés de saírem procurando alguma colocação, optaram por se tornarem um empreendedor na própria comunidade.

O conservadorismo sempre esteve à espreita, relaxou um pouco quando se conquistou a liberdade, que alguns confundiram com libertinagem e, agora, com a esquerda não sendo mais a referência que era antes, as pessoas, para preservarem suas conquistas estão comprando o discurso de uma direita moderada, ainda que esta tenha valores distorcidos. Portanto, se os políticos à esquerda não encontrarem um novo jeito de conquistar essa maioria silenciosa, o conservadorismo será um caminho sem volta.


A tristeza do Caboclo

outubro 21, 2016

Outro dia encontrei o meu amigo

É, aquele Caboclo da Capital

Que sempre tem uma novidade

Mas, desta vez quase não o reconheci

Estava por demais, cabisbaixo

Com o quê fizeram com a Sociedade.

Ele não se conformava!

Como podia alguém do povo

Se servir do povo

Para enganar o próprio povo?

Ele, que já tinha visto de tudo

As maiores negociatas

Tudo que era tipo de trapaça

Não conseguia assimilar

Aquela tamanha desgraça.

Dizia ele, indignado:

– Como pode isso, “cumpade”?

Era tristeza de cortar o coração.

Esfregava uma mão na outra.

Cerrava os punhos,

Se pudesse, ele mesmo daria a lição.

Não admitia ver o povo enganado

Ver quem dizia ser do povo

Virar as costas para o povo

Só para não sair do poder.

Não se preocuparam com nada.

Nem com o que “arvera” de vir.

Dizia ele:

– Mataram a esperança do povo!

Os olhos do Caboclo encheram d’água.

Tanta gente desempregada!

Tanta gente endividada!

Tanta gente desesperada!

Tanta gente sem ter mais nada!

Nem a esperança.

E o pior, ainda me disse ele:

– Cavaram, por essas bandas, a desavença.

Agora tem povo contra povo

Numa “brigalhada” sem fim.

Todo mundo quer ter razão.

Mas ninguém tem mais certeza de nada.

Cada um pensa que seu lado dá certo

Só o que está mesmo certo

É que o povo foi enganado de verdade

E não adianta meia dúzia de gatos pingados

Tentar afirmar que nada estava errado.

O Caboclo sabia do sentimento do povo.

Ainda tentei animá-lo:

– As coisas vão mudar, Caboclo!

Sempre mudam. Na vida, tudo passa!

E ele me disse, cheio de decepção:

– Quem sabe, “cumpade!”

– Quem sabe quando a tristeza passar.


Um País sem Educação

outubro 14, 2016

Muito tem se discutido sobre a questão educacional no País, escola sem partido, mudança na grade curricular, não vou entrar no mérito do que seja certo ou errado, o fato é que somos um país sem Educação, pelo menos para sua grande maioria (vide o resultado do último IDEB). O resultado deixa muito claro o quanto é ineficiente a educação pública no país. Mas, porque não avançamos na Educação?

Talvez o grande problema esteja no desacerto entre os entes federativos, Governo Federal, Estado e Município parecem ter opiniões antagônicas sobre o assunto, cada qual quer implantar o seu projeto de educação e quem sofre com isso é a população, principalmente de jovens, que se vê desestimulada a frequentar escolas sucateadas, salas inchadas, professores desestimulados e uma grade curricular ultrapassada. Não há nada na sala de aula que interesse.

O que se tem, hoje em dia, é, muito discurso e pouca ação para mudar o quadro, pois ninguém parece realmente interessado em realizar as mudanças necessárias para fazer com que o jovem tenha uma aprendizagem de verdade. Tomam a Educação para si, como um projeto partidário, que, se for contestado se torna alvo de protestos e críticas. A Educação só vai atingir seu objetivo, quando ela for um projeto de todos e, acima de tudo, apartidário..

Não adianta criarem slogans, já foram muitos, a cada governo e, slogans não transformam a Educação. Enquanto os governos ficarem puxando a sardinha para os seus lados, apontando, cada qual, seu projeto como melhor, mais jovens continuarão sendo privados da Educação. Não se muda nada em um espaço de quatro ou oito anos, principalmente quando falamos de Educação, que está tão longe do ideal em nosso país. Os números mostram o quanto a falta de Gestão na Educação acentua a desigualdade.

A verdade é que, enquanto os governantes não deixarem as suas vaidades de lado e continuarem a não enxergar a Educação como uma prioridade nacional, não haverá projeto capaz de fazer uma transformação na Educação do país. Só a união de todos, em torno de um projeto para ser realizado a longo prazo, sem quaisquer chancelas partidárias, será capaz de fazer com que o país deixe de ser um País sem Educação.


A reforma que o País precisa

setembro 16, 2016

Vivemos um estado de caos, parece que chegamos ao fim do poço e estamos vivendo o que já dizia o velho ditado: “se correr o bicho pega, se ficar o bicho come”. Uma situação extrema que colocou o país em uma encruzilhada que vem dividindo a opinião da população com uma briga sem lógica, que busca defender o indefensável, pois não existe o menos bandido, todos se mostram bandidos de várias facções cometendo o mesmo crime, o de lesar o povo.

Todos nós estamos atordoados com tanta pancada que levamos nos últimos tempos, por isso, podemos saber até o quê defender, mas não temos a quem defender; até mesmo o pedido por Direta já, que à primeira vista seria uma solução para abrandar os nervos de lado a lado, nos coloca no centro da mesma encruzilhada. Diretas já para eleger quem? De nada nos ajudará trocar o bandido da facção, o que precisamos é mais profundo.

Precisamos sair às ruas, não para defender aqueles que julgamos serem os menos bandidos, mesmo porque, bandido é bandido e ponto. O que precisamos é de uma mobilização que lute por uma profunda reforma política, com a diminuição drástica do número de partidos políticos, a proibição de coligações partidárias, o continuísmo de políticos profissionais e o fim da reeleição tanto para os cargos majoritários como para vereadores, deputados e senadores.

Já está mais do que provado que o nosso sistema político partidário se exauriu diante de tantas maracutaias, conchavos e negociatas, que serviram apenas para que os políticos melhorassem suas condições financeiras como benesses escusas. De nada adianta brigarmos por este ou por aquele político, pouco importa quem seja o eleito, o sistema vai engoli-lo antes mesmo da metade de seu primeiro mandato e ele virará a costas para o povo. Cedo ou tarde, todos viram.

Não existe boa vontade, nem cidadão de bem, que consiga mudar uma vírgula diante do quadro político em que vivemos, pois, se começar a atrapalhar demais a engrenagem do sistema, o sistema tratará de jogá-lo para fora na primeira oportunidade. Enquanto não houver uma reforma política, de fato, no País, pessoas serão presas, pessoas ficarão feridas, pessoas se tornarão inimigas, mas nada sairá do lugar.

E de nada adianta a esquerda acusar os bandidos da direta e vice-versa, o sistema político se tornou uma confraria de ladrões de colarinhos brancos, de lado a lado, todos tem seus pecados e não pode haver lucidez na defesa deste ou daquele partido político, todos estão contra o povo, não podemos nos iludir que algum deles pense ao contrário, ou não queremos uma mudança de fato, queremos apenas os bandidos do nosso lado no poder.

Talvez fosse mais sensato que aproveitássemos essa chama inflamada que contagiou os dois lados da atual disputa política, para buscarmos a mobilização daquilo que realmente nos importa, que é uma reforma política, ampla, geral e irrestrita, uma reforma que expurgue todos esses cancros que querem apenas se locupletar com o dinheiro público. Enquanto isso não acontecer, não adianta a vontade do povo, muito menos Diretas já, que nada vai mudar.


O jovem revolucionário

agosto 12, 2016

Pedrinho era o típico jovem de classe média que nunca teve do que reclamar da vida, um adolescente despreocupado que passava os dias na casa da avó jogando vídeo game on-line com seus amigos virtuais, pois, seus pais trabalhavam demais para sustentar as benesses que ele desfrutava e nem dava à mínima. A alienação era o seu sobrenome e a preguiça a sua companheira.

Certo dia, Pedrinho conheceu uma galerinha nas redes sociais que lhe convidou para um evento, resolveu acompanhá-los na sua primeira manifestação política. Aquilo para ele pareceu ser uma grande festa. Muitas meninas bonitas, uma enxurrada de curtidas nas fotos de seu perfil, Pedrinho gostou muito de toda aquela popularidade. Virou um manifestante oficial.

Aos poucos, aquilo que parecia ser uma brincadeira de jovens de classe média querendo se rebelar contra o capitalismo de quem pagava as suas contas, foi ganhando outros contornos na cabeça de Pedrinho. Aquilo era mais sério do que ele imaginou na primeira vez que saiu para curtir uma manifestação como quem sai para curtir uma balada.

Pedrinho era um jovem que, apesar de desdenhar do conforto que desfrutava, foi capaz de absorver o que o dinheiro dos seus pais pode lhe comprar. Estudante de escola particular, Pedrinho já falava inglês e espanhol fluentemente e não demorou muito para chamar a atenção com suas ideias. Os amigos da primeira vez deixaram as passeatas assim que começaram a tomar as primeiras borrachadas da polícia. As coisas na rua não são brincadeira de criança.

Pedrinho tinha virado um revolucionário, discutia com seus pais conceitos de políticas e de regimes de governo, economia e desigualdade social, mas não criticava os pais, que, para ele, haviam se tornado escravos do capitalismo, o mesmo capitalismo que ainda sustentava os seus quereres de pequeno burguês. Mas como viver sem o Capital? Pedrinho começou a viver um conflito de identidade muito grande. Queria a mudança, mas como fazê-la?

Pedrinho, que a essa altura já era conhecido como Pedrinho Caviar pelos seus amigos, tinha certeza que uma mudança de verdade, que refletisse em justiça social, passava por uma transformação que ia muito mais além dos protestos com quebra-quebra de bens públicos, ou com a truculência e violência de uma desobediência civil. Aliás, para ele, alguns revolucionários que se enfileiravam ao seu lado nas manifestações, não passavam de jovens mimados, querendo que as coisas mudassem simplesmente porque que eles queriam que elas mudassem.

Aos poucos, Pedrinho foi se afastando das ruas, não havia nascido para tomar borrachadas e nem receber borrifadas de spray de pimenta. Manifestações chamam a atenção, mais de fato, mudam muito pouco na vida das pessoas. Percebeu que muitas pessoas de baixo poder aquisitivo, são avessas a essas badernas. Percebeu também que o trabalhador não respeita o manifestante que fecha o caminho do seu trabalho. A revolução teria de vir de outro lugar.

Protestar não pode ser apenas um ato de sair às ruas pedindo por mudanças, precisa ser algo mais profundo, tem que revolucionar a pessoa, tem que vir de dentro para fora e não ao contrário. Ninguém muda só porque o outro quer que ele mude, é preciso convencer de como mudar pode ser bom. Palavras de ordem causam mais desordem que conversas ao pé do ouvido, que são capazes de abalar estruturas internas de qualquer pessoa.

Pedrinho então decidiu pegar firme nos livros, deixou o engajamento partidário com que namorava desde os tempos das ruas, doou o seu vídeo game para a comunidade que se avizinha ao prédio de sua avó, e agora se prepara diariamente para entrar na faculdade. Ainda está em dúvida que carreira seguir, relações internacionais, sociologia ou jornalismo, mas a única certeza que Pedrinho tem, é que é um revolucionário e vai buscar a justiça social e igualdade com as melhores armas que ele puder arrumar.


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