Rei Amigo!?

abril 20, 2017

Havia um reino não muito distante, em que as belezas naturais encantavam, seu povo era alegre e festeiro e que era governado por um Rei Fanfarrão, que gostava de contar vantagens, falar bravatas, tomar umas cachaças e fazia questão de demonstrar que, como nascera plebeu, mantinha-se como um plebeu, mesmo apesar da posição que ocupava. Uma parte do povo sempre torceu o nariz para ele, mas a maior o idolatrava. Era o Rei Amigo!

Um dia, o Rei saiu do poder, pois naquele lugar os Reis não eram eternos, mas, popular com nenhum outro, conseguiu colocar em seu lugar, uma companheira de batalhas. No começo, ainda que ressabiado, o povo a acolheu e ela governava com certa paz. Só que surgiram boatos e conversas nos corredores dos porões do palácio do envolvimento do antigo Rei em atos ilícitos, de que o Rei não passava de um bom vivant e que cobrava benesses de apoiadores do governo.

O clima ficou muito tenso naquele reino e o então Grão Vizir, até aquele momento aliado da companheira do antigo Rei, tratou de tirá-la do poder e assumir o posto de Rei, na tentativa de abafar os escândalos que respingavam em todos daquele governo. O reino ficou abalado e o povo dividido, uma parte apostava que o antigo Rei era o chefe daquela roubalheira, já a outra parte, o apoiava, incondicionalmente. A prisão dos investidores do reino, trouxer à tona, toda farsa.

E a toda hora chegavam mais informações de quanto aquele reino estava empesteado de corrupção em todos os seus poderes. Com as denúncias e as prisões dos responsáveis pela empresa que financiava as falcatruas, o cerco foi se fechando em torno do antigo Rei e todos os companheiros que formaram os seus governos. O Rei amigo havia se tornado o inimigo número um de uma boa parte do povo daquele reino.

Mas, fanfarrão como ele só, o antigo Rei se esquivava das acusações de envolvimento de enriquecimento ilícito e de comandar a corrupção daquele reino, argumentando que entrou no poder sem nada e saiu sem nada; que a casa em que habitava, era de um amigo, a estância em que buscava refúgio, era de um amigo, o chatô à beira mar, era de um amigo e, com isso, o velho Rei tentava iludir o povo, uns tinha a certeza absoluta de sua culpa, enquanto outros não duvidavam das palavras de seu Rei.

O tempo foi passando e os juízes daquele reino conseguiram fazer com que os empresários corruptos que compraram o reino, resolvessem abrir a boca e entregar provas do esquema de corrupção, em troca do abrandamento de suas penas. Entre as provas e os testemunhos, surgiu uma lista com alcunhas que escondiam os seus verdadeiros donos e uma delas, em especial, cuja denominação era amigo, era apontada como a usada para identificar o antigo Rei.

Era mesmo um fanfarrão aquele Rei, usava a própria alcunha com a qual era chamado pelos seus parceiros de corrupção, para se safar das acusações de crimes e da pena de não poder jamais retornar ao poder daquele reino. Uma parte do povo não tinha mais dúvidas que o antigo Rei não passava de um larápio da pior espécie, um enganador que se dizia plebeu, mas que enriqueceu de forma ilegal, mas, uma outra parte acreditava que tudo não passava de uma perseguição desleal contra aquele que fora o maior Rei daquele lugar.

Mas, a única certeza que todos tinham naquele lugar, que o antigo Rei era de fato o amigo, para uns, um velho amigo do peito, mas para a maioria, um verdadeiro amigo da onça.


O Amor e a Paz

abril 13, 2017

A raiva e o ódio uniram forças

E de tanto infernizarem

Contaminaram as almas para guerra

E agora, sobre a Terra

Só se vê violência

Nem mesmo a inocência da criança

É capaz de sair ilesa

E assim, sem defesa

Agarramo-nos em oração

Espero que nada nos aconteça

Torcendo para que a esperança

Em uma nova alvorada, amanheça

Sob as bênçãos do amor e da paz


EM NOME DO PAI

março 17, 2017

EM NOME DO PAI, DO FILHO

DO ESPÍRITO SANTO ATEU

DE UM LADO TEM UM ÁRABE

DO OUTRO UM JUDEU

A TERRA É SANTA

A GUERRA E TANTA

A FÉ É DEMAIS

MAS QUEM TEM RAZÃO?

QUEM VAI ENXUGAR

AS LÁGRIMAS DE SANGUE

DA MÃE QUE CHORA

AO VER SEU FILHO EXPLODIR

EM NOME DO PAI?

EM NOME DE DEUS?

EM NOME DE ALÁ?

EM NOME DE ALGUÉM?

 

SEJA LÁ QUAL FOR

ALÁ, BUDA OU MAOMÉ

DEUS PAI, MESSIAS, OXALÁ

A VIDA VALE MAIS QUE A FÉ

QUE MANDA MATAR

OS FILHOS DA TERRA SANTA

EM NOME DO PAI!

EM NOME DE DEUS!

EM NOME DE ALÁ1

EM NOME DE ALGUÉM!

MAS QUEM TEM RAZÃO?

QUEM VAI SE IMPORTAR

COM AS LÁGRIMAS DE SANGUE

DAS MÃES QUE CHORAM

PELA TELA DA TELEVISÃO?


O Julgamento

março 10, 2017

Havia um país tropical, onde existia um povo alegre e festivo, um povo que levava tudo na esportiva e gostava de brincar, tanto que era muito admirado por outros povos, exatamente por aquela alegria contagiante. Não havia quem não visitasse aquele país, que não saia de lá encantado com o seu povo e com uma imensa vontade de voltar.

Mas, acontece que aquele país festivo, foi acometido por uma grave síndrome: a síndrome da razão absoluta. Não se sabe bem ao certo em que momento a praga acometeu aquele povo, só se sabe que ela vem se alastrando cada vez mais através de uma ferramenta que eles chamam de rede social e, cada vez mais, os habitantes daquele lugar estavam se achando cheios de razão.

Agora, infestado de razão absoluta, os habitantes daquele tal país tropical, se acham poderosos, ao ponto de julgar qualquer atitude que esteja em desacordo no que eles pensam ser certo. Não querem nem saber quais foram os motivos, os mal feitores são sumariamente julgados e condenados pelos seus atos e expostos à opinião público como animais perversos.

O clima que exalava naquele país, era um clima guerra, era como se todos possuíssem um fósforo e uma garrafa de álcool que, ao primeiro instante, seria derramado sobre aquele que ferisse a lei e a conduta daquele povo acometido da síndrome da razão absoluta. Eles tinham sempre razão, julgavam, condenavam e expunham ao linchamento nacional, qualquer um.

Aquele país que era tão alegre, hoje tem uma feição taciturna, onde o ódio é a palavra de ordem e condenar e a sentença final. Todos lá, ao primeiro e único julgamento, são considerados bandidos, todos são considerados corruptos, todos são considerados machistas, todos são considerados homofóbicos, todos estão contra todos e todos se julgam.

A palavra de ordem naquele país passou a ser: ataque. Ataque primeiro a honra do habitante, depois ele que se vire para reconstruir a sua vida, reconquistar o que perdeu pelo julgamento equivocado da população, porque, uma coisa que aquele povo acometido da síndrome da razão absoluta em estágio bem avançado, não fazia nunca, era pedir desculpa por seu julgamento precipitado.

Realmente foi uma pena aquilo que aconteceu com aquele país tropical. Mas, parece, que meio chateado com o alastramento da praga que contaminou o povo daquele lugar, Deus está pensando em descer a Terra para fazer uma visita e convocar cada qual para o seu juízo final. A última notícia que se teve sobre aquele país, é que a maioria do seu povo tem passado os dias ajoelhados, pedindo perdão para tentar salvar a sua pele.


O amor riscado a faca

fevereiro 17, 2017

Romeu, o filho caçula de Dona Ernestina era a última esperança de conquista de uma vida melhor, deixou sua cidade, Cafundó dos Judas, no agreste nordestino, para tentar a sorte no Sudeste. Tímido, se espantou quando desceu do ônibus na rodoviária e não demorou muito para conhecer como é viver em uma cidade grande. Romeu teve sua mala levada sem nem ver por quem.

Romeu está determinado e isso não lhe foi empecilho, saiu a caça de uma emprego e um lugar para ficar, conseguiu na construção de um enorme Shopping Center que estava sendo erguido bem em frente da Favela do Mangue. Teve sorte, pois na obra tinha alojamento e ele teve um lugar para ficar.

Romeu trabalha de sol a sol, era pau para toda obra e logo o Mestre de obra da construção, lhe elevou da condição de servente, para condição de pedreiro. Com isso, o dinheiro aumentou e Romeu se animou ainda mais em trabalhar sem parar. Tinha vindo com um único objetivo, enriquecer para dar uma velhice confortável para sua mãe.

Mas, a vida tem suas surpresas e ainda que a gente saiba direitinho aquilo que se quer, não conseguimos colocar em prática do jeito que a gente planejou. A vida tem seus mistérios e nunca saberemos o que nos vai acontecer enquanto estivermos por aqui. E os planos de Romeu começaram a mudar de rumo.

Julieta era a filha mais velha de Dona Umbelinda, que criava os cinco filhos com as diárias das faxinas que fazia nos escritórios comerciais da redondeza, fazia de todo para fazer de Julieta uma doutora. Provocante e maliciosa, mal sabia a mãe que sua filha era a alegria dos homens da favela. Gostava de funk e já era conhecida como Julieta Maçaneta.

Julieta gostava daquilo, gostava de se entregar para os homens e de tudo que aquilo lhe proporcionava, muito presentinhos caros, muita bebida importada, muita ostentação. Sua mãe estranhava tanta roupa nova, tanto perfume caro, mas Julieta lhe contava que era presente que ela ganhava de seus fãs nos bailes funks que se apresentava.

Julieta ganhou logo fama e sua disposição para o sexo e ostentação, chegou logo aos ouvidos do “Patrão” da favela, que fez dele a sua favorita. Deixou de se deitar com qualquer, mas, por outro lado viu o luxo entrar de vez na sua vida. Julieta tinha o que queria com o “Patrão”.

Mas, a vida tem suas surpresas, não é mesmo? Parece que o nosso destino já está traçado e mesmo que a gente se perca no meio do caminho, a vida se encarrega de nos colocar novamente no trilho, ainda que a gente não saiba até onde a estrada vai nos levar. E a vida de Julieta começou a mudar de rumo.

Em um dos raros momentos em que se permitia uma distração, Romeu resolveu ir até o baile funk da Favela do Mangue em frente à obra que trabalhava. Pediu logo uma garrafa de uísque e ficou com os olhos vidrados naquela mulher com jeito de menina que rebola e descia até o chão, provocante. E, o mais excitante é que aquela mulher descia e rebolava olhando para ele. Julieta sabia seduzir.

Passado mais de uma semana e Julieta não conseguia tirar da sua cabeça a imagem daquele homem que seus olhos grudaram no último baile funk. Julieta ficou estranha, começou a evitar as investidas do “Patrão” que, para se satisfazer, começou a lhe estuprar noite sim, noite não. Julieta só chorava.

Romeu quase sofreu um acidente na obra, imaginando aquela mulher com jeito de menina, rebolando para ele, nua, em sua cama. Decidiu ir à favela atrás daquela menina mulher que não sai de sua cabeça. Quando chegou à frente da entrada da favela, não conseguiu entrar, a polícia estava invadindo, muito tiroteio, muita correria, e ele preferiu voltar para obra.

A vida então deu uma mão para Romeu e Julieta. Ao entrar na favela, a polícia matou o “patrão”, com isso, Julieta pode se livrar das ameaças e dos estupros que estava sofrendo e voltou para casa de sua mãe. Voltou decidida a mudar de vida e falou para sua mãe que voltaria estudar. Que felicidade, Dona Umbelinda sentiu naquele momento.

Romeu não acreditou quando viu aquela mulher com jeito de menina em frente à oba esperando o ônibus, esqueceu a timidez e o trabalho e foi ao seu encontro. Não foi precisou nenhuma palavra, os dois se beijaram ali mesmo e à noite, Julieta já estava na cama de Romeu. Romeu viveu uma noite de sonhos.

Os dois não desgrudavam mais, dia e noite, noite e dia, Romeu e Julieta juntos. Ela estudando de verdade, ele trabalhando mais ainda, já faziam planos de casar e ter um monte de filhos. Julieta deixou o funk e apagava o seu fogo em noites quentes com Romeu. Romeu era uma felicidade só, Julieta, então, nunca se sentiu tão feliz. Romeu lhe cobria de presentes e mimos.

Só que o quê está destinado a nós, chega até nós de qualquer maneira. E em uma noite de festa para comemorar o fim da construção do Shopping, as vidas de Romeu e Julieta encontraram o seu destino. Muita bebida e não demorou muito para Julieta, de pileque, dançar maliciosamente provocante, um funk, deixando os homens da obra todos excitados. Romeu tentou impedir Julieta, que não lhe deu ouvido. Romeu, desiludido, caiu na bebedeira.

A festa rolava, Romeu bebia e Julieta, no alojamento, transava com cada um daqueles homens. Já amanhecia quando o último homem deixou o alojamento. Julieta, exausta, nua, dormia de cansada. Romeu entrou no alojamento, tirou da bainha uma faca e cravou no peito de Julieta, depois ainda cortou os bicos de seus seios, riscou o seu rosto e rasgou sua vagina.

Romeu deitou-se ao lado de Julieta e dormiu.


Amanhã eu faço

janeiro 20, 2017

Amanhã eu faço diferente,

Vou ter mais coragem,

Vou sair na minha zona de conforto

Vou arriscar tudo pelo sonho

 

Amanhã eu faço diferente

Vou dizer o quanto amo

Vou buscar ter tolerância

Vou encontrar tempo pra tudo

 

Amanhã eu faço diferente

Vou pedir todas as desculpas

Vou mostrar arrependimentos

Vou agradecer por tudo

 

Amanhã eu faço diferente

Vou mudar meu comportamento

Vou jogar o que não me serve

Vou tratar de cuidar do que me faz feliz

 

Amanhã eu faço diferente

Amanhã vai ser como sonhei

Amanhã sempre passa

E eu nada faço nada

Mas, amanhã eu vou fazer tudo,

Sem falta!


Se aquela bola tivesse entrado

dezembro 2, 2016

Ah, se aquela bola tivesse entrado…

Talvez houvesse uma grande frustração em toda a equipe, em toda aquela cidade, em toda aquela torcida que encheu o estádio. Um misto de tristeza com decepção. Mas a vida continuaria…

Ah, se aquela bola tivesse entrado…

Talvez aquele tivesse sido apenas mais um jogo, mais uma partida perdida como tantas outras, pois ganhar e perder faz parte do jogo. Mas a vida continuaria…

Ah, se aquela bola tivesse entrado…

Talvez muitos daqueles jogadores fossem considerados guerreiros, ainda que tivessem críticas dos jornalistas esportivos pela derrota, pois é assim, futebol é passional. Mas a vida continuaria…

Ah, se aquela bola tivesse entrado…

Talvez os jogadores estivessem comemorando a boa fase, ainda que a derrota pudesse ter adiado planos grandiosos, pois nem todos os sonhos são possíveis na hora em que se quer. Mas a vida continuaria…

Ah, se aquela bola tivesse entrado…

Talvez uma cidade, um país, um continente, o mundo inteiro, não tivesse acordado com uma notícia tão triste, pois não haveria viagem, não haveria avião, um acidente que interrompeu tudo. Mas a vida continuaria…

Ah, se aquela bola tivesse entrado…

Talvez não soubéssemos o quanto o ser humano ainda pode ser, sim, solidário, como é possível, sim, doar amor a quem teve a alma dilacerada por uma tragédia.  Mas a vida continuaria…

Ah, se aquela bola tivesse entrado…

Talvez não sofrêssemos tanto, não ficássemos tão tristes, mas também não conheceríamos um sofrimento tão grande que acometeu todo mundo, e nem descobrisse que ainda é possível acalentar a dor de quem ficou sem chão, quem perdeu tudo. Mas a vida continuaria…

Ah, se aquela bola tivesse entrado.

Talvez não conhecêssemos a generosidade de um time estrangeiro, de uma cidade estrangeira, de um país estrangeiro, de um povo estrangeiro, que chorou a dor dos nossos como se fossem deles. Uma demonstração plena de amor. Mas a vida continuaria…

Ah, se aquela bola tivesse entrado…

Talvez as coisas continuassem as mesmas, um futebol violento, um mundo de fronteiras hostis, mas aquela bola não entrou e mudou tudo, foram-se jogadores, jornalistas, pessoas normais, nasceram heróis. E apesar de toda a dor desta grande perda que corta e sangra o coração de todos, vimos que ainda há esperança na humanidade. Pois, a vida continua…


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