Quando o dever de passar valores já deu errado

junho 9, 2017

Já houve um tempo, não muito distante deste em que vivemos hoje, que uma frase era emblemática: “O trabalho dignifica o homem!” Qual trabalho? Qualquer um! O digno para sociedade daqueles tempos era que a pessoa tivesse um trabalho honesto, isso já o dignificava como um grande homem, mas, com a polêmica dos estudantes de duas escolas particulares, ficou claro que, para parte da sociedade, só alguns trabalham dignificam o homem.

É, em algum momento da história da nossa sociedade, a tarefa de repassar o que são valores, para as futuras gerações, se perdeu no caminho, talvez no caminho em que a sociedade preferiu seguir, o caminho em que ter poder, posição social, dinheiro, glamour, se tornou mais importante do que ter um emprego digno que gere condições necessárias e suficientes para que o homem possa cuidar de sua família e viver sua vida.

Não acho que a importância dada à meritocracia seja algo responsável para essa situação de desmerecimento de algumas profissões, até porque, querer crescer em qualquer profissão por mérito, é bem mais gratificante do que subir à custa de apadrinhamentos; um auxiliar de limpezas pode por mérito alcançar a condição de porteiro e este a condição de zelador, assim como um office boy poder galgar o cargo de diretor de uma empresa. Isso tudo é digno.

O mérito está ligado a quanto você se dedica para crescer profissionalmente, e não a apadrinhamentos, oportunidades aparecem para todos, pois, afinal, quem não quer vencer na vida? Agora, o problema que aconteceu com os estudantes, tem a ver com o repasse de valores, do que seja digno e honesto, do que seja ético e moral, a profissão que você ocupa, o trabalho que você executa nada tem a ver com o ser humano que você é, ou que vai se tornar.

Qualificar esta ou aquela profissão como a que coloca alguém na esteira do sucesso, é sinal de uma sociedade perdida na sua essência, pois já se vê mais capaz de passar para suas futuras gerações, a honestidade, a dignidade, a simplicidade e a necessidade que cada profissão tem para que esta sociedade funcione como um grupo, em que todos têm seus deveres e seus direitos e que, cada um, tem o seu devido valor, para que todos possam ser felizes.

Mas, também, todos nós temos culpa deste cenário, fazemos parte desta mesma sociedade que está doente, todos estamos, pois também contribuímos para que esta sociedade se tornasse individualista, mesquinha, frívola, interesseira, uma sociedade onde temos que mostrar o quanto temos, para que outros nos invejem o quanto somos felizes. O momento é de consciência e não apenas de indignação, ou busquemos repassar os verdadeiros valores de ser um Ser humano, ou sofreremos juntos do mesmo mal, e sabe-se lá por quanto tempo.


Por uma Escola que ensine a respeitar

julho 29, 2016

Longe de querer entrar na discussão sobre Escola sem partido, mesmo porque, para mim, uma escola não deve privilegiar nenhuma ideologia partidária, nem tão pouco, nenhuma doutrina religiosa, o que deveria estar em pauta é a fomentação de uma Escola que ensinasse a respeitar as opiniões distintas, as diversidades, as ideologias partidárias, as doutrinas religiosas, as classes sociais e, acima de tudo, a individualidade de cada ser humano.

A função da Escola não é a de defender essa ou aquela ideologia, muito menos ser de esquerda ou de direita, a função da Escola é abrir o horizonte de possibilidades e dar as ferramentas necessárias para que cada aluno seja capaz de formar o seu pensamento crítico a cerca de qualquer assunto, reunindo condições para desenvolver o discernimento e decidir de acordo com as convicções que ele formou sobre tudo o que lhe foi mostrado.

Não se forma um cidadão pleno, possuidor de seus direitos inabaláveis, capaz de lutar pelo acredita, ocultando informações ou situações e acontecimentos, pra dar a esse ou aquele, uma visão equivocada do que realmente aconteceu. Nenhuma escola, enquanto instituição responsável pela formação dos jovens, tem o direito de forjar fatos para que o conhecimento só atenda um lado da verdade, mesmo porque já é sabido que toda história tem três lados.

Enquanto o destino das Escolas, permanecer em níveis que busquem atender esse ou aquele lado da corda, continuaremos a muitos anos luz de ter uma população que reúna às condições suficientes para decidir os melhores caminhos a seguir. A Escola não é um lugar de uma única opinião, de um único ponto de vista, também não pode ser um lugar de uma única ideologia, ou de uma única doutrina. Uma Escola é e deve ser sempre plural.

E a questão está justamente aí, querer fazer da Escola um lugar monocórdio, que grite em uníssono o mesmo mantra, é caminhar para trás, é retroceder nos avanços conquistados por trabalhos árduos de grandes educadores. Enquanto este for o pensamento de quem pensa o que seja uma Escola, continuaremos formando uma massa de analfabetos funcionais, papagaios repetidores de velhas teorias ultrapassadas, que já se mostraram incapazes de fazer uma grande revolução na Educação como se deseja.

Por isso, já passou da hora de pensar a Escola como ela deve ser pensada, um lugar de conhecimento pleno, aberto a discussão, sem pender para este ou aquele lado. Acima de tudo, já passou da hora de fazer da Escola um espaço de se aprender a respeitar e não um lugar de se induzir o quê respeitar. E nenhuma ideologia partidária ou doutrina religiosa é dona do melhor caminho a se seguir. A Escola deve ser o espaço onde a liberdade de escolha e o respeito, sejam a maior bandeira.


Jogando contra a Educação

outubro 9, 2015

Dia após dia a questão da Educação vem sendo deixada de lado, ainda que o discurso dos governantes tente nos fazer parecer justamente o contrário. Mas é nítida a desimportância que os chefes dos executivos de todas as esferas da Federação e de seus pares, dão ao tema, vide o exemplo da destituição do Ministro da Educação, um professor renomado é tirado para que se colocar em seu lugar, um companheiro partidário para atender conchavos políticos.

Já não fosse isso por si só, um descalabro, em qualquer país sério que pense a Educação com a sua devida importância e com a prioridade que o assunto merece, ainda vemos, por exemplo, o governo de São Paulo e seus pares responsáveis pela Educação no Estado, aplicar gestões equivocadas como: fechar escolas, inchar classes de aulas e deixar os alunos sem quaisquer condições mínimas de absorver qualquer tipo de conhecimento.

Diante de tudo que temos visto em termos de benefício para a Educação, o que está bem claro e fácil de notar, é que o discurso propagado por quem diz cuidar da Educação em nosso país, não passa de um monte de falácias e bravatas demagógicas, que buscam iludir a população com promessas de que se está investindo fortemente na Educação. Mas a quem eles pensam que enganam? A eles mesmos, pois estão forjando um país de analfabetos funcionais.

E é simples verificar este quadro caótico no sistema educacional do país, qualquer professor que está em sala de aula, sabe muito bem a dificuldade que é não ter ninguém que dê a devida importância para questão da Educação. Ainda que tomemos conhecimento de várias histórias, de tantos professores, que fazem mais do que o possível ser feito, essas são ações pontuais que, dificilmente, alcançarão o status de referência educacional.

Depois não adianta nada querer resolver a questão social do menor infrator, com a Educação. É o mesmo que vender pente para careca! O governo mal cumpre o que diz a Constituição Brasileira sobre a Educação, suas funções e os objetivos a serem alcançados e ainda quer usar uma Educação capenga para resolver o seu descaso social? Hoje, para os governantes, o que importa é ter criança na escola e não criança aprendendo.

O pior de tudo, é que entra ano e sai ano, formam-se pedagogos, mestres em Educação fazem novos estudos, tentam novas iniciativas, buscam outras saídas para melhorar a questão da Educação, mas nada sai do lugar. Por quê? Porque nenhum governante quer de fato fazer da Educação à mola propulsora e transformadora deste país. Pátria Educadora fica bonita no slogan publicitário, porque nas salas de aula a realidade é bem diferente.

Enquanto isso, quem realmente acredita que a Educação faz e pode fazer a diferença, vai semeando suas pequenas sementes, na esperança de um dia ver florescer diante dos olhos, uma Nação verdadeiramente educadora, forte e revigorada, onde povo dê o devido valor ao ensino e se torne também, decidido e capaz de repelir quaisquer governantes que se atrevam a entrar em campo para jogar contra a Educação.


Minha viagem à Lua

janeiro 16, 2015

Aposto que vocês nunca tiveram uma aventura igual a essa! Nunca pensei que fosse conhecer a Lua bem de pertinho. Vocês duvidam? Vou contar tudinho pra vocês.

O ano passado, a professora levou a gente para fazer um passeio bem legal e divertido. Eu e toda a turma, e a minha amiga Joana, que também é da minha classe, fomos visitar o planetário. Acho que vocês deveriam pedir para escola de vocês levarem vocês pra conhecer, aposto que todo mundo vai gostar!

Chegamos bem cedinho na escola, todo mundo com a cara de sono e, mesmo antes do ônibus sair, estava aquela bagunça, os meninos, como sempre, foram todos para o fundo do ônibus pra aprontar. Eu, fui sentar do lado da Joana.

– Joana, dessa fez eu vou na janelinha!

– Mas, não volta, quem vem sou eu, ta?

Lá fora, esperando o ônibus sair, estava a minha mãe e a da Joana. Elas não paravam de dar tchau pra gente. Pagamos o maior mico.

– Olha lá, Pedrinho! A mamãezinha da Helena veio dá tchauzinho pra ela! Gritou lá do fundo do ônibus o Fernando.

– E a da Joana também, Pedrinho!

– Fica quieto, Fernando! Gritei de volta.

– A tua mãe também ta lá fora, viu, Pedrinho! Gritou a Joana.

Mas os meninos ficaram o tempo todo enchendo a minha paciência e a da Joana até o ônibus sair e só pararam quando a professora foi no lá no fundão dar uma bronca neles.

Quando o ônibus saiu, foi á maior festa e depois da viagem demorar um tempão, chegamos ao planetário, foi outra festa. Antes mesmo da professora organizar a fila pra gente entrar, eu peguei a Joana e saímos correndo lá pra dentro do planetário. Eu já tinha ido lá com meu pai, sabia muito bem onde estava o que eu queria ver.

– Helena, a professora vai dar a maior bronca na gente.

– Depois a gente fala que se perdeu. Vem, Joana, vem que eu quero te mostrar uma coisa.

Fui direto com a Joana para sala daquele telescópio enorme, queria ver todos os planetas primeiro, antes de toda a turma, porque senão, ia ficar aquela fila e eu não ia conseguir ver tudo direito.

– Deixa eu ver, Helena!

– Calma, Joana, estou vendo!

E eu fiquei ali, vendo tudo, até que vi a Lua, redonda, cheia de buracos enormes! Pareciam até pequenas cavernas.

– Caracá, Joana! Tu não vai acreditar! Tô viajando na lua!

– Deixa eu ver, Helena!

– Ela é linda! Tem um monte de buracos! Mas ela não parece tão branca quando a gente vê no céu.

– Vai, Helena, deixa eu ver!

– Espera, Joana!

– Daqui a pouco a turma toda chega e eu não vou ver nada.

E eu fiquei ali, viajando pela lua. Vi até a pegada do homem que pisou na lua que nem a gente aprendeu na lição. Nem vi quando a Joana saiu e me deixou sozinha. Ela desistiu e foi se encontrar com a turma.

Pra falar a verdade, o que me interessava mesmo era ficar lá, olhando a lua bem de pertinho. Viajei pedacinho por pedacinho, só não encontrei o São Jorge. Vovó sempre diz que São Jorge mora na lua, mas eu não vi nenhum santo, muito menos o dragão com quem ele vive lutando. Preciso falar pra vovó que São Jorge não mora na lua.

Mas quando a professora chegou com a turma…

– Muito bonito, dona Helena!

– Lindo mesmo, professora!

– Estou falando do que você fez. Agora você saia daí que a turma também quer

ver. E quando voltarmos à escola, sua mãe vai ficar sabendo, tim-tim por tim-tim o quê você fez aqui.

A professora me deixou no canto e não pude ver mais nada, passei a visita toda do lado da professora. Na volta, a Joana correu para sentar na janelinha e passou a viagem toda sem falar comigo.

Mas o pior ainda estava por vir. Quando chegamos na escola, a professora foi direto contar o que eu fiz para a diretora, que foi direto falar com a minha mãe o que eu fiz. Resultado: A minha viagem à Lua, me deu uma nota zero e uma semana de castigo sem internet e sem televisão.

Só que querem saber de uma coisa? Eu nem liguei, pois passei todas as noites olhando a lua e lembrando de todos lugares por onde eu passei.


A gente quer paz

dezembro 8, 2013

Essa história que eu vou contar pra vocês agora, não tem nada de aventura, nem de alegre, pra falar a verdade, ela é muito triste, pois fala de uma briga muito grande que teve lá no meu colégio. Vou contar tudo.

Aquele dia tinha tudo pra ser um dia bem legal. Era o dia de gincana geral na escola. É que lá na minha escola, uma vez por ano, tem a gincana geral. Tem muita brincadeira, jogos e muita diversão. A gente faz a maior bagunça!

“Então, Joana, trouxe muitas prendas?”

“Trouxe um monte de latinha! E você, Helena?”

“Eu trouxe um monte de garrafa de plástico.”

“Desta vez a nossa classe vai ganhar!

Não demorou muito e logo começaram os jogos. Era o primeiro ano contra o segundo ano, o terceiro contra o quarto, até o pessoal do nono ano participava da nossa gincana.

De repente, começou uma confusão com os meninos do nono ano que fez todo mundo sair correndo. Fizeram uma roda em volta do Zé Augusto e começaram a chamar ele com o apelido que ele não gostava.

“Palito Zoiudo! Palito Zoiudo!

E mais e mais gente foi chegando na roda e gritando o apelido do Zé Augusto. Ele tava muito nervoso. Muita gente gritava pro pessoal parar de chamar o Zé Augusto de “Palito Zoiudo”, mas, aqueles meninos chamavam mais alto. Coitado do Zé Augusto! Ele é tão legal! Não sei por que essa coisa de ficar dando apelido pro’s outros, a gente não tem nome?

A tia Célia chegou bem brava e acabou logo com aquela brincadeira daqueles meninos sem graça. E na primeira oportunidade, o Zé Augusto saiu correndo pro banheiro. Ficou lá um montão de tempo. Quando ele saiu, eu e a Joana corremos pra falar com ele.

“Zé Augusto, não fica assim!” Eu falei pra ele.

“Não liga, esses meninos são todos bobos!” Disse a Joana.

Mas ele passou pela gente e nem ouviu. Ele tava vermelho de raiva. Tava até chorando. Subi para classe, correndo. Alguns meninos que viram ele subi, ainda chamaram ele pelo apelido.

“EI, vocês não vão jogar queimada?” Disse a Thalita já nos chamando.

Mesmo com pena do Zé Augusto, eu e a Joana fomos com a Thalita para o jogo de queimada.

A nossa classe ganhou quase todos os jogos e na hora de contar as prendas, perdemos por causa de duas latinhas.

“Poxa, Joana, você podia ter trazido mais latinhas, né?

“Por que você não trouxe?” Respondeu a Joana.

“Mas eu trouxe um montão de garrafas!”

“Eu também trouxe um monte de latinhas!”

De repente a gente ouviu uma gritaria no meio do pátio.

“Olha lá, o Zé Augusto está brigando com o Renato!” Disse a Thalita.

Na hora, eu e a Joana paramos de brigar e corremos para pátio onde os dois tavam brigando. Os meninos do nono ano gritavam o apelido do Zé Augusto, sem parar.

“Palito Zoiuido! Palito Zoiudo! Pega ele, Renato!”

Mas, o Zé Augusto tava muito bravo. Nunca tinha visto o Zé Augusto tal bravo assim. Ele bateu tanto no Renato que saiu até sangue do rosto dele. Quando o Renato caiu no chão, os meninos foram pra cima do Zé Augusto e começaram a bater nele. Todo mundo junto.

Eles iam batendo no Zé e gritando o apelido dele. E ele gritava que todo mundo ia se ver com ele.

De uma hora pra outra, a roda do pessoal que batia no Zé abriu, bem na hora que chegaram os tios da segurança pra acabar com a briga. Só que quando a roda abriu, um menino do nono ano que eu não me lembro o nome, caiu segurando a barriga cheia de sangue.

Os tios da segurança seguravam o Zé Augusto que tinha uma faca suja de sangue na mão. Na verdade não era uma faca, mas parecia.

E aquele que tinha tudo pra ser um dia super legal, acabou de uma maneira muito triste. E tudo porque os meninos estavam chamando o Zé Augusto pelo apelido que ele não gostava. Se a gente tem nome, pra que apelido?

Quando alguém chama alguém pelo apelido, eu fico muito brava, pois por causa dessa coisa de apelido, o Zé Augusto machucou aquele menino e acabou sendo expulso da escola.

Ah, o outro menino? Ficou bom. Na verdade foi só um arranhão. Agora, ele fica no recreio com turma do Ensino Médio, chamando o Pedro, de “camarão gordo”.

Eu já falei pra minha mãe e pro meu pai, que se alguém inventar algum apelido pra mim, vou querer sair na hora da escola, pois não quero ter que um dia fazer o que o Zé Augusto fez. Porque quando a gente fica com raiva, sempre faz coisas que não deve. Meu pai sempre diz isso!

Bom, agora vou indo, pois tenho uma prova muito difícil de matemática e preciso estudar, senão, acabou ficando de recuperação e acabo perdendo parte das férias. Esse ano o papai ta prometendo me levar para um Hotel Fazenda, mas pra isso, preciso passar de ano.

Então, tchauzinho pra tudo mundo!


A Família abandonou a Educação

outubro 5, 2013

Muito tem se discutido sobre os rumos da educação escolar, apontam vários fatores que poderiam responder como possíveis responsáveis pelo fracasso do ensino regular, mas talvez um ponto muito importante dentro dessa engrenagem esteja sendo por demais, desconsiderado: A Família. A impressão que fica é que a Família abandonou a Educação.

E quando falo da Educação, não estou falando daquela ensinada nas escolas, mas sim daquela que deve ser ensinada em casa, pelos pais ou responsáveis pela criação da criança, daquela que procura passar os valores de ética e cidadania, daquela que prepara a criança para a vida adulta, daquela que molda o caráter da criança, pois é justamente essa que vejo sendo relegada.                    

Parece-me que os pais ou responsáveis tem se omitido muito de suas respon-sabiidades e as transferindo para a Escola, deixando a cargo dos professores, funções e tarefas que deveriam ser executadas exclusivamente por eles e o que vemos, são crianças que não cumprem regras, sem limites, desrespeitosas e com uma visão distorcida de valores básicos do que seja ética e cidadania.

O conceito básico de educação é ensinar, instruir, orientar, mas o que tenho notado é que esse conceito tem se mostrado distorcido, pois muitos pais têm demonstrado um comportamento permissivo, de super proteção e muito condescendentes para com as atitudes de seus filhos que, ao invés de contribuir para formação de uma criança sabedora de suas obrigações, tem gerado crianças com fortes desvios de comportamento.

É certo que muitos ainda continuarão se eximindo de suas responsabilidades e continuarão a transferi-las, principalmente às Escolas e aos professores, outros até darão a desculpa de que trabalham demais e precisam suprir as suas ausências com atitudes permissivas e com excesso de proteção, mas enquanto a Família não reconhecer as suas obrigações na criação das crianças, o que veremos é uma escola cada vez mais decadente.

Não adianta nada reclamar dos problemas nas escolas, das ineficiências dos professores, da qualidade do ensino, disso e daquilo, se dentro de casa, a educação de uma criança não se mostrar primordial para a Família, pois, pior do que qualquer excesso na intenção de educar é a omissão da responsabilidade que é criar um filho. Educação não é apenas ensinar uma criança a ler e escrever, é formar um cidadão e, parte disso, é responsabilidade da Família.


Um Plantador de Esperanças

agosto 24, 2013

O que se faz quando a gente descobre que as nossas mais caras certezas já não nos servem mais? Que a vida que a gente leva já não faz mais sentindo? Que o trabalho da gente não passa única e exclusivamente de um gerador de recursos? Aceitar a nossa zona de conforto? Pedir a aposentadoria para fugir de tudo o quê nos aborrece, ou apostar em uma mudança de curso em nossa vida? Eu apostei nesta última.

Só não pensem que foi fácil, aliás, não está sendo, pois se postar a beira de um abismo, para saltar sem rede de proteção e levando apenas um velho paraquedas é de causar medo a qualquer um. Mas a vida vale o risco e pela vida, mudar é a grande saída. Deixar para trás uma opção que a vida nos deu para apostar naquilo que a gente sempre quis para nossa vida, é a grande recompensa e a certeza de fazer por prazer, só nos fará muito bem.

E aos poucos, fui encontrando o meu rumo, encontrando o meu lugar, e vou, pouco a pouco, colhendo os primeiros frutos do que parecia impossível. Percebo que ter apostado na mudança, oxigenou minha vida, me fez encontrar um novo sentido, me fez descobrir outras habilidades, outras possibilidades até então, por mim, nunca antes consideradas, me fazendo até me enxergar, no meio de tantas novas opções, como um velho Plantador de Esperanças.

Percebi que talvez eu já o era, quando há tempos atrás, optei por permear a minha vida, contando histórias, escrevendo para teatro, assinando artigos de opinião, mas venho descobrindo nos últimos tempos que me habilitar para atuar dentro do campo do saber, também pode me fazer germinar muitos frutos e ainda pode me fazer colaborar ativamente para formação de novos leitores, os meus futuros leitores, ou quem sabe até, meus novos parceiros de escrita.

Ainda não sei bem ao certo em que solo vou germinar minhas humildes sementes, se em bancos escolares, exercendo a função de um mediador contumaz, ou através da minha arte de escritor, arte com a qual já planto algumas sementes, ou ainda nos dois campos, que são tão férteis. O que sei, e isso é certo, é que não devo ficar vendo a vida passar diante dos meus olhos sem fazer nada, pois eu apostei na mudança.

Agora é chegada a hora de arregaçar as mangas, mergulhar fundo naquilo que alimenta a minha alma e que agora norteia a minha vida, abraçar tudo aquilo que sempre esteve guardado dentro de mim, para fazer tudo valer a pena ainda mais. Ainda que seja como um simples Plantador de Esperanças, que planta a esperança de uma vida melhor e de um futuro diferente, pois não há recompensa maior do que ver florir um jardim de conhecimento.


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