Qual é a graça?

agosto 4, 2013

Não há como negar que rir desopila as pessoas, que faz aliviar as tensões do dia a dia e que, quando o riso surge de forma espontânea numa gargalhada de mostrar os dentes, contagia a todos que estão à volta, mas de uns tempos pra cá, parece-me que se perdeu a mão, pois o esforço em querer causar graça a todo custo, está deixando a piada sem graça.

Parece que fazer rir virou uma obrigação tão grande que vários programas chegam às raias do absurdo, criando situações, ás vezes, até constrangedoras, em busca de ver surgir no rosto das pessoas nem que seja um sorriso amarelo. Mas eu não consigo ver graça em quase de nada que tenho visto hoje em dia, principalmente em programas de televisão.

Vejo as pessoas comentando esse ou aquele programa, esse ou aquele personagem, mas não consigo enxergar nem num caso, nem no outro, algo que me desperte o riso fácil. O riso tem que ser conquistado através de situações surpreendentes, que te pegue despreparado, desarmando o teu espírito, fazendo com que você não consiga segurar mais o riso.

Eu juro que até me esforço em tentar enxergar alguma graça nos programas e quadros humorísticos que as pessoas tanto comentam, mas só consigo, apenas enxergo tentativas de querer me empurrar um humor plastificado, pré concebido, apostando em fórmulas já desgastadas e que não configuram mais situações engraçadas, apenas constrangedoras.

Talvez essa necessidade quase que obrigatória em buscar fazer humor a todo custo e a qualquer preço, esteja comprometendo a concepção de programas ou até mesmo de personagens humorísticos, pelo menos é o que vejo e que acho. A mim não contagia essas tentativas equivocadas de me fazer rir, pois, por mãos que me esforce, não veja nada de humor.

Sei que muitas pessoas que conheço se rasgam de tanto rir com alguns programas humorísticos, ou com esse ou aquele personagem, vendo graça até mesmo num levantar de sobrancelhas, só que vejo tudo tão forçado, tão apelativo, tão superficial, que não veja graça em nada e não entendo aonde as pessoas conseguem ver tanta graça.

Talvez o problema esteja comigo, talvez eu esteja muito exigente, talvez eu esteja mais rabugento, talvez eu esteja amargurado, talvez eu esteja mal-humorado, mas quando paro para assistir esse ou aquele programa de humor da moda ou esse ou aquele personagem que todos clamam engraçado, sempre acabo me perguntando: Qual é a graça?


A piada está sem graça

outubro 13, 2011

Sem querer entrar na polêmica sobre fulano ou sicrano, pois cada um deve ser responsável pelo que fala, o que me interessa aqui neste artigo é debater sobre até aonde vai o limite de uma piada. Acho que o limite de uma piada vai até o limite do senso comum. E qual é este senso comum? É aquele em que cada um pode se colocar no lugar do outro e rir do ridículo da situação.

No momento em que, para fazer graça, ataca-se a deficiência ou ofende-se a honra de uma pessoa, a piada deixa de ser engraçada. O humor deve se deter apenas á uma situação constrangedora em que uma pessoa é posta e não jogado ao léu como gracejos provocativos buscando tirar o riso de alguém. Isso não passa de uma piada sem graça e hoje, é o que mais se vê na televisão.

Com tanta coisa grosseira e de mau gosto classificada como humor no ar, me passa a impressão de que o humor de hoje em dia é outra coisa. A inocência das brincadeiras de outrora, feitas com malícia e picardia, ficaram rasas e ofensivas e perderam a essência do ser engraçado e que nos fazia rir. A falta de educação agora virou sinônimo de humor.

É claro que a vida anda carrancuda e o estresse tem deixado ás pessoas no fio do limite da paciência, mas usar o desrespeito, a intolerância, ou atacar o outro com grosseria, não é, nunca foi e jamais será humor e não tem nenhuma graça. A piada ficou sem graça e os humoristas ficaram sem noção. O palhaço nos faz rir até hoje e não faz do ataque ao outro uma tentativa de fazer rir.

O humor pode sim, aliás, tem o dever de, denunciar, contestar, ridicularizar, desnudar os atos do ser humano dentro das situações engraçadas que ele se envolve, e dentro desse universo, tanto faz se ele hétero, homo, gordo, magro, negro, se é corno, se é mané, o contexto da piada é o que vai fazer rir. Portanto, para saber se isso ou aquilo tem graça, se coloque do outro lado e tente rir do que você acha engraçado.

O engraçado mesmo é que hoje em dia as pessoas estão tão sem graça, que ás vezes da vontade de rir do ridículo em que eles se colocam. Isso sim é uma verdadeira piada. Estão todos no limite do ridículo que a piada até já parece pronta, mas a graça, cadê? Humor igual àqueles de outrora, que nos fazia rir sem que fosse necessário nem mesmo abrir a boca para contar alguma coisa, faz tempo que não se vê.

Ainda tenho esperança que se encontre o limite da graça, onde a piada seja de fato um artifício do humor para nos fazer rir e não para nos indignar, ou ensejar discussões, bate-bocas e ofensas. Mas, lembremo-nos: rir é o melhor remédio, só que a piada tem de ser, acima de tudo, engraçada.


O humor no fio da navalha

julho 8, 2011

Com a vida tão estressante que levamos nos dias de hoje, nada melhor do que assistir um bom programa de humor e dar boas gargalhadas, não é mesmo? Só que fazer humor não é uma brincadeira assim tão simples, aliás, pode ser muito mais perigoso que se possa parecer. Fazer humor é estar sempre no fio da navalha, um escorregão e, vupt!

O humor é algo que tem que ser engraçado e nos levar ao riso fácil sem que seja ridículo, grosseiro, apelativo ou preconceituoso, um desafio e tanto, não? Qualquer descuido e, vupt, a navalha corta a carne sem dó! E então, o que seria apenas para rir, acaba virando algo constrangedor, causando por vezes, reações por ofensas sentidas.

Conceber uma piada em cima de uma condição desfavorecida de alguém, usando apenas uma suposta inferioridade, é arriscado demais, sempre acaba causando cortes indesejáveis em quem quis produzir o humor. Criar o humor em cima de uma situação desfavorável de alguém é o caminho mais seguro, pois a outra pessoa, por não estar naquela situação, se sentirá livre para se divertir com ela.

Sempre que se pretende partir para a desqualificação do Ser humano, o reduzindo a um Ser pequeno e parte integrante de uma minoria, o humor acaba destorcido e sempre descamba para a ofensa. Fazer rir tem que ser algo que conquiste o outro pela situação engraçada e não pela condição desfavorável. Rir é bom e deve-se rir do que a pessoa passa e não do que ela é.

Talvez more aí, as muitas reclamações de que hoje em dia o humor está meio sem graça. A grande maioria dos humoristas perdeu a mão e, em troca de arrancar o riso a qualquer custo, aposta na desqualificação do Ser humano ao invés de apostar na situação constrangedora que este Ser humano vive. Um engano imperdoável para quem quer fazer humor.

O humor reside justamente no fato da pessoa não se encontrar, ou não se ver, na mesma situação desfavorável que o outro, por isso é que a pessoa ri. Não parece ser inteligente, acreditar que alguém em sã consciência, mesmo que esteja estressado, render-se-á as gargalhadas com piadas que desdenham de uma condição humana, mas não mesmo!

Uma das melhores coisas que existe na vida é poder dar boas gargalhadas, mas rir de uma situação constrangedora e nunca de uma condição humana. Quem faz a opção de fazer humor usando a segunda, vive se cortando com a navalha.


O que há com o humor da TV?

janeiro 27, 2011

Engraçado, com tanto show de “stand up comedy” pelo país afora, por que está cada vez mais difícil encontrar um bom programa de humor nas TVs abertas? São raras as tentativas de oferecimento de um humor renovado, revigorado e que de fato nos leve ao riso espontaneamente. São sempre programas repetidos, requentados, com um humor ultrapassado e que nem pelo ridículo, conse-gue nos fazer rir.

As poucas tentativas que inovam e nos mostram o humor pelo humor são logo tiradas do ar, ou colocadas em horários onde os números de televisores ligados, não recompensam tamanho esforço e a renovação acaba não chegando ao grande público. A insistência com a mesmice, ainda que seja para privilegiar e prestigiar velhos e competentes humoristas, afasta cada vez mais os telespectadores, que buscam o humor na internet.

Sei que não é tarefa das mais fáceis fazer humor e que velhos e talentosos humoristas merecem e precisam ser privilegiados, para tanto, se faz necessário uma outra visão de humor, algo que venha de encontrar ao que realmente cativo o público, não há mais espaços para programas requentados, correndo o risco, a TV que insistir neste modelo, de ver seus programas esvaziados e a conseqüente queda da audiência.

Não que eu seja ranzinza, nem mal-humorado, muito pelo contrário, até que sou uma pessoa que sempre procura enxergar o lado engraçado da vida. Acontece que não consigo ver graça nos programas que se dizem ser de humor. Por mais esforço que eu faça, o máximo que consigo assistindo esses programas, é ficar constrangido com o excesso do ridículo que alguns humoristas são capazes de passar.

Talvez, com a popularização da internet e a enxurrada de vídeos mostrando situações engraçadas disponíveis a quem quiser ver, tem feito com o que já não era nada fácil, ficar ainda muito mais difícil. A arte de fazer humor com tanto oferta a disposição não tem mais espaço para humor ingênuo e descompromissado de tempos atrás. Fazer rir está cada vez mais difícil.

Eu, particularmente, já não perco meu tempo vendo os programas de humor que a TVs abertas insistem em oferecer nas suas redes, pois eles são tudo, menos engraçados. O pior é que sai ano e entra ano, lá estão os mesmos programas pensando que o povo está se divertindo com eles, mas, mal sabem eles, que tudo não passa de uma questão do hábito de deixar as TVs ligadas.

Mas, pensando bem, existem tantas outras maneiras de encontrar o humor, pela internet, pelas apresentações de “stand up”, no cinema, no teatro, não é mesmo? Se as TVs abertas preferem insistir nos seus ultrapassados humorísticos, são só elas que tem a perder. Só fico com pena de quem só tem as TVs abertas para se divertir.


Quando o humor erra a mão

agosto 13, 2010

Não há como negar, é evidente o crescimento da exploração do humor como forma de entretenimento para o povo, seja no teatro ou na TV. E falando em TV, é só ligá-la, (você pode escolher o canal que quiser) que tem programas para tudo que é gosto, aliás, tem até os de mau gosto. Mas, cada um é livre para escolher o quer ver e quem os faz, deve ter a certeza que está fazendo o que tem de mais engraçado no momento.

Os programas de TV buscam a qualquer custo arrancar risos do telespectador, mas ás vezes, nem os próprios humoristas se divertem, pois não consigo achar possível que eles achem que realmente estão fazendo humor. Chega até ser deprimente assistir certos humorísticos na TV. Repetitivos, velhos e com humor do tempo do meu avô.

Outra tentativa de se fazer humor nos dias de hoje, são os chamados “Stand up Comedy’s”. Essa forma de se fazer engraçado, responde pela atual febre do momento. Cara limpa, palco vazio, (na verdade, pode ser no bar, restaurante, em qualquer lugar que tem gente a fim de diversão) e a mistura de doses de histórias insólitas com muitas bobagens são o suficiente. Parece que todo mundo agora virou “Zé Graça”. Mas o que se vê por aí é muita gente e muito programa errando a mão. Fazer humor tem se mostrado ser mais difícil do que se pensa.

Tem certos programas de TV, que em troca de alguns números do IBOPE são capazes de coisas inimagináveis. E tentam de tudo, piadas, cutucadas, tortas na cara “estilo pastelão”, tiram a roupa, fazem micagens e caretas, chegam a níveis que beira a debilidade. E quando algumas dessas tentativas não dão certo, partem para expor o ridículo da pessoa, apelando de vez para baixaria e a falta da educação.

É certo que existe muita gente boa, que sabe ser engraçada, sabe fazer um humor que diverte, sabe até entender quando não foi realmente feliz na piada e, acima de tudo, respeita o espectador, não fazendo dele seu refém para algumas tentativas infelizes de demonstrar seu humor. Também é certo que é da quantidade que se tira a qualidade, mas a quantidade que tem tentado é de fazer chorar.

Não falo como especialista, pois nem contar piadas eu sei, falo como especta-dor, aliás, como telespectador, que chora toda vez que liga a televisão e se depara com a quantidade de programas humorísticos na programação da TV Brasileiro, um pior do que o outro. Tenho impressão que, ou eu ando mesmo carrancudo demais, ou as pessoas que tentam fazer humor, estão errando a mão, e muito.

Eu sei que a tentativa de fazer rir é louvável e deve ser sempre estimulada, mas entendo que a arte de fazer rir é para poucos. Humor tem de pegar a pessoa distraída e desarmada, a ponto que ela não tenha nenhuma reação, a não ser, rir, somente rir. Qualquer coisa fora disto, é apenas uma tentativa de se fazer engraçado.


O humor está em alta

março 17, 2010

Não é segredo para ninguém que rir é sempre o melhor remédio e que é através das piadas que são ditas as mais duras verdades. Sem contar o que diz a ciência: que quando um ser humano ri, ele movimenta apenas dezoito músculos da face, enquanto chorando, ele movimenta quarenta destes músculos. Portanto, rir é o melhor negócio, não provoca rugas e ainda por cima, não tem nenhuma contra-indicação.

Então parece estar bem claro o porquê de tanta gente fazendo ou tentando fazer humor pelo país. É quase uma febre. E essa febre atende pelo nome de “stand up comedy”, algo que não é nenhuma novidade, pois grandes feras do humor, como Chico Anísio e Jô Soares já se utilizaram desta expressão inglesa, para fazer rir, há muito tempo atrás.

Mas essa tendência de se apresentar como um “stand up comedy” está em um movimento crescente. É no barzinho, é na pizzaria, na rua, em casas noturnas e até em teatros. Com a “cara” limpa, uma grande dose de “cara” de pau e grande desenvoltura e talento para transformar histórias banais e até mesmo bobagens em algo engraçado, muitos talentos tem surgidos.

A simplicidade de se montar um espetáculo de “stand up comedy” é outro fator que vem fazendo que mais artistas enveredem para apresentações de humor deste tipo. Não há custo com cenário, com figurinos, não se precisa passar o pires para arrecadar recursos, é o artista, a sua “cara” de pau e só.

É certo que “stand up comedy” não é teatro e sim, tão somente um espetáculo de humor. Ele não tem nada a ver com teatro na sua concepção, pois teatro deriva de dramaturgia que reputa uma ação que gera um conflito e deságua em uma revelação e/ou resolução, muito embora nos dias de hoje, exista muita coisa misturada que acaba até por confundir o espectador.

Mas, de uma maneira geral, acho muito interessante e positivo todo esse movimento de levar mais e mais humor e de uma forma bem descontraída e em lugares incomuns, pois se rir é o melhor remédio, que seja possível tomar esse remédio nos mais variados lugares. 

Com exceção de alguns maus programas de humor que a TV exibe hoje em dia, onde a tentativa de forçar o riso é descarada, acabando os tornando chatos e sem graças, algumas experiências com “stand up comedy” vem revi-gorando o humor e fazendo o povo rir espontaneamente, mostrando que são raras às vezes que se precisa de caricaturas para fazer comédia.


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