Cópia, a eficiência do incapaz

outubro 21, 2012

Leva-se anos até que consigamos estabelecer um nível de aceitabilidade do nosso trabalho, quantas e quantas vezes somos obrigados a refazer e refazer o que já foi por várias vezes refeito? E, quantas críticas nós tivemos que engolir a seco, até mesmo aquelas que não tinham nenhum fundamento? E pra quê? Para depois encontrarmos nosso trabalho copiado e vendido como algo inédito. Parece-me injusto, não é mesmo?

Não consigo entender o que faz alguém copiar uma obra alheia, a subscrevendo como se sua fosse. Talvez a vontade de receber os louros por aquilo que ele jamais conseguiria. A arte da criação traz incutida nela, os traços de quem a fez e por mais que alguém queira chancelá-la como sua, não conseguirá por muito tempo, pois não se consegue copiar uma obra inteira. Esses só conseguirão receber o atestado da eficiência do incapaz.

Incapaz não apenas por não ter a capacidade de produzir algo realmente seu, mas incapaz de compreender que a obra de um artista é única. Nela está marcada o pensamento, os anos de estudo e de dedicação, a alma que o artista coloca em cada uma de suas obras, sejam elas, uma poesia, uma música, uma peça de teatro, um texto literário, ou qualquer coisa escrita que nasça de uma criação artística.

O conceito de se levar vantagem em tudo, também pode justificar atitudes desse tipo, pois, a necessidade que as pessoas tem em serem importantes, mostrarem-se cultas e altamente capazes de produzirem algo de grande valor, é enorme. É a pequenez do Ser humano nos dias de hoje. Plagiar uma obra artística é o golpe mais baixo que um artista pode sofrer, pois é como alguém lhe roubasse seus pensamentos, sua alma.

Mas, como evitar isso? Nos dias de hoje é muito mais difícil, pois, com o advento da internet, onde se pode publicar tudo quanto é tipo de texto, o artista acaba ficando vulnerável e muito mais exposto a ter uma obra sua copiada por alguém. Porém, a internet também funciona como um via de mão dupla e, através dela, o artista pode descobrir se sua obra foi ou não copiada. Não é muito, mas pelo menos é uma arma de defesa.

Lutar contra o ataque daqueles que possuem a eficiência do incapaz, sempre será uma tarefa muito complicada para o artista, ás vezes, ele nunca saberá se sua obra foi copiada ou não, pois um artista de verdade está muito mais preocupado em criar, que não tem tempo de descobrir o que fazem com a obra dele. A criação artística, ainda mais quando ela é bem sucedida, sempre despertará a cobiça do incapaz. 


A arte já não imita a vida

setembro 10, 2012

Ainda tenho na lembrança a primeira vez que ouvi ainda nos bancos escola-res, a seguinte frase: “a arte imita a vida”. Lá se vão longos anos, mas, agora, a arte já não imita mais a vida, não que ela não queira, não faz porque não pode. Retratar a vida e os Seres humanos do jeito que eles são como fizera outrora grandes escritores, passou a ser passível de punição, processo, indenização e sei lá mais o quê.

A sociedade, que aqui nunca foi igualitária, hoje está ainda mais repartida e é formada por minorias sensíveis e melindrosas, que se ofendem por todo e qualquer comentário ou comportamento de um personagem de ficção, como se a vida real, fosse um mar de rosas e vivêssemos em bolhas de vidros, livres de pessoas de caracteres duvidosos que nos possam destratar. Tudo passou a ser ofensivo, pejorativo, humilhante e degradante.

Se a arte sempre imitou a vida, como não conceber personagens de caráter duvidoso, que exalam preconceito por todos os poros? Pessoas que ofendem minorias, que agridem mulheres, violentam crianças, que assaltam, roubam, estupram, elas estão por todos os cantos. Impedir a arte de retratar essa faceta do Ser humano para proteger minorias, agride a essência da arte, que é e sempre foi, a de imitar a vida.

A vida é dura e a realidade é mesmo crua, sangra as nossas entranhas, fere nossa honra, indigna nossa personalidade, mas é essa a vida que se tem pra viver. Pessoas más são pessoas más e, pronto. Elas não têm, ética, ofendem, destratam, humilham, é assim na vida e essa vida precisa ser mostrada, não pode ser objeto de censura, de punição, ou de qualquer outra interpelação e em nome desta ou daquela minoria.

Não é impedindo a arte de mostrar o Ser humano com todas as suas imperfeições, que vamos exterminar os problemas que afligem os Seres humanos repartidos em suas minorias. Não é interpelando judicialmente uma obra literária de Monteiro Lobato, que vamos exterminar o preconceito racial. Não é patrulhando a liberdade de criação de um autor, que vamos exterminar todos os males dessa vida.

A arte, desde a Grécia Antiga, retratou e retrata o comportamento de uma sociedade e nela, habitam seres bons, seres maus, seres sem preconceitos, seres preconceituosos, seres de almas imaculadas e de almas sujas, seres violentos, seres sem escrúpulos. Não existem seres perfeitos, uma hora ou outra, todos nós nos colocamos de maneira preconceituosa sobre algum assunto, isso é fato. O Ser humano não enxerga o seu rabo.

Portanto, deixemos que a arte cumpra o seu papel, que é o de levar ao povo, o retrato de si mesmo, Nem tudo é belo, nem tudo é feio. É apenas a vida! Deixemos que a arte imite a vida e não queiramos que a arte mostre uma vida que não existe. Não precisamos de uma sociedade formada de vítimas, precisamos de uma sociedade que se respeite e lute por justiça, sem cercear o direito de um autor retratar a vida como ela é.


A criação artística na alça de mira

agosto 5, 2011

Há tempos atrás, a criação artística era a expressão exata daquilo que um artista pensava quando escrevia um texto, quanto rodava um filme, quando compunha uma música, quando dirigia uma cena, quando representava um papel, mas hoje em dia às coisas andam muito diferentes, a criação artística está na alça de mira.

Agora, antes mesmo de exercer a plenitude de sua criação artística, o artista precisa examinar minuciosamente todas as possibilidades da sua obra, analisar se tal coisa não vai ofender fulano, ou se tal comentário não vai expor sicrano, ou ainda se garantir que não há nada que venha a desagradar beltrano. Isto está ficando muito chato.

A arte está perdendo o seu poder de seduzir, de encantar, de emocionar, de contestar, de protestar, de se indignar, por conta de um pensamento mesquinho e reacionário, preocupado em usar a força da censura para inibir e cercear o que o artista tem de mais sagrado, a sua criação. Não consigo entender, que após anos de ditadura, ainda insistam em querer calar o pensamento.

É certo que há excessos que precisam ser reprimidos, mas a liberdade de criação deve ser respeitada e quem deve tomar essa decisão do que serve ou não serve é o povo. É óbvio também, que manifestações de ofensas e que denigram e exponham o ser humano no seu direito garantido na Constituição, devam ser punidas na forma da lei, mas na forma da lei e não com a força da tesoura da censura.

Podemos está perdendo o bonde da história e deixarmos de realizar a maior revolução cultural que esse país já presenciou, por conta de pensamentos ultrapassados e pontos de vistas equivocados, pois com a movimentação das camadas sociais, onde pessoas estão tendo um maior poder de compra e se mostrando consumidores contumazes, ao invés de se oferecer cultura de verdade, abre-se espaço para essa cultura descartável, mas que não fere os princípios da tradição, família e propriedade.

Tolher a criação artística usando como justificativa a preservação do que para alguns representa o que seja politicamente correto ou ainda querer induzir o que seria o melhor para tal idade ou para tal horário é caminhar na direção contrária do que realmente faz uma nação, o conhecimento, pois é ele que dá o poder de discernimento para que se escolha o que serve, o que não serve, o que agride, do que não agride.

Mas, ainda espero que o artista na grandiosidade de sua infinita capacidade de manifestar sua criação artística, consiga vencer os problemas das patrulhas, dos politicamente corretos, da censura e transmita ao povo cultura suficiente, para que este povo, que hoje tem seu direito de opinião subjugado, absorva cultura suficiente para dizer: Basta de Censura! Basta de Controles, Basta!


Por onde anda a ousadia do artista?

maio 1, 2011

Os anos eram de chumbo, vivia-se uma ditadura violenta, a censura calava qualquer tentativa de manifestação contrária ao regime, mas apesar disso tudo, ainda havia quem pregasse a paz, o amor, buscasse a união em comunidade, e o artista, reunido em grupos, tinha a coragem de ousar, provocar, contestar e enfrentar àqueles que tentavam calá-lo. Por onde anda a ousadia do artista?

Hoje vivemos tempos de plena democracia, mas, uma ditadura velada, com uma censura tão ou mais ferrenha de que outrora, nos vigia com olhos de doberman e, além disso tudo, não existe mais respeito com as diferenças,  busca-se sempre o conflito ao invés da conciliação, e o indivíduo se tornou mais importante que a comunidade, vivendo por status e poder. Por onde anda a ousadia do artista?

Outrora o artista provocava a sociedade careta e covarde que se escondia por trás de uma ditadura, hoje, o artista se esconde dos caretas desta sociedade politicamente correta. Por onde anda a ousadia do artista? Até quando o artista vai agüentar calado que falsos moralistas determinem e calem a manifestação artística? Logo o artista, que sempre andou a frente de seu tempo, não pode entregar os pontos assim, tão calmamente.

Já está mais do que na hora de ousar, provocar, cutucar, tirar a máscara desta sociedade que prega uma coisa e nos porões de suas vidinhas medíocres, prega justamente o contrário. O artista precisa ser a voz, a força para desmascar essa hipocrisia que nos ronda. A criatividade do artista tem de ser a arma contra tudo isso que vivemos hoje em dia. Retomemos a provocação, a ousadia de enfrentar os “nãos” da sociedade e vomitemos sobre ela, todo o nosso amor pela vida.

Não é possível, que pessoas de almas vazias, preocupadas em tecnologia e no seu próprio bem estar, levantem bandeiras contra tudo aquilo que vai de encontro ao que eles não querem ver exposto. Não é possível, que pessoas de comportamento reacionário, preocupadas em ganhar dinheiro e no que deixarão de ganhar por certos comportamentos, venham interferir na criatividade do artista.

O artista sempre se posicionou contra a caretice social, contra os bons costumes de uma sociedade hipócrita, sempre andou na contramão do que seria o certo para a maioria, por que, de uma hora para outra, perdeu sua ousadia? Por que tanto medo de enfrentar os reacionários desta sociedade careta e covarde de hoje em dia? O artista pode mais do que eles, pois só o artista é capaz de mostrar exatamente como eles são.

Ou o artista sai de trás de suas trincheiras e volta a provocar, a ousar, a contestar, a cutucar e a incomodar de fato essa sociedade careta e covarde que se esconde atrás do chamado politicamente correto, ou vai ser apenas encarado como um passatempo e uma diversão para aliviar o estresse desses hipócritas após mais um dia de trabalho.


A indústria da pirataria

abril 15, 2011

Nos dias de hoje, tudo parece estar de ponta-cabeça, é como esses tempos modernos tivessem afetado as pessoas de uma tal forma, que alguns conceitos daquilo que se julgava certo ou errado, não fazem mais sentido. Vivemos tempos de, tudo quero, tudo posso e, nada será proibido. A filosofia de levar vantagem em tudo parece que grudou na pele feito tatuagem.

São tempos de enormes paradoxos. De um lado, o discurso do politicamente correto que se ocupa em vigiar a criação artística, do outro, a prática de comprar produtos piratas para levar vantagem financeira. E quem acaba pagando a conta? O artista. Que, ao mesmo tempo, que vê o que criação sendo vigiada de um lado, acaba vendo sua obra sendo pirateada de outro.

A indústria da pirataria corre livre aos olhos de todos. Em cada esquina de cada cidade, deste país, tem um artista tendo sua obra pirateada descaradamente, e ninguém faz nada! Volte e meia uma notícia de um combate aqui, de outro combate ali, mas nada eficiente, e sabem por quê? É simples: Quem discursa pregando o politicamente correto, escolhe nas bancas dos camelôs, os lançamentos piratas de CDs e DVDs que ás vezes ainda nem estão à venda.

Esses praticantes do politicamente correto fazem parte das pessoas que vivem num eterno paradoxo, pois não são capazes de por em prática aquilo que tanto pregam. O que eles deviam fazer era se ocuparem de combater de fato a pirataria das obras artísticas, os invés de ficar dando pitacos no que pode e no que não pode na criação do artista. Ou será que artista não tem direito de se locupletar com a sua obra?

Não haverá combate eficiente que ponha fim na indústria da pirataria, se o cidadão, dito comum, não mudar o seu conceito do que é certo ou errado. Se o preço está alto, se a obra é cara, a culpa não é do artista. Então, por que é ele que tem de sofrer na carne? A pirataria só é benéfica para um lado, o lado do crime, pois é ele que se alimenta cada vez que um artista é pirateado. Depois não adianta se por de politicamente correto e bradar contra isso.

A sociedade não pode virar ás costas para o artista dessa forma. A pirataria se combate pelas ações de cada cidadão, que renuncia a oportunidade de gastar menos, desestimulando a indústria do crime e fortalecendo a arte do país. É preciso que cada um tenha em mente, que a arte que lhes diverte é o ganha pão daquele que a exerce.

Antes de criticar uma obra artística e se comportar como vigilante do políticamente correto, coloque a mão na sua consciência e repense o quanto você não colabora para o engrandecimento da indústria da pirataria no país. Indústria pi-rata, todo cidadão tem sua parcela de culpa!


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