Quando se cai no gosto popular

fevereiro 26, 2012

Sem querer discutir a essência do que seja arte ou até mesmo questionar a qualidade artística de qualquer artista, o que fica claro nos dias de hoje é que quando o artista cai nas graças do público, não há quem o segure. Tudo o que ele faz passa ser maravilhoso, e não adianta argumentar, parece que quando mais se fala mal, mas as pessoas gostam.

É claro que a mídia tem papel fundamental no surgimento, crescimento e consagração de cada artística, pois é ela, e não há como se negar, que é a grande responsável por fenômenos de venda como esses que acompanhamos nos dias de hoje, principalmente na chamada nova música sertaneja universitária. Para mídia, pouco importar a arte ou a qualidade artística que é oferecida ao público.

E não é só na música que encontramos isso, também no teatro, no cinema, e mais visivelmente na televisão, fenômenos de audiência são declarados por muitos como programas de mau gosto, de baixa qualidade artística, disso, daquilo, mas a mídia ofereceu, o público elegeu, está eleito e não se discute. São coisas que confesso, não consigo entender.

Dizer que o povo é “Maria vai com as outras”, que não tem opinião própria, que é influenciado, que não tem gosto próprio, que aceita qualquer coisa que o  oferece, etc, etc, etc, pode até justificar que tal artista caia no gosto popular, mas será que a culpa é só da mídia que empurra tudo e do público que aceita qualquer coisa?

Na verdade o que alguns querem, inclusive eu, é que a qualidade artística, a expressão verdadeira da arte seja oferecida ao público, para que ele tenha como comparar o que lhe é agradável ou não. A massificação de programas, músicas e outras “cositas” mais, de comprovada baixa qualidade artística, faz com que o povo eleja sem ter com o que comparar.

Entregar como cultura, uma arte de tão baixa qualidade artística é contribuir pa-ra uma desinformação popular, que embora produza fenômenos artísticos não acrescenta nada ao cidadão. Quem sabe se oferecêssemos algo com um verdadeiro valor artístico, não produziríamos artistas que também caíssem nas graças do povo, porque quando algo ou alguém cai no gosto popular, não há o que e quem o segure.


A televisão nossa de cada dia

março 31, 2011

Não é de hoje que a discussão sobre a programação da televisão movimenta os noticiários especializados neste veículo de comunicação. Muitos se queixam da baixaria e da falta de qualidade que se registra em todas as redes de televisão, indistintamente, mas, na minha opinião, a televisão, nosso velho veículo de comunicação, passa por uma enorme crise de identidade.

Aquela televisão que causou fascínio quando ganhou os lares brasileiros no começo dos anos cinqüenta e se tornou o melhor meio de informar e entreter a população, perdeu fôlego diante dos avanços tecnológicos e, a indecisão de qual linguagem usar para se comunicar novamente com o povo, tem produzido coisas desastrosas, não falo de mal-gosto, pois o gosto é muito subjetivo.

São programas apelativos, noticiários e programas sensacionalistas, uma enxurrada de programas repetitivos e requentados, que saturaram o telespectador de tal forma, que a migração para outras mídias é quase um convite. Até mesmo as novelas, que sempre foram algo que mantinham o interesse do público, já dão sinais que estão enfrentando uma crise de comunicação.

É claro que falo por mim e pelo que vejo ao meu redor, mas usando a metodologia comparativa que é usada pelos institutos de pesquisas, não é difícil perceber que não estou sozinho. Sei até de pessoas, que apesar de acharam a tele-visão decadente, assistem aos programas apenas para terem o que argu-mentar nas redes sociais. Eu, realmente ando sem paciência para assistir televisão.

Acho que enquanto a televisão não encontrar a linguagem pela qual vai se comunicar com o seu público, vamos ter que acompanhar bons e maus programas, bons programas sim, pois há tentativas de se realizar coisas boas, procurando pescar novamente o telespectador, só que a quantidade ruim ofusca as poucas tentativas boas. Mas tenho certeza que essa nossa televisão de cada dia, que foi surpreendida pela popularização de outras mídias, ainda vai se recuperar.

Está certo que a mudança do perfil dos telespectadores, inclusive entre as chamadas, classes “C” e “D”, tem contribuído para esse quadro, pois a grande massa da audiência de hoje em dia, se concentra justamente nestas classes, e são elas que estão determinando as escolhas das grandes redes de televisão. Talvez, isso também esteja impactando nos números da audiência.

A televisão sempre foi o maior veículo de comunicação de massa, o que sempre soube falar com todas as classes, indistintamente, portanto, no momento em que a televisão reencontrar o jeito de se comunicar, aposto que a programação vai dar um salto de qualidade e fazer desta nossa velha amiga, a melhor opção para informar e entreter o povo.


Dinheiro X Qualidade

setembro 9, 2010

Está aí uma combinação que quando bem usada se torna imbatível, mas não é sempre que esta combinação é usada para o bem do público. Hoje em dia, aliás, é muito rara. A baixa qualidade nos programas da televisão brasileira é assustadora. Você não consegue ver mais do que um ou dois programas que realmente valha a pena. Engraçado, a força do dinheiro tem gerado cada vez mais programas de má qualidade ao invés de ser justamente ao contrário.

É pegadinha pra cá, é bisbilhotice pra lá, é exposição do corpo feminino para acolá, e tudo bem financiado, pois anunciantes não faltam em programas que exibem estes conteúdos. Será que o dinheiro está tão fácil que tanto faz se o programa tem ou não qualidade? Ou o que vale é dinheiro em caixa e o público que se exploda?

Isso tudo chega a ser até um paradoxo, pois o anunciante patrocina o programa pensando no retorno financeiro que vai ter com a exposição de sua marca e com tanto programa de má qualidade atrelado a sua marca pode lhe causar efeito contrário. Ou será que a exigência é minha? Parece que dinheiro já não mais combina com qualidade.

Alguns programas, apesar de tamanha má qualidade, apresentam um número considerável de espectadores, fator este que faz com que os anunciantes continuem a atrelar suas marcas à estes programas, com ou sem qualidade. O que interessa é o lucro que o dinheiro vai proporcionar. Empurra-se qualquer coisa, pois o público está disposto a comprar. Acho que o conceito do que é bom e de qualidade mudou um pouco.

Chega ser uma pena ver tanto dinheiro desperdiçado em programas com tanta falta de qualidade. E saber que muitos projetos de boa qualidade se perdem no caminho por falta de verba. Mas, dizer que as TV’s estão erradas, não dá. Isso é “business”. E enquanto tiver público disposto a assistir qualquer porcaria e, anunciantes dispostos a patrocinar tais programas, faz-se qualquer coisa e se contabiliza os lucros, pois, quanto menor o custo de produção, maior o ganho da emissora.

Portanto, é de se concluir que o público consumidor de programas de TV é o retrato de um povo acomodado com a situação, seja ela em relação a sua vida, a política, ou aos programas de TV. Uns até contestam, outros até falam mal, mas acabam sempre se conformando. Já que não se tem outra coisa pra ver, qualquer coisa serve.

E o dinheiro que bem combinado com a qualidade pode produzir tanta coisa boa, ás vezes até mesmo mais econômicas que muitas coisas feitas em certos programas de conteúdo de qualidade sofrível, vai servindo apenas para gerar lucros para quem produz e para quem anuncia, pois para o comprador, serve-se qualquer coisa que ele compra mesmo. Isso sim é um grande desperdício.


Quando o humor erra a mão

agosto 13, 2010

Não há como negar, é evidente o crescimento da exploração do humor como forma de entretenimento para o povo, seja no teatro ou na TV. E falando em TV, é só ligá-la, (você pode escolher o canal que quiser) que tem programas para tudo que é gosto, aliás, tem até os de mau gosto. Mas, cada um é livre para escolher o quer ver e quem os faz, deve ter a certeza que está fazendo o que tem de mais engraçado no momento.

Os programas de TV buscam a qualquer custo arrancar risos do telespectador, mas ás vezes, nem os próprios humoristas se divertem, pois não consigo achar possível que eles achem que realmente estão fazendo humor. Chega até ser deprimente assistir certos humorísticos na TV. Repetitivos, velhos e com humor do tempo do meu avô.

Outra tentativa de se fazer humor nos dias de hoje, são os chamados “Stand up Comedy’s”. Essa forma de se fazer engraçado, responde pela atual febre do momento. Cara limpa, palco vazio, (na verdade, pode ser no bar, restaurante, em qualquer lugar que tem gente a fim de diversão) e a mistura de doses de histórias insólitas com muitas bobagens são o suficiente. Parece que todo mundo agora virou “Zé Graça”. Mas o que se vê por aí é muita gente e muito programa errando a mão. Fazer humor tem se mostrado ser mais difícil do que se pensa.

Tem certos programas de TV, que em troca de alguns números do IBOPE são capazes de coisas inimagináveis. E tentam de tudo, piadas, cutucadas, tortas na cara “estilo pastelão”, tiram a roupa, fazem micagens e caretas, chegam a níveis que beira a debilidade. E quando algumas dessas tentativas não dão certo, partem para expor o ridículo da pessoa, apelando de vez para baixaria e a falta da educação.

É certo que existe muita gente boa, que sabe ser engraçada, sabe fazer um humor que diverte, sabe até entender quando não foi realmente feliz na piada e, acima de tudo, respeita o espectador, não fazendo dele seu refém para algumas tentativas infelizes de demonstrar seu humor. Também é certo que é da quantidade que se tira a qualidade, mas a quantidade que tem tentado é de fazer chorar.

Não falo como especialista, pois nem contar piadas eu sei, falo como especta-dor, aliás, como telespectador, que chora toda vez que liga a televisão e se depara com a quantidade de programas humorísticos na programação da TV Brasileiro, um pior do que o outro. Tenho impressão que, ou eu ando mesmo carrancudo demais, ou as pessoas que tentam fazer humor, estão errando a mão, e muito.

Eu sei que a tentativa de fazer rir é louvável e deve ser sempre estimulada, mas entendo que a arte de fazer rir é para poucos. Humor tem de pegar a pessoa distraída e desarmada, a ponto que ela não tenha nenhuma reação, a não ser, rir, somente rir. Qualquer coisa fora disto, é apenas uma tentativa de se fazer engraçado.


O gargalo da garrafa

junho 26, 2010

É certo que muitos querem atingir o status de roteirista principal do principal produto da televisão que é a telenovela, eu também busco isso. Mas também é líquido e certo que nem todos conseguirão, pois o gargalo da garrafa é estreito e a garrafa não é tão funda assim. Não se trata de falta de qualidade, é apenas concorrência tal e qual a existente em qualquer outra profissão.

A concorrência por vezes é desleal, o que não chega a ser nenhuma novidade, mas isso não pode nos desviar do caminho, porque o fato de não se atingir o tal posto não pode frustrar a vontade e o prazer de escrever, porque se isso estiver acontecendo é porque o principal é atingir o posto e o glamour que ele proporciona e não a satisfação e o prazer que se tem em contar histórias.

O que aprendi com o tempo é que embora o meu foco seja atingir o posto principal do principal produto da televisão, eu resolvi encarar a concorrência através do meu trabalho, pois se o gargalo é estreito, preciso estar em forma para quando me aproximar dele e estar em condições de entrar. Até porque não sei se um dia vou chegar assim tão perto da boca da garrafa.

Tenho buscado aprender com o que as pessoas andam dizendo sobre o atual momento das telenovelas, pois as críticas estão fortes. Dizem que é falta de criatividade, que há um esgotamento do gênero, que é isso, que é aquilo. Inclusive se queixam do envelhecimento dos autores e da falta de renovação. Talvez seja um mix de tudo isso, mas deve-se ter a consciência que não há espaço para todos que querem chegar lá.

A despeito do envelhecimento de alguns mestres e da repetitiva fórmula empregada por cada um deles para contar as suas histórias, entrar nesse seleto grupo é como atingir o posto de titularidade de jogador da seleção da brasileira. E isso, não se resume apenas em ter ou não ter talento, vide quantos caneludos temos em ação na nossa seleção brasileira de futebol.

Ás vezes, as oportunidades, que já são escassas, tornam-se quase inviáveis para quem mora longe da sede das emissoras que produzem o produto novela e, por certo, quem está mais perto, tem as maiores chances. Só que isso não deve desestimular ninguém, pois volta e meia um novo talento consegue ultrapassar o gargalo da garrafa. Portanto, o prazer de contar histórias tem de ser renovado dia-a-dia.

E já que um dia o que me fez pensar em atingir o principal posto do principal produto da televisão foi o prazer que tenho em contar histórias, vou seguindo meu caminho criando e contando minhas histórias por meio dos meus textos para teatro, por meio de meus roteiros, me realizando cada vez que vejo um deles sendo produzindo.

E se um dia eu vou ter a oportunidade de me espremer no gargalo da garrafa? Não sei. Mas vou seguindo firme e feliz, agradecido pelo dom de poder contar histórias.


É isso que o povo quer!

fevereiro 24, 2010

Muito tem se discutido sobre a programação da televisão. Que está de má qualidade, que é só baixaria. Tem até editorial em rádio manifestando sua posição contrária. São comentários em rodas de bate-papo, são manifestações de .indignação, eu mesmo já fiz aqui as minhas considerações sobre isso. Mas, absolutamente, entrego os pontos. Contra os números não há argumento. É isso que o povo quer!

Não tem como ir contra o BBB e programas do gênero, pois a massificação é tamanha, que por mais que algumas pessoas se manifestem contra esses programas, outras tantas os tornam líderes de audiência. Sem falar nos programas de auditórios de domingo, é tudo sempre igual, e o povo está lá, firme. Talvez para não ficar fora das rodas de conversa no dia seguinte de trabalho. É isso que o povo quer!

A qualidade de um programa já não é mais o principal requisito para que ele entre na programação. Em um mundo globalizado, onde o dinheiro fala mais alto, o mais importante é enxergar o quanto de retorno financeiro o tal programa vai trazer. Se ele agradar o público, muito que bem, se não, eles fazem o povo passar a gostar. Eles já mostraram que tem tal poder.

É como aquela velha máxima, de tanto se ouvir uma música ruim, aquela tipo chiclete, que sem querer, todos que primam pela qualidade, acabam a cantarolando descontraidamente. Tem coisa que a gente não consegue vencer. E, afinal de contas, é isso que o povo quer! E é dessa conclusão que os alto executivos, tiram á certeza de que qualidade em um programa é um mero detalhe.

Por isso, decidi não mais medir forças contra quem não quer, ou sequer, se acha incomodado com a tal falta de qualidade. O povo está feliz com o que está assistindo, quem sou eu para dizer o contrário? Mesmo porque não tenho armas o suficiente e em grandes escalas, para lutar de igual por igual. É uma virtude reconhecer-se impotente diante de uma força superior.

Enquanto isso, quem pode, deve trilhar o seu caminho, procurando sempre primar pela qualidade e fazendo com que os seus textos tenham sempre algo de novo que possa ser absorvido pelo outro. Mesmo que seja uma comédia rasa apenas para uma noite de entretenimento. Sempre se é capaz de encontrar alguém que se interesse por um pouco de qualidade.

É a velha tática de guerrilha, a gente vai minando o adversário pouco a pouco, quando ele se der conta, o povo já estará percebendo a diferença do que é qualidade. Por hora, não adianta espernear contra tudo isso que temos, afinal, ainda somos poucos,  e ainda tem mais: é isso que o povo quer.


O que o público quer?

junho 11, 2009

Muito se tem falado da crise nas telenovelas brasileiras. Muitos apontam à falta de criatividade, outros, que existe um leque maior de opções, uns até já pregam o fim das novelas na televisão, mesmo que nenhuma das emissoras que as produzem, ventilem qualquer coisa sobre o assunto. Mas talvez o problema esteja com o público.

Não que o público brasileiro tenha se cansado de assistir novelas, visto que a audiência, mesmo que em queda, ainda representa a maior fatia de telespec-tadores em um canal de TV. Talvez, o problema possa estar em não perceber o que realmente o público esteja interessado em assistir na telinha.

A repetição de temas, elencos, remakes, fórmulas batidas, parece ter cansado o telespectador ao ponto dele trocar a televisão por outra coisa. A lógica de uma telenovela é previsível e o público, principalmente o mais jovem, não se vê seduzido por algo tão óbvio, com finais sempre iguais e que contam histórias nada interessantes.

O público, hoje em dia, talvez nem esteja tão interessado em mocinhas despro-tegidas em busca de um príncipe encantado. Talvez, nem se identifique com os heróis de caráter ilibado, nem por tramas de histórias comuns exaustivamente repetidas. Quem sabe já esteja cansado do jeito que essas tramas vêem sendo contadas? Identificar o que o público quer, talvez venha a ser o novo pulo do gato.

O hábito de assistir novelas já está arraigado no âmago do povo brasileiro e isso, não se perde da noite para o dia. Assistir novelas faz parte do dia-a-dia do brasileiro quase que até instintivamente. Dizer que simplesmente o povo deixou de gostar de assistir novelas é tapar o sol com a peneira.

Eu, enquanto telespectador, não me vejo lá muito interessado em assistir a maioria das novelas veiculadas atualmente na TV e isso acontece também com as pessoas que me cercam, por certo, esse também pode ser o motivo do êxodo que vem acometendo as novelas brasileiras, o puro desinteresse de acompanhar uma novela. E por quê?

Recuperar o interesse do público em acompanhar uma novela, passa por levar à telinha, histórias que esse público queira ver de fato. Temas e tramas que o arremate pelo simples interesse pode ser um começo. Ás vezes, ouvir a voz rouca das ruas é bem melhor do que acreditar na receita de uma mesma história por vezes repetida. 

Novela é feita para o telespectador e se esse telespectador já não vê interesse em assisti-la é sinal que o problema não é no formato da novela e sim, no conteúdo e na forma que essa novela se desenrola, pois já não está atendendo o que esse público quer.


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