Qual a dificuldade de se pagar direitos autorais?

agosto 5, 2016

É impressionante, mas volta e meia é preciso voltar nesse assunto. Qual a dificuldade de se pagar os direitos autorais para o autor que escreveu o texto? Realmente eu até busco entender que nem sempre o espetáculo tem fins lucrativos e, que muitas vezes é preciso que todos coloquem a mão no bolso para realizar a produção, que a vontade de levar o espetáculo aos palcos é maior que as possibilidades, mas, por que os direitos autorais não figuram como um custo para realização da produção?

Se o principal produto que fará com que o espetáculo aconteça, é o texto, no mínimo, o custo para obtenção de sua liberação deveria ser a primeira coisa a ser pensada para se começar uma produção. Como começar a produção de um espetáculo sem saber se o autor liberará o texto? Existem outros fatores que vão muito além da simples liberação do texto pelo autor, sem o pagamento dos direitos autorais. Às vezes o autor está impossibilitado de fazê-lo por ter firmado outro compromisso com quem pensou o texto como parte do processo.

Eu sei o quanto é penoso levar o Teatro até a população, muito mais para quem está longe dos grandes centros, sem possibilidades de captação de recursos, sem apoio nenhum para gerir a cultura local. Nem sempre é possível obter condições suficientes para se colocar o espetáculo em boas condições para uma apresentação digna, até por isso, não me furto, em vez e outra, liberar a utilização dos meus textos, principalmente para os grupos amadores, sem o pagamento dos meus direitos autorais.

Muitas dessas produções são estudantis, realizadas em salas de aulas e que buscam usar o meu texto como instrumento pedagógico, na formação de público e, portanto, entendo que a liberação em troca da divulgação de meu nome, seja uma maneira de contribuir para a formação desses estudantes. Mas, cada caso é um caso, e é só o autor quem decide se o texto será ou não liberado do pagamento dos direitos autorais. Por isso, não adianta fazer a produção antes de solicitar a liberação, pois pode ser que ela não aconteça.

Quem pretende trabalhar com o Teatro, produzir espetáculos, deve ter a consciência da obrigação de se remunerar o autor do texto, pois se há espaço nas planilhas de custos para o pagamento, do cenógrafo, do figurinista, do iluminador, da trilha sonora, do Teatro, por que não há espaço para os direitos autorais? Um espetáculo é um processo coletivo, em que todos tem sua função, tanto na produção, quanto na apresentação e o autor do texto precisa ser valorizado dentro de todo esse processo.

Entendo toda a dificuldade que é produzir um espetáculo de teatro e, mais ainda, gerar dele, lucro suficiente para conseguir sobreviver, mas, tal como o ator e o diretor que precisam viver do espetáculo, o autor, que despendeu dias e noites para escrever aquele texto e fazer dele o seu ganha pão, também necessita que seu trabalho seja devidamente remunerado. Portanto, quando pensar em montar um espetáculo, coloque em suas planilhas, o pagamento dos direitos autorais, porque o autor não vive só da divulgação do seu nome.

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Arte em parceria

junho 17, 2016

Quando se fala em criação artística, é muito difícil, assim, em um primeiro momento, se pensar na possibilidade de que haja mais de um criador no ato de sua concepção. A criação nasce sempre de uma ideia e é através dela que o artista, manifesta suas emoções, suas impressões sobre a vida e, até, expurga os seus demônios. Mas, principalmente na música, existe a possibilidade de se dividir a criação artística, e, às vezes, com qualidade.

Embora na literatura isso pareça ser uma verdadeira loucura, diria até, impensável, em outros formatos de narrativas, como o cinema, o teatro e mesmo, as novelas, tem-se buscado afinar as criações artísticas através de outros pontos de vistas, ainda que isso esteja apenas no âmbito da escrita dos roteiros, com os pares que tenham o mesmo ofício: a escrita. A história, ainda que escrita a duas ou mais mãos, é de competência apenas do escritor.

Mas se existe tantas possibilidades de artes que permeiam a criação de um espetáculo artístico, será que não seria possível que elas estivessem interligadas desde a sua criação? Pensando no Teatro, o quanto não seria interessante um texto que surgisse do ponto de partida do dramaturgo, passasse pela visão cênica do diretor e culminasse com o ponto de vista das necessidades de interpretação do ator?

Já ouvir falar de algumas experiências nesse sentido no Teatro, o texto vai sendo escrito a partir da encenação, autor, diretor e ator escrevendo a mesma história, sem problemas de egos, pelo menos no primeiro momento. Deve ser realmente uma experiência enriquecedora. Para mim, que tenho meus textos pautados em cima de uma possibilidade, talvez, uma criação coletiva me ofereça experimentar outras tantas visões cênicas.

Acho bem enriquecedor quando podemos trocar informações sobre nossas ideias e aproveitar na história outros pontos de vistas que não enxergamos quando estamos mergulhados na escrita da história. A visão do diretor, por exemplo, é muito salutar nessas situações, pois ele enxerga o espetáculo sobre outro prisma e até vislumbra viradas cênicas escritas que certamente trarão certas dificuldades na hora da encenação.

Talvez, uma parceria dessas, estabelecida entre Autor e Diretor na concepção do texto, principalmente no Teatro, venha a contribuir para diminuir as eternas brigas entre ambos, já que na maioria dos casos o Autor não permite que se mexa na história que ele concebeu e o Diretor quer colocar em cena a história que ele imaginou quando leu o texto. E quando isso acontece, a certeza é que não teremos a história em cena.

O fato é que a arte pode sim ser feita em parceria e um espetáculo teatral ser gerado a partir da concepção artística do diretor em conjunto com o ponto de vista do dramaturgo que escreve a história, Autor e Diretor, alinhados em uma mesma linha de criação artística para criar um texto. Agora, caso isso não seja assim, como Dramaturgo, penso que o Diretor deve dar asas à sua criação artística, mas respeitar, ao máximo, a história que o Autor escreveu.


A arte longe dos incentivos fiscais

maio 20, 2016

Sem querer entrar no mérito de quem tem razão, até porque a reivindicação daquilo que se acredita, é legítimo e deve ser manifestado plenamente em um regime democrático, o anúncio da extinção do Ministério da Cultura fez os artistas levantarem a voz, acabando assim por dividir opiniões, trazendo à superfície a questão do uso da renúncia fiscal para projetos artísticos. Mas distante disso tudo, a arte se faz presente sem o benefício desses e de tantos outros incentivos.

Lá, nos rincões do Brasil, onde fazer cultura é um ato de heroísmo, o artista quer é colocar a sua arte para o povo e não se prende apenas na possibilidade de conseguir ou não algum incentivo fiscal para custear o seu projeto, é preciso colocar a mão na massa para que o trabalho aconteça. O artista é o artesão de sua a arte e fazê-la, independe de ter ou não condições viáveis para isso, ás vezes, se faz sem nenhuma.

É assim, principalmente se formos falar nas artes cênicas. Quantos e quantos grupos amadores espalhados pelos quatro cantos do país são custeados por seus próprios integrantes? E quantos projetos são realizados em suas escolas, levando o Teatro aos jovens e incentivando a cultura? O artista faz a cultura acontecer, de uma forma ou de outra, uma pena que as coisas chegaram nesse pé, mas quem nunca teve a ajuda de incentivos, continuará se virando para levar a sua arte.

E não é porque o governo, através de uma canetada, decidiu que ter um órgão que represente a cultura não é mais prioridade para o país, que a cultura deixará de ser manifestada pelos seus artistas. É claro que tudo ficará um pouco mais complicado, mas, quando foi assim tão fácil? O artista continuará exercendo o seu ofício, pois o “fazer arte” está nele e não em nenhum órgão que lhe represente. Levar cultura ao povo é o que move o artista.

A arte, sempre habitou o senso comum como entretenimento e não como objeto de absorção do saber, agora, mais do que nunca, cabe a cada artista mostrar ao povo, como é duro o trabalho e a real importância da cultura, ainda que se esteja sem um órgão que a fomente, pois, independente disso, o povo, ainda que não saiba, necessita de arte e cultura para desenvolver a sua vida e tem que ter bem claro na mente que a arte é o que alimenta a alma do seu corpo cansado.

O que fica disso tudo é um sentimento de muita tristeza, pois, mais uma vez, a Cultura não recebeu do governo o respeito e a prioridade que merece.  Acerca de todas as nossas necessidades que poderiam ser supridas com outros cortes em gastos de outras pastas, se optou por cortar as despesas daquilo que não traria uma economia irrelevante às contas públicas. Uma economia porca que ajudou a piorar ainda mais aquilo que já estava ruim.

Mas, apesar de tudo, façamos a arte acontecer do jeito que sempre nos foi possível, sem recursos, sem apoios, sem a valorização devida e cumpramos a nossa missão de artista, que é levar a cultura para mais gente possível, pois a extinção de uma repartição não é o fim para quem sempre fez arte longe dos incentivos fiscais.


E O AMANHÃ?!

maio 6, 2016

CENÁRIO: ESCOMBROS DE UM PRÉDIO.

AO ABRIR AS CORTINAS, UMA MULHER GRÁVIDA TEM A PERNA PRESA POR PARTES DOS ESCOMBROS.

Mulher           – Alguém ajuda, por favor! Eu não pedi essa guerra!!… Eu vou sair daqui!

A MULHER TENTA SE LIVRAR DOS ESCOMBROS.

Mulher           – Ajude, meu Deus! Eu não estou aguentando mais! Preciso salvar essa minha criança. Ela é a única coisa que me sobrou depois de tudo. Socorro!… Socorro!… Tem alguém por aí?… Socorro!… (ELA PRA. ESTÁ EXAUSTA) Fome!… Sede!… Medo!…

A MULHER DESMAIA. ENTRA UM HOMEM BASTANTE FERIDO.

Homem          – Tem alguém ali embaixo.

O HOMEM, COM DIFICULDADES, CHEGA ATÉ OS ESCOMBROS.

Homem          – Moça!… Moça!…

O HOMEM MOLHA A MÃO COM SUA SALIVA E PASSA NA BOCA DA MULHER, QUE PASSA A LÍNGUA SOBRE SEUS LÁBIOS.

Homem          – Moça, você está bem?

A MULHER ABRE OS OLHOS.

Mulher           – Não me mate!

Homem          – Não vou lhe matar!

Mulher           – Eu não tenho culpa da guerra.

Homem          – Eu também não!

Mulher           – Eu preciso salvar meu filho!

Homem          – Cadê seu filho?

Mulher           – Tá aqui comigo!

Homem          – Minha nossa! Você tá grávida!

Mulher           – Socorro, moço, socorro!

Homem          – Vou te ajudar a sair daí.

Mulher           – Fome!… Sede!…

Homem          – Fica calma! Vou tentar tirar isso de cima de você.

O HOMEM, COM DIFICULDADE, CONSEGUE TIRAR UM PEDAÇO DOS ESCOMBROS QUE ESTAVAM PRENDENDO A PERNA DA MULHER.

Homem          – Deixa eu te ajudar a levantar.

Mullher          – Eu não consigo! Estou muito fraca. Minha barriga está doendo muito!

Homem          – De quanto tempo você tá?

Mulher           – Três meses!

Homem          – Quanto tempo você tá aqui?

Mulher           – Não sei, moço!

Homem          – Você tá muito fraca!

Mulher           – Moço, tô com fome!… Tô com sede!…

Homem          – Aqui não tem comida, a água que estava escorrendo pelas fendas, secou… Eu tô há dias procurando uma saída.

O HOMEM TIRA DO BOLSO UM PEDAÇO DE PÃO E DÁ PRA MULHER, QUE COME DESESPERADA.

Mulher           – O que vai ser de nós, moço? O que vai ser?

Homem          – Fique calma!

A MULHER TENTA SE LEVANTAR, MAS CAI.

Homem          – Não faz isso, moça! Seu bebê!

A MULHER SE ESTIRA NO CHÃO.

Mulher           – Socorro! Socorro! Eu quero sair daqui!

Homem          – Olha só, moça! Atrás de onde estava você tem uma luz! Pode ser a saída!

O HOMEM COMEÇA A TIRAR OS ESCOMBROS COM DIFICULDADES. A MULHER, DE JOELHOS, TENTA AJUDÁ-LO.

Homem          – Não faça esforço! Deixa que eu consigo!

Mulher           – É pela liberdade do meu filho!

Homem          – Mas você está fraca!

Mulher           – Você também!

Homem          – Mas eu sou homem!

Muher             – E eu sou mulher!

Homem          – Eu só quero te proteger!

Muher             – Eu só quero salvar meu filho!

NA MEDIDA EM QUE VÃO SE POSICIONANDO, VÃO RETIRANDO OS ESCOMBROS.

Homem          – É por isso mesmo!

Mulher           – Eu quero ajudar!

Homem          – Você acha que guenta?

Mulher           – Nem que seja a última coisa que eu faça!

Homem          – Você tem coragem!

Mulher           – Você também!

Homem          – A gente vai conseguir!

Mulher           – Tenho certeza que sim!

DIANTE DELES SURGE UM GRANDE CLARÃO.

Mulher           – Conseguimos! Obrigado, meu Deus!

Homem          – Eu não acredito!

OS DOIS SE ABRAÇAM E VÃO DESCENDO, ABRAÇAÇADOS. FAZEM CARINHO NO ROSTO, UM NO OUTRO.

Mulher           – Você salvou a vida do meu filho!

Homem          – A gente se salvou!

Mulher           – Não sei de onde tirei tanta força!

Homem          – A gente só sabe a força que tem quando precisa dela.

Mulher           – Você foi forte!

Homem          – Nós fomos!

Mulher           – Maldita guerra!

Homem          – Malditos os homens que se preocupam em fazer a guerra!

Os Dois         – Malditos!

OS DOIS SE ENCARAM, OLHO NO OLHO. A MULHER SE DEITA SOBRE O COLO DO HOMEM. SEGURA A BARRIGA.

Homem          – Que foi?

Mulher           – Dor… Muita dor!

Homem          – Preciso te levar prum hospital.

Mulher           – Não sei se ainda vou resistir!

Homem          – Claro que vai!

Mulher           – Meu filho não vai resistir!

Homem          – Guenta! Você foi forte até agora.

Mulher           – Meu filho não vai resistir!

Homem          – Então espera que eu vou buscar ajuda!

Mulher           – Obrigado por me ajudar a sair.

Homem          – Guenta firme!

O HOMEM DEITA A MULHER SOBRE O CHÃO E SE LEVANTA.

Mulher           – Não precisa mais, moço!

Homem          – Agora, mais do que nunca!

Mulher           – Meu filho não resistiu!

A MULHER TEM A ROUPA MANCHADA DE SANGUE. O HOMEM SE COLOCA NO CHÃO E COLOCA A MULHER SOBRE O SEU COLO.

Mulher           – (CHORANDO) E agora, moço? Como vai ser meu amanhã?

Homem          – O amanhã é sempre uma nova história!

O HOMEM FAZ CARINHO NOS CABELOS DA MULHER. A LUZ CAI EM RESISTÊNCIA. SONS DE SIRENES E SONS DE BOMBAS SE INTERCALAM.

– FIM –


Cada um se vira como pode em Niterói

abril 3, 2016
A comédia ‘Cada um se vira como pode’, sobre um casal em dívida com o agiota Salvador, marca a abertura do Espaço Cultural Oceânico neste sábado

A plateia irá participar do espetáculo como “vizinho” do casal, ajudando Eugênio e Madalena na solução de seus problemas econômicos

Foto: Luixx Mayerhofer/Divulgação

A arte é uma das bases para o pensamento crítico em uma sociedade. Ela permite que o indivíduo repense a sua realidade a partir de uma nova ótica. Através dela é possível entender costumes, história, e a própria subjetividade humana. No teatro, ela ganha uma representação em movimento, os corpos no palco são a grande obra. De frente ao público, se conecta a ele, e cada encenação suscita diferentes interpretações. Trazendo o primeiro espaço dedicado às artes cênicas da Região Oceânica, o Espaço Cultural Oceânico (ECO) inaugura neste sábado (02) em Piratininga a Sala Augusto Boal, com a estreia da peça “Cada um se vira como pode”.

Para Marília Duarte, atriz, diretora teatral e uma das fundadoras do ECO, a sala veio para suprir uma necessidade da Região Oceânica. “O teatro é importantíssimo para a formação do cidadão. A região estava precisando de um espaço cultural como esse”, salienta.

Baseada no texto de Paulo Sacaldassy, “Cada um se vira como pode” é uma comédia atual, onde o casal Eugênio (Jeremias Flôres) e Madalena (Agatha Victor) passam por dificuldades econômicas e precisam lidar com a cobrança do agiota Salvador (Carrique Vieira). O agiota exige o pagamento imediato da dívida, fazendo com que Eugênio e Madalena façam propostas absurdas para driblar a dívida. A peça, então, se desenrola, com muito bom humor, das situações inusitadas que o casal se submete para contornar o pagamento. Ficará em cartaz no espaço durante todo o mês de abril. A escolha deste texto de Sacaldassy não foi por acaso. “O roteiro tem tudo a ver com a atual economia, já que o casal tem que usar sua criatividade para contornar os credores. Todo mundo vai se identificar”, descreve Carrique Vieira, ator e diretor da peça.

O debate sobre a crise econômica ainda vai ganhar um novo fôlego, pois a cada sessão da peça o público será convidado a ajudar o casal nas propostas para quitar sua dívida. A plateia irá participar do espetáculo como “vizinho” do casal, ajudando Eugênio e Madalena na solução de seus problemas econômicos. Carrique afirma que o objetivo desta interatividade é trazer as pessoas para dentro do palco. Diminuindo a distância entre ator e plateia, esta interação convida o público a construir a história junto com o próprio diretor.

A Sala Augusto Boal é o primeiro espaço inteiramente dedicado ao teatro da Região Oceânica de Niterói. O espaço possui 66 lugares, e vem para modificar o eixo das principais peças que comumente estão em cartaz no Centro ou em bairros da Zona Sul de Niterói. A sala foi idealizada em conjunto com artistas da região e chega, também, para movimentar os bairros do local, repensando seus pontos de lazer. “Quero que as pessoas depois do teatro vão para os quiosques ali perto da praia. O espaço veio para trazer conforto e cultura para o morador, não só daquela parte específica, mas de toda cidade”, defende Carrique.

Arte que transforma – A homenagem à Augusto Boal já era uma vontade antiga de Marília, a peça “Cada um se vira como pode” chega no momento oportuno para mostrar a força que as artes cênicas têm nas pessoas. O próprio Boal, que dá nome para a mais nova sala de teatro de Niterói, era reconhecido por usar o teatro como uma ferramenta de transformação social. Ele foi criador do “Teatro do Oprimido”, um método que através de exercícios, jogos e técnicas teatrais, propunha uma democratização dos meios de produção do teatro para as várias camadas sociais.

Dono da empresa de filmes “35mm” e também fundador do espaço, Marcelo Caldas ressalta a importância da arte na sociedade. “A arte não é certa nem métrica, é sensível. Ela atravessa o indivíduo, e faz com que ele pense sobre suas crenças”, avalia.

Os atores Agatha Victor e Jeremias Flôres vivem o casal Eugênio e Madalena

Foto: Luixx Mayerhofer/Divulgação

O novo espaço cultural também trará aulas de interpretação para atores iniciantes e com experiência. O objetivo é criar uma rede de escolas de teatro, e também formar futuros artistas para trabalhar nas peças da ECO. A primeira aula inaugural do Curso do Carrique Vieira para atores experientes aconteceu no último dia 19, mas as inscrições vão até maio. A Oficina Livre de Teatro é ministrada por Marília e atende tanto crianças (terça-feira) como adultos (quinta-feira). O projeto ainda pretende fazer uma versão de “Ministro do Supremo” de Armando Gonzaga ainda este ano. “A casa está aberta a novos professores, novos alunos, novas peças. O espaço quer crescer junto com o próprio público”, afirma Marília.

Antecipando a abertura da sala, os cursos ministrados vão oferecer tanto aulas sobre a produção teatral (noções de indumentária, direção, iluminação, noções de produção e ética profissional) quanto lições sobre atuação dramática. As aulas vêm como uma consolidação do espaço cultural, uma “marca” no mercado de atuação e dramaturgia em Niterói e no Rio de Janeiro.

​O teatro que chega à Região Oceânica vem como mais uma iniciativa de democratizar o acesso às artes. Com aulas, exposições, espetáculos, a sala cria na cidade um novo “pensar” a arte, abraçando diferentes culturas e expressões. Se estes “corpos em movimentos” têm a capacidade de provocar e transformar o público, o espaço Augusto Boal dá a ele a ferramenta para a construção do pensamento crítico.

O Espaço ECO fica na Rua Leopoldo Muylaert, 76, em Piratininga, Niterói. O espetáculo “Cada um se vira como pode” fica em cartaz todos sábados e domingos de abril, às 20h. Preço: R$ 20 (inteira). Telefone:3492-7470.


Fulana, Sicrana e Beltrana em Portugal

dezembro 28, 2015

Assistam a apresentação no meu texto “Fulana, Sicrana e Beltrana” em Almada – Portugal pelo Cénico Incrível Almadense. Obrigado pela oportunidade meninas.


Será que o Teatro é realmente caro?

novembro 13, 2015

Desde os primórdios que todo mundo ouve a desculpa de que as pessoas não vão ao Teatro porque ele é uma diversão cara. Um dia, até foi, mas, será que o Teatro ainda é, realmente, assim tão caro quanto às pessoas pensam? É certo que há tempos atrás, a elite fez do Teatro, assim como da Ópera, artes mais refinadas, voltadas, exclusivamente para a diversão da burguesia, e talvez esteja, justamente, nestes fatos, à razão pela qual as pessoas ainda achem que não podem se divertir com o Teatro. Só que hoje em dia não é bem assim.

Vamos começar com o futebol que é vendido como a diversão mais barata que a pessoa tem para aliviar o estresse do cotidiano. Pois bem, uma simples ida ao campo de futebol para assistir a uma partida com dois times de pernas de pau, não sai por menos de cinqüenta reais, isto se levarmos em conta só o preço do ingresso. Se você agregar a isso, o transporte, o lanche, a cervejinha antes e depois da partida, você desembolsará no mínimo, uns cem reais, se for sozinho, se levar o filho, a esposa, a namorada, hum! É, assistir uma partida de futebol não é um passeio tão barato assim.

Vamos tentar algo bastante popular e, que para muitos, é a boa diversão de todos os finais de semana. Que tal um cineminha? Bem, vamos lá: Consideremos que você vá com a sua namorada, esposa, ou ficante, vocês vão desembolsar só com o ingresso de sábado à noite, cinquenta reais. É claro que você não vai entrar na sala de exibição de mãos vazias, não é mesmo? Um “combo” para os dois custa em torno de dezessete reais, somado a condução e/ou estacionamento, uma ida ao cinema não sai por menos de oitenta reais. É, ir ao cinema também não é muito barato!

Talvez se buscássemos uma outra diversão: Um show! Um show é uma boa diversão, não é mesmo? Então vamos lá: Este é uma passeio que você pode fazer sozinho, ir e encontrar os amigos por lá. Pois bem, o ingresso para assistir a um show de qualquer artista um pouco mais famoso, não sai por menos de oitenta reais, ingresso pista, mas se você tem problema com aglomeração e prefere dividir um camarote com uns amigos, pronto, seu passeio já está em cento e trinta reais, fora condução, bebidas… É, o show também não parece algo tão barato.

Já sei! Está super na moda agora ver um combate. É, uma luta! Vamos ver uma luta do UFC. Isso! Uma boa luta para descarregar nossa raiva do chefe gritando com os golpes do grande campeão do octógono. Ah, mas para assistir uma luta dessas, um evento esportivo dessa magnitude, o ingresso mais barato gira em torno de duzentos, trezentos reais, vai ficar muito caro! Se formos levar em conta a condução, a alimentação, meu Deus! Acho melhor parar por aqui. Não é todo mundo que tem bala para assistir a um evento desses.

É, mas diversão é importante, mesmo porque, só trabalhar não faz bem para a saúde de ninguém, não é mesmo? A sorte é que quando a grana está curta, você pode assistir qualquer uma dessas diversões, no conforto de seu sofá, sem medo da violência noturna e de aborrecimentos. Mas todo mundo precisar ir à rua, passear, ver gente, distração em casa, não vale. Teatro, nem pensar, não é? Você já cansou de ouvir que é caro. Você acha mesmo? Se você for comparar, vai se surpreender, até mesmo porque, se você não assistir naquele noite, não terá mais a oportunidade de ver de novo.

Fica fácil perceber, quando passamos a comparar as opções de diversão possíveis, que o Teatro não é assim tão caro quanto as pessoas pensam, até porque, com o valor do seu ingresso, se paga o ator, o diretor, o iluminador, o cenógrafo, o dramaturgo, o figurinista… Será que sabendo disso você ainda acha ele é mesmo muito caro? Faça uma experiência, se você procurar, vai encontrar ótimos espetáculos, com ótimos atores, com ingressos a vinte, trinta reais. Portanto, deixe o seu preconceito de lado e vá se divertir com o Teatro.


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