O lixo que se consome diariamente

agosto 4, 2017

Em tempos de exigências na excelência dos produtos, em que o padrão de qualidade é o diferencial para se conquistar mais e mais consumidores, nos defrontamos com um enorme paradoxo, pois, apesar desta busca por qualidade nas coisas que compramos, nunca se consumiu tanto lixo cultural, musical e alimentício. Exigimos qualidade em tudo, mais engolimos goela abaixo, todo lixo que a indústria, de todo o segmento, nos empurra.

Começando pela indústria alimentícia: Hoje, até por conta de vários programas sobre culinária, a gastronomia ganhou uma maior visibilidade e conseguimos ter acesso a várias comidas e a vários alimentos que influenciaram a mudança do nosso paladar, mas, por outro lado, ainda gastamos os tubos, em lojas de “fast food” que nos entopem de uma comida que já sabemos nos fazer tão mal, e, consumimos felizes, esse lixo alimentício.

E quando falamos no lixo cultural a coisa é pior ainda, com tanto acesso a um número infinito de conteúdos culturais que podemos alcançar, nos deixamos satisfazer por uma música pobre em melodia e em letra, que expõe o lado mais desinteressante do ser humano, sem falar na sonoridade, que chega a agredir o cérebro com tanta porcaria. Como pode alguém que exige qualidade em tudo, consumir esse tipo de música como entretenimento?

A verdade é que nos achamos intelectuais demais, mas na verdade, acabamos nos tornando marionetes na mão da indústria de consumo, gastamos o que na temos, para comprar o que não precisamos e estamos satisfeitos em consumir o lixo cultural que nos entregam. Ficamos tão monocórdios em termos de música, por exemplo, que a cada dia, a indústria nos entope de mais e mais sertanejo, funk,  sertafunk, funknejo, e coisas afins.

Tudo isso deixa claro que a massa da sociedade, não está muito preocupada com aquilo que consome, ela quer é consumir e como qualidade sempre custa mais caro, ficou muito mais fácil para indústria vestir o lixo como algo de luxo e entupir a sociedade dele, mas, não demora muito, todos estaremos morrendo afogados nesta montanha de lixo cultural que nos empurram diariamente e que ainda agradecemos por ele.

A cultural que se consome nos dias de hoje, deixa claro o quanto a sociedade está desnudada de vergonha e achando normal a promiscuidade, a traição, a violência, pois tudo é declamado da forma mais vulgar possível e, quanto mais chula for a letra, mais ela faz sucesso e mais é consumida, mostrando que o tal padrão de qualidade das coisas, não deve ser levado assim tão a sério e ao pé da letra, não é mesmo?

Não se trata de caretice ou de algo do tipo, muito menos preconceito com isso ou aquilo, é que, em tempos de exigência por excelência e qualidade em tudo aquilo que se consome, não podemos aceitar, passivamente, que um lixo cultural, seja jogado em nossa cara, todos os dias, e ainda acharmos que é o melhor que se tem a nos oferecer. Se quem consome tudo isso, acha tudo maravilhoso, muito obrigado, prefiro não experimentar.

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Quando se cai no gosto popular

fevereiro 26, 2012

Sem querer discutir a essência do que seja arte ou até mesmo questionar a qualidade artística de qualquer artista, o que fica claro nos dias de hoje é que quando o artista cai nas graças do público, não há quem o segure. Tudo o que ele faz passa ser maravilhoso, e não adianta argumentar, parece que quando mais se fala mal, mas as pessoas gostam.

É claro que a mídia tem papel fundamental no surgimento, crescimento e consagração de cada artística, pois é ela, e não há como se negar, que é a grande responsável por fenômenos de venda como esses que acompanhamos nos dias de hoje, principalmente na chamada nova música sertaneja universitária. Para mídia, pouco importar a arte ou a qualidade artística que é oferecida ao público.

E não é só na música que encontramos isso, também no teatro, no cinema, e mais visivelmente na televisão, fenômenos de audiência são declarados por muitos como programas de mau gosto, de baixa qualidade artística, disso, daquilo, mas a mídia ofereceu, o público elegeu, está eleito e não se discute. São coisas que confesso, não consigo entender.

Dizer que o povo é “Maria vai com as outras”, que não tem opinião própria, que é influenciado, que não tem gosto próprio, que aceita qualquer coisa que o  oferece, etc, etc, etc, pode até justificar que tal artista caia no gosto popular, mas será que a culpa é só da mídia que empurra tudo e do público que aceita qualquer coisa?

Na verdade o que alguns querem, inclusive eu, é que a qualidade artística, a expressão verdadeira da arte seja oferecida ao público, para que ele tenha como comparar o que lhe é agradável ou não. A massificação de programas, músicas e outras “cositas” mais, de comprovada baixa qualidade artística, faz com que o povo eleja sem ter com o que comparar.

Entregar como cultura, uma arte de tão baixa qualidade artística é contribuir pa-ra uma desinformação popular, que embora produza fenômenos artísticos não acrescenta nada ao cidadão. Quem sabe se oferecêssemos algo com um verdadeiro valor artístico, não produziríamos artistas que também caíssem nas graças do povo, porque quando algo ou alguém cai no gosto popular, não há o que e quem o segure.


Por que se faz plágio?

março 25, 2011

Por que se faz plágio? Incompetência? Ignorância? Para ter um momento de fama? Ou por pura sem-vergonhice mesmo? O que leva alguém a copiar, manipular e usurpar a obra alheia para seu bel prazer? E os grupos que se prestam a compartilhar obras plagiadas, o que pensar deles? Talvez a certeza da impunidade contribua para isso, talvez!

Hoje em dia, se faz plágio de tudo, é de poesia, de artigos, de partes de livros, de textos de teatro, até de notícias existem quem tome os créditos para si. Não vai demorar muito e logo veremos alguns espertalhões fazendo plágio de bulas de remédios, se é que já não existe. Pra quê? Por quê? Será que não seria muito mais inteligente contatar o autor da obra? Tudo é tão simples, com tantas redes sociais não seria uma tarefa assim tão difícil.

Pois me digam: Qual o autor que não gostaria de ver seu texto publicado, sua peça encenada, seu filme rodado, sua opinião divulgada, sua música tocada? Até onde eu sei, nenhum autor escreve para deixar seus textos no fundo de uma gaveta ou escondido num canto de seu HD, embora eu já tenha feito isso. Mas isso é assunto para outro dia.

Pessoas que se utilizam do artifício do plágio para se colocar no mundo das artes, acabam ficando pelo caminho, quiçá na primeira esquina, pois plagiar uma obra é como querer copiar uma alma, e isso, por mais que se tente, não se consegue. É fácil copiar palavras, ás vezes, até trocá-las, mas copiar o que elas significam, jamais!

Quem pensa que fazendo plágio vai conquistar algum respeito, duvido que sim. Podem manipular, copiar, refazer, e até ganhar dinheiro com a obra alheia, mas nada disso vai apagar a marca pessoal de quem escreveu aquela obra, porque elas estarão lá, feito digitais.

Lamento profundamente com quem pensa que agindo assim, consegue ou conseguirá enganar alguém, engana-se a si mesmo, pois tudo o fará crer que se é o maior entre os maiores, mas que na realidade, não passará de um simples boçal. Escrever é talento, é trabalho, é construir com palavras o que cada alma tem a dizer, e não há plágio capaz disso.

O máximo que um plágio pode alcançar é um processo de indenização e manchas que macularão para sempre, a carreira de quem um dia pensou em ser um grande escritor.


O encontro das artes

dezembro 10, 2010

A concepção de um espetáculo não é uma coisa nada fácil, que digam os diretores teatrais, que por vezes surtam diante de tantas possibilidades. A decisão sobre: de qual ponto de vista a história será contada, o que privilegiar em cena, como não deturpar a visão do autor e até mesmo o seu próprio devaneio artístico, são algumas das angústias que assolam os diretores no momento da concepção do espetáculo.

Todo esse turbilhão de sentimentos que toma conta do diretor, é legítimo e faz parte da explosão da criação, portanto, deve ser respeitado, seja em qual fase da concepção do espetáculo ele aconteça. A concepção do espetáculo é o momento do diretor e só ele para resolver os problemas que ele criou em sua cabeça. O autor já viveu esse momento quando da criação do texto e o ator  viverá quando da criação da sua personagem, mas, quando os três trabalham na mesmo sintonia, o resultado é quase sempre espetacular.

O encontro das artes me parece ser o maior dos desafios que um diretor enfrenta quando da concepção de um espetáculo, pois encontrar o espaço igualitário para que todas elas se sobressaiam sem que uma ofusque a outra, torna o trabalho ainda mais árduo, ainda mais quando se faz necessário a inclusão de outras artes, tais como a música e a dança. Mas a perfeição na sintonia de todas as artes faz o espetáculo sair do lugar comum.

Pode parecer muito simples quando alguém vê um espetáculo sendo apresentado, o ator em cena, com o texto decorado, um palco, uma luz aqui e ali, um figurino bonitinho, um cenário para chamar a atenção, e pronto, não precisa de mais nada. Ledo engano, um espetáculo, seja ele de teatro, de dança, de música, só ganho uniformidade pelas mãos de um diretor. É ele quem vai costurar e  tornar possível a homogeneidade do espetáculo. Ele é o responsável pelo encontro das artes

É claro que muitos diretores se acham mais importantes que o texto, que o ator e se colocam acima do bem e do mal, mas todos sabemos que, principalmente o teatro, é uma arte de grupo, e quanto maior a cumplicidade entre as partes envolvidas na montagem de um espetáculo, melhor vai ser o resultado final. Ninguém é mais importante que ninguém, o texto tem a sua importância, o ator tem a sua importância e o diretor tem a sua importância.

O sucesso de um espetáculo passa pela forma em que o diretor o concebeu, mas se torna grande artisticamente, no momento em que o diretor tem a humildade de usar o seu conhecimento em prol de unificar as artes pelo bem da arte que ele dirige, fazendo deste encontro, um momento inesquecível, tanto para quem faz, quanto para quem vê.

Eu reconheço a importância dos diretores na concepção de um espetáculo e consigo enxergar assim a grandeza que é dirigir um espetáculo. Espero que os diretores não me interpretem mal e nem torçam seus narizes pelo meu ponto de vista, pois na minha opinião, um diretor é acima de tudo, o responsável pelo encontro das artes em cena.


A crítica gostou, então é bom!

outubro 1, 2010

Não consigo entender certos posicionamentos que algumas pessoas tomam diante de certas situações. Por vezes, são até capazes de subtraírem seus gostos, contrariarem suas vontades e irem contra suas próprias convicções, só para seguirem uma opinião. E isso acontece em diversos assuntos, mas vou me ater apenas na questão artística, pois os demais assuntos ficam para uma outra oportunidade.

Talvez para agradarem, ou para não se sentirem excluídos de certos grupos, algumas pessoas se deixam influenciar de tal forma por uma opinião, que não conseguem distinguir aquilo que realmente lhe dá satisfação, daquilo que foi induzido a lhe satisfazer. O impulso de compartilhar o filme da moda, a música da moda, os programas da moda, manipulam-na e ela nem percebe.

E se tal filme, novela, música, ou sei lá mais o quê, tiver o aval da crítica dita especializada, será a certificação de que fizeram a escolha certa. A opinião da crítica se tornar maior do que a própria opinião que elas tenham ou tinham sobre o tal filme, tal novela, tal peça de teatro ou tal música. A crítica gostou, então é bom!

O pior é que muitos artistas andam mais preocupados em agradar a crítica especializa do que as pessoas, e acabam se perdendo no meio do caminho, deixando o que realmente pretendiam realizar para trás, em troca de meia dúzia de palavras de recomendações dadas por uma única pessoa. Acho pouco receber a opinião de uma única pessoa, vocês não acham?

O artista faz e leva a sua arte para as pessoas e quanto mais pessoas tomarem contato com a sua obra, melhor. E o ideal é que as próprias pessoas formem suas opiniões sobre o seu trabalho, o aplaudindo, o criticando, o recomendando, ou simplesmente ignorando o seu trabalho. Contar com o gosto de uma única pessoa é prejudicial para o crescimento do artista, pois ninguém é dono da verdade.

Tomar como certa ou errada a opinião expressada por uma única pessoa não atesta a qualidade de nenhum trabalho. E se o que você realizou tinha como alvo, um público específico, com um gosto específico, diferente do gosto e da vontade desta pessoa e esta pessoa renega o seu trabalho, você vai abandonar tudo, tendo a certeza do que o que você fez não presta? A opinião de uma pessoa não deve refletir a vontade de uma maioria.

O artista tem de debruçar sobre a sua arte, colocando nela, toda a sua verdade, despreocupado se vai agradar esse ou aquele. O que interessa para o artista é a satisfação de realizar a sua arte e se ele conseguir atingir um grande número de pessoas, a satisfação vai ser maior e se dentre estas pessoas estiver o crítico especializado, a realização será plena. Mas, se não, sua obra estará feita e sempre vai encontrar alguém que com ela se comova.

Pare de se preocupar com o que vão dizer do seu trabalho, pois alguns vão gostar, outros vão odiar, outros tantos serão indiferentes. Portanto, não dê ouvidos à opinião de uma única pessoa. Seja você o verdadeiro crítico do seu trabalho.


BIENAL DAS ARTES

novembro 25, 2008

VEM AÍ A 6ª. BIENAL DE ARTES DA UNE

DE 20 A 25 DE JANEIRO DE 2009

SALVADOR – BAHIA

TEMA:Raízes do Brasil: Formação e Sentido do Povo Brasileiro

A 6a. BIENAL DE CULTURA DA UNE será realizada entre os dias 20 e 25 de janeiro de 2009 na cidade de Salvador, Bahia. Sob o tema “Raízes do Brasil: formação e sentido do povo brasileiro”.

O evento tem o objetivo de promover e divulgar a produção cultural realizada nas universidades do país, proporcionando, ao mesmo tempo, um amplo debate sobre a formação do povo brasileiro.

Considerada hoje a maior mostra estudantil latino-americana, a BIENAL DE CULTURA DA UNE permite o jovem inscrever seu trabalho em seis áreas de alcance:

MUSICA

ARTES CÊNICAS

CIENCIA E TECNOLOGIA

LITERATURA

ARTES VISUAIS

CINEMA

Além disto, ainda oferece uma programação diversificada que incluI debates, oficinas, workshops, shows e espetáculos realizados por profissionais e grupos reconhecidos.

Já participaram de Bienais passadas os músicos Gilberto Gil e Lenine, o diretores Abdias do Nascimento e Amir Haddad, o dramaturgo Ariano Suassuna e o arquiteto Oscar Niemeyer.

Tendo em vista que a 6a. BIENAL DE CULTURA DA UNE será a maior edição do evento com a expectativa de atrair mais de 15 mil estudantes para a cidade de Salvador, convidamos os estudantes universitários e secundaristas a INSCREVEREM SEUS TRABALHOS!!!!

INSCRIÇÃO ATÉ DIA 04 DE DEZEMBRO

acesse o regulamento em um desses sites

www.cucabienaldaune.blogspot.com
www.une.org.br
www.cucadaune.blogspot.com

Qualquer dúvida entre em contato: bienalune2009@gmail.com

VT BIENAL: http://videolog.uol.com.br/video.php?id=369076


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