Será que o Teatro é realmente caro?

novembro 13, 2015

Desde os primórdios que todo mundo ouve a desculpa de que as pessoas não vão ao Teatro porque ele é uma diversão cara. Um dia, até foi, mas, será que o Teatro ainda é, realmente, assim tão caro quanto às pessoas pensam? É certo que há tempos atrás, a elite fez do Teatro, assim como da Ópera, artes mais refinadas, voltadas, exclusivamente para a diversão da burguesia, e talvez esteja, justamente, nestes fatos, à razão pela qual as pessoas ainda achem que não podem se divertir com o Teatro. Só que hoje em dia não é bem assim.

Vamos começar com o futebol que é vendido como a diversão mais barata que a pessoa tem para aliviar o estresse do cotidiano. Pois bem, uma simples ida ao campo de futebol para assistir a uma partida com dois times de pernas de pau, não sai por menos de cinqüenta reais, isto se levarmos em conta só o preço do ingresso. Se você agregar a isso, o transporte, o lanche, a cervejinha antes e depois da partida, você desembolsará no mínimo, uns cem reais, se for sozinho, se levar o filho, a esposa, a namorada, hum! É, assistir uma partida de futebol não é um passeio tão barato assim.

Vamos tentar algo bastante popular e, que para muitos, é a boa diversão de todos os finais de semana. Que tal um cineminha? Bem, vamos lá: Consideremos que você vá com a sua namorada, esposa, ou ficante, vocês vão desembolsar só com o ingresso de sábado à noite, cinquenta reais. É claro que você não vai entrar na sala de exibição de mãos vazias, não é mesmo? Um “combo” para os dois custa em torno de dezessete reais, somado a condução e/ou estacionamento, uma ida ao cinema não sai por menos de oitenta reais. É, ir ao cinema também não é muito barato!

Talvez se buscássemos uma outra diversão: Um show! Um show é uma boa diversão, não é mesmo? Então vamos lá: Este é uma passeio que você pode fazer sozinho, ir e encontrar os amigos por lá. Pois bem, o ingresso para assistir a um show de qualquer artista um pouco mais famoso, não sai por menos de oitenta reais, ingresso pista, mas se você tem problema com aglomeração e prefere dividir um camarote com uns amigos, pronto, seu passeio já está em cento e trinta reais, fora condução, bebidas… É, o show também não parece algo tão barato.

Já sei! Está super na moda agora ver um combate. É, uma luta! Vamos ver uma luta do UFC. Isso! Uma boa luta para descarregar nossa raiva do chefe gritando com os golpes do grande campeão do octógono. Ah, mas para assistir uma luta dessas, um evento esportivo dessa magnitude, o ingresso mais barato gira em torno de duzentos, trezentos reais, vai ficar muito caro! Se formos levar em conta a condução, a alimentação, meu Deus! Acho melhor parar por aqui. Não é todo mundo que tem bala para assistir a um evento desses.

É, mas diversão é importante, mesmo porque, só trabalhar não faz bem para a saúde de ninguém, não é mesmo? A sorte é que quando a grana está curta, você pode assistir qualquer uma dessas diversões, no conforto de seu sofá, sem medo da violência noturna e de aborrecimentos. Mas todo mundo precisar ir à rua, passear, ver gente, distração em casa, não vale. Teatro, nem pensar, não é? Você já cansou de ouvir que é caro. Você acha mesmo? Se você for comparar, vai se surpreender, até mesmo porque, se você não assistir naquele noite, não terá mais a oportunidade de ver de novo.

Fica fácil perceber, quando passamos a comparar as opções de diversão possíveis, que o Teatro não é assim tão caro quanto as pessoas pensam, até porque, com o valor do seu ingresso, se paga o ator, o diretor, o iluminador, o cenógrafo, o dramaturgo, o figurinista… Será que sabendo disso você ainda acha ele é mesmo muito caro? Faça uma experiência, se você procurar, vai encontrar ótimos espetáculos, com ótimos atores, com ingressos a vinte, trinta reais. Portanto, deixe o seu preconceito de lado e vá se divertir com o Teatro.

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Quem quer cultura?

setembro 11, 2015

Quem conhece o mundo das artes e a luta dos artistas, sabe muito bem do quê vou falar aqui, pois todos sentem na pele a dureza do fazer cultural em nosso país. Nos quatro cantos do Brasil, centenas de abnegados, tentam levar um pouco de cultura para suas cidades, montando seus espetáculos com míseros recursos, muitas vezes tirados dos próprios bolsos, sem nenhuma ajuda dos poderes locais, com raríssimas exceções.

Já está pra lá de ultrapassado, o velho discurso dos homens da política que se apoiam em promessas vãs de que a cultura será mais bem incentivada, que os olhos dos governos fomentarão e privilegiarão as produções locais, ninguém mais acredita, até mesmo porque, toda e qualquer iniciativa de fomentar a cultura, sempre acaba chegando primeiro para quem menos precisa: vide a Lei Rouanet, que sempre acaba contemplando artistas consagrados.

Para falar a verdade, cultura nunca foi levada a sério em nosso país e, não é de hoje, que ela é fomentada pelas próprias pernas dos artistas, que acreditam no poder transformador da arte, para alimentar de sonhos, as realidades degradantes. E vocês podem reparar que, qualquer movimento de corte de despesas do governo, a primeira a sofrer é a cultura; agora mesmo já falam em acabar com o Ministério da Cultura e o seu gestor não diz uma palavra.

Uma pena que os homens que capitaneiam as políticas governamentais ainda não se aperceberam que cultura é muito mais do que apenas entretenimento, cultura faz parte da cadeia produtiva, é geradora de emprego e renda, e capaz de movimentar a economia de qualquer lugar. Mas, quem quer cultura? É certo de que quem está no poder, não quer, pois, se levarmos em conta o desdém com que eles tratam do assunto, não pode ser diferente.

O que me parece é que essa será uma luta interminável, de um lado os artistas em busca de apoios, incentivos, fomentos e condições que contemplem todos os artistas na mesma igualdade de condições, e do outro, os homens do governo que enxergam a cultura apenas como uma diversão frívola para distrair o povo depois de um dia difícil de trabalho. Pensam eles: Um pouco de circo para amenizar a falta de pão.

Mas, o que é certo é que, independente de quaisquer ações efetivas dos governantes, sejam de quaisquer esferas, no sentido de fazer o segmento da cultura prosperar e tornar o artista um profissional verdadeiramente respeitado pelo seu ofício, a cultura continuará a ser disseminada pelo trabalho incansável de formiguinhas de centenas de artistas espalhados pelos quatro cantos do país que sabem muito bem quem quer cultura.


Fazer arte é o meu trabalho

janeiro 4, 2013

Quando se pensa em arte, a primeira coisa que nos vem à cabeça é que arte é uma opção de diversão, correto? Arte, acima de tudo, é entretenimento, é o que nos ajuda a relaxar, o que nos alivia a tensão, o que nos faz esquecer dos problemas, mas, antes de qualquer coisa, arte é um trabalho e um trabalho duro. Tão duro como qualquer outro.

A diferença é que esse trabalho duro é realizado, quase sempre, nas horas de folga de outros tantos trabalhos duros. É na hora do descanso de uns, que os artistas mostram o seu trabalho. Acontece que esses trabalhadores que se divertem, não enxergam a arte como fruto de um trabalho, apenas o resultado da diversão que os alimenta. Ora, fazer arte é o meu trabalho!

Enquanto alguns estão batendo ponto nas repartições, o cartão nas indústrias, nos bancos, nos escritórios, atendendo o público nas lojas, nas feiras, nas padarias, nós, artistas, também estamos trabalhando. Do mesmo jeito que produzem em seus empregos, o artista está lá, no palco, ensaiando sua peça, no estúdio, gravado sua canção, no quarto, escrevendo o seu texto, o seu livro.

Outra coisa muito engraçada é quando perguntam ao artista que não trabalha na televisão o que é que ele faz. Ora, fazer arte é o meu trabalho! Não estar nas TVs, não significa que não seja artista. O artista não vive só de televisão, fazer arte é o seu trabalho e, para isso, não é preciso estar apenas na TV, ou batendo ponto, cumprindo jornada de trabalho ou qualquer coisa que o valha.

Não encare o artista como um desocupado, pois essa é uma visão distorcida e até preconceituosa da parte de alguns. É bom lembrar que é o artista que produz o alimento que sacia a fome da alma de todos. O que cada artista apresenta é o resultado de horas e horas de muito trabalho, que precisa ser executado sem ordem de ninguém, com muita disciplina e sem jornada a cumprir.

Fazer arte não é viver a vida sem compromisso, muito pelo contrário, para fazer arte se necessita muito mais do que compromisso, é preciso dedicação, quase sempre não reconhecida. Fazer arte não é viver a vida sem responsabilidade, muito pelo contrário, para fazer arte se necessita muito mais do que responsabilidade, é preciso se entregar sem saber se será valorizado.

Portanto, não pensem que fazer arte é a mais pura diversão, pois, não é! Arte até pode ser diversão quando do seu resultado final, mas, antes que ela se torne uma diversão para todos, é o meu trabalho, digno, honesto e tão duro quanto qualquer um.   


A cultura precisa ser descentralizada

agosto 8, 2012

Nos rincões do Brasil há muito que fazer, falta educação, falta condição para uma vida digna, falta tratar o brasileiro como filho da terra e acima de tudo, falta levar esperança a quem quer uma razão pra viver. E como fazer isso? Levando arte e cultura para cada canto deste país. Arte e cultura não podem ser privilégios dos grandes centros.

Mais e mais o povo está sedento por arte e cultura, mas elas quase não chegam aos pequenos lugares, ou quando chegam são apenas momentos de entretenimento. É preciso mais. A cultura precisa ser descentralizada e incentivada, pois muitos “dons quixotes” lutam diariamente contra moinhos de ventos tentando em vão, levar um pouco de cultura.

Como seria mais fácil se os incentivos chegassem até esses “dons quixotes”, mas a cultura é centralizada, os recursos são centralizados e o povo que mais precisa, fica lá, esquecido, vivendo numa ignorância cultural, sem esperanças e sem conhecer possibilidades que permitam alçar grandes vôos. Um país só será inteiro se todos tiverem as mesmas opções.

Parece até um contrassenso, mas onde haveria de ter mais incentivo para divulgar e transmitir cultura e arte é aonde se chega menos verbas. Não se pode tratar como iguais, regiões com tantas diferenças, é uma deslealdade. Incentivar manifestações culturais em regiões menos favorecidas, devia fazer parte de um projeto específico.

É claro que algumas iniciativas, até já foram tomadas e ainda são tomadas aqui e ali, mas descentralizar a cultura do jeito que surta algum resultado á médio prazo, ainda está longe de acontecer. Essas poucas iniciativas são pequenos sopros que balançam os pequenos moinhos de ventos com os quais lutam todo dia, esses tantos “dons quixotes’

A arte e a cultura não vão resolver a vida dos habitantes dos rincões de país, nem melhorar as condições de suas vidas, pois a dignidade de uma pessoa custa bem mais do que isso, mas levar arte e cultura vai fazer com que o povo perceba que existem outros caminhos para se trilhar. A cultura e arte engrandecem o cidadão, mesmo que ele nem se dê conta disso.

Portanto, a luta para descentralizar a cultura e a arte, deve ser uma bandeira, não de guerra, mas de unificação, isso mesmo, unificação por um povo culto, que forme de fato, uma grande nação. Talvez isso seja utopia e eu nem tenha percebido que apenas sou um “dom quixote” lutando contra moinhos de vento.


Teatro também é entretenimento

dezembro 3, 2011

Desde os tempos longínquos, lá da Grécia antiga, que os grandes pensadores se valiam da arte do Teatro para transpor em cenas as histórias dos seus mitos. Tempos mais tarde, dramaturgos como William Shakespeare, Tennessee Williams, Nelson Rodrigues e Plínio Marcos dramatizaram com brilhantismo o turbilhão de emoções da alma humana, mas hoje em dia, a arte do Teatro também passou a ser um excelente entretenimento.

O caráter provocativo, questionador e investigativo da alma humana, que sempre norteou os textos de teatro e consagraram os autores gregos e os contemporâneos, vem perdendo cada vez mais espaço para os textos de comédias e textos mais leves, o que vem dando ao Teatro, o status de ser mais uma opção de entretenimento. E isso parece um movimento sem volta, pois é uma escolha popular.

Sei que muitos torcem o nariz para essa tendência de espetáculos que exploram o gênero comédia e continuam a produzir segunda a receita dos consagrados dramaturgos, que buscavam através de suas histórias, desvendar as entranhas do Ser humano, provocá-lo e fazê-lo pensar, mas o público anda cada vez reticente à esses gêneros de espetáculos dramáticos, preferindo cada vez mais as comédias. Talvez isso seja pelo estresse da vida moderna.

Não há com negar que o Teatro vem se tornando cada vez mais entretenimento, e tanto as comédias, como os grandes musicais, (que a cada dia ganham espaço no gosto popular) tem contribuído muito por essa forma de contar as histórias, voltadas mais para agradar, encantar, entreter, do que questionar, provocar e estimular o pensamento. Os dramas do dia-a-dia não mais seduzem o público, aliás, na verdade, acho que o grande público nunca foi seduzido por eles.

O desvendar da alma humana que permeavam os grandes textos de teatro e que o fazia ser uma das grandes artes do pensamento, veio pouco a pouco perdendo o seu espaço e hoje só alguns poucos artistas famosos, ousam produzir os grandes clássicos. Não que os outros artistas discordem da importância, ou da excelência literária e dramatúrgica destes textos, é apenas por pura sobrevivência. Ou você faz o povo rir, ou você passa fome.

E assim, de comédia em comédia, de musical em musical, a arte do Teatro que  tinha suas bases em conflitos da alma humana, carregados de dramas, questionamentos e provocações, vai se tornando entretenimento e se aproximando cada vez mais do povo. Uma pena? Eu particularmente acho que não, pois até prefiro escrever comedias aos dramas humanos e não é porque eu escreva comédias que não esteja escrevendo para o Teatro.

Teatro é a arte de interpretar a vida humana, portanto, por que não se pode contar uma história sobre a ótica da comédia ou através de musicais? Não é porque a intenção é entreter que não se pode questionar, provocar e instigar o pensamento humano. E para terminar vale lembrar que é rindo que falamos as mais duras verdades, não é verdade?


É carnaval e só.

março 3, 2011

Mais um ano o reinado de Momo toma conta do país e de norte a sul, de leste a oeste, por toda parte, só se fala em carnaval. A descontração toma conta das pessoas que saem as ruas apenas para serem felizes. É mesmo impressionante o poder que esta manifestação popular, a maior do mundo, tem de transbordar pelas ruas, alegria e euforia.

Nesse período carnavalesco, tudo passa a ser secundário, teatro, cinema e até mesmo a televisão, acaba se rendendo e espremendo sua grade de programação para transmitir a folia dos quatro cantos do país. E não adianta torcer o nariz que tudo lhe fará lembrar que estamos em pleno carnaval. Goste você ou não, a prioridade é informar tudo sobre a maior festa popular.

E essa festa, mesmo parecendo só ter lugar para alegria e descontração, tem outros lados, que quem só pensa em brincar e extravasar, ás vezes nem percebe. Tem o lado que enaltece e divulga a cultura do país, mostrando a diversidade cultural de um país continental como o nosso. É frevo, é maracatu, é boi bumba, é jongo, é afoxé, o samba, e outros tantos, uma variedade de ritmos e danças, de encantar qualquer um, até os que dizem não gostar. Duvido que ninguém nunca se sacudiu a som de algum desses ritmos!

Tem também o lado empreendedor e industrial, pois para realização da festa, pequenas indústrias se formam em cada canto do país, recrutando milhares de trabalhadores e profissionais que constroem as estruturas que servem de base para toda essa grande folia. O carnaval, talvez seja, dentro do segmento cultural, aquele que mais gera emprego e o que oferece a maior diversidade de mão de obra qualificada e não qualificada.

Tem ainda o lado financeiro e econômico, pois o carnaval, seja lá onde ele esteja acontecendo, movimenta uma enorme quantia de dinheiro e faz a economia local e do país prosperar. Talvez não haja no país, nenhum evento a altura desta festa popular que arrecade tanto em tão pouco tempo. São vários os segmentos que se beneficiam com este evento cultural e para o bem da saúde econômica e financeira do país, apoiar, divulgar e incentivar o carnaval sempre fará bem a todo mundo, até mesmo para quem não gosta de carnaval.

Então, rendemo-nos a esta grandiosa manifestação popular chamada carnaval, que invade as ruas dos quatro cantos deste país e se torna o acontecimento mais importante durante quatro dias, trazendo festa e alegria. Uma festa de muita importância, que mesmo aqueles que a acham apenas mundana e de apelo sexual, servindo tão somente para proliferar vícios, não tem como negar, pois o carnaval contribui tanto economicamente, quanto culturalmente e como um grande evento de entretenimento.

Bem, para aqueles que são loucos por carnaval, que brinquem, extravasem e aproveitem até o dia de rasgar a fantasia, sempre com muita responsabilidade. E para aqueles que não querem nem ouvir falar desta festa, um bom descanso, uma boa leitura, ou um bom filme, enfim, uma boa diversão.


Quando o humor erra a mão

agosto 13, 2010

Não há como negar, é evidente o crescimento da exploração do humor como forma de entretenimento para o povo, seja no teatro ou na TV. E falando em TV, é só ligá-la, (você pode escolher o canal que quiser) que tem programas para tudo que é gosto, aliás, tem até os de mau gosto. Mas, cada um é livre para escolher o quer ver e quem os faz, deve ter a certeza que está fazendo o que tem de mais engraçado no momento.

Os programas de TV buscam a qualquer custo arrancar risos do telespectador, mas ás vezes, nem os próprios humoristas se divertem, pois não consigo achar possível que eles achem que realmente estão fazendo humor. Chega até ser deprimente assistir certos humorísticos na TV. Repetitivos, velhos e com humor do tempo do meu avô.

Outra tentativa de se fazer humor nos dias de hoje, são os chamados “Stand up Comedy’s”. Essa forma de se fazer engraçado, responde pela atual febre do momento. Cara limpa, palco vazio, (na verdade, pode ser no bar, restaurante, em qualquer lugar que tem gente a fim de diversão) e a mistura de doses de histórias insólitas com muitas bobagens são o suficiente. Parece que todo mundo agora virou “Zé Graça”. Mas o que se vê por aí é muita gente e muito programa errando a mão. Fazer humor tem se mostrado ser mais difícil do que se pensa.

Tem certos programas de TV, que em troca de alguns números do IBOPE são capazes de coisas inimagináveis. E tentam de tudo, piadas, cutucadas, tortas na cara “estilo pastelão”, tiram a roupa, fazem micagens e caretas, chegam a níveis que beira a debilidade. E quando algumas dessas tentativas não dão certo, partem para expor o ridículo da pessoa, apelando de vez para baixaria e a falta da educação.

É certo que existe muita gente boa, que sabe ser engraçada, sabe fazer um humor que diverte, sabe até entender quando não foi realmente feliz na piada e, acima de tudo, respeita o espectador, não fazendo dele seu refém para algumas tentativas infelizes de demonstrar seu humor. Também é certo que é da quantidade que se tira a qualidade, mas a quantidade que tem tentado é de fazer chorar.

Não falo como especialista, pois nem contar piadas eu sei, falo como especta-dor, aliás, como telespectador, que chora toda vez que liga a televisão e se depara com a quantidade de programas humorísticos na programação da TV Brasileiro, um pior do que o outro. Tenho impressão que, ou eu ando mesmo carrancudo demais, ou as pessoas que tentam fazer humor, estão errando a mão, e muito.

Eu sei que a tentativa de fazer rir é louvável e deve ser sempre estimulada, mas entendo que a arte de fazer rir é para poucos. Humor tem de pegar a pessoa distraída e desarmada, a ponto que ela não tenha nenhuma reação, a não ser, rir, somente rir. Qualquer coisa fora disto, é apenas uma tentativa de se fazer engraçado.


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