A importância da insignificância

abril 20, 2013

Outro dia me peguei pensando em quanto a sociedade está superficial e dando importância a tantas coisas e pessoas insignificantes. São discursos vazios, sobre assuntos vazios, de pessoas vazias, de mulheres objetos e a mídia ainda perde tempo disponibilizando espaço para isso, confesso que não consigo enxergar onde a mídia se beneficia em dar tanto espaço para isso tudo.

Acho que a frivolidade do mundo pode estar contribuindo para que as pessoas se interessem pelo que há de mais insignificante. A volúpia do ser humano ganhou tal importância, que é só acontecer algo inusitado com umas dessas pessoas insignificantes, que tem no próprio corpo, o ápice do seu ser, para que os vários sites salpiquem suas páginas de notas e mais notas sobre o assunto.

É triste constatar que hoje em dia o que mais aguça a curiosidade do ser humano, é querer saber e estar por dentro do que está acontecendo de mais importante com pessoas insignificantes. Acho que essa questão dos realitys shows não fez nada bem, nem para um lado, nem para o outro, pois uns acham que são: “o máximo” e outros, fazem com que eles acreditem nisso.

A importância das coisas perdeu o sentido e qualquer acontecimento passou a ganhar um destaque inimaginável e o insignificante virou manchete de jornal, tomando o espaço daquilo que é realmente relevante para a vida das pessoas. Saber que uma mulher colocou silicone, ou que sicrana trocou farpas de ego ferido com fulana, passou a importar mais que uma descoberta científica.

Talvez a necessidade de alimentar com conteúdos numa velocidade maior dos que as coisas acontecem esteja fazendo com que algumas páginas ou programações de vários veículos de comunicação, disponibilizem essa enxurrada de notícias sem importância, de gente insignificante, que não vai mudar nada no mundo e na vida de ninguém.

Parece que cada vez mais estamos vivendo a ditadura da insignificância e da volúpia da mulher objeto, pois a notoriedade que dão a um par de seios siliconado, ou a um corpo, dito: perfeito, é um absurdo. Fico admirado com a capacidade que algumas mulheres tem em se submeterem a esse papel, por cinco minutos de fama. Creio que a revolução feminista não foi para isso.

E assim os dias passam, e os veículos de comunicação seguem seus cursos, torcendo para que mais pessoas insignificantes, deixem os seus seios à mostra, falem algumas tantas bobagens, deixem que enfiem a mão em suas genitálias enquanto sorriem para as câmeras como tudo fosse normal, e vivam em sua plenitude, os seus eternos cinco minutos de fama e importância.


A difícil arte de viver de Arte

dezembro 11, 2011

A sensibilidade apurada, a visão crítica sobre a vida humana e a capacidade de emprestar a alma e o corpo para uma personagem sempre foram características que fizeram um artista ser conhecido e respeitado, mas hoje em dia ser artista anda tão difícil! Sabe o que é? A concorrência está brava, eu diria até, um pouco desleal, pois o que tem de gente se achando e se dizendo artista, é uma coisa de louco!

Está cheio de gente na mídia que se diz artista, artista de quê? Do silicone da hora? Qual a arte que eles fazem? Posar nua à beira mar agora também é arte? E desfilar bíceps e abdomens torneados, é arte do quê? O que eu não entendo é porque a mídia despende tanto tempo e importância à esse tipo de celebridade, os tratam como se fossem artistas consagrados. Coitado é do artista de verdade que estuda e se aprimora para viver de sua arte.

Antes o artista tinha o seu valor, sua arte era a sustentação da sua carreira, era a sua arte que fazia a diferença, agora, o artista de verdade, aquele que construiu a história do cinema, do teatro, da televisão brasileira e que hoje está no esquecimento, quiçá até em dificuldades financeiras, nem sequer é lembrado por essa mídia, interessada apenas na vulgaridade, na futilidade, na banalidade de gente que usa o nome de artista, eles não são ninguém!

Batalhar de sol a sol a sua carreira, seja de músico, de ator, de diretor, de cantor, de bailarino, de palhaço é tarefa dura como a de qualquer outro trabalhador, pois viver de arte, nunca foi fácil e hoje, ainda mais difícil. A grandeza de um artista que encantava aos olhos das pessoas comuns, anda espezinhada e jogada no mesmo balaio de gatos dessa gente que vive na mídia, se diz artista, mas não faz arte nenhuma.

Não sei onde isso vai parar, nem sei se um dia isso vai parar, mas a verdade é que para ser artista está cada vez mais complicado, o espaço quase sempre escasso, hoje em dia é quase nenhum e a valorização de quem tem uma arte para mostrar é cada vez menor, pois parece que a arte nem é tão importante assim, basta um par de seios, um escândalo, ou um babado qualquer, ai sim tudo fica mais fácil.

Que cada um tem o direito de ganhar a vida como bem quer, isso não se discute, o que deve ficar bem claro é que essa gente que circula nas revistas, nos portais de internet, que plantam notícias, vivem de fofocas, da exposição de seus corpos e desfilam suas futilidades aos quatro cantos, podem ser o que elas quiserem ser, mas por favor, parem de dizer que são artista, ok? A vida de artista é muito dura para vocês, vai tomar demais o tempo precioso de suas vidas e vai lhes dar muito, mas muito trabalho.


Todo mundo quer ser celebridade

outubro 21, 2011

Nunca isso foi deste jeito, não faz muito tempo á arte era uma coisa totalmente diferente e o artista tinha o seu valor, mas de uns tempos pra cá a coisa degringolou de tal forma que as pessoas perderam a noção do que é ser um artista. A enxurrada de notícias sobre as futilidades da vida de celebridades instantâneas fabricadas pela mídia é tão grande, que a população acaba dando notoriedade a quem não tem nada para mostrar além de um par de seios siliconados, deixando de lado aquele que faz arte de verdade.

E a coisa já ganhou proporções estratosféricas e beira às raias do incontrolável, tamanha é a sede por notoriedade que se vê nos dias de hoje. Agora todo mundo quer ser a celebridade da hora, e mais e mais as mídias nos enche com banalidades, deixando de dar espaço aos artistas de verdade, que continuam nos submundos das cidades mendigando um pouco de reconhecimento. Ser artista parece que está fora de moda.

São raros os jovens que ainda buscam investir em algum de seus talentos, pois é muito mais fácil ficar famoso postando vídeos bizarros na internet, ou coisas do tipo. Vale qualquer coisa para aparecer e quando digo qualquer coisa, é qualquer coisa mesmo. E o pior é que a mídia, com a sua caixa de ressonância faz dessas pessoas, celebridades da hora e elas jamais quererão saber deoutra coisa, senão procurar estar na crista da onda.

E o povo, reverberando o que a mídia estimula, dá à essas celebridades da hora, ares de artista, quer tirar foto, quer saber notícias da vida, as fofocas, as encrencas que elas se envolvem, assuntos de fuxico da vida alheia, pois é só isso que essas pessoas podem dar e mais nada. Pergunta pro povo quem ganhou o reality show tal, ele responde na lata. Mas são poucos os que sabem nomes de artistas, principalmente quando estes estão longe da mídia.

É muito triste ver que o interesse pelo nada é maior do que o interesse por qualquer arte, parece mesmo que estamos no fim dos tempos. Tirando as guerras e a corrupção que escancara a desfaçatez dos políticos deste país, as notícias sobre as celebridades da hora entopem os portais da internet, estimulando mais e mais o povo a querer se igualar à elas e ser a próxima celebridade da hora. A mídia está criando um exército de monstros.

O estimulo ao interesse pelo fútil e o banal, vai criando uma geração descompromissada e despreocupada em aprender, em querer desenvolver algum talento, em querer estudar para ser um artista de verdade, em obter cultura que o engrandeça como um Ser humano pensante e o torne capaz de participar da evolução de seu país. A importância demasiada à essas celebridades só vem a contribuir para emburrar mais e mais a população.

Espero imensamente que esse seja um movimento passageiro, (embora já esteja demorando muito para acabar) onde a mídia explore ao máximo a exposição da futilidade do Ser humano vazio, esgotando assim, de uma vez por todas, o interesse pelo nada, e o artista de verdade, recupere o seu espaço e tenha de novo o reconhecimento por todo o seu estudo, por todo o seu empenho, por toda a sua arte.


A futilidade da fama pela fama

julho 22, 2011

A busca desenfreada pela fama anda cada vez mais acelerada, que já não se medem mais esforços para alcançá-la. As pessoas querem ser famosas e só. A necessidade de se fazer importante no meio da multidão faz com que pessoas simulem a morte, inventem fofocas, fabriquem brigas e desentendimentos, forjem relacionamentos, tudo, mais tudo mesmo para entrar na mídia.

Pessoas se colocam em situações constrangedoras e, às vezes, até bizarras, apenas para desfrutar de popularidade. Pra quê? Uma enxurrada de futilidade que norteia canais de TV, revistas de fofocas e portais da internet, ocupando espaço e dando espaço para quem não tem nada à acrescentar. Parece que foi criada mais uma profissão no país, a de “famoso”.

Sentou na primeira fila de um programa de auditório e teve seu rosto brindado com um “close”, pronto, nasceu ali mais uma emergente, candidata a famosa que não medirá esforços para não mais sair de foco. A necessidade que as pessoas tem de serem tratadas e sentirem uma celebridade é algo que assusta pelo alto grau das imbecilidades e futilidades que estas são capazes de fazer.

Tantos talentos desperdiçados, tantas coisas a serem acrescentadas para se produzir um país melhor, e enchem a mídia com pessoas desinteressantes, mulheres exibicionistas e gente vazia, preocupadas em serem reconhecidas como alguém famosa. E o pior é que a mídia transforma cada uma delas em famosa da hora.

E dá-lhe notinhas: É fulana que aplicou não sei quantos mililitros de silicone, é sicrana que fez mais uma sessão de fotos nua para uma revista masculina, é beltrana que espalha ter um caso com um jogador de futebol e, assim, a futilidade da fama pela fama, vai enchendo a nossa vida com coisas vazias, sem nos perguntar o que isso nos interessa.

E enquanto o espaço é preenchido por essas pessoas muito “famosas”, o teatro vai ficando para trás, a cultura vai ficando para trás, o talento passa a não ter mais tanta importância assim e a formação em arte dramática, algo totalmente desnecessário. Hoje em dia, o espaço que seria para um artista demonstrar a sua arte, está loteado por famosos que não tem nada a dizer, algo realmente muito triste.

A mídia de hoje em dia se divide em notícias sobre desgraças e violências, e notícias sobre a intensa e frenética vida de futilidades desses “ilustres famosos” e o espaço para aquilo e para aqueles que tem algo a dizer, fica ali escondido, quase que invisível diante dos olhos das pessoas que querem apenas receber um pouco de cultura e conhecimento.


A arte de expor o corpo nu

maio 28, 2010

Ah, a beleza! A beleza é coisa dos deuses e de deuses, pobres mortais não tem esse poder. E mais e mais beldades desfilam suas ignorantes belezas diante de nossa visão embasbacada pelo encantamento que elas causam. E não tem nada mais artístico do que expor o próprio corpo nu. Ah, como é bom quando se é um escolhido dos deuses!

As portas estão sempre abertas e tudo se ofusca diante da beleza! Um corpo que exala a arte da beleza vira celebridade, ganha papel em novela no horário nobre, desfila suntuosamente a sua importância, diante do público, enfeitiçado. Ah, a beleza! Como dá trabalho!

Azar dos artistas que são feios e carrancudos, que precisam debruçar os seus saberes entre livros e poesias, entre “Shakespeare” e “Eurípides”. Passarem noites e dias em suados exercícios de interpretação e mais dias e noites buscando um humilde lugar no Olimpo, pensado apenas em mostrar a singela arte de interpretar. Ah, se eles fossem belos!

Não perderiam tempo com tanta banalidade, livros e clássicos são apenas para os feios. Se fossem belos, precisariam apenas debruçar seus corpos torneados em pranchas de abdominais e suarem em exercícios de supinos. Passariam noites e dias em salões de estética e estampariam seus rostos em revistas de celebridades. Ah, como faz falta a beleza!

Sem ela tudo fica mais difícil, não se tem quase chance num já concorrido mundo dos mortais. Por mais que o encantamento do saber comova, o encantamento da beleza ofusca e faz tornar entediante, o ato de ouvir declamações poéticas e discursos filosóficos. Para quê, se temos a arte da beleza de um corpo nu exposto em páginas de revistas? Ah, a beleza é fundamental, como já disse um dia o poeta.

E o que seria do poeta sem a beleza? Apenas versos secos e cinzentos, seria apenas natureza morta em telas esbranquiçadas, apenas melodias monocórdias de um zoar irritante. Pena que a beleza que outrora era apenas musa da criação, ganhou ares de artista e passou a achar que seu corpo tornou-se a própria arte, a ponto de expô-lo nu em troca de se tornar celebridade. Ah, a beleza! Como ela cega!

Sorte ter nascido poeta, pois assim consigo enxergar a beleza do jeito que ela realmente é. Apenas algo que encanta os olhos, que inspira a alma e faz os dias ficarem bem mais bonitos.


Artista ou celebridade?

maio 8, 2010

As coisas hoje em dia estão de tal forma, que até parece que tudo está de pernas para o ar, ou fora da ordem, mesmo! Há uma confusão enorme entre o que é ser um artista e ser uma celebridade, principalmente essas instantâneas que pipocam de tempos em tempos e tomam conta de toda mídia.

Celebridade, qualquer um pode se tornar, seja lá participando de programas de “reality shows”, casando com alguém influente, armando barracos, correndo atrás de jogador de futebol, até político vira celebridade. Tem até certos artistas, que se acham mais celebridades do que artistas. Bem, esses, na verdade, não sabem direito o que querem: se o difícil sacerdócio da arte, ou os reluzentes holofotes das câmeras.

É certo que essa coisa de ser famoso, se tornar conhecido por um grande número de pessoas, ser popular, está no ser humano, todo mundo quer aparecer e ser conhecido, mas tem gente que é capaz de tudo. É uma loucura, loucura, loucura, como diz Luciano Huck. Só que muitas dessas celebridades, as instantâneas, principalmente, surgidas em programas de “reality shows” e que usufruem da grande popularidade alcançada, de uma hora para outra acham que são artistas, pode?

O pior é que muitos compram essa idéia e é aí que se faz a confusão. Quem até então era celebridade instantânea, vira artista revelação, e vai fazer teatro, vai fazer cinema, vai fazer televisão e o que se vê, em termos de qualidade artística, é deprimente! Jogam a arte de interpretar na lata no lixo. E não me venham dizer que fulano tem talento e é esforçado, pois isso não se sobrepõe aos anos de estudo e dedicação que um artista tem de ter.

Acho que não deviam misturar as estações. Uma coisa é uma coisa, outra coisa é outra coisa: celebridade é celebridade e artista é artista. A diferença é tão clara, se pode ver à olhos nus. Celebridade só quer uma coisa, está na mídia, quanto mais, melhor, seja lá fazendo o quê e do jeito que for! Já o artista nem sempre precisa aparecer, o reconhecimento de sua obra, muitas vezes, já basta!

Não se pode quer ser artista se lançando na mídia como uma celebridade, o caminho é justamente o contrário. É o trabalho de um grande artista, que de tão reconhecido, o faz se tornar uma celebridade, não apenas pelo que ele é, mas também pelo que ele faz. A arte dele o faz tão imenso que a mídia tratará de torná-lo popular, tão e mais, como qualquer uma dessas celebridades que pipocam volta e meio no mundo artístico.

Ser artista é uma coisa muito séria, que demanda muitos sacrifícios, muitos degraus a subir, um caminho longo a percorrer, muita abdicação, muito estudo e muito trabalho, por isso, tem-se que prestar muita atenção e saber separar o joio do trigo, pois artista tem alma e celebridade tem apenas um corpo ou uma carinha botina, e nada mais.


A busca pelo reconhecimento

novembro 30, 2009

Não é fácil percorrer o caminho do reconhecimento profissional, seja qual for a sua profissão. A difícil tarefa de ter seu trabalho reconhecido, por vezes, deixa marcas profundas naqueles que não sabem lidar com o descaso com que é tratado o seu trabalho.

Transportando esta situação para a arte, esse quadro fica muito mais claro, pois, quantos atores, atrizes, músicos, diretores, dramaturgos, bailarinos, suam a camisa para mostrar sua arte e não recebem nem os aplausos que seus trabalhos merecem?

É óbvio, que não é apenas a satisfação pessoal que alimenta a vida do artista, um mínimo de reconhecimento também é o objetivo. Pois, qual seria o sentido de fazer e mostrar a sua arte para ninguém? Quem se mostra, quer agradar alguém e espera que esse alguém o retribua um mínimo de reconhecimento.

A indústria do entretenimento deixou de dar o devido valor ao artista de verdade. A principal matéria prima que movimenta a roda dessa indústria, por vezes, é tratada com casca e tudo. E o pior: aspirantes a celebridades recebem mais consideração do que quem passa horas e horas ensaiando o seu espetáculo, o seu show, escrevendo seu texto ou ensaiando sua dança.

O quadro se mostra cada vez mais trágico e desanimador. Cada vez mais, o artista recebe apenas tapinhas nas costas e de quando em quando, recebe “um parabéns” pelo seu trabalho e, olhe lá. E, devem se dar por satisfeitos e plenamente reconhecidos, os que conseguem obter tal consideração.

A busca pelo reconhecimento merece o mesmo empenho e esforço que é dado para excelência de sua arte, porque não é nada fácil ter que ouvir de alguns, quase sempre recalcados, que seu trabalho não vale á pena. Ou simplesmente ter o seu trabalho ignorado. O que é muito pior.

Quem sabe, essa febre de idolatrar os “aspirantes a celebridades”, passe um dia e o artista possa retomar seu lugar na roda que movimenta a indústria do entretenimento. Quem sabe assim, possa obter o devido reconhecimento por sua arte. Enquanto isso, busquemos nós, pobres artistas, o reconhecimento daqueles que acreditam no nosso trabalho.


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