A Cobra de Fogo

setembro 15, 2017

Hoje eu vou contar para vocês o maior susto que levei na minha vida. Juro! Foi um susto tão grande que até pensei que fosse morrer. Vocês não acreditam? Mas é verdade! A Joana e o Paulinho podem confirmar tudinho! É, eles também quase morreram de susto. Foi uma aventura assustadora. Vou contar:

Teve um feriado bem grande, acho que era feriado da Independência, não, acho que era da República. Eu sempre me confundo com esses dias! Mas, sei lá, foi um feriado bem grande, então, meus pais resolveram visitar os parentes lá do interior, para eu não ir sozinho, pedi para minha mãe deixar a Joana e o Paulinho ir junto com a gente. Ela deixou.

Eu não queria ficar sozinha brincando com os primos João e Antônio, eles sempre arrumavam um jeito de me levar pra mata e me dar um susto. Dessa vez, a Joana e o Paulinho podiam me ajudar. Quem sabe a gente não conseguia dar um susto neles? Que nada! Acabou todo mundo levando o maior susto!

Chegamos e eu tive que passar por toda aquela encheção de novo: Veio o tio e puxou a minha bochecha e disse: “Que menina mais linda!”, a tia veio e disse: “Como cresceu essa menina!”. Mas já nem me importei como isso. Ainda bem que dessa vez os primos estavam na sala e chamaram a gente logo para ir lá pro quintal.

O Antonio e o João levaram a gente, primeiro para dar comida para as galinhas e depois pro Chicão. Nossa! O porco ainda mais gordo. Parecia que ia explodir!

– Ô, Antonio, esse porco vai explodir!

– Vai nada, Helena!

– Aqui tem rio? Disse o Paulinho.

– Tem sim! Respondeu o João!

– Você não me falou que tinha tanto mosquito aqui, Helena! E é fedido!

– Mas sua amiga é fresquinha, hein Helena?

– É nada, Antônio! É que ela tem medo de tudo.

– Inton vai morrê aqui! Começou a rir o primo João.

Não demorou muito tava todo mundo rindo da Joana, que ficou emburrada e saiu em direção à mata.

– Não! Ela não pode ir naquela direção! Disse o primo Antônio!

– Joana! Volta aqui, Joana! Era brincadeira!

– Inda mais agora que já anoitecendo.

O Paulinho saiu correndo em direção à mata atrás da Joana. Os primos pediram para eu esperar que eles iam buscar umas coisas, se caso a gente demorasse pra voltar. Trouxeram uma mochila com água e umas lanternas. A noite caiu de repente. Tudo ficou escuro. Não tinha estrela, nem lua no céu.

Os primos foram na frente e eu fui atrás deles, já não tinha mais nenhum sinal da Joana e do Paulinho. Os primos acenderam as lanternas e a gente foi caminhando, caminhando.

– Joana! Paulinho!

Era um silêncio só, nem bicho tava fazendo barulho. Os primos se olharam e vi que eles estavam morrendo de medo. Então fiquei apavorada. Se os primos estão como medo, o quê será que tem dentro daquela mata?

A gente foi entrando, ate que os primos iluminaram um lugar. Deu pra ver a  Joana sentada em um tronco de árvore conversando com o Paulinho. Vocês acreditam que ela ainda estava chorando? É, mas a gente não devia ter rido dela. Não eu! Ela é minha melhor amiga. Então fui correndo na direção dela, sentei no tronco do lado dela e pedi desculpa. Os primos começaram a provocar a Joana e eu logo dei uma bronca.

– Chega com essa brincadeira! Já achamos a Joana agora vamos voltar.

Aí é que começou a aventura que eu nem esperava viver naquela noite. Para começar, as pilhas das lanternas dos primos, acabaram. Ficou tudo uma escuridão. Só dava para ver os olhos da gente. A Joana logo se sentiu culpada.

Mas, eu não podia deixar ela se sentindo culpada, afinal foi a gente que começou.

O Paulinho teve ideia de usar a lanterna do celular dele. Também só durou até os primos conseguirem arranjar uns galhos para fazer uma fogueira. Foi só acender a fogueira que a bateria do celular do Paulinho acabou.

– Agora com a fumaça, os pai acha a gente. Disse o primo Antônio.

Então a gente se sentou em volta da fogueira, porque já tava ficando muito frio, foi aí que, de repente, aquele tronco que a Joana e o Paulinho tavam sentado, começou a se mexer, foi ficando transparente, com uma iluminação maior que a luz da fogueira.

– Nossa senhora! É o Boitatá! Gritou o primo Antonio.

– Não olha! Não olha! Não olha senão vocês vão ficá cego! Disse o primo João.

Era uma cobra de fogo! Ela parecia que tava bem zangada. Todo mundo ficou com os olhos fechados e parados.

– Mas se ela vier atacar a gente? Disse a Joana morrendo de medo.

– Se tiver um facão aí, me dá, que pico essa cobra em mil pedaços. Disse o Paulinho.

Como a gente ia sair dali? A gente não podia olhar senão ficava cego. Foi aí que eu me lembrei da aula do Folclore. O Boitatá é uma cobra de fogo que protege a floresta e ataca quem tenta colocar fogo na mata. Mas, é uma lenda. Não podia ser real. Só que era, e tava ali, na nossa frente. Iluminando a mata. Foi então que eu gritei:

– Vamos apagar a fogueira! O Boitatá pensa que a gente tá colocando fogo na mata. Por isso quer atacar a gente!

Mas, como a gente ia apagar aquela fogueira? Aquela cobra ia acabar pegando a gente. Não tinha jeito! De repente só escutei um barulho de água e a fogueira apagando. Os meninos fizeram xixi em cima da fogueira e apagaram o fogo.

– Podem abrir os olhos, meninas! Acabou  fogo! Disse o Paulinho

Aquilo só podia mesmo ter sido ideia do Paulinho. Quando a gente abriu os olhos, não tinha mais nada, nem fogueira, nem Boitatá, só a escuridão e os nossos olhos brilhando. Foi um susto tão grande que quando tudo acabou, eu e a Joana caímos no chão.

Só me lembro da gente acordando no quarto no dia seguinte em que a gente chegou à casa dos tios. Mas, vocês não fiquem pensando que foi tudo um sonho meu, não! Foi tudo de verdade, viu? Podem perguntar pra Joana e pro Paulinho que eles vão confirmar tudinho!

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A máquina do tempo

julho 7, 2017

Essa é mais uma aventura daquelas, vocês nem vão acreditar! Aposto que ainda vai ter um monte de gente que vai achar que eu estou mentido, só que a Joana e o Paulinho podem confirmar tudinho pra vocês. Foi assim ó:

Teve um fim de semana que eu, a Joana e o Paulinho fomos visitar o avô da Joana, seu Nestor, ele é muito legal, está sempre inventando uma porção de coisas esquisitas, parece até um cientista. Na casa dele tem um chuveiro que desliga sozinho quando a gente sai para se secar, tem um vaso que rega as plantas, sozinho, quando a gente vai lá na casa dele é sempre a maior diversão.

Só que naquele dia, a gente viveu uma aventura de verdade! O seu Nestor estava montado uma máquina esquisita, era uma geladeira vazia por dentro, não tinha nem prateleiras, tinha uma porta de vidro e dentro da geladeira tinha uns botões igual aos de um elevador, Seu Nestor entrava e saía, digitava os botões, saía, depois entrava de novo. E a gente ali, na maior curiosidade.

– Vô, que é isso?

– Uma máquina do tempo, Joana!

– Não acredito!

– Verdade?

Seu Nestor entrou na geladeira e começou a digitar novamente os botões.

– Vocês querem viajar comigo?

– E não é perigoso, vô?

– Deixa de ser medrosa, Joana!

– Eu quero! Vai ser a maior aventura.

Todo mundo entrou naquela geladeira, tava tão apertado que nem dava para respirar direito.

– Tá apertado aqui!

– Não pisa no meu pé, Paulinho!

– Estão todos preparados?

Então, seu Nestor digitou novamente os botões e, de repente, começou acender e apagar a luz de dentro da geladeira, fazer um barulho, muita fumaça e puft. Quando a gente abriu a geladeira, não estava mais na casa do avô da Joana.

– Onde a gente ta, vô?

– Se meus cálculos deram certo, estamos no passado, minha filha! No passado!

– Não acredito!

É, a gente devia estar mesmo no passado, pois tinha um monte de gente vestida com umas roupas engraçadas. Vocês não acreditam, a gente tinha mesmo viajado para passado. Fomos parar no ano de mil, novecentos e sessenta. Eu vi a data em algum lugar, não lembro agora aonde foi.

– Agora chegou a hora de acertar as contas com você, Rubão!

– Quem é esse Rubão, vô?

– A pessoa que roubou meu invento e não deixou que eu me tornasse um grande cientista.

– Não acredito!

– Agora vamos! Precisamos chegar ao laboratório antes que ele pegue o meu invento e me passe para trás.

Saímos correndo pelas ruas que estavam vazias, parecia até feriado de tão pouco carro que a gente via. Corremos, coremos e chegamos a uma escola. Devia ser a escola que o avô da Joana estudava. Agora era só achar o laboratório. Foi aí que a gente viu o avô da Joana mais novo, conversando com a avó da Joana mais nova. Seu Nestor ficou paralisado. A gente chamava e ele não ouvia.

Então, eu olhei para o Paulinho, que o olhou para Joana e, código decifrado, achar o laboratório e ajudar o seu Nestor, agora era tarefa nossa. A gente se separou, eu e a Joana fomos por um lado e o Paulinho foi para o outro. Andamos por toda aquela escola, que era grande, viu? Até que encontramos uma sala. Quando entramos, era o auditório onde seriam apresentadas às experiências e não deixaram mais a gente sair. Agora era torcer para que o Paulinho tenha conseguido.

Não demorou muito, subiu no palco uma mulher, com a roupa da minha avó, com os óculos na minha avó, eu e a Joana começamos a dar risada, rimos tão alto que a mulher até brigou com a gente como fosse a nossa diretora e mandou a gente ficar quieta. Nisso, chega o Paulinho e se senta do nosso lado.

– Pronto, já resolvi o problema.

– O que você fez, hein, Paulinho?

– Não vai prejudicar o meu avô, né?

– Espera que vocês vão ver.

Começou a demonstração das invenções, umas bem legais, outras, um fracasso. Aí a mulher chamou o Rubens para fazer a apresentação de seu projeto, bem na hora que o avô da Joana entrou na sala. Quando o Rubens foi ligar um botão, tudo explodiu e a cara dele ficou toda preta. Olhamos para o Paulinho e demos a maior risada. Seu Nestor ficou contente.

– Vamos crianças, temos que voltar, o tempo está acabando. Agora que a invenção do Rubão deu errada, posso voltar tranquilo.

– Eu preciso ir ao banheiro, encontro vocês na geladeira.

– Não vai demorar, hein Helena?

– É rapidinho!

– Só temos dez minutos, se não voltarmos, ficaremos presos aqui no passado para sempre.

Mas eu ainda tinha uma última coisa para fazer, o seu Nestor precisava ser um cientista famoso. Ele iria ficar bem feliz da vida. Então, tive uma ideia, escrevi uma carta com a data em que o seu Nestor iria inventar a máquina do tempo no futuro e entreguei no correio para ser enviada para uma rede de televisão. Tinha certeza que isso daria certo. Vi isso num filme.

E quase não deu tempo para eu chegar, a Joana me puxou para dentro da máquina do tempo bem na hora que o seu Nestor já apertava os botões programando a nossa volta. De repente, começou acender e apagar a luz de dentro da geladeira, fazer um barulho, muita fumaça e puft. Quando a gente abriu a geladeira, estava de novo na casa do avô da Joana.

Quando a gente saiu, tinha um monte de jornalista, um monte de rede de televisão esperando o seu Nestor. Todos queriam uma entrevista com o grande inventor que tinha acabado de inventar a máquina do tempo. A Joana olhou pra mim, o Paulinho olhou pra mim e o seu Nestor saiu feliz da vida em direção aos repórteres.

– O que você fez, hein Helena?

– Eu só dei uma forcinha!

E foi assim que o avô da Joana se tornou um grande cientista famoso, como ele sempre quis.


O Gênio da lâmpada

julho 22, 2016

Gente, essa história eu tinha que contar pra vocês. Uma história que nem aquelas dos livros, e de verdade! Eu sei que tem gente que vai achar que foi tudo mentira, mas eu juro que aconteceu tudo isso mesmo. Assim, do jeito que eu vou contar pra vocês.

Na semana passada, eu, a Joana, o Paulinho e Talita, fomos da praia com a mãe da Joana. Uma praia um pouco longe de casa, nem tinha muita gente por lá. O Paulinho como sempre, chutava aquela bola dela sobre os nossos castelinhos de areia.

– Você é muito chato, Paulinho! Falou a Talita

– Deixa a gente, vai Paulinho. Disse a Joana

A Talita, que é esquentada, jogou logo um monte de areia no Paulinho quanto ele desmanchou o castelinho que ela estava fazendo. Eu e a Joana que tivemos que separar, senão eles iam brigar de verdade.

Talita, com raiva, foi sentar lá na beira d’água, tava com uma tromba desse tamanho. O Paulinho foi pra a água levando a sua bola. Também depois da bronca que a mãe da Joana deu em todo mundo, cada um quis ficar quieto no seu canto.

– Vem brincar com a gente, Talita! Disse a Joana

– Deixa, Joana, se ela não quer vir, deixa ela lá!

– A Talita é muito esquentada.

– E o Paulinho também só sabe provocar.

Continuei com a Joana a fazer os nossos castelinhos, de repente, a gente olhou para o mar, na frente da Talita surgiu uma fumaça que foi crescendo, crescendo, crescendo, que nem dava mais para ver o mar. Sai correndo para água. Ninguém enxergava nada.

Quando a gente chegou aonde a Talita tava, tomou um grande susto. A fumaça não parava de sair de dentro de uma garrafa que a Talita achou enterrada na areia.

– Que isso, Talita?

– Não sei, Helena! Eu tava cavando aqui, de repente achei essa garrafa, comecei a esfregar, esfregar, ai começou a sair uma fumaça que não para.

O Paulinho, que também viu a fumaça lá da água, veio de pressa para ver o que era.

– Que fumaça é aquela?

– Tá saindo daquela garrafa que a Talita achou na areia. Disse a Joana.

– Será que o gênio da lâmpada? Vibrou o Paulinho.

– Que gênio da lâmpada! Só um cabeça oca que nem o Paulinho para achar que é um gênio da lâmpada.

Não demorou e a Talita e o Paulinho já estava se provocando. Toda vez é assim. Nunca vi gente pra brigar tanto um com outro como a Talita e o Paulinho.

Enquanto os dois ficavam se provocando, a fumaça baixou e na nossa frente apareceu um homem alto, magro, com um turbante na cabeça, uma calça de palhaço e uma camisa sem manga. Tinha uma voz de trovão.

– Quem foi que me libertou?

A gente olhou um para o outro, a Joana, como sempre, queria sair correndo, mas eu segurei ela.

– Olha aí, não falei? É um gênio da lâmpada.

– Você é mesmo um gênio da lâmpada? Perguntei para ele.

– Se ele é um gênio que tem direito a fazer os pedidos sou eu. Gritou a Talita.

– Ei, vamos deixar o moço falar. Disse a Joana.

E não era que aquele homem era mesmo um gênio? Só que não tava em nenhuma lâmpada, tava era numa garrafa bem velha, viu? A Talita já foi logo empurrando todo mundo para fazer os pedidos para o gênio.

– Fui que tirei o senhor da garrafa, fui eu! Disse a Talita.

– A ama tem direito a três pedidos. Mas só a três pedidos e nada mais.

– E agora, nós somos quatro! Eu falei.

Mas quem disse que a Talita estava pensando na gente. Ela acabou é nos arrumando foi muita confusão, isso sim.

– Pede sorvete, Talita! Um monte! Disse o Paulinho.

– Senhor gênio, eu quero… Eu quero… Eu quero….

– Pede logo o sorvete, Talita! Repetiu o Paulinho.

– Eu quero que o senhor gênio suma com esse menino chato!

Puft! O gênio estalou o dedo e o Paulinho sumiu na nossa frente.

– Pronto, um a menos para dividir os pedidos. Disse a Talita.

– Caramba, o Paulinho sumiu! Disse a Joana.

– Por que você fez isso, Talita!

– Aquele menino é muito chato.

– Eu quero o meu primo de volta. Disse a Joana.

E o gênio repetiu para Talita.

– Minha ama tem mais dois pedidos.

– Pede para o gênio trazer meu primo de volta.

Que nada, a Talita tava lá se sentindo a poderosa, e pediu para o gênio um monte de sorvete. Mas a gente não queria saber de sorvete. A gente queria o Paulinho de volta. A Talita, nem aí. Sentou e começou a tomar os sorvetes todos.

O pior foi quando a mãe da Joana chamou a gente para ir embora. Eu olhei pra Joana, a Joana olhou pra mim. A gente ficou paralisada.

– Joana, manda o Paulinho sair da água! Pediu a mãe da Joana.

Como a gente ia fazer isso, se o gênio tinha sumido com o Paulinho. Foi então que a gente foi conversar com o gênio para ele trazer o Paulinho de volta. Mas quem disse que o gênio escutava a gente. Parecia surdo. Fica ali, no lado da Talita, abanando ela com uma pena grande.

– Aonde esse gênio arrumou essa pena? Fiquei eu pensando.

A gente pedia para Talita pedir par o gênio devolver o Paulinho e ela nem aí, enquanto não acabou com todo o sorvete que pediu, ela nem olhou pra gente.

– Joana! Helena! Talita! Paulinho! Chamou a mãe da Joana.

– Olha aí, Talita, minha mãe ta chamada a gente pra ir embora.

– Pede para esse gênio trazer o Paulinho.

– Tudo bem! Mas vocês vão ter de pedir para ele namorar comigo.

Eu e a Joana olhamos uma para outra e não entendemos nada. Acho que muito sorvete congelou o cérebro da Talita. Os dois vivem brigando. Mas, se é só isso que ela quer para trazer o Paulinho de volta! Só que eu duvido que o Paulinho vai querer namorar com Talita. Duvido! Mas a gente deu a nossa palavra e então a Talita pediu ao gênio que, com estalar de dedos, trouxe o Paulinho de volta.

Depois que o Paulinho apareceu, surgiu uma fumaça que foi aumentando, aumentando, aumentando, e, de repente, sumiu, junto com gênio. Corri para ver se achava a garrafa para fazer os meus pedidos, mas que nada, o mar já tinha levado a garrafa embora.

Já o Paulinho e a Talita, estão namorando sim, ninguém sabe disso, mas eles não param de brigar nenhum instante. Eles devem se gostar mesmo, de verdade, pois minha mãe falou que quanto mais a pessoa briga, mais a pessoa gosta. E eu acho que isso é verdade, viu? Porque minha mãe gosta tanto de mim, que briga comigo a todo o momento. “Helena, arruma o quarto!”… Helena, vai escovar os dentes!”… “Helena, vou te deixar de castigo!”… Eu amo muito a minha mãe.


A gente quer paz

maio 9, 2014

Essa história que eu vou contar pra vocês agora, não tem nada de aventura, nem de alegre, pra falar a verdade, ela é muito triste, pois fala de uma briga muito grande que teve lá no meu colégio. Vou contar tudo.

Aquele dia tinha tudo pra ser um dia bem legal. Era o dia de gincana geral na escola. É que lá na minha escola, uma vez por ano, tem a gincana geral. Tem muita brincadeira, jogos e muita diversão. A gente faz a maior bagunça nesse dia!

– Então, Joana, trouxe muitas prendas?

– Trouxe um monte de latinha! E você, Helena?

– Eu trouxe um monte de garrafa de plástico.

– Desta vez a nossa classe vai ganhar!

Não demorou muito pra começarem os jogos. Era o primeiro ano contra o segundo ano, o terceiro contra o quarto, até o pessoal do nono ano participava da nossa gincana.

De repente, começou uma confusão com os meninos do nono ano que fez todo mundo sair correndo. Fizeram uma roda em volta do Zé Augusto e começaram a chamá-lo do apelido que ele não gostava.

– Palito Zoiudo! Palito Zoiudo!

E mais e mais gente foi chegando na roda e gritando o apelido do Zé Augusto. Ele tava muito nervoso. Muita gente gritava pro pessoal parar de chamar o Zé Augusto de “Palito Zoiudo”, mas, aqueles meninos chamavam mais alto. Coitado do Zé Augusto! Ele é tão legal! Não sei por que essa coisa de ficar dando apelido pro’s outros, a gente não tem nome?

A tia Célia chegou bem brava e acabou logo com a brincadeira daqueles meninos sem graça. E na primeira oportunidade, o Zé Augusto saiu correndo pro banheiro. Ficou lá um montão de tempo. Quando ele saiu, eu e a Joana corremos pra falar com ele.

– Zé Augusto, não fica assim! Eu falei pra ele.

– Não liga, esses meninos são todos bobos! Disse a Joana.

Mas ele passou pela gente e nem ouviu. Ele tava vermelho de raiva. Tava até chorando. Subi pra classe, correndo. Alguns meninos que o viram subindo, ainda chamavam: Palito Zoiudo! Palito Zoiudo!

– Ei, vocês não vão jogar queimada? Disse a Thalita já nos chamando.

Mesmo com pena do Zé Augusto, eu e a Joana fomos com a Thalita para o jogo de queimada.

A nossa classe ganhou quase todos os jogos e na hora de contar as prendas, perdemos por causa de duas latinhas.

– Poxa, Joana, você podia ter trazido mais latinhas, né?

– Por que você não trouxe? Respondeu a Joana.

– Mas eu trouxe um montão de garrafas!

– Eu também trouxe um monte de latinhas!

De repente a gente ouviu uma nova gritaria vinda lá no meio do pátio.

– Olha lá, o Zé Augusto está brigando com o Renato! Disse a Thalita.

Na hora, eu e a Joana paramos de brigar e corremos pr’o pátio onde os dois estavam brigando. Os meninos do nono ano gritavam o apelido do Zé Augusto, sem parar.

– Palito Zoiuido! Palito Zoiudo! – Pega ele, Renato!

Mas, o Zé Augusto estava muito bravo. Nunca tinha visto o Zé Augusto tão bravo assim. Ele bateu tanto no Renato que saiu até sangue do rosto dele. Quando o Renato caiu no chão, os meninos foram pra cima do Zé Augusto e começaram a bater nele. Todo mundo junto.

Eles iam batendo no Zé e gritando o apelido dele. E ele gritava que todo mundo ia se vê com ele.

De uma hora pra outra, a roda do pessoal que batia no Zé abriu, bem na hora que chegaram os tios da segurança pra acabar com a briga. Só que quando a roda abriu, um menino do nono ano que eu não me lembro o nome, caiu segurando a barriga cheia de sangue.

Os tios da segurança seguravam o Zé Augusto que tinha uma faca suja de sangue na mão. Na verdade não era uma faca, mas parecia.

E aquele que tinha tudo pra ser um dia super legal, acabou de uma maneira muito triste. E tudo porque os meninos estavam chamando o Zé Augusto pelo apelido que ele não gostava. Se a gente tem nome, pra que apelido?

Quando alguém chama alguém pelo apelido, eu fico muito brava, pois por causa dessa coisa de apelido, o Zé Augusto machucou aquele menino e acabou sendo expulso da escola.

Ah, o outro menino? Ficou bom. Na verdade foi só um arranhão. Agora, ele fica no recreio com a turma do Ensino Médio, chamando o Pedro, de “camarão gordo”.

Eu já falei pra minha mãe e pro meu pai, que se alguém inventar algum apelido pra mim, vou querer sair na hora da escola, pois não quero ter que um dia fazer o que o Zé Augusto fez. Porque quando a gente fica com raiva, sempre faz coisas que não deve. Meu pai sempre diz isso!

Bom, agora vou indo, pois tenho uma prova muito difícil de matemática e preciso estudar, senão, acabou ficando de recuperação e vou ficar sem parte das minhas férias. Esse ano o papai tá prometendo me levar para um Hotel Fazenda, mas pra isso, preciso passar de ano.

Então, tchauzinho pra tudo mundo!


A gente quer paz

dezembro 8, 2013

Essa história que eu vou contar pra vocês agora, não tem nada de aventura, nem de alegre, pra falar a verdade, ela é muito triste, pois fala de uma briga muito grande que teve lá no meu colégio. Vou contar tudo.

Aquele dia tinha tudo pra ser um dia bem legal. Era o dia de gincana geral na escola. É que lá na minha escola, uma vez por ano, tem a gincana geral. Tem muita brincadeira, jogos e muita diversão. A gente faz a maior bagunça!

“Então, Joana, trouxe muitas prendas?”

“Trouxe um monte de latinha! E você, Helena?”

“Eu trouxe um monte de garrafa de plástico.”

“Desta vez a nossa classe vai ganhar!

Não demorou muito e logo começaram os jogos. Era o primeiro ano contra o segundo ano, o terceiro contra o quarto, até o pessoal do nono ano participava da nossa gincana.

De repente, começou uma confusão com os meninos do nono ano que fez todo mundo sair correndo. Fizeram uma roda em volta do Zé Augusto e começaram a chamar ele com o apelido que ele não gostava.

“Palito Zoiudo! Palito Zoiudo!

E mais e mais gente foi chegando na roda e gritando o apelido do Zé Augusto. Ele tava muito nervoso. Muita gente gritava pro pessoal parar de chamar o Zé Augusto de “Palito Zoiudo”, mas, aqueles meninos chamavam mais alto. Coitado do Zé Augusto! Ele é tão legal! Não sei por que essa coisa de ficar dando apelido pro’s outros, a gente não tem nome?

A tia Célia chegou bem brava e acabou logo com aquela brincadeira daqueles meninos sem graça. E na primeira oportunidade, o Zé Augusto saiu correndo pro banheiro. Ficou lá um montão de tempo. Quando ele saiu, eu e a Joana corremos pra falar com ele.

“Zé Augusto, não fica assim!” Eu falei pra ele.

“Não liga, esses meninos são todos bobos!” Disse a Joana.

Mas ele passou pela gente e nem ouviu. Ele tava vermelho de raiva. Tava até chorando. Subi para classe, correndo. Alguns meninos que viram ele subi, ainda chamaram ele pelo apelido.

“EI, vocês não vão jogar queimada?” Disse a Thalita já nos chamando.

Mesmo com pena do Zé Augusto, eu e a Joana fomos com a Thalita para o jogo de queimada.

A nossa classe ganhou quase todos os jogos e na hora de contar as prendas, perdemos por causa de duas latinhas.

“Poxa, Joana, você podia ter trazido mais latinhas, né?

“Por que você não trouxe?” Respondeu a Joana.

“Mas eu trouxe um montão de garrafas!”

“Eu também trouxe um monte de latinhas!”

De repente a gente ouviu uma gritaria no meio do pátio.

“Olha lá, o Zé Augusto está brigando com o Renato!” Disse a Thalita.

Na hora, eu e a Joana paramos de brigar e corremos para pátio onde os dois tavam brigando. Os meninos do nono ano gritavam o apelido do Zé Augusto, sem parar.

“Palito Zoiuido! Palito Zoiudo! Pega ele, Renato!”

Mas, o Zé Augusto tava muito bravo. Nunca tinha visto o Zé Augusto tal bravo assim. Ele bateu tanto no Renato que saiu até sangue do rosto dele. Quando o Renato caiu no chão, os meninos foram pra cima do Zé Augusto e começaram a bater nele. Todo mundo junto.

Eles iam batendo no Zé e gritando o apelido dele. E ele gritava que todo mundo ia se ver com ele.

De uma hora pra outra, a roda do pessoal que batia no Zé abriu, bem na hora que chegaram os tios da segurança pra acabar com a briga. Só que quando a roda abriu, um menino do nono ano que eu não me lembro o nome, caiu segurando a barriga cheia de sangue.

Os tios da segurança seguravam o Zé Augusto que tinha uma faca suja de sangue na mão. Na verdade não era uma faca, mas parecia.

E aquele que tinha tudo pra ser um dia super legal, acabou de uma maneira muito triste. E tudo porque os meninos estavam chamando o Zé Augusto pelo apelido que ele não gostava. Se a gente tem nome, pra que apelido?

Quando alguém chama alguém pelo apelido, eu fico muito brava, pois por causa dessa coisa de apelido, o Zé Augusto machucou aquele menino e acabou sendo expulso da escola.

Ah, o outro menino? Ficou bom. Na verdade foi só um arranhão. Agora, ele fica no recreio com turma do Ensino Médio, chamando o Pedro, de “camarão gordo”.

Eu já falei pra minha mãe e pro meu pai, que se alguém inventar algum apelido pra mim, vou querer sair na hora da escola, pois não quero ter que um dia fazer o que o Zé Augusto fez. Porque quando a gente fica com raiva, sempre faz coisas que não deve. Meu pai sempre diz isso!

Bom, agora vou indo, pois tenho uma prova muito difícil de matemática e preciso estudar, senão, acabou ficando de recuperação e acabo perdendo parte das férias. Esse ano o papai ta prometendo me levar para um Hotel Fazenda, mas pra isso, preciso passar de ano.

Então, tchauzinho pra tudo mundo!


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