Um ano de aprendizado

dezembro 16, 2016

Chegamos ao fim de mais um ano, um ano complicado, difícil de ultrapassar, mas tem comigo que, pelo menos para mim, tenho este ano como ano de grande aprendizado. Um ano que fez aprender que a paciência é a estrada que deve ser seguida e que os ventos sempre vão soprar, às vezes nos empurrando para frente, às vezes nos obrigando a vencer sua força contrária e que não adianta simplesmente querer, pois a vida é quem sabe o que quer.

Foi um ano em que enxerguei a possibilidade de corrigir os meus erros, muito embora, pouca coisa eu pude acertar de fato até agora, ao menos consegui ajustar as velas do meu barco e o coloquei de novo na velha rota da qual me perdi há tempos atrás e que, por desrespeitar a força da natureza, o quase fiz naufragar. Ainda bem que está dando para remendar! Sei que tudo que está ficando, um dia vi virar história para contar.

Com tempos difíceis, a gente aprende mais, isso tive a certeza. Pude aprender a calcular as rotas, a planejar viagens, a realizar pequenos sonhos e a valorizar a grandiosidade das pequenas vitórias. Descobri que estar sozinho nem sempre significa estar na solidão, muito pelo contrário, foi na solidão de algumas noites que encontrei várias vezes aquele que sou de verdade, aquele que eu fui um dia e aquele que ainda posso ser.

Nunca é vazio quanto nos encontramos dentro de nós mesmos depois de uma grande tempestade que vira a nossa vida de ponta à cabeça, mas é muito mais saudável que se possa supor. Reler, rever, relembrar, reaprender a tirar proveito de tudo que deu errado, pois, se tem algo que tem que ser aproveitado ao máximo, são os nossos erros. São eles que nos trazem a consciência de como pode ser diferente e ainda melhor.

Até mesmo toda essa a confusão que está instaurada em nossas vidas, que nos deixa sem saber direito o quê vai acontecer com o país e como tudo isso vai afetar nossas vidas dia após dia, tudo isso, serviu para acentuar ainda mais o aprendizado, enxergar pessoas, discursos, pensamentos, opiniões, pesar prós e contras e ter a certeza de buscar o caminho no meio entre o céu e o inferno que estão colocando o país.

Como sempre foi um ano que também trouxe tristezas, um grave acidente de avião que comoveu a todos e, principalmente a partida do meu Mestre Nelson Albissú. Mas, mesmo com toda a tristeza da perda sempre é possível tirar grandes ensinamentos, e foi mais outra grande oportunidade de aprender como enxergar melhor o outro, a vida, o que é importante, o que se descarta e ter a certeza que nada do quê temos é maior daquilo que a gente pode ser.

Que eu tenha a chance de colocar em prática no próximo ano, todas as lições que aprendi neste duro ano que está por se encerrar. Que eu já tenha caminhado o bastante para encontrar o que tanto almejo, mas, que, se por acaso, o meu aprendizado ainda não tenha sido suficiente para isso, que eu possa ter a paciência para continuar aprendendo e buscando me tornar uma pessoa melhor a cada dia.


O quê deixar para trás?

janeiro 15, 2016

O ano já está a mil por hora, os compromissos do cotidiano já começam a tomar os nossos dias, mas antes que tudo nos coloque fora do nosso prumo, é preciso rever a bagagem que trouxemos para este ano. Será que ainda não ficou alguma coisa que podíamos ter deixado para trás? Será que não trouxemos bagagem demais? Às vezes, a euforia de um novo ano faz com que não deixemos escapar algo que podíamos ter jogado fora.

Estamos sempre apegados as coisas, tamanha a nossa capacidade de guardar lixo, principalmente, lixo emocional. Comemoramos, bebemoramos, brindamos a chegada de um novo ano com novas esperanças, que nem nos damos conta se chegamos até esse, chamado novo começo, de fato, renovados. Pensamos em fazer tudo diferente, mas poucas vezes nos preocupamos se na passagem do ano, fizemos a devida faxina emocional em nós.

Nem só de otimismo, fé e esperança num futuro melhor, é que vivemos. Existem outras variáveis que complementam o nosso bem estar nesta vida e, se ainda carregamos em nossa bagagem as mesmas coisas, os mesmos pensamentos, as mesmas atitudes que nos fizeram chegar ao final do ano anterior, exaustos, elas pouco terão efeitos para um viver realmente melhor. E continuaremos repetido o nosso velho círculo vicioso.

Quantas vezes neste pequeno espaço de tempo deste novo ano, já não nos pegamos cabisbaixos, desanimados, achando que o ano mudou e que mais outra vez, tudo será do mesmo jeito? Isso pode sinal que trouxemos bagagem demais para a nossa viagem. Talvez a mudança que tanto buscamos, passe por descartar tudo aquilo que ainda não tivemos coragem de jogar fora. É preciso jogar coisas fora para poder adquirir outras tantas.

A vida é mesmo muito difícil de ser vivida; o sofrimento sempre ali, a espreita, a tristeza, as decepções, a ingratidão, mas tudo isso está no todo de um ser humano complexo, por isso, não devemos encher nossa bagagem com coisas que foram, são e serão provocadas pela contrariedade que é ser um ser humano. Esvaziar as nossas bagagens com o lixo que outros nos colocaram, pode ser um bom começo para seguir a viagem com menos peso nas costas.

Deixar para trás o quê já não está nos fazendo tão bem quanto antes, deve ser feito. É preciso tomar a consciência que devemos dar prioridade a nossa vida compartilhá-la com outras é sempre muito saudável, mas, do quê adianta você seguir viagem com um peso maior do quê você pode carregar. Cada um já tem sacrifícios suficientes para enfrentar na sua jornada para ficar carregando coisas que já não servem para nada.

Ano novo, vida nova, esperanças renovadas, fé em um futuro melhor, mais tudo isso passa por rever a bagagem que trouxemos até aqui. Aproveitemos que ainda damos os primeiros passos para conquistar aquilo que tanto queremos na vida, abramos as bagagens, cutuquemos lá dentro e, sem dó, nem piedade, deixemos para trás tudo aquilo que temos a certeza que trouxemos demais do ano passado. Para assim, seguirmos nossa viagem mais leves.


Ajustando as velas

janeiro 8, 2016

Sempre que começo um novo ano, sinto que a vida se torna o meu veleiro com o qual deixo o cais rumo ao inesperado de um mar desconhecido. Saio alegre pela oportunidade de mais uma nova viagem, fazendo planos, traçando metas, ajusto as velas, segurando firme no leme, deixando o vento que corta o veleiro, desmanchar meus cabelos e acariciar o sorriso do meu rosto. A viagem está apenas no começo e pode ser especial.

Às vezes, o começa da viagem nos proporciona navegar por um mar calmo por dias, semanas, até meses, mas, às vezes, ao dobrarmos a primeira curva rumo ao mar aberto, já sofremos as primeiras pequenas avarias, às vezes, grandes demais para voltarmos ao cais, e já somos obrigados, logo no início da viagem, a fazer pequenos reparos, costurar as velas, até mesmo colocar os coletes salva-vidas para seguir nossa viagem. Sinal que a viagem não será nada fácil.

A vida é assim, um veleiro navegando em um mar aberto sem saber o que vai enfrentar durante a viagem. Deixamos o cais querendo aportar com segurança em novo porto ao final do ano e, por isso, quando deixamos o cais, precisamos nos vestir de otimismo e, ajustar as velas é fundamental. Não podemos, no meio da viagem, nos queixar do vento, temos que estar pronto para enfrentar o mar, mesmo porque o mar nunca é sempre calmo. Assim como a vida.

Jamais conseguiremos atravessar os oceanos rumo ao nosso porto seguro, sem enfrentar grandes tempestades em alto mar. É claro que teremos dias de céu aberto, calmaria, que podemos soltar o leme e curtir a viagem, mas, por outro lado, também enfrentaremos dias de chuvas finas, fortes e grandes tempestades, que sacudirão nosso veleiro. Às vezes, acharemos que o barco virará tamanha a violência com que seremos atingidos. É a hora de agarrarmos firme no leme.

Assim, como um veleiro navegando no mar nem sempre calmo, é a nossa vida. Sempre que iniciamos um ano, desejamos que nossa jornada seja feita de paz, alegria e de muito sucesso, mas, por mais que façamos o nosso melhor, que executemos nossos planos da melhor forma possível, viver é estar no mar aberto, jamais conseguiremos dominá-la, temos é que nos adaptar o mais rápido às situações que ela nos apresentar, pois estaremos longe para que possamos regressar ao cais.

Portanto, devemos aproveitar esses primeiros dias no mar, para ajustar as velas do nosso veleiro e nos prepararmos para uma viagem que pode não ser tão tranquila quanto imaginamos ao deixar o cais. E, se quem já deixou o cais sofrendo alguma avaria, é hora de reduzir a velocidade, reforçar as velas, reparar o que ainda der para reparar e por as velas ao vento, não tem outro jeito, pois viver é preciso.

A vida pode até machucar em algum momento, isso não dá para evitar, é assim navegando, nem sempre teremos dias calmos, por isso, ajustemos as velas e nos preparemos para enfrentar os dias de felicidade e os dias de muita dor. O importante é não deixar que as tempestades que possam nos pegar no meio da viagem, façam nosso barco virar, pois, temos um mar de oportunidades para conquistar e um porto seguro para chegar ao fim de nossa viagem.


Obrigado por tudo!

dezembro 18, 2015

Sempre quando se chega ao final de um ano, busca-se fazer uma reavaliação de tudo o que nos prometemos fazer no final do ano anterior, uma espécie de balanço dos pontos positivos e negativos que nortearam nossa vida durante todo o ano, as metas traçadas, os sonhos sonhados, realizados ou não, as promessas feitas e não cumpridas, as mudanças prometidas, pois sempre pedimos mais e mais a cada ano, tudo que temos nos parece sempre pouco.

Talvez isso nos aconteça porque pensamos no ter; a casa nova, o carro novo, um emprego que nos pague mais, em oportunidades de enriquecermos mais rápido, e é natural que, ao final de cada ano, sempre acabamos nos frustrando por não termos realizado este ou aquele sonho. A verdade é que somos muito pidões! Achamos que tudo que temos é sempre muito pouco e reclamamos se não conseguimos trocar o celular, a TV da sala, ou até mesmo comprar uma roupa nova.

É claro que ao final do ano passado eu também fiz os meus pedidos, minhas promessas, sonhei os meus sonhos mais impossíveis, mas no decorrer do ano, fui olhando a vida com outros olhos, fui observando a minha volta e vendo que muito maior que a vontade de satisfazer meus desejos, era a necessidade de enxergar o quanto precisava valorizar o quê já tenho. Se hoje não estou melhor, talvez seja pelo fato de reclamar demais e pedir mais do quê agradecer a tudo que conquistei.

Aprendi este ano, a duras penas, que não temos problemas, temos situações que ainda não conseguimos resolver. Quando resolvemos nos olhar no espelho e ao nosso redor, enxergamos que quem tem de fato problemas é justamente quem nos mostra como é possível ver tudo de um modo diferente. E a vida me mostrou ainda como tudo pode acabar em um piscar de olhos. E foram tantos os queridos que se foram. Do quê adianta eu pedir tanto?

Por tudo que vivi e vivenciei este ano, sei que não tenho direito algum de pedir mais nada, a não ser saúde e disposição para continuar buscando a solução para resolver as situações que ainda não consegui resolver. De tudo o quê preciso, eu já vi que não tenho mais precisão, pois tenho tudo, uma esposa, amiga, companheira e parceira de vida, filhas maravilhosas, bons amigos conquistados, uma casa confortável, um carro que me leva e traz, um trabalho e o reconhecimento pela minha arte.

Portanto, só tenho a agradecer imensamente a oportunidade de ter sobrevivido às tempestades deste ano, e elas não foram poucas, e ainda assim, ter conseguido chegar revigorado ao final de mais um ano, certo de que aprendi muito com tudo o que passei e com o que vi os outros passarem. Para o próximo ano, não faço grandes pedidos, nem grandes promessas, só espero poder ter a oportunidade de chegar ao fim do ano que se inicia podendo dizer: Obrigado por tudo!


E lá se vai mais um ano

dezembro 21, 2014

E lá se vai mais um ano, um ano muito duro, difícil, de algumas notícias tristes, de surpresas desagradáveis, de algum desespero, de um enorme aprendizado; um ano de aprimoramento do equilíbrio sobre a corda bamba, do entendimento da necessidade de enxergar por outros pontos de vistas, de dar a importância às pequenas coisas e de ter a certeza de que os sonhos não envelhecem como já diz um dia o poeta na canção; um ano que me deixará suas marcas.

E lá se vai mais um ano, um ano que ensinou a importância de não se reclamar da vida, pois o ruim, sempre pode ser pior; um ano de se aprender a ter um pouco mais de humildade para reconhecer e corrigir os erros, de saber que é preciso praticar a gratidão, de não pré-julgar, de encarar os problemas de frente, de lado, de costas, por todos os lados; um ano que deu a certeza que é preciso um pouco mais de paciência; um ano que me deixará suas marcas.

E lá se vai mais um ano, um ano que trouxe em todos os seus dias, a visão da importância de se ter disciplina em todas as ações, das mais rotineiras até as mais inusitadas; um ano que pediu e exigiu organização em todos os passos, dos pequenos aos mais arriscados; um ano de superar traumas e de enfrentar os medos sem receios; um ano de sufocar as mágoas, de enterrar o rancor, de aprender a ouvir; um ano que me deixará suas marcas.

E lá se vai mais um ano, um ano que mostrou a importância do amadurecimento emocional, que deixou claro que razão e coração jamais podem superar um ao outro e sim, que devem caminhar de mãos dadas para tomadas de decisões sensatas; um ano de aprender a aceitar que derrotas nem sempre são tão duras, de valorizar as pequenas, mas, reais vitórias, de reaprender a simplicidade do que seja felicidade; um ano que me deixará suas marcas.

E lá se vai mais um ano, um ano que não teve jeito, trouxe a tona, o quanto é preciso se ter fé, esperança e otimismo; um ano que mostrou que não se tem poder sobre nada e que só o tempo é capaz de colocar as coisas no seu devido lugar; um ano que fez renascer a consciência das reais possibilidades, de como tudo que foi conquistado tem uma enorme importância na vida; um ano de aprender a respirar fundo; um ano que me deixará suas marcas.

E lá se vai mais um ano, e hoje, com o corpo, a alma, a razão e a emoção devidamente marcados por todos os ensinamentos e aprendizados que acabaram por me trazer o equilíbrio há tempos buscado, posso seguir em frente, sem a necessidade de olhar para trás, sem arrependimentos ou culpas, e com a certeza de que a vida é feita de superação e persistência. Então, que venha mais um novo ano, para que eu possa aprender ainda mais como Ser humano.


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