A criação na dramaturgia


Há tempos não me via tão entusiasmado com a beleza da criação artística na dramaturgia, com o tempo ficamos tão mecânicos que escrevemos mais pela nossa prática de escrita do que pela beleza da criação de uma história para contar. Mas, felizmente, a vida nos leva por alguns caminhos maravilhosos e, em um deles, acabei encontrando à Oficina de Dramaturgia dada pelo premiadíssimo e generosíssimo dramaturgo, Samir Yazbek. Sorte a minha!

Cheguei disposto a reciclar meus conhecimentos e reavivar a minha escrita na dramaturgia e fui novamente capturado pelo fascinante mundo da criação, de onde eu talvez, tivesse me afastando em algum momento que não sei bem qual foi, pois, a prática já via atropelado os momentos mágicos da criação. Bendita hora em que eu aceitei o desafio de rebuscar uma nova construção na minha dramaturgia. Bendita hora!

De novo ali, mergulhado no imaginário de meus pensamentos, reaprendendo os caminhos de se chegar ao fim de uma história, como nunca antes houvera me aventurado. Passo a passo, com toda a beleza que existe na criação artística, fui desenterrando personagens há tempos esquecidos em um pequeno bloco de anotações e reavivando as belezas daqueles personagens que havia abandonado, talvez por não encontrar lugar para eles na minha prática.

Mas, ainda bem que pude recuperar o instante mágico da criação, que é muito mais do que um lampejo de ideia, ou um arremedo de pensamentos alinhados em um enredo qualquer, é estar disposto a esmiuçar as entranhas, os desejos, as vontades, os sonhos de alguém, ou de alguns, é contar uma história com começo, meio e fim, cheia de conflitos, reviravoltas e resoluções. É retratar no papel uma história que deve e precisa ser vista.

Durante todo o tempo de duração da Oficina, pude mergulhar de novo, sem medo, no universo da criação artística, sem pressa de dar um ponto final em uma história, apenas para poder entregar mais um trabalho e, fui, calmamente desenhando cena por cena, alinhavadas por ações que se completam até que tudo deságue no desenlace que reflita toda a jornada daqueles personagens que eu desenterrei de meu bloquinho de anotações.

Agora, passado o entusiasmo da Oficina, cá estou, ainda em estágio de criação, buscando conhecer intimamente os meus personagens e suas verdadeiras histórias, pois, quando se escrever dramaturgia, escreve-se uma história que vai além do papel. Como disse o Samir: “a dramaturgia é uma história que o dramaturgo escreve para ser lida e para ser vista”. Sagrado seja esse momento da criação artística! Sagrado seja!

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