A maioria silenciosa


Hoje o discurso político está dividido em uma briga ideológica entre uma esquerda radical e uma extrema direita, que se acusam mutuamente de propagarem o que ambas tem de semelhante entre si: o desejo por uma ditadura, muito embora os dois lados neguem esse desejo. Só, que está briga entre as duas pontas extremas do regime político, está afastando o discurso da vida real do cidadão, que, desnorteado, tem procurando um discurso mais conservador, a fim de proteger as suas conquistas reais.

As últimas eleições municipais deixaram claro, que existe uma maioria silenciosa, que deu um recado de que algo está muito errado nos discursos políticos, tanto que, na maioria das cidades, os votos nulos, brancos e as abstenções, ultrapassaram a quantidade de votos dos segundos colocados. É preciso encontrar um novo jeito de fazer política, pois a maioria silenciosa deixou explícita que o que tem sido mostrado, não tem nada que a represente. Pouco importa se é direita, ou se é esquerda, nada serve.

Os tempos são outros, as necessidades das pessoas são outras, a maneira de encarar a vida também é outra, mas parece que os radicais de lado a lado estão com os olhos vendados e insistem nos discursos e táticas de ontem para conquistar o cidadão de hoje. Ficam os dois lados extremos discutindo sobre um mundo ideal, que não tem olhos para enxergar que o povo está mais interessado no seu mundo real.

Uma coisa está bem nítida aos olhos mais observadores, as esquerdas estão demonstrando o quanto se afastaram de suas bases, pois, ainda não foram capazes de captar as necessidades e os anseios da maioria da população pobre, que, deste modo, vem sendo seduzida por um discurso, mais moderado, porém, mais conservador à direita, que prega alguns valores, que esta maioria silenciosa entende como necessária e mais eficiente para preservar suas conquistas.

É certo que é preciso lutar para preservar as conquistas da última década, bem como, estar vigilante na defesa dos direitos humanos e na luta constante contra o preconceito racial, a homofobia, a violência contra a mulher, a intolerância religiosa, bem como buscar sempre uma justiça social, mas, o comportamento da sociedade hoje é outro, o poder de compra conquistado, fez desta sociedade, escrava do capitalismo e na hora de pesar entre si e o outro, por certo, vão escolher por aquilo que protegerá mais o seu lado.

Não há como não enxergar que o mundo hoje é individualista, egoísta e, cada qual, quer primeiro o seu bem estar e de sua família, não perder suas conquistas, muito menos abrir mão de seu conforto e de sua independência. As relações humanas são outras, até mesmo a questão de classe social. Não existe mais essa coisa de rico e o pobre com o conceito de antes, o pobre quer ter dinheiro para curtir o melhor da vida, fazer seu churrasco, tomar sua cerveja, não para ficar rico.

E a esquerda ainda não entendeu que o velho modelo do socialismo do século passado, não serve mais para o povo de hoje, muito menos a questão patrão e empregado, pois, não somos mais um país industrial, somos um país agrícola e de pequenos negócios, tanto, que em muitas comunidades, onde seus moradores ficaram desempregados, ao invés de saírem procurando alguma colocação, optaram por se tornarem um empreendedor na própria comunidade.

O conservadorismo sempre esteve à espreita, relaxou um pouco quando se conquistou a liberdade, que alguns confundiram com libertinagem e, agora, com a esquerda não sendo mais a referência que era antes, as pessoas, para preservarem suas conquistas estão comprando o discurso de uma direita moderada, ainda que esta tenha valores distorcidos. Portanto, se os políticos à esquerda não encontrarem um novo jeito de conquistar essa maioria silenciosa, o conservadorismo será um caminho sem volta.

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