Primeiro Eu


O grande mal dos dias de hoje é o egoísmo, aliás, talvez seja o grande mal da humanidade desde sempre. Acontece que hoje em dia a coisa parece ter ganhado uma dimensão ainda maior, pois todo mundo está individualista demais, primeiro eu, depois eu, depois eu, depois eu, e se sobrar alguma coisa, eu de novo. Vivemos em uma sociedade, que pouco nos interessa o quê passa com o outro, do outro, só nos interessa as mazelas, as fofocas, a decadência, coitado do outro se for mais feliz que nós.

Vivemos uma vida de discursos coletivos e de atitudes individuais, onde buscamos projetar uma imagem para sociedade, mas nos fechamos cada vez mais na realização de nossos desejos. Enquanto o outro não atrapalhar a organização das nossas vidas, não interferir na conquista solitário de satisfazer as nossas vontades, fingimos até ajudá-lo, mas se o ato de ajudar o outro, atrapalhar os nossos desejos individuais, o outro é que se lasque, pois, nessa hora, o nosso egoísmo nos cega.

Queremos que respeitem sempre as nossas vontades, mas somos incapazes de aceitar as vontades do outro. Achamos sempre os nossos problemas maiores do que o do outro, muito embora, mal temos a noção exata do tamanho do problema do outro. Temos sempre uma crítica na ponta da língua para apontar os defeitos alheios, mas achamos um tremendo desaforo se alguém aponta o dedo nas nossas feridas. A nós, só nos importa as nossas alegrias e as nossas tristezas.

É, vivemos em uma sociedade, mas não gostamos de socializar, de procurar o porquê que algumas pessoas tomam certas atitudes, ou o porquê nós mesmos tomamos certas atitudes. Falamos horas a fio através de redes sociais, mas somos vazios diante de qualquer conversa que não seja de algo do nosso interesse. Dizemos ser solidários, mas preferimos a solidão. A verdade é que não admitidos que ninguém ouse invadir nossa individualidade, nosso egoísmo não permite.

Toda intolerância que nos ronda, que faz a vida ser mais violenta, tem uma origem no egoísmo individual de quem só tem olhos e ações para si, por mais que a vida esteja difícil, pois ela está para todo mundo, ainda que para uns, mais do que para outros, quando deixamos o nosso egoísmo falar mais alto, acabamos criando um combustível a mais para perder a paciência e usar a ofensa como a nossa defesa. Quanto mais pensamos primeiro no “Eu”, ficamos mais distante resolver as coisas do “Nós”

Se, a cada dia que passa, ficarmos ainda mais egoístas, mais individualistas, mais solitários, com certeza, nos tornaremos mais infelizes, pois a alegria de viver, o que traz a felicidade para as nossas vidas, é a satisfação de poder ver o outro tão feliz quanto nós; é poder ajudar o outro a ter as mesmas oportunidades de realizar os mesmos sonhos que temos. Precisamos fazer uma reflexão, mas, se ainda assim preferirmos ficar com o nosso egoísmo, melhor seria não atrapalhar, não criticar, nem tão pouco julgar a vida do outro.

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