As lições de todo dia


Já ouvimos milhares de vezes que a vida é um piscar, sabemos que ela é fugaz e que não vamos durar para sempre aqui por essas bandas, ainda que alguns acreditem em reencarnação, essa vida que vivemos, essa imagem que temos, as amizades que fazemos, os amores que cultivamos, as famílias que formamos, tudo isso, uma hora vai chegar ao fim, isso é um fato indiscutível, mas todos os dias aprendemos uma lição sobre isso.

Ainda que tenhamos a consciência da essência da vida, continuamos tendo uma certa dificuldade de absorção daquilo que realmente seria o necessário para viver por essas bandas e perdemos um tempo precioso com coisas pequenas, diante de uma imensidão de coisas que podemos realizar para nós, para o outro e com o outro, para que nossa vida valha realmente à pena. A simplicidade de viver ainda causa muito estranheza.

Nascemos sabendo que morreremos um dia, não sabemos se em uma manhã de verão de um sol escaldante, em uma tarde cinzenta de um inverno frio, se em uma noite sem estrelas, se daqui a um minuto, se daqui a dez, vinte, ou trinta anos, mas morreremos e, sempre que uma vida chega ao fim, é de supetão, de forma inesperada, sem dizer adeus, sem terminar os compromissos, sem um último abraço, um último beijo É finito, e pronto!

Mesmo sabendo disso tudo, acordamos apressados, estressados, cansados, mal humorados, irritados, infelizes, desgostosos, desesperançados com a vida. Julgamos, recriminados, brigamos, insultamos, ignoramos, humilhamos, provocamos, estouramos, destratamos as pessoas que mais nos amam. Estamos na vida para semear o amor, até sabemos disso, mas, ainda assim, não somos capazes de semearmos e nos encantarmos com a felicidade alheia.

Só quando acontece alguma tragédia, algo que nos comove, algo que nos faz pensar que podia ser conosco, é que nos vem à tona um turbilhão de sentimentos e de sensações, que nos faz repensar a vida, nossos atos, nossas atitudes, nosso modo de encarar a vida aqui por essas bandas, padecemos por uns dias, do sofrimento de saber que, de uma hora para a outra, podemos também ir, sem aviso, sem esperar.

E de nada terá adiantado, a nossa empáfia, a nossa soberba, as nossas atitudes impensadas, as nossas inimizades, os nossos desafetos e tudo de mal que semeamos. Por isso, é sempre tempo de abaixar as guardas e semear o amor e a alegria de viver. É bem melhor semear uma boa lembrança, uma gota de saudade que ficará nos olhos de alguém, um aperto que ficará no coração de alguém, um sorriso que ficará na memória de alguém, pois não sabemos por quanto tempo ficaremos por aqui. Todo dia a dor da morte chega para alguém.

É certo que muitos só se preocupam com a roda viva da vida e, logo, já não sofrerão mais com aquele dor da morte e perderão de novo o sentido de viver e, em pouco tempo, já se acharão novamente super heróis de uma vida que vai durar para sempre e se acharão maiores e melhores, buscarão as guerras, destilarão o ódio, o orgulho e dispensarão a mão do amor, aliás, todos nós. Até que a vida venha, mais uma vez, e nos ensine as lições que ela nos ensina todos os dias e não conseguimos aprender.

2 respostas para As lições de todo dia

  1. […] via As lições de todo dia — POUCAS PALAVRAS […]

  2. mariel disse:

    Viver da melhor maneira que pudermos, todos os dias, cada um deles.

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