E o novo se fez


Naquele dia tudo já foi diferente, ainda que o inverno marcasse o calendário, o sol nasceu soberano irradiando sua luz sobre tudo, pelas ruas já era possível notar sorrisos largos, a alegria apareceu, enfim, foi jogada para longe a tristeza dos dias nublados, chuvosos e frios que nos castigava, ainda que não fosse primavera, flores já brotavam nos vasos sobre os beirais das janelas e até o ar já parecia estar mais leve e perfumado.

A esperança parece que voltou a dar o ar da graça e já era possível perceber a fé sendo renovada e as pessoas acreditando em dias melhores, ainda que a tarefa fosse árdua, já se apostava que as dificuldades haviam ficado para trás, com tudo mais que havia ficado envelhecido e que emperra a vida. A sensação de alívio era facilmente notada em cada respiração que, outrora era ofegante e, era só olhar para ver de novo, as cabeças erguidas.

Diferente de um dia de ressaca, aquele dia amanheceu feliz e leve, mesmo que sentíssemos os passos firmes que cortavam as ruas, a caminhada era tranquila, até para quem tinha uma certa pressa de recuperar o tempo perdido, ou ainda de salvar o que já se achava sem salvação. Os carros, ainda que apressados como nos outros dias, pareciam evitar o caos para não atrapalhar aquilo que já tinha sido atrapalhado demais.

Aquele dia solar e alegre já deixava claro que havia uma festa, que não se fazia necessária comemorar, cada qual sentia em si a felicidade que amanheceu junto com aquele dia que trouxe os sopros de um novo tempo, um tempo de mudança, um tempo de reconstrução, um tempo de resgate, um tempo sem medo e sem receio, um tempo de fazer diferente, um tempo de corrigir o que estava errado, um tempo para fazer a vida valer à pena.

É certo que nem todos estavam sorrindo naquele dia de libertação, há os que não gostam do novo, são tristes, pessimistas e sempre vão apostar em dias chuvosos, diria até que eles apostam em dias de temporais, daqueles que quando vem, quase sempre são devastadores, mas para quem já teve a vida forjada por mentiras travestidas de verdade, não teme temporais, pois é certo que o novo sempre vem, com já dizia a canção.

Mas o dia estava lindo e radiante como há tempos no se via naquele lugar, as pessoas se saudavam com a felicidade de quem recebeu o novo de braços abertos e com a certeza de que daquele dia em diante, a vida voltaria ao normal. Ainda que houvesse um falatório que as ruas seriam cobertas de vermelho para manchar de sangue os rumos de um novo tempo, naquele dia, só havia espaço para dar boas vindas ao novo e tudo de bom que ele sempre nos traz.

E ao fim daquele dia de sol de verão, com flores de primavera em pleno inverno, em que tal e qual o outono se foi possível trocar todas as folhas velhas da vida daquele lugar, a noite se fez presente com uma lua nova, atestando que a partir daquele dia, mesmo que nem sempre fosse possível viver só dias de sol, ficou claro que naquele lugar, não mais se viveriam só dias de chuvas, pois, para alegria de todos, o novo se fez.

 

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