Arte em parceria


Quando se fala em criação artística, é muito difícil, assim, em um primeiro momento, se pensar na possibilidade de que haja mais de um criador no ato de sua concepção. A criação nasce sempre de uma ideia e é através dela que o artista, manifesta suas emoções, suas impressões sobre a vida e, até, expurga os seus demônios. Mas, principalmente na música, existe a possibilidade de se dividir a criação artística, e, às vezes, com qualidade.

Embora na literatura isso pareça ser uma verdadeira loucura, diria até, impensável, em outros formatos de narrativas, como o cinema, o teatro e mesmo, as novelas, tem-se buscado afinar as criações artísticas através de outros pontos de vistas, ainda que isso esteja apenas no âmbito da escrita dos roteiros, com os pares que tenham o mesmo ofício: a escrita. A história, ainda que escrita a duas ou mais mãos, é de competência apenas do escritor.

Mas se existe tantas possibilidades de artes que permeiam a criação de um espetáculo artístico, será que não seria possível que elas estivessem interligadas desde a sua criação? Pensando no Teatro, o quanto não seria interessante um texto que surgisse do ponto de partida do dramaturgo, passasse pela visão cênica do diretor e culminasse com o ponto de vista das necessidades de interpretação do ator?

Já ouvir falar de algumas experiências nesse sentido no Teatro, o texto vai sendo escrito a partir da encenação, autor, diretor e ator escrevendo a mesma história, sem problemas de egos, pelo menos no primeiro momento. Deve ser realmente uma experiência enriquecedora. Para mim, que tenho meus textos pautados em cima de uma possibilidade, talvez, uma criação coletiva me ofereça experimentar outras tantas visões cênicas.

Acho bem enriquecedor quando podemos trocar informações sobre nossas ideias e aproveitar na história outros pontos de vistas que não enxergamos quando estamos mergulhados na escrita da história. A visão do diretor, por exemplo, é muito salutar nessas situações, pois ele enxerga o espetáculo sobre outro prisma e até vislumbra viradas cênicas escritas que certamente trarão certas dificuldades na hora da encenação.

Talvez, uma parceria dessas, estabelecida entre Autor e Diretor na concepção do texto, principalmente no Teatro, venha a contribuir para diminuir as eternas brigas entre ambos, já que na maioria dos casos o Autor não permite que se mexa na história que ele concebeu e o Diretor quer colocar em cena a história que ele imaginou quando leu o texto. E quando isso acontece, a certeza é que não teremos a história em cena.

O fato é que a arte pode sim ser feita em parceria e um espetáculo teatral ser gerado a partir da concepção artística do diretor em conjunto com o ponto de vista do dramaturgo que escreve a história, Autor e Diretor, alinhados em uma mesma linha de criação artística para criar um texto. Agora, caso isso não seja assim, como Dramaturgo, penso que o Diretor deve dar asas à sua criação artística, mas respeitar, ao máximo, a história que o Autor escreveu.

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