O mistério da biblioteca


Oi, gente, hoje tenho uma aventura muito diferente pra contar, acho até que tem gente que não vai acreditar. Mas aconteceu, mesmo! Foi de verdade!  A Joana está aí para provar que eu não to inventando nada. Vou contar tudo pra vocês.

Eu tava muito mal em Matemática, então, a Joana, que é muito fera em Matemática, se ofereceu pra me ajudar a entender os exercícios. Tinha coisa que não entrava na minha cabeça. A professora explicava, explicava, quando eu achava que tinha entendido tudo, vinha à prova e, eu… nota baixa! Minha mãe tava muito preocupada, e eu também!

– Matemática é exercício, Helena, você vai aprender a fazer. Depois, é só praticar!

– Falando assim, até parece fácil.

– É fácil sim!

– Duvido.

Depois da aula, eu e a Joana marcamos de ficar uma hora na biblioteca para ela me explicar os exercícios de Matemática. A Tereza, que ficava na biblioteca, deixou a gente ficar sozinha lá enquanto ela saiu pra almoçar.

– Presta atenção, Helena!

– Olha só, Joana! Cada livro desse deve ter um monte de aventura legal!

– Só que hoje é dia de Matemática, lembra?

– Deixa eu dar só uma olhadinha.

Nem esperei a resposta da Joana, e sai lendo os nomes dos livros na estante. Só que quando puxei um livro para ler, descobri uma coisa muita estranha.

– Olha isso, Joana!

– O quê, Helena?

– O livro!

– O que é que tem?

– As letras sumiram!

– O quê?

Verdade! O livro tava lá, mas dentro, não tinha nada escrito. Comecei a olhar um por um, e nada! Todos os livros estavam em branco. Alguém tinha roubado as letras dos livros. Mas quem?

A Joana deixou os exercícios de Matemática pra me ajudar a encontrar as letras dos livros. A gente não acreditava naquilo. Não podia ser possível, as palavras escritas nos livros, sumirem assim, de um hora para outra! De uma hora para outra era o fim de todas as histórias, não podia!

Tentei sair da biblioteca, mas a porta estava trancada.

– E agora, Joana? Fecharam a porta!

– Não acredito que a Tereza deixou a gente aqui trancada!

A Joana começou a chamar as inspetoras, mas ninguém aparecia.

– Não adianta, Joana, ninguém escuta!

– Então deixa isso pra lá, Helena, vamos estudar Matemática, quando a Tereza chegar a gente conta pra ela.

– Nada disso! Não sossego enquanto não resolver esse mistério.

Tinha que ter alguma explicação, mas qual? Não dá para apagar as palavras dos livros com uma borracha, alguém fez alguma coisa.

– Helena, você acha que tem alguém aqui?

– Já vai começar, Joana?

– É sério! Pode ser perigoso!

Comecei a procurar por toda a biblioteca, a Joana, mesmo com medo, também começou a procurar, mas a biblioteca não era assim tão grande que desse para alguém se esconder tão escondido assim.

De repente eu ouvi um assobio.

– Ouviu, Joana?

– Ouvi! De onde veio?

– Acho que veio de debaixo na mesa da Tereza.

– Eu não vou lá!

Claro que a Joana não foi. Ela é a minha melhor amiga, mas como é medrosa, viu? Mas, eu fui, bem devagarzinho e não acreditei quando eu me abaixei para ver quem tinha assobiado e vi quem estava escondido dentro do cesto de lixo.

– Pequeno Polegar?

– Quem, Helena?

Era o pequeno polegar! Ele mesmo, em carne e osso e miniatura!

– O que você está fazendo fora da sua história?

– Eu tive que fugir do meu livro para buscar ajuda.

– Ajuda pra quê? Disse a Joana.

– Estão roubando as palavras dos livros! Disse o Pequeno Polegar.

É, parecia que alguém não queria que mais ninguém lesse mais nada. Alguém não queria mais palavras no mundo. Foi então que o Pequeno Polegar contou porque fugiu do livro e porque ele fugiu.

Vocês não vão acreditar! Mas foi verdade, juro pela minha mãe! Mas sabe quem sumiu com as palavras dos livros? Os números! É! O 1, o 2, o 3, o 4, o 5, o 6, o 7, o 8 e o 9, saíram dos livros de Matemática e resolveram sumir com as letras dos livros, porque as pessoas gostavam mais das palavras do que deles.

– E onde estão esses números de uma figa?

– Não sei! A última vez que os vi, eles estavam indo para o lado da estante das poesias.

– Deixa que eu vou falar com eles. Disse a Joana.

Se tinha alguém melhor para falar com os números, era a Joana. Não tinha, na escola, ninguém que soubesse mais Matemática do que ela. Não sei o que ela falou para os números, ela nunca me contou isso, mas, não demorou muito e todas as palavras começaram a aparecer nos livros. Não deu nem tempo de me despedir do Pequeno Polegar.

– Pô, Joana, os números gostam mesmo de você, hein?

– É porque eu também gosto muito deles, Helena!

Eu vou confessar uma coisa. Prefiro muito mais as letras, do quê os números, ainda mais depois de tudo o que eles fizeram com as letras. Tudo inveja!

Eu não sei se vocês gostam de Matemática, mas, eu acho que vai ser mesmo muito difícil que um dia eu saiba Matemática assim como a Joana sabe. Acho que nunca!

Mas, tomara que mais gente goste dos números, assim, eles não vão tentar roubar, outra vez, as palavras de livro nenhum!

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