Cada um se vira como pode em Niterói


A comédia ‘Cada um se vira como pode’, sobre um casal em dívida com o agiota Salvador, marca a abertura do Espaço Cultural Oceânico neste sábado

A plateia irá participar do espetáculo como “vizinho” do casal, ajudando Eugênio e Madalena na solução de seus problemas econômicos

Foto: Luixx Mayerhofer/Divulgação

A arte é uma das bases para o pensamento crítico em uma sociedade. Ela permite que o indivíduo repense a sua realidade a partir de uma nova ótica. Através dela é possível entender costumes, história, e a própria subjetividade humana. No teatro, ela ganha uma representação em movimento, os corpos no palco são a grande obra. De frente ao público, se conecta a ele, e cada encenação suscita diferentes interpretações. Trazendo o primeiro espaço dedicado às artes cênicas da Região Oceânica, o Espaço Cultural Oceânico (ECO) inaugura neste sábado (02) em Piratininga a Sala Augusto Boal, com a estreia da peça “Cada um se vira como pode”.

Para Marília Duarte, atriz, diretora teatral e uma das fundadoras do ECO, a sala veio para suprir uma necessidade da Região Oceânica. “O teatro é importantíssimo para a formação do cidadão. A região estava precisando de um espaço cultural como esse”, salienta.

Baseada no texto de Paulo Sacaldassy, “Cada um se vira como pode” é uma comédia atual, onde o casal Eugênio (Jeremias Flôres) e Madalena (Agatha Victor) passam por dificuldades econômicas e precisam lidar com a cobrança do agiota Salvador (Carrique Vieira). O agiota exige o pagamento imediato da dívida, fazendo com que Eugênio e Madalena façam propostas absurdas para driblar a dívida. A peça, então, se desenrola, com muito bom humor, das situações inusitadas que o casal se submete para contornar o pagamento. Ficará em cartaz no espaço durante todo o mês de abril. A escolha deste texto de Sacaldassy não foi por acaso. “O roteiro tem tudo a ver com a atual economia, já que o casal tem que usar sua criatividade para contornar os credores. Todo mundo vai se identificar”, descreve Carrique Vieira, ator e diretor da peça.

O debate sobre a crise econômica ainda vai ganhar um novo fôlego, pois a cada sessão da peça o público será convidado a ajudar o casal nas propostas para quitar sua dívida. A plateia irá participar do espetáculo como “vizinho” do casal, ajudando Eugênio e Madalena na solução de seus problemas econômicos. Carrique afirma que o objetivo desta interatividade é trazer as pessoas para dentro do palco. Diminuindo a distância entre ator e plateia, esta interação convida o público a construir a história junto com o próprio diretor.

A Sala Augusto Boal é o primeiro espaço inteiramente dedicado ao teatro da Região Oceânica de Niterói. O espaço possui 66 lugares, e vem para modificar o eixo das principais peças que comumente estão em cartaz no Centro ou em bairros da Zona Sul de Niterói. A sala foi idealizada em conjunto com artistas da região e chega, também, para movimentar os bairros do local, repensando seus pontos de lazer. “Quero que as pessoas depois do teatro vão para os quiosques ali perto da praia. O espaço veio para trazer conforto e cultura para o morador, não só daquela parte específica, mas de toda cidade”, defende Carrique.

Arte que transforma – A homenagem à Augusto Boal já era uma vontade antiga de Marília, a peça “Cada um se vira como pode” chega no momento oportuno para mostrar a força que as artes cênicas têm nas pessoas. O próprio Boal, que dá nome para a mais nova sala de teatro de Niterói, era reconhecido por usar o teatro como uma ferramenta de transformação social. Ele foi criador do “Teatro do Oprimido”, um método que através de exercícios, jogos e técnicas teatrais, propunha uma democratização dos meios de produção do teatro para as várias camadas sociais.

Dono da empresa de filmes “35mm” e também fundador do espaço, Marcelo Caldas ressalta a importância da arte na sociedade. “A arte não é certa nem métrica, é sensível. Ela atravessa o indivíduo, e faz com que ele pense sobre suas crenças”, avalia.

Os atores Agatha Victor e Jeremias Flôres vivem o casal Eugênio e Madalena

Foto: Luixx Mayerhofer/Divulgação

O novo espaço cultural também trará aulas de interpretação para atores iniciantes e com experiência. O objetivo é criar uma rede de escolas de teatro, e também formar futuros artistas para trabalhar nas peças da ECO. A primeira aula inaugural do Curso do Carrique Vieira para atores experientes aconteceu no último dia 19, mas as inscrições vão até maio. A Oficina Livre de Teatro é ministrada por Marília e atende tanto crianças (terça-feira) como adultos (quinta-feira). O projeto ainda pretende fazer uma versão de “Ministro do Supremo” de Armando Gonzaga ainda este ano. “A casa está aberta a novos professores, novos alunos, novas peças. O espaço quer crescer junto com o próprio público”, afirma Marília.

Antecipando a abertura da sala, os cursos ministrados vão oferecer tanto aulas sobre a produção teatral (noções de indumentária, direção, iluminação, noções de produção e ética profissional) quanto lições sobre atuação dramática. As aulas vêm como uma consolidação do espaço cultural, uma “marca” no mercado de atuação e dramaturgia em Niterói e no Rio de Janeiro.

​O teatro que chega à Região Oceânica vem como mais uma iniciativa de democratizar o acesso às artes. Com aulas, exposições, espetáculos, a sala cria na cidade um novo “pensar” a arte, abraçando diferentes culturas e expressões. Se estes “corpos em movimentos” têm a capacidade de provocar e transformar o público, o espaço Augusto Boal dá a ele a ferramenta para a construção do pensamento crítico.

O Espaço ECO fica na Rua Leopoldo Muylaert, 76, em Piratininga, Niterói. O espetáculo “Cada um se vira como pode” fica em cartaz todos sábados e domingos de abril, às 20h. Preço: R$ 20 (inteira). Telefone:3492-7470.

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