As estatísticas e a realidade


Não é de hoje que as coisas não andam nada bem, faz tempo que vivemos um clima de insegurança em nosso país, mas nos dias atuais, essa sensação de insegurança virou medo, pânico, somos todos reféns da criminalidade e isto é fato consumado. Não há uma só cidade que não esteja dominada pela violência e sofrendo as suas consequências, andar nas ruas tem sido uma das atividades mais arriscadas do brasileiro.

Todo mundo tem uma história de violência para contar e elas são tantas e acontecem com tanta frequência, que as redes de televisões disputam os índices de audiência, em uma luta ensandecida para ver quem vai mostrar mais sangue na sua programação. Enquanto o cidadão morre de medo, a criminalidade toma conta do país e, a cada dia, com mais perversidade vem transformando cada brasileiro um prisioneiro.

E o pior é que não existe luz no fim do túnel, pois não há mais respeito com as leis do país, a liberdade que foi conquistada à duras penas, hoje se transformou em libertinagem e a defesa equivocada dos direitos humanos, a impunidade, a falta de investimento, a presença de criminosos dentro das corporações policiais e, até mesmo as diferenças sociais, fizeram que a violência fosse instituída, ao ponto da população não saber mais direito quem é polícia e quem é bandido.

Mas, mesmo diante desse quadro pavoroso em que todo dia morre um cidadão vítima da violência, os governantes vão à imprensa com planilhas, relatórios, querendo mostrar à população que a criminalidade está diminuindo. Como acreditar em números, quando sentimos e vivemos a violência diariamente, que não temos mais a paz e a tranquilidade de andar nas ruas, sem olhar para todos os lados como medo que a violência nos pegue em uma esquina?

Parece fácil vender uma idéia de que o governo está se preocupando com a questão da violência, que tem combatido a criminalidade com o rigor da lei, que os números têm mostrada a diminuição deste ou daquele delito, pois, no papel, em números consolidados nos gabinetes, toda estatística pode parecer exata, mas na realidade, as conseqüências da violência, quem sabe mesmo, é o cidadão que sai de casa sem ter a certeza de que irá voltar ou não.

Números, planilhas, relatórios, discursos, tudo isso, diante da situação de insegurança em que vivemos, não servem para nada. Nada vai acalentar a dor e trazer justiça para a família que perdeu um ente querido para a violência. Não são números estatísticos que vão tranquilizar as pessoas e trazer a paz tão desejada. Hoje, a realidade pede ações contundentes, leis mais severas e o fim definitivo da impunidade e não estatísticas frias e generalizadas.

Não é possível que diante de crimes que chocam e causam a indignação da população, e que aumentam ainda mais essa sensação de medo que estampa o rosto de cada brasileiro, que ao chegar, sair ou ficar em casa, tenha que contar apenas com a proteção divina de uma oração para que não seja mais uma vítima da violência, o governo use de insensibilidade para tratar a dura realidade com as estatísticas. Isso não é governo, é algoz!

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