Germinando malfeitores e justiceiros


Parece mesmo que a emoção está vencendo a batalha contra a razão. A raiva, a ira, a vingança, a inveja, todos os sentimentos mesquinhos e nocivos que existem nos seres humanos germinaram e afloraram, de tal forma, que a maldade hoje se sente a vontade para imperar. O que estamos assistindo é um filme muito triste, onde a lei da sobrevivência virou dente por dente, olho por olho e nem damos conta, o quanto já estamos cegos e banguelas.

Não sei em que ponto da história, perdemos a nossa capacidade de enxergar o ser humano como ser humano, talvez no momento em que optamos para darmos mais valor às coisas do que às pessoas, ou no momento em que achamos que mais fundamental que tudo, fosse o “ter”, do “ser”. Armamos uma arapuca para nós mesmo e fomos, pouco a pouco, germinando justiceiros, dispostos a usar as próprias mãos para dar conta de nossas insatisfações.

É certo também que, no momento em que deixamos a impunidade imperar, o conceito de justiça foi jogado pela latrina e, como já não tínhamos mais o controle absoluto de nossas emoções, passamos a agir sem nenhuma civilidade. Criamos um ambiente degradante, de divisão de classes, de desrespeito às leis e, nos sentindo cada qual, injustiçado, por esse ou por aquele motivo, deixamos de dar ouvidos à nossa razão.

Assim, cada dia que passa, vemos atos e mais atos de violência, quase sempre gratuitas, onde uns tentam através de furtos, assaltos, roubos, agressões, saciarem os seus desejos impossibilitados por suas condições sociais e outros, a fim de defenderem suas conquistas, desprotegidos pela lei, sem acreditarem mais na justiça, acuados e amedrontados, acabam se enfrentam, fazendo que cada um busque fazer justiça, pelas próprias mãos.

Hoje já não estamos conseguindo lidar com o monstro que criamos para nós mesmos. Abdicamos de muitos valores e optamos para a superficialidade das coisas fúteis da vida e, abrimos mão das coisas que sempre foram mais importantes para o ser humano. Agora, já não sabemos mais o que fazer, não pensamos com racionalidade e perdemos a noção exata da questão de ética e cidadania. Não há mais ou certo ou errado e sim o que quero.

E quanto mais o tempo passa, mais nos tornamos seres irracionais, guiados por uma emoção mesquinha que, para realizar nossas vontades, nos torna capazes das maiores atrocidades contra o nosso semelhante. O conceito de humanidade já não faz mais parte de nossa civilização, pois nada mais nos comovem, pois somos frios o suficiente para tornar um momento fúnebre, uma desgraça alheia, em cliques nas redes sociais.

Passamos os últimos tempos plantando a segregação, germinando justiceiros e dando forma à uma sociedade que, para fazer justiça, se vale do olhos por olho, do dente por dente e agora, cegos e banguelas, já não vemos no que nos transformamos e nem podemos sorrir pelo que há de bom na vida. Só torço que, os poucos que ainda conseguem usar a razão em momentos de grandes emoções, sejam capazes de orientar a sociedade para um novo tempo.

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