O preço da omissão


Estamos vivendo tempos muito difíceis no país, uma crise institucional, política, econômica e ética que acabou por dividir à população em vermelhos e azuis, entre coxinha e esquerda caviar, entre pobres e ricos, uma polarização descabida e desmedida que só tem contribuindo ainda mais para colocar fogo na fogueira. Uma guerra em que ambos os lados se acusam, culpando-se um ao outro pelo descaminho que os rumos do país tomou depois da última eleição.

É óbvio que essa disputa de quem é o culpado, não levará a nada, birras de crianças mimadas que, dos dois lados, ficam batendo o pé e buscando ações de mau gerenciamento do dinheiro público de um lado e do outro. A corrupção é sistêmica e neste ponto, tenho certeza que a maioria da população converge para isso, com exceção é claro, dos radicais e reacionários de lado a lado, que acham que um ladrão é menos ladrão do que o outro.

Só que o grande problema e a maior responsável pela instalação desta crise sem precedente que nos assola desde o início do novo mandato da atual Presidente, passa à margem de todas as discussões, pois, como todos estão gritando contra todos, ninguém consegue se escutar. O fato é que um terço da população brasileira optou pela omissão na época da eleição, se colocou fora da escolha, não quis manifestar a sua real vontade de mudança.

É sabido que a perpetuação de dois grupos políticos brigando para se alternarem no poder a todo custo, fez com que muitos se convencessem de que de nada adiantaria apostar num outra vertente, pois seria muito difícil uma vitória diferente. E, atrás deste pensamento pessimista e acomodado que tem medo de fazer qualquer mudança, um terço dos eleitores, só pensaram na hora do voto e se esquecerem que padeceriam do mesmo bem ou do mesmo mal.

Sim, pois o simples fato de abrir mão do direito de votar, de dar de ombros, de lavar as mãos, de não querer se envolver, de estar farto de política, disso e daquilo, acabou por dar um cheque em branco para ser usando seja lá por quem fosse eleito, e ele está sendo usado da pior forma possível. Agora as consequências estão muito sérias para o país e, a omissão, não foi capaz de livrar o um terço do problema, agora todos sofre. É como diz: Todos pagam pela omissão de poucos, até mesmos os omissos.

Agora o que vemos é a emoção à flor da pele, criando uma cultura de ódio, dividindo ainda mais o país, pois a vida piorou muito para tantos e para outros, muito mais e, a racionalidade, não encontra mais espaço para manifestar sua insatisfação com civilidade, ainda mais quando explodem informações dando conta da improbidade administrativa e da corrupção enraizada nos entes do atual governo e de outros, quase um poço sem fundo.

Se um terço da população que se omitiu de manifestar a sua vontade, tivesse apostado nas suas escolhas, talvez tivéssemos um outro cenário, ou talvez não, talvez um cenário bem pior, mas aí a legitimidade da manifestação de insatisfação de mais de oitenta por cento da população estaria embasada no direito de escolha que todos manifestaram no dia da eleição. Porque o pior de tudo é estar agora todo mundo sofrendo as consequências de quem se escondeu atrás de sua omissão.

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